sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

PRÊMIO LITERÁRIO


O livro “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2009” é o resultado de um concurso realizado em 2009.

Foram mais de 600 poetas inscritos e 133 selecionados para participarem da publicação.

O livro será lançado durante a 21ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Pavilhão de Feiras do Anhembi.

Dentre os poetas estão 27 baianos, além de portugueses e um americano.

Valdeck Almeida acalentou a ideia do concurso desde seus 12 anos de
idade, quando teve o primeiro contato com a poesia de Drummond, Castro
Alves, Augusto dos Anjos e os cordéis escritos por vários gênios da
literatura popular nordestina. Há 32 anos Valdeck compõe poemas e se
aventura pelo mundo dos contos e crônicas.

O primeiro livro-filho de poesias, “Feitiço Contra o Feiticeiro”, no
entanto, só veio à luz após vinte anos de gestação. Foi parido, parto
normal, e caminha até hoje por este Brasil a fora.
Valdeck Almeida de Jesus sabe o que correr atrás de editoras e receber
não como resposta. Não queria que outros poetas tivessem a mesma falta
de sorte. Por isso, criou o “Prêmio Literário Valdeck Almeida de
Jesus”, que dá oportunidade a gente do mundo inteiro.

Confira a lista dos primeiros colocados, os quais receberão um
exemplar da antologia, gratuitamente:

1° Colocado – Alexandre Tarlei (São Paulo) – poesia: Sou negro
2° Colocado – Dora Oliveira (Ipatinga-MG) – poesia: Retrato da
República
3° Colocado – Vanessa Ratton (Guarujá-SP) – poesia: Cidinha
4° Colocado – Fátima Venutti (Blumenau-SC) – poesia: Mortalha
5° Colocado – Lílian Porto Silva (Niterói-RJ) – poesia: Faz de conta
6° Colocado – Jussára C. Godinho (Caxias do Sul-RS) – poesia: Dia da Consciência Negra: Indignação
7° Colocado – André Sesti Diefenbach (Porto Alegre-RS) – poesia:
Farrapos
8º Colocado – Gabriel Fernando Gómez (Buenos Aires, Argentina) –
poesia: Infidelidade
9° Colocado – Valéria Victorino Valle (Anápolis-GO) – poesia: Sou
Drumundo
10° Colocado – Carolina Bottura (Belo Horizonte-MG)


Outros lançamentos
Além do lançamento citado acima, Valdeck Almeida lançará a coletânea
“Antologia do Amor – 2010” e o livro “Prêmio Literário Valdeck Almeida
de Jesus de Contos LGBT’s” (este livro homenageia ao escritor e
jornalista Jean Wyllys).
Sobre o Organizador:
Valdeck Almeida de Jesus é um poeta e sonhador. Lançou os seguintes
livros: “Heartache Poems. A Brazilian Gay Man Coming Out from the
Closet”, iUniverse, New York, USA, 2004; “Feitiço Contra o
Feiticeiro”, Scortecci, São Paulo, 2005; 20% da renda doada às Obras
Sociais de Irmã Dulce; “Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida
no Jardim do Éden”, Scortecci, São Paulo, 2005; 1ª edição – 100% da
renda doada às Obras Sociais de Irmã Dulce; “Jamais Esquecerei do
Brother Jean Wyllys”, Casa do Novo Autor, São Paulo, 2006; “1ª
Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus”, Casa do Novo Autor, São
Paulo, 2006; “Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim
do Éden”, Giz Editorial, São Paulo, 2007 – 2ª edição; Participa de
mais de vinte antologias de poesias. Por seus trabalhos em prol da
literatura e da paz, foi nomeado Embaixador Universal da Paz em
janeiro de 2010, pelo Círculo dos Embaixadores da Paz da Suíça e
França. A entidade é ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).
Site pessoal: www.galinhapulando.com
Título: “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2009” - poesias
Org. Valdeck Almeida de Jesus
Editora: Giz Editorial
Páginas: 215
Onde comprar: Giz Editorial (on-line) ou direto com o organizador.
21ª BIENAL INTERNACIONAL DO
LIVRO DE SÃO PAULO 2010
http://www.bienaldolivrosp.com.br/

12 a 22 de agosto de 2010, das 10 às 22 horas
Parque de Exposições Anhembi
Avenida Olavo Fontoura, 1209
Bairro Santana – São Paulo–SP
http://www.galinhapulando.com/visualizar.php?idt=2077902

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

FERNANDA TAKAI


O MOVIMENTO DAS MONTANHAS – 29/12/2009

Havia um pastor que fazia muito tempo era um dos mais adorados do mundo. Seus campos, plenos de ovelhas, se espalhavam para além da imaginação. O mundo inteiro reverenciava seus talentos. Ao cuidar de seu rebanho, encantava as pessoas e os animais com sua voz terna. Nem fazia muito esforço. Bastava cantar as canções que inventava e as coisas aconteciam. Água limpa brotava, a relva verdejava. A ele vinha a chuva, a ele vinha o Sol, como súditos saudando o senhor do tempo. Era difícil achar alguém que não visse naquele homem a personificação de um ser mágico. Qual o seu segredo? Como consegue cuidar de tantas ovelhas? Quem lhe deu essa voz dos anjos? Por que seus domínios ultrapassam todas as fronteiras? – alguns se perguntavam. Mas tamanho era o encanto que se satisfaziam mesmo sem respostas.

Um dia uma aprendiz de pastorinha que sempre ficava olhando tudo de longe fez um movimento incerto. Ou ele tinha feito. Não sabia bem. Como num tabuleiro de xadrez. Mas nem se deu conta disso. Alguma coisa errada tinha ocorrido. Tinha pisado numa ovelha sem querer? Montou a tenda num lugar inadequado? Por mais que ela chegasse perto, não alcançava mais o som bonito que vinha das montanhas. Algumas ovelhas ficaram ao seu redor e todas indagavam sobre aquela falta de sorte. Não sei, não sei! – ela dizia. A notícia ruim se espalhou por alguns lugares do reino e depois de algum tempo felizmente se foi junto com algum riacho que corria. Porém nada foi como antes. Isto é, as vidas seguiram, embora desencontradas.Mais de uma década se passou e a pastorinha que estava andando com suas ovelhinhas por uma vila distante avistou um senhor correndo em sua direção com uma mensagem. É para você! Custei a alcançá-la, faz tempo que estou à sua procura. Haverá um festival de canto de pastoreio e você foi escolhida para participar. Ela ficou radiante! Obrigada, aceito sim, com muito gosto. Mas… são canções dele, você sabe… . O mensageiro retrucou: Claro que sim, as melhores canções são dele. Todo mundo sabe. Ele sabe também que você foi convidada… . Com alegria e um pouco de hesitação, ela aceitou. Durante uma semana treinou a canção escolhida, cantava em todo lugar enquanto andava com suas ovelhas. Na noite anterior à apresentação no vilarejo principal da região, ela cantava para a noite estrelada quando pensou ouvir ao longe a voz que havia muito tempo não conseguia mais escutar. Só podia ser ele. E cantavam a mesma canção. Como num dueto secreto os dois continuaram por algum tempo, até que o primeiro raio de sol riscou o escuro. Fez-se de novo o silêncio.De manhã, enquanto todos os pastores cantores se apresentavam, ela procurou por todo canto a presença que tanto esperava. Ele não estava lá. Tinha sido um sonho com certeza. Na sua vez, cantou o mais lindo que pôde. E se deu por satisfeita por aquilo tudo ter enfim ocorrido.Mais um ano se passou e ela foi a uma terra não muito distante ajudar uma amiga pastorinha que começava novo rebanho. Ela também gostava muito de cantar. Juntas reuniram várias pessoas para um sarau em torno da fogueira quando alguém cochichou: Você está ouvindo esta voz? . Era a voz mágica que vinha acompanhando a mesma melodia que as duas entoavam. De um jeito inesperado o pastor de todas as montanhas se chegou e abraçou as duas de um jeito muito verdadeiro e sincero.Tudo em volta ficou mais leve e bonito. As pessoas presenciaram a música ajudar no reencontro, regando de novo com sua melodia e poesia todos os corações.
Hoje em dia, pode se ouvir em cada montanha uma voz que canta para todos, sem exceção. Enquanto isso os montes vão se movendo de forma quase imperceptível. Somente para encontrar você, onde quer que esteja.
FERNANDA TAKAI/fonte blog de fernanda takai

ADRIANA MANARELLI


Equação (Adriana Manarelli)

A neve
Filtra toda carne:
Alabastro em flocos
Oculto.
O suspiro esquecido
Nega seus artífices.


Transmuda a argila
Em espectro
Desde o vagido.
Silente flagelo_
Transparente,
Transpõe a mente
E idéias
E ideais.

Perpétuo verbo
Que se busca
Ardente
Se a brasa no mármore,
A abóboda de ouriço.
Soberano repouso,
Plano de miasmas_
De névoa
Ou desdém:
Além, além.

TELA:KLIMT
10/02/2010

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

EFIGENIA COUTINHO


RETALHOS DA ALMA
Efigênia Coutinho


Acaricia-me um olhar efêmero
agarrando à rima com esmero.
Vem da alma a estrofe iluminada
ao final resplandece alucinada!...


Ó Alma, quem há de dizer, contudo,
tuas infinitas angústias ao mundo?
Se sangras no teu sonhar mudo
a sufocar o teu grito em tudo?...


Este sonho se vai Alma rara!
Morrendo aos céus brandido.
No tempo, as confissões calara
emudecendo um Amor bandido!


Morres Alma, em sono profundo,
mas deixas os retalhos em tudo
para saberem que em teu amor mudo,
neste mundo, fostes um Mundo!...

Balneário Camboriú
Fevereiro 2010

http://efigeniacoutinhopoesias.blogspot.com/

ABÍLIO PACHECO


Sinfonia
Por conta de crescente aperto nas finanças, pouco a pouco tiveram que
se desfazer dos móveis e utensílios, a começar pelos menos essenciais. Até que
venderam o piano de gabinete, que ocupava espaço, mas preenchia o tempo
vão com ledos solfejos e suaves sustenidos.
No lugar, puseram uma mesa sem graça de madeirite a esgarçar-se.
Nela, a pianista se punha como antes. Nos mesmos horários, deslizava os
dedos – com a costumaz habilidade – pela superfície de teclas imaginárias.
Inclinava a cabeça, fechava os olhos, balançava o corpo, às vezes cantarolava,
mas na mesa não resvalava, tocava ou triscava.
Os demais da casa mantinham a mesma rotina. Punham-se calados ao
chá ou café, ao tricô ou crochê, ou apenas folgavam deveras ao som do
instrumento ausente.
Não custa que logo, logo, empolgada e distraída, a moça tocou mais
forte o teclado. A melodia inebriou mais ainda os presentes. As notas
trouxeram não sei que contentamento. Preencheu espaços da casa e
transbordou pela confusa e incrédula vizinhança.

A Hora da Estrela
À Clarice, pelo título emprestado
A alma era de atriz. O gesto também. E a impostação da voz!...
Qualquer dia teria sua chance. Recebeu com naturalidade o convite para
um musical.
Conhecia bem seu papel e agiria com desenvoltura.
No instante exato, atirou-se da frisa.

FERNANDA LEITE BIÃO


O olhar

Fernanda Leite Bião


O olhar é o que me assusta e me encanta.

É o que me acolhe e me afasta de mim e do outro.

Tão simples e tão marcante!

Perco-me no brilho e no símbolo que se expressa.

O que dizer de mim, se o que sou ultrapassa o meu próprio espaço?

O que dizer de mim se o olhar do outro me diz quem sou?

Dentro dessa enorme dimensão, pretendo descobrir.
imagem/augusto de campos

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

PEDRO DU BOIS


PAIXÃO

Apaixonei-me pela luz e a persegui

em beira mares, tive com a areia

atritos indesejáveis: a luz

e os pés molhados; perdi

a batalha, meu refúgio é o escuro

vão da escada, onde guardo

tralhas desconsideradas: rabisco

a poeira com palavras versejadas:

poderia anotar os dias.

(Pedro Du Bois, inédito)
http://pedrodubois.blogspot.com