terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

EDSON BUENO DE CAMARGO


http://inventariodn.blogspot.com/2012/02/teatro-empirico-da-outra-margem-do-rio.html

Acabei de fazer a leitura completa do livro " Teatro empírico da Outra Margem do Rio", onde o autor, Caio Evangelista, discorre de forma autobiográfica, sua trajetória no teatro, que coincide e se confunde em muito com a história do teatro em minha cidade, Mauá-SP.

Em muito momentos me diverti na leitura por estar de certa forma envolvido nos acontecimentos, tanto como protagonista, como antagonista, e muitas vezes como mero expectador dos fazeres da Cultura.

Confesso que as partes que gosto mais é quando o autor mergulha em sua infância, assim como mergulhou no Velho Chico e este quase o levou.

Das águas que sobraram em suas tripas, tece o que de fato é memorável na vida, as histórias de sua Vó Redonda, pisando paçoca de pilão, que me deixou aguado até agora de vontade de comer desta paçoca com uma café bem forte. De ver a velhinha pitando no borralho, como fazia a madrinha de meu pai. Igual como todas as avós negras e índias deste Brasil afora.

Das suas traquinagens de menino, e de quanto estas raízes matutas lhe ensinaram sobre a modernidade do teatro. Se fosse Caio fazia de escrever sobre este menino cheio d'água, de pés de barro, feito um personagem africano de Mia Couto. Como vivido em um conto de Guimarães Rosa, sair em uma canoa ria acima e rio abaixo. Vingar-se da represa que abarcou e engoliu sua casa de nascença.

Enfim, a leitura do livro flui de forma quase natural, e apenas em um momento ou outro fica enumerativa de acontecimentos, para depois se perder em lembranças da casa de seus pais, para mim os melhores momentos. Leitura muito recomendável, mesmo que aparentemente geograficamente localizada a narrativa, no entanto muitas coisas a torna universal, já que a grande história do mundo é o entrelaçamento de todas as histórias, e sua urdidura a poesia, que vai ser encontrada em muitos bons momentos neste livro.
Edson Bueno de Camargo
Poeta, haicaista biossesto, fotógrafo empírico.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

IVONE VEBBER


Deus nos mostra o paraiso
onde o amor está presente,
e na magia do sorriso
de uma criança inocente

IVONE VEBBER
vencedora nos JOGOS FLORAIS DE CAXIAS DO SUL 2012

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

REVISTA COYOTE


Coyote traz entrevista com Moacyr Scliar
e conto inédito de Daniel Wallace
Vigésima terceira edição da revista literária tem também traduções de Gregory Corso e inéditos de Beatriz Bracher, Marcia Tiburi e Bernardo Vilhena


“O direito de delirar é uma conquista da literatura desde Lautréamont. A crítica bem poderia entrar em uma crise de delírio obedecendo a motivos poéticos. Os delírios de hoje são, às vezes, as verdades de amanhã.” É sob o espírito desta citação do crítico Roland Barthes que a Coyote, revista de literatura editada em Londrina (PR), chega a seu número 23. Patrocinada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) de Londrina (interior do Paraná), Coyote firmou-se como uma das mais importantes revistas literárias do país.
Um dos destaques desta edição é o dossiê-homenagem com o escritor Moacyr Scliar, falecido no começo de 2011. “Escrevo no aeroporto, em avião, no hotel. Aprendi a desligar do lugar onde estou e me concentrar no que estou fazendo. Não preciso ficar isolado, não preciso de silêncio, não preciso de nada disso”, diz o escritor, em entrevista inédita feita por Ademir Assunção, em novembro de 2008.
Entre as histórias publicadas neste número está “De Chinelos”, conto inédito do americano Daniel Wallace (autor do romance Peixe Grande, levado às telas por Tim Burton), traduzido por Cristina Macedo e Rodrigo Garcia Lopes, e inéditos também de Marcia Tiburi e Beatriz Bracher.
A poesia ganha um apanhado da lírica estridente do americano Gregory Corso (1930-2011), apresentado e traduzido por Reuben da Cunha Rocha, e do português Jorge Melícias, além de inéditos de Bernardo Vilhena, Renato Tapado, Bruno Brum, Rodrigo Madeira e Augusto de Guimaraens Cavalcanti. Maria Lúcia Milléo Martins apresenta e traduz (do inglês) a poesia do poeta brasileiro (radicado no Canadá), Ricardo Sternberg.
A fotógrafa Mara Tkotz assina a capa e o ensaio fotográfico do número, em imagens aéreas captadas na região rural de Londrina. A quarta-capa traz cartum de Beto.
COYOTE 23 // 52 páginas // R$ 10,00. Uma publicação da Kan Editora. Vendas em livrarias de todo o país, com distribuição pela Editora Iluminuras – fone (11) 3031-6161. Pode também ser adquirida pela internet através do site: www.iluminuras.com.br

Contatos: marcoslosnak@gmail.com/zonabranca@uol.com.br/ rgarcialopes@gmail.com
Fone: (43) 3334-3299 / (11) 3731-3281

PATROCÍNIO: PROMIC - PROGRAMA MUNICIPAL DE INCENTIVO A CULTURA – PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA - SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DE LONDRINA

ENTREVISTA COM FERNANDA TAKAI



ENTREVISTA gentilmente CONCEDIDA POR FERNANDA TAKAI, uma cantora fundamental, uma pessoa extremamente gentil,uma referência para todos nós que amamos a poesia,o talento e a simplicidade.

1- QUERIDA FERNANDA, SABEMOS DE SUA ADMIRAÇÃO POR NARA LEÃO, E SEUS RESPECTIVOS TRABALHOS EM CD E DVD SOBRE ESSA ARTISTA TÃO IMPORTANTE PARA TODOS NÓS. ALGUMAS CANÇÕES FICARAM DE FORA DO CD "ONDE BRILHEM OS OLHOS SEUS", HÁ POSSIBILIDADES DE AINDA SEREM GRAVADAS POR VOCE EM NOVO DISCO?

Acredito que não faria um álbum inteiro dedicado à Nara outra vez, mas não posso dizer que nunca mais gravarei outras canções que foram apresentadas ao público em sua voz. Meu próximo disco vai ser em parceria com Andy Summers (The Police) e terá apenas canções inéditas em inglês e português.

2- NARA ERA UMA ARTISTA ATUANTE EM RELAÇÃO AS INJUSTIÇAS OCORRIDAS NO BRASIL EM SUA ÉPOCA, VOCE NÃO ACHA QUE HOJE OS ARTISTAS PODERIAM CONTRIBUIR MAIS , CRITICANDO, CONSCIENTIZANDO A POPULAÇÃO PERIODICAMENTE SOBRE OS MAUS GOVERNANTES,AS MENTIRAS,OS MENSALÕES ,A CORRUPÇÃO QUE SUGA O DINHEIRO PÚBLICO QUE IRIA PARA SETORES IMPORTANTES COMO A SAÚDE,EDUCAÇÃO, SANEAMENTO BÁSICO ETC..? \

Acho que alguns o fazem. Há maneiras diferentes de contribuir que talvez não sejam tão visíveis quanto empunhar uma bandeira publicamente. Gosto de me envolver em questões em que acredito e tenho feito isso ao longo de 20 anos de carreira, só que nem todas as ações desse tipo dão notícia. Prefiro me manter num perfil discreto atuante, poderia assim dizer...

3- GERALMENTE OS ARTISTAS GOSTAM MAIS DE TRABALHOS RECENTES, NO SEU CASO HÁ ALGUM TRABALHO COM O PATO FU,QUE VOCE CONSIDERE MELHOR OU MAIS QUERIDO POR VOCE?

Meu disco do Pato Fu preferido é "Ruído Rosa" (2001). Ele tem uma mistura perfeita de peso e delicadeza.

4- SEU LIVRO MAIS RECENTE É " A MULHER QUE NÃO QUERIA ACREDITAR" - UM LIVRO MUITO GOSTOSO DE LER EM QUALQUER IDADE - ESTE LIVRO É DEDICADO Á SUA FILHA NINA, VOCE PRETENDE TER MAIS FILHOS E ESCREVER MAIS LIVROS? O QUE É SER MÃE PARA VOCE, NESTE MOMENTO TÃO CONTURBADO DE VIOLÊNCIAS, FALTA DE RESPEITO AO SER HUMANO, E DESTRUIÇÃO DO PLANETA?

Não sei se terei mais filhos por conta da vida de muitas viagens que levo. Nina já está com 8 anos e eu tento fazer com ela seja uma menina feliz, educada e responsável, como eu mesma fui criada. Acho que vou escrever mais coisas sim, mas sem pressa. Gosto muito do meu papel de mãe: ensinar e aprender todo dia. Pena que o mundo esteja tão desumano por conta de tantas desigualdades.

4- DE QUE MODO A CULTURA JAPONESA PODE INFLUENCIAR NÃO APENAS O SEU TRABALHO, MAS NA CRIAÇÃO DE NINA ?

Esteticamente influencia de modo considerável, através dos clipes, capas de discos, figurino. No jeito de pensar e agir, espero que influencie na dedicação, disciplina, leveza e sinceridade ao mesmo tempo. Tradição e modernidade. Um equilíbrio pelos opostos.
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5- VOCE JÁ GRAVOU LIVE AND LET DIE (PAUL MCcartney), que outras canções do PAUL,voce gostaria de gravar? E AINDA ACREDITA NA POSSIBILIDADE DE ENCONTRÁ-LO UM DIA?

Sim! Paul tem canções lindas. Uma de minhas preferidas é "This One". Vou gravar com o pai do baterista dele em Los Angeles, quem sabe ele nos convida pra um chá qualquer dia?

6- MUITA GENTE CRITICA O EXCESSO DE PROGRAMAS E BANDAS RUINS NAS TVS, MAS HÁ ARTISTAS TALENTOSOS GARIMPADOS POR AÍ, COMO POR EXEMPLO, A ERIKA MACHADO, AUTORAMAS, os clã (banda portuguesa), TATÁ AEROPLANO, CONTINENTAL COMBO, MAS VOCE PODERIA INDICAR MAIS ALGUMAS QUE VOCE APRECIE?

Meu artista novo preferido é o Leo Cavalcanti, de São Paulo. Gosto também da Céu, Natalia Mallo, Lucy and The PopSonics, Bonifrate, Cecília Silveira...

7- PERGUNTA FEITA POR NEUSA, ESPOSA DO NOSSO ÍDOLO E AMIGO TOM ZÉ:
PARA FERNANDA,UMA PERGUNTA QUE PODE FAZÊ-LA QUERER NOS TRANCAR NO HOSPÍCIO OU NA PESTALOZZI. É QUE ELA CANTA COM UMA QUALIDADE TIMBRÍSTICA, UMA NATURALIDADE, QUE PARECEM SER PRODUTO NÃO SÓ DAS CORDAS VOCAIS MAS TAMBÉM DE UMA GRANDE INTELIGÊNCIA. ELA ESCREVE BEM, FALA LIMPIDAMENTE, SUA EXPRESSÃO É TODA BONITA. VOLTANDO AO COMEÇO: O CANTO DE FERNANDA É DOM DA NATUREZA OU É A NATUREZA CULTIVADA PELA INTELIGÊNCIA DA MENINA? DÊ UM JEITO DE PERGUNTAR ISSO,POIS TOM ZÉ HÁ TEMPO ANDA CURIOSO E EU TAMBÉM. DEU PARA PERCEBER QUE ELA TEM GRANDES ADMIRADORES POR AQUI?

Que pergunta mais ilustre!
Eu nunca estudei canto formalmente, mas escutei muita coisa boa ao longo da vida. Ouvindo vozes diferentes, me identificando com algumas. Acho que fui aprendendo a usar minha voz de forma mais natural. Teoricamente eu deveria cantar bem mais agudo, pois tenho facilidade, mas prefiro minha voz num tom mais grave. Então fico me ajustando numa pequena extensão que consigo dominar. Não sou muito versátil, tem gente que não gosta, mas eu só sei cantar assim... E fico muito, mas muito feliz mesmo em saber que Neusa e Tom Zé me querem tão bem!

Um beijo a todos que torcem a favor sempre,

Fernanda Takai

ABRAÇOS DO SEMPRE FÃ
EVERI RUDINEI CARRARA

NEIL FERREIRA


O pau comeu na casa de Noca

Neil ziriguidum Ferreira


Entre mortos e feridos neste carnaval, salvamo-nos todos. Em Sumpólo, a Gaviões da Fiel, do Córintcha, saiu com um enredo beatificando e santificando São Lula e pegou um vergonhoso 9º lugar. No Rio, a bolivariana Vila Isabel, teúda e manteúda do cumpañero Tchávez, chegou em 3º lugar . Nem por isso o Rio está a salvo, vi fotos do honorável ex-presidiário Belo aos abraços com o prefeito Eduardo Paes, do PMDB; sinto aí cheiro de clorofila.

Em Sumpólo, nunca vi uma festa do povo acabar com tanta pancadaria e baixaria. Não sei quem é a Noca em cuja casa o pau comeu, nem quem é o João Sem Braço, costumeiro dador de golpes na praça, cujo golpe nesse caso era melar o resultado.

O sucedido sucedeu há 3 dias, uma eternidade para a curta memória nacional. Não me meto a me afogar em águas tão passadas. É exemplar a amnésia do Bloco Unidos dos Urubus, os Onze de Brasília, estilosamente fantasiados com suas capas pretas à conde Drácula. O julgamento dos mensaleiros continua esquecido sob a poeira, nos seus caixões de repouso diurno; dormem o dia inteiro, suspeita-se; são avessos à luz do Sol, afirma-se.

O que vi, vi igual ao que você viu, só que diferente. Vi pela tevê um cidadão de camiseta azul discordar da contagem dos votos e democráticamente exercer sua cidadania. Pleno de coragem revolucionária, expropriou os votos ainda não divulgados e os destruiu com as mãos limpas, à vista de todos, como se nada tivesse a temer (não confundir o verbo “temer” com o marido da Marcela).

A tevê mostrou tudo da baixaria, só vou falar uma coisa. A Gaviões da Fiel adentrou o gramado certa de que iria levar o caneco, entrou no vácuo da baderna, tocou fogo em carros alegóricos e invadiu a Marginal, provocando pânico. Estava no vergonhoso 9º lugar, onde ficou. Dito o quê, peço licença para apresentar o meu enredo.

“Em Sumpó... tem carná / Tenho um fusca e um viô / Sô Córintcha e jogo no chão uma talagada / pro santo São Lula...” Ops ! “Ops !” é a interjeição “Opa !” em internetês, como “blz”, que é “beleza”. Então, ops, citei um trechinho do “Samba do Petista Doido”. Usei essa sintaxe para mostrar que sou mudérrrno e escrevo em jovês.

O sutaque com que falei “mudérrrno” é canadense. É igual a “mudêlo” significando “modelo”, como pronunciado pelo encenador canadense Lindbergh Farias, PT/RJ, numa discussão com o senador Aloysio Nunes, PSDB/SP, o mais votado do Brasil, ao afirmar que “u mudêlu de privatição petista é melhor do que u mudêlo tucano”. “U mudêlu” pode ser melhor, “o modelo”não é. Farias foi o ai Jesus das menininhas assanhadas quando era cara-pintada, nas passeatas que ajudaram a derrubar Collor, de quem é aliado hoje.

É necessário compreender o significado de “blz”. Manuela d´Avila, aquela fofurinha do PCB/RS, foi a mais jovem e mais votada deputada federal pelo Rio Grande do Sul. Era vice-presidenta da UNE e precisava de uma campanha jovem e intelectual, para marcar posição.

Apareceu com um slogan que mataria de inveja Duda “Goebbels” Mendonça, autor confesso da embromação nunca antes vista nesse país, “Lulinha Paz e Amor”, pela qual recebeu “tax free” gordas quantias de dólares, num paraíso fiscal.

As palavras mágicas da Manuela na campanha foram “Aê blz !” propaganda reveladora do que a candidata era e é -- que lhe renderam uns 500 mil votos, reveladores do que seus eleitores eram e são.

Manu era fofinha sim, ou mais; numa entrevista confessou que dos 15 aos 17 anos jogou ao mar 40 quilos de carga extra, não se sabe à custa de quais sacrifícios, imagine a vida sem chocolate e com Coca Zero. Sendo a mais cobiçada belezinha da Câmara, cedeu aos encantos do deputado federal José Eduardo Cardozo, PT/SP, atual ministro da Justiça, com quem engatou prolongado namoro, não sei se dura até hoje.

Não estou ao par dos assuntos de alcova do Congresso, a não ser aquele da Mônica, do Renan Avacalheiros, que saiu nua em pelo(s) na Playboy, vista por todos que, como eu, compram a revista para alegadamente ler as entrevistas “cabeça” que publica – e não para olhar com olhares lúbricos aquelas fotos cabeludas ou descabeladas que saem no folder central.

Voltemos à vaca fria, a Gaviões da Fiel, escola de samba do Córintcha e sua derrota de goleada. O enredo deste carnaval foi uma homenagem ao Cara, que queria porque queria sair no carro alegórico, para cantar com a lingua presa a preciosidade da qual aqui vai um trechinho: “Viu… No coração do Brasil / Tanta desigualdade / O retrato da realidade / A utopia buscando a dignidade!/ Solta o grito da garganta e vem comemorar / A soberania popular/ Felicidade… / O povo unido venceu / A cidadania resplandeceu /Uma nova era aconteceu!”. Foi impedido pela conspiração da junta médica, que o impediu de sair e nos poupou do vexame de ver e escutar.

Cultuado pelo enredo como um novo São Jorge, embora a Igreja tenha derrubado o santo do cavalo; como um padim Padi Ciço redivivo, que derrotou sózinho a ditadura milical; inventou o Plano Real e estabilizou a economia; acabou com a fome e nunca ameaçou a liberdade de imprensa. Percebo aí as digitais do Duda “Goebbels” Mendonça. Seus acólitos afirmam que são dele as “Tábuas da Lei”, a.k.a. “Dez Mandamentos”, que escreveu ao ser ungido “ghostwriter” de Jeová. A verdade é o avesso do avesso do avesso, sabe-se.

O palanque móvel desfilou na madrugada de domingo, muito tarde para os meus costumes espartanos. Como você notou por este relato pleno de honestidade, nada vi, nada ouvi e não gostei. Daí, este texto que vai como o Samba do Afrodescendente com Deficiência Mental.

A Gaviões da Fiel perdeu feio, o que prova que em Sumpólo o Cara é um tremendo pé frio e não ganha nem desfile de escola de samba. Brimo Haddad que se cuide.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

TOM ZÉ


TOM ZÉ NÃO FUMA BÍBLIA

Quem é o imbecil que está dizendo que eu fumei Bíblia?

Primeiro: não sou analfabeto; amo tanto a Bíblia quanto Thomas

Mann, Henrich Zimmer, Joseph Campbell, o próprio James Joyce.

Sou inveterado leitor dela, converso sobre ela com amigos, ouço o

que os doutores têm a dizer. E até divulgo.

Agora: o que eu acredito. Ah! Isso é outra coisa. Veja por

exemplo em “José e Seus Irmãos” o capítulo em que Mann

palmeja a saga de Abrahão fundando no deserto o Deus que

conhecemos, já que esse Deus data de cerca de 4.000 anos antes

de Cristo.

Que coisa mais ridícula, essa de fumar Bíblia! Quem anda

dizendo que eu fiz isso não viu nem o próprio filme “Filhos de

João”, no qual quem trata desse assunto claramente não me inclui

e não me cita em seus pronunciamentos.

Que coisa mais ridícula, não gostar da Bíblia! Desrespeitar a

literatura religiosa e mítica, desrespeitar a poesia!
SITE DE TOM ZÉ

TOM ZÉ


Brigitte Bardot
Tom Zé


A Brigitte Bardot está ficando velha,
envelheceu antes dos nossos sonhos.
Coitada da Brigitte Bardot,
que era uma moça bonita,
mas ela mesma não podia ser um sonho
para nunca envelhecer.
A Brigitte Bardot está se desmanchando
e os nossos sonhos querem pedir divórcio.
Pelo mundo inteiro
têm milhões e milhões de sonhos
que querem também pedir divórcio
e a Brigitte Bardot agora
está ficando triste e sozinha.
Será que algum rapaz de vinte anos
vai telefonar
na hora exata em que ela estiver
com vontade de se suicidar?
Quando a gente era pequeno,
pensava que quando crescesse
Ia ser namorado da Brigitte Bardot,
mas a Brigitte Bardot
está ficando triste e sozinha