domingo, 11 de maio de 2008

TETÊ ESPÍNDOLA NA VIRADA CULTURAL


DIA 18 de maio em Jundiaí SHOW com Banda dentro da VIRADA CULTURAL PAULISTA 2008.
horario: 14hs00
LOCAL: Parque da Uva, na Av. Jundiaí, 1.111
DIA 27 de maio em SÃO PAULO
show/entrevista programa ALPHA FM participação do DANI BLACK
LOCAL bar AO VIVO rua inhambu 229-Moema
HORARIO as 21;30
DIA 30 de maio em BRASILIA
show EVAPORAR
PROJETO Recantos do Brasil – Etapa Pantanal juntamente com ALMIR SATER
LOCAL:Centro de Convenções Ulisses Guimarães.
horario :as 20hrs.foto de VANIA JUCÁ

ARTUR DA TÁVOLA, POR VANIA DINIZ


rtur Da Távola, Minha Saudade
Por Vânia Moreira Diniz
http://www.vaniadiniz.pro.br/diario_vaniamdiniz/artur_da_tavola.htm
Esse é um momento de muita emoção. Muita. O escritor Artur da Távola era antes detudo um ser humano maravilhoso. Que se preocupava pelos seus semelhantes de uma maneiraespecial e que tinha um extremo cuidado pelo “outro”.
Perdeu o pai muito cedo e tinha pela mãe, Dona Magdalena um amor-veneração que em nenhum momento ele ocultava. Numa de suas inumeráveis crônicas escreve pondo sua alma à mostra: “Não estou aqui, porém, para elogiar minha mãe porque morreu há quase dezesseis anos, mas para dizer que, no recato de minha dor e na interiorização do meu sentir, mais que todos, eu poderia pensar com orgulho e egoísmo: sim, egoísmo, porque o que era teor dela em caráter e exemplo, agora me pertence mais que a todos. Fui seu cúmplice toda a vida e aprendi as admirações que lhe tributei. A morte nos permite essa apropriação sem inventário.”Embora formado, dizia que era um autodidata porque aprendera o verdadeiro sentido da vida nas ruas do Rio de Janeiro, na batalha de todos os dias e com a simplicidade que o caracterizava expunha os motivos que o fazia pensar assim.Falava de sua terra com inusitado amor e ultimamente até escreveu uma série de crônicas num livro eletrônico “Rio, Um olhar de amor” em que fala de sua recordações, enaltecendo bairros e acontecimentos bem cariocas e incrivelmente emocionantes, principalmente para seus conterrâneos.
Suas crônicas normalmente se baseavam no dia-a dia, nos acontecimentos presentes, no olhar de observação para cada momento da vida.Artur da Távola era o pseudônimo de Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros e seus livros foram apreciados em grande escala embora eu ache que ele merecia muito mais reconhecimento pelas obras que editou. Amava a música desmedidamente e ia fundo quando se tratava de enaltecê-la.
Presidente atual da Rádio Roquette Pinto dedicava-se ao cargo tão intensamente como o fizera em todas as outras atividades de sua vida.Seu caráter e ética permearam sua existência tanto como homem de família, literato, político, jornalista amigo e tenho certeza que está sendo esperado em seu espaço de luz enquanto caminha tranqüilamente na direção indicada.Poeta que marcou parte de minha vida e que eu admirava profundamente não só pelo carisma e sensibilidade mas também pelo talento fascinante e auto-conscientização de sua missão neste planeta.Ele me procurou pela primeira vez quando leu meu texto “Primavera” e desde aí não deixou de me prestigiar com seu carinho e amizade. Escreveu uma linda mensagem na orelha de meu livro ‘Pelos caminhos da Vida” e enviava crônicas diretamente para que eu as publicasse em sua coluna no meu portal. Continuamente tinha uma palavra de estímulo, divulgando meu portal em sua Casa de Cultura e enviando mensagens que me estimulavam a escrever cada vez com mais entusiasmo.Ao erguer sua coluna em meu Portal há muitos anos pedi que falasse um pouco de sua personalidade e ele me respondeu com sua singular humildade:
"Vânia: Como eu gostaria de ser tão bom quanto você sinceramente considera!. Sou uma pessoa pacífica, quase comum, filho de viúva muito cedo, torço pelo Fluminense, com humores, apetites, gostos populares, bom humor e dúvidas existenciais. Gosto de música, mulher que fala baixo e adoro ler vida de santos. Exatamente porque não o sou. Mas fico feliz por sua generosidade que aquece este velho coração."
E depois completou quando falamos sobre literatura: “Escrever é um trabalho braçal com um pedacinho de inspiração e uma secreta alegria que pagam a rudeza da tarefa.”
Artur da Távola foi embora, com a certeza que cumpriu seu papel e que está deixando aos que ficam um exemplo de amor aos semelhantes e quem o conheceu ou acompanhou sua vida e sua obra jamais poderá esquece-lo.E nessa saudosa hora de despedida desejo, de onde ele estiver que receba meu pessoal agradecimento pelo carinho, força, mensagens que deixou e que eu jamais poderei olvidar.
À sua família, o meus sentimentos de ternura e minhas orações para que tenham força numa hora tão difícil.Artur, grande mestre, muito obrigada. Obrigada pelos ensinamentos, pela lição de vida e por ter confiado no meu trabalho. Obrigada por ter deixado a todos nós um exemplo inexcedível de conduta intocável e principalmente de amor à humanidade.
Obrigada e minha saudade.
Vânia Moreira Diniz
Nota:A coluna de Artur da Távola em meu Portal :
http://www.vaniadiniz.pro.br/artur_da_tavola/index.htm
No Espaço Ecos tinha levantado outra coluna que iniciou poucos dias antes de sua partida:
http://www.vaniadiniz.pro.br/espaco_ecos/cronicas/artur_da_tavola.htm

sábado, 10 de maio de 2008

ARTUR DA TÁVOLA


Tenho a fé como esperança. Em minhas orações sempre peço a Deus que me ensine a morrer e que me faça partir com coragem, com a profunda compreensão de que tudo é um ciclo." (Artur da Távola - crônica autobiográfica)
PAPO DISPERSIVO SOBRE A PAIXÃO
(crônica de Artur da Távola, por ele remetida a Andréia Donadon Leal - Date: Thu, 8 May 2008 05:24:05)
As pessoas amam bem mais a expectativa do amor possível, que o amor propriamente dito. Daí a intensidade dos impulsos bloqueados, os que estão impedidos de expansão e movimento na direção do objeto amado.
Os "grandes amores" da literatura são grandes, não por serem amores, mas por serem impossíveis.
Já os grandes amores da vida real só quem sente é que sabe. A impossibilidade de dimensionar um impulso afetivo carrega de energia a fantasia. E esta se encarrega de dar dimensão ao que o exercício da relação, talvez, tirasse.
Na paixão impossível só estão as projeções do que idealizamos, pretendemos ou não conseguimos viver em nosso cotidiano. Daí ser fácil entender sua força, sua obsessiva presença na cabeça dos enamorados.
É por isso, aliás, que só é musa quem é inatingível.
Case-se com a sua musa e acordará com uma jararaca...
Case-se com quem ama e será feliz.
Quer se ver livre de uma paixão colossal? Vá viver com a pessoa objeto da paixão (observem, por favor, que não estou usando a palavra amor). Aliás, já está nos clássicos e, mesmo, antes destes, nos antigos: "A conquista enobrece e a posse avilta". Ou, como dizia Goethe: "Nas batalhas da paixão, ganha aquele que foge".
Quantas vezes as relações humanas terminam ou se interrompem sem terem esgotado o potencial de possibilidades adivinhadas, intuídas, sentidas. Aí, o que não se esgotou clama por vir à tona e, muitas vezes, ameaça ocupar (e às vezes ocupa, efetivamente) todo o "ego".
Não é por outra razão que o apaixonado é o maior dos egoístas.
Ao dedicar tudo ao objeto da paixão, está é alimentando a própria necessidade, seja de sofrimento, de idealização, de felicidade ou fantasia.
Entupido de impossibilidades, ele clama. E a isso muitos chamam amor.
Mas amor é coisa muito diversa...
Amor não clama nem reclama: amor dá.
Date: Thu, 8 May 2008 05:24:05 -0300
Leitoras e Leitores: encaminho-lhes a Crônica de hoje
Fraternalmente, Artur da Távola
"Sou em obras"
(Artur da Távola - crônica autobiográfica) fonte:jornal aldrava/deia leal

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A VIDA É UM MISTÉRIO


Lançamento do novo álbum do Continental Combo e estréia do duo The Crow Janes na Folk This Town!A melhor (e única) festa folk de São Paulo traz o quarteto mod-folk-psicodélico Continental Combo e o duo de blues acústico The Crow Janes no dia 11 de maio.Lançando seu segundo álbum, "A Vida é um Mistério", o Continental Combo () é uma das principais bandas de folk-rock do Brasil. Liderada por Sandro Garcia – figura antiga do underground paulistano, fundador de grupos seminais do mod brasileiro como Faces e Fases e The Charts – o Continental Combo mistura folk californiano dos Byrds, psicodelia sessentista e o rock de bandas como o The Who.Já o duo The Crow Janes (), formado por Marcelo Schenberg (ex- Jazzie e Os Vendidos, atual Cobras Malditas e também um dos sócios do clube Berlin) e Roger Tarantino, estréia abrindo a noite. Influenciados pelo country blues de Skip James e Robert Johnson e pelo folk do norte-americano Beck (especialmente daquelas fitas-demo do começo dos anos 90), o The Crow Janes vai fazer do palco do Santa Augusta uma filial daquelas varandas típicas do Delta do Missisipi.Continental Combo e The Crow Janes na Folk This Town
Santa Augusta Bar
Rua Augusta, 976
Tel: 3255-9905
Dia 11/05 (domingo)
A partir das 18h30
Primeiro show às 20h
Entrada: R$ 5,00
Promoções Folk:
* Tomando duas caipirinhas, a terceira fica por conta da casa.
* Os cinco primeiros pagantes ganham um exemplar de "A Vida é um Mistério", novo álbum do Continental Combo

FRANCISCO JULIÃO


FRANCISCO JULIÃO
"Operário sem pão / camponês sem terra / panela vazia / tambor de revolução. / Viva a reforma agrária radical / com Francisco Julião."
Estes são versos de uma antiga canção lembrada pelo povo do Engenho Galiléia, em Vitória de Santo Antão, cidade pernambucana que se tornou símbolo da luta pela terra no Brasil. Mas, afinal, em poucas palavras, quem foi esse homem que nasceu em 1915, na cidade de Bom Jardim, no Agreste pernambucano, transitou com desenvoltura pelos engenhos e usinas úmidos da Zona da Mata do Estado e foi morrer, em 1999, na pequena cidade de Cuernavaca, no México? Julião nasceu numa tradicional família de proprietários de terra. Estudou na Faculdade de Direito do Recife, graduando-se em 1939. Foi professor, diretor de colégio e escreveu um livro, Cachaça, antes de se eleger deputado estadual pelo Partido Socialista Brasileiro, em 1954. Neste mesmo ano, atendendo a um convite dos camponeses do Engenho Galiléia, tornou-se advogado das Ligas Camponesas, ajudando o movimento a se ampliar e se consolidar, segundo ele, sempre dentro da lei e da ordem. Em 1962, após dois mandatos como deputado estadual pelo PSB, foi eleito deputado federal pelo mesmo partido. Em 1964, com o golpe militar e a instalação da ditadura no país, foi cassado, indo se asilar no México, onde ficou até 1979.
Com a anistia política, voltou ao Brasil e se filiou ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) do amigo Leonel Bizola. Em 1988, ainda tentou ser eleito deputado federal pelo PDT, sendo derrotado. Em 1997, retornou mais uma vez ao México com a intenção de escrever suas memórias. Morreu de enfarte, em Cuernavaca, no dia 10 de julho de 1999. Segundo Julião, a primeira Liga foi a do Engenho Galiléia, fundada em 1º de janeiro de 1955 e que se chamava Sociedade Agrícola e Pecuária dos Plantadores de Pernambuco. Ainda segundo ele, o nascimento da Liga coincidiu com a chegada de Juscelino Kubitschec ao poder, com suas propostas desenvolvimentista criando uma euforia na burguesia nacional para quebrar os latifúndios e criar indústrias de transformação, o que favoreceu ao movimento pela reforma agrária.
Ironicamente, as Ligas começaram a perder força a partir de 1962, depois que presidente João Goulart decretou a sindicalização rural, até então inexistente no Brasil, no I Congresso Camponês de Minas Gerais.
Foi esse homem fantástico, que conviveu lado a lado com os grandes protagonistas da história mundial no século XX, como Fidel Castro e Che Guevara, e que chegou a causar preocupações ao homem mais poderoso do planeta na época, o presidente americano John Kenedy, que tive a honra de fotografar em 1992, no apartamento de um dos seus filhos, no bairro de Santo Amaro, no Recife, para o projeto "Escritores Pernambucanos Contemporâneos", do Grupo 3. Ao meu lado, estava o escritor José Rodrigues Correia Filho, que fez a entrevista enquanto eu fotografava Julião. Um homem simples, cordial, discreto e atencioso, com uma certa expressão de cansaço nos olhos, mas sempre com um sorriso franco nos lábios. Como escritor, além de "Cachaça", seu primeiro livro editado em 1951, Francisco Julião escreveu "Irmão Juazeiro", em 1961; "O Que São As Ligas Camponesas", em 1962; "Até Quarta, Isabela", em 1965; "Cambão, a Cara Oculta do Brasil", em 1968, e "Escuta, Camponês". Durante o tempo em que esteve preso, foi companheiro de cela de Miguel Arraes, na Fortaleza de Laje, no Rio de Janeiro, e juntos traduziram o livro "A Politização das Massas Através da Propaganda Política", do russo Sergei Tchakotine.
Clóvis Campêlo
Recife, 2008

MADAME MIM


TOUR AMÉRICA LATINA: Hoje, sexta (viernes) 09/05, tem show na Otra Ronda (Soriano 776) em Montevideo/ Uruguai. Amanha, sábado 10/05, tem show no Niceto (Niceto Vega 5510, Palermo) em Buenos Aires/ Argentina.
MTV: Toda Quinta às 22h ao vivo como jurada no programa novo de Casé e Mion Quinta Categoria na MTV. Reprise Sáb 16h e Dom 20:30h. Assista a diversão do programa de quinta passada no Overdrive.
> E o quadro Bafon de Verano no Noticias MTV virou Bafon de Limon e vc pode conferir segundas e quartas às 21:30h. Reprise 1:30AM.

EDITORA GLOBO


COLEÇÃO POR QUE LER
VÁRIOS AUTORES
Nova coleção mantém viva a presença dos maiores nomes da literatura nacional e mundial
(como Shakespeare, Dante, Borges, Bandeira e Oswald)
A COLEÇÃO
Os grandes clássicos da literatura têm algo de paradoxal na sua condição de clássicos: de tão conhecidos, passam eventualmente a ser... desconhecidos. Não esquecidos, naturalmente, mas ignorados, no sentido de serem muito mais citados do que lidos. Os motivos são vários, e têm a ver tanto com certa obrigatoriedade curricular quanto com sua distância histórica, passando pelo simples fato de que se lê menos do que se deveria, de modo geral. Tudo isso mais do que justifica as coleções que, de tempos em tempos, cumprem o papel de se voltar para os grandes nomes da literatura de modo a (re)apresentá-los ao grande público. Se mais não fosse, porque cada nova geração de leitores deve empreender sua própria (re)leitura dos clássicos. Além disso, para os que já os co nhecem, é sempre um prazer revisitá-los, como a um velho amigo. A nova coleção da Editora Globo, Por que ler, tem esse escopo e esse perfil. Trata-se de livros breves, com menos de 200 páginas, que apresentam, cada um, a vida e a obra de um grande nome da literatura, tanto universal quanto brasileira, escritos por renomados especialistas brasileiros contemporâneos que, em muitos casos, são também escritores – afinal, o público-alvo não são outros especialistas mas, ao contrário, o público em geral e os amantes da melhor literatura em particular. Os primeiros lançamentos da coleção são Por que ler Shakespeare, de Bárbara Heliodora, Por que ler Dante, de Eduardo Sterzi, e Por que ler Borges, de Ana Cecilia Olmos. Ainda para este ano, estão programados Por que ler Bandeira, de Júlio Castañon Guimarães, e Por que ler Oswald, de Maria Augusta Fonseca.A resposta dada pelos livros da coleção Por que ler à pergunta que lhe serve de título não é, naturalmente, direta: não se trata, então, de dizer que se deve ler Shakespeare por isso e por aquilo, ou Dante por esse ou aquele motivo, ou Borges por tal e tal fato. A resposta, portanto, está nos próprios escritores abordados. Assim, se por um lado os livros da coleção seguem, grosso modo, a clássica divisão vida e obra de maneira sintética (buscando, em ambas, aquilo que Pound chamou de “pontos luminosos”), por outro lado, a ampliam. A ampliação fica por conta da divisão em cinco partes de cada livro: “Um retrato do artista” (síntese biográfica), “Cronologia”, “Ensaio de leitura” (comentários sobre a obra), “Entre a spas” (reprodução de importantes passagens da obra) e “Estante” (com as principais obras do e sobre o autor abordado).
OS LANÇAMENTOS
Por que ler Shakespeare é de autoria da mais renomada especialista brasileira no “bardo de Stratford”, Bárbara Heliodora. Outro motivo por que ler este livro é a existência de uma lenda persistente sobre o fato de a existência de Shakespeare ter sido uma lenda... Daí a autora refutá-la – seguindo outros especialistas renomados – em sua síntese biográfica (“Um retrato do artista”), apoiada no “Ensaio de leitura”, que se inicia com a descrição (incluindo ilustrações) do teatro elisabetano, de cuja consolidação Shakespeare participou como autor e “homem de teatro”.Por que ler Dante, de Eduardo Sterzi começa in medias res, como se diz em teoria literária, isto é, no meio da ação. Ação, aqui, vai no sentido literal, pois se trata da travessia de um pântano a cavalo por um embaixador, em meio a uma guerra envolvendo várias potências. O embaixador, que se chama Dante Alighieri, morrerá no decurso (e em função) da viagem, provavelmente de malária. Partindo do seu fim, o livro traçará então a biografia de Dante juntamente com a recepção de sua obra, cuja vida autônoma começa na morte do autor. Para, então, debruçar-se diretamente sobre ela (incluindo a bibliografia comentada da seção “Estante”). Uma síntese envolvente de um dos nomes mais fundamentais da história da litera tura.Por que ler Borges é uma questão que não tem sua melhor resposta na vida do escritor argentino – pois ele não teve exatamente uma existência cheia de acontecimentos. Porque a passou, de fato, em meio à escuridão da cegueira e ao silêncio das bibliotecas. Daí a exuberância, não compensatória, mas proporcional (mesmo se inversamente), de sua obra. Dizer que ela é labiríntica é repetir um clichê. Talvez valha a pena, então, ressaltar outros de seus múltiplos aspectos: a clareza da construção das frases, a brevidade, o humor, a mistura de erudição e fantasia, de poesia antiga e literatura policial – que criam, em suma, o nome mais fantástico da literatura hispano-americana moderna.
TRECHOS
No neoclassicismo imperavam as unidades clássicas e os pequenos teatros italianos de corte, com espaço para poucos atores; Shakespeare — com suas peças que cobrem anos, têm locais variados e até dezenas de personagens — passou então por ignorante literário e criminoso contra as boas maneiras, já que escrevia sobre toda espécie de gente e classes, com vocabulário condizente. Passaram-se três séculos e meio até a forma elizabetana de palco ser redescoberta e a sua dramaturgia realmente compreendida. (Por que ler Shakespeare)O ano é 1321. O embaixador de Ravena — depois de mais de um mês de missão diplomática em Veneza, da qual resultaria a paz entre as duas cidades — está retornando para a corte de Guido Novello da Polenta. Não se desloca por mar, mas por terra, atravessando os pantanosos e insalubres arredores de Comacchio. Segundo especula o cronista Filippo Villani, a viagem marítima teria sido proibida pelos venezianos, por temerem que o embaixador, com seu inigualável poder retórico, convencesse o almirante a colocar a frota sob o domínio de Ravena. Em alguma hora indeterminada da noite de 13 para 14 de setembro, o embaixador morre, provavelmente acometido de malária. [...] Conseguira, porém, nos meses anteriores, concluir o monumental poema — cem cantos, totalizando 14.233 versos — que eternizaria seu nome. O embaixador chamava -se Dante (corruptela de Durante, seu nome de pia) Alighieri. (Por que ler Dante)Em Um ensaio autobiográfico, Jorge Luis Borges relata que, por volta de 1909, quando tinha entre nove e dez anos de idade, fez uma viagem à região que fica a noroeste de Buenos Aires.Tratava-se, explica o autor, de seu primeiro contato direto com o Pampa, aquele mundo rústico e indômito, descoberto previamente na leitura dos romances gauchescos de Eduardo Gutiérrez. Essa lembrança, um retalho da memória de sua infância, dá lugar a uma singela, porém muito significativa, reflexão do escritor: “Sempre cheguei às coisas depois de encontrá-las nos livros”. (Por que ler Borges)
OS AUTORES
Bárbara Heliodora (Heliodora Carneiro de Mendonça, Rio de Janeiro, RJ, 1923) é professora, ensaísta, tradutora e crítica de teatro, autoridade reconhecida na obra de Shakespeare. É professora emérita e titular aposentada da UFRJ. Autora, entre outros, de A expressão dramática do homem político em Shakespeare (RJ, Paz e Terra, 1978), O teatro barroco (RJ, Museu Nacional de Belas Artes, 1982) e Falando de Shakespeare (SP, Perspectiva, 1997). Escreve atualmente crítica de teatro em O Globo. Recebeu do Ministério da Cultura da França a Ordre des Arts et des Lettres, e da Academia Brasileira de Letras a Medalha João Ribeiro, além de inúmeros prêmios de tradução. Eduardo Sterzi (Porto Alegre, RS, 1973), é poeta, ensaísta e tradutor. Doutor em teoria literária pela Unicamp, escreveu trabalhos acadêmicos sobre Murilo Mendes e sobre a origem da lírica moderna em Dante Alighieri. Ainda como ensaísta, organizou Do Céu do Futuro: Cinco Ensaios sobre Augusto de Campos (Marco Editora, 2006). Fundou, com o poeta Tarso de Melo, a revista de poesia Cacto, que circulou entre 2002 e 2004.Ana Cecilia Olmos, graduada em letras modernas pela Universidad Nacional de Córdoba, Argentina, é professora de literatura hispano-americana da USP, especialista em literatura e cultura hispano-americana do século XX. É autora, entre outros, de "Intelectuales, instituciones, tradiciones" (Javier Lasarte [org.], Territorios Intelectuales. Pensamiento y cultura en América Latina, Caracas, La nave va, 2001) e de "Releituras de Borges. A revista Punto de Vista nos anos 80" (Jorge Schwartz [org.], Borges no Brasil, São Paulo, Edunesp, 2001).
Fichas técnicas:
Título: Por que ler Shakespeare
Autora: Barbara Heliodora
Número de páginas: 96
Preço: R$18,00
Título: Por que ler Dante
Autor: Eduardo Sterzi
Número de páginas: 176
Preço: R$ 21,00
Título: Por que ler Borges
Autora: Ana Cecilia Olmos
Número de páginas: 120
Preço: R$19
Informações:
Verônica Papoula e Julie Krauniski
E-mail: imprensaglobolivros@edglobo.com.br
Telefones: (11) 3767-7819 / (11) 3767-7863
Editora Globo Av. Jaguaré, 1485 05346-902 São Paulo Brasil www.globolivros.com.br