quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

CINEMA


O ANO PASSADO EM MARIENBAD
Tempo e Memória

Guido Bilharinho

Quando se pensava o cinema ter atingido patamar superior de realização com Hiroshima, Meu Amor (Hiroshima Mon Amour, França, 1959), o primeiro longa de ficção de Alain Resnais (1922-), em que linguagem e ficção, forma e tema fundem-se na recuperação do tempo e da memória, de conteúdo e significado, eis que dois anos após surge O Ano Passado em Marienbad (L’Année Dernière à Marienbad, França, 1961), do mesmo diretor.
Nele, o procedimento estético-ficcional posto em prática em Hiroshima radicaliza-se imageticamente, alcançando meios e modos requintados de exploração formal e temática, subvertendo (e invertendo) o tempo e confundindo o espaço.
À época esse processo cinematográfico provocou impacto e desnorteamento, tal a complexidade metodológica e intelecto-racional adotada (e aplicada), influenciando a linguagem do cinema daí diante, de modo que, com o tempo, pôde-se pouco a pouco assimilá-la, com ela se acostumando.
Mesmo com o hábito e a necessidade (ou vezo) de se tentar diante de obra de ficção acompanhar e compreender a trama e o drama que encerra e conduz, o que primeiro aturde o espectador no filme é o esplendor visual decorrente da sofisticada utilização da câmera na seleção de seu objeto e na perspectiva da angulação e enquadramento a que é submetido com o intuito de produzir beleza estética cinematográfica daquilo que, por si, visualmente, já é belo.
A mesclagem dessas realidades estéticas, conduzida por desenvolta percepção racional e apurada sensibilidade, resulta em molde que sintetiza dialeticamente o estático (o objeto filmado) e o movimento de sua imagem num processo equivalente à visualização e movimentação do olhar humano.
Contudo, não do comum (e geralmente desatento e deseducado) olhar que enxerga, mas, não vê e nem percebe a beleza observada em sua plenitude.
Resnais, adentrando o portentoso hotel, não se limita a expô-lo na voluptuosidade barroca de seus corredores, escadas, galerias, salas, salões, quartos, tetos, painéis, adornos, lustres e portas. Com isso, e mais que isso, infunde-lhe beleza imagética ao extraí-la e exibí-la diretamente dos próprios objetos e ambientes captados.
O rigor que fundamenta e dirige sua ação e prática é o mesmo com que introduz o ser humano nesse espaço recortado da realidade privilegiada por sua valorização estética.
A princípio, as personagens, imóveis e hieráticas, compõem os amplos recintos focalizados apenas como adornos de sua visualidade.
Aos poucos, porém, mas sincopadamente, é-lhes infundido movimento em ritmo e conformidade com sua inserção estético-composicional no ambiente.
Onde há ser humano há vida, emoção, memória, relacionamentos e problemas.
A triangulação amorosa procedida no filme, por força da sutileza de sua elaboração, é submetida, antes de tudo, à poetização tão sofisticada, quase certamente ímpar no cinema, tais a delicadeza e a beleza de sua construção, articulação e condução.
A depuração formal resultante dos movimentos e angulações da câmera e dos enquadramentos das imagens combinada com o refinamento estrutural e procedimental do relacionamento entre os protagonistas num jogo sensorial e verbal que subverte e inverte tempo e memória e os confunde num bloco sintagmático único, porém, dinâmico, atingem no filme a máxima possibilidade estética e racional.
Se o desnorteamento inicialmente provocado pelo filme foi anabolizado, racionalizado e compreendido, a beleza nele e por ele produzida (objetivo e finalidade da arte) mantém-se íntegra e incólume às flutuações do tempo e dos humores humanos, do mesmo modo que a complexidade de sua formulação intelectual e a criatividade e inventividade de sua elaboração cinematográfica, bem como - e ainda - a potencialização das possibilidades sistêmicas da arte cinematográfica na criação de beleza estética que, juntamente com a alta formulação teórica e os avanços científicos, constituem as extremas possibilidades humanas.
(do livro O Filme Dramático Europeu, editado pelo Instituto Triangulino de Cultura em 2010-www.institutotriangulino.wordpress.com)
Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba, foi candidato ao Senado Federal e editor da revista internacional de poesia Dimensão, sendo autor de livros de literatura, cinema e história regional.
(Publicação autorizada pelo autor)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

MALTRATAR ANIMAIS É CRIME!

ALMANDRADE


Almandrade

(esculturas, objetos, pinturas, desenhos, instalação e poemas visuais)
caixa cultural
praça da sé são paulo
de 03 de dezembro / 2011 a 26 de fevereiro / 2012

A mostra é constituída de diversos suportes utilizados por Almandrade.
São trabalhos elaborados dentro de princípios e critérios que vêm
direcionando a produção do artista, por quase quatro décadas. “O
Almandrade capricha nas miniaturas de suas criaturas, cuja nudez
implica mudez, límpido limpamento do olho artístico, já cansado da
fantástica história da arte deste século interminável, deste milênio
infinito.” (Décio Pignatari, 1995). Século que já é passado. O
importante é mostrar, mesmo de forma abreviada, o percurso do artista
. A coerência e o rigor do artista em lidar com diferentes suportes,
incluindo a palavra (poesia), fazem de Almandrade, um pensador que se
utiliza desses suportes para produzir reflexões.

A proposta artística de Almandrade convida o espectador a pensar sobre
a própria natureza da arte. Depois da passar pelo concretismo e arte
conceitual nos anos 70, seu trabalho prossegue na busca de uma
linguagem singular, limpa, com um vocabulário gráfico sintético.
Aparentemente frias, suas construções estéticas impressionam pelo
rigor e pela leveza de suas concepções, marcadas pelo exercício de um
saber ao lidar com formas, cores, a matéria e o conceito. Provocam
emoções variadas conforme o ponto de vista do observador. Que ninguém
duvide: a economia de elementos e de dados não se dá por acaso,
configura uma opção estética, inteiramente coerente com a tendência a
síntese, ao traço essencial, ao quase vestígio. Um nada, cuja gênese
reside na totalidade absoluta. Assim também é a sua poesia.

Esta exposição é um recorte do seu trabalho elaborado em mais de três
décadas de utilização do objeto de arte para estimular o pensamento e
provocar a reflexão, segundo critério fundamentados na racionalidade,
na materialidade e, não por acaso, na economia de dados, sem deixar
que conceitos sobreponham ao fazer artístico. Almandrade compromete-se
com a pesquisa de linguagens artísticas que envolve artes plásticas,
poesia e conceitos. No percurso do artista destaca-se a passagem pelo
concretismo e a arte conceitual, nos anos 70, o que contribuiu
fortemente com a incessante busca de uma linguagem singular, limpa, de
vocabulário gráfico sintético. De certa forma, um trabalho que sempre
se diferenciou da arte produzida na Bahia.

O trabalho de Almandrade, tanto pictórico quanto linguístico, vem se
impondo, ao longo de todos esses anos, como um lugar de reflexão,
solitário e à margem do cenário cultural baiano. Depois dos primeiros
ensaios figurativos, no início da década de 70, conquistando uma
Menção Honrosa no I Salão Estudantil, em 1972, sua pesquisa plástica
se encaminha para o abstracionismo geométrico e para a arte
conceitual. Como poeta, mantém contato com a poesia concreta e o
poema/processo, produzindo uma série de poemas visuais. Com um estudo
mais rigoroso do construtivismo e da Arte Conceitual, sua arte se
desenvolve entre a geometria e o conceito. Desenhos em preto-e-branco,
objetos e projetos de instalações, essencialmente cerebrais, calcados
num procedimento primoroso de tratar questões práticas e conceituais,
marcam a produção deste artista na segunda metade da década de 70.

Redescobre a cor no começo dos anos 80 e os trabalhos, quer sejam
pinturas ou objetos e esculturas, ganham uma dimensão lúdica, sem
perder a coerência e a capacidade de divertir com inteligência.

Um escultor que trabalha com a cor e com o espaço e um pintor que
medita sobre a forma, o traço e a cor no plano da tela. A arte de
Almandrade dialoga com certas referências da modernidades,
reinventando novas leituras.

O artista ainda completa “É permitido o devaneio, e ele dá sentido
àquilo que vê”.

. Artista plástico e poeta, formado em arquitetura, ele se mostra um
artista versátil dentro de sua proposta. Nos seus quase quarenta anos
de carreira nas artes visuais caminhou pelo desenho, pintura,
escultura, instalações e poesia. Transita entre a bi e a
tridimensionalidade, entre a imagem e a palavra de forma fluida. A
metamorfose de uma para outra às vezes não se completa e mesmo
observando duas formas de expressão distintas elas parecem falar a
mesma língua.

Almandrade é o nome artístico de Antonio Luiz M. Andrade, Artista
plástico, poeta, arquiteto com mestrado em Urbanismo, pela Escola de
Arquitetura da Universidade Federal da Bahia, é considerado pela
crítica como um pioneiro da arte contemporânea da Bahia., participou
de importantes mostras nacionais e internacionais como Bienal de São
Paulo. Experimentalista assumido, Almandrade vem se comprometendo com
a pesquisa de linguagens artísticas desde l972, onde ora se envolve
com as artes plásticas, ora com a literatura. Poeta da arte e artista
da poesia. Realizou mais de trinta exposições individuais em várias
capitais, autor do livro de poesia “Arquitetura de Algodão”, “Escritos
sobre Arte” e “Malabarismo das Pedras” (poesia). É um dos principais
divulgadores e crítico da arte contemporânea no Brasil. Ou melhor, um
defensor da arte como instrumento de pensamento e não entretenimento.
Almandrade (Antônio Luiz M. Andrade)

ESPORTE CLUBE NOROESTE


Elenco retorna aos treinos e conhece novo treinador

Jogadores do Alvirrubro voltaram aos treinos nesta segunda-feira

O elenco do Noroeste voltou aos treinos na tarde desta segunda-feira (05/12). Logo após ser apresentado à imprensa, o técnico Amauri Knevitz e os demais membros da Comissão Técnica foram apresentados aos jogadores noroestinos. Pouco depois, os atletas passaram por um treino físico sob a orientação do preparador físico Robert Yoshio.
Treinaram neste primeiro dia de trabalho os goleiros Nicolas, Yuri e Welliquem, os laterais Betinho, Mizael, Thiago e Pedro, os zagueiros Marcelinho, Jean e Wesley, os volantes Juninho, França, Tiago Ulisses e Leonardo, os meias Nathan e Rodrigo Carioca e os atacantes Daniel Grando, Vitor Hugo, Mariano e Henry López.
Liberações
Seis atletas já haviam sido liberados após o final da Copa Paulista: os zagueiros Cris e Bruno Lopes, os meias Altair e Da Silva e os atacantes Anderson Cavalo e Renam. Nesta segunda-feira, a diretoria confirmou que o volante Tales e o meia Felipe Barreto não terão seus vínculos renovados com o Alvirrubro. O goleiro André Luis e o lateral-esquerdo Gustavo também não ficarão para a disputa da Série A-2 de 2012.
Esporte Clube Noroeste
Assessoria de Comunicação
Contatos para a imprensa:
Thiago Navarro – MTB: 61737/SP
Telefone: (14) 9685-1951
E-Mail: imprensa@noroestebauru.com.br

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

CINEMA


TUPAC AMARU

Dia 8 de Dezembro (quinta) às 20 horas
Local: Cinemateca Brasileira
Direção: Federico García Hurtado
Elenco: Reynaldo Arenas, Zully Azurin, Carlos Cano de la Fuente
Origem: Cuba | Peru
Duração: 95 min
Legenda em português
Ano: 1984

O filme conta a história de um herói da luta pela libertação da América Latina. Tupac Amaru liderou uma revolta popular que abalou os alicerces da dominação colonial e oligarquica. Derrotado, preso, torturado, foi brutalmente assassinado em 1781. Considerado um dos mais importantes filmes políticos da América Latina, recebeu o prêmio da Associação de Cineastas Latino-americanos em Havana (1985) e a Menção Honrosa no Festival de Cinema de Londres (1986). Co-produzido com o Instituto Cubano del Arte y la Industria Cinematográficos (ICAIC), contou com a participação de organizações populares de Cusco no Perú.
Federico García Hurtado iniciou sua carreira nos anos 1960 com Huando, Tierra sin patrones e Inkari. Em 1975 dirigiu Donde nacen los cóndores. Outro destaque de sua obra é “Melgar, sangre de poeta” (1982), que trata da vida de outro herói independentista. Mais recentemente esteve à frente da produção da mini-série chamada “El Amauta” sobre a juventude do líder comunista peruano José Carlos Mariategui.

ADRIANA MANARELLI


Yule
(Adriana Manarelli)

Nas nuvens azuis recosto-me:
Pedaço de minha carne,
Pinheiros e bolas coloridas
Devolvem-me muitos anos.
Por um prato de lentilhas
Vendi minhas bençãos
E tudo o que me resta
É areia e sal.

Caminho no fio da navalha.
Todo o meu mundo é silêncio.
E o escaldar da chama eterna
Que dia após dia me consome
Meu cardo em coroa
Nesse nevoeiro zonzo
Da nítida fome que me envolve

Neste mês cor de papoula
Debaixo de sete palmos bate meu coração, respira meu pulmão
Alucinados contextos, húmus da carícia.
Sobre a parreira repousa minha pulsação
Naquela alameda o meu índigo racemo.
Um rosto verruguento devora meu caminho
Lambe minha prata: meu chiqueiro.
Sagrados são os laços vermelhos
O resto é insignificante: Eu traço cada vírgula no horizonte
Cada ponto sob o meu joelho.

03/ 12/ 2011

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

JULIANA MACHADO FERREIRA


One Woman's Fight to Keep Brazil's Wild Birds Aloft
Posted: Mon 10/31/2011 02:06 AM | By: Laura Kiniry
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Photo: Courtesy of SOS FAUNA
Photo: Courtesy of SOS FAUNA
Biologist Juliana Machado Ferreira is working to keep bird populations aloft.

With more than 1,800 native avian species, Brazil is home to one of the most diverse bird populations on the planet. But each year, poachers capture hundreds of thousands of birds—including red-cowled cardinals, green-winged saltators, and buffy-fronted seedeaters—to sell as pets in towns and cities like São Paulo and Rio de Janeiro. Luckily, Brazilian police are able to rescue many of these birds from homes, fairs, and cargo trucks—which is where 31-year-old doctoral student Juliana Machado Ferreira comes in.

A volunteer with wildlife organization SOS FAUNA, which aids law enforcement in their efforts against poachers and rehabilitates seized creatures, Ferreira is studying ways for science to ensure these rescued birds are returned to their home forests. Releasing the birds in the wrong place—and mixing animals from separate genetic populations—could lead to outbreeding depression, a phenomenon that can result in offspring that are poorly adapted to their environment. "By constructing a bird's genetic profile through DNA extraction and comparing it to the genetic populations within a species, I hope to determine its likely origin," Ferreira says. "That's the first step in reintegrating it."

Photo: Courtesy of SOS FAUNA
Photo: Courtesy of SOS FAUNA
On a typical day in the field, Ferreira ventures out on predawn trips into Brazil's forests and savannas—where she risks coming face-to-face with the armed poachers she's battling—to collect blood samples. She also spends part of the year at the U.S. Fish and Wildlife Service's National Forensics Laboratory in Ashland, Oregon; a sort of CSI for animals, it's the world's only scientific lab devoted entirely to solving crimes against wildlife. Ferreira hopes to establish a similar lab in Brazil to further her fight against this mostly undocumented environmental crisis, which threatens more than just the exploited birds. "When a species is regularly taken from the wild," she says, "over time the effect can unbalance the entire ecosystem." For the brainy and passionate Ferreira, winning this war might just be in the genes.

Read more: http://www.oprah.com/blogs/One-Womans-Fight-to-Keep-Brazils-Wild-Birds-Aloft#ixzz1fIJhdqhT