quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

NARA LEÃO 70


NARA LEÃO, 70 ANOS!

Se NARA LEÃO, estivesse viva,estaria completando 70 anos neste dia 19 de janeiro de 2012. Claro, NARA continua viva no coração de todos aqueles que apreciam a melhor música - continua sendo a nossa cantora mais importante, reverenciada hoje pela talentosíssima FERNANDA TAKAI. Sabemso que NARA não foi apenas uma cantora, uma grande artista - foi a musa incentivadora de movimentos culturais importantes , influenciou diversos artistas, foi uma voz emblemática contra a ditadura militar, Uma mulher, esposa,mãe, exemplar! Alguns me perguntam sobre o que NARA poderia estar cantando nos dias atuais,o que estaria pensando sobre música, o país, o mundo etc... Não há como responder,poderíamos apenas imaginar algumas respostas. Eu penso que musicalmente NARA poderia ainda estar gravando, embora tentasse ao longo de sua maravilhosa carreira, dedicar-se mais á sua família ,ou estudos de psicologia - poderia sim, estar gravando boa música, talvez revelando alguns compositores de talento via internet, ou descobrindo-os em shows e eventuais envios de cds e DVDs. Nara seria uma dama da música internacional,gravou de tudo que havia de melhor, assim como ELLA FITZGERALD, EDITH PIAFF, MERCEDEZ SOSA.
Não acredito que NARA estivesse satisfeita com os rumos de nossa vida política. Nara como cidadã e protagonista enfrentou momentos cruciais da vida política brasileira, passou pela ditadura e presenciou as eleições diretas no país poucos anos de sua morte,em 1989. Mas teria ,como qualquer cidadão brasileiro de bem, se indignado com os governos COLLOR/FHC/LULLA, por razões diversas, mas sobretudo porque NARA acreditava na ética, na seriedade, no comprometimento com a democracia e a transparência. Teria sim,lamentado profundamente a morte de BRIZOLA, um homem de sua geração, ético, um lutador romântico contra os dragões da maldade, o qual também se decepcionou com LULLA. É óbvio que o país vive um momento democrático, embora pouco convincente, mas a qualidade de vida continua aquém do que deveríamos presenciar, num Brasil que registra 50 mil homicídios por ano! Um país sem segurança, saúde, saneamento básico, educação, ética, emprego, baixo nível de programações na tv, cineminha ruim, música xinfrim de sertanejos, raps e hip hops etc...Por tudo isso, NARA ainda é essencial neste século! Precisamos de uma voz ativa, uma mulher de coragem, visão moderna, ética, uma artista genuína! Nara era doce, tímida,porém, sua personalidade era única, inimitável, um talento múltiplo!
everi rudinei carrara
poeta,músico,agente cultural, editor do site telescopio.vze.com

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

CLAUDIO WILLER


Homenagens a Robert Desnos

claudio willer in Artigos, Opniões e Provocações. Etiquetado:Robert Desnos, surrealismo.

Eu havia enviado aos participantes do meu mais recente curso de surrealismo este trecho a seguir de ‘La liberté ou l’amour!’ de Robert Desnos: obra prima, parágrafo de uma frase só que destrói a relação de significação. Mostra que Desnos entendeu Lautréamont; assimilou e desenvolveu magistralmente suas hipérboles, perífrases e demais exageros. Resolvi democratizar, postar em meu blog. E resolvi mais: vou fazer série, com mais informações sobre Desnos.

‘La liberté ou l’amour’ foi traduzido por Eclair Antonio Almeida Filho – tradução rodou por editores, não aconteceu nada. Assim são as coisas nessa pujança cultural brasileira. É o máximo do relato urbano onírico. O protagonista segue o Corsário Soluço, que segue Luisa Lâmina, por quem é apaixonado, observados por Bebé Cadum, gigantesco reclame luminoso de um creme. Pontos culminantes, a chuva de luvas (vou postar), a visita do Corsário ao Clube dos bebedores de esperma, e o trecho em que Bebé Cadum se engalfinha com o boneco gigante dos pneus Michelin.

Dados biográficos de Robert Desnos (1900-1945) – o surrealista do transe, do sono hipnótico, do mundo onírico, das aliterações, da capacidade de expressar-se através de todas as formas literárias, morto em um campo de concentração (foi da resistência francesa) – na próxima postagem, ou em uma das próximas postagens. Há seleções de Desnos em http://cantarapeledelontra.blogspot.com/2011/04/poemas-de-robert-desnos-ii.html e http://www.revistazunai.com/traducoes/robert_desnos1.htm – traduções de Eclair e outros, publicadas por Claudio Daniel.

Trecho de La liberté ou l’amour! de Robert Desnos (frase-parágrafo ao final do capítulo V)

Como querem que o trigo, preocupação principal das pessoas que desprezo, possa germinar lá.

Mas o Corsário Soluço, a cantora de music-hall, Luísa Lâmina, os exploradores polares e os loucos, reunidos por inadvertência na planície árida de um manuscrito, içarão em vão do alto dos mastros brancos os pavilhões negros anunciadores da peste se não tiverem antes, fantasmas jorrados da noite profunda do tinteiro, abandonado as preocupações caras àquele que, dessa noite líquida e perfeita, nunca fez outra coisa senão manchas nos dedos, manchas próprias para a aposição de impressões digitais sobre as paredes laqueadas do sonho e por isso capazes de induzir ao erro os serafins ridículos da dedução lógica, persuadidos de que só um espírito familiar às majestosas trevas tenha podido deixar um rastro tangível da sua natureza indecisa através da fuga diante da aproximação de um perigo como o dia ou o despertar, e longe de pensar que o trabalho do contador e aquele do poeta deixem finalmente os mesmos estigmas sobre o papel e que apenas o olho perspicaz dos aventureiros do pensamento seja capaz de fazer a diferença entre as linhas sem mistério do primeiro e o grimório profético e, talvez sem que o saiba, divino do segundo, pois as pestes temíveis não passam de tempestades de corações que se entrechocaram, e convém afrontá-las com as ambições individuais e um espírito desprendido da estúpida esperança de transformar em espelho o papel através de uma escrita mágica e eficaz.

TORQUATO NETO


Torquato Neto - o anjo torto da tropicália
preparo, para a segunda semana de março, curso que darei: torquato neto - o anjo torto da tropicália. para comemorar os 45 anos desse movimento que revolucionou as letras e as artes brasileiras, tendo no poeta piauiense torquato neto (9 de novembro de 1944 - 10 de novembro de 1972)o seu mentor maior. será na oficina da palavra, do cineas santos, perto do instituto dom barreto, dois sábados, das 9 às 12 horas (uma turma) dois domingos das 9 às 12 horas (outra turma). inscrições (investimento valor de 30 reais, com recebimento do livro torquato neto ou a carne seca é servida) na oficina da palavra e na biblioteca púbica estadual cromwell de carvalho. vagas limitadas. portanto, não tenham tempo a perder, que eu só quero saber do que pode dar certo. kenard kruel doutor em letras ocultas e sinais apagados nas terras de macunaímas e outros canibais tropicais... louvando o que merece deixamos o ruim de lado.

mais informações na kenard kaverna
www.krudu.blogspot.com

CARTAS


enviado por mata montezuma

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

MANO MELO


Pequena Biografia
MANO MELO
Interpreta seus poemas em teatros, tevês, rádios, bares, centros culturais, ciclos de poesia e congressos literários, universidades, escolas, no Rio de Janeiro e outras cidades do Brasil, capitais e interior. Com sua poesia, Mano Melo já se apresentou do Rio Grande do Sul à Amazônia.
Tem formação de ator pelo Conservatório Nacional de Teatro e estudou filosofia no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. Publicou OITO livros de poesia e um romance, Viagens e Amores de Scaramouche Araújo. Ator, participou de vários filmes, peças de teatro, novelas e comerciais. Em 2001, foi agraciado pelo Premio Quem, Melhor Escritor, pelo seu livro Poemas do Amor Eterno.

NADA VAI APAGAR MEU SORRISO

Podem ameaçar com as bombas e morteiros
da Marinha americana,
podem roubar meu dinheiro
e chamar os hômes pra me levar em cana.
Nem que as vacas tussam e as porcas torçam seus rabos,
nem que eu seja atacado por mil cachorros brabos,
mesmo que me acusem de tudo que é heresia
e arranquem meu dente de siso
sem anestesia,
nada vai apagar meu sorriso.

Podem ameaçar com o Armageddon
e as trombetas do Juízo Final.
Podem pintar o mar de marrom
e botar dez mil crianças assaltando no sinal,
podem parar o mundo e apagar a luz,
abrir a caixa dos pregos e me pregar na cruz,
podem rodar a baiana, podem soltar a franga,
bordar tudo mais feio que o cão chupando manga,
destruir a ferro e fogo os frutos do paraíso,
nada vai apagar meu sorriso.

Podem sujar a atmosfera
até fazer doloroso o ato de respirar.
Podem abrir a jaula e soltar a besta-fera
com sua boca horrenda para me devorar,
perfurar meus olhos com setas envenenadas
até que fiquem cegos,
me fechar no escuro junto com morcegos,
ratazanas e baratas aladas,
sem nenhum sinal ou prévio aviso,
nada vai apagar meu sorriso.

Entre os campos de batalha dessa guerra infame,
busco trocar amor com quem também me ame.
E sei que a maioria das pessoas são pessoas decentes,
gente do bem trabalhando para criar filhos
e passar sua herança de conhecimentos.
Por isso, quando o trem parece correr fora dos trilhos
e o dragão ameaça cuspir fogo pelas ventas,
eu sei que tudo na vida tem uma explicação
e que existem razões que são estranhas até à própria razão.
Não importa as teias que a aranha teça,
a gente tem que se cuidar pra não virar presa.
Se a aranha tá afim de te jantar,
você não pode permanecer passivo.
Não apenas navegar, viver também é preciso.
Eu fico mais forte quando penso nisso:
nada vai apagar meu sorriso.

( do livro Poemas do Amor Eterno)

O TEMPO
O Tempo é um rinoceronte
que range e ruge de longe.
O Tempo é um elefante,
um elevador,
um altofalante
perto e distante.
O Tempo é um diamante,
um trilho, uma trilha,
macho e fêmea,
filho e filha.
O Tempo
é um cachorro.
Range
os dentes,
ruge,
e foge
latindo
para uma vaca
que muge.
Enquanto a onça ronca,
o macaco ranga.
Quando a onça
abandona seu posto,
a raposa vai à caça
e o cabrito faz seu pasto.
Viver é um passeio nos astros.
Os bichos deixam seus rastros –
a alma humana, seus lastros...
( do livro Poemas do Amor Eterno).O
O Amor
é

Terno.

O
Amor
é

Fêmero.


O
Amor
é

Fé.


O
Amor

É.

( do livro Poemas do Amor Eterno)




O LAVRADOR DE PALAVRAS
O torso descoberto no dorso aberto da tarde
O lavrador de palavras planta palavras na lama.
A cada letra que planta é dez segundos mais velho
( Com licença,
Vou me olhar no espelho)

( do livro O Lavrador de Palavras).

sábado, 14 de janeiro de 2012

PAULA FAOUR


Paula Faour abre a programação de concertos em 2012 do Espaço Cultural Eletrobras Furnas. Dia 28 de janeiro, às 20h, a pianista será acompanhada por Sergio Barrozo no contrabaixo e Paulo Diniz na bateria, e terá como convidado especial o saxofonista francês Idriss Boudrioua. Juntos, eles apresentarão as músicas do CD Paula Faour e a Música de Marcos Valle & Burt Bacharach, lançado pelo selo Biscoito Fino. Neste trabalho, Paula apresenta uma nova concepção de arranjo, onde entremeia as melodias originais e acrescenta seu estilo pessoal, criando versões inéditas de pérolas como: Samba de Verão; I Say a Little Prayer; Um Novo Tempo; What the World Needs Now is Love; Preciso Aprender a Ser Só; e Do You Know the Way to San Jose. A entrada é gratuita, com senhas distribuídas 1 hora antes do espetáculo e serão limitadas à capacidade do auditório (192 lugares).

Espaço Cultural Eletrobras Furnas fica na Rua Real Grandeza, 219 - Botafogo, Rio de Janeiro. Contato: www.paulafaour.com.br

CARLOS LÚCIO GONTIJO


Escola, família e cultura

Carlos Lúcio Gontijo

As escolas, mais que nunca, precisam inserir as famílias no processo educacional como meio de ao menos alcançar alguma diminuição no avanço do nível de rebeldia e agressão por parte dos adolescentes. As análises dos estudiosos e técnicos que lidam com dados relativos à violência no ambiente escolar sugerem que, antes de ser vistos como simples casos de polícia, problemas como droga e demais transgressões cometidas por crianças e adolescentes devem, numa primeira fase, ser tratados como questões pelas quais as escolas e as famílias precisam responsabilizar-se.

Logicamente, para abraçar essa exigência, a estrutura escolar necessita equipar-se adequadamente, com quadros suficientes de psicólogos e assistentes sociais, que tenham condições de dialogar com os lares dos quais provêm os alunos com problemas de comportamento ou dificuldade de aprendizado, uma vez que os professores e as escolas não podem ser utilizados como substitutos ou tomar o lugar de pai e mãe, que não raro visualizam a entidade escolar como depósito de crianças e adolescentes com as quais não conseguem ou não têm tempo de lidar.

O trabalho psicopedagógico com estudantes flagrados usando drogas no entorno ou mesmo no interior de instituições de ensino merece uma avaliação mais abrangente e multidisciplinar, envolvendo psicólogos, professores e pais, pois que é notória a percepção de que, quase sempre, os jovens usuários de drogas não são apenas jovens de lares desestruturados, mas indivíduos que vivem em ambientes nos quais impera o diálogo familiar ruim, em que é cada vez mais comum pai e mãe trabalharem para o sustento material dos filhos, ficando sem o tempo necessário para o estreitamento dos laços afetivos de compreensão, confiança, respeito e amizade, o que leva os lares a ser constituídos por estranhos que moram sob o mesmo teto. E, convenhamos, o simples apelo à força da consanguinidade pouco vale nesses casos!

Todavia é bom que nos lembremos de que educação e cultura no Brasil sempre foram áreas desprezadas e mal administradas ou tratadas como de menor relevo, apesar de todas as autoridades constituídas terem pleno conhecimento de que o país não chegará a lugar algum se não coadunar o crescimento da economia com a evolução do nível educacional de sua gente. Se assim não se der, o Brasil jamais passará de nação rica com povo pobre, porque sempre haverá bolsões de miseráveis e cidadãos incapazes de cuidar de si mesmos, exatamente pela letargia advinda da ignorância e falta de discernimento. A explícita realidade é que não existe nada mais dispendioso para o Estado que o cidadão desprovido de escolaridade e conhecimento suficiente em face das exigências do mercado de trabalho cada vez mais informatizado.

Quem como nós se entrega ao exercício da literatura e do jornalismo assiste à crescente escassez de leitores, num panorama tortuoso e de difícil saída, principalmente quando nos deparamos com caderno de cultura da importância de um jornal “Globo”, desperdiçando o precioso espaço de seu site para mesurar quantas vezes as “meninas” do Big Brother Brasil de 2011 se masturbaram no transcorrer do educativo programa. Não há como envidar esforços em prol da educação em meio a tantos fatores de deseducação dessa magnitude.

O povo brasileiro (todos nós) está à espera da inauguração de uma escola assentada em ensino democrático, onde a comunidade escolar seja protegida pela prática de conceitos didático-pedagógicos modernos, ministrados por professores bem remunerados e em constante reciclagem. Somente dessa maneira nosso sistema de ensino será capaz de transmitir conteúdo didático e lições de solidariedade e amor ao próximo, que ficarão fixados na mente dos estudantes através da harmônica sintonia entre instituições de ensino e pais de alunos, numa interação que, mais que salvar jovens da ignorância, os afastará da delinquência proveniente do poder de cooptação praticado pelos inescrupulosos agentes do narcotráfico, que tão bem sabem tirar proveito da falta de união, compromisso social, senso coletivo e congraçamento da chamada sociedade organizada.

Carlos Lúcio Gontijo

Poeta, escritor e jornalista

www.carlosluciogontijo.jor.br