segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

MANO MELO


Pequena Biografia
MANO MELO
Interpreta seus poemas em teatros, tevês, rádios, bares, centros culturais, ciclos de poesia e congressos literários, universidades, escolas, no Rio de Janeiro e outras cidades do Brasil, capitais e interior. Com sua poesia, Mano Melo já se apresentou do Rio Grande do Sul à Amazônia.
Tem formação de ator pelo Conservatório Nacional de Teatro e estudou filosofia no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. Publicou OITO livros de poesia e um romance, Viagens e Amores de Scaramouche Araújo. Ator, participou de vários filmes, peças de teatro, novelas e comerciais. Em 2001, foi agraciado pelo Premio Quem, Melhor Escritor, pelo seu livro Poemas do Amor Eterno.

NADA VAI APAGAR MEU SORRISO

Podem ameaçar com as bombas e morteiros
da Marinha americana,
podem roubar meu dinheiro
e chamar os hômes pra me levar em cana.
Nem que as vacas tussam e as porcas torçam seus rabos,
nem que eu seja atacado por mil cachorros brabos,
mesmo que me acusem de tudo que é heresia
e arranquem meu dente de siso
sem anestesia,
nada vai apagar meu sorriso.

Podem ameaçar com o Armageddon
e as trombetas do Juízo Final.
Podem pintar o mar de marrom
e botar dez mil crianças assaltando no sinal,
podem parar o mundo e apagar a luz,
abrir a caixa dos pregos e me pregar na cruz,
podem rodar a baiana, podem soltar a franga,
bordar tudo mais feio que o cão chupando manga,
destruir a ferro e fogo os frutos do paraíso,
nada vai apagar meu sorriso.

Podem sujar a atmosfera
até fazer doloroso o ato de respirar.
Podem abrir a jaula e soltar a besta-fera
com sua boca horrenda para me devorar,
perfurar meus olhos com setas envenenadas
até que fiquem cegos,
me fechar no escuro junto com morcegos,
ratazanas e baratas aladas,
sem nenhum sinal ou prévio aviso,
nada vai apagar meu sorriso.

Entre os campos de batalha dessa guerra infame,
busco trocar amor com quem também me ame.
E sei que a maioria das pessoas são pessoas decentes,
gente do bem trabalhando para criar filhos
e passar sua herança de conhecimentos.
Por isso, quando o trem parece correr fora dos trilhos
e o dragão ameaça cuspir fogo pelas ventas,
eu sei que tudo na vida tem uma explicação
e que existem razões que são estranhas até à própria razão.
Não importa as teias que a aranha teça,
a gente tem que se cuidar pra não virar presa.
Se a aranha tá afim de te jantar,
você não pode permanecer passivo.
Não apenas navegar, viver também é preciso.
Eu fico mais forte quando penso nisso:
nada vai apagar meu sorriso.

( do livro Poemas do Amor Eterno)

O TEMPO
O Tempo é um rinoceronte
que range e ruge de longe.
O Tempo é um elefante,
um elevador,
um altofalante
perto e distante.
O Tempo é um diamante,
um trilho, uma trilha,
macho e fêmea,
filho e filha.
O Tempo
é um cachorro.
Range
os dentes,
ruge,
e foge
latindo
para uma vaca
que muge.
Enquanto a onça ronca,
o macaco ranga.
Quando a onça
abandona seu posto,
a raposa vai à caça
e o cabrito faz seu pasto.
Viver é um passeio nos astros.
Os bichos deixam seus rastros –
a alma humana, seus lastros...
( do livro Poemas do Amor Eterno).O
O Amor
é

Terno.

O
Amor
é

Fêmero.


O
Amor
é

Fé.


O
Amor

É.

( do livro Poemas do Amor Eterno)




O LAVRADOR DE PALAVRAS
O torso descoberto no dorso aberto da tarde
O lavrador de palavras planta palavras na lama.
A cada letra que planta é dez segundos mais velho
( Com licença,
Vou me olhar no espelho)

( do livro O Lavrador de Palavras).

sábado, 14 de janeiro de 2012

PAULA FAOUR


Paula Faour abre a programação de concertos em 2012 do Espaço Cultural Eletrobras Furnas. Dia 28 de janeiro, às 20h, a pianista será acompanhada por Sergio Barrozo no contrabaixo e Paulo Diniz na bateria, e terá como convidado especial o saxofonista francês Idriss Boudrioua. Juntos, eles apresentarão as músicas do CD Paula Faour e a Música de Marcos Valle & Burt Bacharach, lançado pelo selo Biscoito Fino. Neste trabalho, Paula apresenta uma nova concepção de arranjo, onde entremeia as melodias originais e acrescenta seu estilo pessoal, criando versões inéditas de pérolas como: Samba de Verão; I Say a Little Prayer; Um Novo Tempo; What the World Needs Now is Love; Preciso Aprender a Ser Só; e Do You Know the Way to San Jose. A entrada é gratuita, com senhas distribuídas 1 hora antes do espetáculo e serão limitadas à capacidade do auditório (192 lugares).

Espaço Cultural Eletrobras Furnas fica na Rua Real Grandeza, 219 - Botafogo, Rio de Janeiro. Contato: www.paulafaour.com.br

CARLOS LÚCIO GONTIJO


Escola, família e cultura

Carlos Lúcio Gontijo

As escolas, mais que nunca, precisam inserir as famílias no processo educacional como meio de ao menos alcançar alguma diminuição no avanço do nível de rebeldia e agressão por parte dos adolescentes. As análises dos estudiosos e técnicos que lidam com dados relativos à violência no ambiente escolar sugerem que, antes de ser vistos como simples casos de polícia, problemas como droga e demais transgressões cometidas por crianças e adolescentes devem, numa primeira fase, ser tratados como questões pelas quais as escolas e as famílias precisam responsabilizar-se.

Logicamente, para abraçar essa exigência, a estrutura escolar necessita equipar-se adequadamente, com quadros suficientes de psicólogos e assistentes sociais, que tenham condições de dialogar com os lares dos quais provêm os alunos com problemas de comportamento ou dificuldade de aprendizado, uma vez que os professores e as escolas não podem ser utilizados como substitutos ou tomar o lugar de pai e mãe, que não raro visualizam a entidade escolar como depósito de crianças e adolescentes com as quais não conseguem ou não têm tempo de lidar.

O trabalho psicopedagógico com estudantes flagrados usando drogas no entorno ou mesmo no interior de instituições de ensino merece uma avaliação mais abrangente e multidisciplinar, envolvendo psicólogos, professores e pais, pois que é notória a percepção de que, quase sempre, os jovens usuários de drogas não são apenas jovens de lares desestruturados, mas indivíduos que vivem em ambientes nos quais impera o diálogo familiar ruim, em que é cada vez mais comum pai e mãe trabalharem para o sustento material dos filhos, ficando sem o tempo necessário para o estreitamento dos laços afetivos de compreensão, confiança, respeito e amizade, o que leva os lares a ser constituídos por estranhos que moram sob o mesmo teto. E, convenhamos, o simples apelo à força da consanguinidade pouco vale nesses casos!

Todavia é bom que nos lembremos de que educação e cultura no Brasil sempre foram áreas desprezadas e mal administradas ou tratadas como de menor relevo, apesar de todas as autoridades constituídas terem pleno conhecimento de que o país não chegará a lugar algum se não coadunar o crescimento da economia com a evolução do nível educacional de sua gente. Se assim não se der, o Brasil jamais passará de nação rica com povo pobre, porque sempre haverá bolsões de miseráveis e cidadãos incapazes de cuidar de si mesmos, exatamente pela letargia advinda da ignorância e falta de discernimento. A explícita realidade é que não existe nada mais dispendioso para o Estado que o cidadão desprovido de escolaridade e conhecimento suficiente em face das exigências do mercado de trabalho cada vez mais informatizado.

Quem como nós se entrega ao exercício da literatura e do jornalismo assiste à crescente escassez de leitores, num panorama tortuoso e de difícil saída, principalmente quando nos deparamos com caderno de cultura da importância de um jornal “Globo”, desperdiçando o precioso espaço de seu site para mesurar quantas vezes as “meninas” do Big Brother Brasil de 2011 se masturbaram no transcorrer do educativo programa. Não há como envidar esforços em prol da educação em meio a tantos fatores de deseducação dessa magnitude.

O povo brasileiro (todos nós) está à espera da inauguração de uma escola assentada em ensino democrático, onde a comunidade escolar seja protegida pela prática de conceitos didático-pedagógicos modernos, ministrados por professores bem remunerados e em constante reciclagem. Somente dessa maneira nosso sistema de ensino será capaz de transmitir conteúdo didático e lições de solidariedade e amor ao próximo, que ficarão fixados na mente dos estudantes através da harmônica sintonia entre instituições de ensino e pais de alunos, numa interação que, mais que salvar jovens da ignorância, os afastará da delinquência proveniente do poder de cooptação praticado pelos inescrupulosos agentes do narcotráfico, que tão bem sabem tirar proveito da falta de união, compromisso social, senso coletivo e congraçamento da chamada sociedade organizada.

Carlos Lúcio Gontijo

Poeta, escritor e jornalista

www.carlosluciogontijo.jor.br

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

ADRIANA MANARELLI


Lullaby
(Adriana Manarelli)


Meu decrépito amor nasceu nas vinhas
Inumanos guizos subterrâneos —
Acabrunhada sigo
Sob este manto escaldador
Minhas células inexatas
Se redimem pela palavra
E diabretes bucólicos e bonachões
Compartilham minha estrebaria.

Meus anéis de prata,
meus apetrechos de cobre
Eu poli na crescente
Resignada mulher que antecipa o refúgio
A fêmea desenganada.
Nem súplicas, nem ameaças
Infundem sobre ela
Passes de mágicas,
Truques, diagnósticos, revelações...
Ela deverá cumprir seu próprio destino.

A única fórmula encantatória
É este rosto rasgado
Que na doce tortura da ternura
E da serenata
Oferece seu revoar de farrapos,
Seu rumor de cascos.


08/ 01/2012

ENTREVISTA COM A BANDA KLATU


ENTREVISTA COM A BANDA KLATU
ENTREVISTA COM A BANDA KLATU

1- COMO SURGIU A BANDA KLATU ?

(Leco Peres) Olá Everi, é um prazer escrever para o seu blog! Na verdade a banda surgiu da inquietação da alma, numa conjunção de necessidade de rock mais vontade do infinito. Só a música autoral resolve essas coisas. Naquele enfoque de raciocínio linear, surgiu da minha parceria de alma com a Carol Arantes, harmonia e melodia, ritmo e letra, e eis “Em Busca do Rock Infinito” (2008). De lá pra cá várias coisas, e mais ainda com a união de André Barará nas guitarras e Fê Felpz na bateria, para outro nível de infinito, nem digo pós-moderno, de adjetivos diria intenso e eficaz.

2-QUAIS AS CARACTERÍSTICAS MUSICAIS DA BANDA?

(Leco) Nos sons a liberdade, nas letras a urticária, no palco a entrega. Hoje em dia falta um pouco de verdade, de honestidade, de superação de rótulos e modelos, e é nessa lacuna que a gente busca a motivação do som e de tudo mais. Eu particularmente gosto de baixo distorcido e presente, arranjos elaborados, sofisticação rítmica, vocal soul, mistura de molhos, balanço latino-americano.

3- NO MOMENTO, QUE SONORIDADES VOCES ESTÃO INVESTIGANDO?

(Leco) Estou estagnado. Parei no blues raiz, no bebop jazz, no zappa, no baião progressivo, no soul mineiro. Num consigo sair desse círculo maravilhoso!

4- QUAIS ARTISTAS VOCES APRECIAM, NO BRASIL E NO MUNDO?

(Leco) Vamos aos nomes (em ordem aleatória e esquizofrênica): Gal Gosta, Black Sabbath, Jorge Ben, Jeff Beck, Tim Maia, Rita Lee, Stone Temple Pilots, Som Nosso, Elis Regina, Marvin Gaye, Humble Pie, Hermeto Paschoal, Grand Funk, Gilberto Gil.

5- ESSE CONCEITO DE "ROCK INFINITO", PODERIA SER APLICADO TAMBÉM PARA AS ARTES EM GERAL, visto que o mundo está globalizado ou como diria TOM ZÉ "globarbarizado"?

(Leco) Espero que sim. Nada melhor do que a liberdade, não esse modelo consumível reduzido a notas de revista ou cases de empresa, não a mera informação para campanhas de marketing, e sim a honestidade e promoção humana através da arte. A arte não pode ser produto, não podemos nos render à mediocridade e reducionismo do humano para formulinhas de sucesso.

6- PARTIDO DESTE CONCEITO DE PESQUISAR NOVAS SONORIDADES,E ESPONTANEÍSMO, PODE-SE EXPERIMENTAR NOVAS PERSPECTIVAS DE LINGUAGENS E CAMINHOS PARA UMA EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO HUMANO?

(Leco) Eu diria que essa é a tática de guerrilha contra os percalços da modernidade. Tudo sempre foi dialético, a evolução do pensamento e da cultura sempre veio na influência do ontem sob a ótica do hoje, olhando para o futuro. Linguagens são meios de dizer as coisas, e isso nunca deve ser podado, nunca deve prevalecer uma tirania de certo e errado, porque as pessoas são diferentes e a diversidade é a vantagem de habitar num planeta que convive Minas Gerais com tundra. Por isso que rótulos e estilos não dizem nada, Gilberto Gil pode ser mais transgressor que um Slipknot, dependendo da mensagem e do teor da quebra.

7- A ARTE PODE AINDA REVERTER O PENSAMENTO HEGEMÔNICO, ALIENANTE, MIDIÁTICO QUE GOVERNA ESSE PLANETA EM TRANSIÇÃO?

(Leco) É pra isso que insisto no Klatu, é pra isso que engulo sapos e sambo nos percalços de egocentrismo, egoísmo e vaidade alheios. A arte é o que temos de melhor, porque é o meio de um ser humano dizer o que é e o que pensa, sem restrições, num nível de comunicação potencial e pleno, além do simples vocabulário e alguns grunhidos de “bom dia” socialmente determinados.

8- QUAIS OS MAIORES DESAFIOS PARA O MÚSICO NESTE PAÍS?

(Leco) Há desafios globais para o músico na sociedade de massa, uma miscelânia do que falei nas outras perguntas, mas no Brasil especificamente temos o torpor do regionalismo. Explico: há um partidarismo a favor de certas tendências musicais que posam de tendências únicas da brasilidade, um refugo romântico de carmem mirandismo, como se Pelé fosse a verdade absoluta e Ronaldo apenas uma fraude. Não se valoriza a diversidade, o muticulturalismo próprio do Brasil, é a lógica da exclusão que cria tantos monstrinhos da indústria cultural. Eu especificamente cresci ouvindo rock, tudo completamente ornado com minha vida paulistana urbana, e depois busquei mais temperos, o samba, a MPB, o baião. Mas o contrário é verdadeiro?

9- QUAIS OS PROJETOS PARA A BANDA EM 2012?

(Leco) Antes de tudo confiram nosso novo clipe:
http://www.youtube.com/watch?v=wGWGVEE8sZU&context=C3666d61ADOEgsToPDskKoTZaFaKXvFbsjjFqzj3V4
É o terceiro single do segundo disco, uma música que define bem nossa postura e nossas influências, todo esse papo acima! De resto, vamos lançar o quarto e último single no próximo mês, e terminar a produção do segundo disco, até abril, espero. Pois é, atrasamos no lançamento, não seguimos um cronograma de mercado.
E agora dia 19/01 estamos no SESC Pinheiros mostrando o Klatu vivo, ao vivo e em cores:
http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=210474
Quem puder apareça lá! E 2012 a luta continua, os planos são tocar, gravar e nos divertir sempre!
Valeu de novo pela oportunidade e continue com seu ótimo trabalho Everi!
veja também:
http://www.youtube.com/watch?v=wGWGVEE8sZU&list=UUmlqetAsQUDYsRIhYzSrwNw&index=1&feature=plcp

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

RUBENS SHIRASSU JR.


GALOPE ANCESTRAL



Se me quer longe do amor e da liberdade,
tire os cavalos correndo sob a chuva
e os espaços com campos verdes.


Trago as folhas secas do outono, sinais dos tempos
feridas abertas, trincheiras do caos no quintal,
que traduzem o eclipse do sol, chama na mornidão,
sou uma criança da geração traída,
seguindo no fio da lâmina o encontro do sol e o aço
no movimento preciso de samurai,
destino aventureiro das árvores sem frutos,
de negros galhos,
na sombra da dissecação do mormaço.
Correndo num galope louco, o dom de Quixote
cataventos rodam redondos em redondilhas, ventil(ador),
o ciclo(ne) batendo nos dois lados
da face.
Menor que o meu idílio campestre e
ancestral não posso ser.


Rubens Shirassu Júnior

*Autor de Religar às Origens e
Novas de Macho na Cozinha e Outros Incredientes II
www.rubensshirassujr.blogspot.com/

IVONE VEBBER


Fluir

Ela tenta não pensar
em sexo
nos homens pontudos
nas mulheres macias
mas o sexo a persegue
está na ponta da caneta
acariciando este poema.

Ivone Vebber
tela:chagall