quarta-feira, 30 de junho de 2010
O VATICANO

PROCURA-SE
novxs leitorxs ke querem ter orgasmos literários!
Para conseguir seu objetivo ke estava no inconsciente: “Roubar o cálice onde Jesus Cristo celebrou a última ceia”
Pietro, filho de imigrante italiano. Morador do Bixiga. Bairro da cidade de São Paulo. Brasilo. Adolescente. Estudante. Ladrão. Apreciador de cálice de fumaça. Num dia qualquer. Tarde. 16h35min. Sala de aula. Entra um terráqueo impar. 65 anos. Baixo. De olhos vermelhos. Sapatos lustrados. Barba branca. Óculos. Calça de linho por debaixo da batina. Padre. Pietro se torna Padre. LEIA-ME.
“.O VATICANO”. Mais novo “filme” de Nanû da Silva, rabiscador. Putoeta. Amante dos cheiros. Apreciador de chá e observador.
APRECIE com moderação.
O VATICANO – nanû da silva
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terça-feira, 29 de junho de 2010
JULIO CESAR DE CASTRO

A Pensão da Dona Loló
Ah, o mundo sempre foi/ Um circo sem igual
Onde todos representam/ Bem ou mal
Onde a farsa de um palhaço/ É natural...
Sonhos de um palhaço (Antonio Marcos/ Sérgio Sá)
Existiu no início dos anos de 1980, no bairro da Bela Vista, capital de São Paulo, uma distinta mulher, cinquentona corpulenta, tipo polaca, cabelos desalinhados, que se dizia “viúva de comunista”, deslumbrada com a eclosão de lutas sociais pela “nova esquerda”. E quando se falava em PT e CUT ainda, ela era olhos receptivos de entusiasmo só. Sobrevivia de pensão do falecido e, aparentemente, não tinha filhos. Orgulhava-se de não ter de pagar aluguel, pois possuía bem imóvel.
Dona de uma casa de cômodos grandes e arejados, sobretudo a cozinha bem-equipada, e com sanitários amplos, amava recepcionar “militantes socialistas”. Generosa e de visão romântica da transformação social por organizações populares e sindicais em curso, costumava oferecer “de grátis” refeições reforçadas àqueles/as que se identificavam por “companheiro/a”. Assim, nos horários de almoço e de janta, observava-se movimentação crescente naquela casa, quase sempre sem contrapartida alguma pelos que ali se fartavam ‘do bom e do melhor’. Os freqüentadores “socialistas”, nas esquinas das ruas ao entorno do Teatro Municipal de São Paulo (onde havia uma barraquinha de produtos promocionais do PT), se incumbiam de alardear aos ares: “Quem quiser pegar um rango esperto com direito a soneca num sofá, sem desembolsar um níquel, é só ir à Pensão da Dona Loló”. “A senha de acesso à boca livre é afixar um botom com a estrela do PT na camiseta vermelha ou usar boné do partido, e se anunciar num grito-de-guerra Pátria livre!, Salve a Classe Trabalhadora!”. “Quem souber assobiar a Internacional (hino) então, será bem-vindo lá.” “E... pronto! Estará o companheiro de estomago forrado, cafezinho quente, à vista de boa televisão; como manda o trato da Revolução”.
Ressalta-se que os ingratos aproveitadores daquela casa, em sua maioria, rudes, mal-educados, pouca formação política, boquirrotos e errantes, de vida dolce far niente (agradável ociosidade), sequer ajudavam na lavação dos utensílios de cozinha, não davam descarga no sanitário, jogavam papeis sujos e guimbas pelo chão... E exigiam “porteira aberta”, sem tranca à chave, num entra-e-sai como que casa de mãe Joana. E quando utilizavam a sala de visitas daquele imóvel, sob o pretexto de “reuniões de encaminhamento” – leia-se ‘repone’, geralmente até altas horas da noite, quando saiam, o ambiente era desolador: cheiro de cigarro, desarrumação dos móveis e sujeira por todo canto. Até as canecas de café por lavar largavam sobre os parapeitos da casa.Contudo, como era de se esperar, sem receita para as despesas de alimentação, energia elétrica, água e limpeza, aquela “revolucionária de coração” foi à decadência. Por conseguinte, aos montes e de fininho, sumiram todos os “socialistas”, ignorando a existência da Pensão da Dona Loló. Tempos depois, por bocas miúdas, soube-se que aquela hospitaleira senhora havia passado dessa para a melhor; em cujo enterro não deram o ar da graça os que juraram honrar a luta dos explorados e oprimidos. Para muitos desses velhacos, o rumo foi... “saída pela Direita”. -
Julio Cesar de Castro, Belo Horizonte/MG.
FERNANDA LEITE BIÃO

O Futuro
Fernanda Leite Bião
O futuro é um espaço no tempo
Desejado e desconhecido
Mas que mobiliza vidas
Projetos e possibilidades
Possíveis e impossíveis
O futuro é movimento do presente
Fruto da semente do agora
Cuidada com todo o esmero
Árvore misteriosa
Movimento da vida
Laço do cotidiano
Mágica temporal
Vir-a-ser
Voo e descoberta
Fernanda Leite Bião
Pássaro voa
Sem destino certo
Enfrenta o calor do sol
A chuva fina
O vento leve e forte
Encontra amigos e amigas
Diferentes e iguais
Encontra inimigos e inimigas
Fruto e colheita
Tem medo,
Sente frio e sede
Tem alegrias, flores e jardins
Preso, pode estar
Solto quer estar
Busca o caminho
Não sabe onde encontrar
Percebe uma luz
Imagina que vem de fora
Persegue-a
Distante cada vez mais se encontra
Para e observa
Descobre que...
... a luz vem de si!
terça-feira, 22 de junho de 2010
ROBERTO ROMANELLI MAIA

ENTRE AS NUVENS
Não amor, não peça!
Saiba e sinta apenas que darei
mil abraços e beijos
em seu corpo e em sua alma...
Que farei você levitar
até as estrelas...
Para viver e sentir não uma ilusão
mas um amor pleno e verdadeiro...
Num mundo e num universo real...
Onde esses versos serão a minha homenagem
a este amor...
Sim, amada, nosso caminho está entre as nuvens
que nos levam ao céu...
Iluminados pela lua que nos brinda
com toda a sua luz...
E lá adormeceremos sem pensar em acordar...
Só em amar...
Em busca do infinito de nós dois!
segunda-feira, 21 de junho de 2010
JOSE SARAMAGO

POEMA PARA SARAMAGO
Clóvis Campêlo
Quando chegares aos céus
não mais terás consciência
para percebê-lo.
Serás etéreo, vapor,
nuvem passageira.
No entanto, também serás
a essência preservada
da natureza,
simples circunstância.
O teu, era um sonho
terreno, cosistente,
feito em rocha,
não mais caberia
nas nuvens.
O que te alimentava
era o desvendar
e a recriação constante
do código dos homens.
Nada era definitivo
e a verdade escondia-se
nas entrelinhas.
Talvez tenhas sido
o bobo da colina
ou o último guardião
das possibilidades negadas.
Teu vulto frágil
era assustador
e o verbo, desde
o princípio, recusava
o sonho inútil
e o tempo desperdiçado.
JOSE SARAMAGO

S a r a m a g o
(18.06.10)
“O mundo existe para terminar num livro”
Mallarmé
Morreu Saramago
Em seu mundo nunca dantes navegado
No entorno de lágrimas de Portugal
E muito além do chão letral dos lusonautas
Numa intermitência telúrica
Morreu Saramago
O criador de um verbo alumbrado
Sua literatura esplende, arrebata
Num mundo globalizado – e insano
Muito além de seu tempo
Morreu Saramago
Entre seu palavrear de luz e sangue
Densos Tejos que ainda rebrilham
Em lágrimas que verteram seu espírito
Procissão de excluídos
Morreu Saramago
Que nos viçou em língua mátria
A sociedade sórdida: e o que somos
Ovelhas perdidas de uma manada
Contra o qual lutava...
Morreu Saramago
O ser humano historial, o homem bandeira
Que na mão esquerda ainda tem uma roseira
Que dá flores rubras a vida inteira
Levantado do chão, nos ares
AINDA VIVE SARAMAGO!
Silas Correa Leite, Santa Itararé das Letras, São Paulo, Brasil
E-mail: poesilas@terra.com.br - Site: www.portas-lapsos.zip.net
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