terça-feira, 24 de maio de 2011

WALDO LUIS VIANA



LULÊS E DILMES –
SINDICALIZARAM O PENSAMENTO!

“O que não sabe é um ignorante,
mas o que sabe e não diz nada é um criminoso.”
Bertold Brecht

“Até que um dia O mais frágil deles Entra sozinho em nossa casa,
Rouba-nos a lua e, Conhecendo nosso medo, Arranca-nos a voz da garganta
E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.”
Vladmir Maiakovski


Waldo Luís Viana*

‘Stamos ferrados! O núcleo duro do governo volta a atacar, mas desta vez não é com o politicamente correto em delírio tremens. Não, desta vez não é Gramsci, cujo nome lembra até gramática! Temos agora o transgramscismo tupiniquim, em que os heresiarcas de nosso ministério da educação dirigista resolvem instituir o errado como certo. É a suprema dialética dos coitadinhos, vencendo a cultura nefanda das elites.
Não é mais o Lula dos comícios, com as faces vermelhas de cachaça e uísque, a vociferar pensamentos retorcidos para a plebe ignara. Agora, seus saudosistas querem instituir a ignorância como fórmula pedagógica. Não é o que ia dar depois de oito anos no poder? O que Lula nos legou, afinal, em seus dois governos “nóis num cunsserta nem in vinti!, né mermo, Dirma?”
Um país com gritantes gargalos de infraestrutura, sem saneamento básico, educação, saúde e segurança adequados para a maioria, com portos sucateados, pobres ferrovias, rodovias sem remendo e elevado custo-brasil e de competitividade, com os juros e os impostos mais altos do mundo – agora tenta “inovar” na cultura, instituindo a burrice galopante sem prêmio Nobel.
Onde vamos parar? Não bastasse encarar por tanto tempo a exaltação do despreparo, os escândalos verbais a que ficamos acostumados, as línguas presas, as ausências de plural e concordância, bem como o vilipêndio e sequestro de nossa língua-mãe – agora temos que aturar uma conspiração que deseja simplesmente destruir as gerações emergentes brasileiras, vale dizer, crianças e jovens, no sentido de desprepará-los para o mercado e torná-los definitivamente indigentes diante de um mundo pós-moderno em febricitante transformação.
Já não temos mão-de-obra qualificada (os cérebros-de-obra) para repaginar nosso desenvolvimento de longo prazo e estamos optando por desabilitar o claudicante modelo de eficiência que a custo mantínhamos ainda na educação.
Se a cultura está sucateada pelas distorções de favores governamentais, que apenas subsidiam os apaniguados do Estado e do partido governante, se a máquina estatal foi aparelhada por baixo, destruindo o padrão de excelência de inúmeras empresas do governo – agora querem abastardar a escola, destruí-la de dentro para fora em seu conteúdo, porque a violência exterior, medida em “bullyings” contra estudantes e professores se tornou realidade palpável e praticamente impossível de coibir.
Se a droga campeia fora de seus muros, com o crack, a cola e o oxy degenerando nossos meninos e meninas, os salários que mantêm o parque educacional são de propósito deprimidos, convidando a elite pensante e remanescente a ficar longe das escolas e faculdades.
Enquanto as universidades norte-americanas e européias disputam renhidamente os prêmios Nobel de ciência e tecnologia, nós confundimos ensino e pesquisa com funcionalismo público, congregando igrejinhas em que medalhões ultrapassados querem apenas proteger parcos privilégios em torno de seus sindicatos.
A educação e a cultura estão se estiolando, com os seus conteúdos deitando pelo ralo a dentro, sem que haja qualquer estupor social contra isso. A opinião pública distrai-se com futebol, sexo na mídia e a corrupção imorredoura da classe política sem perceber que está sendo envolvida num processo apocalíptico de destruição dos valores nacionais, o que pressupõe o sucateamento de nossas forças armadas e a sindicalização do pensamento do próprio povo.
Quem jamais assistiu a uma reunião de sindicato não percebe o que digo: nelas, um grupo forte e decidido influencia duramente a maioria, atônita e intimidada, mediante agressivas palavras de ordem. Subindo a temperatura, quando se estabelece o clima de votação ela se constrói sob o domínio dos “esclarecidos”, que pretendem conquistar o apoio da maioria silenciosa. Assim se dão esses encontros e temos vistos dirigentes sindicais eternizados em cargos, às vezes por décadas, praticando toda a sorte de desmandos que inclusive denunciam na surrada classe política. E essa gente, quando se elege, faz ainda pior: tenta dilatar o próprio poder apoderando-se da máquina pública e privatizando o Estado ainda mais do que em períodos anteriores. Como são ignorantes e medíocres, precisam da conformidade social como regra de consenso e utilizam-se de um discurso e jargão peculiares, que os identifica logo em suas cicatrizes de mandonismo e corrupção.
Se transplantarmos para o campo da educação essa podre mentalidade, vamos ver que as escolas e universidades copiam o mesmo espírito de compadrio e corporativismo das velhas estruturas sindicais. Nos locais em que deveríamos produzir humanidade e saber, temos o pensamento estandartizado, cabisbaixo e sem qualquer coragem de ser plural. Quem ousa pensar dentro de uma universidade brasileira não chega a chefias de departamento nem influencia qualquer mudança no rumo da ciência e da sabedoria...
Esse estado de coisas, quando chega à outra ponta, conduz os estudantes à mesma mediocrização, sendo seus núcleos de representação hoje meras autarquias subsidiadas por dinheiro público. O antigo “estudante profissional e ideológico”, utópico defensor de uma ideologia qualquer, passou a ser funcionário sequioso por verbas públicas e obediente aos governantes de plantão...
Nesse ambiente jamais se fará ciência ou teremos qualquer vanguarda entre os países emergentes, a não ser acreditando em doses maciças de propaganda, que narcotizam a opinião pública em torno de bandeiras mórbidas, que não correspondem à realidade.
A obra-prima governamental, no entanto, traduz-se na interferência em definitivo no modo de pensar. Se os nossos modos de agir estão sendo paulatinamente tolhidos pelas propostas modernosas do politicamente correto, a fina flor do Lácio é sindicalizar o pensamento do povo brasileiro, impedindo-o de refletir a não ser com o consentimento da casta dirigente. Esses são os desígnios evidentes: despreparar ao máximo a população, invertebrá-la inclusive na expressão do idioma, para assegurar melhor dominação. Uma juventude reduzida a pouco mais de 800 palavras não será capaz nem de pensar nem de se opor...
Esse é o fascismo pós-moderno posto em prática no país e que depende da massificação do pensamento por baixo, deixando aos poderosos do petismo, irmanados à direita oligárquica, as rédeas definitivas do poder.
Nesse contexto de perda de tudo que amamos, vocês podem escolher entre Brecht e Maiakovski, tanto faz, eles não serão lidos mesmo. Tampouco nosso Rui Barbosa, que apenas ouviremos mais uma vez do túmulo, em sintonia distante, roufenha e derrotada, dizendo: “sinto vergonha de mim...”
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* Waldo Luís Viana é escritor, economista, poeta, tendo livros em produção independente publicados na Internet: www.clubedeautores.com.br e www.agbook.com.br. Sirvam-se deles, pois...

sábado, 21 de maio de 2011

CLOVIS CAMPELO


DE ALMA LAVADA
Clóvis CampêloOs tempos modernos não nos permitem descanso e muito menos dormir sobre os louros das vitórias. Passados os momentos de euforia, temos que voltar à luta, à labuta diária de matar leões e timbus e outros bichos menores e reconstruir o nome, a história e a glória do Santa Cruz Futebol Clube.
Foi assim, abatido por uma virose inesperada, a gripe do boi, que nem mesmo pude comemorar adequadamente a conquista do campeonato pernambucano deste ano. O Santinha veio devagar, correndo por fora, e, como quem não quer querendo, abocanhou o caneco do Estadual 2011.
Chega, porém, de comemorações, deferências, elogios. É hora de traçarmos as metas para a disputa da Série D do Campeonato Brasileiro, que se inicia em julho. Precisaremos da mesma eficiência que nos fez chegar ao título estadual para vencermos a Série D e subirmos à Série C nacional. O nosso caminho de volta à elite do futebol brasileiro será longo, árduo e difícil. Disso ninguém duvida. Ninguém duvida também que, dentro de uma perspectiva ascendente, temos todas as condições de lograrmos êxito nessa empreitada e, no próximo ano, colocarmos o Santa Cruz em um patamar superior ao que se encontra atualmente.
No entanto, diante de uma conquista tão expressiva e significativa, mesmo já passados alguns dias, não poderíamos deixar de ressaltar alguns aspectos singulares e traçar alguns paralelos com outros momentos históricos anteriores do clube coral.
Assim como em 2005, ano de outra grande conquista nossa, começamos o ano sem lenço e sem documento. A vinda de Zé Teodoro e a montagem do time dentro de uma política financeira realista, com os pés no chão, nos mostrou que seria dentro dessas limitações que teríamos de firmar a nossa competência dentro e fora de campo. E felizmente tudo deu certo. As vitórias foram surgindo e criando um clima de maior confiança entre a grande torcida coral e o elenco e a direção técnica. Algumas derrotas também nos surpreenderam, mas não chegaram a abalar essa relação. Pelo contrário, serviram para que alguns erros fossem corrigidos e alguns acertos fossem feitos no time. Determinados jogadores, como Landu e Tiago Cunha, que chegaram ao clube sob o signo da desconfiança da torcida, foram se entrosando, deslanchando e tornando-se peças principais na campanha. Outros, prata da casa, como Memo e Gilberto, que já tinham tido várias outras chances no time principal, sem se afirmarem, superaram-se, adquiriram a confiança necessária e colocaram à mostra, dentro de campo, os seus verdadeiros valores. Renatinho e Tiago Cardoso foram outros dois grandes nomes que se firmaram ao longo do campeonato, saindo do anonimato e entrando no rol definitivo dos campeões.
De 1995 para cá, esse é apenas o nosso terceiro título estadual. Muito pouco para um clube com a torcida e grandeza do Santa Cruz. Importante, porém, para reacender a nossa auto-estima e a nossa confiança num futuro promissor e menos ingrato do que o passado recente.
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sexta-feira, 20 de maio de 2011

GREGORY CORSO


DESTINO

Eles entregam os decretos de Deus
sem demora
E são isentos de apreensão
e detenção
E com seu Dons Divinos
Petaso, Caduceo e Talaria
rompem como raios de relâmpago
desimpedidos entre os tribunais
do espaço e do tempo

O Espírito-Mensageiro
no corpo humano
é assinalado firme
confiante, fecundo,
perfeita existência poética
ao longo de sua duração na vida

Não bate
ou toca a campanhia
ou telefona
Quando o Espírito-Mensageiro
vem até sua porta
mesmo fechada
ele vai entrar como uma parteira elétrica
e entregar a mensagem

Não há relatos
através das eras
de que um Espírito-Mensageiro
tenha alguma vez tropeçado na escuridão

FONTE: fúrias de orfeu

ADRIANA MANARELLI


O Espírito da fúria
(Adriana Manarelli)


A face sem identidade,
O punhal sem corte
O espelho sem reflexo
A mão sem palavra...
Em verdade, direi:
É tudo o que resta
O opaco da palha
E a brasa intocada.

A eterna procura
Quando alma e corpo se apartam
E cornos (des)mistificam
À lívida dama que se descorpora
E o sol da meia-noite é obscuro
Como Rosebud ainda no sotão.

Sombra caleidoscópica
E o dilúvio escarlate.
Mesmo o diadema de papoulas
Agora é pai da inutilidade.
Quando Mágico Vento se derrama,
O atormentado espectro selvagem
Emerge do submundo:
Wopi — O coração do Sim —
Tessitura tênue
Do ventre de chumbo.
tela: j. pollock

ROBERTO ROMANELLI MAIA


UM LUGAR MUITO ALÉM
DE NOSSA IMAGINAÇÃO


Roberto Romanelli Maia
Escritor, Jornalista e Poeta




Se me amas não roubes
uma estrela do céu.

Roube todas.

Para com elas bem iluminar
os caminhos do nosso amor.

E escrevas mil músicas capazes
de traduzir tudo o que já vivemos,
sentimos e compartilhamos.

Sem esquecer as poesias que levarão
aos nossos corações mensagens,
de rara magia.

Que traduzirão os nossos sentimentos,
as nossas sensações e as nossas emoções.

Sim, quero que me carregues para uma praia deserta onde possamos nos amar.

Entre as dunas e a areia que se estende
além do horizonte.

Onde nossos corpos e as nossas almas
se encontrem....

E possamos trocar, ao pé do ouvido, palavras, murmúrios e sussuros...

Onde nossos gozos aconteçam
e se repitam sem parar.

Sim, amada quero que me leves
a sentir o que nunca foi sentido.

Porque eu farei você sair deste mundo.

Para, juntos, caminharmos de mãos dadas para um paraíso que fica distante.

Muito além de nossa imaginação.
TELA: DE CHIRICO

quinta-feira, 19 de maio de 2011

JOSÉ ANTONIO CAVALCANTI


DERInerVAÇÃO
(quando falham os cognatos)


José Antônio Cavalcanti


de baixo, baixaria
de boato, boataria
de cura, curadoria
de confrade, confraria
de glutão, glutonaria
de grito, gritaria
de infante, infantaria
de lata, lataria
de letra, letraria
de michê, mixaria
de monte, montaria
de ouro, ourivesaria
de par, parceria
de patife, patifaria
de pedra, pedraria
de peito, peitaria
de pirata, pirataria
de ponto, pontaria
de porco, porcaria
de porrada, porradaria
de porta, portaria
de prata, prataria
de puta, putaria
de Roma, romaria
de saco, sacaria
de velhaco, velhacaria
de vaca, vacaria
de Zé Mané, Zé Maria

de você, avaria

CONTINENTAL COMBO


Bazar e festa de lançamento do novo álbum do Continental Combo.

O Continental Combo acaba de lançar seu terceiro álbum "Conveniências na Cidade", pela gravadora Voiceprint, é esse material que a banda vai apresentar em um pocket show no estúdio Quadrophenia, além de faixas encontradas nos discos anteriores, "Continental Combo"/2005 (Monstro Discos) e "A Vida é um Mistério"/2008 (Monstro Discos).

A festa ainda vai contar com um pequeno bazar de discos e roupas, cervejas e refrigerantes, salgados e também uma discotecagem ao som de vinil. Todos estão convidados!

SÁBADO DIA 21.05· À PARTIR DAS 17:00HS - ENTRADA FRANCA
POCKET SHOW PONTUALMENTE AS 20:00HS

NO ESTÚDIO QUADROPHENIA - R. Clélia, 1469
(ao lado da antiga casa de show Olympia na V. Romana)

Próxima apresentação:
Bazar e Pocket Show no GUSTA Café Bar y Gastronomia
Dia 18.06, à partir das 17hs, show as 20hs

www.myspace.com/continentalcombo
www.voiceprint.com.br
www.myspace.com/estudioquadrophenia