sábado, 31 de dezembro de 2011

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

DICAS DO CLAUDIO WILLER


Para ler:

Revista Polichinelo, de Belém do Pará, editada por Nilson Oliveira e Izabela Leal. Mais informações em http://revistapolichinelo.blogspot.com .

Satisfação de participar do n. 13, com artigo, condensação do que tenho pesquisado, sobre Kerouac. Estou em excelente companhia: há ensaios e poesia de qualidade. Encontra-se na Livraria Cultura, entre outros lugares:

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=29183492&sid=18982578213124503796191381 – mas acho que deveria ter muito, muito mais circulação. Completa um ano em que tive a satisfação de sair em boas publicações, impressas ou on line, como O Bule, Celuzlose, etc. E vem mais – logo sai uma revista visionária, Academia Onírica, e estou enviando textos para as indispensáveis Cronópios e TriploV, entre outras.

Para ver:

O irreverente e ao mesmo tempo didático ‘Heróis da decadensia’ de Tadeu Jungle, principalmente levando em conta quando foi feito, década de 1980.

Em http://magiconsundays.blogspot.com/2011/09/piva-74-herois-da-decadensia-sic.html

Há outro programa da Cultura com Piva, se não me engano também por Tadeu, do qual circulam fotos mas que não se acha no Youtube. E tem – tenho em DVD – uma sessão delirante do programa Fábrica do Som dos anos 1980, de Tadeu, incluindo cenas minhas dizendo trechos de Uivo de Ginsberg – mas o DVD tem alguma trava que impede inserção no Youtube. Por enquanto.

BOAS FESTAS

RODEIOS SÃO PROIBIDOS EM 35 CIDADES


Banimento da crueldade
Rodeios já são proibidos em 35 cidades do estado de SP
25 de dezembro de 2011


Um dos vetos recentes ocorreu em Araraquara; capital do Estado
também deixou de permitir esse tipo de evento
Combatidos por defensores de animais, pouco a pouco os rodeios vão perdendo espaço em algumas cidades paulistas.Levantamento feito por entidades a pedido da Folha aponta que, atualmente, a atividade é proibida em pelo menos 35 municípios -incluindo a capital. Em Ribeirão, não existe veto a rodeios.A última cidade a vetar o rodeio foi Araraquara. Por unanimidade de votos, rodeios, vaquejadas ou qualquer tipo de atividades em que os animais possam sofrer violência passam a ser vetados.Assistente puxa o sedém na saída do brete para apertar a virilha do animal na série de montarias que antecedeu a Professional Bull Rider, em Cajamar. Foto: Juca Varella/Folhapress
A proibição ocorreu em setembro, ainda no “calor” das discussões acerca dos acidentes que ocorreram na última edição da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, em agosto. Na ocasião, um bezerro foi sacrificado depois de ter sido imobilizado durante a prova de bulldog.Em agosto, a Promotoria obteve liminares em ações contra a realização da atividade em duas cidades: Espírito Santo do Pinhal e Santo Antônio do Jardim.
Os promotores Fausto Luciano Panicacci e Raul Ribeiro Sora se embasaram em laudos que apontam que várias provas nos rodeios são cruéis e impõem dor e sofrimento aos animais.Além dessas três cidades, as proibições ocorreram também em Sorocaba, Taubaté, Marília e até na capital.A Confederação Nacional dos Rodeios contesta os vetos e diz que os rodeios legalizados garantem a sanidade e o bem-estar dos animais. Tropeiros também dizem que as cidades que vetaram os rodeios não têm tradição nas provas (leia texto nesta pág.).

Refinamento moral
Segundo a professora Sônia Felipe, coordenadora do laboratório de Ética Prática do Departamento de Filosofia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e colunista da ANDA, a proibição significa um refinamento moral da sociedade.
Para a Promotoria e profissionais ligados às entidades de defesa dos direitos animais ouvidos pela reportagem, os frequentadores dos rodeios vão às festas de peão por causa dos shows musicais, e não devido às provas com animais.
“Nas cidades onde foram proibidos os rodeios, não houve alteração na economia local”, afirma Nina Rosa, fundadora de uma entidade de proteção que leva seu nome.
Para a advogada Viviane Alexandre, representante da WSPA (Sociedade Mundial de Proteção Animal), as proibições vão virar tendência. “Esperamos que [os vetos] cheguem à cidade mestra, que é Barretos”, afirmou.
Fonte: Folha

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

NEIL FERREIRA


Vai que o mundo acabe em 2012


Neil que las hay las hay Ferreira


Não é a primeira vez que cito este indiscutível princípio da sabedoria universal, “que las hay las hay”; nem será a última. Com esta firme crença como ponto de partida, atrevo-me a afirmar que acredito em Stephen Hawking, quando prova a inexistência de Deus ao mesclar a teoria do Big-Bang com a da Relatividade, de Einstein; acredito nas profecias de Nostradamus e nas verdades puras que são Papai Noel, Bicho Papão, São Paulo FC e a oposicinha. Acredito no dr. Hannibal “Canibal” Lecter, em OVNIs, ETs, “X Files”, no Conde Drácula, em Nosferatu, no vampirão do Christofer Lee e naquele vampiro com penteado esquisitíssimo, do Francis Ford Copola; acredito no Lobisomem, do Anthony Hopkins.

Não acredito no Lestat, o vampiro repleto de ademanes da Anne Rice, acho-o gay demais para a espécie; vampiro tem que chupar os pescoços das meninas com volúpia, como o de Bram Stoker. Abro exceção para as belíssimas Milarca e Carmila, que quando uma chupava o pescoço da outra o cinema vinha abaixo, em “Rosas de Sangue”, de Roger Vadim. E esses vampirinhos e vampirinhas do bem, da série “Crepúsculo”, são uma ofensa pessoal aos cultores do gênero. Não acredito no SUS, outra ofensa pessoal a quem paga impostos e espera que a cumpanherada devolva-os pelo menos em parte, sob a formas de serviços decentes prestados sem a usual propinodutagem.

O Livro das Revelações do Apóstolo João Batista, também conhecido como Livro do Apocalipse, é o meu livro de cabeceira; nele revelam-se os sinais que anunciam o Fim do Mundo, com as 4 Bestas e seus Cavaleiros na vanguarda.

Crédulo, posso portanto acreditar na previsão do Calendário Maia, que marca 12/12/12 como a data do Fim do Mundo. Os sinais estão todos aí, basta ter olhos para vê-los.

Sendo crédulo, flutuo, quase me afogando, em meio a um encapelado oceano de dúvidas, a mais braba delas é a que não permite distinguir sobre qual dos dois gêmeos idênticos realmente morreu na Líbia, Muhamar al Kadafi ou Cauby Peixoto ?

Abro parênteses para revelar que assisti a um documentário no “History Channel”, mostrando hieroglifos que se supunha explicar o mistério das Grandes Pirâmides. Engano de mais de 4 mil anos, só recentemente corrigido com a descoberta de que confirmavam a profecia Maia do Fim do Mundo. Meus parcos conhecimentos de História não me autorizam a garantir quem confirma quem; se os egípcios confirmam os Maias, ou vice-versa; não sei quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha. Desconfia-se de que essa versão revista e atualizada foi soprada pela Múmia aos ouvidos dos egiptólogos de Hollywwod, Rachel Weisz e Brendan Fraser, durante as gravações do filme “O Retorno da Múmia”, grande sucesso de bilheteria. Suspeita-se que essa Múmia seja tão hollywoodiana quanto os egiptólogos citados. Fecha.

Abro novo parênteses, que prometo ser o último, para deixar bem claro que pesquisei no livro “Os Maias”, de Eça de Queiroz, alguma referência ao Fim do Mundo e nada encontrei, a não ser fofocaiadas da vida de Lisboa, na segunda metade dos anos de 1.800. Esses Maias eram outros, garanto de pés juntos, et pour cause não se fala mais neles. Fecha.

Esse nhe-nhem está aí para eu criar coragem e revelar que o Fim do Mundo já chegou. Quis escrever “tró-ló-ló” mas sobrou-me timidez porque um dos significados que o Aurélio registra refere-se à uma parte do corpo humano, dita “preferência nacional”.

O mundo acabou nos Idos de Março, em 03/03/03, terceiro dia do terceiro mês do terceiro ano do milênio iniciado em 2.000, Primeiro Ano depois de FHC. Não houve necessidade de aguardarmos até 12/12/12.

A saúde nacional foi contaminada pelo bug do milênio, sem que ninguém o percebesse; venderam-nos a idéia de que o bug não existia, existe; e nós sabemos o nome da rosa. Eu que não sou otário, percebi logo nos dois primeiros meses do primeiro ano do primeiro mandato você sabe de quem. As 4 Bestas do Apocalipse , seus Cavaleiro e áulicos chegam e instalam-se com gordas e mensaleiras mesadas, sob o codinome de “base alugada”.

Desnudo-os. A Peste (da Corrupção) a tudo infectou. O Mensalão, então recém-nascido, foi o virus que contagiou a coorte de cumpanheros, entranhada no tecido social, sem anticorpos à vista. Se anticorpos houvessem, seriam desprezados. A Morte (da Verdade), cometida a plena luz do dia por pistoleiros de aluguel, emboscados na mídia amansada e em blogs da internet, a soldo do oficialismo reinante, comprante e pagante. A Fome (de Não Largar o Osso), que rói até as migalhas que sobram do banquete das ratazanas gordas ; a Guerra (Implacável) a quem se recusa à rendição incondicional.

Travamos o Armagedon, a batalha final do Bem contra o Mal; o Mal é mais forte, mais bem armado, mais rico; o Bem entregou a rapadura.

Fugirei para Paris, lá estarei de janeiro a dezembro, ouvindo de longe as notícias do circo pegando fogo, com os olhos escancaradamente fechados para fingir que não vejo o que estou vendo aqui e agora.

Pego oavião no dia 31, umas 8 da noite, sei como será. À meia-noite, o comandante deixa sua cabine para brindar o Ano Novo com alguns passageiros. A aeromoça serve champanhe com caviar, do sistema de som vem música suave e bem educada, que permite às pessoas que conversem e troquem votos de felicidades. Nada de foguetório nem buzinaços.

À mesma hora, meia-noite, o sistema de som da classe econômica explode em foguetório e buzinaços, adrede gravados. A aeromoça serve guaraná morno e, gentil, oferece “Barrinha de cereais, senhora ?”, bem ao gosto da Nova Classe Média (rsrs) do 6º (rsrs) PIB do Mundo.

Acaricio a esperança de ter como última visão do fim do mundo a Carla Bruni passeando a sua bebê pelas belas alamedas do Parque Monceau.

Em novembro, hospedo-me no Hotel Crillon na Place de La Concorde e detono todos os meus cartões de crédito, inclusive os Platinum, na esperança de não os pagar com o Fim do Mundo no mês seguinte; rogo aos deuses Maias que o mundo acabe em barranco, para eu morrer encostado.

Como primeira visão do Outro Lado, vejo a Luz. Aquela que falam que está no fim do túnel. Lá à minha frente, banhados na Luz estourada que quase me cega, vislumbro John Lennon e George Harrison dedilhando os acordes iniciais do doce National Anthem do Admirável (Outro) Mundo Novo; “O sonho não acabou. O sonho começou”, cantam os dois primeiros “velsos”.

Doutores cardiologistas, endocrinólogos, clínicos gerais e anestesistas que me cercam na UTI do Einstein: parem as máquinas, desliguem os botões, não me obriguem a voltar, não me arranquem daqui na marra.

Dou o meu testemunho insuspeito, contrariando Hawking: Deus existe. Olha lá a Brigite Bardot aos 22 anos, só pode ser obra d´Êle; registremos isso com urgência antes que aquele outro Cara apareça por aqui e afirme que é dele a Obra-Prima, como dele é tudo o mais que é feito no mundo, fora o que é produzido pela China.

FELIZ FIM DO MUNDO EM 2012.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

JULIEN DUVIVIER


FILMES DE JULIEN DUVIVIER
Tecnalidade Artesanal

Guido Bilharinho

Desenvolvida de 1927 a 1967, é das mais longas a carreira cinematográfica de Julien Duvivier (França, 1896-1967).
Nem por isso, com isso ou apesar disso, apresenta filmes consistentes ou criativos. Suas marcas relevantes são convencionalismo, linearidade e naturalismo, que significam absoluta submissão à estória, cingindo-se seu objetivo à narrativa de fatos e acontecimentos.
Não obstante tais características, evidenciam-se pelo menos duas qualidades gerais, comuns e permanentes em sua obra e alguns aspectos isolados merecedores de destaque.
A primeira traduz-se na faculdade (e facilidade) de articulação das ocorrências, interligadas por lógica interna que as reúne e une fluente e ritmadamente, permitindo cadenciamento e homogeneidade narrativa. Além disso, ressalta-se a composição ambiental, seja onde estiver agindo suas personagens: na Casbah da capital da Argélia, em O Demônio da Argélia (Pépé-le-Moko, França, 1937), em que os décors internos e as locações externas inter-influenciam-se e complementam-se, situando e enquadrando as personagens, que se integram ao espaço, infundindo-lhe vida e dinamismo; nos esconsos ambientes e no bar de A Cabeça de Um Homem (La Tête d’Un Homme, França, 1932), nos quais os figurantes movimentam-se com a naturalidade própria de vivência espontânea; nos diversificados locais focalizados em La Bandera (Idem, França, 1935), cuja ação, em seu desenvolvimento, abarca o baixo-mundo de Barcelona, na Espanha, a existência na Legião Estrangeira e a vivência feminina no Marrocos, ressaltando-se, nesse contexto, sua posição anti-racista, a humanização das personagens femininas, o caráter colonialista das tropas legionárias e a tentativa de elevar a plano heróico sua atuação, além da presença da famosa Annabella; ou, ainda, na Paris de Sinfonia de Uma Cidade (Sous le Ciel de Paris, França, 1950), em que a inserção das personagens no contexto urbano e social transmite a impressão de verismo documental, que, em certo sentido, não deixa de ter e ser, tal a identificação entre esses elementos.
Tudo isso sem prejuízo do tecido novelesco, finalidade da realização fílmica, constituindo seu segundo atributo.
Segundo James Reid Paris (in The Great French Films. Secaucus, N.J./EE.UU., The Citadel Press, 1983, p.74), Jean Renoir teria afirmado ser Duvivier “this great technician, this precisionist, was a poet”.
Todavia, se foi grande técnico - e foi - não se pode dizer o mesmo dos demais aspectos indicados por Renoir.
As qualidades que se detectam em sua obra - acima especificadas - decorrem de seu domínio da mise-en-scène, nada tendo de especial e menos ainda de poético. Até pelo contrário. Sua intervenção imagética na paisagem e no cotidiano das personagens é seca e direta, destituída de aura poética, submetidas que são (pessoas e natureza) às necessidades e práticas da vida, preponderando em tudo (e sobretudo) a imposição do conteúdo narrativo (a estória) e não seu modo e forma.
A característica, pois, de sua atividade e obra é essa tecnalidade artesanal, que torna seus filmes apenas palatáveis, ressalvados os aspectos salientados, notadamente o registro documental, que deverá ser o responsável por sua permanente recepção e, quiçá, eternização.
A respeito de A Cabeça de Um Homem, baseado em romance policial de Georges Simenon, cumpre destacar a diferença do método desse autor com o de Agatha Christie.
Enquanto esta sonega ao leitor informações indispensáveis à descoberta dos autores de crimes, pelo que, com exceção da peça A Ratoeira (The Mousetrap, de 1954), torna-se impossível identificá-los, Simenon parte, pelo menos no romance em tela e em vários outros, do caminho oposto. De plano, já indica quem são o assassino, a vítima e o móvel do crime. A tessitura da trama desenvolve-se, então, na revelação dos fatos e ilações deles tiradas pelo Inspetor Maigret.
Observa-se, no caso, o vezo de se atribuir o ato criminoso a estrangeiro. Para certos tipos de pessoas, são sempre eles os culpados ou pelo menos os maiores culpados por crimes que se cometem em seu país.
E de se atentar, ainda, para evitar confusão, ocorrida até mesmo em dicionários de cinema, para as similitudes de títulos entre Sinfonia de Uma Cidade e Sinfonia em Paris (An American in Paris, EE.UU., 1950, de Vincente Minnelli), e entre Sous le Ciel de Paris e Sous les Toits de Paris (Sob os Tetos de Paris, França, 1930), de René Clair.

(do livro O Filme Dramático Europeu, editado pelo Instituto Triangulino de Cultura em 2010-www.institutotriangulino.wordpress.com)
Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba, foi candidato ao Senado Federal e editor da revista internacional de poesia Dimensão, sendo autor de livros de literatura, cinema e história regional.
(Publicação autorizada pelo autor)

PIER PAOLO PASOLINI


A Terra Vista da Lua (La Terra Vista Dalla Luna)

Produção: Itália, 1966
Duração: 31 min
Idioma: italiano (legendas eletrônicas em português)

Terceiro episódio do filme Le Streghe (As Bruxas), La Terra Vista dalla Luna conta a história de pai e filho, que depois de terem perdido a mãe, morta por ter ingerido cogumelos venenosos, partem, tal qual Dom Quixote e Sancho Pança, à procura de uma mulher que possa substituí-la. Ao encontrá-la, logo planejam um golpe para conseguir dinheiro e manter a casa. A mulher simulará um suicídio do alto do Coliseu romano, enquanto eles pedirão dinheiro em baixo para ajudá-la. Ela, no entanto, escorrega, cai e morre. De volta ao lar, pai e filho notam que, mesmo morta, a mulher desempenha todas as suas funções. "É a felicidade, é a felicidade", gritam eles.
fonte: comunidade pier paolo pasolini/mrl-x

VALMIR VIANA


Flores de pindo

Na descida da montanha
desce o orvalho macio,
espalhando sobre há virtude
todo mar amante magistral.
Nasce o sol acolhedor
em outras aragens modelar,
belo caminho desperto
ao sabor eterno das relvas.
Campos de rastros perfeito
plumas de passar nuvens,
canteiros único na face
que há luz ressurge nas manhãs.

Valmir Viana.
Poeta
http://sites.google.com/site/valmirviana

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