quinta-feira, 18 de novembro de 2010

EFIGÊNIA COUTINHO




Um Mágico Lugar
Eu ando cansada de vagar
Nestes caminhos espinhosos.
São tantos horizontes
Cheios de íngremes montes!
Quero encontrar um mágico lugar
Onde nossos corações silenciosos,
Possam então serenos amanhecer
A magia de um Futurecer...
E o amor poder sentir,
Lá, onde tuas mãos eu possa segurar,
Levemente teus lábios beijar
Até o tempo deixar de existir.


Corra, corra nesta direção!
Onde o peito clama futurecido
Abasteça de sonhos o seu coração
E deixe este tempo desluzido.
Deixe que os olhos brilhem,
Os braços num abraço compartilhem
E os lábios comungam da emoção.
Corra cheio de desejos,
As vozes celestiais a escutar,
De Anjos e Querubins em solfejos,
Tão suave e perene canção...
Tirando-nos o cansaço de vagar.


Como se não tivesse corpo a alma ama.
Ama o corpo na calma que clama
Sentindo da vida a essência,
A deslumbrar na fragrância
Do amor a si contentar.
No aconchego do ninho
Num terno bem-querer a lacrar,
O sorriso vai ao céu aberto,
A sentir o aroma do ar descoberto.
E no encanto do tempo sonhado,
Vai natureza perfazendo o caminho
Com ramos de flores do sonho apaixonado!


Balneário Camboriú
Novembro 2010

GUIDO BILHARINHO


Questões do Nosso Tempo
ATUALIDADES, POLÍTICAS E TRIBUTÁRIAS
Guido Bilharinho

Alguns assuntos estão na ordem do dia: extinção do Senado, limitação da função do vice-presidente da República, financiamento público das campanhas eleitorais e até a ressurreição da malfada CPMF (Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira).
As três primeiras propostas são altamente positivas e mesmo necessárias.
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As atividades senatoriais são, em grande parte, repetitivas de funções da Câmara sendo, portanto, dispensáveis, e, as que não o são, poderão ser transferidas para a Câmara sem nenhum prejuízo institucional e funcional.
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Conforme emenda recém aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o exercício vice-presidencial nos dois primeiros anos do mandato ficaria limitado apenas à substituição temporária do presidente, devendo nesse período haver novas eleições no caso de morte, doença grave ou impedimento do presidente. Essa medida evitaria série de inconvenientes, principalmente, levando-se em conta que quem votou em Dilma ou em Serra votou neles e não em seus respectivos candidatos a vice, os quais, do ponto de vista dos votantes, não entraram na equação eleitoral.
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O fundo público para financiamento de campanhas eleitorais com proibição total de contribuições de outras origens, inclusive do próprio candidato, conforme projeto de lei em tramitação no Congresso, restringirá, se aprovado, as campanhas eleitorais às suas devidas e necessárias proporções, evitando-se o marketing, muitas vezes excessivo e sempre enganador, a prática de caixa 2, o comprometimento dos candidatos com grandes financiadores e, por último e não menos importante, estabelecerá, pela primeira vez, o princípio democrático e constitucional de igualdade de condições e oportunidades para todos os postulantes a cargos públicos eletivos.
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Já a proposta de ressurreição da CPMF é de todo desaconselhável, dada a alta e mal distribuída carga tributária do país, que incide principal e inapelavelmente sobre o produto do trabalho de pessoa física (salário, proventos, etc.) do que sobre a renda, devendo, em seu lugar e no lugar da excessiva máquina arrecadadora, proceder-se à eliminação dos gastos públicos inúteis, faraônicos, sobrefaturados (para atender os financiadores das campanhas eleitorais), mal-empregados, mal-fiscalizados e muitas vezes inconstitucionais e ilegais, a exemplo das campanhas e promoções publicitárias oficiais.
Por sinal, ninguém falou nisso e disso na campanha eleitoral. Agora, que o Sistema não mais permite a manifestação popular, representa estelionato eleitoral. Dos grandes e graves.
Contudo, mais grave do que tudo isso é que o mecanismo arrecadatório da CPMF representa meio de controle da sociedade pelo Sistema por intermédio do Estado. Apontam, essas e outras medidas já em curso, na direção dos regimes discricionários descritos por Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo (1932), George Orwell em 1984 (1948) e Ray Bradbury, em Fahrenheit 451 (1963), este último filmado por François Truffaut em 1966 sob o mesmo título.
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Guido Bilharinho é advogado em Uberaba, ex-candidato ao Senado Federal, ex- editor da revista Dimensão e autor de livros de literatura, cinema e história regional.
(Publicação autorizada pelo autor)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

CECÍLIA FIDELLI


EXTRAÍDO DA PELE.
O PRAZER, NÃO PODIA ESPERAR.
EU ME DEIXAVA LEVAR PELA INTUIÇÃO
E ELE SE ENVOLVIA COM AS EXPRESSÕES,
OS GEMIDOS.
ELE COMIA OS MORANGOS SILVESTRES
DA BEIRA DO RIO, E EU ROUBAVA AS
FLORES DO CAMPO.
NÓS ENSACÁVAMOS PÊSSEGOS TÃO ATRAENTES,
TÃO LINDOS,QUE ELES PARECIAM ESTAR SINTONIZADOS
COM A NOSSA IMAGINAÇÃO.
ABUSÁVAMOS DA SENSUALIDADE,ATÉ NOS DIAS SEM SOL,
E NAS NOITES SEM LUA.
DESCOBRÍAMOS NAS RESERVAS VERDES,
O ODOR DAS MANHÃS LÍMPIDAS.
EM INCONSCIENTES POEMAS,
CÉUS, ROMANTICAMENTE AZUIS.
FAZÍAMOS DE CONTA, QUE CEREJA NÃO FICA PRETA.
FAZÍAMOS DE CONTA QUE CEREJA NÃO FICA PRETA,
PORQUE AQUELES MOMENTOS...
ERAM MOMENTOS DO CIO.

CECILIA FIDELLI.

- DO LIVRO: POEMAS DE AMOR, SEM DOR.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

PEDRO DU BOIS


CONSTRUIR
O telhado impede
a natureza

o piso
concede aos pés
a maciez

as portas, bifurcações
do acaso: entrar
sair
ficar na soleira
voltado ao tempo
original da hora

janelas permitem observar
a rua pelo lado de fora.

Pedro Du Bois, inédito)

http://pedrodubois.blogspot.com

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

MÁRCIA SANCHEZ LUZ



Fazendo as contas...

Tiraram-me os discos,
meus sonhos jogaram
na lata do lixo.

Deixaram-me os livros,
meus medos guardaram
junto aos meus rabiscos.

As noites que eu tinha
trocaram por dias
às vezes escuros
como o céu sem lua.

E eu me sinto nua:
coito prematuro
beirando a ironia
de uma dor rainha.

© Márcia Sanchez Luz

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ADRIANA MANARELLI


Espetáculo
(Adriana Manarelli)

A ousadia, pensava,
Embalava o fim de uma era.
De repressão e distorção da identidade.
E a oprimida cinzenta
Num interlúdio paradoxal
Desabrochou um embrião corporificado.

Aspiro o puro veículo acumulado,
Rota de fuga singular,
Centro magnético
De perplexa subjetividade.
Esta manhã quero esse gótico
Azul, feito de abóbora de ocre à tarde.
Quero esse apinhado de brocado: noite
Dos olhos de Irina da noite.

De rígidas estruturas passivas
A singular alteridade
Grunhiu espontânea:
A destemida Laélia
No gemedouro do universo.
A terra, os cabelos de açucena,
Os interlúdios de primazia,
O soberbo sol de ébano
Tombando Órion,
Sobre o espaço da verve.

tela:van gogh 23/10/2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

FERNANDA LEITE BIÃO


Ah! Juventude!Fernanda Leite Bião

Ah! Juventude!
Sonhada pelas crianças
Invejada pelos adultos

Ah! Juventude!
Período de grandes conflitos
Um mexe, remexe, sem cessar

Ah! Juventude!
Começo de luta
Tempo de rebeldia

Ah! Juventude!
Não se sabe
Sim ou não

Ah! Juventude!
Criança ou adulto
O que ser então?
TELA: van gogh