segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

PEDRO DU BOIS


FRONTEIRAS



Na fronteira passo minha inexistência.

Trêmulas bandeiras desencontradas

evitam a minha mão. Desfaço os nós

presos ao estribilho e torno o hino

impatriótico na universalidade.



Espaço o caminho das ultrapassagens.

Ao lado é estar aqui na consequência.

(Pedro Du Bois, inédito)

http://pedrodubois.blogspot.com
tela: de chirico

OLHOS DE BARRO


Olá queridos amigos e amigas! É com muita alegria que recebo neste 2012 o comentário crítico do meu livro "Olhos de Barro" , com brevíssima existência em 2010 (Suplente no Programa de Ação Cultural - Proac, e "Menção Especial" no Prêmio Nacional Governo de Minas Gerais - Ficção, 2010), contou com textos de Luiz Ruffato (quarta capa), Moacir Amâncio (Orelhas), e Floriano Martins (Capa e ilustrações interiores). No seu lançamento (na verdade um duplo lançamento, pois tive a honra de poder contar com parceria e cumplicidade do poeta Edson Bueno de Camargo, citado no artigo), e Mesa Crítica formada por: Beth Brait Alvim, Claudio Willer, e Elizabeth Brose. Além de: Intervenção musical baseada nos livros: Percutindo Mundos | Henrique Krispim. Intervenção corporal: Célia Faustino. Leituras de fragmentos das obras pelos atores: Carlos Moreira, Ivan Augusto, e Sergio Pires (aos amigos e amigas interessados: vídeos no Youtube)


Espero que em 2012 este livro tenha uma reedição, e volte a circular.


(Obs.: Segue abaixo a reprodução do artigo da revista impressa, o link no site do SESCSP, e arquivo PDF).


Boa leitura!
Abraços & Axé!
“Nossos críticos continuam preferindo os poetas inteligentes: aqueles racionais, precisos, rarefeitos e bem comportados. E continuam a lamentar a ausência de novos poetas, sem atentar para o que se passa ao seu redor”


POESIA BRASILEIRA: A BOA SAFRA DE 2010-2011, POR CLAUDIO WILLER
(Reprodução do artigo publicado: Revista E - SESC São Paulo, nº 7, ano 18, janeiro de 2012 – Rumos literários - Ilustrações: Marcos Garuti).


Sendo o Brasil um país marcado pela diversidade cultural, é natural que as linguagens artísticas reflitam essa pluralidade de pensamentos e sotaques. É o que ocorre também na literatura contemporânea brasileira. No entanto, livros recentes compartilham tendências estéticas e temáticas.
Por exemplo, um dos caminhos adotados pela prosa de ficção é a revisão crítica de personalidades históricas e de grupos sociais por meio do experimentalismo. Na poesia, percebem-se apostas nas expressões não discursivas, imagéticas, na atualização da contracultura e em novas vertentes do surrealismo. Em artigos inéditos, o crítico e professor Fábio Lucas e o poeta e tradutor Claudio Willer destacam o que há de mais estimulante na produção literária atual e analisam obras de novos autores.


Poesia brasileira: a boa safra de 2010-2011
por Claudio Willer


Terão os poetas contemporâneos brasileiros enlouquecido? Entrado em pânico? Em irrefreáveis surtos visionários?

É a impressão que se tem ao ler versos como estes, do recente Uma Cerveja no Dilúvio (7 Letras, 2011), de um poeta do Rio de Janeiro, Afonso Henriques Neto:

há um incêndio a lavrar pela noite
lambendo as páginas da agonia
verbo carbonizado nos cornos do apocalipse
nas cenas de uma bíblia enlouquecida
lábios por onde a poesia
vomitara lascas de labaredas
árduas centelhas do mito
evangelhos soterrados sob negros estampidos
relâmpagos solvidos em rochedos de neblina

Veemente anúncio de um fim do mundo em tom, ritmo e imagens que lembram Jorge de Lima.
Encontra eco em outro lançamento recente, Poemas Perversos (Pantemporâneo, 2011), de Celso de Alencar, paraense radicado em São Paulo:
Devolvamos o rio
Devolvamos tudo aquilo que lhe pertence
[...]
Devolvamos a morte estremecente
e, além da morte,
o cemitério viajante e afundado.
Devolvamos tudo, inclusive o leito experimentado
que acolhe a vastidão de nomes inteiros
e a vida com suas mamas profundamente desfiguradas.
Devolvamos o rio.

Afonso Henriques Neto e Celso de Alencar são poetas maduros, que estrearam, respectivamente, na década de 1960 e 1970. Seus lançamentos estão entre os mais importantes do biênio. Outros mais jovens exacerbam essa dicção através de imagens, de modo não discursivo. Proclamam seus apocalipses pessoais (no duplo sentido da expressão apocalipse, como fim de mundo e revelação).


Um deles, Chiu Yi Chih, de São Paulo, com Naufrágios (Multifoco, 2011):


inclino-me áspero pinheiro / nos ecos do Amargo
a rachadura é dourada / flor que desafeiçoa
nada nos assegura neste assombro de pássaros.
sinistra morada, esta que nos lança à desaparição.
irreparável símbolo, meu rosto: planeta fora do seu berço

Faz par com o vigor de Augusto de Guimaraens Cavalcanti, do Rio de Janeiro, em Os Tigres Cravaram as Garras no Horizonte (Editora Circuito, 2010): tropicália exacerbada, contracultura atualizada por um poeta jovem, releitura do melhor da beat, surrealismo hoje.Querem mais imagens poéticas? Mais expressões não discursivas? Novos exemplos de poesia onírica? Que tal José Geraldo Neres, do ABC paulista, com sua prosa poética em Olhos de Barro (Multifoco, 2010): “Água e silêncio. Dedos vazios mergulham à procura dos peixes outrora semeados. Nem girassóis, nem milagres e a carne das palavras. Dou ao tempo outro cardume”. Texto onírico, regido pelo deslocamento.
A seu lado – lançaram juntos – Edson Bueno de Camargo em Cabalísticos, enunciando uma poética e citando Ginsberg:



o poeta é sacerdote
da própria religião
[...]
Rimbaud foi
bruxo a seu tempo
usou a extinção de sua quintessência
e fez poesia além da palavra
A destacar, também, uma obra coletiva fio, fenda, falésia (edição das autoras, Proac-São Paulo) de Érica Zíngano, Renata Huber e Roberta Ferraz, que acabara de lançar lacrimatórios, enócoas (Oficina Raquel, 2009). Comparecem com uma apoteose da fusão de gêneros, da escrita em todas as direções e possibilidades, mas sempre bem resolvidas, com um padrão consistente nessa diversidade: livro que não deveria ser apenas lido, porém estudado e carinhosamente decifrado.As novas possibilidades da edição – do hipertexto em papel de Érica, Renata e Roberta, passando pelos objetos mais estranhos da produção contemporânea, propositadamente confundindo tudo, à leveza digital de Elizabeth Lorenzotti: a experiente jornalista e poeta estreante mostra como o macrocosmo está evidentemente presente no microcosmo (desde que se saiba ver) com As Dez Mil Coisas (Amazon, 2011), disponível só em e-book. Analogia coexiste harmonicamente com ironia em Livro Ruído (Eucleia, 2011), de Davi Araujo, paulista prolífico que encontrou editor em Portugal e escreve sobre “Adeus a deus” e “O teatro e meu duplo”.Poesia se faz no Brasil todo. Josoaldo Lima Rego já foi chamado por mim de “maranhense cosmopolita” por ver “Uma Nadja, sorrateira pelos becos” e proclamar que “é preciso sonhar a anistia dos manicômios” em Paisagens Possíveis (7 Letras, 2010). A propósito de maranhenses cosmopolitas, além de literariamente elegantes, Samarone Marinho, com Atrás da Vidraça (7 Letras, 2011), incluindo a inquietante série intitulada “(imemoriáveis aleijões beckettianos sussurrados da janela do quarto)”.
São exemplos. Haveria mais. Mineiros alquimistas, místicos de elevada dicção, como Andityas Soares de Moura, com Aurora Consurgens (7 Letras, 2010), e Abílio Terra, com Numa Floresta de Símbolos (Alcance, 2010). Mostras de que o romantismo é contemporâneo, em O Pó das Palavras (Ponteio, 2011), do carioca Claufe Rodrigues, experiente difusor e divulgador de poesia.

A safra de poesia de 2010-2011 foi vigorosa. Cabe perguntar se a crítica se deu conta. Infelizmente, à exceção de uma bela resenha de Moacir Amâncio (outro poeta extraordinário) tratando de Poemas Perversos, de Celso de Alencar (publicada no suplemento Sabático de O Estado de S. Paulo), nada disso foi comentado, ou quase nada – nossos críticos continuam preferindo os poetas inteligentes: aqueles racionais, precisos, rarefeitos e bem-comportados. E continuam a lamentar a ausência de novos poetas, sem atentar para o que se passa ao seu redor. Uma Cerveja no Dilúvio, de um poeta da qualidade e importância de Afonso Henriques Neto, ainda não ter recebido nenhuma resenha importante em órgãos da grande imprensa – assim pagando o preço por ser avesso ao mundanismo literário – é admissão de alheamento geral.
Talvez tão importante quanto as boas edições em livro seja a ampliação dos espaços públicos, das chances de poetas se mostrarem ao vivo e se comunicarem com leitores efetivos ou potenciais. Em Belo Horizonte, uma programação semanal e já tradicional. No Rio de Janeiro, aquelas récitas, proliferando há décadas. Em São Paulo, além da importante função da Casa das Rosas como polo irradiador, graças ao esforço de Frederico Barbosa e colaboradores, estimulando novos saraus (uns 40 por mês na cidade toda, ao que consta), há programação em unidades do Sesc, em bares e casas noturnas, no refinado Lugar Pantemporâneo. E um novo e importante espaço institucional para a poesia, com a abertura da programação de leituras e palestras no Centro Cultural São Paulo, coordenado por Claudio Daniel, também poeta de qualidade.Caberia mencionar alguns bons mecanismos de subvenção, como o Programa de Ação Cultural (Proac) em São Paulo, compensando o preconceito de alguns editores e muitos livreiros. Existem, também, premiações inteligentes. Precisaria, ainda, falar das revistas que publicam poesia; da continuidade de Coyote, do reaparecimento de Babel, entre outras. E do que circula no meio digital. Mas isso demandaria outra matéria. Importa registrar que só não repara na boa poesia contemporânea brasileira quem não quer; quem sofrer de total inaptidão para o gênero.
Claudio Willer é poeta, ensaísta, tradutor e autor, entre outros livros, de Um Obscuro Encanto – Gnose, Gnosticismo e Poesia (Civilização Brasileira, 2010) e Geração Beat (L&PM Editores, 2009)
Reprodução do artigo e sua continuação (do crítico e professor Fábio Lucas “Marcos atuais da ficção brasileira”), publicado no link:
http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/revistas_link.cfm?Edicao_Id=422&Artigo_ID=6415&IDCategoria=7412&reftype=2

MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA LEONEL BRIZOLA


MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA LEONEL BRIZOLA – MRLB
Rua 7 de Setembro, nº 112, 2º andar, tel: 2224-5462

Manifestação do MRLB contra a volta de Lupi

Segunda feira, (9/01) o Movimento de Resistência Leonel Brizola – MRLB fará manifestação contra a volta de Carlos Lupi à presidência do Partido Democrático Trabalhista, prevista para ocorrer às 16:00 horas na Fundação Leonel Brizola /Alberto Pasqualini, à Rua do Teatro, nº 39, Praça Tiradentes. Os integrantes do MRLB entendem que o Sr Lupi perdeu as condições morais e éticas de presidir o partido criado por Leonel Brizola, que o deixou limpo e sem máculas. Hoje, ao contrário, sob a presidência desse senhor o PDT tornou-se um partido como outro qualquer, sigla de aluguel para servir aos interesses de Lupi e seus apaniguados. Além de renegar as bandeiras históricas do partido, o ex-Ministro do Trabalho deixou-o enxovalhado, e, pior, na boca do povo, a ponto de ser alvo de “homenagens” no carnaval, como a que será prestada pelo bloco Lima é tio Meu, da turma da Lapa, responsável pela inspirada marchinha, de autoria do brilhante Jorge Curuca, que tão bem traduz os feitos e mal feitos desse senhor: “ Dilma, eu te amo/O teu esporro é meu prazer(....)/Sou teu capacho/Doce ministério, meu Édem, meu céu/Me deixa ser teu Pimentel......”
Todos na Praça Tiradentes para dizer: Fora Lupi !!!!!!!!!!
Movimento de Resistência Leonel Brizola – MRLB

Eduardo Homem Coordenador de Divulgação.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

SYLVIO BACK


Edição fac-similar celebra os 50 anos do suplemento paranaense
letras e/& artes


Por Sylvio Back

foto:Sylvio Back em 1959 - arquivo pessoal

Desde quando nasceu, em 23 de agosto de 1959 até a sua intempestiva interrupção em março de 1961, "letras e/& artes” foi um marco no jornalismo cultural de Curitiba, e na própria vida literária paranaense.

Com sua equipe de jovens autores e formatação gráfica inusual, aliada à contundência dos textos, a histórica página, agora replicada em edição fac-similar fora do comércio, sempre privilegiou a temperatura da arte no Paraná, conflagrando a engessada cultura local (leia-se, curitibana), frequentemente, afeita ao beletrismo e à mimetização do que vinha de fora.

Para dar conta dessa inédita empreitada, "letras e/& artes" tínhamos total liberdade de expressão e opinião. Jamais a editoria foi admoestada ou censurada, nem constrangida a publicar texto não solicitado.

O tônus polêmico da página era cunhado por uma plêiade de artistas plásticos, contistas, poetas, cronistas, críticos de teatro e de cinema, filósofos, historiadores, etc. que, naquele espaço semanal único, encontravam guarida para suas criaturas, muitas delas na contramão do que se produzia e publicava em Curitiba.

Lembro-me bem que as edições dominicais eram avidamente lidas por alguns colaboradores, claro, inclusive, por mim, que ficava ali lambendo a cria ainda de madrugada – na boca da rotativa. Compartilhávamos da alegria dos gráficos que se dedicavam à página, eu diria, quase autoralmente, desde a transcrição e correção dos textos na linotipo até a sua impecável impressão.

Com os dedos ainda lambuzados de tinta fresca, "letras e/& artes", ato contínuo, era curtida nos bares e restaurantes da moda. As discussões e os debates começavam ali mesmo e se estendiam até o amanhecer de domingo, repercutindo depois na cidade pela semana afora.


Colaboradores ilustres

Na sua breve existência, totalizando oitenta e cinco edições, “letras e/& artes” (inexplicavelmente, às vezes a logomarca saía com “e”, outras, com “&”) conseguiu reunir alguns dos melhores textos de Curitiba naquele crepúsculo da década de cinquenta e cúspide dos sessenta.

Entre outros, compareciam com regularidade assinando ensaios, críticas, poemas e ilustrações, Celina Silveira Luz, Walmor Marcelino, Oscar Milton Volpini, René Dotti, Paulo Gnecco, Helena Wong, Mário Fernando Maranhão, Hélio de Freitas Puglielli, Fernando Pessoa Ferreira, Ênnio Marques Ferreira, Carlos Varassin, Luiz Carlos de Andrade Lima, Regina de Andrade, Paul Garfunkel, Heitor Saldanha, Gilberto Ricardo dos Santos, Adherbal Fortes de Sá Jr., Pedro Geraldo Escosteguy, Manoel Furtado (cujo belo desenho ilustra a capa desta edição fac-similar), Ernani Reichmann, Ivette Gusso Lopes, Alberto Massuda, Francisco Bettega Netto, Mario de Andrade, Vicente Moliterno, Edésio Passos, Erwin Hromada, Jairo Régis, Cecy Cabral Gomes, Assad Amadeu, René Bittencourt, Antenor Pupo, Luiz Geraldo Mazza, Sebastião França, Yvelise Araújo, Nelson Padrella, Mauri Furtado, Roberto Muggiati e Glauco Flores de Sá Brito.


Textos premonitórios

Frequentemente, as opiniões dos articulistas provocavam furibundas reações da micro-intelectualidade curitibana, quase toda ela de corte aufofágico, incapaz de acreditar nos criadores à sua volta (muitas delas chegavam até a pregar a extinção do suplemento). Para contrabalançar, eu tinha o retorno entusiástico dos leitores expresso em cartas, telefonemas e nas colaborações remetidas à redação.

Ainda que não tivesse nenhum parentesco nem se remetesse ao suplemento “Joaquim”, dirigido pelo então também jovem Dalton Trevisan na década de ‘40, interessante constatar hoje como “letras e/& artes” refletia uma antecipação paroquial dos anos sessenta.

Seu conteúdo estava sintonizado nas discussões nacionais sobre cultura popular, existencialismo, marxismo, arte engajada, a relevância da poesia, da literatura, do teatro e do cinema brasileiros.

Por essas e outras, a redação virtual do “letras e/& artes” sempre fervia de novidades, congregando jornalistas e autores experimentados a dezenas de neófitos (todos indisfarçáveis candidatos a escritor, poeta, crítico, advogado, político, sindicalista e cineasta...).

Com as exceções que confirmam a regra, supinamente radicais, bem ao estilo daqueles tempos ideologizados que começavam a se delinear.


Dor e orgulho

Havia naquelas edições dominicais a dor e o orgulho do saber da província: produzia-se de e para Curitiba. Não havia o flerte e a reverência ao eixo Rio-São Paulo, ainda que alguns dos nossos maiores, como Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, por exemplo, sempre tivessem seus poemas reproduzidos.

Havia, sim, prioritariamente, o reconhecimento da criatividade emergente local que, pela primeira vez, naquela quadra, encontrava espaço pertinente para estrear sua produção.

Arrisco dizer que “letras e/& artes”, pela pegada iconoclasta, e desde então, rotineiramente “esquecido” e omitido pela Curitiba acadêmica como se nunca tivesse existido, só teve ressuscitado seu estilo trinta anos depois pelo mensário “Nicolau” (do qual, aliás, fui assíduo colaborador).

A sua prematura “morte” em 1961, com a minha inesperada demissão do jornal por ser um dos líderes de uma greve salarial, se deixou um vácuo de tristeza entre todos que o fazíamos com tanta paixão, dele sobrevive hoje, meio século depois, uma inestimável fortuna crítica de talento, inconformismo e controvérsia.


* * *



Edição fac-similar celebra os 50 anos do suplemento paranaense letras e/& artes

Press-release

Entre 1959 e 1961, Curitiba viu nascer e florescer a polêmica página literária, "letras e/& artes", um marco no jornalismo cultural da capital e da vida literária paranaenses.

Reunindo toda uma geração de jornalistas, escritores, poetas, contistas, críticos de cinema e de teatro, ensaístas, filósofos, e artistas plásticos, o suplemento inovou no estilo de revelar os autores locais, e na forma gráfica de discutir e absorver a cultura brasileira na província.

Publicada aos domingos pelo jornal "Diário do Paraná", órgão pertencente aos Diários Associados, "letras e/& artes", meio século depois, é agora resgatada através de uma inédita edição fac-similar (84 páginas, tamanho do jornal da época, 94x64cm; 04 cores), organizada pelo seu então editor, o cineasta, poeta e escritor, Sylvio Back.

Edição limitada de 500 exemplares, fora do comércio, a coletânea, ora em lançamento, terá ampla distribuição nacional, visando sua fruição em bibliotecas, universidades e academias literárias públicas e privadas, e junto à mídia especializada, a bibliófilos e colecionadores.

O histórico feito vem a lume graças ao prestigioso patrocínio da Itaipu Binancional, com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, através do projeto gráfico e editoração de Rita de Cássia Solieri Brandt e de Adriana Salmazo Zavadniak, e da seção paranaense da Biblioteca Pública do Paraná, onde está arquivada a coleção original do jornal.

A capa é de autoria do poeta e artista gráfico mineiro, Guilherme Mansur, com desenho de Manoel Furtado, e a reprodução das páginas são do fotógrafo, Cadi Busatto.

Sylvio Back, aos 22 anos, durante vinte meses, dirigiu "letras e/& artes" munido da mais ampla liberdade estética e de expressão sancionada pela cúpula do "Diário do Paraná", na pessoa do seu diretor, Adherbal Stresser.

Pela fatura independente e ousada, tanto em matéria de conteúdo, como em sua apresentação gráfico-visual, "letras e/& artes" é um evento cultural jamais igualado na imprensa paranaense.
Sylvio Back é cineasta, poeta, roteirista e escritor. Em lançamento, o novo filme, “O Contestado - Restos Mortais”; em preparo, o doc “O Universo Graciliano”, e a ficção, “A Angústia”, baseado no romance de Graciliano Ramos. E-mail: sylvioback@gmail.com
fonte: portal cronopios/pipol

SYLVIA PLATH


The Disquieting Muses
AS MUSAS INQUIETANTES E SYLVIA PLATH

Mother, mother, what illbred aunt
Or what disfigured and unsightly
Cousin did you so unwisely keep
Unasked to my christening, that she
Sent these ladies in her stead
With heads like darning-eggs to nod
And nod and nod at foot and head
And at the left side of my crib?

Mother, who made to order stories
Of Mixie Blackshort the heroic bear,
Mother, whose witches always, always
Got baked into gingerbread, I wonder
Whether you saw them, whether you said
Words to rid me of those three ladies
Nodding by night around my bed,
Mouthless, eyeless, with stitched bald head.

In the hurricane, when father's twelve
Study windows bellied in
Like bubbles about to break, you fed
My brother and me cookies and Ovaltine
And helped the two of us to choir:
'Thor is angry : boom boom boom!
Thor is angry : we don't care!'
But those ladies broke the panes.

When on tiptoe the schoolgirls danced,
Blinking flashlights like fireflies
And singing the glowworm song, I could
Not lift a foot in the twinkle-dress
But, heavy-footed, stood aside
In the shadow cast by my dismal-headed
Godmothers, and you cried and cried :
And the shadow stretched, the lights went out.

Mother, you sent me to piano lessons
And praised my arabesques and trills
Although each teacher found my touch
Oddly wooden in spite of scales
And the hours of practicing, my ear
Tone-deaf and yes, unteachable.
I learned, I learned, I learned elsewhere,
From muses unhired by you, dear mother.

I woke one day to see you, mother, Floating above me in bluest air
On a green balloon bright with a million
Flowers and bluebirds that never were
Never, never, found anywhere.
But the little planet bobbed away
Like a soap-bubble as you called : Come here!
And I faced my traveling companions.

Day now, night now, at head, side, feet,
They stand their vigil in gowns of stone,
Faces blank as the day I was born,
Their shadows long in the setting sun
That never brightens or goes down.
And this is the kingdom you bore me to,
Mother, mother. But no frown of mine
Will betray the company I keep.

Lendo este poema num programa de rádio da BBC, Plath comentou: "It borrows its title from the painting by Giorgio de Chirico--The Disquieting Muses. All through the poem I have in mind the enigmatic figures in this painting--three terrible faceless dressmaker's dummies in classical gowns, seated and standing in a weird, clear light that casts the long strong shadows characteristic of de Chirico's early work. The dummies suggest a twentieth-century version of other sinister trios of women--the Three Fates, the witches in Macbeth, de Quincey's sisters of madness." fonte: luis moura/ blog muro sem vergonha

ALAORPOETA


GOLES EXTREMUS

O sumo cálice transborda
e limpa formas adiposas
róseas faces náuseas bordas
sonsas famílias nebulosas.


O mijo pueril engole
o gole senil de quem viu
séculos de desprezo à prole
ébrios no consumo febril.


Entre olhares vagos vulgares
velando castrados os lares
louvadas as últimas taças


sob céus de chumbo impávidos
de rubro chão e mundos grávidos
do estupro de todas as raças.


alaorpoeta

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

ADRIANA MANARELLI


Estupôr
(Adriana Manarelli)

Minha aurora acaba
Com o olho do dia
E devota dos cachos azuis
Minha alma explode em vigília
Além da morte
No lábio que trás o gosto de sangue, ela também irradia.

Meu mito é muito mais que uma fome
É areia movediça
Por entre os dedos
É o horizonte que não acaba
Nem por trás dos montes
E eu oiço o grito
Que liberta o estertor mais amargo,
Mais pura, o esplendoroso vagido
Entre os braços retorcidos do salgueiro
Com suas raízes, beijos e pólens.

Compartilho meu retinto toda manhã
Eu, comigo, e (a)guardo o azul racemo
A linha louca serpenteante estrada do horizonte.
Falanges inteiras
Brincam em minha crina mais prata
Que de azeviche
Só possui ainda
O desfiladeiro que me espreita.

01/ 01/ 2012
tela:"As musas inquietantes" de De Chirico