sexta-feira, 28 de março de 2008

BRUNO GROSSI


Bruno Grossi | Óleo sobre tela | 60cm x 50cm
Série Retrato sem Face

TIKO LEE


Há uma pedra no caminho.
Há uma pedra no cachimbo.
Há uma pedra prática-plástica.
Pedra sem cor, sem vida.
Há um menino no caminho da pedra...
Há uma pedra no caminho da menina...
Há chupadas criaturas-caricaturas.
A pedra tira-lhes o ar- definha-os.
Há uma pedra em cima de prateado papel.
Há uma chama azul- escarlate-bicarbonato.
Há uma aquarela, de cores arranhando almas juvenis...
Sugando vidas.
Há Áfricas de meninos...
Meninos em pele e osso.
Escondidas nas gretas da sociedade.
Ha´uma PEDRA Esperança prateada.
Há um DEUS de LUZ!!!... de igualdade!!!
Há uma pedra no sapato...
Há um sapato... na descalça sociedade.
tiko lee-poeta Cristão contemporâneo¨¨O poeta osasquense leônidas de souza, mais conhecido como tiko lee,
escreveu este poema, inspirado em Carlos Drummond de Andrade, em
memória de seu filho Leandro Renato de Paula Souza, de 16 anos, vítima
do "crack", transformado em "menino de rua" e assassinado por traficantes de
cocaína em 1996 - na cidade de Osasco -SP.
tiko lee " Alimente os teus sonhos...ou eles devoram a tu"alma".

quinta-feira, 27 de março de 2008

GLAUCIA NASSER LANÇA SEU TERCEIRO DISCO


AGENDA DE SHOWS GLAUCIA NASSER Está confirmado Pocket Show com Glaucia Nasser, na Livraria Leitura do BH Shopping no dia 3 de abril as 20h.
Glaucia Nasser - voz
Luiz Enrique - Violoes
Serginho Silva - Percussão
SHOWS DE LANÇAMENTO DO CD
A Vida Num Segundo
**Show Belo Horizonte
Data: 09 de abril
Local: Teatro Alterosa
End: Av. Assis Chateaubriand, 499 - Floresta - Belo Horizonte/MG
Telefone: (031)3237-6611
**Show Rio de Janeiro
Data: 15 de abril
Local: Teatro Rival
End.: Rua Alvaro Alvim, 33,37 - Cinelandia - Rio de Janeiro/RJ
Telefone: (21) 2524-1666
**Show Sao Paulo
Data: 06 de maio
Local: Bourbon Street
End.: Rua dos Chanes, 127 - Moema - Sao Paulo/SP
Telefone: (11) 5095-6100 / 5561-1643

quarta-feira, 26 de março de 2008

VANIA MOREIRA DINIZ


Meus velhos Amigos
Vânia Moreira Diniz
Hoje quando acordei estava uma manhã cheia de sol, embora com a característica dos dias frios de inverno. Se for possível chamar de inverno, dias cujo sol queima ao tocar a pele é a esse mesmo que me refiro. Costumo visitar um casal já idoso na periferia de nossa cidade, para quem levo comida, remédios e gás. E sempre achei que eles me davam lição de vida ao me mostrarem, o sofrimento e uma existência quase miserável com coragem e alegria. Tinha recebido a notícia de que Sr Antônio ia se operar de um câncer na próstata e meu coração doeu à lembrança daquele casebre em que viviam.Ele sempre com uma sonda para facilitar a deficiência que o amargava e Dona Maria, curvada pela artrite e mal conseguindo andar o necessário dentro da própria casa. Foi com dificuldade e muita tristeza que consegui bater naquele frágil portãozinho que me acostumara já a visitar.E com os olhos marejados vi aparecer a figura de um dos netinhos do casal, que já me conhecia. Olhei-o, beijando-o sem conseguir perguntar pelos avós, mas ele me disse.
-Eles perguntam todo dia por você!
Fiz apenas um carinho nos cabelos esvoaçantes do garoto sem conseguir falar enquanto entrava naquela casinha pobre, que tantas vezes me entristeceu pelo abandono e devastação. Seu Antônio foi o primeiro que me viu e seu rosto se iluminou, se é possível dizer isso de uma pessoa tão fraca, pálida e acabada. Agachei-me perto de sua tosca cama procurando fazer-lhe um carinho no rosto e beijando-o em seguida.Dona Maria entrou então por um vão que era apelidada de cozinha e levantei-me para abraçá-la.
Tudo ali era tão patético que mesmo sem querer, as lágrimas não tinham tréguas. E por incrível que pareça, na coragem que ostentavam, parecia que mais me consolavam do que eram consolados. Foi então que Seu Antônio me disse:
-Vou me operar, minha filha!
Achei-o tão fraco, que temia por uma operação naquelas circunstâncias.
- É mesmo necessário? O que disse o médico?
-O doutor disse que estou muito velho e fraco. Que seria melhor não operar.
Mas eu quero. Não agüento mais essa sonda. Minha filha vai ter que assinar.
-Quer dizer que ela vai ter que autorizar é isso?
Ele balançou a cabeça desconsolado e compreendi que era uma operação de alto risco mas na qual queria tentar um alívio. Olhei então para Dona Maria e não pude me conter ao vê-la tão esmagada pela dor e pelo medo de perder o velho companheiro. Senti sua dor no olhar arrasado em que quase me pedia socorro. E pela milionésima vez eu lamentava em desespero a impotência que nos domina em momentos como esse.Pedi ao rapazinho que buscasse no carro o que tinha trazido para eles, constatando que já quase não existiam mais alimentos dentro de casa e prometi conversar no Hospital com o médico que estava atendendo ao meu triste amigo. Meu coração estava extremamente doído e perguntava-me como era possível que a vida fosse realmente injusta com pessoas tão maravilhosas. Vi quando Dona Maria sorriu e disse:
-Vou comer macarrão, hoje, minha filha!
-gosta de macarrão? Eu também adoro!
-Sim, mas só como quando você traz nas compras.
-Não tem importância. Trarei mais e poderá comer sempre que quiser.
Minha garganta estava embargada com um nó imenso a interceptar que as lágrimas descessem de tanta emoção. Abracei-os com carinho imenso pensando como seria difícil minha conversa com o médico que estava tratando o meu velho amigo.E ainda mais imaginei como me sentia orgulhosa de poder conviver com pessoas fantásticas, tão nobres que em meio ao sofrimento se mantinham altivas e compreensivas e cuja revolta não faziam parte de seu mundo.
Vânia M. Diniz é escritora, cronista, poeta e humanista, com sites na Internet, e-books e livros publicados.

EDITORA GLOBO


GRAMÁTICA DO BRASILEIRO
UMA NOVA FORMA DE ENTENDER NOSSA LÍNGUA
CELSO FERRAREZI JUNIOR E IARA MARIA TELES
O português do Brasil visto (e ouvido) sob uma ótica brasileira
Gramática do brasileiro – Uma nova forma de entender a nossa língua, de Celso Ferrarezi Junior e Iara Maria Teles, realiza o que afirma seu subtítulo: propõe novo olhar sobre o ensino da gramática da língua portuguesa no Brasil. Esse novo olhar parte de “uma perspectiva semântico-pragmática de fundo cultural”, chamada “Semântica de Contextos e Cenários” (SCC). Trocando em miúdos, isto significa ver a língua “a partir do uso (e, conseqüentemente, da cultura na qual ela está inserida) para a estrutura, e não da estrutura para o uso, como se tem feito tradicionalmente”. Essa inversão permite reequacionar várias questões, desde as histórico-políticas, advindas da origem colonial da cultura do país, até as mais pragmáticas, do dia-a-dia do uso e do ensino do português brasileiro, que, nascido da cultura do Brasil e sendo, ao mesmo tempo, uma de suas bases, não pode, segundo ao autores, ser bem entendido, ensinado e vivido sem ter essa cultura como ponto de partida – e de chegada.Nas palavras esclarecedoras do apresentador, Marcelo Módolo (professor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da USP), “Durante muito tempo, a lingüística brasileira valeu-se de modelos teóricos europeus e norte-americanos. Aprendia-se um desses modelos e, em seguida, aplicava-se sobre os dados do português – o que revelava, não raro, um descompasso entre a teoria assumida e os dados a serem analisados. [...] Atualmente, a nossa lingüística – madura e estabelecida – goza de boa autonomia e muitos pesquisadores não importam mais teorias, criando seus próprios modelos para reflexão sobre a linguagem. Esta Gramática do brasileiro representa bem esta nova etapa dos estudos da linguagem no Brasil. [Os autores examinam aspectos fonético-fonológicos, morfológicos e sintá ticos do português brasileiro] com uma visão que poderíamos rotular de ‘funcionalista’. [...] Trata-se de proposta auspiciosa e instigante, elaborada por dois pesquisadores muito bem preparados, que merece ser lida e debatida.’”
Trecho: Quando trabalhei com línguas indígenas, embora tenha sido por poucos anos, pude notar que as gramáticas das línguas indígenas não falam, por exemplo, de homonímia. Quando me dei conta disso – que pode parecer um pequeno detalhe mas não é –, me dei conta, também, de que os cientistas que trabalhavam com línguas indígenas não podiam recorrer a conhecimentos históricos para dizer que um mesmo sinal, uma palavra, por exemplo, tinha origens diferentes. Eles tinham que dizer apenas que na língua x ocorre a palavra y, que é usada pelos falantes com os sentidos tal e tal, cada qual numa circunstância diferente. Cheguei à conclusão de que, nesse caso, o cientista estava passando exatamente pelo mesmo processo que a criança que aprendia aquela língua. Para es sa criança (vou usar um exemplo da nossa língua aqui) não tem a menor importância se a palavra “são” (aquele que tem saúde) e a palavra “são” (do verbo ser: eles são) pode ser identificada como tendo origens diferentes e vista como se fosse, na verdade, duas palavras. O fato é que, como a criança não dispõe dessa informação histórica, “são” não é duas palavras não! É uma e a mesma palavra, e a criança tem que aprender como usar essa palavra em seus diferentes sentidos. Na cabeça da criança que está aprendendo a língua, essa tal de homonímia não existe, porque a criança não dispõe de um filme, mas apenas de fotografias que ela tira aqui e ali. Da mesma forma, uma criança não tem a menor necessidade de saber que o verbo &l dquo;pôr” e seus derivados são chamados de verbos da segunda conjugação porque vêm do verbo “poer” ou “poner” ou “ponere”; isso simplesmente porque “poer” e etc. não existem na língua que ela fala, e “pôr”, “compor”, “repor”, “interpor”, “pospor” e um bocado de outros semelhantes existem existem e estão ali na frente dela e ela tem que dar conta de usar essas palavras para dizer certas coisas.
Os autores:
Celso Ferrarezi Jr. é graduado em letras (português/inglês) pela Universidade Federal de Rondônia. Mestre em lingüística/semântica pela Universidade Estadual de Campinas e doutor na mesma área pela Universidade Federal de Rondônia. Cursou pós-doutorado em semântica na Unicamp. Atualmente é professor do Departamento de Letras e Lingüística da Universidade Federal de Rondônia. É autor, entre outros livros, de Ensinar o brasileiro – Respostas a 50 perguntas de professores de língua materna.Iara Maria Teles é graduada em letras neolatinas pela Universidade Estadual do Norte do Paraná. Mestre em lingüística pela Universidade de Paris III (Sorbonne-Nouvelle) e doutora em lingüística pela Universidade Federal de Santa Catarina, atualmente é professora da Universidade Federal de Rondônia, onde atua no Núcleo de Pesquisas em Línguas Indígenas.
Ficha técnica:
Título: Gramática do brasileiro - uma nova forma de entender a nossa língua
Autores: Celso Ferrarezi Jr. e Iara Maria Teles
Editora: Globo
Gênero: Gramática
Capa: Alberto Mateus
Preço: R$33,00
Número de páginas: 342
Formato: 16 x 23 cm
ISBN: 978-85-250-4417-4
Informações:
Verônica Papoula e Julie Krauniski
E-mail: imprensaglobolivros@edglobo.com.br
Telefones: (11) 3767-7819 / (11) 3767-7863

quinta-feira, 20 de março de 2008

JOSÉ SOUSA


RECORTES
Todos os pedaços da vida,
cortados pelas tesouras do tempo,
podem em minutos seculares
reduzir seus tesouros preciosos
a fios de linhas tracejadas
antes que você possa guardá-los.
JOSÉ SOUSA /TELA bosh

terça-feira, 18 de março de 2008

FELLINIANA


Felliniana
Para quem, como eu, acostumou-se a discutir a coisa pública com seriedade, assistir à sessão de ontem na câmara dos vereadores de Cotia foi um ato de penitência. Ou, para sair da esfera católica e sua carga repressiva, cheia de mea culpa, foi um momento de pôr à prova a paciência e a tolerância. A indignação crescente, sem ter como se expressar -- o público não pode se manifestar --, tinha de ser sufocada. E sublimada, para evitar efeitos nocivos à saúde, como hipertensão e taquicardia. Sim, a câmara de vereadores de Cotia também é um caso de saúde pública!
Que o diga o senhor de cabelo branco da última fila que, farto daquela gororoba, levantou-se e, aos berros, denunciou a farsa. Admoestado pelo presidente da câmara e pelos seguranças, ainda exigiu ser tratado como cidadão dentro da casa que supostamente é do povo mas que, na verdade, foi-lhe surrupiada por uma prática política apoiada em séculos de clientelismo e manipulação. Qual o quê! Levaram-no para fora, e do saguão ouvíamos seus argumentos -- corretíssimos.
Quanto a mim, decidi por uma sublimação que, embora freudiana, foi buscar inspiração em Fellini. A trilha sonora de Amarcord soava em minha cabeça enquanto os olhos assistiam àquela peça farsesca. A caricaturização dos personagens, a ênfase -- ora carregada de ironia, ora de compaixão, ora um misto de tudo isso -- em seus pontos mais marcantes, características do cinema de Fellini, estavam ali, a minha frente. E, para ficar em Amarcord, a imagem do Duce e sua trupe desfilando na cidade substituíram a imagem do crucifixo esquecido numa das paredes da câmara.
Nem Cristo agüentaria. E diria: "Perdoai-os, pai. Eles só sabem o que fazem".
Que na leitura das atas os senhores edis se distraíssem, é compreensível. Já as leram e assinaram. Mas que continuassem a se comportar como se estivessem num embalo de sábado à noite enquanto a Mesa lia o PL do novo zoneamento é inadmissível. Mortificada, constatei o pouco-caso com que grande parte deles trata os nossos interesses. Com exceção do presidente da câmara, Moisezinho (que de "inho" não tem nada), do dr. Laércio, do Almir (que apareceu por lá) e do Kalunga, que acompanhavam a leitura, os demais riam, andavam, conversavam. Um atentado contra a cidadania, a coisa pública, o papel que representam.Dos 81 artigos da lei de zoneamento, apenas 11 foram lidos. A meia hora regulamentar para a leitura do projeto não foi respeitada. Além disso, havia muita coisa a ser votada que foi adiada para daqui a (pasmem!) 15 sessões. Houve manobra para levar à falta de quórum, com a desculpa de que, ao pedir a palavra, o vereador conhecido como Tagarela (entendi o apelido: ele fala pelos cotovelos e não presta atenção à sessão) iria partir para o ataque pessoal. Um teatro. Uma farsa.Escrevi uma moção, protestando contra a atitude desrespeitosa dos vereadores. Assinada por representantes de movimentos que estavam na platéia, ela foi entregue ao Kalunga, que a encaminhou à Mesa.De bom, só a maciça participação popular e os protestos finais, na forma de vaias. E de uma recomedação, digamos, médica: um cidadão, caixa de medicamentos ao alto, receitava Viagra aos vereadores. Pra eles elevarem o nível.
Terça-feira que vem estarei lá de novo. Com filmadora e cronômetro. Adoro Fellini.
BABY SIQUEIRA ABRÃO/COTIA-SP