terça-feira, 11 de agosto de 2009

POR UMA GEOGRAFIA NOVA


POR UMA GEOGRAFIA NOVA
No dia 24 de junho de 2001 morria em S. Paulo um dos mais destacados intelectuais brasileiros: o professor Milton Santos. Nascido em Brotas de Macaúbas no Estado da Bahia, após seus estudos secundários, cursou Direito em Salvador. Apesar do bacharelado no curso jurídico, foi como Geógrafo que desenvolveu toda sua vasta obra. Seus estudos se concentraram principalmente na conceituação e definição do espaço geográfico e as relações deste com a dinâmica social. Em um dos últimos trabalhos aborda o fenômeno da globalização, suas implicações na realidade brasileira e a necessidade de um projeto autônomo de desenvolvimento nacional capaz de refrear as imposições desse modelo autoritário e hegemônico. Lecionou em importantes universidades no exterior durante o tempo do exílio, após o golpe militar de 1964. Com o retorno ao país, tornou-se titular de uma cátedra no curso de geografia da USP. A importância de Milton Santos vai além do campo acadêmico. Suas reflexões permitiram desvendar os dilemas produzidos pelo capitalismo tanto no contexto nacional quanto mundial expondo outras possibilidades ao progresso humano.
Ajudou a redefinir os próprios rumos da disciplina superando o empirismo muito arraigado nas teses dos autores clássicos, que viam o fenômeno geográfico essencialmente relacionado aos aspectos da paisagem e do relevo. A geografia de Milton Santos centra seu foco na ação humana como meio transformador do espaço, além de possuir papel decisivo na construção de um conhecimento revigorado e afinado com os anseios de uma nova realidade que possibilite aos homens construir uma sociedade verdadeiramente solidária.
CAETANO PROCÓPIO

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

LUCIANA ANDRADE


O ser poeta
Poeta de fato ou de feto?
Não interessa.
Sou poeta de alma
Sinto e escrevo
O que me vier à cabeça
Detalhes técnicos?
Não me fazem vistas
Métrica e rima?
Nada mais se combina
E aos puristas, com “licença poética”
Essa poesia é de minha autoria
Luciana Andrade

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

AS DOIDIVINAS


Olá amigos,
Já está na programação da MTV Brasil nosso 1o videoclip, "Envenenada", dirigido por Vinícius Guerra.
Pra quem ainda não viu, pode conferir aqui:
no MTV Overdrive
http://mtv.uol.com.br/mtvoverdrive/?vid=407565
ou no Youtube
http://www.youtube.com/watch?v=rLV5ta97hq8
abraços e beijos,
DOIDIVINAS
www.myspace.com/asdoidivinas
www.fotolog.com/asdoidivinas

CONTINENTAL COMBO


Depois de uma breve pausa, o Continental Combo volta a mostrar o seu trabalho nos palcos da cidade, desta vez na Livraria da Esquina na festa CenaRock, fazendo um show de abertura para a banda Dual Tape (que na ocasião estará lançando seu álbum).
Para esta apresentação o Continental preparou um set list especial com duas partes distintas, em uma, o grupo vai apresentar somente músicas do seu primeiro álbum homônimo lançado pela Monstro Discos em 2005, em outra, a banda interpreta clássicos dos ícones do folk rock americano The Byrds. As faixas escolhidas fazem parte dos álbuns iniciais do grupo, indo do disco "Mr. Tambourine Man/65" ao psicodélico "Young Than Yesterday/67".
Fica aqui um convite pra todos amigos pintarem por lá, e conferir o trabalho da banda, o som do Dual Tape e algumas belas canções do Byrds.
Festa CenaRock com Dual Tape e Continental Combo
07 de agosto, sexta-feira as 23:hs - Entrada R$ 10,00
Livraria da Esquina,1236 - Barra Funda - SP tel.: 11 3392-3089
http://www.livrariadaesquina.com.br
http://www.myspace.com/dualtape
http://www.myspace.com/continentalcombo

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

PRÊMIO LITERÁRIO


Prêmio Literário Cidade de Porto Seguro

Envio até 31 de Outubro de 2009

Contos Curtos

A Via Literária Produtora Cultural declara iniciado o Prêmio Literário Cidade de Porto Seguro/Contos Curtos – edição 2009.

1. Objetivo:

Inserir Porto Seguro no contexto cultural nacional e internacional; incrementar a produção de textos literários como forma de dinamização cultural; estimular o hábito de leitura; promover e homenagear autores.

2- Premiação:

2.1 A comissão avaliadora elegerá o Conto-Curto vencedor e convidará os selecionados à participarem da antologia que será publicada em Janeiro de 2010.

2.3 O convite se limita a aceitação do autor de comprar um exemplar.

2.4 O resultado da seleção e a escolha do conto vencedor será anunciado em 30 de novembro.

2.5 O autor do Conto Curto vencedor recebera como prêmio a importância de R$ 1.000,00(hum mil reais) em dinheiro e um exemplar.

2.6 O numerário correspondente ao prêmio será pago ao autor em 2 de fevereiro de 2010.

3-Participantes:

Poderá participar deste concurso qualquer pessoa que tenha no mínimo 16 anos.

4- Inscrição:

A inscrição é gratuita e ocorre automaticamente com o envio do texto.



5- Tema, quantidade, apresentação e envio:

5.1 Tema: livre

5.2 O texto deverá ser digitado em português, na fonte arial 12, no máximo em 2.000 toques, espaço simples.

5.3 Envio: Deverá ser enviado exclusivamente por e-mail.

No campo “assunto” deverá constar a informação (exclusiva) Contos Curtos 2009 – nome do conto.

Obs: para cada Conto Curto, um e-mail.

5.4 No cabeçalho do conto deverá constar o nome completo do autor (a), sexo, idade, endereço e e-mail.

5.5 Cada autor poderá enviar até 3 contos curtos.

6-Autorização para publicação e cessão de direitos autorais:

Ao enviar o texto o autor estará:

6.1 Declarando conhecer este regulamento, regente do Prêmio Literário Cidade de Porto Seguro-2009/Contos Curtos, e estar inteiramente de acordo com seu teor;

6.2 declarando como de sua autoria o conto enviado e assumindo inteira responsabilidade sobre essa declaração;

6.3 Cedendo os direitos autorais para a 1ª edição da antologia resultante do evento.

7- Do material enviado:

Os contos selecionados serão publicados na primeira edição da antologia e os não selecionados, deletados.

8- Os casos omissos serão resolvidos pela Via Literária Produtora Cultural.

Apoio: O Prêmio Literário Cidade de Porto Seguro tem o apoio institucional das Secretarias Municipais de Educação e de Cultura de Porto Seguro, Os jornais O Sollo e Topa Tudo, a rádio FM Porto Brasil (88,7)e o Projeto Vamos Ler o Mundo.

Porto Seguro, BA; 28 de julho de 2009.



Hélio Nóbrega

Produtor





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terça-feira, 4 de agosto de 2009

EDITORA GLOBO LANÇAMENTOS


RAINHA ALBEMARLE
OU O ÚLTIMO TURISTA

Diário de viagem do filósofo à Itália mostra um Sartre e uma Itália diferentes
rainha_albemarle_grd.jpgA rainha Albemarle ou o último turista – fragmentos, de Jean-Paul Sartre (192 pp.), é um diário de viagem inacabado escrito pelo filósofo francês durante e logo após uma visita à Itália no outono de 1951. Seu texto foi estabelecido e anotado por Arlette Elkaïm-Sartre –filha adotiva de Sartre, que também responde pela apresentação – e traduzido por Júlio Castañon Guimarães.
O subtítulo, fragmentos, se explica não tanto pelo texto ser constuído de pequenas partes esparsas, mas porque Sartre, envolvido em seguida em outros projetos, principalmente políticos, deixou o livro inacabado, sem formar um todo orgânico. Mas isto não importa, porque é perfeitamente coerente com o projeto em si. Como explicita a “Apresentação”: “Esse [recente] desejo de escrever em liberdade logo se volta para a própria Itália. Em Roma, Nápoles e Capri, ele toma notas, essencialmente descritivas, em suportes improvisados. [Depois] em Veneza, continua a escrever em um caderno, escolhendo as palavras para fazer a presença da cidade vibrar – [o relato] assume [então] a forma de um diário, com um tom que permanecerá nas versões posteriores – mistura de emoção e ironia”.
Ironia, tratando-se de Sartre, se entende. Emoção, entende-se menos, pois esse é o homem que tentou juntar literatura e filosofia, narração e tese. Mas A rainha Albemarle ou o último turista revela um Sartre diferente, que quer respirar mais livremente depois de dois anos exaustivos dedicados ao livro sobre Jean Genet, e antes do início de seu engajamento político direto, que se avizinha e que ele naturalmente adivinha.
A Itália é o cenário ideal para isso. Primeiro, porque Sartre a ama. Segundo, porque a Itália é a Itália, o mais caloroso e colorido dos países europeus, e ao mesmo tempo o mais cheio de história e de arte, o que estimula os sentidos mas também a inteligência desse turista incomum. Nas palavras da “Apresentação”: “A propósito de tudo o que se oferece a seus olhos, uma moita, um postigo fechado, a echarpe de uma passante, o Turista [...] busca o segredo das coisas, [enquanto] o Tempo – um dos grandes temas destas páginas – é apreendido emocionalmente e pelo intelecto de modo simultâneo; [toda] descoberta é logo narrada e transmitida à intuição do leitor com sua coloração subjetiva, pelos meios sutis e diretos da literatura, sem que intervenha a argumentação própria da filosofia”.
Não falta, porém a história: o subtítulo, O último turista, explica-se então por três motivos: ele é o turista da última estação do ano, pois viaja no outono (e pode assim ver o país como os turistas do verão não poderiam); ele é o último de uma longa linhagem de intelectuais e artistas europeus que, a começar por Montagne, fizeram uma espécie de peregrinação estética e existencial à Itália; por fim, ele é uma testemunha do fim da História, pois à época, com o início da Guerra Fria, parecia certo que, ou a Revolução Mundial extinguiria a Era da Burguesia, ou o mundo acabaria numa guerra nuclear.
Mas como o mundo ainda não acabou, pode-se por ora viver a experiência rara de juntar inteligência e prazer viajando pela Itália com Jean-Paul Sartre como guia turístico.
Ficha técnica:
Título: A rainha Albemarle ou o último turista – fragmentos
Autor: Jean-Paul Sartre
Editora: Globo
Gênero: Diário de viagem
Capa: Warrakloureiro
Preço: R$ 33,00
Número de páginas: 192
Formato: 14 x 20,5 cm
ISBN: 978-85-250-4705-2

LIVRO DE ROSÂNGELA VIEIRA ROCHA


FOME DE ROSAS
Toda semana recebo alguns livros em casa - amigos com seus lançamentos, escritores em busca de novos leitores. Ganho muito mais livros do que consigo ler. Porque além destes que chegam até mim, ainda há os outros, que compro com o desejo de conhecer. Há uma pilha de obras aguardando minha leitura. Então, infelizmente, tive de adotar um critério: para que eu não tenha de simplesmente abandonar os livros que ganho em um canto, leio as três primeiras páginas de todos. Se resistirem à leitura, provando sua qualidade, sigo até o final.
Não tenho tempo sequer de agradecer a todos os que me enviam suas obras, que gastam tempo e dinheiro envelopando sua esperança e me destinando um alô. É uma questão de tempo sim, de forma que, como encaro a literatura como meu segundo trabalho, sou "obrigado" a ler de cem a duzentas páginas todos os dias. Mas o mesmo critério eu uso com os escritores consagrados: se eu não julgar que fizeram um bom trabalho, também não passo das três primeiras páginas. Se alguém me recomenda e a leitura engasga pela falta de qualidade, tento chegar até a décima página para ver se é só uma questão de tipo.
Uma história que me pegou de jeito foi a de "Fome de rosas", de Rosângela Vieira Rocha. Li três resenhas sobre este livro, publicadas em jornais e sites. Como não escrevo mais críticas literárias e estou correndo de jornal, vou tentar contar algo diferente sobre o romance. A respeito da escritora, quem quiser saber mais, digite o seu nome no Google e veja o que acontece.
Para ser honesto, o título não me incentivou muito e a capa também não me ajudou. Mas é uma questão de gosto, vejam bem: gosto. Porque tanto a capa quanto o título são muito coerentes com a mensagem que Rosângela pretende passar. Mas não me iludi - sou daqueles que acham que um texto não se vende pela capa ou por um título somente. Não me arrependi.
Vamos primeiro à história. Rosângela começou a trama no momento preciso para laçar o leitor: no enterro de um jovem e poderoso advogado, morto em um acidente de carro. Lisandro deixa mulher (Ariadne) e duas filhas (Letícia e Alice). Até aí tudo bem. O que não gostei muito nas críticas que li foi a atenção exacerbada que deram à personagem Alice. Ótimo, mas o livro é mais do que isso.
Letícia é uma jovem de vinte e um anos e Alice uma mimada garota-problema de 13. Com a morte do pai, Letícia vê-se obrigada a cuidar da família, que vivia confortavelmente em uma mansão, onde alienavam-se Ariadne e Alice. A filha mais velha decide que não quer esse fardo para si, abandona o curso de Direito no último ano e segue com o marido para a Alemanha, onde ele fará seu doutoramento e ela cuidará da casa. Rosângela trata de forma superficial da questão do imigrante, pois não é seu objetivo se aprofundar sobre isso, mas é muito feliz ao retratar de maneira poética a solidão em um novo país.
Alice é uma pré-adolescente que fica menstruada no dia da morte do pai - e é emblemática essa sutil união de sangues. Gordinha, decide perder peso sozinha, comprando dezenas de livros sobre dietas. Faz exercícios, controla a alimentação e em alguns meses se vê quinze quilos mais magra, ao custo de negligenciar a escola e de se tornar paranóica com o corpo. É um dos méritos do livro: discutir e apresentar de forma detalhada e certeira o processo de desenvolvimento de duas graves doenças: a bulimia e a anorexia. Alice tem em casa modelos de beleza: a mãe e a irmã e decide fazer o que está ao seu alcance para ficar como elas. Rosângela Vieira mostra o perigo da Internet sem fiscalização, os efeitos dos conselhos de amigos virtuais na disseminação de bobagens, as consequências do abandono, já que Ariadne decide, após anos se dedicando à família, cuidar um pouco de si e retomar um antigo relacionamento com um empregado de seu ex-marido.
É uma questão pessoal, mas achei muito interessante o aparecimento da cantora Karen Carpenter na narrativa. Carpenter foi um caso que ganhou a mídia do final dos anos 70, quando começou a emagrecer desenfreadamente e chegou a morrer em 1983, com problemas no coração, decorrentes da anorexia. É um assunto bastante atual, tendo-se em vista a exigência de modelos cada dia mais magras. Usuários do Protoshop criam ilusões, capas de revistas com mulheres perfeitas, sem celulite, sem estrias, com a barriguinha malhada e com um rosto sem marcas. Os recursos de luz e destreza fotográfica de antigamente me pareciam mais honestos.
O mérito de Rosângela está no seu modo de escrever, sem rodeios. Ela sabe contar uma história sem se posicionar criticamente sobre o tema, o que não quer dizer que o livro não trate a questão de maneira crítica, evidente. Ela simplesmente narra os fatos, o que é importante em se tratando de um ponto tão delicado. Se a autora tomasse um partido, o livro poderia descambar para a defesa gratuita de um preconceito.WHISNER/ www.cidadedevolvida.blogspot.com