quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

NEIL FERREIRA


Neil Ferreira

“Você pensa que cachaça é água...”

Neil skindô-skindô Ferreira


“Cachaça não é água não / Cachaça vem do alambique” / E paga muito imposto pro Leão. O Leão já nos mordeu mais de duzentinhos bilhõezinhos, entre 2 de janeiro e 13 de fevereiro. Não há quem não saiba disso, nem há quem tenha se acostumado com isso.

Não estão quebrados só os pés da quadrinha acima citada; eu e você estamos com os pés, as mãos, os bolsos e as contas bancárias quebrados, lambendo as feridas da mordida do Leão, sem tugir nem mugir; pagamos e não bufamos. Para os otimistas incuráveis, aqui vai uma dica que pode ajudar na salvação: no jogo do bicho, Leão é grupo 16 e as dezenas são 61-62-63-64.

Vamos arredondar a tascada para tornar a conta mais fácil: em 31 dias úteis, 200 bi; 6 bi e 451,6 mi por dia útil; 806,37 mi nas 8 horas úteis que você trabalha por dia; 67,2 mi nos 5 minutos que você perde lendo este besteirol, se é que alguém lê o que digito com 2 dedos e tanta dificuldade. Começou e acabou de ler, o Leão já mordeu mais de 67 mi do otariado nacional. Ler meus textos custa uma nota. Imagine o que custa escrever.

Essa grana arrancada do nosso couro bem que poderia voltar para a sociedade, na forma de pagamentos decentes aos médicos, educadores, policiais civís e militares, com o Estado cumprindo sua obrigação mínima de proporcionar Saúde, Educação e Segurança ao povo, separando parte do sobrante para a tão abandonada infraestrutura; mas não.

Sabemos que a bufunfa vai para destinos mais nobres, como aquele bilhão faturado com o honesto suor dos corpos em embates nas aconchegantes alcovas de Brasília, em inocentes conúbios articulados por aquela advogada fofinha, que a “Veja” colocou na capa desta semana, com uma reportagem sobre poder, sexo e alcovas, nível BBB.

(Só faltaram drugs and rock´n roll, sei lá se faltaram mesmo ou se não li tudo com a atenção devida). O sobrante escorre pelo sumidouro da maior corrupa nunca antes vista neçepaíz.

Só a talagada da cachaça que você engole pra se animar e mais a outra que joga no chão pra animar o santo, pagam 81% de imposto; a cervejinha, que a molecada dimenor bebe como se fosse refresco ou energético, entrega uns 60% numa única golada com colarinho, para a fera aplacar a sede e lamber os bigodes de satisfação.

Se você fuma, anote aí 85% de imposto que se esvaem na fumaça de cada tragada, sem contar o risco de faturar como brinde um câncer na boca, na garganta, nas cordas vocais -- como alguém que você sabe muito bem quem é e eu também sei, mas não falo o nome, sou otário pagante de imposto mas não sou bobo -- na traqueia e nos pulmões; até no câncer da bexiga já foram encontradas impressões digitais do fumo.

Mas ninguém encosta o três-oitão no peito de ninguém para obrigá-lo a beber e/ou fumar. Se bebi e fumei, filo porque quilo, de livre escolha do uso do corpo e da busca da felicidade, é o que dizem bebuns e fumantes, plenos de razão.

Igual àquela Ministra da Mulher, que é tão a favor do aborto nas outras mulheres como é a favor nela mesma; anuncia aos quatro ventos que se submeteu a alguns e faz propaganda ideológica de como é livre e feminista militante aquela que, como ela, transa com homens e mulheres.

Esse é um assunto pessoal, de saúde e de alcova, em que não me meto a besta de me meter; longe de mim cometer esse pecado capital, mangalô treisveis, saravá zifíos ê-ê.

Numa democracia, cada um é cada um. Sei lá se essa madama aí é mesmo democrata; ela parece ser dirigida pelas instâncias menores, a saber, o Coletivo e o Partido (POC, Partido Operário Comunista, quem conhece levanta a mão) e pela instância superior, o Coletivo do Partido, a quem ela apelou para ajudar na decisão de fazer um dos seus abortos.

Não pense que isso aí é invenção da minha mente que perversamente inventa e mente; essas informações estão à disposição na internet, numa entrevista que ela deu em 2004, em que cita como companheira de prisão a atual presidenta. Se a gente for somar as autonomeadas companheiras de prisão da presidenta, dá para lotar um Carandiru inteiro. O Carandiru era uma prisão imensa, sabe-se.

De volta ao bloco do Leão, solto pra jantar a tua carcaça, quero que o povão (não sou povão, sou zelite), a quem a Mentirobrás convenceu de que não paga imposto, saiba que paga sim e tanto quanto qualquer um de nós. Até mesmo o povãozinho, que fica no porão debaixo do andar de baixo, leva suas mordidas do Leão. Paga no arroz, feijão, mistura e cafézinho; na luz, água e celular (há um celular e meio per capita neçepaíz, resultado da “privataria” do FHC).

Quanto à nova Crasse Mérdia A Sem Dente, a quem disseram que enricou, é bom que saiba que ao comprar em vezes o seu primeiro Fusca 65, em ótimo estado de conservação, apenas com um amassadinho que não deixa abrir a porta do motorista, com os 4 pneus carecas e sem estepe, metade dele é a parte do Leão. Pode não ser o filé-mignon que é uma BMW, mas é a mesma metade.

Quanto riso, oh quanta lambança...


EI VOCÊ AÍ ME DÁ UM DINHEIRO AÍ, PRA PAGAR O LEÃO AQUI

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

EFIGÊNIA COUTINHO


TERRAS DISTANTES
Efigênia Coutinho


Andarei de sonho em sonho
De um lugar a outro lugar
O caminho não será bisonho.
Quero encontrar quem me fale
Alguém com quem possa falar
De Amor, mesmo diga que me cale.


Fatias de céu me ponho a colher
Para o caminho engrandecer
Teceria com algodão de nuvens
Ao leito para com Amor aquecer
Antes que os sonhos se turvem
Com poemas sonoros enriquecer.


Seja por fim o sonho envolvente
Ao longo deste árduo desejo
Num Sonho transcendente...
Transpus céus,montanhas cruzei
Dos tantos anseios que rumorejo
Em Terras Distantes me enamorei.


Fevereiro 2012
Balneário Camboriú.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

PLÍNIO MAGNO


ESTE TEXTO FOI POSTADO ESTADÃO - SP

“DINHEIRO PELO RALO”

“Se o governo não estivesse jogando bilhões no lixo com elefantes brancos por conta da Copa do Mundo construindo estádios de futebol, se não estivesse ajudando em bilhão os bárbaros comunistas cubanos, se não estivesse ajudando a Hugo Chávez, no Metrô venezuelano e que ainda não nos devolveu os 85 milhões de litros de gasolina que Lula mandou, se não houvera perdoado os milhões em dívidas pelo mundo, dinheiro nosso, se não tivera vendido a preço de banana a refinaria da Petrobrás à Bolívia, se não houvera dado ao FMI os US$ 10 bilhões, dinheiro que não retornará jamais por conta de uma cadeira na ONU que foi um blefe, se não dera bilhões para ONGs de apaniguados, aí, sim, teria dinheiro para dar aumentos dignos aos trabalhadores brasileiros. Ajudam outros países, mas nosso povo está na miséria. As Forças Armadas ganham mal..., porque combateu os terroristas que hoje tomaram de assalto o comando do país.”
PLÍNIO MAGNO

NEIL FERREIRA


PAC 2: Programa de Ampliação da Craco(Lu)lândia

Neil chapado Ferreira


Craco(Lu)lândia: “Acende-puxa-prende-passa”. Kassab não dá nó sem ponto; pensou com a cabeça do bandido e deu um nó górdio no lulo-petismo. O ponto foi de placa, no jogo que suas ambições políticas jogam, ao assentar a pedra fundamental da Craco(Lu)lândia, obra do PAC 2.

Bêbado equilibrista, tento explicar o que consigo enxergar, mesmo com a cabeça obnubilada pela maresia.“Maresia, sente a maresia/ Maresia uhuh/ Acende-puxa-prende-passa”. Quando Gabriel o Pensador lançou “Cachimbo da Paz”, a molecada que lotava seus shows cantava em êxtase, como se aquelas cabecinhas todas estivessem embevecidas pelo fumacê. Estavam.

O refrão grudou nos ouvidos, a memória mastigou-o como se fosse chicletes. Os profissionais do jingle, que passam dias e noites de trabalho insano procurando chicletes parecidos, raramente alcançam essa glória suprema, talvez uma ou duas vezes na vida, se tanto.

Gabriel o Pensador conseguiu colocar no momento certo o refrão certo nas cabecinhas certas. Os adolescentes, seu público, talvez se sentissem reprimidos por pais e mães, que gozaram de total liberdade na juventude. Queriam romper as amarras. Quais amarras ? Se eu soubesse, engarrafava a sabença e vendia nas drogarias, daria mais grana do que o “Facebook”. Filho não vem com Manual do Proprietário.

Acho que eram as amarras de pais caretas, que tinham queimado tanta erva lá atrás, nos bons tempos da revolução dos costumes dos anos sessenta, e agora véideguerra ficam descomendo regras pra riba dos seus rebentos.

“Cachimbo da Paz” é um jingle da maconha e contem um pouco de crítica ao cigarro e álcool, drogas permitidas usadas sob a proteção da lei. “Apaga a fumaça do revólver e da pistola / Manda a fumaça pra cachola” dá cana; transportou-vendeu-comprou-acendeu-puxou-prendeu-passou,teje preso. O “Cachimbo da Paz”(& Amor, Bicho) é um fora da lei.

O fumito deixa um perfuminho que é a maior bandeira. Uzômi vinham farejando e rosnando e nada achavam. A molecada descolada, naquele tempo ainda não havia essa palavra (nem “imperdível”, a lingua era tipo mais manera de escrever e de falar, meu ) estava sempre cheirosinha do inocente patchuli, colocado nas gavetas das blusas, cuecas, calcinhas, meias, bermudas, camisetas.

Cheirou a patchuli, tá marcando presença mermão. Mas não há bem que sempre dure, uzômi se tocaram também nessa. Aí, acende-puxa-prende-passa-cheirou-a-patchuli, teje preso mano. Jogo de gato e rato; esquecer, quem há de.

“Aviõezinhos” aterrisam nas escolas e fornecem a carga aos colegas de classe. Depois do tapa no banheiro, é ir comer uma coisinha no carrinho ali no portão, que poderia ostentar o sugestivo nome de “Larica”.

Depois... nada; vida adulta careta, trampo, uma chatice; cadê a vida bandida cheia de graça, o senhor é conosco, vinde a nós as vossas meninas de minissaias... cadê a mesada ?

Formados em cigarrinho e cervejinha no Fundamental e em fumito no Colegial, a impressão é que se parava por aí. A fumaça do fumito já é quase aceita; tem até passeata de maconheiros exigindo a legalização da diamba. Não é o que traficantes querem. Ao perder o sabor da ilegalidade, perde metade do sabor, perde metade dos usadores. Adeus metade do lucro.

O cachimbo, porém, continuou sua carreira vertiginosa, passou pelo Vestibular, Curso Superior, Mestrado, PhD e Pós-Doc, graduando-se em Arma de Suicidio – é Cachimbo de Crack Magna Cum Laudae.

Os viciados atiram-se ao crack como se fosse a última coisa que fazem na vida; e é. Traficantes e viciados invadem pontos da cidade, que se transformam nas cracolândias. E você conhece a lei fundamental do capitalismo selvagem “Enquanto houver um otário comprando, haverá um esperto vendendo”.

A cracolândia de Sumpólo há pouco tempo recebeu as atenções da Prefeitura e do Governo do Estado. Houve uma gritaria histérica do lulo-petismo, acusando de “ação arbitrária e violenta” a prisão dos traficantes pela PM e a oferta de apoio aos viciados. Ocuparam as tevês, rádios, jornais e blogs amansados da internet com a sua pregação, parecia que a cracolândia é um gueto de resistência e o viciado, um herói antifacista.

Duas coisas aconteceram, inesperadas para quem queria tranformar os viciados em assunto da campanha do brimo Haddad: (1) uma pesquisa mostrou que 84% da população apoiavam a ação da PM; e (2) Kassab deu um terreno de 4.400 metros quadrados no coração da cracolândia, para um improvável e inexistente Instituto Lula de não sei qual finalidade. Seria, digamos, a Craco(Lu)lândia.

Kassab deu um cala-boca nos lulo-petistas, que poderiam atrapalhar suas ambições políticas. As bocas calaram-se. Nem as hordas do padre Lancellotti são vislumbradas de novo nas ruas. O PT, quem diria, virou base alugada do Kassab.

Ao Cara, resta fazer o que sempre fez na vida, dar mais um golpe de marketing e anunciar que vai construir no local as tais Clínicas de Reabilitação, tão prometidas na campanha que elegeu o Poste. Só anunciar como sempre fez; nada fará, como nunca fez. O cachimbo continuará fumegando altaneiro, acendendo-puxando-prendendo-passando – e matando. Quem duvidar, que fume a primeira pedra.

PS: Espero o Gilberto Carvalho dizer que “Salvador é uma praça de guerra” e a chefa dele dizer que “é uma barbárie”, como já disseram antes de eventos muito menos graves, sem saques nem mortos, ocorridos no Estado de Sumpólo.


“STONED, EVERYBODY MUST GET STONED” (Bob Dylan).

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

LUIZ ROSEMBERG FILHO


“ A sensibilidade musical é a manifestação vital do ser humano.”
Wittgenstein

P A T R Í C I A
De certo modo a música clássica confronta a desumanização da vida moderna que se arroja a ser uma via de mão única. Mas não queremos com nosso novo trabalho, demonstrar ou anteciparmos um outro tipo de poder pois entendemos que todo poder instaurado só pode ter algum valor se levado por porcos ou charlatões. Ora, a música é uma das essências da linguagem dos deuses. Torna-se impossível visualizá-la buscando expressões no seu uso político. E só em estar muito além de si, torna-se uma expansão da Paixão, pois ao não se explicar essêncializa movimentos de prazer no dançar, no cantar e no ouvir. E enquanto os porcos chafurdam na política de interesses duvidosos, a música se eterniza purificando a existência ligando a realidade a um prolongado sonho dionisíaco.
Mas queremos esse sonho para todos! Esta é a razão de ser da Arte. E por isso é tão dificultada como sendo uma expressão impudica do Amor. Os aristocratas sifilíticos da “nota”, da burocracia e da política não suportam a defesa da beleza e da poesia da velha Grécia, pois só obedecem e entendem a circulação do seu dinheiro. Ora, como introduzir a Arte em tal espaço? O nosso “PATRÍCIA” é uma espécie contida de retorno a Dionísio, pela alegria musical de uma jovem Soprano. E da nossa parte apenas a elevamos como devoção a beleza da música de Bach ou Vila-Lobos. E como bem expressava Nietzsche::”Quem não amar com sabedoria desespera-se com o poder do amor.” É um pouco como vemos a função da música de qualidade: ao mesmo tempo interior e exterior, só que sagrada.
Eu sempre quis homenagear de algum modo a música erudita, enraizada em mim desde a juventude. Mas não sou teórico, nem profundo. Apenas me deixo levar por conceitos musicais que não domino, ao contrário da parceira e co-diretora Ana Terra. Mas é pela música que me deixo repousar. Que me procuro na representação positiva de um mundo que nunca gostamos. E ela nos ajuda como força, alimento, poesia e beleza. Talvez seja a única Arte nascida para aceitação de todos pois não necessita de nenhum tipo de interpretação como o cinema, o teatro ou a filosofia. A boa música popular ou erudita está além de convulsões comerciais e simpatias. E raramente é obscurecida como mercadoria de segunda, manipuladíssia pela TV. Televisão que só se alimenta de excremento.
Claro que se pode gostar mais de Bach que de Wagner ou Vivaldi sem que isso invalide a importância de qualquer um. Todos ultrapassaram a grandeza do discernimento imediato. Ou seja, a habilidade da boa música é uma espécie de refinamento da alma humana. Falo aí como degustador da beleza a serviço dos homens. Precipito-me na grandeza da contemplação de uma jovem Soprano, professora e Mulher apaixonadíssima pelo seu ofício. Chegamos a Patrícia Vilches me apresentada por Ana Terra com quem divido a direção deste novo trabalho sobre a música erudita e a sua representação no mundo de hoje.
“PATRÍCIA” é uma pequena classificação da vontade criativa como potência. Não é uma interprete canhesta da nossa sofrida aprendizagem da sensibilidade musical. Nos deixamos levar arrastados de um lado pelo desconhecimento profundo do tema, e do outro pela paixão aplicada ao crescimento do humano no grandioso lago da harmonia possível com o Outro. Ou seja, não fizemos cortes ou malabarismos publicitários conhecidos no mundo do baixo cinema-televisivo. “PATRÍCIA” que estávamos conhecendo e descobrindo, habilmente nos conduziu afetivamente à todos. Não como professora, mas como ser humano.
A grandeza do filme se divide entre a Soprano Patrícia Vilches e as músicas que livremente ela escolheu cantar. Mas foi além do cantar. Deu grandeza e importância aos seus compositores preferidos e a todos nós. E aí me refiro a Ana Terra, Renaud Leenhardt, José Carlos Asbeg, Sindoval Aguiar, Vivian Lacerda, Eugênio Hollanda, Dília Tosta, Tatiana Tsai e a Marcelo Ikeda. É um pequeno filme de alma grande. Uma carta de amor de todos a restituição da música como elemento de formação necessária para um povo mais sensível. De uma nação ainda jovem. Um trabalho que quer ser útil a saúde emocional de todos. Claro que estou falando em nome de todos. Outros podem pensar de maneira diferente.
É um trabalho simples, próximo, terno, afetuoso como foi o nosso “ANA TERRA” e o “ANALU”. Nos permitimos dar legitimidade ao afeto tão artificializado pela TV e pela publicidade. E talvez a graça esteja justamente aí: o de reinventarmos o essencial do nosso lado humano, o respeito, a ternura, o afeto, o humor, o saber...e por fim a vida. Uma vida mais pura, menos inventada pela técnica e mais vivida por todos. Ou seja, não estamos fechados para nada. Produzir o aparentemente comum pode ser também audacioso se nos deixarmos surpreender pelo lado afetivo da criação. E como o gozo, aí nunca nada se repete. Mesmo porque trabalhamos temas e pessoas grandiosas na liberdade da Criação.
Nos permitimos observar quietos a docilidade irresistível da música a serviço do sentimento humano. E se a atual peste do mundo chama-se poder, o seu desmembramento só será possível com o saber e a sensibilidade. Do contrário fundamentaremos como colaboradores a aceitação do horror velado que se tenta impor ao mundo. E a Arte de modo algum se identifica com a fraqueza dos muitos discursos que nada dizem. Discursos de ontem e de hoje. E as mesmas ladainhas de sempre.
Cantando a sua pequena revolução-possível a Soprano Patrícia Vilches me remeteu a Albert Camus que sabiamente dizia: “Não existe vergonha em ser feliz. Atualmente o imbecil é rei, e eu chamo de imbecil aquele que tem medo de ser feliz.” E é por onde passa a voz da Soprano: pela vida, vivida. Pelo coração esperançoso de felicidade onde tudo é permitido, menos a submissão ao mercado de inutilidades, consumo e exploração pela má-fé da música comercial descartável. E lamentavelmente é claro que não interessa a TV aberta, a sensibilidade como experiência humana do saber ser para o coletivo.
Patrícia Vilches é uma convulsão de bom humor e simpatia. Admitir a sua importância é de certo modo ultrapassar generalizações que acabam por só justificar o mercado de aberrações. E se é disso que vive o sistema, somos obrigados a questioná-lo na sua indiferença pela beleza. Daí o final como nossa habilidade, dos que preferem o inútil lado da vida: o poder do dinheiro, da avidez, dos negócios duvidosos, dos discursos que nada dizem, do oportunismo, da pilantragem, do “sucesso”, da fama... E se ainda existe alguma grandeza em remar contra tudo e todos, o seu núcleo chama-se: beleza, saber, poesia, Democracia, respeito, simplicidade, afeto, natureza, ousadia, ética, luta, vontade, leitura, criatividade, conhecimento, humor, Amor e sensibilidade; E por fim , a existência de uma guerreira chamada Patrícia Viches. Que se abram os corações para vê-la e ouvi-la! Vamos ao filme!

F I M
Luiz Rosemberg Filho/ 2012

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

RAYMUNDO ARAUJO FILHO


Stédile X Dilma: Blá, blá, blá para enganar desavisados

Não gosto de enviar nada sobre política sem que tenha o meu comentário, pois política sem debate ou opinião firmada pelos interlocutores. Como recebi de um entusiasta do MST a reprodução sem comentários do diálogo entre Stédile e Dilma, sem nenhum comentário, talvez na certeza que ali se travava um debate entre um justo e uma injusta, tento aqui colocar alguns pingos em alguns iiiis.
Senão vejamos:
Primeiro a escolha do palco, para o "enfrentamento". Nenhum seria melhor do que este FMS (e os Fóruns Temáticos) em Porto Alegre que, a partir do terceiro realizado, foi totalmente hegemonizado pelas "forças militantes" do PT, tornando mais esta experiência que poderia ser virtuosa em palco para claques políticas e partidárias, uma espécie de FPU (Forum do Pensamento Único), nada mais se encontrando por lá, em termos de diversidade cultural, ideológica e política. No máximo uns europeus e estadunidenses, com cara de bobos alegres, ávidos por contatos com "o Povo pobre da América Latina e África")
Depois o local "sui generis" para o encontro de Romeu e Julieta, digo Catupiry e Goiabada, ooops, digo, Stédile e Dilma. Uma reunião fechada, com convidados especiais das cúpulas partidárias, ONGs amigas e demais aliados, todos imbuídos que a aliança vai resistir às diferenças de opinião, pois é o Poder quer está em jogo (e as verbas, liberadas em conta a gotas, e sob condições políticas explícitas). E o Poder, como sabemos, é a principal meta deles, desde que eles sejam os dirigentes. A mídia amiga, do PIL (Partido da Imprensa Lullista) já estava toda preparada para divulgarem "o nível de democracia de nosso Brasil, il, il, il. A presidenta Dilma en "confronto" direto com o Rei, digo, sec. geral do MST, Stédille.Agora os fatos: Dias antes deste "confronto" o dirigente do MST Joaquim Pinheiro deu entrevista expondo o que venho denunciando aqui há vários anos. Literalmente disse que o MST está no chão, sem capacidade de monbilização, que atribui ao crescente nível de emprego no país, ao Bolsa Família e a inatividade do governo federal com a paralização da REFORMA AGRÁRIA. lembro a todos que 65% dos empregos do país são de salário mínimo, que corresponde a cerca US$ 60, em se comparando ao dólar de FHC (cerca de R$3,60). E como sabemos, a cotação do dólar é fictícia, respondendo mais as necessidades políticas do que a qualquer coisa mensurável pela econometria.Primeira Pergunta: Porque um governo avançaria em um programa como a Reforma Agrária, se a demanda (= pressão popular) é quase nula?. Ora! É porque um "governo popular tem esta obrigação, a de democratizar o acesso e uso da terra", diria algum entusiasta Lulo-Petista-Dilmista. Conclusão Aristotélica: Este governo do PT não é de cunho e ideologia Popular, portanto.
Segunda pergunta: Porque então o MST apóia politicamente este governo, fingindo não ver que ser derrotado sem luta, aliás apoiando quem nos trai, é pior, pois não deixa sementes nem histórias para, quem sabe um dia, novas forças recomeçarem a luta, com outras perspectivas (a não ser que os "esquerdistas" de agora, persistam nos tempos vindouros, o que serria um desastre).Com este substrato Stédile dirige-se respeitosamente para aquela que veio terminar o serviço iniciado por Lulla, isto é, acabar com o MST, só que "democraticamente", sem uma borrachada, como faziam os outros presidentes. Já é alguma coisa! Diriam alguns. E muitos, além de acharem isso, se locupletaram com cargos públicos por nomeação (o MST sempre teve gente deles nomeada no INCRA, MDA e outros ministérios e governos estaduais e municipais) além de falcatruas como o PRONERA em MG, junto com a Universidade Metodista (segundo denúncia inequívoca do companheiro Julio Castro, aliás ameaçado de morte por um dirigente do MST mineiro, um marginal que atende pelo nome de Critistiano). Na sua preleção retoma, de forma monótona e quase cifrada toda a agenda abandonada pelo governo (pasmem, até o governo FHC superou os números do PT, na Reforma Agrária), na mesma lenga lenga anódina que estamos acostumados a ouvir, como se estivesse a dizer para a presidente Dilma "se preocupa não, pois tapa de amor não dói", reafirmando que as críticas não significam nenhuma possibilidade de rompimento e tornando mais popular ainda um ditado que tanta desgraça já causou neste país machista e misógeno, como afirmo ser o Brasil.

Dilma respondeu, simplesmente DEMOLINDO a prosopopéia "frapé" do Stédille, reafirmando como verdades todas as mentiras que estávamos acostumados a ouvir do....FHC (e do Collor). E tudo ficou por isso mesmo, todos satisfeitos com o grau de "democracia" deste Brasil, il, il, il.

Em seguida, a presidente DiLLma foi fazer bonito em Cuba (onde ficou um só dia - menos que na Bulgária, terra natal de seu pai, e sem nenhuma importância para nosotros brasileiros). Lá fez bonito, questionada sobre os direitos humanos, mencionou Guantánamo "colocando uma saia justa nos EUA", como ouvi um basbaque falar - com,o se o Brasiol tivesse alguma imnpoortãncia política no mundo e não fosse apenas a maior Casa de Tolerância do Capitalismo Internacional, como somos hoje, quando não se fazem mais meretrizes como antigamente....(aquelas ao menos cobravam alto pelos seus serviços).

Ao sair, deixou umas moedinhas para Cuba que, país pobre que é, e sujeito ao Bloqueio Econômico, não pode rejeitar, e até agradeceu (o que fez muito bem, visto o beco sem saída em que estão, infelizmente, mas não sem parcela de responsabilidade de seus dirigentes, mas que não me faz imprecar contra eles, com,o fazem alguns "esquerdistas mudernos". Ato contínuo, a presidente do Brasil, país que nos últimos dois anos recebeu de braços abertos e com visto de trabalho, cerca de 80 mil estrangeiros, quase todos brancos e europeus, que vieram para o Brasil, como a redescoberta do Novo Mundo quinhentista, para dizer aos haitianos que o Brasil recebeu de braços abertos 4 mil haitianos, e vai receber mais mil....POR ANO, isto é, 40 vezes menos do que recebe de europeus, sem reclamar. Temo uma guerra civil no Haiti, na fila de vistos diplomáticos para o Brasil....

Assim, Dilma deu um cala a boca nesta Ex Esquerda Corporation W.C. de StédiLLes e Companhia, que a acompanha nesta aventura governamental, dizendo que "não corremos o risco de voltar ao neoliberalismo" (é lógico, pois dele não saímos...), com esta resposta tão contundente quanto mentirosa ao Stédille, em um Forum Internacional, como é o FSM, e a viagem de "marketing" pessoal, como uma Rainha de Sabá a distribuir esmolas aos seus primos pobres do Caribe e, de quebra, alguma movimentação tímida, sem graça, eficácia e tardia, sobre o Massacre de Pinheirinhos, talvez para encobrir a paralisia das forças petistas que dizem antagonizar o PSDB, e com o rabo preso por ação de igual teor, com violenta desocupação de área, feita pelo governo petista do Distrito Federal, outro dia, mas não noticiado (vide http://emicles.blogspot.com/2012/01/fiscalizacao-derruba-500-edificacoes.html). Com uma fachada desta, qual o "esquerdista" que vai contestar o que vai por aqui?
O chato é esperar o que VIRÁ por aqui...
Assim, fica a possibilidade de um "enfrentamento" mixuruca, sem resultado algum, virado senão em mais uma derrota do que seria a reinvindicação de um projeto social consistente para o país, cuja política de habitação não dependesse dos "humores e rentabilidade" para os empresários, uma Reforma Agrária que signifique a mudança de rumos e de modelo econômico (mais do que neo liberal, a meu ver) e tudo aquilo que todos estão cansados de saber, mas que apenas uma minoria tem a coragem de denunciar, sem que esteja por trás, apenas a luta política para o retorno do outro time de Ali Babás, para nos governarem.
Assim, Stédile conseguiu a visibilidade que necessita para fingir que "continua na luta", e Dilma ampliou a sua área de manobra, engolindo o Stédile e jogando para a platéia da Ex Esquerda Corporation W.C., para tudo "continuar como d'antes no quartel do Abrantes", inclusive em Guantánamo pois, como já escrevi acima, mas repito convicto, Dilma e o Brasil NADA, ABSOLUTAMENTE NADA representam politicamente na geopolítica mundial, sendo somente o país onde o capitalismo poderá se reorganizar na sua nova etapa de exploração.Qualquer interpretação diferente desta que faço, do "embate de Itararé" entre Stédile e Dilma terá de vir acompanhado de fatos, e não apneas conjecturas pessoais.

Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopatia e reinicia em 2012 a sua labuta de articulista chato e crítico, escrevendo Lula e Dilma com um "l" só, mas adotando o mesmo para o Collor (agora Color) por considerá-lo apenas um aprendiz de feiticeiro, comparando-o com o que vai nas nossas costas com estes "governos populares" que temos tido de uns anos para cá.

PIER PAOLO PASOLINI


Capriccio all'italiana (Capricho a Italiana) - episodio: O que são as nuvens?

Produção: Itália, 1967
Duração: 22 min
Idioma: italiano (legendas eletrônicas em português)


Em um teatro, diante de um público popular, é encenada uma versão cômica da tragédia "Otelo", de Shakespeare, em que atores reais fazem papel de marionetes. O invejoso Iago, alferes de Otelo, mente ao seu senhor. Diz que sua amada mulher, Desdêmona, o havia traído com Cássio, soldado de sua confiança. Otelo não se conforma e quer vingança. O público não aceita o final da história, invade o palco e reverte toda a situação.

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Che Cosa Sono le Nuvole? ("Que Coisa São as Nuvens?", 1967), episódio do filme Capricho à Italiana, uma farsa no estilo do genial A Terra Vista da Lua, e um dos melhores curtas de Pasolini, parábola cômica, grotesca e profundamente triste. Um teatro de fantoches encena o Otelo de Shakespeare para um público popular. Os fantoches são atores com cordas amarradas nos braços e pernas. Totó representa Iago, com um esquisito chapéu negro, uma roupa de bufão sinistro e a cara pintada de verde. Ninetto Davoli faz um jovem Otelo meridional, com trejeitos e dialeto de subproletário. Tem o rosto pintado de chocolate. Desdêmona é encarnada por Laura Betti, com voz esganiçada e rosto de boneca de porcelana. Um cômico popular, ex-parceiro de Cicio Ingrazia, faz um Cássio perfeito, um fantoche em cena e também nas mãos do maquiavélico Totó-Iago. Mas, na cena final, quando Otelo começa a estrangular Desdêmona, o público invade o palco e separa os bonecos, investindo contra aqueles personagens que, a seu ver, deveriam ser linchados, ou seja, o Totó-Iago e o Otelo-Ninetto. Os dois são estraçalhados pelo público: assim inutilizados, são descartados pelo dono do teatro.

O resto da troupe de bonecos chora o abandono e a morte dos dois parceiros. Totó e Ninetto, descarregados pelo furgão numa montanha de entulho, estão quebrados, mas ainda vivem em seu estado de bonecos falantes. Ninetto vê, então, pela primeira vez, o céu, carregado de nuvens. Maravilhado ele pergunta: "Que coisa são as nuvens?" E Totó, como sem resposta diante da imensidão da realidade, responde: "Maravilhosa beleza da criação!" Pasolini reescreve a tragédia de Shakespeare do ponto de vista do povo e de seu próprio ponto de vista. Para o povo, Otelo e Iago deveriam morrer para que Desdêmona pudesse formar o "casal perfeito", branco, loiro, bom, normal. Mas Pasolini sacraliza os marginais. O verde Iago e o Otelo cor de chocolate já são diferentes dos outros bonecos por sua cor. Eles representam a alteridade que perturba a massa. Neles, as paixões (inveja, ciúme) são mais fortes que a razão e por isso são condenados e linchados pelo povo e atirados no lixo, fora da cidade, zona limite que marca o lugar que a sociedade reserva aos diferentes. Nesta extrema humilhação, contudo, eles descobrem o êxtase, a realidade que havia sido encoberta pelo teatro da sociedade, as nuvens que estão no céu, como uma força da natureza: o desaparecimento destes fantoches causa profunda tristeza: a sociedade só perde quando extermina seus antagonistas. Ao mesmo tempo, há alegria na morte porque, para Pasolini, só ela dá sentido à vida.
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Fonte:
http://www.grude.ufmg.br/gerus/noticias.nsf/e76867f1f59135c983256bd8006d3f64/ddac255ed76bf95183256c5200121714?