sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

RUA AVANHANDAVA EM SÃO PAULO


Avanhandava
Rubens Ramon Romero
Quantas certezas pela Rua Avanhandava antiga:
o mundo sempre foi antigo,
a vida deliciosa,
sempre houve lugar pacato,
o sol descobrira a rua.
Seguir... Seguir caminhos
ao som das canções
e dos acordes poéticos.
Parar para um café expresso amigo, contigo,
Saborear massas olhando quem passa.
Deixar-se levar mansinho pelo cheiro do molho Mancini.
Apreciar o jeito com que me explicavas tudo, com as mãos.
E na noite quando as cadeiras foram postas nas calçadas,
soavam nas mãos dos serestei ros, harmonia cantada.
Em nenhum momento havia dúvidas
que o tempo também passava na cadência,
e o ritmo na canção.
Entre as tantas lembranças que trouxemos
está um ar de encanto da Avanhandava
e uma promessa de voltar um dia.
Pisar novamente nessa rua,
sentir aquela brisa do ar reconhecida e
fazer com que ouçam nossas vozes
em nossos versos, em antigas canções,
em qualquer canto de bar,
no Bar do Canto.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

LEO CAVALCANTI


RELIGAR E DAR OUVIDOS AO MISTÉRIO:
O POP TRANSCENDENTAL DE LEO CAVALCANTI
Por TATÁ AEROPLANO

Leo Cavalcanti foi um desses encontros mágicos. Tulipa sempre dizia: “Tatá! Você tem que conhecer o Leo! Você tem que conhecer o Leo!” O que aconteceu no final de 2005 em
São Lourenço, MG; foi amizade e afinidade musical dessas que pouquíssimas vezes
acontecem. E agora estou aqui com a missão de escrever sobre e totalmente absorvido por esse lindíssimo trabalho, que não cabe em palavras e sensações porque é metafísico, é plural, é movimento, é arte no seu estado mais elevado.
“Religar” tem que ser escutado com calma, como se estivesse numa sessão de cinema, só
você e a tela, só você e as músicas, palavras, sons, sensações, imagens, amores, danças, ritmos, lugares,essências, sabores e quando você se dá conta, o disco acabou,
o filme terminou. É uma película sonora que vai te embalar, um clássico!
Então você dilata o tempo para apreciar mais e mais vezes.
Projeto realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura - Programa de Ação Cultural - 2009.
DELEDELA
As canções são fortes, viciantes, dançantes, com melodias e letras lindas. E você quer mais, quer mostrá-las aos mais próximos e naturalmente elas ganharão a dimensão das rádios, embalarão trilhas e histórias de vida mundo afora. O disco do Leo é exatamente assim, genuinamente “Pop”, ou melhor, “Pop Transcendental”.
Dar “Ouvidos ao Mistério” é o nome da primeira faixa, e dar ouvidos ao grande mistério é fundamental para prosseguir viagem em “Religar”, disco produzido por
Leo, Décio 7 e Cris Scabello, mixado por Gustavo Lenza e masterizado por Felipe Tichauer Betão Aguiar também participou da produção de algumas faixas que estão no disco. Os arranjos em geral foram criados por Leo, assim como a concepção sonora que foi desenvolvida inicialmente em seu estúdio caseiro e totalmente integrada ao processo de composição. É um trabalho criado e confeccionado a partir de muitas edições, misturando elementos acústicos e eletrônicos como retalhos – religados, resultando num disco de camadas. Outra coisa muito bem acertada em Religar, foi a maneira como Leo trabalhou as camadasde vozes, sempre com muita criatividade e propriedade. A banda formada por; Guilherme Held (guitarra), Marcelo Dworecki (contrabaixo) e Décio 7 (Bateria), marcou presença com personalidade, acrescentando uma série de elementos sonoros de modo a refinar e tornar orgânicos os arranjos produzidos por Leo. O disco conta com a participação de Tulipa em “Sem (des)esperar”, Marcelo Jeneci em “Acaso”, Douglas Felis tocando Alaúde e Derbak, entre muitos instrumentistas. Eu tive a felicidade de participar em “Chuvarada”, música nossa, única parceria do álbum todo composto por Leo. Religar é um álbum tecnicamente primoroso, épico, místico e conceitual, concebido com paixão,
questionamentos, embates do eu com o outro, onde Leo se entrega de corpo e alma, traz o mundo para dentro de si e recria suas influências com originalidade.
Alaúdes, castanholas, música oriental, djambes, flamenco, violinos, trompetes, música
norte-americana, estalos, afoxés, bandolins, cellos, programações eletrônicas estão em plena harmonia com a banda e cada palavra cantada por Leo: Artista sublime! Cantor extraordinário!O mestre Glauber é reverenciado com vinhetas do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, Fernando Pessoa com o Livro do Desassossego ganha citações na canções “Soldado” e “Vou Ser Você”, e Frederico Garcia Lorca aparece na “Vinheta: Cantos Novos” Cada canção de “Religar” dialoga com a procura incessante de mudar, de buscar o mundo mas sem deixar também de olhar pra dentro. Em “Inalcançável Você”, Leo diz:
E se eu disser que eu quero aprender a me amar
e te amar também ao mesmo tempo
Você teria tempo?
e depois emenda:
Eu inventei o Inalcançável Você
me fiz escravo do meu medo de ser.
Já a belíssima música que dá nome ao álbum começa com os versos
Me cansei do cansaço
de não buscar meu mais sincero porque dói demais
outros trechos da mesma canção são muito reveladores
Ensaios de encontro com Deus
Mas é um ego velho que desenha os sonhos seus
e em seus traços a verdade se escondeu (…)
o meu frágil é meu forte
morte é sempre um renascer
o milagre é uma constante
é só querer ver
pra ser”.
“Religar” é a sétima faixa do disco e está justamente no centro, no meio, religando o início ao fim.Conversando via email com o Leo sobre o processo de criação e concepção do disco, transcrevo umtrecho que acho ser fundamental para “Religar”:
“A constante necessidade de transformação, do superar-se… do deixar-se nu para si mesmo, comsuas fraquezas e forças… creio ter a ver com isso. Colocar-se em xeque para poder ser realmenteespontâneo e amar-se verdadeiramente. Essa é uma questão que todos vivem em algum nível:
a grande dificuldade de se enxergar e de ser realmente livre consigo mesmo. Uma questão destaera, que está atingindo seu limite… penso que essa é a principal mensagem do disco.Assumir o absurdo e a beleza da existência, a fraqueza e as limitações do estado atual deautoconsciência e o grande potencial disso tudo. Religar é o que podemos fazer”.O mundo precisa ser apreciado com tempo, com olhos atentos, com calma e paciência, com
“A Tal da Paciência”. É preciso estar atento e forte, respirar fundo, recomeçar e religar.Leo nos presenteia com canções lindas, ensinamentos pra nossa geração, música feita pro corpo e pra alma com muito amor, ciência, desprendimento e (in)consciência.Leo, obrigado por me fazer voar esses dias. Obrigado por esse belo disco.
Tatá Aeroplano
Mercedes Tristão / Carola González
namídia assessoria de comunicação
(11) 3034-5501. ramal 217

DELEDELA
www.myspace.com/leocavalcanti
www.leocavalcanti.com.br
contato@leocavalcanti.com.br
lidiachaib@uol.com.br
11 8552-9351

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

LÉO CAVALCANTI


RELIGAR E DAR OUVIDOS AO MISTÉRIO:
O POP TRANSCENDENTAL DE LEO CAVALCANTI
Por TATÁ AEROPLANO

Leo Cavalcanti foi um desses encontros mágicos. Tulipa sempre dizia: “Tatá! Você tem que conhecer o Leo! Você tem que conhecer o Leo!” O que aconteceu no final de 2005 em
São Lourenço, MG; foi amizade e afinidade musical dessas que pouquíssimas vezes
acontecem. E agora estou aqui com a missão de escrever sobre e totalmente absorvido por esse lindíssimo trabalho, que não cabe em palavras e sensações porque é metafísico, é plural, é movimento, é arte no seu estado mais elevado.
“Religar” tem que ser escutado com calma, como se estivesse numa sessão de cinema, só
você e a tela, só você e as músicas, palavras, sons, sensações, imagens, amores, danças, ritmos, lugares,essências, sabores e quando você se dá conta, o disco acabou,
o filme terminou. É uma película sonora que vai te embalar, um clássico!
Então você dilata o tempo para apreciar mais e mais vezes.
Projeto realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura - Programa de Ação Cultural - 2009.
DELEDELA
As canções são fortes, viciantes, dançantes, com melodias e letras lindas. E você quer mais, quer mostrá-las aos mais próximos e naturalmente elas ganharão a dimensão das rádios, embalarão trilhas e histórias de vida mundo afora. O disco do Leo é exatamente assim, genuinamente “Pop”, ou melhor, “Pop Transcendental”.
Dar “Ouvidos ao Mistério” é o nome da primeira faixa, e dar ouvidos ao grande mistério é fundamental para prosseguir viagem em “Religar”, disco produzido por
Leo, Décio 7 e Cris Scabello, mixado por Gustavo Lenza e masterizado por Felipe Tichauer Betão Aguiar também participou da produção de algumas faixas que estão no disco. Os arranjos em geral foram criados por Leo, assim como a concepção sonora que foi desenvolvida inicialmente em seu estúdio caseiro e totalmente integrada ao processo de composição. É um trabalho criado e confeccionado a partir de muitas edições, misturando elementos acústicos e eletrônicos como retalhos – religados, resultando num disco de camadas. Outra coisa muito bem acertada em Religar, foi a maneira como Leo trabalhou as camadasde vozes, sempre com muita criatividade e propriedade. A banda formada por; Guilherme Held (guitarra), Marcelo Dworecki (contrabaixo) e Décio 7 (Bateria), marcou presença com personalidade, acrescentando uma série de elementos sonoros de modo a refinar e tornar orgânicos os arranjos produzidos por Leo. O disco conta com a participação de Tulipa em “Sem (des)esperar”, Marcelo Jeneci em “Acaso”, Douglas Felis tocando Alaúde e Derbak, entre muitos instrumentistas. Eu tive a felicidade de participar em “Chuvarada”, música nossa, única parceria do álbum todo composto por Leo. Religar é um álbum tecnicamente primoroso, épico, místico e conceitual, concebido com paixão,
questionamentos, embates do eu com o outro, onde Leo se entrega de corpo e alma, traz o mundo para dentro de si e recria suas influências com originalidade.
Alaúdes, castanholas, música oriental, djambes, flamenco, violinos, trompetes, música
norte-americana, estalos, afoxés, bandolins, cellos, programações eletrônicas estão em plena harmonia com a banda e cada palavra cantada por Leo: Artista sublime! Cantor extraordinário!
O mestre Glauber é reverenciado com vinhetas do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, Fernando Pessoa com o Livro do Desassossego ganha citações na canções “Soldado” e “Vou Ser Você”, e Frederico Garcia Lorca aparece na “Vinheta: Cantos Novos” Cada canção de “Religar” dialoga com a procura incessante de mudar, de buscar o mundo mas sem deixar também de olhar pra dentro. Em “Inalcançável Você”, Leo diz:
E se eu disser que eu quero aprender a me amar
e te amar também ao mesmo tempo
Você teria tempo?
e depois emenda:
Eu inventei o Inalcançável Você
me fiz escravo do meu medo de ser.
Já a belíssima música que dá nome ao álbum começa com os versos
Me cansei do cansaço
de não buscar meu mais sincero porque dói demais
outros trechos da mesma canção são muito reveladores
Ensaios de encontro com Deus
Mas é um ego velho que desenha os sonhos seus
e em seus traços a verdade se escondeu (…)
o meu frágil é meu forte
morte é sempre um renascer
o milagre é uma constante
é só querer ver
pra ser”.
“Religar” é a sétima faixa do disco e está justamente no centro, no meio, religando o início ao fim.
Conversando via email com o Leo sobre o processo de criação e concepção do disco, transcrevo um
trecho que acho ser fundamental para “Religar”:
“A constante necessidade de transformação, do superar-se… do deixar-se nu para si mesmo, com
suas fraquezas e forças… creio ter a ver com isso. Colocar-se em xeque para poder ser realmente
espontâneo e amar-se verdadeiramente. Essa é uma questão que todos vivem em algum nível:
a grande dificuldade de se enxergar e de ser realmente livre consigo mesmo. Uma questão desta
era, que está atingindo seu limite… penso que essa é a principal mensagem do disco.
Assumir o absurdo e a beleza da existência, a fraqueza e as limitações do estado atual de
autoconsciência e o grande potencial disso tudo. Religar é o que podemos fazer”.
O mundo precisa ser apreciado com tempo, com olhos atentos, com calma e paciência, com
“A Tal da Paciência”. É preciso estar atento e forte, respirar fundo, recomeçar e religar.
Leo nos presenteia com canções lindas, ensinamentos pra nossa geração, música feita
pro corpo e pra alma com muito amor, ciência, desprendimento e (in)consciência.
Leo, obrigado por me fazer voar esses dias. Obrigado por esse belo disco.
Tatá Aeroplano
Mercedes Tristão / Carola González
namídia assessoria de comunicação
(11) 3034-5501. ramal 217
DELEDELA
www.myspace.com/leocavalcanti
www.leocavalcanti.com.br
contato@leocavalcanti.com.br
lidiachaib@uol.com.br
11 8552-9351

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

RUA AVANHANDAVA EM SP


Rua Avanhandava
Após passar por uma grande reforma há cerca de dois anos, que lhe conferiu ares de boulevard, a Rua Avanhandava, que no passado foi o grande reduto de artistas em São Paulo, ficou ainda mais atraente para paulistanos e turistas que buscam diversidade gastronômica e cultural. Na via de ladrilhos coloridos, a boemia impera. E a boa gastronomia também, de barzinhos descolados com boa comidinha e acepipes a tradicionais restaurantes com cardápio internacional. As lojas alternativas e galerias de arte também são uma estimulante pedida.

Nessa segunda feira, dia 27/12/2010, reuniram-se na Rua Avanhandava, centro de São Paulo, alguns líderes de encontros literários, e entre eles estavam o Ferretti, o Galdino, o Jaime, a Mirian Warttush e outros companheiros e simpatizantes de Saraus Literomusical. A intenção da reunião era conhecer melhor o local e estudarmos a possibilidade de realizarmos um sarau nesse novo Boulevard de ares europeu.
Após algumas horas de um bate papo maravilhoso e descontraído entre os participantes, ficou combinado de marcarmos um novo encontro em breve para fazermos o lançamento oficial desse novo ponto cultural que está para nascer. E assim que tivermos definidas as datas para a realização do Sarau entraremos em contato com todo mundo para que possamos fazer uma festa de inauguração para ficar marcada na história.
Fiquem atentos. No mês de Janeiro o Jornal Virtual Cataversos trará todas as informações sobre o evento.

Acesse o site abaixo para e conheça o charme da Rua Avanhandava:
http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=420682
Abraços.

PRÊMIO PARA EVERI RUDINEI CARRARA

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

ADRIANA MANARELLI


Ceia
(Adriana Manarelli)

Seis concavidades amarelas
No semblante fosco —
E o reflexo velado, salgado e gélido,
Sem cor, transcende
No sétimo circuito, centro
Do círculo embaciado.

Mensagem entrançada nas artérias,
Pétala negra,
Pétala azul,
Minhas entranhas
Se estreitam
Bem fundo:
Um racemo de orvalho.
Essa noite

Em que os astros
Se entrelaçam,
Meus querubins em sangue
Guardam minhas veias
E velam por minha respiração
Quando meus dogmas aurinegros cantam
As espirais que serpentiam
Prata e vermelho.
A cordélia alva dispara
O míssil anil perene.

24/12/2010 TELA: jackson pollock

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010