segunda-feira, 13 de junho de 2011

POEMA PARA EVERI RUDINEI CARRARA


Poema para Everi Rudinei Carrara.

Ouvindo Peninha
e pensando em você.
Velhos tempos
que ainda são nossos.
Acumulamos dois mundos.
Esse mundo real hipócrita
e o nosso mundo de sonhos.
Surpreendentes e intensas emoções.
Lembranças apenas se consolidam,
nunca se transformam.
Tão longe e tão perto.
Eu e Peninha.
Você e Nara Leão.

Cecília Fidelli.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

AUTORAMAS


Mobilização - Autoramas com Bnegão

www.mobsocial.com.br

Faltam 250 fãs para o show acontecer em Anápolis. A banda vai fazer 2 shows pelo Brasil, e Anápolis está em 5º lugar na corrida pela mobilização. Ajude a mobilizar esse show!


https://www.facebook.com/?ref=logo#!/notes/mobsocial/mobiliza%C3%A7%C3%A3o-pode-unir-autoramas-e-bneg%C3%A3o-em-dois-shows-06-a-20-de-junho/208660845839540

http://www.mobsocial.com.br
/?mobilizacao=9&cidade=191&time=20110608023823

RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRock!!!!

GIGANTES DA BOLA


Gigantes da bola

Por Jorge Sanglard

Escalar um time com 21 craques inquestionáveis da bola num universo tão amplo e rico de talentos quanto o do futebol brasileiro ao longo do século XX e a primeira década do século XXI parece ser tarefa para mestres. E é mesmo. Dois mestres da escrita esportiva, João Máximo e Marcos de Castro, toparam a empreitada e reeditaram um livro digno de quem ama o futebol tupiniquim e seus craques: “Gigantes do Futebol Brasileiro” (Civilização Brasileira), uma releitura ampliada e atualizada da edição inicial lançada em 1965. Questionada por muitos pela omissão de dois gigantes, Ademir e Didi, a primeira edição ainda teve pela frente o fracasso da Seleção Brasileira, em 1966, na Copa da Inglaterra, e o editor Ruy Carvalho acabou jogando a toalha. Resumo da história, o livro só era encontrado em alguns bons sebos.
Passadas quatro décadas e meia, João Máximo e Marcos de Castro resolveram reescalar o timaço de gigantes da pelota e, nesta nova edição, atualizaram os perfis da primeira edição, incluíram os de Ademir e de Didi, além de inserirem novos sete perfis: Gérson, Rivelino, Tostão, Falcão, Zico, Romário e Ronaldo. Num universo movido a paixão como é o futebol, principalmente no Brasil, não é tarefa das mais fáceis escolher apenas 21 gênios da bola entre tantos craques que seduziram e seduzem as massas com dribles, toques refinados, passes magistrais e gols, muitos e belos gols.
Se na edição inaugural, o escritor Paulo Mendes Campos (1922 – 1991) assinava o prefácio, intitulado “Uma palavra” (incluído nesta nova edição), agora a tarefa do novo prefácio coube a outro mestre da escrita, Luís Fernando Veríssimo. E Paulo Mendes Campos sentenciou: “Futebol no Brasil é uma função da alma”. Já Veríssimo não perde a maestria e dá o tom: “O futebol mudou muito desde os tempos de Friedenreich. O que pouco mudou foi a relação do torcedor do torcedor com o futebol. Continua sendo uma coisa meio irracional e misteriosa: amamos uma camiseta, um nome, um escudo. Amamos, no fim, uma abstração. Mas o que realmente nos leva ao estádio, e nos envolve e reforça nossa devoção, é nada mais concreto do que o grande jogador”.
O primeiro gigante abordado no livro é Friedenreich, nascido na esquina das Ruas Vitória e Triunfo, em 1892, em São Paulo, ídolo no São Paulo e no Flamengo. E vitória e triunfo foram constantes na carreira do genial Fried. A seguir, Fausto marca presença no livro como a “Maravilha Negra”, graças a seu porte de “rei negro de nação africana”. O “Divino Mestre” Domingos da Guia, zagueiro maior, é outra estrela, assim como Leônidas, o “Diamante Negro”, ídolo rubro-negro, inventor do gol de bicicleta e primeiro responsável por tornar o Flamengo o clube mais popular do país.

Outra fera, Tim, “El Peón”, marcou época com seus dribles e como fio condutor dos times onde jogou e da Seleção. O próximo gigante abordado no livro é Romeu, o primeiro homem-equipe a surgir num futebol de virtudes isoladas, na opinião de João Máximo, e de quem o próprio Tim diria: “Romeu passava meses sem errar um passe”. Mestre Ziza, o Zizinho, um dos maiores craques brasileiros de todos os tempos, um meia-de-ligação excepcional, ou seja um gênio da bola, é outro mestre em destaque. Segundo o saudoso Armando Nogueira, “Zizinho tinha o futebol na medula e no cérebro, no coração e nos músculos. Era, ao mesmo tempo, o pianista e o carregador de piano. Sempre suou a camisa, na derrota ou na vitória – era um operário; mas quanta beleza na transpiração de sua obra”.
O mineiro de São João Nepomuceno, Heleno de Freitas, foi o mais puro representante do profissionalismo incipiente, romântico, no país. Craque, boêmio, elegante, galã, rebelde, castigado pela destruição do sistema nervoso por uma sífilis em último grau. Dele, disse na época o saudoso escritor José Lins do Rego (1901 – 1957): “Reclamando, enfezado, irritando até as traves dos gols, ainda é ele o melhor. O mais eficiente, o de mais classe, o mais capaz. Depois que Leônidas se foi, ou melhor, depois que acabou o futebol de Leônidas, o que existe por aí é o futebol de Heleno”.
Meia-direita que passou a ponta de lança com igual desenvoltura, Ademir Meneses, apelidado Queixada, ficou célebre por suas sensacionais arrancadas rumo ao gol. De Danilo Alvim, craque apelidado de “Príncipe”, tal a nobreza e a elegância de seu futebol disse o locutor e mestre da MPB, Ari Barroso (1903 - 1964): “A técnica de Danilo lembra Chopin, manso, doce, inspirado”. Já o locutor esportivo Valdir Amaral chamou Nílton Santos de “Enciclopédia”, uma síntese exemplar para um gênio do futebol, maior jogador de defesa no país e um dos mais completos craques do Brasil em todos os tempos. Segundo os autores, “Nílton Santos é, em uma palavra, eterno”.
Sobre Didi, Paulo Mendes Campos sintetizou com precisão, como eram os passes do mestre, “O futebol de Didi é lento, sofrido, difícil, inspirado, idealista. Eis um homem que quase achou o que não existe: perfeição”. Para João Máximo, “Didi é o mais ilustre continuador da tradição brasileira de criativos arquitetos de jogada, sucessor de Romeu, Tim, Jair, Zizinho e antecessor de Gérson, Rivelino, Falcão”

Mestre, gênio, ou seja lá o que for, Garrincha é difícil de ser explicado. E é o saudoso poeta Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987) que lança um feixe de luz sobre Mané: “Se há deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho”.
Marcos de Castro afirma que “Garrincha ganhou duas Copas do Mundo para o Brasil”. O Garrincha dos “Joões” encantou o Brasil com seus dribles desconcertantes, e hipnotizou o mundo da bola. A alegria do povo transformou a ponta direita em local nobre nos estádios de todo o mundo.
É novamente Marcos de Castro que traça um dos perfis mais emblemáticos do livro, o de Pelé. A história do futebol brasileiro tem de ser dividida em duas partes: antes de Pelé e depois de Pelé. E Pelé foi um caso único no Século XX. Autor de 1.284 gols em 1.375 partidas de futebol, alcançou a incrível média de 0,93 gols por jogo. Aos 16 anos, em 1957, já era titular do ataque do Santos e, entre 1957 e 1973, foi artilheiro 11 vezes do campeonato paulista. Ganhou dois mundiais de Clubes com o Santos e ajudou o Brasil a conquistar três Copas do Mundo, 1958, 1962 e 1970. Considerado o Atleta do Século XX, Pelé é o Rei do Futebol. E pronto. Tudo o mais é história.
Entre os novos perfis desta nova edição, Gérson abre alas e inscreve seu nome entre os gigantes. Sobre o Canhotinha de Ouro, João Saldanha (1917 – 1990) disse: “Foi um dos maiores jogadores de meio-campo do Brasil, talvez o mais completo”. Foi ídolo no Flamengo, no Botafogo e no São Paulo. E, na Copa do Mundo de 1970, encantou o mundo com seu futebol preciso e de classe.
Rivelino, o “Garoto do Parque” marcou época no Corinthians e depois no Fluminense. É outro gigante da Copa do Mundo de 1970. Seu potente chute de canhota demoliu defesas e goleiros nos quatro cantos do planeta. O dramaturgo, jornalista e cronista Nélson Rodrigues (1912 – 1980) sintetizou: “Rivelino faz da bola o que quer. Suponho que seus dribles irritem profundamente o adversário. Mas isso é o chamado inevitável. Ninguém mais exasperante do que o gênio do futebol”.
Outra fera da Copa do Mundo de 1970, Tostão, a partir de 1965, inseriu seu nome entre as estrelas do Cruzeiro, em Minas Gerais. Entre 1965 e 1969 foi pentacampeão mineiro. Ao lado de Dirceu Lopes, Wilson Piazza, Hílton Oliveira, Natal, Zé Carlos, Evaldo e Raul, integrou um dos maiores times do futebol brasileiro. Goleador, craque e mestre do futebol arte, depois de encerrar a carreira, Tostão formou-se em Medicina e virou o “doutor Eduardo”. Mas a sedução da bola falou mais alto e transformou Tostão, a partir de 1994, num dos mais competentes cronistas e comentaristas esportivos do país.
Ídolo maior do Internacional, de Porto Alegre, Falcão virou ainda o “Rei de Roma”, para onde seguiu em 1980 e, depois, em 1985, retornou ao Brasil para jogar no São Paulo, onde encerrou a carreira. Ídolo maior da história do Flamengo, um time de grandes ídolos ao longo do Século XX, Zico, o camisa10 rubro-negro eterno, ganhou de Valdir Amaral o apelido de “Galinho de Quintino”. Ao lado de Carpegiani e Adílio, ou de Andrade e Adílio, Zico formou dois dos maiores meios de campo da história do Flamengo. Campeão mundial interclubes, em 1981, Zico integrou um timaço, onde despontavam os laterais Leandro e Júnior, além de ter o “artilheiro das decisões”, Nunes, no ataque. A despedida do Flamengo ocorreu em dois jogos: em 2de dezembro de 1989, em Juiz de Fora, numa estrondosa goleada de 5x0 sobre o rival Fluminense, com direito a golaço de falta e no Maracanã, em fevereiro de 1990, num 2x2 contra um time de jogadores estrangeiros.


O jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano dá o norte sobre outro gigante da área: “Vindo sabe-se de que região do ar, o tigre aparece, dá seu bote e se esfuma. O goleiro, preso na sua jaula, não tem tempo nem de piscar. Num lampejo, Romário mete seus gols de meia volta, de bicicleta, de voleio, de trivela, de calcanhar, de frente ou de perfil”. O craque holandês, Cruyff, disse dele: “Romário é o gênio da grande área”. Ao lado de Bebeto, Romário foi a estrela da conquista da Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Ídolo no Vasco e também no Flamengo, o “Baixinho” foi um dos maiores centroavantes brasileiros de todos os tempos e conquistou o seu gol 1.000 em 20 de maio de 2007. Até então, só Pelé tinha rompido a marca do milésimo gol.
O gigante que encerra o livro é Ronaldo, o “Fenômeno”. Maior artilheiro em Copas do Mundo, com 15 gols em três disputas. Sobre ele, o escritor e cronista Luis Fernando Verissimo foi incisivo: “Ronaldo imitou a trajetória clássica do herói mitológico que desde ao inferno e volta para refazer a história. É o primeiro mortal real a retornar no tempo para corrigir a própria biografia”. João Máximo, em seu perfil, destaca que “na hora de finalizar, o raciocínio rápido o levaria a optar sempre pelo melhor: desviar abola ou driblar o goleiro, se frente a frente com ele, ou chutar de longe, colocado, forte, de surpresa. Em qualquer dos casos, gol de Ronaldo será quase sempre uma obra pessoal.
Aos17 anos, já vestia, como reserva, a amarelinha da Seleção Brasileira e integrava o time tetracampeão do mundo, em 1994, nos Estados Unidos. Aos 20 anos, seria apontado pela Fifa como o melhor jogador mundial e ainda repetiria o feito outras duas vezes. Ídolo na Inter e no Milan, no Barcelona e no Real Madrid, Ronaldo foi decisivo com seus gols na Copa do Mundo na Ásia, em 2002, quando o Brasil sagrou-se pentacampeão. Sua despedida da Seleção Brasileira aconteceu em jogo amistoso contra a Romênia, em 7 de junho de 2011, em São Paulo.
Em todo o Século XX e nesses 11 anos do Século XX, o Brasil revelou ao mundo da bola os 21 gigantes do futebol retratados no livro e muitos outros craques, que encantaram e/ou encantam nos mais diversos rincões do planeta. O país do futebol é um celeiro inesgotável e se prepara para em, 2014, sediar outra Copa do Mundo. Além disso, em 2016, o Rio de Janeiro sediará os Jogos Olímpicos. Momentos de afirmação esportiva de um povo, que vem superando desafios e conquistando a cidadania. Enfim, o esporte mais popular abre caminhos para o Brasil se projetar ainda mais no cenário internacional.FONTE: SITE CRONOPIOS

GLAUCO MATTOSO


CONFIRMANDO O BOATO

Em primeira mão, quero adeantar aos amigos... Pelo que fiquei sabendo,
duas editoras se junctaram para comemorar meus 60 anos, em junho, com
um duplo lançamento festivo: a Annablume (com o sello Demonio Negro) e a
Alaude (com o sello Tordesilhas). A primeira lança uma caixa com os dez
volumes de poesia da serie MATTOSIANA em cappa dura, redesenhados pelo
gutenborgeano Vanderley Meister; a segunda lança o inedito volume de
ficção TRIPÉ DO TRIPUDIO E OUTROS CONTOS HEDIONDOS. A festa está
agendada para o Barco, la em Pinheiros, e o dia 29 de junho cae numa
quarta-feira. Ja sei que haverá uma mesa com Vicente Pietroforte, Mamede
Jarouche e Lourenço Mutarelli. Quem quizer pode espalhar porque o boato
é quente...

Data: 29 de junho de 2011, entre 19h e 22h
Local: centro cultural Barco
Rua Dr. Virgilio de Carvalho Pinto, 422, Pinheiros
Phone 11-3081-6986

sábado, 4 de junho de 2011

ARNALDO BAPTISTA


Valvularnaldo

Por Stella Rodrigues

Arnaldo Baptista juntou-se ao engenheiro de som Luiz Fernando Cysne para criar, segundo eles, o primeiro P.A. valvulado do mundo
Foto: Fabiana Figueiredo/Divulgação
Arnaldo Baptista (foto) quer realizar o sonho de, ao lado do engenheiro de som Luiz Fernando Cysne, colocar em prática o uso do primeiro P.A. valvulado do mundo
Arnaldo Baptista (foto) quer realizar o sonho de, ao lado do engenheiro de som Luiz Fernando Cysne, colocar em prática o uso do primeiro P.A. valvulado do mundo
Total de fotos: 3


"Atenção, senhores passageiros, favor afivelar os cintos", diz aquela voz anasalada que sai dos alto-falantes do avião. É mais ou menos com esse sistema de som que são amplificadas as vozes e os instrumentos de seus artistas preferidos quando você vai a uma casa de shows, afirma o engenheiro de som Luiz Fernando Cysne. Pelo menos por enquanto.

Antigamente, os alto-falantes usavam um sistema de áudio com válvulas em seu mecanismo, algo que pode ser melhor compreendido nas imagens aos lado. Porém, as válvulas eram grandes, desajeitadas e deixavam as caixas de som domésticas com um tamanho incompatível com os apartamentos, cada vez menores. Assim, popularizou-se o sistema de P.A. - sigla para "public address", um conjunto de amplificadores, mixer e caixa de som - com transistores. Este, com uma estrutura bem menor, porém de qualidade inferior. Pelos menos, esse é o consenso entre os engenheiros de som, diz Cysne.

Audiófilo e com os ouvidos apurados que a profissão exige, Cysne sempre repugnou a dominação do mercado pelos CDs, MP3, e, principalmente, os transistores. Por isso, tudo casou tão bem quando foi procurado por Arnaldo Baptista, ex-Mutantes, músico, e, sem dúvida, uma figura. Arnaldo é outro que quer mudar a forma como o grande público ouve música, especialmente em apresentações ao vivo. Por isso, a dupla desenvolveu um projeto de P.A. que leva ao público a pureza sonora que eles buscam. Arnaldo bateu o pé, no início do ano, e decidiu: "Se for para fazer show com P.A. transistorizado, não faço mais". "Mas Arnaldo", seus produtores tentaram argumentar, "não existe P.A valvulado em lugar nenhum do mundo." Não foi problema para ele, que resolveu convocar Cysne para criar o primeiro "de toda essa Terra", como define.

Cysne e Arnaldo, que têm os verbetes "transistor" e "válvula" recorrentes em seu dialeto, concordam que o passado da válvula a denigre. Antigamente, sua estrutura física sensível, frágil e grande, feita à base de vidro, fez com que ela deixasse de ser de uso padrão. Porém, com a tecnologia atual, elas podem e são fabricadas de forma mais resistente e, ainda, oferecem a vantagem de serem infinitamente melhores, conforme explica Cysne, de maneira bastante fervorosa: "Desde que o transistorizado surgiu, achei horroroso. O som dele, de cara, já me deu vontade de vomitar". Provavelmente, o som de uma casa de shows nunca deu a um frequentador esse mesmo ímpeto físico de mal-estar. Mas ele garante que qualquer ouvido leigo sentiria a diferença de ir a um show em que tudo que sai das caixas de som passou por válvulas, e não pelo transistor. Sendo assim, compartilha do sonho de Arnaldo.

Voltando à voz anasalada que nos instrui sobre a segurança da aeronave: "Ouvi falar de uma história que uma fábrica, no passado, sugeriu que passasse a ser usado transistorizado/digital nos aviões, por ele ser menos frágil. Isso foi aceito. E aí, como era mais prático, todo mundo aderiu e o público foi deixado ao relento, com um som de vidro quebrado", explica Arnaldo, a respeito da popularização do sistema de áudio mais comum atualmente. O paralelo traçado para se compreender é com a relação entre os frágeis, grandes, e difíceis de manipular vinis e os inicialmente modernos e impecáveis CDs. "Quando veio o primeiro CD, aquilo era tido como o puro estado da tecnologia e da arte, uma tecnologia para sempre. Só que muita gente que trocou toda sua coleção de vinis para CDs se arrependeu", argumenta Cysne.

A dupla corre, então, atrás do prejuízo, da mesma forma como os amantes de música hoje se esforçam para encontrar vinis, gastando fortunas pela internet para importá-los de diversos lugares. Gravando, atualmente, o álbum Esphera, Arnaldo já prepara o espetáculo que levará seu disco ao público. E o transistor não tem lugar nele.

"A gente fala em amplificador valvulado, mas no show, os músicos, só eles, usam amplificadores valvulados de 100 watts. Porém, eles concorrem com o retorno com 10.000 watts, tudo altíssimo, então, o valvulado desaparece. Fica aquela cacofonia de som não-valvulado", comenta Arnaldo, ressaltando que a má qualidade do áudio é compensada pelo volume, para que o som se propague pela casa toda, gerando não só um resultado ruim, mas também alto demais e perigoso para a saúde. "Faz parte do sonho não só valvular o som do artista, em cima do palco, mas sim a casa de shows inteira. Afinal, é um P.A. Em inglês isso quer dizer 'public address', algo como 'endereçado ao público'. É como se eu pedisse um presente para o Papai Noel, o presente que mais me deixa satisfeito. E estou sendo atendido! Eu penso até em chamar de 'Valvularnaldo' ou 'Valvulaldo', alguma coisa assim", brinca.

Esphera
O álbum, cujo projeto foi aprovado em leis de incentivo e atualmente está em busca de captação, está em estágio avançado. "São várias inéditas, além de 'Senhor Empresário' e 'Singin' Again', que são músicas antigas, compostas em uma época de ostracismo, ou sei lá como é que eu estava. E elas ficaram na memória", conta Arnaldo a respeito de seu novo disco. "E tem outras coisas diferentes que faço nesse próximo... tem música infantil para gatinho, música de eletricidade solar, vegetarianismo, amplificadores valvulados ['Explicação, Tradução e Traição' é o título provisório) e assim por diante. Tudo me inspira", afirma o músico.

A ideia é que um espetáculo multimídia leve Esphera ao público, mostrando vídeos e as obras de artes plásticas do cantor, que está cada vez mais envolvido na área. "Os planos de construção incluem fazer os alto falantes virem de cima, debaixo, de frente, de trás e dos dois lados. Aí seria uma esfera. Esse é o sonho. Mas só o fato de ser valvulado já rompe barreiras muito importantes", conta, acrescentando que pensa até na possibilidade, em um determinado momento no show, ligar os dois tipos de som para demonstrar a diferença para o público.

Público, este, que não deverá pagar a conta de toda essa nova estrutura, já que Arnaldo e Cysne também estão captando recursos para pagar pelo sistema de áudio, para que isso não fique embutido nos ingressos. Outra questão a ser resolvida é a do transporte desse equipamento, já que é de praxe a casa oferecer, pelo menos, as caixas de som. A meta inicial é começar com shows em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Mas o sonho de Arnaldo e Cysne é que, num futuro não tão distante, cada ambiente de espetáculo tenha seus próprios "Valvularnaldos".

Tags relacionadas
arnaldo-baptista
esphera

FONTE:ROLLING STONE/ENVIADO POR LUCINHA E ARNALDO

quarta-feira, 1 de junho de 2011

GRANADA FILMES


A Granada Filmes continua a guerra e estamos lançando nosso segundo clipe. Trata-se do vídeo da música "Decência".

Pra quem é de Sampa, ou está por aqui, ou quiser vir... a festa de lançamento é quinta-feira 02/05 no Studio Sp!

Eis o link do clipe:

http://vimeo.com/23937095

Esperamos que gostem!

Abs.

Granada Filmes.

CLAUDIO WILLER


oxouzine apresenta

SERÃO LITERÁRIO com CLAUDIO WILLER

"o texto na voz do autor"

2a. feira - 13/06/2011 - 20 horas - Anf. A (FCL)

coordenação: Zé Pedro Antunes e Ude Baldan

Promoção: PROEX / Letras Modernas & Literatura

Apoio técnico: SAEPE