segunda-feira, 29 de novembro de 2010

TELA DE JAN TENGNAGEL

FORTE ORANGE


O FORTE ORANGE
Também conhecido como Forte de Santa Cruz, está situado na entrada sul do canal de Santa Cruz, na Ilha de Itamaracá.
Teve a sua construção em taipa de pilão iniciada pelos holandeses em 1631, após a invasão da Ilha, segundo projeto do engenheiro Pieter Van Bueren. Foi denominado Forte Orange em homenagem à Casa de Orange, cujo príncipe Frederico Henrique de Orange era tio de Maurício de Nassau.
De início, era uma pequena fortaleza que posteriormente foi ampliada.
A sua função era defender a barra de São Marcos, que dava passagem ao antigo Porto de Pernambuco, e a Vila da Conceição, sede da Capitania de Itamaracá.
Com o término da ocupação holandesa, em 1654, passou para as mãos dos portugueses, sendo ocupado por um corpo de tropa comandado pelo mestre de campo Francisco de Figueiroa.
Em 1696, foi reconstruído em pedra pelos lusos, cumprindo as determinações de uma carta régia.
Foi reformado em 1777, por ordem do governador José César de Menezes, e ocupado em 1817, pelo padre Tenório, durante a Revolução Pernambucana.
Em 1938, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural (Iphan).
A partir da década de 70 o presidiário José Amaro participou, juntamente com outros presidiários, dos trabalhos de restauração do Forte. Após o cumprimento da sua pena, ocupou o monumento histórico e tomou para si a responsabilidade de conservá-lo.
Em 1971, foi parcialmente escavado pela equipe do Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco, sendo descobertos a cozinha, a capela, os alojamentos e os paióis. Também foram resgatados das escavações alguns esqueletos, munições, canhões e objetos de uso pessoal dos holandeses.
Em 1973, foi parcialmente restaurado pelo Iphan.
Desde 1998 é administrado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento (Fade) da UFPE.
Em 2000, o Laboratório de Arquelogia da UFPE elaborou em conjunto com a Mowic Fundation o Projeto Forte Orange, que tem como objetivo o resgate de uma herança comum entre o Brasil e a Holanda.

Clóvis Campêlo
Recife, 2008
-

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

NOVO CD DE GLAUCIA NAHSSER


NOVO CD DE GLAUCIA NAHSSER EXPLORA SONORIDADES E HETEROGENEIDADE DE ESTILOS
Em Vambora, cantora mineira trafega pelos mais diversos ritmos e apresenta novas canções com letras de Chico Amaral, Carlos Rennó, Carlos Careqa, Chico César, Alexandre Lemos, Rodrigo Bergamota, Magno Melo, André Abujamra e Marcio Nigro e Edu Krieger
Voz claríssima, cristalina e swing certo. Foram estes elogios, vindos de Roberto Menescal, que colocaram de vez Glaucia Nahsser na trilha da música. E, desde 2003, quando estreou como cantora profissional, com o CD Glaucia Nahsser, ela vem se destacando não só por valorizar as canções que interpreta, mas também por suas elogiadas composições. Agora, em Vambora, quarto cd independente da carreira e que será lançado em outubro, Glaucia Nahsser amplia os horizontes sonoros, embalando sua voz marcante em estilos musicais variados.

Com André Abujamra na direção musical e Márcio Nigro (parceiro nas trilhas cinematográficas) nos arranjos e na produção, Vambora navega pelos diversos territórios da música popular brasileira e sonoridades de outros lugares do mundo, como o roc k, tango, choro, samba e, mesmo, música árabe.

Glaucia Nahsser, em Vambora, conta com um time de músicos experientes (Naylor Proveta, Emiliano Castro, Serginho Carvalho, Hugo Hori, entre outros) e letristas talentosos, como Chico Amaral, Carlos Rennó, Carlos Careqa, Chico César, Alexandre Lemos, Rodrigo Bergamota, Magno Melo, André Abujamra e Marcio Nigro. Das 12 faixas do CD, 10 são inéditas, com exceção de Mais uma Vez (Renato Russo e Flávio Venturini) e Pensando em Você (Paulinho Moska), recriações que já integravam o repertório de seus shows mais recentes.

“Deixei os letristas muito à vontade, sem dar muitos toques”, conta a cantora. “Para minha surpresa, as letras, que foram criadas a partir das melodias que fiz com Tiago Vianna e dos arranjos prontos, vieram todas com algo de minha história e, portanto, me proporcionaram um mergulho interno”.

Os arranjos e harmonias de Vambora nasceram de forma intuitiva, em geral das diferentes cores dos acordes de violões afinados de forma menos usual, como os de Michael Hedges, André Geraissati e Joni Mitchell. O que norteou basicamente o trabalho foi a vontade de resgatar as origens da música brasileira e trazê-las para o pop, recuperando a riqueza de timbres e texturas. É algo que transforma a MPB em PPB, Pop Popular Brasileiro, na definição de Glaucia Nahsser. Um exemplo claro disso, pode ser apreciado na faixa Mais uma vez, que traz uma miscelânea de ritmos harmonicamente integrados.

O resultado é que, quem já pode ouvir algumas faixas de Vambora, gostou muito. “A mineira Glaucia Nahsser demorou a começar como cantora profissional, mas começou muito bem, com uma ótima versão de Balanço Zona Sul, sucesso de Simonal. Agora vem com novo cd e novas parcerias como o grande letrista mineiro Chico Amaral, com uma levada empolgante em um clima meio árabe, que está no sangue da Nahsser. Ficou uma beleza, sô!”, comentou Nelson Motta.

______________________________________________________________________________
Para conhecer as novas músicas do CD VAMBORA, acesse www.myspace.com/glaucianasser

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

ADRIANA MANARELLI


"Estigma"
(Adriana Manarelli)
O toque de Midas
Que arde as entranhas
Para a eternidade.
Cio de cigarra: chamando, chamando
A água celestial do ouríves
Que craveja o infinito.

Espelho refletor
De todo selo,
Obscura face sedenta.
Ofélio
Resgate de cada chaga,
Esse escândalo
De filamentos
Expostos.

Versátil revestimento —
Também o ventre:
Coisa de pele,
Química dos Ardés.
A fusão que veste corpo e alma
(De)Batendo(-se) loucamente,
Bastando
Que o aroma se espalhe
Para chamar
As fomes insaciáveis.

10/10/10 FOTO: ESCHER

ADRIANA MANARELLI




"Marionetes"
(Adriana Manarelli)
Carne crua

Sob o balão de oxigênio,
Anjos rústicos —
Feitiços e feiticeiros
Distante e tola pajelança
Anjos estúpidos.

Comum,
Popular
Ônix e ouro
Clandestinos
Mundo-de-todo mundo
Plácida plebe do arco verde —
Auto didata do ditado aço
Tatibitá de areia.
Simiescos, amputados —
Globo indigente.

Origami:
Céu de estanho,
Confetes:
A luz do dia estrelas de papel —
Carne crua.
Anjos rústicos,
Anjos estúpidos,
Dobraduras.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

TOM ZÉ


Newsweek
25 de outubro, 2010

Anote, ‘Dancing With the Stars’ a visão de Tom Zé sobre o samba, leva nota 10.

Nos anos 60 uma confederação informal de jovens artistas, poetas e músicos fez uma revisão quase completa da cultura do seu Brasil natal. O movimento foi chamado de Tropicália; quanto aos músicos, principalmente, influenciaram a música não só de seu país como do exterior. Liderada por Caetano Veloso e Gilberto Gil, a Tropicália misturou e recombinou formas tradicionais como o samba – e sua prima mais moderna, a bossa nova – com ritmos africanos, jazz e psicodelia. Os artistas da Tropicália, ainda que díspares, conseguiram ajustar-se no interior de um mesmo abrigo – certamente amplo. E lá estava Tom Zé.

Hoje na casa dos 70, Tom Zé sempre traçou seu próprio caminho. Suas canções podem se tornar líricas em um momento, soando a seguir como o dueto de uma serra elétrica e um coro de cigarras. Seu canto é tão cambiante quanto: aqui, ele é um crooner de big-band da década de 40; ali, um Leonard Cohen num dia ensolarado. Suas influencias, às vezes enumeradas nos encartes dos discos, abrangem de ensaios literários a Bach e, subjacente a tudo, encontramos um senso rítmico sem paralelo. No alforje das canções de Tom Zé há música para quase todos os gostos. E quanto mais se ouve, mais se quer explora-lo.

Agora é a sua chance. O audacioso selo de David Byrne, Luaka Bop, lançou Studies of Tom Zé, uma caixa com 3 discos que compilam suas clássicas reinvenções do samba, bossa nova e ópera. Lançados em vinil, soam magnificamente (para os aficionados dos suportes digitais foi incluído na caixa um código para download)..B ônus extras incluem um registro em 45 rotações de uma recente apresentação ao vivo e um CD contendo uma conversa entre Tom Zé, David Byrne e o guitarrista Arto Lindsay. No encarte, uma esmerada reflexão escrita pelo especialista em música brasileira Christopher Dunn recapitula a carreira de Tom Zé, dentro do contexto – ou frequentemente deslocando-o dele – do moderno pop brasileiro.

Esta caixa abrange o percurso da vida musical de Tom Zé começando com o clássico dos anos 60 Estudando o Samba, sua idiossincrática abordagem do maior produto de exportação brasileiro. Apesar de sua formação erudita, Tom Zé é, em parte, sempre o garoto do interior que olha para dentro de si. Garoto do interior, possivelmente. Caipira, talvez não. O segundo disco, Estudando o Pagode é uma ópera de bolso – com arias, duetos e coros ocasionais – que examina a exploração feminina por parte dos homens através dos tempos. Mas Tom Zé não saberia ser bombástico mesmo se tentasse: a maior parte das músicas desse disco, apesar de seus temas grandiosos, é maliciosa e humorada. O disco três, Estudando a Bossa, um “estudo” da bossa nova, soa bem familiar a princípio. Então, antes da metade do primeiro lado, a letra de “Outra Insensatez, Poe!” perfura a doçura cadenciada com informações sobre “catapora, sarampo e uma maldita febre que me entrou no peito” (chicken pox and the measles and then/ a nasty fever that entered my chest). Tom Zé brinca com a forma – e conosco. “Eu tô te explicando pra te confundir / Eu tô te confundindo pra te esclarecer”. ele canta. Esta coleção dá a um artista incomum o reconhecimento que lhe cabe.
Enviado por neusa/tom zé

EFIGÊNIA COUTINHO


O Tempo, Senhor do Universo.
Efigênia Coutinho


Eis que vem o tempo implacável,
Como um vento, assola vontades.
Como um mar, afoga verdades...
Mas como sábio, é incomensurável.


E afoita-se o tempo. Seria traiçoeiro
Que apaga as nossas emoções?
Ou simplesmente passa ligeiro
Deixando apenas as recordações?


É o Tempo, do Universo o senhor,
Que marca o compasso da vida,
Que cria ou mata, da alma o amor,
Mas que alimenta a ilusão perdida.


Ó Tempo! Que não espera por nada,
Eu espero ansiosa a tua vinda,
Numa busca incessante, desvairada...
Mas só me resta chorar a tua ida.


Balneário Camboriú
Novembro 2010