quinta-feira, 26 de maio de 2011

VALMIR VIANA


ÁRVORE
I
Cobre-me com teus emblemas
ramo do campo inspirado,
teu fruto colhido
são alimentos imortais.
II
Árvore que palavra
o nome cultiva a fé,
estende-se por terra
verde canção noturna.
III
Tronco fixo na areia
sementes soltas por iniciar,
constelação do cosmo vivo
métrica dos deuses.
IV
Reges a grande brisa da tarde
numa forma galgada,
na branca bandeira da paz
que calada ergues.
V
Cubra minha cabeça
tua natureza eterna,
há inteligência teu criador
seja o poema sua origem.

Valmir Viana.
http://twitter.com/valmirviana
http://sites.google.com/site/valmirviana

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VIOLETA DE OUTONO


Violeta de Outono volta ao Asteroid em Sorocaba
http://www.violetadeoutono.com/agenda_details.php?id=134

Data: 28/05/2011
Horário: 22:00
Local: Asteroid

Pela segunda vez, a banda cult paulistana Violeta de Outono vem a Sorocaba mostrar seu rock psicodélico de influências progressivas. Fundado há 25 anos, o grupo liderado pelo guitarrista e vocalista Fabio Golfetti é referência no cenário undeground, tendo lançado alguns discos antológicos do rock nacional. Desde suas composições clássicas dos anos 80, que refletiam uma psicodelia filtrada pelos sentimentos acinzentados da época, até seu último disco, “Volume 7” (2007), que recebeu boa recepção da crítica especializada internacional, o Violeta de Outono mantém intactos seus ideais, sua proposta e sua marca registrada: uma sonoridade viajante e espacial, que confere às suas apresentações uma atmosfera densa e onírica.

Para este show, além de clássicos como “Dia Eterno”, “Vênus”, “Declínio de Maio”, “Além do Sol” e “Fronteira”, a banda deve apresentar algumas novas composições, que farão parte de seu próximo disco.

Nesta apresentação, além de Fabio, do tecladista Fernando Cardoso e do baixista Gabriel Costa, o Violeta de Outono contará com a participação especial de José Luiz Dinola (ex-Chave do Sol) na bateria.

+ discotecagem antes e depois do show com os Djs residentes Talitha, Poe Bellentani e Mario Bross.
• Horário: a partir das 22h.
• Preço: R$12 ou consumação de R$30
• Aceitamos: Visa / Mastercard
• Com banheiro para cadeirante e amplo espaço externo para fumantes.
• Somente maiores de 18 anos

R. Aparecida, 737 | Santa Rosalia | Sorocaba/SP | 18095-000 | Telefone: 15 3329.2767
Informações: contato@asteroid.art.br | Assessoria de Imprensa: imprensa@asteroid.art.br

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www.violetadeoutono.com.br

terça-feira, 24 de maio de 2011

VALTER FIGUEIRA


Com a mão na massa
Como realizar uma aula participativa? E o que é uma aula participativa? Segundo Édouard Claparède (1873-1940): Toda atividade desenvolvida pela criança é sempre suscitada por uma necessidade a ser satisfeita e pela qual ela está disposta a mobilizar energias. O interesse é considerado a tradução psicológica da necessidade do sujeito. Ele defende também que as aulas devem ser funcionais e não simplesmente atrativas. E qual é a diferença? Piaget defende que a construção do conhecimento da criança se dá com a interação com o meio. A sala de aula já é um meio, ou melhor, o meio que a criança passa muito tempo nela. Fazer da sala de aula um local de aprendizado de interação social e construção do conhecimento é papel fundamental do professor. As vezes complicamos com a interpretação de teorias e de projetos escritos que esquecemos que seria bem mais simples e prático se colocarmos a mão na massa.
Foi com essa intenção que a professora Rosemeire Figueira Jonas da Escola de Educação Infantil Iraci Alves Cabral Francisco em Carlinda, desenvolveu, no dia 20 de Maio, com a turma Pré-III (cinco anos), uma atividade onde ela e os alunos colocaram a mão na massa. Com o objetivo de fazer uma massa de modelar e trabalhar coordenação motora e desenvolver habilidades como: interação, criatividade, organização e oralidade. A professora levou para a sala de aula ingredientes como: Farinha de trigo, suco em pó (para colorir), óleo de soja, sal e água. Ao apresentar os ingredientes aos alunos a professora trabalhou com o conhecimento que eles trazem de casa. Eles demonstraram que conheciam todos os ingredientes e sabiam para que servem.
Então foi o momento de separar as quantidades certas de cada ingrediente. Para isso os alunos colocaram que necessitavam de uma receita. Criada a receita partiu-se para a divisão dos ingredientes, nisso foi trabalhado conhecimentos em matemática. Mas ficou uma dúvida: para que o sal. E olha que a professora colocou uma quantidade de sal suficiente para a massa ficar intragável. Os alunos disseram que se ficasse muito salgado não conseguiriam comer. Assim eles descobriram o objetivo do sal na massa: para que eles não comessem.
Com a massa pronta, iniciou a festa. Ou seria trabalho prazeroso? As crianças passaram a montar animais, letras e objetos com a massa. Cada um ficou com um pedaço para seu deleite. Com a curiosidade aguçada montava o seu objeto e procurava no vizinho o que o outro tinha feito. Voltavam para suas mesinhas e procuravam aprimorar o seu bichinho. Isso é interação e aprender com os demais.
Apesar de ser uma turma grande e agitada, a professora diz estar realizada e feliz com a aula. Ela colocou em prática os que os teóricos ensinam. O aprendizado precisa ser construído com interação e prazer.

Valter Figueira, Biólogo, professor e escritor. Reside em Carlinda-MT. Mantém um blog: WWW.valterfigueira.blogspot.com.tela: TOULOUSE LAUTREC

WALDO LUIS VIANA



LULÊS E DILMES –
SINDICALIZARAM O PENSAMENTO!

“O que não sabe é um ignorante,
mas o que sabe e não diz nada é um criminoso.”
Bertold Brecht

“Até que um dia O mais frágil deles Entra sozinho em nossa casa,
Rouba-nos a lua e, Conhecendo nosso medo, Arranca-nos a voz da garganta
E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.”
Vladmir Maiakovski


Waldo Luís Viana*

‘Stamos ferrados! O núcleo duro do governo volta a atacar, mas desta vez não é com o politicamente correto em delírio tremens. Não, desta vez não é Gramsci, cujo nome lembra até gramática! Temos agora o transgramscismo tupiniquim, em que os heresiarcas de nosso ministério da educação dirigista resolvem instituir o errado como certo. É a suprema dialética dos coitadinhos, vencendo a cultura nefanda das elites.
Não é mais o Lula dos comícios, com as faces vermelhas de cachaça e uísque, a vociferar pensamentos retorcidos para a plebe ignara. Agora, seus saudosistas querem instituir a ignorância como fórmula pedagógica. Não é o que ia dar depois de oito anos no poder? O que Lula nos legou, afinal, em seus dois governos “nóis num cunsserta nem in vinti!, né mermo, Dirma?”
Um país com gritantes gargalos de infraestrutura, sem saneamento básico, educação, saúde e segurança adequados para a maioria, com portos sucateados, pobres ferrovias, rodovias sem remendo e elevado custo-brasil e de competitividade, com os juros e os impostos mais altos do mundo – agora tenta “inovar” na cultura, instituindo a burrice galopante sem prêmio Nobel.
Onde vamos parar? Não bastasse encarar por tanto tempo a exaltação do despreparo, os escândalos verbais a que ficamos acostumados, as línguas presas, as ausências de plural e concordância, bem como o vilipêndio e sequestro de nossa língua-mãe – agora temos que aturar uma conspiração que deseja simplesmente destruir as gerações emergentes brasileiras, vale dizer, crianças e jovens, no sentido de desprepará-los para o mercado e torná-los definitivamente indigentes diante de um mundo pós-moderno em febricitante transformação.
Já não temos mão-de-obra qualificada (os cérebros-de-obra) para repaginar nosso desenvolvimento de longo prazo e estamos optando por desabilitar o claudicante modelo de eficiência que a custo mantínhamos ainda na educação.
Se a cultura está sucateada pelas distorções de favores governamentais, que apenas subsidiam os apaniguados do Estado e do partido governante, se a máquina estatal foi aparelhada por baixo, destruindo o padrão de excelência de inúmeras empresas do governo – agora querem abastardar a escola, destruí-la de dentro para fora em seu conteúdo, porque a violência exterior, medida em “bullyings” contra estudantes e professores se tornou realidade palpável e praticamente impossível de coibir.
Se a droga campeia fora de seus muros, com o crack, a cola e o oxy degenerando nossos meninos e meninas, os salários que mantêm o parque educacional são de propósito deprimidos, convidando a elite pensante e remanescente a ficar longe das escolas e faculdades.
Enquanto as universidades norte-americanas e européias disputam renhidamente os prêmios Nobel de ciência e tecnologia, nós confundimos ensino e pesquisa com funcionalismo público, congregando igrejinhas em que medalhões ultrapassados querem apenas proteger parcos privilégios em torno de seus sindicatos.
A educação e a cultura estão se estiolando, com os seus conteúdos deitando pelo ralo a dentro, sem que haja qualquer estupor social contra isso. A opinião pública distrai-se com futebol, sexo na mídia e a corrupção imorredoura da classe política sem perceber que está sendo envolvida num processo apocalíptico de destruição dos valores nacionais, o que pressupõe o sucateamento de nossas forças armadas e a sindicalização do pensamento do próprio povo.
Quem jamais assistiu a uma reunião de sindicato não percebe o que digo: nelas, um grupo forte e decidido influencia duramente a maioria, atônita e intimidada, mediante agressivas palavras de ordem. Subindo a temperatura, quando se estabelece o clima de votação ela se constrói sob o domínio dos “esclarecidos”, que pretendem conquistar o apoio da maioria silenciosa. Assim se dão esses encontros e temos vistos dirigentes sindicais eternizados em cargos, às vezes por décadas, praticando toda a sorte de desmandos que inclusive denunciam na surrada classe política. E essa gente, quando se elege, faz ainda pior: tenta dilatar o próprio poder apoderando-se da máquina pública e privatizando o Estado ainda mais do que em períodos anteriores. Como são ignorantes e medíocres, precisam da conformidade social como regra de consenso e utilizam-se de um discurso e jargão peculiares, que os identifica logo em suas cicatrizes de mandonismo e corrupção.
Se transplantarmos para o campo da educação essa podre mentalidade, vamos ver que as escolas e universidades copiam o mesmo espírito de compadrio e corporativismo das velhas estruturas sindicais. Nos locais em que deveríamos produzir humanidade e saber, temos o pensamento estandartizado, cabisbaixo e sem qualquer coragem de ser plural. Quem ousa pensar dentro de uma universidade brasileira não chega a chefias de departamento nem influencia qualquer mudança no rumo da ciência e da sabedoria...
Esse estado de coisas, quando chega à outra ponta, conduz os estudantes à mesma mediocrização, sendo seus núcleos de representação hoje meras autarquias subsidiadas por dinheiro público. O antigo “estudante profissional e ideológico”, utópico defensor de uma ideologia qualquer, passou a ser funcionário sequioso por verbas públicas e obediente aos governantes de plantão...
Nesse ambiente jamais se fará ciência ou teremos qualquer vanguarda entre os países emergentes, a não ser acreditando em doses maciças de propaganda, que narcotizam a opinião pública em torno de bandeiras mórbidas, que não correspondem à realidade.
A obra-prima governamental, no entanto, traduz-se na interferência em definitivo no modo de pensar. Se os nossos modos de agir estão sendo paulatinamente tolhidos pelas propostas modernosas do politicamente correto, a fina flor do Lácio é sindicalizar o pensamento do povo brasileiro, impedindo-o de refletir a não ser com o consentimento da casta dirigente. Esses são os desígnios evidentes: despreparar ao máximo a população, invertebrá-la inclusive na expressão do idioma, para assegurar melhor dominação. Uma juventude reduzida a pouco mais de 800 palavras não será capaz nem de pensar nem de se opor...
Esse é o fascismo pós-moderno posto em prática no país e que depende da massificação do pensamento por baixo, deixando aos poderosos do petismo, irmanados à direita oligárquica, as rédeas definitivas do poder.
Nesse contexto de perda de tudo que amamos, vocês podem escolher entre Brecht e Maiakovski, tanto faz, eles não serão lidos mesmo. Tampouco nosso Rui Barbosa, que apenas ouviremos mais uma vez do túmulo, em sintonia distante, roufenha e derrotada, dizendo: “sinto vergonha de mim...”
__________
* Waldo Luís Viana é escritor, economista, poeta, tendo livros em produção independente publicados na Internet: www.clubedeautores.com.br e www.agbook.com.br. Sirvam-se deles, pois...

sábado, 21 de maio de 2011

CLOVIS CAMPELO


DE ALMA LAVADA
Clóvis CampêloOs tempos modernos não nos permitem descanso e muito menos dormir sobre os louros das vitórias. Passados os momentos de euforia, temos que voltar à luta, à labuta diária de matar leões e timbus e outros bichos menores e reconstruir o nome, a história e a glória do Santa Cruz Futebol Clube.
Foi assim, abatido por uma virose inesperada, a gripe do boi, que nem mesmo pude comemorar adequadamente a conquista do campeonato pernambucano deste ano. O Santinha veio devagar, correndo por fora, e, como quem não quer querendo, abocanhou o caneco do Estadual 2011.
Chega, porém, de comemorações, deferências, elogios. É hora de traçarmos as metas para a disputa da Série D do Campeonato Brasileiro, que se inicia em julho. Precisaremos da mesma eficiência que nos fez chegar ao título estadual para vencermos a Série D e subirmos à Série C nacional. O nosso caminho de volta à elite do futebol brasileiro será longo, árduo e difícil. Disso ninguém duvida. Ninguém duvida também que, dentro de uma perspectiva ascendente, temos todas as condições de lograrmos êxito nessa empreitada e, no próximo ano, colocarmos o Santa Cruz em um patamar superior ao que se encontra atualmente.
No entanto, diante de uma conquista tão expressiva e significativa, mesmo já passados alguns dias, não poderíamos deixar de ressaltar alguns aspectos singulares e traçar alguns paralelos com outros momentos históricos anteriores do clube coral.
Assim como em 2005, ano de outra grande conquista nossa, começamos o ano sem lenço e sem documento. A vinda de Zé Teodoro e a montagem do time dentro de uma política financeira realista, com os pés no chão, nos mostrou que seria dentro dessas limitações que teríamos de firmar a nossa competência dentro e fora de campo. E felizmente tudo deu certo. As vitórias foram surgindo e criando um clima de maior confiança entre a grande torcida coral e o elenco e a direção técnica. Algumas derrotas também nos surpreenderam, mas não chegaram a abalar essa relação. Pelo contrário, serviram para que alguns erros fossem corrigidos e alguns acertos fossem feitos no time. Determinados jogadores, como Landu e Tiago Cunha, que chegaram ao clube sob o signo da desconfiança da torcida, foram se entrosando, deslanchando e tornando-se peças principais na campanha. Outros, prata da casa, como Memo e Gilberto, que já tinham tido várias outras chances no time principal, sem se afirmarem, superaram-se, adquiriram a confiança necessária e colocaram à mostra, dentro de campo, os seus verdadeiros valores. Renatinho e Tiago Cardoso foram outros dois grandes nomes que se firmaram ao longo do campeonato, saindo do anonimato e entrando no rol definitivo dos campeões.
De 1995 para cá, esse é apenas o nosso terceiro título estadual. Muito pouco para um clube com a torcida e grandeza do Santa Cruz. Importante, porém, para reacender a nossa auto-estima e a nossa confiança num futuro promissor e menos ingrato do que o passado recente.
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sexta-feira, 20 de maio de 2011

GREGORY CORSO


DESTINO

Eles entregam os decretos de Deus
sem demora
E são isentos de apreensão
e detenção
E com seu Dons Divinos
Petaso, Caduceo e Talaria
rompem como raios de relâmpago
desimpedidos entre os tribunais
do espaço e do tempo

O Espírito-Mensageiro
no corpo humano
é assinalado firme
confiante, fecundo,
perfeita existência poética
ao longo de sua duração na vida

Não bate
ou toca a campanhia
ou telefona
Quando o Espírito-Mensageiro
vem até sua porta
mesmo fechada
ele vai entrar como uma parteira elétrica
e entregar a mensagem

Não há relatos
através das eras
de que um Espírito-Mensageiro
tenha alguma vez tropeçado na escuridão

FONTE: fúrias de orfeu

ADRIANA MANARELLI


O Espírito da fúria
(Adriana Manarelli)


A face sem identidade,
O punhal sem corte
O espelho sem reflexo
A mão sem palavra...
Em verdade, direi:
É tudo o que resta
O opaco da palha
E a brasa intocada.

A eterna procura
Quando alma e corpo se apartam
E cornos (des)mistificam
À lívida dama que se descorpora
E o sol da meia-noite é obscuro
Como Rosebud ainda no sotão.

Sombra caleidoscópica
E o dilúvio escarlate.
Mesmo o diadema de papoulas
Agora é pai da inutilidade.
Quando Mágico Vento se derrama,
O atormentado espectro selvagem
Emerge do submundo:
Wopi — O coração do Sim —
Tessitura tênue
Do ventre de chumbo.
tela: j. pollock