terça-feira, 16 de março de 2010

ROBERTO ROMANELLI MAIA


UM SOL EM MINHA VIDA

ROBERTO ROMANELLI MAIA

ESCRITOR, JORNALISTA E POETA




Chegaste nem mesmo eu sei como!

Sem pedir licença nem passagem!

Como quem não quer nada!

Como uma sombra plena de luz!

Mas os meus sonhos,
os meus desejos e as minhas ilusões
não debandaram, assustados...

Sim, chegaste como um vendaval
para tudo pela frente levar!

Mas os meus sonhos e as minhas ilusões
te receberam de braços abertos ...

E, aos poucos, preencheste o vazio
dos meus momentos...

Com o teu corpo e a tua alma
invadindo o meu silêncio...

Me tirando do vazio e da solidão!

Sim, gravaste em meu coração
as tuas digitais!

Me invadiste, como
uma noite com estrelas,
acedendo todas as luzes...

E o teu brilho próprio
transformou-se no meu sol!

Um sol descoberto e revelado...

Contigo e para ti!

Um amor cúmplice
para um novo recomeço...

Sim, no meu mundo chegaste
para ficar!

E, contigo ao meu lado, hoje,
poucas são as minhas tristezas
e dores...

E estas são, por nós, somadas,
divididas e compartilhadas...

Sim, se um dia eu fui triste e infeliz,
deste homem nada mais resta!

E o que ficou vive somente felicidade,
por tê-la junto a mim!

POESIA EXPERIMENTAL


LINGUAGENS D’ESCRITA(S)

Poesia Experimental do ARQUIVO FERNANDO AGUIAR


Inaugura no próximo sábado, dia 20 de Março, pelas 16.00 horas a exposição "LINGUAGENS D’ESCRITAS – Poesia Experimental do Arquivo Fernando Aguiar", que terá lugar em dois espaços culturais de Abrantes: na Biblioteca Municipal António Botto e na Galeria Municipal de Arte.

Os poetas portugueses têm as suas obras expostas na Biblioteca Municipal e são eles: Abílio José-Santos, Alberto Pimenta, Almeida e Sousa, Ana Hatherly, Antero de Alda, António Aragão, António Barros, António Dantas, António Nelos, Armando Salles Macatrão, Avelino Rocha, César Figueiredo, E. M. de Melo e Castro, Emerenciano, Fernando Aguiar, Gilberto Gouveia, José-Alberto Marques e Salette Tavares.

Os poetas estrangeiros, a apresentar na Galeria Municipal são, entre outros, Arnaldo Antunes, Arrigo Lora-Totino, Bartolomé Ferrando, Bernard Heidsieck, Clemente Padin, Enzo Minarelli, Fernando Millán, Giovanni Fontana, Julien Blaine e Paula Claire.

O Arquivo teve início em 1983 e conta já com uma colecção constituída por cerca de 2.500 originais, maioritariamente obras de poesia experimental e visual, mas também de áreas afins como a Arte Conceptual, Fluxus, Performance e Mail-Art, produzidas a partir da segunda metade dos anos 60, com um especial relevo para a poesia visual dos anos 80 e 90, e contém trabalhos de cerca de 200 dos mais activos poetas experimentais de 31 países, existindo de alguns deles um considerável conjunto de obras, como é o caso de Ana Hatherly, Alberto Pimenta, Salette Tavares, ou do cubano Artemio Iglesias.

Conta igualmente com alguns originais de artistas Fluxus ( Wolf Vostell, Milan Knizák, Dick Higgins, Charles Dreyfus… ) e de artistas conceptuais, como Dennis Oppenheim, Monty Cantsin, Orlan ou Shozo Shimamoto.

Apesar de se situarem no âmbito de uma linguagem poética, estas obras são profundamente visuais e, no aspecto técnico, são realizadas através do desenho, da colagem , fotografia, electrografia, pintura, objecto e infografia,. Para além destas obras, são também apresentados videopoemas, videoperformance e poemas animados que podem interagir com o público.

Os poetas visuais nunca tiveram qualquer tipo de relutância em utilizar todas as tecnologias a que puderam aceder, desde a fotocopiadora (electrografias) e da máquina fotográfica (fotopoemas), ao vídeo (videopoemas e vídeo de intervenções poéticas), ao computador (infopoesia e poesia hipermédia), até aos raios laser (holopoesia), o que tem servido para veicular as palavras e a expressão visual com um propósito poético. No sentido de valorizar e de potencializar o poema, concebendo-o e transmitindo-o através de uma linguagem actual e actuante.

No texto do catálogo, Fernando Aguiar refere que “Em Portugal, um pequeno grupo de poetas participou activamente desde meados dos anos 60 neste movimento internacional resultando, talvez, no único movimento literário e artístico português contemporâneo daquilo que se fazia lá fora.”

O Arquivo contém ainda várias centenas de fotografias de performances (sobretudo performance portuguesa dos anos 80 e 90, mas também fotografias de inúmeros poetas e outros artistas, milhares de slides e de negativos, livros, catálogos, cartazes, revistas, jornais, vídeos, cassettes, cd’s e dvd’s de poesia sonora, desdobráveis, textos, postais, etc., que perfazem mais de 15.000 documentos.”

A exposição está patente ao público até ao dia 16 de Abril e, no dia do encerramento, pelas 21.30 horas, realiza-se um debate sobre Poesia Experimental seguido de leitura de poemas por Ana Hatherly, José-Alberto Marques, Manuel Portela, Fernando Aguiar e José Oliveira Baptista que vai apresentar o livro “Livre”/ poesia visual: fernando aguiar/PORTUGAL

segunda-feira, 15 de março de 2010

POR UM SEGUNDO MANIFESTO ANTROPÓFAGO


POR UM SEGUNDO MANIFESTO ANTROPÓFAGO:

A arcada dentária é característica universal que liga pela mordida todos os povos da terra. Portanto o movimento dialético entre o que está fora e o que está dentro resolve-se na devoração, força motriz do desejo ou luz do anjo caído que institui o canibalismo nas hostes do céu. Nossa fome despreza o sucesso.

Este não é um manifesto brasileiro, tão pouco latino americano ou europeizante. Insistimos em desconhecer o fronteiriço. A Revolução caraíba é a vingança suprema contra a civilização e embora sua geografia metafórica envolva a rebelião dos povos colonizados, a sua extensão e o seu significado desconhecem limites territoriais. Não somos nacionalistas. Não herdamos paranóias modernistas para uma cultura “ puramente brasileira “: Trata-se de uma excrescência que alimentou tanto fascistas quanto stalinistas e que portanto deve ser varrida para fora do espírito.

Na segunda metade do século passado fizeram em grande parte a leitura concretista da antropofagia. Nós fazemos a leitura surrealista acrescida das experiências de contracultura. Exercemos a deglutição e ambicionamos a reestruturação da contracultura enquanto a peste desconstrutora da civilização burguesa. Nossa leitura antropofágica no tocante ao Surrealismo não se confunde com o movimento surrealista: Este é especifico. Apenas reivindicamos sua influência no plano espiritual e da criação. Julgamos que as revelações surrealistas traduzidas brilhantemente no pensamento de André Breton, anunciam a idade de ouro: Esta é fundada na poesia, no amor e na liberdade. Para nós o Surrealismo não é pré-antropofágico, mas um programa revolucionário dotado de particularidades que está em franca sintonia com o projeto da antropofagia.

A europeização do mundo corresponde a uma crescente doença que ameaça a dignidade humana. Herdada pelas culturas dominantes das Américas, a civilização é felizmente golpeada por uma oposição mágica: Nas matas e nas visões dos curandeiros, nas senzalas e nas sarjetas localiza-se a negação mais radical do mundo civilizado. O relex indígena e a consciência rítmica afro. É o Beat, o Beat, o Beat, a batida e a busca pela bealtitude que Allen Ginsberg, Jack Kerouac e outros anjos perdidos estabeleciam no século passado. Beat ou improviso, cabeça antenada e quadril que se meche para além dos limites dos Estados nacionais. Salve a sarjeta continental das Américas!

Se a contracultura implica em opor-se(sem nenhuma forma de sistematização prévia) aos valores das instituições que fundamentam a cultura dominante, então ela é uma constante histórica. O nosso tempo não é exceção a isso. Contracultura envolve uma produção que está a margem do reconhecimento oficial. Num mundo marcado pela pluralidade e pela fragmentação, apresentamos o valor poético que é necessariamente fora da lei(afinal, este mesmo mundo é controlado, mesmo em sua aparente diversidade, pela tirania do mercado e da lógica). Não existe verdade absoluta, mas interpretação. Há um homem soterrado nos escombros das determinações psicológicas e culturais do colonizador. Nosso objetivo não é outro senão mostrar-lhe a saída em direção a luz da revolta.

A contracultura popularizou-se nos anos sessenta mediante a evidência midiática. Porém, de modo algum ela restringe-se aos estereótipos daquela época: A experiência contracultural passa pelo cultivo das tradições e não pela repetição das formas. Quarenta ou cinqüenta anos na História da cultura não são nada. Novo contexto: Releitura. Numa clara tendência que obedece ao contexto pós-tropicalista, rejeitamos com toda a violência necessária qualquer forma de centralização de poder, expressa por exemplo na estrutura de grupos. Devoramos nossas referências mas não aceitamos lideres para a tribo. Não somos marmita ou sanduíche: Ao provarem de nossa carne avisamos as senhoras e os senhores, que sentirão o gosto da mandioca braba.

Não tendo a contracultura uma forma definida, as vertentes que colaboram historicamente para a sua constituição são muitas. A devoração destas não implica em uma fusão de ordem estetizante, mas na ética do espírito iconoclasta. Somente a busca pela liberdade fundamenta a reflexão e a criação artística. Para além da estética existe a subversão(ao mesmo tempo não compactuamos em grande parte com os instrumentos políticos tradicionais utilizados pela esquerda em geral).Restituindo as energias interiores do homem, a nossa visão antropofágica é contracultural na medida em que desmente as falsas noções entre “cultura superior” e “cultura inferior”. Perante a sociedade do espetáculo ela é uma das principais forças de oposição.

Não somos modernos, nem pós-modernos. No banquete platônico de 22, preferimos as sobras das metralhadoras, a rajada que pulsa para além dos salões, das butiques e dos gabinetes. Longe de nós carregar o peso do Modernismo. Aliás, mesmo com o hábito saudável do escândalo os modernistas eram nacionalistas e esteticistas. Por isso a antropofagia é a novidade, ela foi teorizada hoje em 1928. Trata-se de uma postura selvagem e irreverente, que apóia-se na ousadia e na barriga de Oswald de Andrade. Não somos proprietários do pensamento antropofágico e como antropófagos não são dados a oficialidades, reservamo-nos a nossa leitura particular do canibalismo. O antropófago que se alimenta do Surrealismo e da Contracultura tem visões soberbas: Ele vislumbra cipós convulsivos entrelaçados nas pernas da cidade. Com o sexo dos edifícios descobertos e abrindo picada pelo mato dos sentidos, ele encontra na avenida o amor e o carnaval.

A crueldade de Antonin Artaud é expressão do instinto caraíba: Arrancar roupas, peles, nervos e pedaços de uma sociedade falida. O ritual. A crueldade enquanto meio de transfiguração do tabu em totem, e a vida como a principal obra do artista. A rejeição da família e do amor no contexto burguês. A GRANDE FAMÍLIA X AS RELAÇÔES MONETÁRIAS DO AFETO. O AMOR ENQUANTO PESTE, VENENO SOMBRIO X CONFORMISMO SOCIAL. A autopsia dos desejos e dos sentimentos e a aceitação dos excrementos, do suor, dos cheiros e das texturas como néctar mais precioso para a liberação sexual(cósmica por excelência). O corpo sem órgãos, despido dos conceitos e das afirmações físicas. O amor pelo sexo e pelo estômago com a mesma intensidade. O desejo das entranhas tão intenso quanto o desejo da saliva. Desejar a totalidade do outro. Abraçados em torno da fogueira, na linha direta de Xangô, com seus raios abrindo os trabalhos. A copulação entre o batuque, o jazz, as guitarras distorcidas e todos os sons povoados pelos gritos das virgens de Eros.

Eu existo em MIM, no outro e nas possibilidades gastronômicas do espírito e da carne. Uma ode à Santa Carnívora! A benção ao humano como possibilidade de superação das crenças sem tempero. Moquecas, picos, épicos e visões. A pele enquanto casulo deixa livre o espírito para sensações e obscenidades infinitas.

As ervas de defumação, as danças em volta do caldeirão, a regeneração do som, a palavra como manifestação sonora, a abolição da racionalidade e a crença na realidade absoluta. Tudo é som e som se sente, se toca, se exprime e comprime. O gesto eterno da mastigação. O infinito exercício do maxilar e das papilas gustativas enquanto meios de reação à estagnação dos que se contentam com as academias e os fast-foods do espírito.

A opção anárquica. O matriarcado enquanto uma era de esperanças. A utopia exige uma resolução prática. Não somos um movimento artístico. Lição Dada: A destruição permanente dos valores burgueses. Sempre guardando distância entre a senzala e a Casa grande, seguimos. A sarjeta e o holofote. Desenvolver uma iluminação própria. O automatismo psíquico no verbo, na imagem, na cena. O DENTE E O SONHO, A SELVA E A MARGINÁLIA.

Degustar o infinito. A vida enquanto deglutição da poesia.



Bruno Zambelli/ Afonso Machado

Campinas-SP, 2009/tela: salvador dali

terça-feira, 9 de março de 2010

NEM TUDO É PROVISÓRIO


nem tudo é provisório
eliana borges e roseane yampolschi
abertura: dia 11 (quinta) de março, às 18h30a exposição permanecerá aberta até 18 de abril
casa andrade muricy
alameda dr. muricy, 915 centro
tel. 41 3321 4798
mais informações:
www.cam.cultura.pr.gov.br
http://blogdocorona.blogspot.com/

CADÊ O CLAMOR PÚBLICO???


Segundo o promotor José Carlos Blat o rombo no caixa do Bancoop entre 2001 e 2008 ultrapassa os R$100 milhões e tudo indica que parte deste dinheiro serviu para engordar campanhas eleitorais do PT. À despeito do tamanho da cifra envolvida - parece que o promotor está contando uma história da carochinha e já de final conhecido - só falta os petistas bocejarem tamanha a indiferença e certeza de impunidade...Fora alguns "é mentira, não tenho nada com isso" ou "isso é golpe da oposição para prejudicar a Dilma" , que já são de praxe...não vejo a repercussão que tal fato teria caso o partido envolvido fosse da oposição. Cadê os meninos , os estudantes aguerridos que batalharam na frente da Câmara Distrital exigindo a cabeça dos corruptos do mensalão de Brasília? Cadê a turma responsável por criar o necessário "clamor popular"...cadê?
À propósito: que mensagem de Lula estará embutida na indicação pessoal que fez ao nome de Vaccari Neto - principal suspeito no caso Bancoop - para cuidar das finanças de campanha da Dilma?

Mara Montezuma assaf/sp

segunda-feira, 8 de março de 2010

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


MULHER

Neida Rocha



Sou Mulher...

Não sou de ferro...

Sou de ROCHA...

A vida me empurrou,

queria para baixo,

mas segui em frente.

Exausta prossegui...

Queria mais

do que eu mesma podia me dar...

Busquei além de mim mesma...

Na queda amadureci...

As cicatrizes permitiram meu seguir...

A alma leve resultou

da Paz de...

mim mesma.
na foto: tete espíndola

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Com licença poética

(Adélia Prado)


Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
cortesia de jose paulod dos santos