segunda-feira, 22 de março de 2010

LANÇAMENTO


Prezados amigos (as):
Estou repassando o convite para o lançamento do livro do poeta José Inácio Vieira de Melo jivmpoeta@gmail.com .
Grato.
José Paulo

sexta-feira, 19 de março de 2010

EFIGENIA COUTINHO


AMIGOS
Efigênia Coutinho
Dedicado ao Escritor Edson Gonçalves Ferreira



Amigos são sonhos rindo
Vivem nas beiras do coração
Embalando nosso mundo
Num berço de mansidão.


São anjos do céu enviados
Para semear a bondade.
Com seus cristais dourados,
Desvendam a felicidade.


Os amigos rejubilam em fervores
Nas alegrias de nosso coração,
Também são os consoladores,
Nos momentos de aflição.


Amigos hoje eu digo obrigada!
Por seu ombro oferecido,
Pela felicidade compartilhada
E o bem-querer retribuído!

Balneário Camboriú
Março 2010

EFIGENIA COUTINHO


Talismã
Efigênia Coutinho


Passatempos do Amor...
quantos alimentei desde menina,
eram unicamente as leviandades
da minha seiva, incerta peregrina.


Que vivia num giro turbulento,
entontecida pela doce quentura,
pelos tons ocres e festivos das
emoções da adolescência gárrula!



Passatempos de Amor...
sem devotamento e promessas
sem profundeza, sem delírios,
sem beijos, se iam bem depressa.


Até que um dia, arremessada
por uma brisa mágica, descobri
a semente benfadada de um
sentimento vindo de outras paragens.


Foragido, veio dentro de mim
pedir guarida na ardência dos
meus afagos e cuidados, e criou
prolongamentos arraigados.


Seduziu-me com alvos sentimentos,
que agora se entretece e enrodilha
na alma que lhe fez, numa azáfama
de artista, o Amor em júbilo triunfal!


É s meu Talismã régio, e pelo
privilégio de possuí-lo, eu cuido
que daria, sem demora, todo
meu afeto, todo meu quente fluido!


Balneário Camboriú
2003
Efigenia Coutinho
Presidente Fundadora
Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores

quarta-feira, 17 de março de 2010

CULTURA DA ESTÉTICA


CULTURA DA ESTÉTICA

Rubens Shirassu Jr.

Não se deve julgar nada da mulher ou do homem pelas suas imperfeições físicas e quem, na última década do milênio, com um pouco de discernimento ficou perplexo com o desfile de frivolidades pedindo 15 minutos de fama, como dizia Andy Warhol não entendeu bem o espírito da coisa. Coisa no caso sendo a latente cultura do corpo jovem e belo, que predomina no Brasil.A estética do consumo que pulveriza o imaginário do cidadão comum, representada aqui pela propaganda, mostra um mundo fora da realidade brasileira e artificial, a automatização da vida e a felicidade artificial na americanização do mundo. É só olhar os anúncios com garotas e garotos jovens belos, atléticos e sadios.Conseqüentemente, o jovem da periferia perdeu sua gíria e criatividade, usando onomatopéias das histórias em quadrinhos. Parecem códigos quase indecifráveis. Alguns jovens não aperfeiçoam os estudos, preferindo investir numa moto ou carro para desfilar com a loira mais gostosa do bairro. Uma verdadeira batalha, mas sem compensação financeira. Pois é, pura ilusão, pra quê? Digo que as décadas de 80 e 90 foram o retorno das coisas mais caretas que conheci: o bambolê e o patinete, mal compreendidos na sua época.Lembra-se do Big Brother, de Orwell, pode não controlar totalmente as nossas vidas, porque não quer. Tem que eliminar algum hormônio que desenvolve os seus dotes físicos. Pra quê essa pressa em crescer tão rápido, esquecendo de viver uma fase importante e inesquecível de sua vida? As meninas de nossa região têm medo de envelhecer e de ficar “por fora” da moda, dizendo que importa é o aqui e agora, sem amanhã. Hoje, o público acima de 30 anos, detém maior estabilidade financeira, mas ainda é pouco trabalhado pela mídia brasileira. Puro preconceito com o segmento, ou falta pesquisa?

JOÃO WERNER


gravura digital/JOÃO WERNER, fauno e ninfa

terça-feira, 16 de março de 2010

FERNANDA LEITE BIÃO


Desassossego
Fernanda Leite Bião


Tem algo que me incomoda! Eu mexo pra lá e pra cá, me agasalho, estico o corpo, fecho os olhos.
E, depois da realização de todos estes rituais, descubro que precisava fazer a conexão entre os meus olhos e o meu coração.
Lágrimas descem e percorrem meu rosto. Sinto o movimento quente e frio.
Meus olhos não têm a mesma claridade.
E meu coração descompassa e a cada suspiro procura voltar ao seu equilíbrio normal.
Uma alma nunca é uma alma só, mas precisa seguir seu trajeto solitário.
Os caminhos são diversos, as estações do ano mudam, as estações da vida se transformam.
Tenho medo de acordar e descobrir que ainda não tenho identidade.
E que a ânsia de descobrir o que sou me desviou do caminho que me levaria à minha própria descoberta.
Palavras são sinais de vida, palavras são sinais.
Deixo aqui minhas palavras, deixo aqui os meus sinais.
As lágrimas ainda teimam em cair, o coração mais aliviado agradece a oportunidade de ser escutado.

RONIE VON MARTINS


HOMEM SENTADO
RONIE VON MARTINS

Engolia todas as dores. E já se acostumara. Não havia dor que não estivesse acostumado a engolir. Todas. Friamente às engolia. Às vezes mastigava-as. Lentamente. Tudo ao seu redor era lento. Denso. Tudo era denso. Densidades estratificantes que lhe cobriam, envolviam em camadas. Como uma cebola. Não comia cebolas.
Os movimentos eram raros, da cama ao assento frente a parede que não se abria em janela, mas que se fechava em parede. E mesmo assim, seus olhos paravam ali. No espaço que só o olho do homem sentado conseguia ver. Ver? Seria uma frincha? Existiria a possibilidade de o olho buscar e se esgueirar pelos interstícios invisíveis e “impossíveis” da parede?
Comia dores e bebia chimarrão. Amargo e quente. E não escuta o rádio. Mas sempre ligava o aparelho. Uma estação além das vozes chiava dialetos singulares e vetustos. E seus olhos por breves instantes pareciam brilhar.
O tempo era impreciso, já não era possível determinar se era presa de Kronos ou Aion, ou se decidira deixar o corpo para um e o resto para o outro. Mas parecia que já havia preenchido seu quinhão de real com várias toneladas de memória e delírio.
Pelo substantivo louco, era definido pela família. Nunca apareciam, mas pagavam uma funcionária para limpara o pequeno apartamento. Ela chegava lépida, faceira, pequenas e infames piadinhas nos lábios, barriga volumosa e satisfeita, espantando fantasmas e poeira com seu espanador encantado.
Ele ordenava a sua máscara que forçasse um sorriso. Cordialidade. E o que saia era uma careta engraçada que fazia a mulher sorrir e dizer mais besteiras.
A funcionária era um vento. E soprava com força todo o silêncio e a solidão do espaço do homem, mas quando saia, a gravidade puxava-os para baixo. E ele realmente não sabia se gostava do agora ou do antes.
“O que estás vendo?” às vezes a mulher perguntava e ele respondia que via a cidade da memória. E ela ria. Aquecia mais água para a térmica, perguntava se ele não queria trocar a erva. “Uma carteira de cigarro” ele dizia, mais que pedia. “Eles disseram que você não pode fumar” e ele sorria. E ela trazia a carteira e ele incendiava o lugar. O fósforo incandescente por segundos frente aos olhos e em seguida a fumaça se esvaindo e abraçando o ar em valsa erótica. Lascívia. “Eles se amam.” Ele dizia. “Quem?” perguntava a mulher. “A fumaça e o ar.” A gargalhada era dela, o silêncio dele. “Você é esquisito mesmo, hein?” “É.”, dizia o verbo pensando na conjunção “e”. Este era o problema. A finitude das coisas e de si mesmo começavam a lhe causar estranhamentos. Gostaria de se ligar a outra oração, acrescentar eternamente. O meio das coisas. O verbo ser. A palavra “é” definia, estagnava e prendia tudo que não deveria ser nas estruturas sedimentares do “é”. O ser.
Ria desta suposta unidade. E se esvaia em fumaça. E dissolvido em nevoa, qual vampiro, perdia-se inteiramente pelas frestas do seu corpo real e organizado