terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

LUIZ ROSEMBERG FILHO


“ A sensibilidade musical é a manifestação vital do ser humano.”
Wittgenstein

P A T R Í C I A
De certo modo a música clássica confronta a desumanização da vida moderna que se arroja a ser uma via de mão única. Mas não queremos com nosso novo trabalho, demonstrar ou anteciparmos um outro tipo de poder pois entendemos que todo poder instaurado só pode ter algum valor se levado por porcos ou charlatões. Ora, a música é uma das essências da linguagem dos deuses. Torna-se impossível visualizá-la buscando expressões no seu uso político. E só em estar muito além de si, torna-se uma expansão da Paixão, pois ao não se explicar essêncializa movimentos de prazer no dançar, no cantar e no ouvir. E enquanto os porcos chafurdam na política de interesses duvidosos, a música se eterniza purificando a existência ligando a realidade a um prolongado sonho dionisíaco.
Mas queremos esse sonho para todos! Esta é a razão de ser da Arte. E por isso é tão dificultada como sendo uma expressão impudica do Amor. Os aristocratas sifilíticos da “nota”, da burocracia e da política não suportam a defesa da beleza e da poesia da velha Grécia, pois só obedecem e entendem a circulação do seu dinheiro. Ora, como introduzir a Arte em tal espaço? O nosso “PATRÍCIA” é uma espécie contida de retorno a Dionísio, pela alegria musical de uma jovem Soprano. E da nossa parte apenas a elevamos como devoção a beleza da música de Bach ou Vila-Lobos. E como bem expressava Nietzsche::”Quem não amar com sabedoria desespera-se com o poder do amor.” É um pouco como vemos a função da música de qualidade: ao mesmo tempo interior e exterior, só que sagrada.
Eu sempre quis homenagear de algum modo a música erudita, enraizada em mim desde a juventude. Mas não sou teórico, nem profundo. Apenas me deixo levar por conceitos musicais que não domino, ao contrário da parceira e co-diretora Ana Terra. Mas é pela música que me deixo repousar. Que me procuro na representação positiva de um mundo que nunca gostamos. E ela nos ajuda como força, alimento, poesia e beleza. Talvez seja a única Arte nascida para aceitação de todos pois não necessita de nenhum tipo de interpretação como o cinema, o teatro ou a filosofia. A boa música popular ou erudita está além de convulsões comerciais e simpatias. E raramente é obscurecida como mercadoria de segunda, manipuladíssia pela TV. Televisão que só se alimenta de excremento.
Claro que se pode gostar mais de Bach que de Wagner ou Vivaldi sem que isso invalide a importância de qualquer um. Todos ultrapassaram a grandeza do discernimento imediato. Ou seja, a habilidade da boa música é uma espécie de refinamento da alma humana. Falo aí como degustador da beleza a serviço dos homens. Precipito-me na grandeza da contemplação de uma jovem Soprano, professora e Mulher apaixonadíssima pelo seu ofício. Chegamos a Patrícia Vilches me apresentada por Ana Terra com quem divido a direção deste novo trabalho sobre a música erudita e a sua representação no mundo de hoje.
“PATRÍCIA” é uma pequena classificação da vontade criativa como potência. Não é uma interprete canhesta da nossa sofrida aprendizagem da sensibilidade musical. Nos deixamos levar arrastados de um lado pelo desconhecimento profundo do tema, e do outro pela paixão aplicada ao crescimento do humano no grandioso lago da harmonia possível com o Outro. Ou seja, não fizemos cortes ou malabarismos publicitários conhecidos no mundo do baixo cinema-televisivo. “PATRÍCIA” que estávamos conhecendo e descobrindo, habilmente nos conduziu afetivamente à todos. Não como professora, mas como ser humano.
A grandeza do filme se divide entre a Soprano Patrícia Vilches e as músicas que livremente ela escolheu cantar. Mas foi além do cantar. Deu grandeza e importância aos seus compositores preferidos e a todos nós. E aí me refiro a Ana Terra, Renaud Leenhardt, José Carlos Asbeg, Sindoval Aguiar, Vivian Lacerda, Eugênio Hollanda, Dília Tosta, Tatiana Tsai e a Marcelo Ikeda. É um pequeno filme de alma grande. Uma carta de amor de todos a restituição da música como elemento de formação necessária para um povo mais sensível. De uma nação ainda jovem. Um trabalho que quer ser útil a saúde emocional de todos. Claro que estou falando em nome de todos. Outros podem pensar de maneira diferente.
É um trabalho simples, próximo, terno, afetuoso como foi o nosso “ANA TERRA” e o “ANALU”. Nos permitimos dar legitimidade ao afeto tão artificializado pela TV e pela publicidade. E talvez a graça esteja justamente aí: o de reinventarmos o essencial do nosso lado humano, o respeito, a ternura, o afeto, o humor, o saber...e por fim a vida. Uma vida mais pura, menos inventada pela técnica e mais vivida por todos. Ou seja, não estamos fechados para nada. Produzir o aparentemente comum pode ser também audacioso se nos deixarmos surpreender pelo lado afetivo da criação. E como o gozo, aí nunca nada se repete. Mesmo porque trabalhamos temas e pessoas grandiosas na liberdade da Criação.
Nos permitimos observar quietos a docilidade irresistível da música a serviço do sentimento humano. E se a atual peste do mundo chama-se poder, o seu desmembramento só será possível com o saber e a sensibilidade. Do contrário fundamentaremos como colaboradores a aceitação do horror velado que se tenta impor ao mundo. E a Arte de modo algum se identifica com a fraqueza dos muitos discursos que nada dizem. Discursos de ontem e de hoje. E as mesmas ladainhas de sempre.
Cantando a sua pequena revolução-possível a Soprano Patrícia Vilches me remeteu a Albert Camus que sabiamente dizia: “Não existe vergonha em ser feliz. Atualmente o imbecil é rei, e eu chamo de imbecil aquele que tem medo de ser feliz.” E é por onde passa a voz da Soprano: pela vida, vivida. Pelo coração esperançoso de felicidade onde tudo é permitido, menos a submissão ao mercado de inutilidades, consumo e exploração pela má-fé da música comercial descartável. E lamentavelmente é claro que não interessa a TV aberta, a sensibilidade como experiência humana do saber ser para o coletivo.
Patrícia Vilches é uma convulsão de bom humor e simpatia. Admitir a sua importância é de certo modo ultrapassar generalizações que acabam por só justificar o mercado de aberrações. E se é disso que vive o sistema, somos obrigados a questioná-lo na sua indiferença pela beleza. Daí o final como nossa habilidade, dos que preferem o inútil lado da vida: o poder do dinheiro, da avidez, dos negócios duvidosos, dos discursos que nada dizem, do oportunismo, da pilantragem, do “sucesso”, da fama... E se ainda existe alguma grandeza em remar contra tudo e todos, o seu núcleo chama-se: beleza, saber, poesia, Democracia, respeito, simplicidade, afeto, natureza, ousadia, ética, luta, vontade, leitura, criatividade, conhecimento, humor, Amor e sensibilidade; E por fim , a existência de uma guerreira chamada Patrícia Viches. Que se abram os corações para vê-la e ouvi-la! Vamos ao filme!

F I M
Luiz Rosemberg Filho/ 2012

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

RAYMUNDO ARAUJO FILHO


Stédile X Dilma: Blá, blá, blá para enganar desavisados

Não gosto de enviar nada sobre política sem que tenha o meu comentário, pois política sem debate ou opinião firmada pelos interlocutores. Como recebi de um entusiasta do MST a reprodução sem comentários do diálogo entre Stédile e Dilma, sem nenhum comentário, talvez na certeza que ali se travava um debate entre um justo e uma injusta, tento aqui colocar alguns pingos em alguns iiiis.
Senão vejamos:
Primeiro a escolha do palco, para o "enfrentamento". Nenhum seria melhor do que este FMS (e os Fóruns Temáticos) em Porto Alegre que, a partir do terceiro realizado, foi totalmente hegemonizado pelas "forças militantes" do PT, tornando mais esta experiência que poderia ser virtuosa em palco para claques políticas e partidárias, uma espécie de FPU (Forum do Pensamento Único), nada mais se encontrando por lá, em termos de diversidade cultural, ideológica e política. No máximo uns europeus e estadunidenses, com cara de bobos alegres, ávidos por contatos com "o Povo pobre da América Latina e África")
Depois o local "sui generis" para o encontro de Romeu e Julieta, digo Catupiry e Goiabada, ooops, digo, Stédile e Dilma. Uma reunião fechada, com convidados especiais das cúpulas partidárias, ONGs amigas e demais aliados, todos imbuídos que a aliança vai resistir às diferenças de opinião, pois é o Poder quer está em jogo (e as verbas, liberadas em conta a gotas, e sob condições políticas explícitas). E o Poder, como sabemos, é a principal meta deles, desde que eles sejam os dirigentes. A mídia amiga, do PIL (Partido da Imprensa Lullista) já estava toda preparada para divulgarem "o nível de democracia de nosso Brasil, il, il, il. A presidenta Dilma en "confronto" direto com o Rei, digo, sec. geral do MST, Stédille.Agora os fatos: Dias antes deste "confronto" o dirigente do MST Joaquim Pinheiro deu entrevista expondo o que venho denunciando aqui há vários anos. Literalmente disse que o MST está no chão, sem capacidade de monbilização, que atribui ao crescente nível de emprego no país, ao Bolsa Família e a inatividade do governo federal com a paralização da REFORMA AGRÁRIA. lembro a todos que 65% dos empregos do país são de salário mínimo, que corresponde a cerca US$ 60, em se comparando ao dólar de FHC (cerca de R$3,60). E como sabemos, a cotação do dólar é fictícia, respondendo mais as necessidades políticas do que a qualquer coisa mensurável pela econometria.Primeira Pergunta: Porque um governo avançaria em um programa como a Reforma Agrária, se a demanda (= pressão popular) é quase nula?. Ora! É porque um "governo popular tem esta obrigação, a de democratizar o acesso e uso da terra", diria algum entusiasta Lulo-Petista-Dilmista. Conclusão Aristotélica: Este governo do PT não é de cunho e ideologia Popular, portanto.
Segunda pergunta: Porque então o MST apóia politicamente este governo, fingindo não ver que ser derrotado sem luta, aliás apoiando quem nos trai, é pior, pois não deixa sementes nem histórias para, quem sabe um dia, novas forças recomeçarem a luta, com outras perspectivas (a não ser que os "esquerdistas" de agora, persistam nos tempos vindouros, o que serria um desastre).Com este substrato Stédile dirige-se respeitosamente para aquela que veio terminar o serviço iniciado por Lulla, isto é, acabar com o MST, só que "democraticamente", sem uma borrachada, como faziam os outros presidentes. Já é alguma coisa! Diriam alguns. E muitos, além de acharem isso, se locupletaram com cargos públicos por nomeação (o MST sempre teve gente deles nomeada no INCRA, MDA e outros ministérios e governos estaduais e municipais) além de falcatruas como o PRONERA em MG, junto com a Universidade Metodista (segundo denúncia inequívoca do companheiro Julio Castro, aliás ameaçado de morte por um dirigente do MST mineiro, um marginal que atende pelo nome de Critistiano). Na sua preleção retoma, de forma monótona e quase cifrada toda a agenda abandonada pelo governo (pasmem, até o governo FHC superou os números do PT, na Reforma Agrária), na mesma lenga lenga anódina que estamos acostumados a ouvir, como se estivesse a dizer para a presidente Dilma "se preocupa não, pois tapa de amor não dói", reafirmando que as críticas não significam nenhuma possibilidade de rompimento e tornando mais popular ainda um ditado que tanta desgraça já causou neste país machista e misógeno, como afirmo ser o Brasil.

Dilma respondeu, simplesmente DEMOLINDO a prosopopéia "frapé" do Stédille, reafirmando como verdades todas as mentiras que estávamos acostumados a ouvir do....FHC (e do Collor). E tudo ficou por isso mesmo, todos satisfeitos com o grau de "democracia" deste Brasil, il, il, il.

Em seguida, a presidente DiLLma foi fazer bonito em Cuba (onde ficou um só dia - menos que na Bulgária, terra natal de seu pai, e sem nenhuma importância para nosotros brasileiros). Lá fez bonito, questionada sobre os direitos humanos, mencionou Guantánamo "colocando uma saia justa nos EUA", como ouvi um basbaque falar - com,o se o Brasiol tivesse alguma imnpoortãncia política no mundo e não fosse apenas a maior Casa de Tolerância do Capitalismo Internacional, como somos hoje, quando não se fazem mais meretrizes como antigamente....(aquelas ao menos cobravam alto pelos seus serviços).

Ao sair, deixou umas moedinhas para Cuba que, país pobre que é, e sujeito ao Bloqueio Econômico, não pode rejeitar, e até agradeceu (o que fez muito bem, visto o beco sem saída em que estão, infelizmente, mas não sem parcela de responsabilidade de seus dirigentes, mas que não me faz imprecar contra eles, com,o fazem alguns "esquerdistas mudernos". Ato contínuo, a presidente do Brasil, país que nos últimos dois anos recebeu de braços abertos e com visto de trabalho, cerca de 80 mil estrangeiros, quase todos brancos e europeus, que vieram para o Brasil, como a redescoberta do Novo Mundo quinhentista, para dizer aos haitianos que o Brasil recebeu de braços abertos 4 mil haitianos, e vai receber mais mil....POR ANO, isto é, 40 vezes menos do que recebe de europeus, sem reclamar. Temo uma guerra civil no Haiti, na fila de vistos diplomáticos para o Brasil....

Assim, Dilma deu um cala a boca nesta Ex Esquerda Corporation W.C. de StédiLLes e Companhia, que a acompanha nesta aventura governamental, dizendo que "não corremos o risco de voltar ao neoliberalismo" (é lógico, pois dele não saímos...), com esta resposta tão contundente quanto mentirosa ao Stédille, em um Forum Internacional, como é o FSM, e a viagem de "marketing" pessoal, como uma Rainha de Sabá a distribuir esmolas aos seus primos pobres do Caribe e, de quebra, alguma movimentação tímida, sem graça, eficácia e tardia, sobre o Massacre de Pinheirinhos, talvez para encobrir a paralisia das forças petistas que dizem antagonizar o PSDB, e com o rabo preso por ação de igual teor, com violenta desocupação de área, feita pelo governo petista do Distrito Federal, outro dia, mas não noticiado (vide http://emicles.blogspot.com/2012/01/fiscalizacao-derruba-500-edificacoes.html). Com uma fachada desta, qual o "esquerdista" que vai contestar o que vai por aqui?
O chato é esperar o que VIRÁ por aqui...
Assim, fica a possibilidade de um "enfrentamento" mixuruca, sem resultado algum, virado senão em mais uma derrota do que seria a reinvindicação de um projeto social consistente para o país, cuja política de habitação não dependesse dos "humores e rentabilidade" para os empresários, uma Reforma Agrária que signifique a mudança de rumos e de modelo econômico (mais do que neo liberal, a meu ver) e tudo aquilo que todos estão cansados de saber, mas que apenas uma minoria tem a coragem de denunciar, sem que esteja por trás, apenas a luta política para o retorno do outro time de Ali Babás, para nos governarem.
Assim, Stédile conseguiu a visibilidade que necessita para fingir que "continua na luta", e Dilma ampliou a sua área de manobra, engolindo o Stédile e jogando para a platéia da Ex Esquerda Corporation W.C., para tudo "continuar como d'antes no quartel do Abrantes", inclusive em Guantánamo pois, como já escrevi acima, mas repito convicto, Dilma e o Brasil NADA, ABSOLUTAMENTE NADA representam politicamente na geopolítica mundial, sendo somente o país onde o capitalismo poderá se reorganizar na sua nova etapa de exploração.Qualquer interpretação diferente desta que faço, do "embate de Itararé" entre Stédile e Dilma terá de vir acompanhado de fatos, e não apneas conjecturas pessoais.

Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopatia e reinicia em 2012 a sua labuta de articulista chato e crítico, escrevendo Lula e Dilma com um "l" só, mas adotando o mesmo para o Collor (agora Color) por considerá-lo apenas um aprendiz de feiticeiro, comparando-o com o que vai nas nossas costas com estes "governos populares" que temos tido de uns anos para cá.

PIER PAOLO PASOLINI


Capriccio all'italiana (Capricho a Italiana) - episodio: O que são as nuvens?

Produção: Itália, 1967
Duração: 22 min
Idioma: italiano (legendas eletrônicas em português)


Em um teatro, diante de um público popular, é encenada uma versão cômica da tragédia "Otelo", de Shakespeare, em que atores reais fazem papel de marionetes. O invejoso Iago, alferes de Otelo, mente ao seu senhor. Diz que sua amada mulher, Desdêmona, o havia traído com Cássio, soldado de sua confiança. Otelo não se conforma e quer vingança. O público não aceita o final da história, invade o palco e reverte toda a situação.

***

Che Cosa Sono le Nuvole? ("Que Coisa São as Nuvens?", 1967), episódio do filme Capricho à Italiana, uma farsa no estilo do genial A Terra Vista da Lua, e um dos melhores curtas de Pasolini, parábola cômica, grotesca e profundamente triste. Um teatro de fantoches encena o Otelo de Shakespeare para um público popular. Os fantoches são atores com cordas amarradas nos braços e pernas. Totó representa Iago, com um esquisito chapéu negro, uma roupa de bufão sinistro e a cara pintada de verde. Ninetto Davoli faz um jovem Otelo meridional, com trejeitos e dialeto de subproletário. Tem o rosto pintado de chocolate. Desdêmona é encarnada por Laura Betti, com voz esganiçada e rosto de boneca de porcelana. Um cômico popular, ex-parceiro de Cicio Ingrazia, faz um Cássio perfeito, um fantoche em cena e também nas mãos do maquiavélico Totó-Iago. Mas, na cena final, quando Otelo começa a estrangular Desdêmona, o público invade o palco e separa os bonecos, investindo contra aqueles personagens que, a seu ver, deveriam ser linchados, ou seja, o Totó-Iago e o Otelo-Ninetto. Os dois são estraçalhados pelo público: assim inutilizados, são descartados pelo dono do teatro.

O resto da troupe de bonecos chora o abandono e a morte dos dois parceiros. Totó e Ninetto, descarregados pelo furgão numa montanha de entulho, estão quebrados, mas ainda vivem em seu estado de bonecos falantes. Ninetto vê, então, pela primeira vez, o céu, carregado de nuvens. Maravilhado ele pergunta: "Que coisa são as nuvens?" E Totó, como sem resposta diante da imensidão da realidade, responde: "Maravilhosa beleza da criação!" Pasolini reescreve a tragédia de Shakespeare do ponto de vista do povo e de seu próprio ponto de vista. Para o povo, Otelo e Iago deveriam morrer para que Desdêmona pudesse formar o "casal perfeito", branco, loiro, bom, normal. Mas Pasolini sacraliza os marginais. O verde Iago e o Otelo cor de chocolate já são diferentes dos outros bonecos por sua cor. Eles representam a alteridade que perturba a massa. Neles, as paixões (inveja, ciúme) são mais fortes que a razão e por isso são condenados e linchados pelo povo e atirados no lixo, fora da cidade, zona limite que marca o lugar que a sociedade reserva aos diferentes. Nesta extrema humilhação, contudo, eles descobrem o êxtase, a realidade que havia sido encoberta pelo teatro da sociedade, as nuvens que estão no céu, como uma força da natureza: o desaparecimento destes fantoches causa profunda tristeza: a sociedade só perde quando extermina seus antagonistas. Ao mesmo tempo, há alegria na morte porque, para Pasolini, só ela dá sentido à vida.
***
Fonte:
http://www.grude.ufmg.br/gerus/noticias.nsf/e76867f1f59135c983256bd8006d3f64/ddac255ed76bf95183256c5200121714?

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

SONIA LIMA É SUCESSO!!!




Minissérie Rei Davi, da TV Record, estreia com boa audiência e coloca a emissora na liderança

A minissérie “Rei Davi”, produzida pela TV Record ao custo aproximado de R$ 25 milhões estreou com bons índices de audiência, e por quinze minutos, não consecutivos, alcançou a liderança do horário. O episódio de estreia foi baseado nas passagens bíblicas do livro de 1 Samuel, capítulos 13 a 16.A prévia divulgada pelo Ibope mostra que a emissora do bispo Edir Macedo ficou à frente do SBT durante todo o episódio de estreia e que em alguns momentos, ficou inclusive à frente da Globo, que no total, liderou o horário com média de 17 pontos, exibindo a minissérie “O Brado Retumbante”. A TV Record ficou com média de 14 pontos, enquanto o SBT manteve-se na casa dos 9 pontos, de acordo com informações do blog Audiência de Canal.Segundo especialistas do site TV Foco, do portal Pop, a produção teve altos e baixos. As cenas de batalha ou do menino Davi cantando os Salmos 23 e 139 em hebraico foram motivo de elogio. Já a cena em que Davi luta com um urso para salvar suas ovelhas e a interpretação de Cláudio Fontana como o filho do rei Saul, Jônatas, foram consideradas fracas.Para o lançamento da minissérie, a emissora reservou duas salas de cinema em um shopping no Rio de Janeiro, e contou com a presença de todo o elenco da produção e alguns convidados.fonte Gnotícias

declaração da grande atriz e amiga SONIA LIMA para o nosso site:
Volto as gravações hj, ainda tenho muitas coisinhas para gravar.
Fiquei 06 dias internada e 04 em observação, mais a parte puxada que era ir para Diamantina, acabou. Estou em estado de graça e agradecida a Deus por fazer parte desse elenco de feras, e desse trabalho incrível.Então, todos os conta tempos, tiramos de letra, em nome da arte.
beijoo carinhoso e obrigada pelo carinho de sempre.
na foto: SONIA LIMA durante as gravações em REI DAVI.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

ENTREVISTA COM SYLVIO BACK


Notícias da radioweb
Países envolvidos mentem sobre Guerra do Paraguai, afirma cineasta


Por: Rádio Brasil Atual

Publicado em 14/07/2011, 18:32

Última atualização em 05/08/2011, 13:33

Marilú Cabañas: Dando seqüência a série “Quem tem medo da Guerra do Paraguai, vamos falar hoje sobre este conflito sob o olhar do cineasta e escritor Sylvio Back, e ele conhece bem a história dessa guerra e a cultura do país vizinho, porque fez o filme A Guerra do Brasil e o documentário República Guarani. E esta experiência fez o cineasta se lançar na ceara do conto e publicou o livro A Guerra do Paraguai, que nós estamos sorteando inclusive pelo site www.redebrasilatual.com.br, e é só responder a pergunta; em que ano terminou a guerra do Paraguai? Vamos fazer aqui uma colinha, para quem não sabe este episódio sangrento ocorreu entre 1864 e 1870, e envolveu de um lado o Brasil, a Argentina e o Uruguai e de outro o Paraguai. E falando ainda sobre o Sylvio Back, ele tem uma vasta filmografia, tem 37 filmes realizados entre curtas, médias e longas metragens. Já ganhou setenta e quatro prêmios nacionais e internacionais. Estamos aqui ao lado do Oswaldo Luiz Colibri Vitta, que é o nosso diretor de jornalismo, bom dia!

Colibri: Bom dia Marilú, tudo bem?

Marilú Cabañas: E com Sylvio Back, tudo bem Sylvio?

Colibri: Bom dia Sylvio. Prazer tê-lo aqui neste programa especial, que é inspirado em você. Eu já falei antes de começar o programa, por quê inspirado? Porque eu tive o prazer e o privilégio de ver as primeiras montagens do Guerra do Brasil em 1986, este filme tão importante e sobre a guerra do Paraguai que ele vai falar daqui a pouquinho para nós, e eu tive este privilégio e, ficou na minha cabeça desde então. A gente estuda na história do Brasil , nas escolas, a história da guerra do Paraguai, mas neste documentário que você fez balançou com a gente até hoje, eu fiquei muito impactado com essa obra sua e você foi a figura que inspirou essa série. Porque neste momento o Brasil está na discussão, abre ou não abre os arquivos sobre a ditadura militar, e mais para trás sobre a guerra do Paraguai. Então eu queria saber de você, que é a nossa primeira pergunta, se você é a favor da abertura desses arquivos da guerra do Paraguai, já que a Argentina e o Uruguai já divulgaram documentos e o Paraguai também já divulgou a muito tempo esses documentos sobre a guerra do Paraguai. Então a primeira pergunta se você é a favor da abertura desses arquivos, Sylvio? Prazer em tê-lo aqui mais uma vez!

Sylvio Back: Olha, antes de mais nada, você me deixa até sem jeito , de me colocar aqui como “muso” dessa série e pertinente e importante, atual. Você talvez saiba, mas antes de ser cineasta eu fui jornalista. Já muitas vezes disse que eu sou um jornalista que faz filme. E eu sou a favor da liberdade de expressão, portanto, se tiver algum arquivo fechado, que seja aberto. Não há porque esconder nada, nem entre quatro paredes hoje, na era da internet, não existe mais praticamente nada escondido. Que se abram imediatamente todos os arquivos e que a verdade venha à tona. E eu coloquei como epígrafe desse filme uma frase em alemão que diz assim; “ A verdade é concreta”. Portanto, se existe alguma coisa escondida que venha à tona, porque isso só vai melhorar e ampliar o espectro democrático que está caracterizando os países do MERCOSUL, enfim da América Latina toda.

Colibri: Sylvio, quando você fez esse documentário, você ouviu, você foi para o Paraguai. Fala um pouquinho da pesquisa, porque antes de você produzir o documentário, você pesquisou a fundo. Você falou com historiadores, você falou com políticos, com militares. Fala um pouquinho dessa pesquisa e o quê você concluiu, ouvindo tanta gente, se todo mundo mente, ou se cada um conta a sua verdade, não é? E dizem sempre que, a gente sempre ouve a história daqueles vencedores e os vencidos ficam em segundo plano. Como você construiu essa obra e essa pesquisa toda, quanto tempo demorou e com quem você conversou?

Marilú Cabañas: E se a verdade ai neste caso é concreta.

Colibri: Se a verdade é concreta, essa frase eu não esqueci além do filme!

Sylvio Back: Olha, é uma coisa a lembrar e importante, é que este filme foi feito durante a ditadura Stroessner. Então você imagina quando eu cheguei no Paraguai, quando levantei a idéia de fazer esse filme, imediatamente no Paraguai eu entrei como uma pessoa suspeita lá. Afinal, um representante, um artista, um cineasta do país vencedor, como ele vai encarar? O quê ele veio fazer aqui? Tive muita dificuldade de provar para eles de o filme isso acaba sendo na prática isso, de que eu ia fazer um filme eqüidistantes das paixões nacionais. O filme eqüidistante da visão do Brasil, do Paraguai, da Argentina e do Uruguai, eu fiz um filme que é uma das características da minha obra de fazer um filme “deseideologizado”, ou seja, atrás das ideologias sempre têm mentiras, têm mitos, têm tabus, têm coisas que acabam jogando areia nos olhos do espectador ou do leitor. Então eu quis com o filme mostrar, me mostrar, o quanto mais isento possível. E deixando que os protagonistas do conflito colocassem todas as suas verdades. Eu também, nesse filme, nessa pesquisa, que levou em torno de quatro anos; de 1982, 1983 até o final do filme, mesmo quando o filme está pronto e exibido, você continua a discutir sobre o filme e você até se da conta de coisas que você não pôs no filme e que deviam estar lá. Mas eu descobri nestas pesquisas que o vencido também mente. E não é só o vencedor que mente que tenta escrever sobre sua história, o vencido também mente. Então a partir deste momento, quando eu me dei conta disso, por que as vezes dizia; não porque o Brasil aumenta que tinham vinte mil, trinta mil soldados em Tuiuti, sobre o comando do Caxias e o Paraguai tinha cinqüenta mil, ou enfim, de que o Paraguai aumentava tudo, e que as vitórias brasileiras eram heróicas por causa disso, ou o inverso; de que o Paraguai as vitórias eram heróicas porque o Brasil tinha muito mais equipamentos, estava muito mais armado, com armamento da época mais moderno. Eu descobri que isso não era verdade, cotejando livros de militares brasileiros, com livros de militares e historiadores argentinos, paraguaios e uruguaios, eu descobri que se eram trinta mil contra trinta mil, eram trinta mil contra trinta mil mesmo. Como em Tuiuti, porque a guerra do Paraguai foi, talvez a última guerra napoleônica, e da América foi a última guerra napoleônica, ou seja, efetivos contra efetivos. Não foi uma guerra de emboscadas, de guerrilha como foi O Contestado ou como foi Canudos, como foram todos os conflitos do campo, não é? Da América latina, sempre foram de guerrilha. A guerra do Paraguai, foi a única guerra, digamos assim, clássica. Efetivos contra efetivos. Foi ai que eu descobri ambos os lados mentem para criar uma aura de heroísmo para cada país. Se isso é importante ou não, não é a hora de discutir. Eu só quero dizer que para chegar ao fundo do poço, que dizem os chineses que a verdade está no fundo do poço, é difícil você chegar lá. Mas eu levantei, eu permiti que tanto os brasileiros, quanto os argentinos, os uruguaios e os paraguaios, dissessem o que achavam, então eu entrevistei militares argentinos, militares paraguaios, uruguaios e brasileiros, tanto do exército quanto da marinha e ali afloraram coisas inacreditáveis. Por isso que eu sempre duvido e ponho em suspeita, sobre que não se escreveu toda a guerra do Paraguai, porque teria muita coisa escondida, muita coisa que não se sabe, isso é uma forma até humilhante em relação aos historiadores de cada um dos países, porque nós temos historiadores que foram fundo na guerra do Paraguai. O Paraguai tem, a Argentina tem e o Uruguai também. Então é uma guerra que foi muito estudada, foi uma guerra fotografada, foi a primeira guerra fotografada da América do Sul.

Colibri: Essas fotos estão disponíveis?

Sylvio Back: Essas fotos, inclusive estão no filme. Essas fotos na época foram restauradas e essas fotos estão disponíveis. Então é uma guerra que foi devassada, por depoimentos, por biografias, diários, ordens de serviços mesmo. Os exércitos promoveram uma literatura muito grande e os historiadores se aproveitaram dessa literatura. Claro que essas literaturas de cada país, procurava edulcorar deixar mais róseo o seu lado. Mas ai no filme eu acabei mostrando isso. A primeira vítima de todas as guerras é a verdade.

Marilú Cabañas: Estamos entrevistando o cineasta, escritor, Sylvio Back.

Colibri: Agora você acha Sylvio, que nestes documentos que podem ser abertos futuramente, vão aparecer algumas novidades, você conhece tão bem esse assunto? E nós estamos entrevistando, não é Marilu, vários historiadores, falamos com Dublin, falamos com Buenos Aires, vamos trazer outros professores que já estudaram e já escreveram e pesquisaram profundamente o assunto. Você acredita que vai aparecer alguma novidade com esses documentos abertos e se o Brasil de fato abrir esses documentos?

Sylvio Back: Bom isso eu não saberia dizer. Eu imagino que mesmo que surja um documento bomba, não vai mudar a configuração nem histórica, nem sociológica, antropológica, ideológica, geográfica, geo-política da guerra do Paraguai. Acho que isso é um fato consolidado, é ainda uma ferida aberta, sem dúvida, não é a toa que cento e quarenta anos depois do fim da guerra do Paraguai, nós estamos escrevendo sobre a guerra do Paraguai. Eu mesmo, motivado por isso, até do que vocês estavam me falando, porque esses documentos que existiriam e que nunca vieram à tona, eles fazem parte de um imaginário, não é? Tanto brasileiro como paraguaio, como argentino , como uruguaio. É imaginário. Alguma coisa que vai mudar, não vai mudar nada. Os mortos continuaram mortos, os heróis continuaram heróis, os falsos heróis continuaram também. Talvez motivado por isso, depois que terminei A Guerra do Brasil, que fiz em 1987..

Colibri: Por quê você pôs Guerra do Brasil e não Guerra do Paraguai? Essa pergunta que sempre...

Sylvio Back: É essa pergunta que ... Quando eu estava fazendo as minhas pesquisas, por volta de 1866, 67, os argentinos e os uruguaios, praticamente se retiraram do contingente aliado que eram formados por brasileiros, argentinos e uruguaios, e de repente a guerra do Paraguai, passou a ser uma guerra exclusivamente de tropas brasileiras. Para você ter uma idéia, na tomada de Assunção, em 1868, dos vinte e seis mil soldados que adentraram em Assunção, tomaram Assunção e nessas alturas Solano López já estava perto da fronteira onde hoje é Ponta Porã, Pedro Juan Caballero, aquela região e Cerro Corá, quase vinte e três, vinte quatro mil soldados daquele efetivo, eram brasileiros. E a outra pequena maioria, quase dois mil eram argentinos e os outros eram uruguaios. Quer dizer, a guerra do Paraguai depois de um determinado momento passou a ser uma guerra exclusivamente do Brasil.

Marilú Cabañas: Sylvio, uma pergunta em relação as verdades, as várias verdades expostas. Você acredita que possa ter uma unanimidade em relação ao massacre. Não em termos de números, mas de que houve realmente um massacre da população paraguaia? Existe?

Sylvio Back: Eu estava falando aqui sobre esse imaginário que paira sobre esses documentos, que existiriam e que seriam documentos que poderiam mudar o rumo inclusive sobre essa questão do massacre, de como o Brasil atuou no Paraguai, depois que invadiu o Paraguai. Foi inclusive esse imaginário, é que me motivou a escrever o livro, esse livro de contos que são seis contos, aliás cinco contos. Um poema dedicado à madame Lynch, a concubina e depois esposa de Solano López, a irlandesa madame Elisa Lynch, e o último conto é um conto grande, um conto novela eu diria, que é como seria possível fazer um filme sobre a guerra do Paraguai hoje uma ficção. Quem seriam os soldados brasileiros? Quem seriam, que é a maioria, muitos os voluntários da pátria eram negros. Como armar esses exércitos mesmo para você hoje com a tecnologia você possa multiplicar, colocar mil pessoas em cena e transformar em dez mil, mesmo assim, é preciso que haja uma contingente de pessoas para você poder multiplicar. Então quando o Brasil, a guerra virou uma guerra do Brasil, e quando o Brasil entrou no Paraguai, no território paraguaio, inclusive eu falo sobre isso, que a guerra do Paraguai foi uma espécie de nosso Vietnã. Nós fizemos uma invasão do Paraguai e ai não se perdoou mesmo. Foi uma guerra fratricida mesmo. Não se perdoou a população civil. Isso esta no meu filme, está no livro de contos, está neste diário que as pessoas faziam sobre a guerra do Paraguai, nessa novela. A guerra para os paraguaios e para o exército de Solano López, para a ditadura Solano López, a gente não pode esquecer de que o Paraguai tinha um ditador ferrenho, era um ditador padrão, modelo, assim em violência, mandou surrar a própria mãe, mandou matar os irmãos, ele tinha paranóia de que estava sendo tramada a destituição dele, enfim, no final da vida ele acabou se transformando em uma espécie de personagem shakespeariano, enfrentou o general Camara, “ muero por mi pátria”, e com um heroísmo, que não se configurava antes na personalidade do Solano López. Nunca participou das batalhas, ele comandava as batalhas por telescópio, ele era até conhecido como um comandante, um general “cagón”, como se diz em espanhol, porque ele nunca estava à frente de seus soldados, o que naquela época, nas guerras napoleônicas os generais estavam à frente, isso muitos heróis da Europa, dos Estados Unidos, porque estavam à frente, o George Washington estavam na frente, o Napoleão estavam na frente. Eles não ficavam atrás com um binóculo vendo a guerra, eles estavam à frente como exemplo para os seus soldados. Então esse massacre, o que aconteceu é que o Paraguai é o país mais fascinante da América do Latina. Eu conheço bem o Paraguai, não fiz só o filme guerra do Brasil. Eu antes pesquisei de quatro a cinco anos o filme sobre as Missões Jesuíticas, que é a pronta história do Paraguai, onde eu filmei República Guarani. Uma coisa que me levou três, quatro anos também. Então o Paraguai que hoje foi institucionalizado o guarani. O guarani hoje está institucionalizado, um país onde as pessoas falam o guarani, que é uma língua poética, incrível, não é? Enfim, o Paraguai tem isso, em cada esquina de Assunção ou uma rua se refere à guerra do Paraguai, então este orgulho nacional que o Paraguai tem, o Paraguai, até hoje você sente lá é como se não tivesse perdido a guerra, não é? Então é o Paraguai, em cada batalha que nós consideramos uma batalha vitoriosa, nossa assim, o Paraguai não consegue absorver que eles perderam. Eles ganharam várias batalhas como a Batalha de Curupaiti, foi a batalha que foi um divisor de águas, coincidentemente também uma derrota da marinha brasileira, o Almirante Tamandaré não estava lá, deveria estar mas não estava.

Colibri: Também fez de binóculos?

Sylvio Back: Estava em Buenos Aires. Também a Batalha do Riachuelo, também uma tragédia nacional, uma batalha vencida por um prático do navio do Almirante Barroso que teve um acesso de nervos e não conseguiu dirigir a batalha, e a batalha praticamente foi vencida por um prático do navio que venceu os paraguaios, que tinham navios de madeira enquanto que o Brasil tinha de ferro de aço. Morreu entorno de um milhão de pessoas, mas não de tiros, muitas vezes, de doenças, que desertaram, enfim, houve um envolvimento. Foi uma guerra de seis anos, violenta de quase seis anos ininterrupta.

Marilú Cabañas: Estamos conversando com o cineasta, escritor, Sylvio Back. Vamos fazer um pequeno intervalo e voltamos já, já.
Parte 2

Marilú Cabañas: Estamos de volta com o cineasta e escritor, Sylvio Back.

Colibri: A gente falou da figura do Solano López, e a gente acha também, conversando com os historiadores, que estes documentos brasileiros também podem revelar algumas histórias de nossos heróis; Duque de Caxias o patrono do exército, D. Pedro II. Você até na capa do seu documentário, você põe a figura do D.Pedro II com umas caveiras ao lado, e o Conde D’Eu e outras figuras, que podem ter documentos lá que não serão, digamos assim, favoráveis a imagem que o Brasil tem deles, pelos menos aquelas imagens que a gente estuda na história, não é Sylvio? Você até, a Marilú separou em alguns trechos do documentário, quando você revela que lá no Forte de Coimbra, no Mato Grosso do Sul tem aquele ossário do Paraguai, que é uma coisa que realmente, ela anotou, assustador, não é Marilú?

Marilú Cabañas: É assustador.

Colibri: É assustador quando se vê um trecho do seu documentário. Então eu pergunto, essas figuras brasileiras, até não sei se foi uma ironia, a capa do DVD, uma figura do D. Pedro II?

Sylvio Back: Olha, essa imagem da capa do DVD e é também a imagem do cartaz, do filme Guerra do Brasil, ela na verdade não foi inspirada, veja que curioso isso, ela não foi inspirada nem pelo filme e nem por alguma dica minha. O autor é o grande artista plástico, pernambucano, João Camara. Famoso João Camara, uns dos artistas plásticos mais prestigiados, mais até na Europa, nos Estados Unidos do que aqui no Brasil. Esse D. Pedro quase que com galardões, que são duas caveiras, como responsável por uma espécie de genocídio. Esse genocídio é uma coisa um pouco complexa, usar esta palavra, essa palavra ficou muito famosa nos anos setenta, através do livro do Chiavenato que, aliás, é entrevistado no meu filme, mas não deixou de ser , digamos assim, uma advertência um chamamento para o que as tropas brasileiras protagonizaram, não só as tropas brasileiras. Porque vamos combinar, não existe nenhum exército inocente no mundo. Não existe, não é? O exército soviético não era inocente, o exército americano, hoje, não era inocente, diariamente nós vemos as atrocidades praticadas pelo exército Norte Americano, seja no Afeganistão, seja no Iraque, seja alhures, não há exército inocente. Então se o Brasil foi protagonista de carnificina, e outras coisas, o exército paraguaio também foi, o exército uruguaio que institucionalizou a degola, inclusive o exército uruguaio foi autor de uns dos crimes mais bárbaros da história da civilização, que é incorporar soldados prisioneiros paraguaios; vestindo-os com a farda do Uruguai, e tendo que carregar uma bandeira uruguaia e enfrentar os próprios irmãos paraguaios nas batalhas. Quer dizer, isso é um crime pior que a morte.

Marilú Cabañas: É a honra fica destroçada.

Sylvio Back: Enfim, foi uma guerra suja como todas as guerras sujas. Dizem até os americanos, existe um estrategista norte-americano diz que existem guerras limpas e guerras sujas. É estranho, não é? Mas existe aquela guerra limpa que entre aspas, onde a população civil não é envolvida, onde os alvos são alvos teoricamente militares.

Marilú Cabañas: Militares

Sylvio Back: Como, teoricamente, estaria se fazendo na Líbia hoje. E a guerra suja seria aquela guerra que envolve a população civil. E nisso foi uma guerra suja, como foi suja a guerra do Vietnã, por isso há uma certa equivalência entre a guerra do Vietnã e a guerra do Paraguai, aquele canto ali com o rio Paraguai com o rio Paraná que vai dar no rio da Prata, aquilo é uma espécie do Delta do Mekong, que latino americano, sul americano e que tem muito a ver com isso, porque nós entramos ali com uma parafernália muito moderna, o exército brasileiro comprou navios, que eram os navios que o Solano López havia comprado na Inglaterra, estourou a guerra e esses navios acabaram sendo revendidos ao Brasil, e o Brasil então entrou com esses navios modernos, que eram para ser da marinha paraguaia, acabaram servindo para o Brasil avançar pelo Rio Paraguai e chegar a Assunção e tomar Assunção, com navios que eram antes, navios que tinham sido comprados já nos estaleiros ingleses, com dinheiro inglês, com dinheiro paraguaio e que quando estourou a guerra e houve aquele conflito todo geopolítico ali naquela região do Prata, os navios acabaram sendo revendidos ao Brasil.

Marilú Cabañas: Agora é nesta questão ai, dos ingleses, falando em ingleses, Colibri, a grande polêmica é; os ingleses, a Inglaterra, teve a participação na guerra do Paraguai?

Sylvio Back: Isso também é uma mitologia que se levantou, é gozado que a guerra do Paraguai ela é mal ensinada nas escolas. Nós aprendemos nos bancos escolares, uma guerra ou em cinco ou seis linhas ou em dez linhas, ou alguns heróis de lata outros não, afinal eram oficiais do exército que cumpriam o seu dever, uns foram mais assassinos outros menos, mas a verdade é que ali você tem que fazer uns descontos aos heróis, aos menos heróis e aos que foram ao serviço da pátria mesmo. E com relação a esse lado da Inglaterra, isso é uma mitologia que se compara, vamos dizer assim, com os tabus que vêem juntos com outras coisas que dão nome a guerra do Paraguai. Quando estourou a guerra do Paraguai, tinha quinhentos cidadãos britânicos morando no Paraguai. O Paraguai sempre teve uma relação muito grande com a Inglaterra. Foram graças aos técnicos e engenheiros britânicos, que se criou a primeira siderurgia no Paraguai, que se fez a estrada de ferro no Paraguai, e não interessava de jeito nenhum à Inglaterra estar por trás Argentina, do Brasil e do Uruguai. Não interessava à eles politicamente, nem economicamente.

Colibri: Mas nem de forma ideológica?

Sylvio Back: Nem de forma ideológica. A Inglaterra, atenção, a Inglaterra era o maior império, na verdade já era um império que estava começando a se esfacelar naquela época, quando acabou a tráfico negreiro, então caiu muito a grana, o dinheiro que o tráfico, que os ingleses foram os principais agentes desse tráfico. Para se ter uma idéia, antes de estourar a guerra do Paraguai, o Solano López consegui um empréstimo em bancos ingleses, para o desenvolvimento do Paraguai.

Marilú Cabañas: Mas ai é uma questão dos banqueiros.

Sylvio Back: Ai é que talvez esse lado da abertura dos arquivos, era bom também que se abrissem os arquivos ingleses sobre a guerra do Paraguai. Porque uma coisa é a diplomacia, a chancelaria inglesa, a diplomacia inglesa, outra é o governo inglês,e outra são os empresários ingleses. Agora, do ponto de vista bélico, o Paraguai não tinha importância para a Inglaterra. E dizer que a Inglaterra estava atrás do Brasil, do Uruguai da Argentina, isso é uma balela. Existe um livro chamado; “Los Britanicos en el Paraguay”, onde isso tudo é desnudado. As teses e doutorados escritos na Inglaterra, onde prova que não há.. o Time de Londres, eles pegaram a documentação secreta da chancelaria britânica, o Time de Londres que era uma espécie de diário oficial do mundo na época. Na época todos os dirigentes do mundo liam o Time porque dizia o que estava acontecendo no mundo. Não há nenhuma prova disso, de que houvesse algum interesse. Houve até uma mitologia de que quando terminou a guerra da sucessão americana, ela terminou em 1865, quando a guerra da sucessão estava, parou a exportação de algodão para a Europa, para os teares, para as fábricas inglesas, se imaginou uma mitologia sobre isso de que a Inglaterra pensou em transformar o Paraguai, em uma espécie de novo sul dos Estados Unidos, e transformar isso em uma grande plantação de algodão porque o Paraguai produzia algodão. Mas ao mesmo tempo, a gente não pode achar que a Inglaterra era totalmente inocente, boazinha. Porque antes de estourar a guerra do Paraguai, os ricos de Mato Grosso, de Corumbá, mandavam lavar suas camisas em Paris e mandavam fazer seus ternos em Londres. Havia itinerários, viagens de barco que iam de Corumbá diretamente para Londres descendo o Rio Paraguai. Então o Rio Paraguai era um rio importante para aquela região todo e a Inglaterra nunca teve nenhum constrangimento de freqüentar aquele rio. Por isso que estranho dizer, porque quando estourou a guerra, fechou durante seis anos. Aquela área ficou fechada diante do conflito e os ingleses deixaram de ganhar dinheiro. O que eles queriam ganhar era dinheiro. A pergunta que algum historiador que eu ouvi; qual seria o interesse da Inglaterra de fomentar uma guerra de seis anos, se eles nesses seis anos deixaram de ganhar dinheiro?

Marilú Cabañas: Estamos entrevistando o cineasta, escritor Sylvio Back.

Colibri: Agora se a Inglaterra não era tão importante o Paraguai, para o Brasil e para a Argentina era estratégico. A questão das fronteiras, a questão que o senhor acabou de contar do rio Paraguai e toda aquela questão de terras, de interesses econômicos, então, de um lado parece que o Brasil se preocupava que a Argentina pudesse tomar espaço antes de começar de fato a guerra, os historiadores colocam isso, que a Argentina pudesse ganhar espaço junto ao Paraguai e pegar espaço do Paraguai e o Brasil tinha medo que a Argentina tomasse conta da região e ao mesmo tempo o Paraguai era estratégico, quer dizer, esta guerra interessava basicamente o Brasil e a Argentina naquele conflito de terras, estou falando de terras de negócio, porque o fundo de cada guerra, sempre tem um negócio, nessa a gente não escapa, qualquer guerra é um grande negócio, como disse o Leon Pommer, então a questão clara ali de economia parece estava colocada antes da guerra.O Paraguai era perigoso, do ponto de vista estratégico para os dois países. E quando você falou que esses militares do Paraguai, da Argentina,como eles falam dessa estratégia, dessa questão da terra e a ligação econômica dessa guerra? A questão econômica dessa guerra.

Marilú Cabañas: Territorial.

Colibri: Territorial, não é?

Sylvio Back: A guerra do Paraguai, ela é multifacetada, e como todas afinal, mas a da guerra do Paraguai ela envolve um lado que, acho que foi o próprio Leon Pommer que levantou isso no filme. Há um lado antropológico. O Paraguai, a origem do Paraguai, são aquelas Missões Jesuíticas. A origem do Paraguai são os índios guaranis, são os guaicurus, são esses índios que colonizaram e que estavam naquela região há dezenas de anos, há centenas de anos. Enquanto que na Argentina, dizem até como uma forma jocosa que, a Argentina é o único país da América Latina que não tem problema com índio, porque eles mataram todos. O que não é verdade porque, em Misiones lá talvez estejam as mais bem conservadas edificações jesuíticas, as igrejas e a própria conformação urbanística e arquitetônica daquelas cidades missioneiras, estão lá em Misiones. Havia ali uma bronca de olho no olho, no olho. Uma bronca no olho de um país como a Argentina, que é um país colonizado por espanhóis, sem a miscigenação, com índio, com negro, não é? Na Argentina havia pouco negro, no Uruguai jamais, mas também é um país de colonização européia. Enquanto que o Paraguai, um país que cresceu, a independência do Paraguai ela foi proclamada por pessoas que tinham, eram miscigenados, eram gente de origem indígena, de origem espanhola, de origem “criollos” que eles falam, gente que tinha uma origem que vamos dizer assim, não era mais pura entre aspas, como aqueles europeus que vieram para o Paraguai, para a Argentina. A própria elite brasileira. Então essa relação sempre foi muito conflituosa, mais entre o Paraguai e a Argentina do que propriamente do Paraguai com o Brasil. Tanto é que hoje no Paraguai, tantas vezes estive lá, nunca fui visto como inimigo do Paraguai.

Marilú Cabañas: Eles gostam dos brasileiro. A gente é bem recebido lá, é incrível isso!

Sylvio Back: Eles gostam dos brasileiros

Colibri: Não dá para entender.

Sylvio Back: Agora, eles não gostam de argentinos. Tem seiscentos mil morando na Argentina e a maioria em Buenos Aires. Quer dizer que fugiram na época do Stroessner e buscando melhores qualidade de vida na Argentina. Enfim, claro tem esse lado econômico, tem tudo isso e tem um outro lado também do próprio Paraguai, não é? O Paraguai, desde assunção do pai do Solano López e o próprio Solano López, era uma país que era uma espécie de Polônia da época. Era um país mediterrâneo, um país cercado, uma ilha cercada por terra, por todos os lados sem saída. Tinha o Rio Paraguai que era uma única veia de saída pelo Rio da Prata e era preciso garantir essa abertura do Rio da Prata. Isso, de um lado estava a Argentina e de outro estava o Uruguai e está o Brasil no meio disso. Então o Brasil era visto como, além de ser um império efetivo politicamente, também era um império pelo tamanho, enquanto que os espanhóis não conseguiram manter a América Latina una, era o sonho do Bolivar, etc, e inclusive o Bolivar tentou invadir o Paraguai, no tempo do Dr. Gaspar Francia e o dr. Gaspar Francia fechou as fronteiras, uma idéia também de incorporar o Paraguai.

Colibri: Todo mundo queria incorporar o Paraguai!

Sylvio Back: O Paraguai também sempre sofreu muito isso. Tinha esse temor. Com a assunção da família Solano Lópes, com a família Lopez, na verdade, que o pai do Solano López, o Antonio Solano Lópes, ele tinha sido advogado do Francia, um dos proclamadores da república do Paraguai em 1811, eles foi assim uma decisão nacional de que o Paraguai tinha que se armar para que amanhã ou depois alguém tomasse. Ai não se sabe também que loucura, porque eu me lembro que eu fui falar com o ministro da cultura e da informação na época do Stroessner, Dr. Aníbal Fernandes; e eu disse para ele inocentemente, eu disse assim: - Olha Dr. Anibal, a guerra foi iniciada pelo Paraguai, vocês é que invadiram a então Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul. Vocês ficaram dois anos. Nunca nenhum país estrangeiro ficou no Brasil tanto tempo quanto o Paraguai. E foi duro expulsar os paraguaios de lá. Isso que eles quase que nem foram diretamente expulsos, eles foram retraindo, porque a guerra estava começando a entrar no seu próprio país e era preciso defender as terras nacionais. Então, tem muito a ver isso com essa origem indígena do Paraguai e essa necessidade que o Paraguai em um determinado momento, resolveu se armar. E tanto é que o Brasil foi para a guerra do Paraguai sem preparo.

Marilú Cabañas: É o seu filme mostra bastante isso.

Sylvio Back: O Brasil sofreu muito. A Argentina passou grandes vexames e morreram na batalha de Curupaiti, houve uma revolta e quase incendiaram Buenos Aires inteira porque morreu não só o filho do presidente da república, como morreu a juventude toda dourada de Buenos Aires, morreu lá. Eles foram enfrentar os paraguaios com o uniforme de gala e os paraguaios liquidaram, foi a única vitória incontestável do Paraguai.

Marilú Cabañas: Todos mentem?

Sylvio Back: Todos mentem. Vencedores e vencidos mentem.

Colibri: Está certo. Com essa frase definitiva, a gente encerra a entrevista com Sylvio Back. Eu queria agradecer mais uma vez a tua presença aqui, do Sylvio, que você é nosso inspirador dessa série, “Quem tem medo da Guerra do Paraguai”, obrigado Sylvio.

Sylvio Back: Eu gostaria rapidamente de agradecer essa chance de ter podido falar do filme, tanto do filme quanto do livro, pois o tema “Guerra do Paraguai”, nunca saiu de cartaz. Ele está em cartaz a cento e quarenta anos. É incrível que se saiba tão pouco nas escolas, tão pouco discutido na mídia, e vocês estão fazendo um papel até, por incrível que pareça, cento e quarenta anos depois! É pioneiro isso! Usar o tema da guerra do Paraguai para perguntar : - Quem tem medo da guerra do Paraguai? E por quê ter medo de um conflito que tem uma importância anímica para formação do cone sul, do Paraguai, da Argentina, do Uruguai e esse conflito é um divisor de águas nas vidas nacionais dos nossos países.

Colibri: Está certo Sylvio, muito obrigado, felicidades!

Marilú Cabañas: Bom portanto, conversamos aqui com cineasta, escritor, jornalista Sylvio Back, ele que é autor do filme “A Guerra do Brasil” e também do livro homônimo que é sobre contos.

Tags: sylvio back, guerra do paraguai, história, imperio, a guerra do brasil, quem tem medo da guerra do paraguai

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

FÁBIO RAMOS


ESPEREI, ETERNA EM MIM


Hoje esperei por uM abraço,

Não apenas um abraço qualquer

Esperei aquele abraço, Forte, verdadeiro, com sentimento

Não era um abraço qualquer



Esperei aquele olhar penetrante

Não apenas um olhar qualquer

Esperei aquele olhar, que paralisa, que estremece, que...

Não era um olhar qualquer



Esperei aquele afago

Não apenas um afago qualquer

Esperei aquele afago, incomparável, doce acalento

Não era um afago qualquer



Esperei aquele beijo

Não apenas um beijo qualquer

Esperei aquele beijo, impar, quente, voraz, apaixonado, eterno

Não era um beijo qualquer



Esperei aquele aconchego dos teus braços

Não apenas um aconchego qualquer

Esperei aquele aconchego, debruçado em teus olhos,

No afagado em teus braços, saciado em teus beijos, entrelaçado em teu corpo

Não era uma pessoa qualquer

Era VOCÊ, eterna em mim

CONTATOS
E-Mail/MSN...: fabioramospoetasc@hotmail.com
www.grupochapeco.com/cultura

JOÃO WERNER


Press Release

Depois de mostrar motéis baratos e retratos de almas em profusão, o artista plástico João Werner apresenta uma nova exposição em sua galeria em Londrina, intitulada “Ladrão!”.
Mantendo o humor ácido de suas exposições anteriores, Werner reune 24 pinturas digitais que retratam, em linguagem expressionista, os mais variados matizes da violência social. Desde brigas interpessoais e acalorados protestos de rua, até as dramáticas “Homem na escuridão”, as quais retratam pessoas (presos políticos, talvez) subjugados sob a violência sem face do Estado.
Considerando o que temos visto nos recentes movimentos do “Ocupa Wall Street” ou na dramática, assim denominada, “Primavera árabe”, estas pinturas de Werner retratam um universo cultural atual, de movimentos contestatórios sociais.
- “Bem, minhas pinturas ‘Dano à propriedade’ são de 2008 e eu até achei estar fazendo pinturas anacrônicas”, diz o artista. “Já estava ouvindo alguns amigos insinuarem uma certa adolescência tardia nos temas destes meus trabalhos, quando testemunhei o início dos movimentos contestatórios na Tunísia, em 2010. Foi uma ótima surpresa para mim ver que o desejo por mudanças sociais ainda não havia sido extirpado da espécie humana”.
Este acento anarquista revela-se, também, em pinturas como “Distribuição de renda”, “Black flag” ou em “Toda riqueza provém de violência”. Em uma linguagem visual colorida e intensa, Werner não teme revisitar os velhos bordões da esquerda radical nessa confortável e carola época pós-moderna em que vivemos.
Se o espectador desta recente exposição de João Werner vai iniciar a próxima revolução, ninguém sabe. Mas, certamente, quem visitar esta “Ladrão!” terá a oportunidade de ver mais um belo exemplo da inventiva produção digital do artista.

Serviço:
Quando: de 30 de janeiro a 30 de março
Onde: Galeria João Werner, rua Piauí, 191 - loja 71, Londrina (PR).
Horário: de terça a sexta-feira, das 14 às 20h e sábados, das 11h às 17h.
A entrada é gratuita e a exposição conta com monitoria.
Maiores informações: (43) 3344-2207