sexta-feira, 16 de setembro de 2011

LUIZ ROSEMBERG FILHO


Câncer, o imenso sonho para todos
.
Por Luiz Rosemberg Filho e Sindoval Aguiar, do Rio de Janeiro

O filme de Glauber Rocha ainda hoje marca nossa cinematografia. E assombra aqueles que buscam o sucesso fácil, a prostituição e a traição.

“Que ruim é a vida e o quanto nos degeneramos! Falar de seus sofrimentos e permanecer tranquilo quando o mal acontece!”
Bertolt Brecht

Colagem de Luiz Rosemberg Filho
Quem cedeu uma só vez à lógica do mercado emburrecido, ocupado e acrítico, não encontra outra saída a não ser justificar a sua traição inescrupulosa ao sistema de burocratas, burocracias, ancines, editais, privilégios... numa espécie de reencarnação do não muito distante golpe militar de 1964. Eles não queriam um cinema dominado, patriótico e a reboque da TV e de Hollywood? Conseguiram. Foram pacientes para alcançar esse fim com segurança, e que veio curiosamente com a “abertura”. Ora, “Chico Xavier”, “De Pernas Para o Ar”, “Cilada.com”... é o quê? Resposta: uma total submissão ao fascismo, ou uma continuação da “revolução” por outros meios.

Nossos “cineastas” aprenderam a serem obedientes e servis. Legitimam o que seja, desde que o mal-estar do saber seja a referência dominante. Pensam como se estivéssemos em Hollywood, onde usam o cinema para dopar o público e transformá-lo numa caixa registradora, em um suporte da indústria, deles! E claro, uma fortificação militar-econômica-cultural da ocupação idiotizante do planeta. Digamos que a guerra moderna passe pelo cinema. E nossos idiotas não percebem que trabalham para o Império, não para o Brasil. E menos ainda para um cinema reflexivo, nosso.

Talvez a real liberdade em Glauber seja uma reivindicação de independência, em relação a muito de seus companheiros que traíram não o Manifesto da Fome do cinema novo, mas o próprio cinema como um todo. Associaram-se com a porca publicidade, à televisão mais podre do Continente e a um jornalismo oficial imundo, para se sentirem protegidos por um mercado que segue não sendo nosso. E daí para frente, inseriram-se no mundinho idiota das celebridades duvidosas, cultuadas pelo senhor Amaury Jr, velho dissecador de cadáveres.

Claro que Glauber Rocha, que foi uma imensidão de sonhos para todos, foi chamado de louco, degenerado e ainda hoje sempre que possível é avacalhado por incompetentes publicitários de plantão. E a partir de tanta inveja, o silêncio funciona como uma muralha contínua enfiada entre o sonho e a realização.

E muitos são os idiotas falsamente sensíveis que formulam orientações fascistas como sustentáculo de suas vidinhas medíocres, com suas intimidades podres e conservadora. Mas, enganar o povo sempre foi fácil. Difícil foi fazer bom cinema. E poucos foram os que fizeram, entreabrindo novos sonhos para todos. Ou seja, Glauber foi um outsider em relação aos seus coleguinhas de sucesso. Instrumentalmente, um criador de sonhos poéticos amaldiçoado por reacionários e velhos conservadores, as velhas múmias da esfera cultural. Mortos-vivos que usaram o cinema, sem o pensarem em profundidade. Basta que se veja seus filmes horrorosos, fechados só com o sistema do dinheiro. Cineastas menores raivosos, complexados e imersos no cabresto do sucesso a qualquer preço. Claro que no capitalismo o dinheiro é a única identidade respeitável. Mas não a qualquer preço pois, então, teríamos que aplaudir a prostituição e a traição.

Emoldurados no sucesso artificial de celebridades empalhadas são, no máximo, seres deserotizados, burocratas velados no ancoradouro dos editais e das panelinhas. Decupagem clássica da malandragem oficial. Uma experiência da superfície dos “podres poderes” da república. Um reforço ilusionista na história como erro. No sentido contrário, e sem exageros, o cinema de Glauber segue sendo mais vanguarda que todo esse lixo vendido como papel higiênico vitorioso. Lixo investido de editais, burocratas, idiotas, “sucesso”, festivais, prêmios e poder. Mas sem o próprio mercado, claro!

Não somos contra um cinema de mercado sensível e inteligente, como foi o caso de “Macunaíma” de Joaquim Pedro de Andrade. Mas dá para comparar com “De Pernas Para o Ar” ou “Cilada.com”? Mas é cinema ou televisão? Como televisão até se justifica, pois ela segue sendo um espaço fixado no lixo da história. Um conglomerado infinito de aberrações preso ao velho fascismo. Uma espécie dissecação geométrica da m... e onde se especializa uma hostilidade permanente ao pensamento. Claro, com todos se julgando sensíveis e profundos. Obscuros, mas iluminados pelo artifício do sucesso a qualquer preço. E com ele, a prostituição e a “nota”. E sem um mínimo de solidez não há como defender essa televisão que existe hoje aqui. Menos ainda o cinema miniaturizado que vem dela. Na verdade, negócios instrumentalizados pela ideologia dominante.

Basta ver os temas, os “atores”, as imagens e o resultado final, que valorizam, claro, a imbecilidade capaz de dopar como o cinema de Hollywood. A pergunta que fica é: não há como ser melhor? Essa caixa-preta da ideologia dominante não pode ser aberta? Esses mandarins eletrônicos não podem ser substituídos por ideias, sonhos, saber e confrontos? Dizem que a ditadura acabou, mas a TV permaneceu igual, e sempre piorando. E quem ganha com isso? O espetáculo vazio ou o telespectador?

Octavio Paz diz, sabiamente, que somos menos uma tradição a seguir do que um futuro a construir. Porque o que tememos é o passado, a nos intimidar, na construção do novo como ruptura e avanços; e como desconstrução e construção como uma arqueologia de movimentos, busca e transfigurações sobre o já existente. E com isso, tudo fica a dever como tempo, memória e história, uma arquitetura de nossa presença, sempre desconhecida.

E se não construímos esse básico, todas as possibilidades ficam impossibilitadas e até a música se omite, refugiada como proteção em sua força e evolução, mas sem nunca perder as dissonâncias somente possíveis na arte. Também o cinema, este que os USA encarceram como produto e entretenimento em seu apelo na lógica do capitalismo. Mas, a lógica é somente parte de um apelo diferencial para percepção e cognição e não para conduzir uma razão. Porque nenhum sentido pode se definir como o de um fim único e imutável, transcendente e ontológico. Sendo necessário construí-lo e desconstruí-lo sob a lógica das diferenças e do conhecimento, o que os grandes experimentadores da música e do cinema sempre fizeram ao ultrapassar o próprio tempo.

Nossa tarefa será sempre o caminho do desconhecido porque o conhecido é sempre o repouso do trágico! E o novo será sempre o moderno a ser desconstruído, vencendo as barreiras da cultura, da lógica, da técnica e do próprio tempo. E, o Brasil, tem sido um exemplo no alargamento dos processos contra todos os domínios e os do próprio tempo, um exemplo de retardo, ignorância e exclusão. Muitos procuram o nosso país pela certeza de nossos princípios de busca e descobertas ainda não definidas como gostaríamos numa realidade concreta. Esta que afirma e nega, não trucida!

Ontologia é essa linguagem, essa arquitetura, esse processo em pleno movimento de ser, estar e vir-a-ser. De diferenças, experimentos e dissonâncias e que a razão lógica das excedências, o poder econômico, não tem permitido. Na construção dos espaços como arquitetura de descoberta e desenvolvimento. Um caminho para um encontro mais próximo de nós. Reunindo as possíveis qualidades e valores de que somos possuidores como indivíduos e como totalidade.

Indiscutivelmente, muito diferentes do que se globaliza como homogeneização de uma vontade única intocável e imutável. O que já percebemos que precisa ser tocado e transformado com muito de nós e de nossos valores por necessidades históricas e vontades. Este é o sentido de uma afirmação ontológica em Marx e Lênin. Ir além de nós para atingir o todo, o que já atingimos na música e que Humberto Mauro ousou em seu primitivo idealismo. E que, para glória de nosso cinema, o que Glauber Rocha conseguiu em seus filmes, exorbitando em “A História do Brasil” e nesse “Câncer”, colocando-nos onde sempre estivemos: entre animais e onde cada um de nós possa meter a carapuça ou arrebentar os espelhos antes da submersão. O mesmo que Goethe sugeria como redenção, as diferenças entre um ser humano e um ser irracional, pela cognição, pelo pensar, pelas associações e pela linguagem...a comunicação.

Um processo de abrangência arquitetural que podemos construir desde que pensemos em nós, no aqui e no além, como um todo. Nosso trabalho e nossas ideias precisam partir da consciência de que toda realidade é mais concreta do que real, ou verdadeira ou falsa. E que somente pode existir de fato se for construída e desconstruída na dinâmica de um processo de linguagem e comunicação. Daí a necessidade de uma presença e de um trabalho velado e descoberto, no particular e no todo, como partidos, a organização e a própria realidade em suas percepções, econômicas, políticas e culturais.

Sabemos ser a arte a única forma de linguagem mais abrangente no processo, mesmo submetida às injunções econômicas e de poder, de desvios e da própria censura. Falando todas as linguagens, a arte consegue escapar porque sua relação é muito próxima do poder como expressão e movimentos. Mesmo não definindo ou protegendo os outros espaços em que sua autenticidade não se discute, o lugar comum onde se confina ou se exila e que, pode até servir como expressão, como suporte, à arte mais próxima do poder. Isso ocorre na música, na pintura, na literatura como no teatro e no cinema. A presença do poder será sempre inegável! E dela a arte escapa pela linguagem de incontidos formalismos, onde a presença do novo pode estar contida e já, subjetivamente, expressa e de difícil percepção. Escapando ao peso da realidade que jamais compensa.

Essa busca de ontologia é uma necessidade para o entendimento e a procura de nosso país, esse nunca procurar e muito menos encontrar. O que não podemos deixar de perceber e respeitar nos trabalhos de Humberto Mauro e de Glauber Rocha, nossos suportes no cinema brasileiro de formação e de ideias, de contradições e antagonismos que as múltiplas significações elevam. Cada um deles com sua especificidade e na sua abrangência que só o cinema pode permitir e sugerir, numa elevação de gêneros, tempos, entendimentos e formalismos.

Não resta a menor dúvida de que ao sermos vítimas de um processo civilizatório, existem outros aspectos que podemos até aproveitar como superação. Porque foi deixado aberto um campo de linguagem e de oportunidades num processo de descobertas de tempo e história, e de um passado que ainda nos assombra. Pela violência e a escravidão ainda tão presentes sob vários símbolos e aspecto que a política e a cultura vão dissimulando, material nada retratado em nossas obras culturais e, quando existe, sem a devida precisão.

Mas essa nossa presença no atraso e no progresso pode ser uma boa resposta como recuperação e oportunidade. Algo que a nossa arte ainda não negou, em Humberto Mauro e Glauber principalmente, como primitivismo, idealismo, performance e como um moderno revolucionário (em Glauber). Manifestações de um processo revolucionário da arte que, em condições como as nossas, dão-se para dentro (com consequências trágicas como na morte do cineasta). De qualquer forma, estão presentes em tais manifestações as possibilidades do avançar.

O Brasil parece estar tendo uma relação especial com o tempo, ao desafiar essa lógica que a razão impõe, distante da cognição como busca e procura, fora do eixo que a razão central determina. Estando nós mais conscientes de que todo colonizador se assemelha, e só se diferencia pela violência e pelo volume dos saques, como exorbitância e capacidade nas prepotências. Mais ou menos armados, não importa. E onde o saber nunca exorbita mas pode refletir. Como em nós no passado confronto histórico entre Portugal e Holanda. Esta, na reforma e no domínio do capitalismo inicial. E Portugal, na contrarreforma, atrasado, dependente do repasse dos saques como sobrevivência, permitiu-nos uma realidade concreta ainda muito presente como indecisões para uma melhor definição sobre nós e nossas possíveis descobertas.

Uma, a nossa grande descoberta, é a coragem (como a de Glauber), de expor e de subverter nossas fraquezas, nossas misérias e nosso desespero. E localizar, em sua inteireza, sem medo de suas demências e patologias como nesse delicado e ousado “Câncer”! Algo comparável à experiência dos jesuítas que, pressionados em sua origem, buscaram uma saída aqui entre nós, com os sete povos das missões. Experiência frustrada, como frustradas são as diferenças econômicas, políticas e culturais, até que possam se afinar ou se afinar.

O mundo de aprendizados e revelações ontológicas é muito amplo e pouco oportuno, o que nos cabe é descobrir e insistir, como arte, cinema e vontade. No cinema, Mauro e Glauber continuaram nossas maiores referências, superando o tempo e a realidade. Foram dois cineastas altamente competentes e distantes do udenismo farisaico de nossos mentores midiáticos do cinema de conciliação e entrega, que transformam o público em privado, como patrimônio de grupo.

Humberto Mauro foi um descobridor do descoberto. Com uma vontade além do idealismo. Redentora! O que Glauber Rocha desenvolveu e ampliou por outros meios e no enfrentamento das mesmas realidades. Domínio, dependência e submissão. E por tudo o que a globalização definiu como domínio dos meios de produção e de compensações pelas entregas, traição e delação. Por tudo o que a linguagem do cinema possibilita sob o domínio da burguesia e das subjetividades, onde tudo é possível, desde que abaixo do Equador. Como na Colônia!

Humberto Mauro se superava pelo sentido ontológico que imprimia ao próprio trabalho, em todos eles, e seus curta-metragens não nos deixam sem resposta para estas indagações. Como superação de si mesmo, passou a falar Tupi, e em seu rádio amador, ampliando comunicação e linguagem. Procurando ontologia. O mesmo que Glauber também andou fazendo, percorrendo o mundo para retornar ao mundo, o de “Câncer”. Nesse “Câncer”, a inventividade do choque e do lugar comum como nossa realidade. Um estupro do banal a nos estimular e fazer ser, como na TV e na mídia no dia a dia.

E como Glauber soube montar esses lances de dados. Na política, na poesia, no olhar e no ouvir. Nas imagens que amamos e que odiamos! Nossos paradoxos de entendimentos e desentendimentos. Glauber tentou uma inversão de Shakespeare pela linguagem irreverente em seu curta sobre a morte do pintor Di Cavalcanti, trepando no caixão para melhor enquadrar o morto. Era a síntese e erudição dialética da beleza do cineasta, a de rompimento com a realidade concreta, a de domínio e êxtase da burguesia. Verdadeiro discursivo Shakeasperiano!

Em “Câncer”, Glauber confunde e acelera a entropia, com realidade e ideologia, realismo e forma, super contextualizada para uma proximidade da loucura, onde tudo, quase se toca com o nada e desaparece nas presenças fúteis, banais e trágicas de nossa existência. Glauber, nesse filme, é a voz dos paradoxos, uma paráfrase, já que as imagens são superadas por ele, como cultura e despojamento, revestidos de audácia e de astúcia. Ele sabia que para fazer um filme assim era preciso coragem e vocação quase mediúnica! Porque só assim se tocam memórias que o tempo quer esquecer.

Mas a maior violência sobre as estruturas são culturais e subjetivas, subjacentes – aquelas que a burguesia impõe ao homem comum, pelo temor da ordem e do poder e pela submissão econômica hierarquizada, numa precisa destruição do andar de baixo. Sem apelo e sem retorno. Glauber tentou nos ajudar a nos descobrir. A descobrir nosso câncer, até agora, incurável! No hospital!

10/9/2011

Fonte: ViaPolítica/Os autores

“Câncer” – ficha técnica:
Ficção, longa-metragem, 16 mm, preto e branco. Rio de Janeiro/Roma, 1972, 950 metros, 86 minutos; Companhia Produtora: Mapa Filmes (Brasil); Distribuição: Embrafilme; Lançamento: 2 de setembro de 1982, São Paulo, Centro Cultural São Paulo; Coprodutores: Gianni Barcelloni, RAI - Radiotelevisione Italiana; Diretor: Glauber Rocha; Diretor de fotografia e câmara: Luis Carlos Saldanha; Som direto: José Antonio Ventura; Sincronização: Raul Garcia; Montadores: Tineca e Mireta; Laboratório de imagem: Líder Cine Laboratórios; Elenco: Odete Lara - mulher; Hugo Carvana - marginal Branco; Antonio Pitanga - marginal negro; Eduardo Coutinho - ativista; Rogério Duarte, Hélio Oiticica, José Medeiros, Luís Carlos Saldanha, Zelito Viana e o pessoal do morro da Mangueira, Rio de Janeiro.
(Fonte: Tempo Glauber)

Mais sobre Luiz Rosemberg Filho
rosemba1@gmail.com

POLÍTICA


''J''ACCUSE''

Turismo é arte, amor à pátria, aptidão, bom gosto, etiqueta e, sobretudo, técnica de administração especializada nesse tema tão em voga e hodierno. Turismo nada tem que ver com festas de aniversários em... motéis. E por falar em turismo, acabo de ler que "cai o 5º Ministro de Dilma" e que o "PMDB oferece(à presidente) oitenta nomes para a vaga(Estado, 15/9). Entretanto, eu "duvideodó" que um desses oitenta tenha pelo menos um dos atributos que acima eu citei. Agora, para arremedar Zé Dirceu, o "formador de quadrilhas", tenho certeza que qualquer um deles tem forte maneirismo. Como há males que vêm para o bem, eis aí ótima oportunidade para a presidente indicar e convocar, patrioticamente, alguém que tenha sido formado em uma boa faculdade especializada, com mestrado e doutorado profissionais e que seja preferencialmente apartidário, ou que então jogue o jogo dos interesses da nação e não dos bolsos de "A, B ou C" e, até mesmo, de "L". Duvido, também, que dos oitenta deputados federais do PMDB ofertados como mercadorias à presidente Dilma, ao menos trinta não apoiassem esse ato corajoso e de respeito de S. Exia. Acredito, piamente, que toda a oposição aplaudiria a presidente e que, como consequência, ela deixaria de implorar apoios de sua própria bancada e de todos os partidos da situação. Visível e excessivamente perceptível o fato de que Dilma é refém de um Congresso asqueroso e perverso. Essa reação seria uma maneira inteligente e correta de, mais do que de ninguém, livrar-se de Lula e do PT, também. Concretizando-se meu devaneio - estou ciente, sim, que meu desiderato não passa de um oásis imaginário - estaríamos testemunhando o surgimento do "mensalão" do bem, da dignidade e do resgate de nossa hoje vilipendiada nação. Como disse Émile Zola em seu artigo "J''accuse", sobre o caso Dreyfus, em 13 de janeiro de 1898 no jornal francês "L''Aurore", e como digo eu aqui e agora, ainda no meu inocente devaneio: "Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice."( Meu dever é falar, não quero ser cúmplice). Afinal de contas de quem é o ministério? Da presidente da República Federativa do Brasil, dos partidos políticos ou delle?

João Guilherme Ortolan guiortolan@gmail.com
Bauru

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A MAIOR USINA SUJA SERÁ EM PERNAMBUCO


A maior usina suja do mundo será em Pernambuco
Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco


Já esta se tornando lugar comum, com toda pompa e marketing político, os anúncios bombásticos feito pelo governador de Pernambuco a respeito da chegada de novas empresas que vem para aqui se instalar, quase sempre em alguma cidade no entorno do complexo industrial e portuário de Suape.A imprensa saúda o progresso chegando, o dinamismo da economia pernambucana. Três palavras chaves são abusadamente utilizadas e propagandeadas aos quatro ventos, justificando e anestesiando a população em geral e os setores da elite local, que de dia cantam loas a necessidade de proteger a natureza, o meio ambiental, mas na calada da noite, estimulam, promovem e saqueiam as matas, os rios e o ar que respiramos. Progresso, criação de postos de trabalho e geração de renda, bendita seja esta tríade que consegue calar toda uma população, e consentir que a geração futura pague um alto preço pela irresponsabilidade de alguns, mas com o consentimento de muitos.Pernambuco é um exemplo de que estamos acelerando em marcha a ré, na contra mão de oferecer melhor qualidade de vida ao seu povo, e perdendo a oportunidade de mudar o paradigma atual, baseado no chamado “crescimento predatório”, que utiliza argumentos do século passado de que o “novo ciclo de desenvolvimento (?)” é a “redenção econômica do Estado (?)” e assim exige o “sacrifício ambiental”. Palavras entre aspas ditas pelos gestores públicos que tentam confundir, como um discurso pela busca de sustentabilidade entre empresas e governo, mas que aumenta o consumo e a produção de energia suja.Não bastasse a devastação dos últimos resquícios de mata atlântica, de manguezais, das florestas naturais, da poluição dos rios, agora o Estado atrai e apóia a instalação de termoelétricas a óleo combustível, o combustível mais sujo para produzir eletricidade dentre os derivados de petróleo, perdendo somente para o carvão mineral no ranking de maior emissor de gases que provocam o efeito estufa, ou seja, o aquecimento global, correspondente ao aumento da temperatura média da Terra causador das temidas mudanças climáticas.A termelétrica anunciada com a maior usina do mundo que pretende se instalar no Cabo de Santo Agostinho terá uma potência instalada de 1.452 MW, ou seja, a metade da hidroelétrica de Xingó, produzirá anualmente, caso funcione ininterruptamente, em torno de 8 milhões de toneladas de CO2. Além de outros gases altamente prejudiciais a saúde humana. Este cálculo estimado é possível, levando em conta que para cada 0,96 m3 de óleo consumido na termelétrica, 3,34 toneladas de CO2 são produzidos, segundo a Agência Internacional de Energia. Já para a termelétrica Suape II, que tem mais de 70% das obras construídas, infelizmente também no município do Cabo, a emissão anual desta instalação será de pelo menos 2 milhões de toneladas de CO2. Portanto no município vizinho a Recife, no Cabo, estas duas usinas em funcionamento emitirão em torno de 10 milhões de toneladas de CO2, pouco menos de 1 milhão de toneladas mensalmente, e pouco mais de 30.000 toneladas por dia. Será que é este o “desenvolvimento” desejado pelos habitantes do Cabo e de Pernambuco?
Este tipo de instalação industrial que para produzir eletricidade queima óleo, semelhante ao utilizado para movimentar navios, esta tendo enormes dificuldades em conseguir se instalar no sul/sudeste do país, devido às dificuldades impostas para obterem as licenças ambientais, necessárias para tal empreendimento. Acabam vindo para nossa região, pois aqui é conhecida a frouxidão dos órgãos estaduais responsáveis pelo controle, fiscalização ambiental, conservação e recuperação dos recursos naturais, tais como a Agência Pernambucana de Meio Ambiente – CPRH, ligada a recém criada Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade.Fica mais uma vez demonstrado que em Pernambuco o crescimento econômico não combina com preservação ambiental. O atual governo do estado dá sinais claros de sua total falta de compromisso com as questões ambientais e com as gerações futuras, que sem dúvida é o maior desafio atual de nossa civilização.Enquanto aqui se perpetua um modelo de crescimento econômico predatório, insustentável, alicerçado no uso de combustíveis fósseis, inimigo número 1 e responsável maior pela emissão dos gases de efeito estufa, o mundo discute como acelerar o uso de fontes renováveis de energia (solar, eólica, biomassa, energia dos oceanos) para atender a sua demanda energética.com menor agressão ambiental.ENVIADO POR JULIO FERREIRA/RECIFE-PE - tela:leger

terça-feira, 13 de setembro de 2011

ADRIANA MANARELLI


Mosaico
(Adriana Manarelli)

Cara pintada —
Escassez —
Plumagem de vísceras:
Insignificâncias
Devoram-me.
Lampejos
Chafurdam em meus rabiscos
Ladino plano de retratos.
Festa do tabernáculo,
Minha libertação.

Indolente, pronta para entorpecer,
Anestesiada
Acomodando a fumaça.
Aranha tecendo
Tesselas medulares,
Nó cego,
molas,
Engrenagens.

Vírus de folhas,
Atrito
De matizes
Luxúria, luxúria descambando
Detritos: conchas e vidros
O estranho-íntimo e seus relevos e contornos.

24 - 25 / 08/ 2011 tela:monet

POLÍTICA


ESTADÃO ONLINE - SP

NA CRISTA DO MENSALÃO

Enquanto o prazo para o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar os quadrilheiros do mensalão se afunila e a sociedade exige resposta, Marcos Valério, que é um dos réus abandonados pelo PT, insiste que Lula foi o maior beneficiado dessa corrupção ocorrida em seu governo e que também deveria ser investigado. O que não deixa de ter razão. Já José Dirceu, Delúbio Soares e muitos outros camaradas do petismo que participaram ativamente dos desvios de recursos públicos do citado episódio não colocam a boca no mundo, como o Valério faz, porque o partido lhes dá aconchego e livre trânsito para se candidatarem a novos pleitos e negociatas, como é o caso cristalino do Zé... Essas passeatas contra a corrupção que ocorreram em 7 de Setembro deveriam ter endereço certo, como o "fora Lula", porque ele foi e continua sendo o pai dessa esbórnia!

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com São Carlos

GENESIS


Rock progressivo:

Genesis, um marco do Rock inglês

Collins e Gabriel, vozes e almas diferentes, mas fadadas ao sucesso.
Por Antônio Siqueira*
Do Rio de Janeiro
Para Via Fanzine


Peter Gabriel, Tony Banks, Phil Collins, Steve Hacket
e Mike Rutherford: Genesis em sua melhor formação.


O INÍCIO - Os Genesis gravaram o seu primeiro álbum From Genesis to revelation em 1968, depois de fazerem um acordo com Jonathan King, um compositor e produtor que teve um single nas alturas, chamado Everyone’s gone to the moon. A banda gravou uma série de músicas refletindo o estilo pop-soft dos Bee Gees, de quem King era grande admirador.
King então juntou estas músicas num pseudo-álbum conceitual acrescentando arranjos de cordas. O álbum foi um terrível fracasso, sobretudo, porque, graças ao nome da banda, foi confundido com bandas evangélicas nas lojas de discos da Inglaterra. A banda, sentindo-se manipulada por King e se separou dele, quebrando o contrato. Até hoje King é abominado pela banda e seus fãs, no mais, pelo fato de dizer que foi ele quem nomeou o grupo e por lutar pelos direitos do primeiro álbum para regravação.
A marcha dos Genesis continuou, apresentando-se ao vivo onde conseguiam e acabaram por fazer outro contrato, então com a Charisma Records. Devido às atuações ao vivo a banda começou a ser conhecida por melodias hipnóticas, que eram muitas vezes, escuras, assombradas e com uma sonoridade medieval.
PRIMEIRAS MUDANÇAS - O guitarrista Anthony Philips deixou a banda em 1970, logo depois do lançamento de Trespass, devido a discordâncias quanto ao rumo que a banda estava a seguir e por episódios ligados ao seu “medo do palco”. A partida de Phillips foi bastante traumática para Banks e Rutherford que, devido ao fato de Phillips ser um membro fundador, tinham dúvidas sobre se deveriam ou não continuar sem ele.
Eventualmente os membros restantes reuniram-se e renovaram o compromisso com os Genesis e afastando John Mayhew do acordo. Steve Hackett e Phil Collins juntaram-se ao grupo, após terem respondido a anúncios no Melody Maker e realizado audições com sucesso. Em 1971 produzem o antológico Nursery Crime.
Em 1972 lançam o álbum Foxtrot contendo a faixa de 23 minutos Supper’s ready e Watcher of the skies, inspirado em Arthur C. Clarke. A reputação dos Genesis como compositores e intérpretes foi solidificada. A presença em palco era extravagante e teatral e o vocalista Peter Gabriel envolvia numerosas mudanças de vestuários e histórias surreais contadas como introdução para cada música.
Eles inovaram e fizeram da banda uma das mais comentadas no princípio dos anos de 1970, principalmente no que se refere às apresentações ao vivo. Selling England by the Pound é produzido em 1973 e aplaudido tanto pela crítica como pelos fãs por quem é normalmente considerado o melhor trabalho da banda.
Clássicos como Firth of fifth e Cinema Show seriam peças fundamentais nos concertos da banda durante muitos anos. Eles depressa se aventuraram num projeto muito mais ambicioso: o álbum duplo conceptual The lamb lies down in Broadway, lançado em novembro de 1974. FONTE: VIA FANZINE

YES


Magia musical que atravessa décadas

Banda foi precursora e das que mais incrementou
a música experimental e progressiva.
Por Pepe Chaves*
De Itaúna-MG
para Via Fanzine

Howe, Anderson, White, Squire e Wakeman.
SIM – Fundado em 1968 por Christian Squire e Jon Anderson, o grupo de rock progressivo inglês Yes, que atravessou décadas, tem seu lugar reservado na história da música mundana do Século 20. Diversas são as razões para tanto, mas podemos citar a priore, o timbre único e inimitável da voz de seu vocalista, Jon Anderson. O tom soprano de sua voz chega às mais altas dimensões da música terrena. Outras razões que credenciam o grupo Yes a um lugar ao sol na história da música contemporânea seria a versatilidade de seus músicos e o desprendimento de suas canções que, por vezes, duravam mais de 20 minutos cada uma.
O Yes era um grupo de jovens cabeludos do interior inglês nos anos 70, porém, altamente ousados em seus instrumentos e trazendo em suma, a versatilidade do jazz, transmutada no virtualismo dos músicos. O Yes era uma banda cuja imagem sempre foi associada ao pacifismo, às causas sociais, ao vegetarianismo, proteção aos animais e, enfim, a um mundo melhor e mais justo a todos.As apresentações da banda, das quais este escriba teve a felicidade de assistir a duas delas no Brasil (Rock in Rio, 1984 e BH, 1998) sempre deixavam o público em êxtase. O palco se tornava um cenário de magia para a voz única de Jon Anderson e o debulhamento literal do baixo de Squire, sob as batidas marcantes da batera de Alan e o lençol sonoro e irrequieto do teclado de Kaye ou Wakeman, flertando com as estripulias das guitarras de Howe, além de seus backings. O Yes, é uma banda ímpar, cuja mensagem sonora somente foi entendida por uma pequena parcela do público, mas muito bem entendida.
Primeiro Yes: Peter Banks, Tony Kaye, Chris Squire, Bill Bruford e Jon Anderson
Rick Wakeman era considerado a grande estrela do grupo, seu visual insólito, trajando uma capa furta-cor cintilante e seus cabelos longos e dourados remetia à semelhança dos mitológicos santinis, viajantes interplanetários narrados pela ufologia.Sob luzes e muito som, o mago das teclas musicais esbanjava virtualismo e contagiava a todos quando pegava seu keytar (teclado/guitarra) e se juntava ao resto da banda no palco.Howe, naturalmente se parece um duende e, em certas apresentações se vestia semelhante a tal. Um músico de formação erudita que juntou seu conhecimento à música pop e ao rock progressivo, arrancava aplausos e uivos em suas pequenas apresentações solo com o violão, durante o show do Yes. Esbanja técnica, precisão, velocidade e caras e bocas; creio se tratar do maior nome da guitarra pós-Hendrix. Anderson era uma espécie de “espírito cantor” que cruzava o palco a gesticular com sua voz angelical, alcançando tonalidades altíssimas. Geralmente usando figurino bem original, participava também como músico fazendo percussões e violão em determinadas canções. Squire esnobava em suas performances desprendidas e total domínio de seu instrumento: saltava, corria, sorria, dançava e ainda fazia backing vocal. White dava a marcação compulsiva em sua bateria precisa e mutante, qual coração pulsando do grupo.
SINUOSA HISTÓRIA - Diz a lenda que tudo começou quando, Jon Anderson e Chris Squire, vindos do interior da Inglaterra, eram colegas de trabalho num restaurante vegetariano em Londres. Conversando diariamente, descobriram algo em comum: eram fãs de música americana, sobretudo, Simon & Garfunkel. Começaram a ouvir músicas e trocar planos musicais e brevemente resolveram fundar uma banda, que passou por alguns outros nomes, até se chamar Yes. Nesta altura, resolveram que Jon Anderson seria o vocalista. O tecladista recrutado foi um amigo deles, Tony Kaye, que tocava muito bem, mas na verdade só entrou na banda porque era o único conhecido que possuía um teclado. Chris Squire resolveu tocar baixo, instrumento que dominou completamente em pouco tempo. Para a guitarra, convidaram outro amigo, Peter Banks, e na bateria um estudante de arquitetura, o desconcertante Bill Bruford.
Com esta formação, após assinarem um contrato com a Atlantic Records o Yes gravou seu álbum de estréia, intitulado apenas Yes (1968) e também o segundo, Time and a Word (1969). Começaram a fazer shows no interior da Inglaterra e logo estavam excursionando por toda a Europa, para mais tarde invadirem as paradas americanas, em meio às metamorfoses ocorrendo dentro da banda, remontando distintas formações ao longo de sua história.