segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

PASCHOAL MOTTA




POEMA NECESSÁRIO / 100

Belo Horizonte, janeiro, 2010



Edição

Phrasis Assessoria Texto Consultoria

Seu texto em melhores mãos depois das suas

paschoal.motta@gmail.com



Esta centésima edição é enviada 2.901 endereços com poemas de ANDERSON BRAGA HORTA e homenageia a BRANCA BAKAJ (Rio de Janeiro) e a JOSÉ GERALDO PIRES DE MELLO (Niterói), ambos residentes em Brasília-DF.


AÉREO



O melhor de mim

está solto no vento.

Mãos, raízes, searas

e outras nuvens que invento.



Ai, o melhor de mim

no vento é que está.

Utopias, pandorgas

que menino avento.



Entretanto maduro

para todos os ares,

os semeio, e mais colho

aurassóis: cata-vento.



E, arando brisas, onde

me lamento, aí canto.

Pois o melhor de mim

frutifica no vento.


(Exercícios de Homem, Comitê de Imprensa do Senado, 1978)





ÓRFICA



I



Que ser é esse de que o céu se espanta?



O corpo esquartejado

levam-no os rios, bebem-no os mares,

vai com o vento nos ares.

Faz-se terra na terra.

Torna-se nada em todos os quadrantes.



Mas a cabeça canta.



II



Que corpo é esse arcaico

animado de um fogo

entre o sagrado e o laico?

Corpo que se destroça,

fogo que se levanta.



III



Ai, o corpo se esfaz em limo, em lama.

As pernas, extintas, erram por seiva.

As mãos, arrancadas, crispam-se por frutos.



Mas a cabeça

canta!



(Quarteto Arcaico, EGM, Jaboatão dos Guararapes, 2000)




TELEX



Para Rumen Stoyanov



A POESIA É A FONTE EM QUE ATIVAMOS A SEDE.



A POESIA É O ALIMENTO QUE IMPEDE A SACIEDADE.



A POESIA É O ESPINHO QUE NOS PROTEGE DA FLOR.



MAS A POESIA É FLOR, OU PROMESSA DE FLOR.



A POESIA É A ROSA QUE INVENTAMOS PRÉVIA.

A POESIA É O NADA NOS-CRIADOR QUE MODULAMOS.

A POESIA NÃO É A REDE, NEM O MAR, MAS O LANÇAR DA REDE AO MAR.

A POESIA É O PLÁGIO DO NÃO VISTO.

ATENÇÃO:

A POESIA É UMA EXPLOSÃO CONTROLADA.



(Cronoscópio, Civilização Brasileira, Rio, 1983)





TANGENTE



No Mar Encoberto

p l á c i d o

ideiaemoção (palavra) =

a c (s)

b’ r o

cego(s) na superfície. Nas

entrepalavras verde-

(rasgada agora crespa)

-lucila a água fluidíssima.

Sobrejacente a

nave navega, nada.



(Cronoscópio, Civilização Brasileira, Rio, 1983)







SONETO ANTIGO



Tanto, tanto de amor me eu tenho dado,

hei-me em tantas fogueiras consumido,

que fora de esperar no peito ardido

nada me houvera de ilusão sobrado.



Porém quanto mais sonhos hei nutrido

deste manancial inesgotado,

mais o tenho, no peito, avolumado:

que mais forte é amor, se dividido.



E se o destino tenho marinheiro,

volúvel me não chamem, ou perjuro:

que do amor sou apenas passageiro,



em porto inda o mais doce, não aturo,

e no mesmo travor do derradeiro

já prelibando estou o amor futuro.



(Soneto Antigo, Thesaurus, Brasília, 2009)







POETA VERSÁSTIL, PRODUTIVO E PRESENTE



Anderson Braga Horta nasceu em Carangola, MG, em 1934. Reside em Brasília desde 1960. É poeta, contista e ensaísta. Seus livros Altiplano e Outros Poemas, Marvário, Incomunicação, Exercícios de Homem, Cronoscópio, O Cordeiro e a Nuvem, O Pássaro no Aquário (saídos entre 1971 e 1990) e outros até então inéditos foram enfeixados em Fragmentos da Paixão – Poemas Reunidos (Massao Ohno, S. Paulo, 2000), ganhador do Prêmio Jabuti 2001. Além disso, publicou Pulso (Barcarola, S. Paulo, 2000), Quarteto Arcaico (EGM, Jaboatão, 2000), Antologia Pessoal (Thesaurus, Brasília, 2001), 50 Poemas Escolhidos pelo Autor (Galo Branco, Rio, 2003) e Soneto Antigo (Thesaurus / FAC, 2009).

Em prosa, pela Thesaurus / Fundo da Arte e da Cultura: A Aventura Espiritual de Álvares de Azevedo: Estudo e Antologia (2002), Sob o Signo da Poesia: Literatura em Brasília (2003), Testemunho & Participação: Ensaio e Crítica Literária (2005), Criadores de Mantras: Ensaios e Conferências (2007) e os contos de Pulso Instantâneo (2008).

Traduziu e publicou Traduzir Poesia (Thesaurus, 2004). Em parceria, traduziu ainda, entre outros: Poetas do Século de Ouro Espanhol / Poetas del Siglo de Oro Español, com Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera; estudo introdutório de Manuel Morillo Caballero (Thesaurus / Consejería de Educación y Ciencia de la Embajada de España, 2000); Poetas Portugueses y Brasileños de los Simbolistas a los Modernistas, org. de José Augusto Seabra (Instituto Camões / Embaixada de Portugal em Buenos Aires / Thesaurus, 2002; versão para o espanhol, com Rodolfo Alonso, José Jeronymo Rivera, José Antonio Pérez, Kori Bolivia, Manuel Graña Etcheverry, Rumen Stoyanov e Ángel Crespo; notas sobre os poetas brasileiros por José Santiago Naud); Victor Hugo: Dois Séculos de Poesia, com Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera (Thesaurus, 2002); O Sátiro e Outros Poemas de Victor Hugo, também com FMV e JJR (Galo Branco, Rio, 2002); Antologia Pessoal de Rodolfo Alonso, com José Augusto Seabra e José Jeronymo Rivera (Thesaurus, 2003); Contos de Tenetz, antologia de Yordan Raditchkov, com Rumen Stoyanov (Thesaurus / FAC, 2004); História dos Ideais, de Eduardo Mora-Anda (Thesaurus, 2006); Antologia Poética Ibero-Americana, com Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera, org. de Pavel Égüez (Cuiabá, 2006).

SOBRE O POEMA NECESSÁRIO / 99



─ ELMAR CARVALHO. Belos poemas. A Poeta Elza Beatriz tem muito talento e criatividade.

─ ASTRID CABRAL. Contente de restabelecer contato com você. Obrigada por enviar os belos poemas de Elza Beatriz. Nutro grande admiração pela poesia dela.

─ RONALD CLAVER. O poema é sempre necessário, e este 99 é belíssimo e muito necessário. Viva Elza!

─ JORGE FERNANDO DOS SANTOS. Belíssimos poemas, os da Elza Beatriz.

─ ELENICE BARATELLA. Superobrigada pelo presente. Não conhecia a pérola: Elza Beatriz. Estou, sem exagero, encantada com os poemas. Diria que além da sutileza drummondiana, uma pitada da melancolia da grande Cecília Meireles. Obrigada pelo valioso presente. Tratarei de garimpar os livros dela.

─ FRANCIRENE GRIPP. Eu gosto muito da poesia de Elza Beatriz! É preciso que seus poemas sejam lidos por muitas pessoas!

─ MARIA LÚCIA SIMÕES. Fiquei comovida com o Poema Necessário 99. Recordar, lembrar com toda emoção a grande poeta que é Elza Beatriz é agradecer a Deus tê-la conhecido. Conversamos apenas uma vez em casa de Yeda Prates e ligeiramente. Mas sua obra poética é minha velha amiga. Sabia de sua história de vida tão triste. Quando ela morreu e Yeda me contou, rezei para que estivesse enfim, com o coração em paz.

─ CLODOMIR MONTEIRO. Meu terno amigo. Minha dívida contigo vai além de minha possibilidade de pagá-la. Aumenta a cada novo Poema Necessário e este 99 que recebo. Este está também primoroso com poemas da Elza Beatriz.

─ JOTA DANGELO. Abri hoje o meu e-mail e fiquei comovido. Tive vontade de chorar. Lembrei-me de Elza Beatriz, minha quase-vizinha no Santo Antônio, uma fazedora de versos inesquecíveis. Obrigado pelo presente desta manhã.

─ MARIA PIEDADE BARRETO (Pitucha) Gostei muito da poesia da Elza Batriz. Valeu!

─ ARICY CURVELO. Sua crônica está muito boa. Atingiu-me. Estive refletindo como se conhece uma pessoa, corresponde-se, depois de algum tempo as obrigações e trabalhos criam lacunas e espaços em branco... De repente, você fica sabendo que aquela pessoa faleceu. Assusta verificar quão depressa um ser humano passa e se vai.

─ JOSÉ CAETANO CARVALHO. Gostei da seleção de poemas da Elza Beatriz. Poeta de valor! Destaque para Partilha. Obrigado pelas emoções.

domingo, 17 de janeiro de 2010

LANÇAMENTO YOGA


LANÇAMENTO

A Yoga do Bhagavad Gita


A sabedoria da meditação ao alcance de todos

A Yoga do Bhagavad Gita – Introdução à Ciência Indiana Universal da Realização Divina, editado pela Self-Realization Fellowship e distribuído no Brasil pela Omnisciência, representa um marco na literatura em português sobre o tema, pois é uma introdução concisa e inspiradora às verdades espirituais da mais apreciada escritura da Índia, o Bhagavad Gita, considerada a bíblia dos hindus. Autor também de Autobiografia de um Iogue e de uma vasta coletânea de livros sobre o tema, Paramahansa Yogananda é considerado um dos maiores mestres espirituais contemporâneos por ter trazido a Ciência da Yoga para o Ocidente em uma linguagem acessível a todos. Neste livro, Paramahansa Yogananda revela o significado da simbologia oculta do Gita e como a ciência da Yoga pode nos ajudar a alcançar a alegria da vitória material e espiritual no campo de batalha da vida cotidiana.
Explica também como utilizar a autoanálise e a introspecção para o crescimento pessoal, mostrando que dentro de nós, em constante luta, habitam dois tipos de guerreiros, que representam as tendências negativas do ego humano, lançando-se contra as qualidades divinas das almas. Yogananda traz os métodos passo a passo da meditação iogue e da ação correta para alcançar a união com o Espírito e a libertação final.
A primeira parte do livro traz chaves de compreensão para cada um dos 18 capítulos dessa escritura e a segunda parte contém todos os versos do Bhagavad Gita, traduzidos originalmente do sânscrito para o inglês por Paramahansa Yogananda e depois para o português por monges da Self-Realization Fellowship.

Sobre o autor
Paramahansa Yogananda nasceu na Índia em 5 de janeiro de 1893, mas viveu a maior parte de sua vida nos EUA. É considerado o Pai da Yoga no Ocidente por ser o primeiro grande mestre oriental a trazer para uma linguagem acessível a sabedoria dessa milenar ciência hindu.
Seus ensinamentos são disseminados em toda a sua pureza original, até os dias de hoje, pela Self-Realization Fellowship, organização fundada por ele, em 1920, nos EUA.

Sobre o lançamento
O livro foi lançado no dia 15 de novembro, no Salão de Eventos do Colégio São Luís, em São Paulo, e contou com a presença do monge Devananda e Brahmachari Abrão, da Ordem Monástica da Self-Realization Fellowship, que realizaram uma palestra e conduziram uma meditação com cantos devocionais para mais de 400 pessoas que compareceram ao evento.

Além desse livro, também foi lançado Assim Falava Paramahansa Yogananda, tradução do original em inglês de Sayings of Yogananda. Ao todo já são 10 livros da Coleção Yogananda em português, editados pela Self-Realization Fellowship, num trabalho que é totalmente
supervisionado pela Ordem Monástica da SRF, o que garante a pureza e a integridade dos ensinamentos originais desse Mestre.

Segue abaixo o link das fotos do evento de lançamento da Omnisciência em São Paulo.

http://www.flickr.com/photos/omnisciencia_web

Mais informações:

Maeve Vida - maeve@omnisciencia.com.br - cel. (11) 7894-9678
Eliete Soares -elietesnogueira@hotmail.com - cel. (11) 9557-7484 (assessora de Imprensa)
- (11) 3092-2900.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

MARIA EFIGÊNIA COUTINHO


MARIAS!...
Maria Efigênia Coutinho.

Maria!
Maria menina,
Transforma-se na surdina,
Em Maria mãe, mulher...
Desfolhando o bem-me-quer,
Vai Maria, a amante,
No seu dengo a deslumbrar,
Regendo o seu instante
Vai ao mundo encantar!

Marias!
Num lacre de emoção
E a Inteligência usando,
Com sua sagaz compleição,
Suas marcas vão deixando.
E em suaves melodias
Numa impar magnificência,
Transbordam as mães Marias
Iluminando a existência,

Marias?
Menina? Mãe? Mulher?
Companheira? Amiga? Amante?
Apenas Maria.
Que faz de cada instante,
Obrando com sua destreza,
Seu reino de mágica supremacia
Para mostrar sua realeza,
Que o universo reverencia!


Balneário Camboriú/tela:RENOIR
Janeiro 2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

BANDA KLATU



Banda KLATU
A banda Klatu surgiu do que seria um projeto solo do baixista Leco Peres, reunindo a cantora Carol Arantes e vários músicos convidados. A idéia acabou evoluindo no decorrer do caminho para o conceito atual da banda. Além da parceira consolidada entre Peres e Arantes, no conceito artístico e nas composições, o Klatu conta hoje com um grupo fixo: Guilherme Zakka e Vicente Carrari nas guitarras e Renato Siviero na bateria. Leco Peres além de músico é escritor, dirige peças e esquetes teatrais, transitando entre a música e seus projetos literários. Após o término de sua antiga banda Molho Inglês, com a vontade de passar a “sua versão dos fatos”, mostrou sua visão musical no que a princípio seria seu disco solo e que, por fim, deu origem ao Klatu. Carol Arantes foi backing vocal também da banda Molho Inglês; firmou a parceria em estúdio com Leco Peres, que ajudou a dar forma ao Klatu, e lapidar a estrutura ideológica do disco. É responsável por todas as letras do álbum e grande parte das melodias. A influência de rock e MPB dos anos 70 é evidente em seu estilo.
A banda traz ao cenário musical brasileiro uma proposta diferenciada, um rock irônico e emblemático na escola de Os Mutantes, com influências variadas que vão do psicodélico ao soul, recheado de distorções, variações rítmicas, riffs peculiares e desconstruções harmônicas. Algumas de suas referências são: Frank Zappa, Tutti-Frutti, Arrigo Barnabé, Sly and Family Stone, Raul Seixas, Tim Maia, Parliament, Secos& Molhados, dentre outros.Klatu está em busca de uma música mais espontânea e original, não presa a regras ou convenções musicais. Em cada uma de suas músicas, da melodia às letras, há experimentalismo e ousadia, numa sonoridade conceituada pela banda como “Rock Infinito”, tão livre e imprevisível quanto o jazz. A infinitude sonora caminha junto com o posicionamento ideológico, e a bandeira do rock infinito é levada não apenas à música, mas também à mensagem. Klatu toma partido em temáticas atuais, como cultura de massa, inércia humana, aquecimento global e consumismo.Em 2008 Klatu lançou seu primeiro álbum: “Em Busca do Rock infinito”. O disco equilibra canções variadas; são sete músicas inéditas e duas bônus, gravadas entre 2005 e 2008, com a participação de músicos convidados, de diversas bandas do circuito rock paulistano. A produção é assinada por Renato Carneiro (Pedra, Leões de Israel, Mutantes etc.) e Leco Peres.
“Não sei se conseguimos mostrar no álbum uma música que reúne toda e qualquer influência artística, contando sempre com a vitalidade do rock. Mas, se em algum momento, ao ouvir este disco, alguém entrar em contato com a infinitude, então fomos felizes na nossa busca”, relata Leco Peres sobre a sua intenção com o disco.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ENTREVISTA COM CRISTIANE VISENTIN


Eu sempre falei que queria ser artista. Falava isso para família quando era bem pequenininha. A música surgiu em minha vida e daí em diante eu nunca mais parei.


Depois de passar quase uma década nos Estados Unidos cantando o repertório da música popular brasileira e composições próprias, a cantora, compositora e violonista Cristiane Visentin retorna ao Brasil com uma bagagem enriquecida pelo contato com grandes músicos do cenário nacional e internacional. Tivemos uma conversa super agradável em que Cristiane relembra os primórdios da carreira em Juiz de Fora, os festivais, as parcerias e os projetos atuais. Confiram abaixo:



Daniela Aragão: Quando a música apareceu em sua vida?


Cristiane Visentin: Falar sobre isso é falar como todo mundo fala, desde que eu me entendo por gente. Fica até engraçado falar isso (risadas), eu não gosto muito de usar frases muito comuns, é isso aí, essa é a minha verdade. Eu tenho uma influência muito grande por parte da minha mãe, ela também cantava, foi cantora de rádio, não rádio em nível nacional, mas cantava na rádio da cidadezinha dela. Foi podada pelo pai, que era músico também. Depois ela resolveu casar com meu pai e assumir a família, e não mais se dedicar a música. Mas meu avô Zé, por parte de mãe, grande avô, grande violonista e meus tios irmãos dele me influenciaram. Inclusive meu avô era autodidata, era muita musicalidade, um tocava cavaquinho, outro violão de doze, outro violão de sete, e eram reuniões e mais reuniões em família e eu pequenininha assistindo tudo. E ao invés de ficar brincando com as crianças na festinha, eu ficava sentada assistindo. Eu gostava muito, me arrepiava. E as minhas brincadeiras de infância eram um pouco diferentes, ao invés de brincar de boneca, eu não queria saber de boneca, a minha maior satisfação era subir em cima de uma mesa, pegar um cabo de vassoura imitando um microfone, e ficar fazendo o meu programa de auditório. Como se eu estivesse cantando diante de um público e tal. E a música foi surgindo assim na minha vida, lembro-me que aos cinco anos eu pedi uma boneca de natal e minha irmã pediu um violão, e aquele violão ficou parado bastante tempo em cima do guarda roupa. Nem eu brincava com a boneca e nem ela com o violão, mas eu continuava subindo em cima da mesa cantando com o cabo de vassoura, eu não sabia que eu era instrumentista, que tinha essa vocação e tal. Daí ganhei um acordeon, que tocava direitinho, tinha todas as notas. Eu saí tocando de ouvido, um dia olhei para o violão lá em cima do armário, minha boneca ainda permanecia intacta. Fiz a proposta para minha irmã : - eu te empresto a minha boneca, mas você me empresta seu violão? E eu saí tocando o violão, fiz todos os acordes possíveis, assim primários e tocando todas as músicas que sabia na época, aquelas típicas de criança como Atirei o pau no gato, Fui no tororó beber aguá não achei, Parabéns pra você e musiquinhas que eu aprendia no colégio. Eu sempre falei que queria ser artista. Falava isso para família quando era pequenininha. Assim então que surgiu a música em minha vida, e daí em diante eu nunca mais parei.


Daniela: Elis Regina certa vez falou que tinha ficado muito emocionada ao tomar consciência da beleza de sua voz. Você tem um timbre belíssimo, como veio essa consciência do cantar para você?

Cristiane: Eu não acreditava que seria cantora, eu queria ser instrumentista. Eu pensava que iria ser somente instrumentista, eu cantava quando era criança, subia na mesa e tal, mas quando descobri o instrumento já passei a esquecer que era uma cantora. Eu queria mais o instrumento do que tudo na minha vida, até o dia em que o pianista Euzébio Monfardini me encontrou e falou: “- Você tem uma voz muito linda”. Eu falei: - não. Eu sou boa violonista, e eu não era nada (risos). Eu tinha treze anos de idade na época. Daí ele me convidou para cantar num restaurante onde ele trabalhava aqui em Juiz de Fora e meus pais passaram a me levar toda semana.

Daniela: Nesse restaurante você parou momentaneamente de se acompanhar?


Cristiane: O Euzébio me perguntou: - o que você canta? Respondi: - Eu canto o que eu toco. Daí falei João Bosco, Elis Regina e os antigos clássicos da MPB como Lupicínio Rodrigues, Cartola, Noel Rosa, Dolores Duran e muitos outros...Então logo comecei a cantar no Dom Fellipo toda semana, ganhando um dinheirinho simbólico, eu não tinha nem carteira da ordem dos músicos, não tinha nada. E daí eu fui me ouvindo e percebendo que realmente eu tinha uma afinação, que tinha talento para isso, o canto.

Daniela: Os músicos que entrevistei falaram muito da influência que sofreram de músicos como João Gilberto e Tom Jobim, e percebo em você nitidamente a influência do jazz, do soul. Como vem isso?


Cristiane: Desde os meus onze anos que escuto Etta James, Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald. Gosto muito também da Janis Joplin, que também se encaixa bem nessa linha jazz, soul. Não sei porque sofri essa influência, nunca tive mito brasileiro, não sei porque. Eu gosto da música brasileira, adoro e sou influenciada por ela, mas não sei porque eu tive uma queda muito grande pela música negra americana. É claro que sou muito influenciada pelas belas composições de Sueli Costa e Fátima Guedes por exemplo, cheguei até a fazer shows dedicados a essas duas compositoras. Contundo não sei nem porque o destino me levou para isso, tanto que fui acabar parando nos Estados Unidos.

Daniela: E no período inicial de sua carreira você passou um longo tempo em Juiz de Fora?


Cristiane: Fiquei bastante tempo em Juiz de Fora, aí eu fui para o Vitrô Musical Bar, que mais tarde se transformou em Jazz Club Bar, onde ali de fato eu assumia a cantora Cristiane Visentin, que eu começava a construir. Confesso que esses espaços foram acontecimentos sui generis na história da música de Juiz de Fora. Não devo deixar de mencionar a importância do Prova Oral, pelo fato de que ali eu também pude conhecer e trabalhar com músicos de projeção nacional.

Daniela: Grandes músicos deram canja ali como o Toninho Horta, Nivaldo Ornellas e Arthur Maia. Percebo que o Jazz Club foi um marco na carreira não somente sua, mas também de outros artistas como o contrabaixista Dudu Lima, que hoje é tido pelo guitarrista Stanley Jordan, como um dos melhores baixistas do mundo.


Cristiane:Ah o Dudu, eu trabalhei com ele juntamente com o Trio BelaFonte, do qual na época ele fazia parte.


Cristiane: Quantos músicos eu conheci ali dentro e sendo ainda uma menina, eu tinha quatorze anos de idade na época. E aí me chamavam para dar canja, e eu ia no Djavan, que já estava em evidência, ia na Janis com Summertime, ia em todas as canções. Eu cantava tudo de jazz, principalmente os Standards. Eu consumia diariamente o jazz. Penso que de certa maneira isso devia impressionar os ouvintes mais experientes, pois eu era uma menininha cantando diante daqueles grandes lá ao meu lado, alguns que hoje em dia nem atuam mais na música né? Isso foi de uma importância muito grande para mim.

Daniela: Você vivenciou todos esses locais que hoje já não existem mais?


Cristiane: Eu me considero pioneira em música ao vivo em Juiz de Fora como cantora. Antes de mim, como cantora considero que só existia a Raquel Silvestre, não tinha cantora em Juiz de Fora que atuasse na noite exceto Raquel e Cristiane Visentin. E a Raquel era aquela escola, uma escola, uma grande cantora. E ela já tinha uma certa vivência, então eu me considero uma pioneira nesse sentido. Porque eram só homens que atuavam na noite de Juiz de Fora.


Daniela: Interessante é o fato de que você pegou uma fase de florescimento das cantoras. Eu nem peguei isso enquanto cantora, pois sou mais nova um pouco. Tinha você, a Rosana Brito, a Mirinha Alvarenga, Isabella Ladeira, Marcela Lobo...


Cristiane: Não posso deixar de falar que durante esse momento despontava a Rosana Britto, eram então Raquel, Cristiane e Rosana Britto em evidência na cidade. Foi uma fase muito legal, e a música era cultural, uma música boa que a gente fazia. Não quero pichar, pois tratando-se de cultura, importa muito na verdade é aquele que está produzindo, quem faz. Há ouvidos para ouvir o que for, e qualquer segmento de música é manifestação cultural de um povo. O funk é cultura, forró é cultura, sertanejo é cultura, agora a minha cultura é diferente. O que eu absorvi foram músicas que têm qualidade de letra e qualidade de música. Hoje em dia você pode muito bem fazer uma música e uma letra sem qualidade, e no entanto ela mesmo assim pode valer a pena para ouvidos de outros. Isso é cultura pra mim.

Daniela: Sempre quando pensava em Cristiane Visentin me vinha de imediato também o guitarrista Salim Lamha. Como vocês desenvolveram uma dupla bonita não é?


Cristiane: Pura sintonia e química musical, o Salim é um grande músico, muito sensível. Com a gente até hoje não ocorrem ensaios, nos guiamos por pura sensibilidade.


Daniela: Você não tocou até agora no seu lado de compositora. Você ficou conhecida como uma das grandes vencedoras dos festivais, como intérprete e até mesmo como compositora. Seu lado compositora foi desenvolvido mais tarde ou emergiu junto com o canto e o desempenho do violão?


Cristiane: Eu com onze anos já tinha a minha primeira música, que era uma música totalmente infantil, mas que despertou o meu lado de compositora. Esta canção se chamava O passarinho azul. Eu levava pra escola um caderninho e ali eu compunha minhas canções inocentes, apropriadas para idade. Depois chegava em casa e quando pegava o violão elas saiam como água de um cano inspirador. Saiam assim mesmo sem precisar ter o instrumento em mãos.

Daniela: O Bird in blue seria uma canção que se desdobrou da singela Passarinho Azul? O Bird é mais rascante né?

Cristiane: Não, olha que loucura, vou chegar lá. Não, era somente o Passarinho Azul, que dizia assim: fugiu da minha gaiolinha um passarinho azul/ que eu peguei na florestinha verde/ e eu vi bem lá no horizonte voando em plena imensidão tão triste/ pássaro azul/ pássaro is blue/ pássaro azul. Tem mais um restinho da letra, aí depois é que veio o Bird in Blue.

Daniela: Elas não teriam uma relação então?

Cristiane: Talvez até tenha, pode estar oculta essa ligação. O Bird in blue é um blues, mas o título não significa que eu queira dizer que a música seja um blues, mas é um blues, porque na verdade se eu quisesse falar que o Bird in Blue seria um blues, eu teria colocado Bird in Blues, mas não é, é Bird in Blue, ou seja, um pássaro no azul.

Daniela: E essa canção ganhou muito festivais ...

Cristiane: E eu comecei a compor, a fazer, e a coisa mais difícil para mim nesse processo de composição era ter parceiros, porque eu sou muito minha. Me enfio no meu quarto, no meu mundinho e crio minhas músicas, as minhas músicas saem assim. Faço a letra e a música, a maioria delas eu faço letra e música juntas.

Daniela: E parcerias, já fez?

Cristiane: Tenho alguns parceiros como Nilton Bustamante, que é um super parceiro, Claudio Massenas, de Belo Horizonte, Telma Tavares, do Rio, muito boa cantora e compositora, o Naninho que está em Nova York,o musicalíssimo maestro e arranjador Aécio Flávio, Dani Machado... Tenho muitas composições, mas a maioria na verdade são somente minhas.


Daniela: Você ficou quase uma década fora não é? Como foi essa experiência nos Estados Unidos?


Cristiane: Foi uma experiência fascinante para mim. Foi muito bom, primeiro porque eu saí aqui do Brasil contratada, não sai aleatoriamente, não aconteceu assim de : - vou fazer minhas malas e ir embora. Mesmo porque eu não pensava em sair do país, nunca pensei em sair do país, meu ideal era ficar aqui no Brasil e fazer minha carreira aqui no Brasil. Não falo nem de sucesso, pois nessas alturas do campeonato não sei mais o que é fazer sucesso, pois sucesso para mim é você estar se realizando como pessoa, como profissional. Minha visão de sucesso hoje é totalmente diferente. Se eu vou ali e canto para um pequeno público composto de cinco ou seis pessoas e eles prestam atenção no meu trabalho, isso para mim já é sucesso. O fato de ter ido embora contratada foi muito bom, pois eu já cheguei com infra estrutura. Eu tinha onde morar, onde cantar e tal. A princípio fui para ficar dois meses, não fui para morar e dali fui ficando, pois foi surgindo convite aqui, convite ali, e fui ficando, ficando, e acabei ficando todo esse tempo .


Daniela: E levando o repertório do Brasil?

Cristiane: Só Brasil, só cantava música brasileira. Depois é que passei a cantar certos hits internacionais, pois passei a fazer festas para americanos. O contratante me pedia: “Canta alguma coisa em inglês só para quebrar o clima.” E eu dizia, mas estou aqui para cantar música popular brasileira, é esse meu trabalho e tal. E ele falava que eu deveria cantar canções americanas para eles se sentirem mais em casa. Aí comecei a incluir os jazz que eu sabia cantar, hits de Elton John, George Michael, Madonna, tudo que eu sabia, que meu ouvido captava. Até coisas que eu não tinha o domínio, daí eu fui crescendo. Mas o meu trabalho nos EUA foi para divulgar a música popular brasileira.


Daniela: Me recordo da época quando te enviei o meu cd, e você muito gentilmente divulgou ele por lá na rádio em que trabalhava.

Cristiane: Sim, eu tive um programa na Rádio Brasil FM em Miami, que era uma rádio super incrível, muito legal, os diretores maravilhosos que me deram toda a liberdade do mundo para divulgar a música popular brasileira em todos os setores. Eu tocava de tudo, mas tinha à parte um programa em que eu lançava os músicos que eram independentes, que não tinham selo, gravadora, aqueles músicos que pegavam o próprio dinheirinho e investiam mandando ver no que queriam e acreditavam. Esse era o meu intuito, foi o que eu falei para a diretora Tânia Azevedo, que era a diretora da rádio. Sentei na sala com ela e falei: - Tânia, você me dá a liberdade de divulgar as pessoas do Brasil, mesmo as que estão aqui fazendo música independente? Ela falou: -of course. Então no meio do meu programa eu tinha uma hora em que dedicava as pessoas, e intitulei o programa de Os independentes do Brasil. Eu achei um barato esse título, pois me lembrava algo dessa independência do Brasil, emancipação da nossa música...E eu lancei muita gente, Paulinho Shoflenn, você Daniela Aragão, Lúdica Música, Marcela Lobbo, dentre tantos outros que agora não me vem a memória.


Daniela: E a recepção era boa?


Cristiane: Calorosa, essa rádio era uma rádio popular, ouvida mais por brasileiros, mas por muitos americanos também. Era uma rádio afiliada a uma outra chamada Love Nine four . Rádio puramente americana, smooth jazz, só toca Ivan Lins e o resto do mundo que faz smooth jazz. O jazz melódico. E fiquei um ano e meio nessa rádio até que fui participar do Primeiro Festival de Música Brasileira dos Estados Unidos. Eu fiquei em segundo lugar regional na Flórida e segundo lugar nacional, sendo eu a única mulher compositora neste festival. Ganhei com uma música minha, PESCADOR DE ESTRELAS, cantando em português. Um festival que tinha no corpo de jurados o Jayme Monjardim, que embora seja famoso como diretor de novelas, mostrou um olhar crítico e sensível para a música. O Bob do Valle, que é um cara muito fera também.

Daniela: Você dividiu o palco com Menescal e Hélio Delmiro também ...

Cristiane: Sim, daí começaram a surgir convites e mais convites, até convites para sair da Flórida e partir para Nova York. Ah pensei, vou sair da Flórida, desse sol, toda bronzeada. Olha o que eu pensava (risadas), que valor que eu dava para a minha música. Daí falei, ah não vou sair desse sol, vou ficar por aqui. Aí fiquei mais um tempo na rádio, cobri programações na rádio, também trabalhei como repórter de rua. Entrevistei muita gente, eu era repórter de rua, eu ia para os bastidores, eu era uma espécie de mil e uma utilidades nos meios da comunicação (risadas). Além do meu lado de cantora, desenvolvi o meu lado de comunicadora que eu amo. E acabei recebendo uma série de convites que me fizeram tomar uma atitude súbita, peguei meu carro com a carteira de motorista vencida, despenquei com ele da Flórida para Nova York, em plena Highway e fui embora, meti o pé na estrada e cheguei lá.


Daniela: On the Road

Cristiane: Quando cheguei lá já tinham vários trabalhos me esperando. Comecei a cantar em New Jersey, cantava em universidades, fazia festas fechadas em hotéis e cantava nos bares. Alguns brasileiros e muitos bares americanos. Cantava em muitos pubs americanos, fui cantar com os velhinhos do jazz, e lá foi a minha escola maior. Até quando eu recebi um convite para cantar numa das melhores casas que existe no Village, que se chama Café Wha?, que é uma casa americana, mas que dá o maior valor para a música brasileira. Cantei com uma super banda brasuca, com doze músicos no palco, todos eles muito bem situados aqui no Brasil. Um tocou com Gal, outro com Menescal, outro com Carlinhos Brown. Todos eles tem uma escola profissional, doze músicos em cima do palco. E foi uma experiência maravilhosa, casa cheia, e muitos americanos nos assistindo, uma noite brasileira. O repertório era Jorge Benjor, Sandra de Sá, Djavan, João Bosco, Chico Buarque, Caetano Veloso, e os americanos ficavam enlouquecidos. Cantei no Zinc Bar também, no Village. Zinc Bar é uma referência em Nova York.

Daniela: Entrevistei o Bernard Fines, que é um cantor francês radicado no Brasil, e ele falou bastante sobre a influência da Bossa Nova em seu canto e suas opções sonoras. Nesse seu tempo nos EUA aconteceram também muitas solicitações de repertórios da Bossa Nova?


Cristiane: Com certeza, a música brasileira é muito bem quista no mundo inteiro. Meu sobrinho acabou de voltar da China e estava falando sobre o tanto que os chineses amam a música brasileira. E não foi só na China que ele disse que viu a música brasileira ser tão adorada. Nos últimos tempos eu venho observando uma coisa muito engraçada, a invasão do forró e do sertanejo, e os americanos gostando muito.


Daniela: Não é o sertanejo Tonico e Tinoco, Xavantinho e Pena Branca, mas o sertanejo massificado, não é?

Cristiane: Pois é, justamente o sertanejo massificado. E que para mim nem é sertanejo, alguém deu esse rótulo para essa categoria errado. Foi algum crítico musical que não deve nem ter estudado música para falar que essa categoria de música é sertanejo, isso é um romântico sem sentido. Eu não posso falar que é o brega, sabe por que? Pois tem uma música do Bruno e Marrone que eu canto chamada Choram as rosas, ela é linda, mas não é do Bruno e Marrone, mas de um autor que eles gravaram, mas quem conhece a dupla quando me ouvir não vai saber que estou cantando a mesma música. Quando chega no estribilho aí é que as pessoas reconhecem. Eu não posso taxar de brega, pois se estou cantando, então estou cantando brega. Eu me considero uma cantora popular ao mesmo tempo, uma cantora de povo. Eu fiz o Brazilian Day em New Jersey para um milhão de pessoas. Elaborei um repertório para todo mundo cantar junto, a la Jota Quest (risadas). Cantei Tim Maia, Gostava tanto de você diante daquela multidão, um milhão de pessoas cantando junto comigo.


Daniela: O importante é a releitura, o que você consegue extrair de qualitativo de uma canção aparentemente banal. Revelar alguma beleza para os ouvidos viciados na falta dela né?

Cristiane: Por isso é que eu falo, fui convidada para cantar numa casa em Brasília, que creio que esteja até fechada hoje. Uma promoter das boas me perguntou se eu poderia fazer um show exclusivamente de Bossa Nova, eu disse que sim, que era a minha praia, que adoraria etc e tal. No meio do trabalho, lá pelas tantas, com aquele burburinho de conversas, sem ninguém prestar atenção, a promoter me chega com um bilhetinho dizendo: “- O povo está pedindo sertanejo”. Daí eu comecei a transformar todos os "sertanejos" que eu conhecia em jazz, blues, pop rock e fui inventando. Não deixei a essência se perder é claro, eles não entenderam muito bem, mas fui aplaudidíssima, apesar de algumas reclamações de pessoas insistindo para que eu fizesse um cover das gravações dos discos, arranjos chapados e tal. E daí quando peguei o sertanejo de raíz ( que o meu avô muitas vezes fazia) eles não conheciam nada a não ser Cio da Terra, Rancho Fundo e Luar do Sertão.


Daniela: E com relação as premiações, pode falar um pouquinho?


Cristiane: O que considero importante nos Estados Unidos foi o fato de eu ter participado de alguns prêmios que são importantíssimos para a comunidade brasileira nos EUA, que é o Press Award, grande prêmio que ocorre em várias categorias. Na verdade nunca participei concorrendo, mas sempre convidada para fazer os shows do evento. Participei de dois, um em homenagem ao Menescal, em que dividi até o palco com ele, e outro em homenagem a Alcione. Isso foi muito enriquecedor, pois fiquei conhecida como uma pessoa atuante no meio cultural, produzindo coisas, sempre em evidência na ativa divulgando a MPB. E o meu lado de comunicadora também foi reconhecido nessa ocasião, inclusive até recebi um prêmio como Celebridade do Sul da Flórida, por minha atuação cultural na comunidade brasileira. Não devo esquecer das minhas premiações no Brasil, é claro. Aqui obtive 47 prêmios de melhor intérprete com participações em 68 festivais da canção. Participei com composições de minha autoria e também de outros vários compositores, como Sueli Costa e Fátima Guedes.

Daniela: Quais são seus projetos atuais?


Cristiane: Estou ensaiando o musical "RELICÁRIO DE RITA CRISTAL", protagonizado anteriormente por Vera Fajardo.Fui convidadada para reviver esse musical pois Aécio Flávio e José Antonio de Souza, que são os autores, acharam que eu era a verdadeira "RITA CRISTAL". Mas tenho dúvidas (risos). Possivelmente me chamaram por eu ter trabalhos como atriz também. Sinto que mesmo sendo cantora, posso desenvolver esse lado de atriz. Tem me dado muita satisfação a parceria que estabeleci recentemente com o maestro Aécio Flávio, embora ele já me conhecesse dos velhos tempos de menina, só agora esse encontro se deu.Tudo acontece no tempo certo, eu agora uma mulher, já de fato amadurecida na música, com uma considerável trajetória percorrida, e ele um músico já amadurecido na vida. Pura satisfação!Tive também a honra de regravar a composição dele em parceria com Luiz Fernando Gonçalvez, chamada DE CORPO INTEIRO. Ela foi um sucesso nos anos oitenta na voz da cantora Jane Duboc e está para acontecer numa nova leitura.


Daniela: Te desejo puro sucesso, obrigada.


Cristiane: Eu que agradeço, adorei.
Postado por daniela aragão às 10:17 1 comentários
domingo, 20 de dezembro de 2009 FONTE:blog de DANIELA ARAGÃO

GLOBO LANÇAMENTOS


SELO GLOBO DE BOLSO RELANÇA
O FIO DA NAVALHA

A magistral técnica narrativa de Somerset Maughan novamente ao alcance do leitor
Depois de participar da Primeira Guerra Mundial, o jovem Larry Darrell retorna para sua confortável vida em Chicago. Porém, abalado pela dura e sangrenta experiência da guerra, ele deseja algo além de um bom emprego, de uma bela noiva, de alguns amigos influentes e do vácuo espiritual do seu meio. Darrel quer buscar outro propósito na vida, afora “semear e morrer”. Para encontrar uma resposta à sua angústia existencial, rompe com tudo e parte pelo mundo para buscar a si mesmo.

Enquanto registro notável da jornada do espírito humano, O fio da navalha, lançado em 1944, coloca-se ao lado de A servidão humana como um dos grandes romances em língua inglesa de todos os tempos. A ação se desenvolve em territórios bem conhecidos pelo autor – a endinheirada Chicago, a agitada Europa e o espiritualizado Oriente – e mostra sua conhecida preocupação com os paradoxos do comportamento humano. O fio da navalha foi adaptado duas vezes com sucesso para o cinema; em 1946, a versão foi protagonizada por Tyrone Power e, em 1984, Bill Murray fez o papel de Larry Darrell.

Magistralmente narrado por Maughan, em vez de simplesmente expor os detalhes da busca do sentido da existência e do desenvolvimento espiritual de Larry Darrell, o livro revela o caráter do protagonista pela análise do comportamento contrastante dos demais personagens, adeptos de um estilo de vida convencional e predominantemente materialista.

O autor:

W. Somerset Maughan nasceu em Paris, em 1874. Ficou órfão aos dez anos, sendo enviado à Inglaterra para viver com seu tio, o vigário de Whitestable. Em 1897, formou-se médico, mas abandonou a profissão após o sucesso dos seus primeiros romances e peças de teatro. A servidão humana, de 1915, é considerada sua obra-prima. É autor de extensa obra, que inclui contos, romances, peças teatrais, ensaios e narrativas de viagem. Depois de Shakespeare e Charles Dickens, Maughan foi o autor mais editado na língua inglesa. Morreu aos 91 anos, em dezembro de 1965.
Ficha ténica:

Título: O fio da navalha
Autor: W. Somerset Maughan
Gênero: Romance
Formato: 11 x 17,3 cm
Número de páginas: 560
Preço: R$ 23,00
Informações:Verônica Papoula Mendes (assessora de imprensa)
Julie Krauniski (assistente)
E-mail: imprensaglobolivros@edglobo.com.br
Telefones: (11) 3767-7819 / (11) 3767-7863
Site: www.globolivros.com.br
Twitter: www.twitter.com/globolivros

LÓKI, O MELHOR FILME DO ANO!


Leitores do JB elegem Benjamin Button e Loki os melhores filmes do ano

Carlos Helí de Almeida, Jornal do Brasil

RIO - Heróis não precisam ter superpoderes ou vestir uniformes vistosos para conquistar o coração do público. Assim deixaram claro os leitores internautas do Jornal do Brasil que apontaram, em eleição online, O curioso caso de Benjamin Button, de David Fincher, centrado na agridoce história de um homem que nasceu com o relógio biológico invertido, interpretado por Brad Pitt, como o melhor filme estrangeiro do ano. O mesmo vale para Loki – Arnaldo Baptista, documentário que recupera a conturbada trajetória do fundador da banda Mutantes, de Paulo Henrique Fontenelle que venceu a contagem do melhor lançamento nacional da temporada.

O feito da produção brasileira é particularmente curioso: Loki, que consumiu R$ 120 mil e três anos de pesquisas, encerrou a carreira no cinema com um público que não chega a 16 mil pagantes. Mas o apelo do personagem pode ser medido pela acolhida que a produção, a primeira do Canal Brasil, nos festivais nacionais. Exibido pela primeira vez para o público no Festival do Rio de 2008, onde acabou com o troféu Redentor da votação popular, o filme foi aplaudido por quase 20 minutos, em sessão que contou a presença de Arnaldo Baptista. No mês seguinte, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a organização da maratona teve que organizar uma sessão extra, porque as duas da programação ficaram superlotadas.

Loki também venceu o Festival de Cinema Brasileiro de Miami e 7º Cine Fest Petrobras Brasil, em Nova York:

– Depois de todos os prêmios que o filme conquistou, essa vitória na eleição dos leitores me deixa cheio de orgulho. Ainda mais em um ano em que comédias como Se eu fosse você 2, que foi visto por mais de seis milhões de pessoas. A sensação que tenho é de dever cumprido, porque Loki é uma produção de baixo orçamento, feito com uma equipe mínima, de três pessoas – comemora Fontenelle. – O Arnaldo representa o trágico e o cômico ao mesmo tempo, é a arte em si. Até já me disseram que fizemos um documentário de ficção, sobre um cara que saiu em busca de um sonho, superou inúmeras dificuldades, se apaixonou e conseguiu mudar de vida por causa dessa mulher. É um cara que simboliza a trajetória do herói.

A idéia para o filme surgiu ainda em 2004, quando Fontenelle e o produtor André Saddy desenvolviam um especial com Arnaldo para o programa musical Luz, câmera e canção, do Canal Brasil, época do lançamento do último disco solo de Baptista, Let it bed. O projeto foi crescendo, tomou ambições cinematográficas e culminou numa ida do diretor, do produtor e da co-produtora Isabella Monteiro para assistir ao show que marcou o retorno dos Mutantes à atividade, no Centro Cultural Barbican, em Londres, em maio de 2007. A histórica apresentação foi o primeiro registro do filme.

– Eu me correspondi com as comunidades dos Mutantes no Orkut. É, basicamente, um filme feito pelos fãs – resume o diretor.

– O filme é sobre o Arnaldo, mas os Mutantes permeiam a história. Não daria para falar dele sem falar da banda – argumenta Saddy. – O rock nacional é o Arnaldo, deve tudo a ele. Nossa idéia foi resgatar sua genialidade. Um lado exposto em Loki é o do Arnaldo pintor. A equipe pediu ao ex-mutante que pintasse um quadro que simbolizasse sua vida. A elaboração da tela aparece no filme.

O documentário resgata grande parte da trajetória pessoal e profissional do músico, desde a ascensão dos Mutantes, nos anos 60. Seus altos e baixos estão lá, até a ameaça das drogas e da depressão e a retomada de seus sonhos, com a ajuda da atual mulher, Lucinha Barbosa, uma ex-fã que lhe deu a mão em uma das fases mais difíceis da vida do músico. O filme não deixa de fora, por exemplo, o surto que levou Baptista a tentar suicídio, em 1982, quando se atirou do quarto andar da ala psiquiátrica do Hospital do Servidor Público de São Paulo. A cinebiografia conta com depoimentos de artistas como Tom Zé, Sérgio Dias, Nelson Motta, Gilberto Gil, Roberto Menescal, Liminha, Sean Lennon (filho do ex-beatle e fã dos Mutantes), Nelson Motta e Lobão, outros.

– O Arnaldo baseou toda sua obra em torno do amor. E, até por causa disso, continua vivo até hoje. Talvez o Arnaldo seja o último herói romântico – resume Fontenelle.

Benjamin Button é outro herói torto que conseguiu ficar na memória do público brasileiro. Ele é o personagem-título dessa sofisticada adaptação, ao custo de US$ 150 milhões, de um conto de F. Scott Fitzgerald (1896-1940), que chegou à festa do Oscar desse ano com 13 indicações ao prêmio; levou apenas três: Direção de Arte, Maquiagem e Efeitos Visuais. É uma história de amor incomum entre Daisy (Cate Blanchett) e o protagonista (Pitt), um homem que nasce octogenário e morre como um bebê, que atravessa grande parte do século 20. No Brasil, o longa-metragem encerrou carreira comercial com pouco mais de 2 milhões de espectadores.

– O curioso caso de Benjamin Button fala sobre as marcas que uma pessoa deixa na outra, as cicatrizes que os relacionamentos produzem na gente ao longo da vida – afirmou o diretor David Fincher à imprensa americana, na época do lançamento do filme nos Estados Unidos.

Autor de obras notórias por sua violência, como Seven – Os sete pecados capitais (1995) e O clube da luta (1999), Fincher surpreendeu meio mundo com um quase de contornos poéticos. O roteiro de Eric Roth acompanha o percurso do bizarro personagem, do nascimento, em 1919, como um bebê enfraquecido por doenças associadas à velhice, à sua morte em 2005, numa Nova Orleans prestes a ser arrasada pelo furacão Katrina. Abandonado pelo pai, um rico dono de uma fábrica botões, o recém-nascido é adotado por uma jovem negra (Taraji P Henson).

A medida que cresce, Benjamin ganha uma aparência mais jovem e saudável. A situação se inverte depois que o personagem atinge a meia-idade: a saúde se deteriora à medida em que seu corpo rejuvenesce. Caríssimos programas de computador reproduzem os traços de Pitt envelhecido em bebês e crianças, a maquiagem o envelhecem na fase adulta. A ideia era torna-lo reconhecido durante todo o processo.

– No mundo civilizado, a gente não dá 50 passos sem cruzar com uma foto de Brad (Pitt). Começamos com um personagem que, mesmo na forma de um velhinho minúsculo, a platéia pudesse reconhecê-lo. E funcionou – comentou o diretor, que pela terceira vez trabalha com o ator, que concorreu ao Oscar por sua performance. – Há poucas pessoas na minha vida em que confio plenamente, e uma delas é o Brad.

Embora seja um filme profundamente romântico – os dois enamorados se reencontram em diversas fases de suas vidas –, O curioso caso de Benjamin Button é marcado por uma certa carga de melancolia. A história é narrada por uma Daisy velha e moribunda, que enquanto aguarda sua hora final em uma cama de hospital, conta a história de Benjamin para sua filha, vivida pela atriz britânica Julia Ormond. Apesar dos elogios da crítica, o filme mal se pagou nos Estados Unidos, onde não chegou a arrecadar US$ 150 milhões.

– Benjamin Button foi construído como uma música. A melodia que se sobressai pode ser adorável e ingênua ou desanimadora, mas sob ela há uma batida constante, uma espécie de metrônomo que nos alerta sobre a inevitabilidade de nossa morte – explicou Fincher.

16:28 - 24/12/2009/fonte:JB ON LINE/ENVIADO POR LUCINHA E ARNALDO