terça-feira, 2 de agosto de 2011

JOSÉ GERALDO NERES


OFICINA DE CRIAÇÃO LITERÁRIA: A SUBVERSÃO DA REALIDADE

Atividade Gratuita
Local: OFICINA DA PALAVRA CASA MÁRIO DE ANDRADE
Coordenação: José Geraldo Neres.
12 a 27/9 - segundas, terças e quintas-feiras – 19h às 22h.
Público: interessados em literatura contemporânea e criação literária.
Inscrições: 8/8 a 6/9.
As inscrições podem ser feitas pessoalmente ou o interessado pode solicitar a ficha pelo email casamariodeandrade@oficina​sculturais.org.br
Seleção: análise de textos (contos ou poemas) de autoria do candidato.
15 vagas.



A oficina trabalhará sobre as relações entre escrita/narrativa e a cidade, estimulando a criatividade, a análise crítica e o diálogo com os principais representantes da literatura contemporânea.
José Geraldo Neres é poeta, ficcionista e roteirista. Publicou: Pássaros de papel (2007), Outros Silêncios (2009, realizado com o apoio da Fundação Biblioteca Nacional e do ProAC) e Olhos de barro (2010, menção especial na 3ª edição do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura).
OFICINA DA PALAVRA CASA MÁRIO DE ANDRADE
Rua Lopes Chaves, 546 – Barra Funda - São Paulo - SP
Fone: (11) 3666-5803 / 3826-4085
e-mail: casamariodeandrade@oficina​sculturais.org.br
Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 13h às 22h; sábado, das 10h às 14h.
José Geraldo Neres
blog: http://neres-outrossilencios.blogspot.com
skipe: jose.geraldo.neres
e-mail: jgneres@uol.com.br
ou: outrossilencios@gmail.com

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

PAULO ROBERTO DO CARMO


Canto dos Abraços

No limiar das pequenas revoluções que se levantam
do cotidiano, recriar-te, mudando os hábitos,
será a mais alta devoção.

Ser de sonhos e fratrimônios, não te habituarás
à sucessão de sangue e desprezo e dor,
nem poderás calar os disparos da manhã.
Quando muitos desertam no limiar das possibilidades,
caberá a ti, enquanto a lua purgar a noite
e o sol germinar o dia, continuar o manto tecido
dos sentidos, ponto a ponto, na rotação dos fusos,
até alegrar-se a esperança com o dia de amanhã.

Senão o sonho, argila e sangue que podes compor
com outras mãos, muitas mãos solidárias,
o que mais podes alicerçar na rocha?

Abre a boca,
quando o Destino jogar uma tâmara,
e planta sementes com mãos coletivas.
Do que o dia permite, resta o abraço.

Paulo Roberto do Carmo


No site são postados poemas inéditos, sempre às terças-feiras, para publicação, depois de selecionados, em livros futuros.

SANSÃO J. SILVA


CIDADANIA, O QUE É ISSO?
FUTEBOL É MAIS IMPORTANTE!

Nós brasileiros, somos um povo estranho no que se refere ao senso de cidadania.
Brasileiros são patriotas fervorosos quando se trata de futebol.- Futebol é tratado como assunto sério, de suma importância e do maior interesse. - Pelo futebol os brasileiros são capazes de grandes mobilizações, bairros e cidades inteiras se organizam, formam gigantescas caravanas desfraldam bandeiras aos milhares com vibrantes gritos de guerra.
O orgulho, o ufanismo, atingem o mais alto grau, superando todos os limites. Têm aguda noção das leis, normas e regras do futebol, as quais discutem apaixonadamente com grande conhecimento e propriedade. - Quando acham que o Brasil foi de alguma forma prejudicado em uma partida da Copa do Mundo ou mesmo em torneios regionais, por pouco não pegam em armas para atacar a nação oponente afim de lavar a honra, resgatar o prestígio da Pátria, colocando-a no panteão mais alto da glória, em seu sublime e devido lugar.
Quando se trata dos seus times preferidos então nem é bom falar; pois em defesa destes, se tornam aguerridos combatentes em dias de disputas de campeonatos.
É comum munirem-se com um arsenal de bombas, paus, pedras e até armas de fogo promovendo nas ruas verdadeiras batalhas campais, resultando muitas vezes em baixas reais com mortos e feridos, com seus mártires e heróis. Pelo exposto podemos ver que pelo futebol até se morre e se mata.
E a cidadania? - Ah, a cidadania para os brasileiros é algo vago, abstrato, sem importância... Esta constatação infelizmente é preocupante.
Sem prejuízo de gostar de futebol, de torcer apaixonadamente, seria bom entretanto que os brasileiros também de forma apaixonada, se valorizassem mais como cidadãos. Deveriam se indignar mais e de verdade não apenas reclamando, deveriam se revoltar. Diria mesmo que deveriam até se enfurecer frente a tantas e grandes mazelas nacionais; fruto das aberrantes ações e atos da maioria de políticos desonestos. Ligados a estes; outros grupos de entes malévolos da mesma espécie, permeiam em todas as áreas da esfera governamental. E como seus mentores, são dignos também de repulsa, bem que mereciam um “chega pra lá.”
Porque os brasileiros, ao contrario de outros povos, não reagem contra a má gestão pública, aos desmandos e a corrupção?.... São todos corruptos também? - Não.
É porque a incúria dos (des) governos com a educação, por décadas e décadas, tornou os brasileiros uma grande massa ignara e inerme cuja falta de instrução não os permite ter noção de conjunto da realidade das coisas. Não sabem se informar corretamente e muito menos fazer avaliação clara da enormidade do prejuízo causado pelos políticos a atual geração. Infelizmente, pelos mesmos motivos, não podem vislumbrar os prejuízos ainda maiores que como uma triste fatalidade se abaterá sobre as gerações futuras; as quais no mundo globalizado, não conquistarão espaço diante da concorrência, do avanço qualitativo e logicamente mais competitivo dos outros povos.
É incrível, mas mesmo conhecendo os políticos e suas mentiras, sabendo de tantas falcatruas diárias, de bilhões de reais em suados impostos surrupiados por demagogos de todos os matizes, e seu elenco infinito de fraudes, nada se faz! - Temos todos os tipos imagináveis e inimgináveis de apagãos: Apagão Elétrico, Apagão da Saúde, Apagão da Educação, Apagão da Segurança, Apagão da Justiça, Apagão das Rodovias, Apagão das Ferrovias, Apagão dos Portos, Apagão Aéreo, Apagão do Exército, da Marinha, da Aeronáutica e principalmente o maior de todos: o GRANDE APAGÃO MORAL.
O carí$$imo Congre$$o brasileiro, de costas para o povo, com enorme perda de tempo
em suas sessões com longas discussões ridículas, é um espetáculo que envergonha, ao invés de exemplo para a cidadania.
Eis que os políticos, formuladores dessa peça bufa e infeliz, onde todos, autores e atores são vilões mais que conhecidos, porém ninguém os vaia. - Suas apresentações se repetem ao longo do tempo medido em décadas, ininterruptamente, cansativamente, mas ninguém reage!
São tantos os escândalos, verdadeiro corolário que seria fastidioso enumerá-los aqui. Os brasileiros mais esclarecidos e honestos, sentindo-se impotentes perderam a esperança. - Se tornaram desiludidos, apáticos como que, anestesiados.
Para as pessoas conscientes e inconformadas, vem as perguntas que não podem calar:... Por que?... E até quando?...
Parece que a resposta está no fato de não existir no Brasil uma verdadeira oposição partidária forte, atuante, compostas por pessoas honestas e com força de arregimentar, congregar, enfim instigar os cidadãos decentes a se organizarem, a se manifestarem de forma mais veemente.
Algo de muito grave aconteceu aos brasileiros: os políticos lhes roubaram a segurança, o direito de ir e vir sem medo. - Lhes roubaram alem de recursos, a paz e até sua dignidade.
De Brasília o que vemos e ouvimos é de provocar náuseas; porém os brasileiros estão inertes, não reagem, se tornaram autistas. São bravos heróis no futebol porém incapazes de fazer valer e exercer em toda plenitude seus direitos mais nobres, o elemento básico de uma sociedade: a CIDADANIA.
Antes, tivemos verdadeiros heróis como os Farroupilhas, os Dezoitos do Forte de Copacabana, Os revolucionários Paulistas de 1932 e bem antes tivemos inúmeras demonstração reais de inconformismo como Sabinadas, Balaiadas, Revolução Praieira, Revolta dos Alfaiates sem esquecer os Inconfidentes.
Hoje não temos nada... não temos líderes.
Os políticos, espertos não perdem tempo. Com míseros caraminguás em esmolas, porém em dinheiro do Bolsa Família, pagos por nós, compram ou roubam a boa fé das pessoas simples, transformando-as em massa de manobra para seus maquiavélicos fins. Eles sabem que para as massas, uns trocados no bolso, um fim de semana com futebol, uma cervejinha gelada e Faustão... fica tudo maravilhoso e.... LA NAVE VA.....
Precisamos urgentemente de um timoneiro e uma bússola. Pois os partidos são ficções, os políticos estão corrompidos, e parte da igreja está politizada...
Enfim: ESTÁ TUDO DOMINADO.
E em quanto isso..., lá vamos todos: Avante Brasil, Brasil!!! Brasil!!!, Zil, Zil, Zil,
E... viva então o futebol!!!

Artigo de Sansão J. Silva

sansaojs@netsite.com.br

sexta-feira, 29 de julho de 2011

WALDO LUIS VIANA


EU NÃO AGUENTO MAIS!



"Só existem dois grupos em verdadeira luta no Brasil: os que estão roubando e os que querem roubar."
Ex-deputado Tenório Cavalcanti

Waldo Luís Viana*


Durante quase dez anos, na tribuna livre da Internet, contrariando até um pouco a minha modesta natureza, procurei escrever sobre temas políticos, aproveitando-me, inclusive, de 2002 para cá, do rico manancial como paradigma crítico do que foi, tem sido e será o governo do PT.

Quem me acompanha até – e com paciência, o que muito agradeço – sabe que procurei trazer aos leitores aspectos um pouco desconcertantes da realidade que vivíamos, dado o meu temperamento telúrico de poeta, que vibra antes de tudo com o coração, dentro do espírito do homem cordial, descrito por Sérgio Buarque de Hollanda em seu já clássico “Raízes do Brasil”.

Eis que, embora tenha dado adeus às armas, tenho visto um panorama tão adverso e promíscuo, que ouso agora responder à pergunta que tanto me fazem e que adiava, como ardil, em responder: ó poeta, o que vai ser de nós?

Não há esmero em ver de nós a imagem no espelho – diria eu, entre atônito e aflito. Não há setor da Nação (danada, mesmo!) que não se aperceba do lado oculto, do sistema perverso engendrado pelo PT para governar. Fez-se do Brasil a imagem e semelhança do partidinho – e como dói!

Esqueceu-se, em primeiríssimo lugar, do que é certo ou errado. Os barbichas de língua presa instituíram, a muque, o dualismo entre o “adequado e inadequado”. O trato da coisa pública, que deveria ser “res sacra”, não passa mais pelo crivo da exação, da coragem e do comportamento probo, considerados excrecências diante dos objetivos a atingir. É o mesmo e surrado “os fins justificam os meios”, transformado em política pública como em qualquer regime dito socialista de Estado.

Onde não há Deus, forma-se uma nomenclatura, preocupada com a história tão somente, como deus imanentista e de latrina, entronizando-se um chefe de Estado que deve ser venerado pelo povo como ícone religioso. O perigo desse herói, de pés de barro, é morrer de cirrose ou de câncer...

O segundo ponto é esquecer os indivíduos, enquanto tais, para entronizar a velha visão marxista de homem social, que em nossa bagunça tropical não é “social”, mas eleitoral. Transfere-se para um grupo ou classe agregados um conjunto de migalhas e atenções, antes desavindas, para apenas retirar delas a continuidade do poder. Não há diferença daquela prática política e fisiológica do passado, em que o coronel fascista fornecia dentaduras, bicas d’água, óculos e um par de sapatos em troca de votos, porque hoje a indecência é tecnológica e feita por cartão magnético.

Desprezados os indivíduos, sobrevem o terceiro ponto, que rebrilha aos olhos como bofetada: para que a sociedade seja equiparada ao soba analfabeto, cachaceiro e ignorante, é preciso que se ponha de lado a cultura do passado. Nada de Machado de Assis, Rui Barbosa, Euclides da Cunha e Monteiro Lobato, mas a mais rastaquera substituição cultural de tudo o que nos é mais caro e custou a construir: um fácies de nacionalidade, uma singularidade que foi atraiçoada como “nunca neste país”.

O que Lula provocou em oito anos de governo não conseguiremos reconstituir em vinte, ou seja, retomar a nossa estima como Nação maior, mesmo sem prêmio Nobel (vejam só!), mas com uma proposta digna de educação, segurança e saúde de massas!

A substituição cultural de laboratório que se procedeu para que esse senhor se tornasse gênio da raça, nós todos estamos vendo, cumprindo notar – na hora do espanto – que a sua sucessora tem todos os seus defeitos, mas nenhuma de suas apoucadas qualidades...

O quarto momento, mais insidioso e visceral, é outra tentativa de laboratório de contrariar o epigrafado deste artigo: reunir a esquerda, abjeta, mentirosa e faminta que chegou ao poder, à direita oligárquica que só quer manter privilégios, os postos de erva daninha obtidos à custa da mais sofisticada exploração do Estado, que precisa estar enfeixado em suas mãos, como sublime constelação público-privada.

No Brasil, não existe mais o conflito entre os que estão roubando e os que querem roubar: finalmente, após um pouco mais de cem anos de República, os grupos afoitos se reuniram e estão se entendendo. Todas as nossas instituições, contaminadas e aparelhadas, estão enfeitiçadas pelo mesmo micróbio, pérfido e matreiro.

A corrupção hoje é política de Estado e mãe pressurosa dos Três Poderes. Nada escapa, amigo leitor, ao seu olhar atento. Ela é a devassidão onipotente e onipresente do deus materialista que se entronizou em nossa máquina pública.

Se temos a corrupção como política de Estado, então nada pode escapar a seus encantos, inclusive porque ela expulsou, lá por cima, o certo e o errado – recordam-se? Um bandido de paletó e gravata apanhado gera pane universal, porque foi um “cochilo do sistema”. É ele, o sistema que se sente ultrajado, não a Pátria, jamais a “res sacra”...

Sabemos que o país caminha para uma crise cambial e para a insolvência a passos largos. Sabemos que, depois de todo o período Vargas, de industrialização, temos agora o histórico período petista, de “desindustrialização”. O país financia-se por juros altos e obscenos, oferecidos aos rentistas externos em bandeja de prata e estiola o seu comércio exterior e obriga a indústria a padrões de prevenção, isto é, aumento pavoroso de preços, perdas homéricas de competitividade com o exterior e uma inflação embutida e preventiva, que logo ficará exposta em toda sua nudez.

Finalmente, contudo, a arvora de decisões petista teria de expandir, em si mesma, todo o seu resplendor: a mentalidade maior, do dolo federal teria de ocorrer nas demais instâncias, estadual e municipal. Além da cornucópia de impostos para sustentar toda a farra, porque o brasileiro não se importa em sangrar, as classes dominantes (as “zelites”) permitem que o quadro dantesco se repita ao nível municipal: temos as máfias de transportes, de lixo e do saneamento, compondo o regime de superfaturamento necessário às próximas eleições, construído diligentemente, no contexto maior, pelas empreiteiras e bancos.

Agora, desesperados, dirão vocês: qual é a solução? Responderia, eu, da mesma forma humilde com que brindei meus leitores na Internet por quase dez anos, nada! Tudo continuará como está, dependendo do sistema que aí se instaurou.

O comissariado fascista-marxista-comunista que nos domina comprou todo mundo e tudo permanecerá como está! É bom para os donos do poder e seus vassalos e vassalinhos.

No entanto, creiam, tais mecanismos, com a velocidade da História criam pelo caminho uma entropia e os tecidos vão paulatinamente se necrosando. Por isso, estou tranquilo. Trancado em casa, espero a morte desse “regime” que tem dentro dele – está claríssimo – todos os germens históricos da própria destruição!
*Waldo Luís Viana é escritor, economista e gosta de fazer versos.
Waldo Luís Viana é conferencista e palestrante.

TELA:MUNCH

quinta-feira, 28 de julho de 2011

AMY


PARA AMY

Alberto Felix

OH VIRGEM MÃE PURÍSSIMA,
RECEBE EM TEU SEIO O ATORMENTADO ESPÍRITO
DESTA MOÇA.
UMA JÓIA RARA, VIRGEM MÃE.
DÁ-LHE COLO,
DÁ-LHE PAZ.

ADRIANA MANARELLI


"Esplendor"
(Adriana Manarelli)

Cor de melado
Essa prata
E esse gesto
Que traz o toque
Onde tudo principia,
Absinto indolente.

Canário fascina
Na imensidão,
Notas e cifras
Entoa
E as Virtudes
Ressonam ao lado.
Perpétuas perpetuam
Cântares e acalantos
E falam
De mágicas melodias.

Do âmago atemporal
Rilha arbitrário esse azul --
Halo difuso
Sobre a relegada carcaça.
Elaborando fragmentos
Descamados,
Válvulas do onisciente,
Como raiz bulbosa no campo celeste
E o verbo macio
Sobre o nanquim.

Para Valdemar Nadai (In Memoriam)

22/ 01/ 2009 - 21/ 07/ 2011/tela: RENOIR: le-moulin-de-la-gallette

VIOLETA DE OUTONO


VIOLETA DE OUTONO - THEATRO MUNICIPAL, SÃO PAULO, 03.05.2009

Para maiores informaçoes e comprar este DVD acesse:
http://www.violetadeoutono.com/shop_details.php?CatNumber=VPB132DVD
Em 2009, o Violeta de Outono foi convidado a se apresentar no Theatro Municipal de São Paulo, tocando na íntegra o seu primeiro e clássico LP, de 1987. Este show histórico aconteceu na alvorada do dia 3 de Maio, em uma apresentação única na carreira da banda.
Os arranjos do álbum original, no formato de trio, foram complementados ao vivo com sons de órgão Hammond e piano.Violeta de Outono é formado por Fabio Golfetti guitarra & vocal, Gabriel Costa baixo, Fernando Cardoso órgão & piano e José Luiz Dinola bateria.
www.violetadeoutono.com.br