quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

ADRIANA MANARELLI


Teia
(Adriana Manarelli)


Me recordo
O olho celeste
E a prata e a lavanda e a alfazema
Que por mais preciosa
Nenhuma joia hoje
Terá maior valor.
Minhas tripas são de uma pulsação de fogo e gelo
E somente meu cacho de mogurim
Para sempre em mim
Perdurou.

Beldade?
Entulhos, pocilga
Escaramuças, larvas
Do pó ao pó.
Enquanto essa carne patética se alimenta
O coração, Paganini, te arrebenta.

Toda manhã o olho escaldante e minha flor de maio
São minhas primevas relações.
Espasmos banais que nanam as queimaduras expostas
De primeiro grau
Dessa rede ancestral
Vínculo vital de centúrias feminas
Vibram o núcleo do qual posso me fartar
Com a única célula indivisível.

25/ 12/ 2011- TELA: CHAGALL

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

ESPORTE CLUBE NOROESTE


PROGRAMAÇÃO SEMANAL DO ESPORTE CLUBE NOROESTE

EQUIPE PROFISSIONAL
26 DE DEZEMBRO A 01 DE JANEIRO
Segunda-feira – 26/12
17h – Treino Físico (Estádio)
Terça-feira – 27/12
8h30 - Academia
16h – Treino (CT)
Entrevista - Amauri
Quarta-feira – 28/12
8h – Treino Físico
16h – Treino (Estádio)
Quinta-feira – 29/12
15h30 – Academia e Treino Técnico (Estádio)
Sexta-feira – 30/12
8h – Academia
16h – Treino (Estádio)
Entrevista - Amauri
Sábado – 31/12
8h30 – Treino Físico (CT)
Domingo – 01/01
Descanso
Reapresentação do elenco no dia 02/01 (segunda-feira), às 9hObs: A programação poderá ser modificada conforme necessidade da Comissão Técnica

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

CELSO LUNGARETTI


REFLEXÕES SOBRE A MORTE DE UM TIRANO

Celso Lungaretti (*)

Nas pegadas de Stálin: assim se cultuava a
personalidade do ditador que já foi tarde.

Pelos motivos que vou expor adiante, nunca me interessou particularmente o que acontecia na Coréia do Norte. A idade me ensinou a manter distância daquilo que só me deprimirá.

Mas, para os interessados, recomendo a ótima análise de Elio Gaspari em sua coluna Já foi tarde (acesse íntegra aqui) da qual destaco estes parágrafos estarrecedores:

"Em 1945, a península coreana foi dividida entre duas ditaduras. A do Norte, comunista e rica. A do Sul, capitalista e pobre. Nos anos 60, quando se falava em milagre coreano, o tema era a supremacia socialista. Em 1970, todos os vilarejos do país tinham eletricidade.

Passou-se uma geração, o Sul tem uma democracia e o Norte tem uma tirania enlouquecida, que mais se parece com a Spectre do romance de Ian Fleming do que com um Estado. Em apenas quatro anos, entre 1991 e 1995, a renda per capita da população caiu de US$ 2.460 para US$ 719. O regime vive do socorro cúmplice da China.

Falta eletricidade, mas as 34 mil estátuas do Pai da Pátria Socialista são iluminadas mesmo de dia.

A professora Mi-Ran conta que via alunos de cinco ou seis anos morrerem de fome nas salas de aula. Sua turma de jardim de infância de 50 alunos caiu para 15.

Nas casas desse paraíso, uma parede da sala deve ser reservada para o retrato do Líder, que é distribuído com um pano. Fiscais zelam para que nenhuma família deixe de limpá-lo.

A fome dos anos 90 matou entre 600 mil e 2 milhões de coreanos do norte. Em algumas cidades morreram dois em cada dez habitantes. Um médico conta que ensinou mães a ferver demoradamente a sopa de capim. A certa altura, as famílias preferiam que as crianças morressem de fome em casa, porque nos hospitais, onde não havia remédio, faltava também comida".

Um conceito do marxismo clássico que até hoje considero axiomático é do que o destino do mundo se decide nos países com economia avançada, não nos periféricos.

Era nesses que Marx queria iniciar a construção do socialismo, convicto de que arrastariam os demais na sua esteira.

Barricadas parisienses, 1968: os comunistas
franceses preferiram salvar Charles De Gaulle.

Mas, quando foi o reformismo e não a revolução que neles prevaleceu após a revolução soviética de 1917, os apressadinhos correram a trocar o foco, passando a tentar mudar o mundo a partir das nações menos pujantes --o que só gerou decepções e fez brotarem tiranias como cogumelos.

As potências centrais acabam sempre por anular tais arroubos, seja forçando trocas de regime, seja asfixiando tais nações mediante embargos econômicos como o imposto a Cuba.

Muitos, por estarem sendo forçados a socializar a penúria e não a abundância, acabaram descambando para os piores despotismos, como o Camboja do Pol Pot. A palavra de ordem de tais nomenklaturas é a manutenção do poder a ferro e fogo, sobre montanhas de cadáveres.

E os esquerdistas que, desde Stalin, traem a proposta libertária do marxismo e se põem a defender brutais tiranos, tornam execrável a imagem da revolução aos olhos dos explorados das nações prósperas, aqueles que precisaríamos reconquistar para voltarmos a oferecer uma perspectiva revolucionária global, como havia um século atrás.

A mesmerizante indústria cultural burguesa martela dia e noite na cabeça dos videotas que a alternativa ao capitalismo é miséria e chicote.

Os movimentos de contestação de 1968 e anos seguintes foram os últimos que abriram uma possibilidade real de revolução nos países prósperos. Nunca saberemos o que aconteceria se o Partido Comunista Francês tivesse se colocado no lado certo das barricadas, junto aos estudantes e operários jovens que se rebelaram, e não esfaqueando-os pelas costas.

Resta, para nós, a titânica tarefa de recolocarmos a revolução aos trilhos, reentronizando sua componente libertária, sem a qual ela jamais voltará a ser atrativa para os melhores seres humanos --mormente na era da internet!

É impensável, para cidadãos tão ciosos da sua liberdade pessoal como os de hoje, a perspectiva de desperdiçarem esforços na construção de regimes que lhes imporão camisas de força. Tanto quanto em 1968, temos, isto sim, de encarnar a esperança do paraíso agora!

E as terríveis frustrações com o stalinismo (degeneração burocrática da revolução que culminou na volta ao capitalismo e à democracia burguesa) e com o maoísmo (gerador do pior dos mundos possíveis, um capitalismo de estado altamente despótico) servem como sonoro alerta de que a nova revolução terá, obrigatoriamente, de ser global, tanto quanto o capitalismo hoje é global.

O chamado socialismo real implantado em países isolados, nem serviu como estopim para a revolução mundial, nem se manteve... socialista. Na verdade, tornou-se uma caricatura odiosa do socialismo, que melhor serviu à burguesia como espantalho do que para nós como cartão de visita.

É hora de reassumirmos a revolução mundial --e, eminentemente, libertária-- como meta suprema.

* jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

WALDO LUIS VIANA


PT E PSDB:

o bipartidarismo da mentira!



“Só existem dois grupos em verdadeira luta no Brasil:

os que estão roubando e os que querem roubar."

Tenório Cavalcanti



Waldo Luís Viana*

Num país como o nosso, sobre o qual a Justiça Eleitoral afirma ter um regime “hiperpartidário”, com quase 30 partidos, em sua maioria repartições de mero registro de candidatos e negociadores de repartição do horário público eleitoral – encontramos, na prática da esperteza, duas agremiações, quase iguais, semelhantes em tudo nos costumes de seus dirigentes, brigando entre si numa interminável disputa de poder, como se fossem os únicos comensais do butim, com o povo olhando, apinhado atrás dos cordões de isolamento.

O PT, muito hábil, conclama à velha luta entre ricos e pobres, confrontando os engravatados que falam inglês com os barbudinhos da máfia de pelegos sindicais. Agora vem com a mesma estória das privatizações da Vale e das teles como massa de manobra para toldar os escândalos que abalam o seu governo “republicano”. Se isso era tão importante investigar, porque os mandatos de Lula não o fizeram no espaço de oito anos? Por que não houve qualquer devassa pra valer ou mesmo uma CPI qualquer? É muito simples responder: porque, na hora das eleições, era muito mais útil confrontar as privatizações (que o povão não sabe muito bem o que é!) com o perigo de extinção do bolsa-família (benesse que, antes, os petistas denunciavam como meras compensações eleitorais).

Essa manobra de eleger um adversário e bater na mesma tecla, transformando um boato irreal em simulacro de verdade, é tática velha e carcomida da propaganda comunista. Assim fez Stalin, em seus expurgos nos anos 1930, na União Soviética, e Teng Xiao Ping, que em 1976 denunciou ao povo o “bando dos quatro” sobre as sevícias perpetradas durante a revolução cultural chinesa. Isso é tão velho se fazer em política – nomear um só adversário para o povão entender quem é o inimigo – que custa a acreditar como os malandros do PSDB não conseguiram (ou não quiseram!) denunciar e neutralizar a prática brandida pelos petistas.

Por sua vez, o PSDB, e seus adeptos de alta plumagem, não tem programa de governo a oferecer. Apenas um duelo de vaidades, entre dois presidenciáveis, com cada metade do partido (desculpem o pleonasmo!) tentando se equilibrar em cima do muro entre os próximos e eventuais candidatos. Finge-se de oposição, denunciando suavemente o PT, sempre querendo deixar o adversário “sangrar” em busca de uma pretensa “fadiga do material” que jamais acontece.

O partido no poder, temendo perdê-lo, faz habitualmente alianças, mesmo as mais espúrias com a direita oligárquica e os rentistas internos e externos, e se mantém altaneiro em sua posição, distribuindo as conhecidas migalhas ao povão que sinceramente agradece nos períodos eleitorais. De fora ficam somente a educação, a saúde, as estradas, as ferrovias, os portos, o saneamento básico, os aeroportos, a defesa civil, a contenção de encostas e 80 impostos a pagar em troca de quase nada...

Os demais partidos assistem à pantomima como artistas coadjuvantes, pensando em abocanhar um naco da máquina estatal, irresponsavelmente distribuída para compor a tal “base aliada”, que só entra em guerra nas votações do Congresso, quando o seu apetite fisiológico e insaciável é contrariado.

O programa do PT, porém, é muito bem executado: “permanecer a qualquer custo no poder pra ver como é que fica...” E não importam os meios, aliás, ao diabo os princípios!, desde que o Estado continue todo aparelhado pela “nossa gente” e a oposição “a pão e água” – da mesma forma como em outros tempos recomendava Bakunin, outro comunista histórico...

Hoje, entretanto, há ideólogos de esquerda mais perfumados, como Gramsci, que falam da estratégia de conquistar o poder “por dentro”, dinamitando a pretensa burguesia e suas instituições, bem como formulando uma nova hegemonia com os atores sociais que promoveriam a tal revolução, distante mas inevitável, como um demiurgo fatal!

Só esqueceram que atualmente a burguesia é quase toda de esquerda – daquele tipo que chora pelo povo em comício e não quer dar aumento salarial para a empregada doméstica – aparelhista e pelega, prejudicada agora pelos expurgos anti-corrupção que estão atingindo o governo Dilma com um soco no estômago. A corrupção de esquerda, aliás, é bonita, idealista e feita por motivos tão nobres que quase nos fazem chorar. Coitadinhos dos consultores, meu Deus!

Tivemos a divulgação de um livro pela internet, “A Privataria Tucana”, sobre os pecados do ex-presidente tucano e seu mais influente ministro. Ambos atacados duramente pelos adversários, mencionando-se que tenta divulgar fatos fartamente “documentados” e tendenciosos, com o único objetivo de servir como artilharia nas próximas eleições e nos fazer esquecer, como coisa menor, a bandidagem oficial. É impressionante como sempre se encontra um jornalista de plantão para fazer esses papéis!

Assim caminha nosso regime hiperpartidário, que só tem dois partidos de fato, irmãos univitelinos na estratégia de discutir entre eles o comando do país. Nessa briga, o PMDB torna-se o mais esperto, fingindo-se de primo participante e aliado de quem vencer, porque são oligarcas regionais que não precisam possuir a presidência da República para governar. Esse, para quem conhece, é o mesmo esquema da República Velha, que terminou com Washington Luís, e se baseava em partidos regionais. Os demais partidos do imenso leque atual também são apenas partidos de região, com caciques localizados, mas que se organizam nacionalmente por força de nossa legislação cruel e adredemente formulada.

Nesse sentido, jamais teremos reforma política, porque são os mesmos lobos que controlam o galinheiro. E, pelo visto, pela ânsia dos ministros corruptos em não largar o osso, pela luta intestina por cargos, comissões, superfaturamentos e pelo conhecimento de como “funciona o Estado” para melhor roubá-lo e facilitar “os negócios” – a coisa continuará do mesmo modo e nós, atônitos, admirando o negro panorama!

Enquanto isso, o mundo gira e parece que entrou em crise ou recessão. É costume de nossas autoridades dizer ao povo que o Brasil jamais será alcançado por crises e que Deus é brasileiro. Quando vêm as tragédias, os políticos aparecem com paliativos, porque rapidamente elas são substituídas por outras, sempre cíclicas, sempre repetidas e sempre sem solução.

O bipartidarismo da mentira não resolveu nossos problemas, somente nos aproximou da beira do abismo. O problema é saber qual desses dois partidos, num verdadeiro jogo de comadres, irá dar o próximo passo...
*Waldo Luís Viana é escritor, economista, poeta e confessa que, aos 56 anos, se sente cansado de votar. Talvez haja outros desiludidos...

Teresópolis, 14 de dezembro de 2011.

CARTAS


http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,forum-dos-leitores,812774,0.htm
O Estado de São Paulo, 20-12-2011.
Fórum dos Leitores


DIREITOS E DEVERES

Gostaria imensamente de terminar 2011 com aquela mensagem de Natal e Ano Novo. Mas, e há sempre um mas, vivemos no Brasil e, mesmo tentando ignorar a corrupção, as falhas na Saúde, Educação, Segurança, a falta de credibilidade desse Governo e da sua responsável, não posso ficar quieto quando a Câmara aprova mais uma lei (ainda deve ser "discutida" no Senado) que vai colocar mais um obstáculo entre pais e filhos. Temos leis que interferem em tudo nas nossas vidas, desde como acordar até de que lado da cama devemos deitar, passando por todas as variáveis possíveis. Temos uma legislação trabalhista que consegue transformar colaboradores (patrão e empregados) em inimigos irreconciliáveis e dá emprego a milhares de sindicalistas que vivem à custa do trabalho dos outros. Temos um Código de Defesa do Consumidor que não defende ninguém porque não é respeitado, como tantas leis que há por aí. E há mais um montão de gente por aí ganhando sem trabalhar. Temos um Estatuto da Criança e do Adolescente que só serve para descriminalizar os atos de "crianças" de 15, 16, 17 anos e que interfere na educação das crianças de fato. E mais gente ganhando! O brasileiro médio já não gosta muito de educar os seus filhos, deixando essa função para professores e escolas cuja função principal não passa por aí. Além disso, é muito mais fácil reclamar do professor do que educar um filho e, entre outras coisas não há discussão porque todos são contra o professor e a escola. A História nos mostra que sempre que se tenta defender demais uma pessoa ou uma classe social, através de leis específicas, costuma haver o efeito contrário. O próprio ECA é um exemplo disso: após a sua promulgação, a violência praticada por "elementos di menor" foi exacerbada. As leis e as respectivas delegacias de proteção à mulher geraram um aumento da violência contra elas jamais descrito anteriormente. As leis contra a homofobia geraram mais homofobia e até uma certa heterofobia totalmente desnecessárias.
Agora fica a pergunta: se um pai vir o filho de 2 anos colocar os dedinhos na tomada, deve deixar e depois rir do desastre anunciado ou dar-lhe um tapinha protetor para evitar o malfeito?É claro que esta pergunta muito facilmente respondida por qualquer mãe ou pai minimamente consciente mas e se esse pai for a julgamento por "maus tratos", uma figura de linguagem totalmente indefinida? Como se comportará a nossa "Justiça"? Vai depender do sobrenome da família, do saldo bancário, das amizades políticas? Tratando-se de Brasil, tudo é possível!

Ricardo Melhem Abdo ricabdo@gmail.com
São Paulo

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

ARNALDO BAPTISTA


papai noel diferente:o genial ARNALDO BAPTISTA EM DESTAQUE

ARNALDO BAPTISTA & LUCINHA


mensagem de ARNALDO BAPTISTA, ex-MUTATNES, genial compositor e amigo,
e sua esposa LUCINHA, para oos amigos do site telescopio.