quinta-feira, 8 de julho de 2010

IVONE VEBBER


E o Brasil queimando as matas
macacos, pacas,novilhos,...
o verde que tu maltratas
é a herança dos teus filhos...
IVONE VEBBER/ CAXIAS DO SUL/RS

quarta-feira, 7 de julho de 2010

OS MORDEDORES


OS MORDEDORES
O bom Rebelais, apresentando aos seus leitores o extraordinário Panúrgio, diz que esse homem fenomenal sofria muito de uma moléstia “qu’on appelait en ce temps-là faute d’argent”; mas acrescenta: “toutefois il avait soixante et trois manières d’en trouver toutejors à son besoin...”

Sessenta e três maneiras de arranjar dinheiro! já era engenho!
Os “mordedores” do Rio não possuirão igual número de processos “de dentada”; mas é forçoso confessar que lhes não faltam recursos, que revelam às vezes verdadeiro gênio.Não se sabe quem inventou estas expressões pitorescas: morder, mordedor, dentada. Quem sabe jamais como nascem, como se acreditam, como ganham foros de cidade os termos da gíria? Um termo de gíria é um cogumelo que nasce e cresce da noite para o dia, criado não se sabe como.Na gíria carioca, não há quem não o saiba – morder é pedir dinheiro: quando a vitima satisfaz o pedido, diz-se que sangrou. Morder e sangrar! Como isso exprime bem a violência do ataque e a dor da resignação! Dinheiro é carne, é sangue, é vida: é coisa que se arranca sem dor, sem um gemido profundo e sincero...
Dizem que, no Rio de Janeiro, os mordedores são legião: e não se trata já dos que mordem por necessidade passageira, mas dos que mordem por ofício, dos que vivem disso, dos que estudam teórica e praticamente a ciência da Dentada, como outros estudam a Medicina ou o Direito, e que conseguem ficar especialistas notáveis na matéria.Há mordedores que mordem toda a vida, e não fazem outra coisa, porque não têm tempo para mais. É o caso de um, que, certa vez, respondeu uma coisa sublime a uma das suas vítimas habituais, que lhe dizia:
- Mas isto é uma vergonha! você não tem pejo de viver à custa dos outros? por que é que você não arranja um emprego?
- Não posso! – disse o profissional da Dentada, com uma resignação filosófica, metendo as mãos nas algibeiras – não tenho tempo! Das sete da manhã ao meio-dia ando à procura de quem me pague um almoço; do meio-dia à seis da tarde vivo em busca de quem me pague um jantar; das seis da tarde à meia-noite, corro à cata de quem me pague uma ceia – que diabo quer o senhor que eu ache tempo para procurar um emprego?
Essa frase profunda explica a vida de muita gente. E, se imaginarmos o quanto deve ser necessário ter talento de invenção para viver assim, reconhecermos que o genial Panúrgio deixou descendentes que hão de viver enquanto o mundo for mundo.
Os recursos inventivos do mordedor são variadíssimos: a doença própria ou de pessoa da família, até a morte – tudo é explorado, tudo é posto em prática e – o que é mais extraordinário – tudo surte efeito.Muitas vezes, quando o mordedor escreve “que está retido num leito de Procusto” – onde ele realmente está é num botequim de luxo, bebericando coisas caras em companhia amável. Em todos os botequins de luxo há caixas de papel e de envelopes, que se destinam especialmente aos habitués da casa e da dentada. É um consumo formidável! até espanta que ainda algum papeleiro não se tenha lembrado de pôr em circulação papel para dentadas com fórmulas impressas.Mas o mordedor de profissão não explora apenas a própria doença imaginária: explora também a moléstia imaginária da mulher, dos filhos, da sogra, do sogro, dos netos, do diabo! E, às vezes, o caso ainda é mais grave: a dentada é dada para enterrar gente que nunca morreu, e até gente... que nunca existiu!Uma das vítimas que mais sangram é o padrinho. Para um bom mordedor, um compadre é uma mina. Há compadres ricos, taverneiros ou comendadores, que levam a vida a pagar colégio, roupa, médico, botica e enterro para os afilhados. É o caso desse gordo capitalista da caricatura de Calixto. O bom homem tem um afilhado que já morreu dez vezes. Dez enterros! – e o capitalista considera que já vai sendo tempo de comprar um jazigo perpétuo para esse afilhado que tanto dinheiro lhe custa em enterros provisórios...Como, porém, fugir ao cumprimento dos deveres de padrinho?
E como há de a vítima resistir, na rua, à amabilidade, à doçura, à meiguice, ao encanto, à sedução do mordedor, que lhe endireita o laço da gravata, que lhe sacode a caspa da gola do casaco, que lhe pergunta pela saúde de toda a família, e acaba por melifluamente encartar a dentada entre um cumprimento e um sorriso? há mordedores tão hábeis, tão peritos no elogio e no carinho, tão cativantes, que as vítimas ainda lhe agradecem o favor da dentada...Às vezes, porém, muitas, muitíssimas vezes, a vítima protesta, revolta-se, foge com o corpo, recusa-se a sangrar...Aos infinitos recursos de ataque do mordedor, correspondem os infinitos recursos de defesa do mordido. Há mil maneiras de pedir dinheiro, mas também há mil maneiras de recusá-lo. E, às vezes, a fórmula do pedido é a mesma fórmula da recusa. “A vida vai mal” – diz o mordedor; “a vida vai mal” – diz o mordido...É a eterna luta entre o caçador e a caça, entre o pescador e o peixe, entre o lanceta e o braço, entre o dente e o couro.Mas é lícito dizer que, nessa luta, quem quase sempre vence é o mordedor. Não há couro tão rijo que não acabe por se deixar atravessar pelos dentes dos profissionais da Dentada. Tudo depende dos dentes de quem morde: há dentes fracos, que desanimam – mas há dentes de aço, que são até capazes de cravar-se com proveito na couraça de um navio blindado...
Olavo Bilac - Rio, agosto de 1906.
envido por julio castro castro

segunda-feira, 5 de julho de 2010

DALTON CAMPOS ROQUE E ANDRÉA LÚCIA DA SILVA


As Estrelas do Coração

Dalton Campos Roque e Andréa Lúcia da Silva

http://www.consciencial.org

Para cada estrela no céu,

Há uma estrela no coração.

Olhamos para a vastidão estelar

E desistimos de contar
As estrelas da noite.

Olhamos para a vastidão da vida humana,

Vemos confrontos, deslealdades e desilusões

E desistimos de amar.

Amar é como contar as estrelas:
Exige esforço e concentração.
Às vezes, o céu fica nublado

E não conseguimos, naquele instante, prosseguir.
Às vezes, vem o vento

E nos joga um cisco nos olhos.


Mas é preciso continuar

Olhando para o céu.



Embora, às vezes, o tempo nuble,

Por trás, esconde-se o brilho do sol ou a limpidez da noite estrelada.
Não é por que não conseguimos contar que

O amor não existe.


A cada estrelinha que contar no céu

Brilhará uma outra em seu coração.

Não desfaleça!

Continue firme:

Olhando e contando

Perseverando e amando.
tela:salvador dali

ADRIANA MANARELLI


"Luvas de Pelica"
(Adriana Manarelli)


A mãe do leite
Sob o toque púrpura—
Uma concha,
Um casulo.
Café com chantily—
Leito delicado,
Leito de faquir,
Leito de folhas.

Fogo fátuo—
Dois pares de braços—
Escalpo—
Cianeto.
Hena
E bétula:
Saliva—
A negra
Negramente
Lambe o vermelho.

Diz-se
Tantra
Para Tântalo.
É o ônix,
Secular, só reconhece o aço
E ainda desconhece o ouro.
tela/klimt

ROBERTO PIVA - MEMORIAL


Roberto Piva-Memorial
Hoje, há Perfume da Deusa no Ar.
Hoje, ás 11 horas, será cremdo o corpo de Roberto Piva(*)..
O fogo porém, não fará desaparecer seu nome nem nossos lembrares
pi a dmiração por sua lavra.
O corpo é apenas casulo,
nada vale perante o espírito na eternidade
A deusa Ísis egícia, da tríade mais importante
dos deuses do Nilo,
passava pelo fogo aqueles a quem queria
tornar imortais.
Um perfume inexperenciado antes pelos mortais,
inenarrável, porque de origem divina,
dela evolava no ritual
e perfumava o entorno.
Os temerosos, perdiam essa oportunidade
e permaneciam humanos o suficiente para morrer.

Mas o Poeta não morre, não enquanto seus poemas existirem,
forem lidos, interpetados, declamados.
Sua herança, a palavra poética,
é o aroma de Ísis.

Piva permanecerá em nossa memória...

Repararam o perfume no ar?
Não? Pois saibam que sua alma estará ´ebria de imortalidade
ao aspirar o perfume de Ísis ...

Clevane Pessoa
Diretora Regional do InBrasCi
Vice Presidente do IMEL
Diretora de Divulgação da Universidade Planetária do Futuro.

04 de julho de 2010
Everi Carrara, que é representante do Movimento Cultural aBrace e Embaixador da paz, sempre publicava sobre Piva em seu renomado jornal virtual Telescópio.O advogado hoje estará nas rádios de Araçatuba-cidade onde mora e sobre a qual escreve- falando do amigo a quem tanto admirava.Everi e eu trocamos e-mails sobre Piva.Ele publicou um ou dois poemas de minha autoria sobre o grande poeta que aromatiza os ares com sua poesia eternal.
Transporto uma para cá, de 25 de setembro de 2007:
De Roberto Piva, Para Roberto Piva.
Lamento do Pajé Urubu-Kaapor
( de Roberto Piva, que aniversaria hoje:sete décadas)
antes
de desaparecer
no
túnel
das nuvens
chega o vento
a caixa do céu
se abre
a estrela
no olho às
vezes
é o
coração que bate
estou sozinho
no topo
dos hemisférios
Ilha Comprida, 91

Canto para Roberto Piva

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

Verbo rasgado,
verso, desengasgado ,
verga estriada, vela desapagada, vê.
Piva, pilha, pina,pisa, píton.
Tom de ser, Cor de ver,
retomada,acorde ,acordes,
cordis, cardia brasilis.

Roberto Piva, viva lenda,
co-parlenda,nua renda
no pano esgarçado
dos relembrares,
esparsas aves
brancas de origem.

.
Graça suja (ainda)de petróleo e óleo,
garça, v
no azul lmais que mero e limpo
das sete décadas de existir.
Voa, Piva, voa:
pipa de setenta cores
no ar.

Belo Horizonte, 25/09/2007
Postado por Clevane Pessoa e Outras pessoas às
(http://clevanepessoaeoutraspessoas.blogspot.com)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

ARNALDO BAPTISTA E PAULINHO MOSKA


Ligue-se: Arnaldo Baptista
Zoombido 2010 - dia 08/07 às 21.30 - Canal Brasil
Apresentação: Paulinho MosKa
O Zoombido é exibido todas as quintas, pelo Canal Brasil – 66 da Net – sempre às 21h30.
Os horários alternativos são sexta às 16h e sábado às 13h.

ROBERTO PIVA


A Oficina Cultural Silvio Russo oferece gratuitamente:
OFICINA DE LITERATURA – UMA ABORDAGEM DA POÉTICA DE ROBERTO PIVA

Coordenação: Gustavo Petter
10/7 a 31/7 – SÁBADO – 14h às 17h
Público: iniciantes na área
Faixa Etária: adolescentes e adultos
Seleção: primeiros inscritos
Inscrições: 21/6 A 9/7
Vagas: 20

Durante a atividade será apresentada uma poética desconhecida do grande público, porém importante na poesia contemporânea brasileira. São poemas de Roberto Piva e seus colegas de movimento literário, característico por fundir vida e obra. O projeto abrangerá não só a produção paulista de poesia dos anos 60, mas a poesia beat norte-americana e a surrealista francesa visando, segundo o proponente do projeto, uma ampliação cultural que a escola e a grande mídia não oferecem por se tratar de movimentos contestadores do cânone social e literário.
Gustavo Petter é formado em Letras e poeta, tendo poemas publicados em três coletâneas de São Paulo e do Paraná. Foi vencedor do prêmio de poesia Osmair Zanardi de 2008.Para se inscrever é fácil: basta ir até a sede da Oficina Cultural Silvio Russo e levar um documento de identidade.
A Oficina Cultural fica na rua Oscar Rodrigues Alves, 169, centro – Araçatuba (perto dos Correios). Telefones: (18) 3625-5357 e 3441-1488
Não perca essa oportunidade e participe!!!