sexta-feira, 15 de maio de 2009

JEANINE WILL


Deiscência

o mundo é um jardim
de não-entendos
que floresce o ano inteiro

(inédito, 10032008 & 23072008)
JEANINE WILL

PEDRO DU BOIS


ASSUNTOS

Referendado, assunto
a platéia

(pais e mães
em holocausto
pela palavra dita)

modificado, o cânone
irrompe em paradigma
além do acontecido

(o dia anterior encerra
a necessidade).

A desventura da virtude
no virtuosismo do avançar
constante ao desabrigo.

(Pedro Du Bois, inédito)
meus poemas:
http://pedrodubois.blogspot.com
http://www.worldartfriends.com/modules/publisher/userstats.php

quinta-feira, 14 de maio de 2009

TERESINKA PEREIRA


CIBER- DISSIDENTES
Agora desembarcamos
em um pais
transformado
no quartel general
da ciber-inteligencia
no qual nos vigiam,
nos gravam, nos trilham,
nos agarram na rede,
por telefone ou on line,
os piratas oficiais
da CIA ou da FBI,
os ciber-comandos,
como se os internautas
fossem ineficientes
e nao confiaveis
ciber-dissidentes
da politica
do rei da Terra.

TERESINKA PEREIRA

AUTORAMAS EM SP


Autoramas em SP15/5, sexta, SÃO PAULO/SP
Local: Inferno Club
23 Hs
Rua Augusta, 501

16/5, sábado, MARÍLIA/SP
Virada Cultural
Local: Sala de Projeção e Clube de Cinema
22:30
Av. Sampaio Vidal, 245
www.autoramasrock.com.br
www.myspace.com.autoramas

terça-feira, 12 de maio de 2009

QUANDO A VERGONHA ACABA

Estado de S. Paulo, Sábado, 09 de Maio de 2009 | Versão Impressa
ESPAÇO ABERTO
Quando a vergonha acaba
Mauro Chaves
Quando um chefe de Estado e governo afirma que a cobrança ética da sociedade é uma hipocrisia, está explicado como acabou a vergonha geral da Nação. E quando acaba a vergonha nacional, toda indecência vira normal. Com a maior naturalidade, considera-se que o dinheiro público deva ser gasto para assegurar vantagens especiais em favor dos que têm por função cuidar da coisa pública. E com a maior naturalidade se desrespeitam direitos dos cidadãos comuns, enquanto facilidades e confortos são ofertados a cidadãos "especiais".Quando a vergonha acaba, parlamentares recebem dinheiro público para custear passagens aéreas da cidade em que moram para a mesma cidade em que moram, ou para custear moradia, apesar de residirem em casa própria. Legisladores fazem seguros vitalícios de saúde, pagos com dinheiro público, mesmo para quando não tiverem mais mandatos a exercer, e mesmo que o sistema de saúde pública do País seja o de doentes espalhados pelos corredores dos hospitais por falta de leito, crianças morrendo em massa por falta de equipamentos, de medicamentos e de higiene nos hospitais, idosos morrendo nas filas de atendimento e tudo o mais que caracteriza o tipo de tratamento médico que o poder público brasileiro oferece à sua população.Quando a vergonha acaba, um tribunal superior é capaz de enviar ofícios a companhias aéreas ou a autoridades aeroportuárias para solicitar tratamento especial - que inclui dispensa de alfândega, de revista de malas - em favor de passageiro(a) que tenha por atributo o simples fato de ser amigo(a) de filho(a) de magistrado de tribunal superior. E é só mesmo quando a vergonha geral acaba que um sério e competente magistrado de instância superior, que tem a mais nobre função pública de assegurar o belo princípio constitucional do "todos são iguais perante a lei", torna-se capaz de aceitar, talvez "docemente constrangido", um descabido privilégio em proveito de amizades de sua própria família.Quando a vergonha acaba, lá em cima nos Poderes da República, a falta de vergonha se dissemina pela sociedade "abaixo", como uma virulenta pandemia, de rápido contágio e combate cada vez mais penoso e infrutífero. O desrespeito aos cidadãos, então, passa a ocorrer de forma generalizada, manifestando-se na decadência da qualidade dos serviços, no descaso geral do atendimento público, no desprezo aos direitos dos consumidores, na propaganda enganosa, na venda de produtos fraudados, na entrega de mercadorias com defeito e no completo descaso em relação ao treinamento dos que têm por função vender bens ou prestar serviço às pessoas. Ninguém liga para nada porque o descaso não acarreta consequência alguma. Assim, quando a vergonha acaba, revogam-se todos os controles de qualidade.É só quando a vergonha acaba que a maior fabricante de bebidas do País, e uma das maiores do mundo, tem a coragem de fazer aqui o que jamais ousaria em qualquer nação civilizada: usar um grande ídolo esportivo, nosso e mundial, para "passar" à sociedade, especialmente à juventude, a ideia de que quem toma sua marca de cerveja é mais guerreiro, é mais perseverante no trabalho e na superação das dificuldades, sabe lutar melhor pela vida, "não desiste nunca" e imbecilidades assemelhadas. E, no mesmo sentido, também já fez perder a vergonha um bom sambista popular brasileiro, que levou ao ridículo de tentar dar seu nome a um dos dias da semana - para nele aumentar o consumo de sua cerveja.É quando a vergonha acaba que a maior empresa de telefonia celular do País - que sempre se fez tão viva na comunicação - vende em suas lojas produtos maravilhosos que só mostram seu defeito quando o feliz freguês que o comprou chega em casa - a partir do que esse coitado terá de procurar uma inacessível "assistência técnica", passando a depender (por dias a fio) de quem nenhuma participação teve na relação de compra do cidadão com a loja, estabelecida na véspera. E é quando a vergonha acaba que a maior rede de varejo do País, aquela que tanto alardeia sua "dedicação total a você", vende um produto eletrônico com defeito que só aparece, coincidentemente, passadas as poucas horas durante as quais faria a troca na loja - obrigando, igualmente, o cidadão comprador a relacionar-se com uma desconhecida "assistência técnica", às vezes no cafundó do Judas, sem tempo algum para a "dedicação total a você".Quando a vergonha acaba, uma grande e centenária rede de drogarias, com serviço de entrega "em casa", faz venda por telefone de medicamentos que já acabaram em seu estoque - e cuja falta só "descobre" meia hora depois de efetuada a compra com cartão de crédito, obrigando o freguês ao estorno (sempre incerto) de valores já debitados em seu cartão e ao transtorno de sair atrás, às vezes em altas horas, de remédio que já julgava comprado - podendo essa droga de atendimento levá-lo às raias da loucura. Quando a vergonha acaba, uma grande montadora francesa, com marcante qualidade na suspensão de seus veículos - sendo famoso seu velho teste da cesta de ovos conduzida em estrada ruim, sem quebrar -, depois de fazer propaganda galáctica de seus carros novos, em suas concessionárias não aceita como parte de pagamento veículos de sua marca (embora aceite marcas concorrentes), deixando o freguês que caiu no seu conto da fidélité apenas com a propriedade de um invendável ferro-velho, celebrando bodas com sua inútil sucata.
Enfim, até pessoas e empresas que sempre foram corretas, quando a vergonha acaba "lá em cima", também perdem a vergonha "cá em baixo". E nunca antes neste país houve tanta falta de vergonha como nos dias correntes.
P. S. - Tu quoque, amigo Suplicy?!
Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e pintor. E-mail: mauro.chaves@attglobal.net

PELAS RUAS DO RECIFE


PELAS RUAS DO RECIFE

Pelas ruas do Recife
surge a novidade,
afirmam-se credos seculares,
renascem mitos modernos.


Pelas ruas do Recife
dorme-se o sono dos justos,
cessam as palavras,
falam por si sós os fatos.


Pelas ruas do Recife
caminha a humanidade,
correm as notícias,
dispara a revolução.


Pelas ruas do Recife
travam-se todas as lutas,
cruzam-se todos os olhares,
reverenciam-se todos os deuses.


Pelas ruas do Recife
transitam todos os anjos,
ocorrem todas as mortes,
condensam-se todas as imagens.


Clóvis Campêlo
Recife, 1999

CAMPOS SONOROS


CAMPOS SONOROS II
Curadoria: Leo Alves Vieira
Dias: terça-feira, 12 de maio de 2009
Local: Espaço Sérgio Porto - Rio de Janeiro
Horário: 20 horas
Preço: R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia).
“Obras Sacras?!", de Valério Fiel da Costa
Sinopse da Apresentação
Concerto de obras camerísticas do compositor paraense, radicado em
São Paulo, Valério Fiel da Costa, que lida com a questão do sagrado
dentro do escopo da performance musical.
O que faz de uma obra musical algo sagrado? Sua temática? Seu
formato? Qual o papel do ritual no ato de sacralização de um evento
sonoro qualquer?
Sem pretender responder a essas perguntas, mas lidando com estas o
tempo todo, o concerto propõe uma sequência de obras que lidam com a
questão da espiritualidade em diversos níveis: às vezes por intermédio
dos títulos das obras (missa, matinais), às vezes por meio da própria
performance proposta enquanto ritual..
As obras apresentadas aqui possuem como característica marcante a
construção paciente de situações sonoras de caráter meditativo e
imersivo. A importância do desenvolvimento motívico é diminuída em
favor da busca por uma estaticidade que visa transformar o evento
temporal que é a música em algo próximo de um evento espacial.
O ouvinte é convidado a mergulhar nas texturas e buscar por conta
própria caminhos dentro delas. É nesse espaço criado pela imersão que
o concerto busca situar a dimensão religiosa da performance. Assim,
nos encontramos dentro de uma situação sonoro-visual apropriada para
fruir, cada um à sua maneira, da relação que se queira estabelecer com
os mistérios ocultos do mundo."

Programa do EspetáculoMISSA (2007)
para sons gravados e sintetizador
AURORA (2008) eletroacústica
MÚSICA PARA TERÇA-FEIRA (2002) para sons gravados, guitarra
e sintetizador
MADRIGAL (2004) para guitarra, theremin e apito de pássaro (ouça uma versão de Madrigal em www.myspace.com/contemporarybrazilianmusic )
MATINAIS (2004) para violão, guitarra, violino e flauta

Intérpretes:
Valério Fiel da Costa – sintetizador (Missa); apito de pássaro
(Madrigal); violão (Matinais).
Marcos Campello – guitarra elétrica (Madrigal, Música para Terça-feira
e Matinais).
Jean-Pierre Caron – sintetizador (Madrigal, Música para terça-feira).
Paulo Dantas – escaleta (Matinais)
Participação especial: Gabriela Nobre /