quarta-feira, 2 de maio de 2012

CONCERTO

4ème Temporade Brésil Sertão et Mer Programme * Exposition " Terra Brasil " De l'artiste peintre brésilienne Marcia Prates Du 3 mai au 3 juin 2012 A La Brasserie des Halles 1, rue Pithou - 10000, Troyes * Entrée libre * Concert " Vivre & Apprendre " Heitor de Pedra Azul, voix/guitare Damien Hennicker, saxophones Christian Paoli, percussions Au Vrai Chablis Le samedi 12 mai - 21h00 6 - 8, Place Général de Gaulle 89800 - Chablis * Entrée libre * Expositions de peintures des artistes Manuel COSTA - Yvan JOURDAIN - Afonso TEIXEIRA Du 22 mai au 3 juin - de 14h30 à 18h00 Tous les jours A la Maison du Patrimoine Rue Jean-Jacques Rousseau - derrière la mairie 10800 - Saint Julien les Villas * Entrée libre * Concert/lancement du livre " Vivre & Apprendre " et du cd " Brasil Sertão e Mar " Cayê Milfont - Marcelo Godoy - Heitor de Pedra Azul, voix/guitares. Damien Hennicker, saxophones Le vendredi 25 mai - 20h30 A l'Auditorium de la Maison du Patrimoine Rue Jean-Jacques Rousseau - derrière la mairie 10800 - Saint Julien les Villas * Entrée libre *Concert/décicace " Vivre & Apprendre - Brasil Sertão e Mar " Cayê Milfont - Marcelo Godoy - Heitor de Pedra Azul, voix/guitares. Alain Vuillot, piano - Christian Paoli, percussions Le samedi 26 mai - 20h30 Au Le Bougnat des Pouilles 29, rue Pithou - 10000, Troyes * Entrée libre * Séances dédicace du livre " Vivre & Apprendre " de Heitor de Pedra Azul A la Bibliothèque de Saint Julien les Villas Le mercredi 30 mai - 9h00 et 14h30 Rue Jean-Jacque Rousseau - derrière la mairie 10800 - Saint JUlien les Villas * Entrée libre *** Annexes à regarder et à repasser, svp. * Association Brésil Sertão et Mer * Centre d'Animation Sportif et Culturelle de Saint Julien les Villas * 90 Ans de la Cave Coopérative des Riceys Champagne Marquis de Pomereuil

segunda-feira, 30 de abril de 2012

ARNALDO BAPTISTA NA VIRADA CULTURAL/SP

Arnaldo Baptista Proclame! Teatro Municipal dia 5 às 19h00 Arnaldo Baptista, ex-líder de Os Mutantes, apre­senta-se na Virada Cultural com seu show solo voador, Sarau o Bene­dito?, no Teatro Muni­cipal de São Paulo. Arnaldo tocará e cantará ao piano de cauda, em um espe­tá­culo inti­mista e envol­vente. Sarau o Bene­dito? traz video-cenário com proje­ções de dese­nhos de sua obra como artista plás­tico.Arnaldo Baptista, que é baixista, pianista, cantor e compo­sitor, nasceu em São Paulo em 1948. Formou Os Mutantes no ano de 1966 com o irmão Sergio Dias e com Rita Lee. Em 1967, o grupo acom­pa­nhou Gilberto Gil em sua apre­sen­tação da canção Domingo no parque no III Festival de MPB da TV Record, inici­ando assim o envol­vi­mento da banda com o movi­mento tropi­ca­lista. Os Mutantes lançaram seis álbuns com a presença de Arnaldo, indo do “tropi­ca­lismo psico­dé­lico” ao rock progres­sivo, tão em voga na época. Após a saída dos Mutantes, Arnaldo lançou quatro albúns solo - entre eles o clás­sico Lóki - e dois álbuns como parte da banda Patrulha do Espaço. Seu último álbum solo, Let it Bed, foi lançado em 2004 e é resul­tado da desco­berta de Arnaldo dos atuais softwares caseiros de áudio. Arnaldo Baptista http://www.arnaldobaptista.com.br/historico.htm

sábado, 28 de abril de 2012

CONCURSO LITERÁRIO

II Concurso de Poesia Autores S/A Estão abertas as inscrições para o II Concurso de Poesia Autores S/A! Leia atentamente o regulamento do concurso. Disponibilizamos também, logo abaixo do regulamento, um link para o formulário de inscrição. Além dos vários prêmios oferecidos, o Portal Cronópios publicará os autores vencedores. REGULAMENTO II Concurso de Poesia Autores S/A Realização: Blog Autores S/A (http://autoressa.blogspot.com) Idealizador: Lohan Lage Pignone Regulamento oficial 1. DO OBJETIVO DO CONCURSO Percebe-se um crescente número de poesias sendo divulgadas através de espaços virtuais, sobretudo em blogs. A má valorização e a descrença que se dá à poesia na sociedade têm gerado, nos últimos anos, um êxodo poético para o mundo virtual: espaços democráticos, sem pretensões lucrativas, que trazem do anonimato poetas de incontestável talento. Poetas que, por sua vez, não obtiveram boa receptividade (ou nenhuma) sob o aspecto mercadológico do material poético. Com base nesta prerrogativa, o blog Autores S/A tomou a iniciativa de estimular a produção de poemas, a formação e a divulgação de novos poetas. Nesta segunda edição do concurso, a expansão dos trabalhos dos poetas será ainda mais vasta comparada à edição do ano passado. O grande diferencial do Concurso de Poesia Autores S/A são as análises e ensinamentos deferidos por jura dos – autores renomados e professores de alto gabarito – que se encarregam de direcionar os poetas, ensiná-los técnicas em prol de sua evolução na competição e, consequentemente, fora da competição. Tal característica não se observou, até então, em nenhum outro certame. 2. DAS INSCRIÇÕES 2.1 O período de inscrições se dará entre os dias 02 de abril de 2012 a 14 de maio de 2012. 2.2 Poderão se inscrever pessoas físicas, de qualquer idade, residentes legais em qualquer país, desde que o trabalho enviado tenha sido escrito em língua portuguesa (o que não impede, de forma alguma, o uso de termo estrangeiro no poema). O poema não precisa ser inédito na primeira fase de envio, sendo permitido o envio de poemas premiados em outros certames, bem como poemas publicados em blogs/sites e livros de autoria. 2.3 Não será cobrado qualquer tipo de taxa de inscrição. 2.4 Os participantes deverão, no período de 02 de abril de 2012 até 14 de maio de 2012, acessar o blog Autores S/A, cujo endereço é:http://autoressa.blogspot.com< span style="color: #005b85;"> e preencher o formulário de inscrição que lá estará disponível, com os seguintes campos obrigatórios: nome e endereço completos, pseudônimo, telefone, data de nascimento, e-mail e, claro, o poema intitulado. O participante deverá ser seguidor (a) do blog Autores S/A (basta ir em Amigos S/A). 2.5 O pseudônimo disposto no item 2.4 não poderá conter qualquer semelhança com o nome real do participante. 2.6 O sistema de inscrição informará ao participante, via e-mail, se a inscrição foi ou não efetuada com sucesso. É de suma importância verificar a caixa de spam neste caso. 2.7 O poema deverá ter, obrigatoriamente, um título. 2.8 Os participantes serão excluídos automaticamente do concurso em caso de fraude comprovada ou de apresentação de poemas que não sejam de sua autoria, podendo ainda responder por crime de falsidade ideológica ou documental. 2.9 Os finalistas do ano passado, com exceção dos dois primeiros colocados (que não poderão se inscrever este ano), que queiram se inscrever novamente, por favor: enviem pseudônimos diferentes, bem como poemas diferentes. 3. DA BANCA DE JURADOS 3.1 O júri oficial será formado por pessoas reconhecidamente capacitadas em Literatura e/ou Artes e/ou Educação. Os convidados, para formarem o júri durante as etapas do concurso, serão autores (de renome ou não), ou pessoas de nível semelhante ao dos jurados oficiais. 4. DAS FASES DO CONCURSO 4.1 Haverá a pré-seleção dos poemas inscritos. A pré-seleção consistirá em duas fases: na primeira fase, serão classificados 30 poemas. Desses 30 poemas, uma nova seleção será realizada, com base em um novo desafio proposto para os 30 poetas. 4.2 Os poetas classificados serão devidamente informados, via e-mail, sobre todo e qualquer desafio que virá a ser proposto pela organização do concurso. 4.3 O término da segunda fase da pré-seleção se dará com a classificação dedez (10) poemas. Os dez poetas, respectivos, disputarão a fase final do concurso. 5. DA FASE FINAL DO CONCURSO 5.1 A fase final do concurso, disposta no item 4.3, será disputada em oito (08) etapas semanais. 5.2 Em cada etapa haverá uma temática estabelecida pela organização do concurso, a qual os poetas finalistas deverão obedecer no feitio de seus poemas. 5.3 As temáticas dispostas no item 5.2 serão encaminhadas para os poetas com cinco dias de antecedência em relação ao dia de postagem. 5.4 Todos os poemas da fase final deverão ser enviados para o e-mail do concurso (e-mail revelado somente para os classificados). Todos os poemas serão publicados no blog Autores S/A, de acordo com as etapas. As datas e horários/ prazos serão devidamente informados aos poetas finalistas na ocasião. 5.5 Os poemas da fase final deverão ser enviados em anexo ou no próprio corpo do e-mail do concurso, em fonte Times New Roman, tamanho 12. Não haverá limite de linhas/versos ou caracteres. Será permitido o envio de uma (01) imagem para ilustrar o poema (dado facultativo), exceto quando for determinado o contrário em alguma das etapas. 5.6 Os dez poetas finalistas disputarão as oito etapas em pontos corridos, ou seja, não haverá eliminação durante a fase final do concurso. O poeta que, ao término do certame tiver acumulado maior número de pontos, será consagrado o vencedor. 5.7 A pontuação, supracitada no item 5.6, será estabelecida da seguinte forma: Os jurados empregarão suas notas de 9 a 10 (9,1 – 9,2 – 9,3 – 9,4, e assim até 10). Abaixo, o padrão de pontuação que será estabelecido, dos poetas mais pontuados (soma de todos os jurados) até os menos pontuados na etapa: 1º-12 pontos / 2º-11 pontos / 3º-10,5 pontos / 4º-10 pontos / 5º-9,5 pontos 6º-9 pontos / 7º-8,5 pontos /8º-8 pontos / 9º-7,5 pontos / 10º-7 pontos. 5.8 Haverá a participação popular durante o concurso, através de enquetes. Os poetas mais votados pelo público nas enquetes poderão receber apenas 1 ponto de bonificação nas etapas. 5.9 Não será permitido qualquer tipo de acordo entre os participantesdurante a fase final do concurso. Tanto os prêmios quanto o título do concurso serão intransferíveis. 6. DA PREMIAÇÃO 6.1 A premiação do II Concurso de Poesia Autores S/A será distribuída da seguinte forma: 1º colocado: Uma quantia de 400,00 (quatrocentos reais) em dinheiro; 1 Troféu; 1 Assinatura, de seis meses, da revista Metáfora; 1 Caricatura (do poeta vencedor) e publicação de 3 poemas do concurso no site Mundo Mundano. 2º colocado: 1 aparelho de MP5 4GB; 1 Troféu; 1 Assinatura, de dois meses, da revista Metáfora e publicação de 2 poemas do concurso no site Mundo Mundano. 3º colocado: 1 aparelho de celular (Samsung); 1 Troféu; 1 Assinatura, de dois meses, da revista Metáfora e publicação de 1 poema do concurso no site Mundo Mundano. 4º colocado: 1 caderno Moleskine; 1 Assinatura, de dois meses, da revista Metáfora e 1 livro. 5º colocado: 1 Assinatura, de dois meses, da revista Metáfora e 1 livro. 6º colocado: 2 livros. 6.2 Haverá, ao término do concurso, uma postagem que irá celebrar e premiar os melhores poemas do concurso – abarcando os poemas de desde a segunda fase da pré-seleção. Será a premiação extra, que será dividida emcategorias. São elas: a) Melhor poema b) Melhor título c) Melhor verso d) Melhor estrofe e) Melhor criatividade f) Melhor intertextualidade 6.3 O vencedor de cada categoria receberá um (01) livro como premiação e terá seu poema publicado no Portal Cronópios. 6.4 Durante o certame, serão sorteados prêmios entre os participantes. 6.5 Todos os prêmios serão devidamente enviados, por Correios,após o término do concurso. 7. DISPOSIÇÕES FINAIS 7.1 Durante todo o período do concurso, o espaço do blog Autores S/A ficará reservado unicamente para o recebimento de textos concernentes ao concurso de poesia. 7.2 Ao fazer a inscrição, o autor estará concordando com as regras do concurso, inclusive autorizando a publicação da obra no blog Autores S/A. O autor responderá por plágio, cópia indevida e demais crimes previstos na Lei dos Direitos Autorais. 7.3 Os participantes serão prontamente avisados sobre a classificação ou a não classificação para a fase seguinte logo ao término da pré-seleção. Dúvidas? Entre em contato conosco: E-mails: poesiaautoressa@gmail.com ou lohanlp@yahoo.com.br ENVIADO POR TOUCHE-GUARULHOS-SP

quinta-feira, 26 de abril de 2012

JOÃO WERNER

Release Dia 30 de abril, o artista plástico João Werner abre uma nova exposição em sua galeria em Londrina, intitulada “Mesa de bar”. Mantendo a verve esquerdista de exposições anteriores, nestas novas gravuras Werner faz um passeio pela periferia da metrópole, mostrando, com seu humor peculiar, o dia a dia dos “pouca-grana”, como o próprio artista, afetuosamente, conceitua. Catadores de papel, lavadeiras, tatuadores da old school, gente apressada indo ao trabalho em transporte coletivo, todos são representados com um traço amistoso e sensível. Não há, nesta exposição de João Werner, a representação de luxo nem de glamour, nada de jóias, de champagne ou o que quer que lembre a riqueza em qualquer outra forma. Se em uma gravura como “Malabares”, por exemplo, aparecem automóveis, é apenas como um pano de fundo, como a representação inevitável da platéia anônima de mecenas dos “artistas do semáforo”. Com esta atenção compassiva do artista dedicada à vida financeiramente menos favorecida, surgem representações do lazer e da festa populares, bem como de jogos e brincadeiras infantis. Assim, por exemplo, gravuras como “Carnaval” e “Gafieira” mostram a diversão barata e acessível, enquanto que “Pipa” e “Burquinha”, por outro lado, revelam a criança em seu lazer. Esta é, certamente, uma exposição bem menos polêmica do que outras exposições anteriores de João Werner. Ao visitante será possível ver como um artista, em outras oportunidades tão iconoclasta e contestatório, pode ser, também, um narrador atento e empático da vida mais simples. Nestas gravuras, Werner assemelha-se àquele cronista a que se referiu Walter Benjamin, o qual, não distinguindo os grandes dos pequenos acontecimentos, não deixa que nada do que aconteceu possa ser considerado perdido para a história. Statement Embora meus quadros pareçam dizer o contrário, não faço arte de denúncia social. Defino minhas pinturas como o resultado de imaginação comovida, isto é, como o fruto da atenção emocionalmente tingida pelo drama humano, pela pobreza, pelo trabalho humilde e a diversão barata. Cada pintura retrata uma estória que nunca foi e nunca será escrita, porque é uma história de anônimos. Os doces sem embalagem expostos na vendinha da esquina, o forró à luz tênue das lâmpadas de 60 watts, o calendário de mulher pelada amarelado pelo tempo. Quem olha pra isso? Pra que olhar pra isso? Um cachorro perambula entre os barracos de minha pintura "Favela". Não há comida pra ele ali, entre os famintos. Mesmo assim, que diferença faz. Serviço Exposição individual com 24 pinturas digitais. Visitação: de 30 de abril a 29 de junho de 2012 Local: Galeria João Werner, rua Piauí, nº 191, sala 71, 86010-420, Londrina, PR. Horário: terças a sextas-feiras, das 14h às 20h - sábados, das 11h às 17h. Entrada gratuita, com monitoria.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

ENTREVISTA COM GLAUCO MATTOSO


EM BREVE,NO MÊS DE MAIO, O SITE TELESCOPIO ESTARÁ COMEMORANDO 13 ANOS NO AR, E NA SEQUENCIA DE ENTREVISTAS, DESTACAMOS O ESCRITOR E AMIGO GLAUCO MATTOSO, UM DOS POETAS MALDITOS ESSENCIAS PARA A CULTURA BRASILEIRA:


[1] GLAUCO, ser um artista maldito pode ser uma benção,visto que a
chance para o artista conquistar mais liberdade perante uma editora
pequena é maior, além do que, o maldito é boicotado em sua cidade e/ou
país,como eu sou aqui em Araçatuba - mas por outro lado,conquistamos
mais credibilidade, não interferência de terceiros em nossa obra, e
coragem para suportar o reacionarismo das pseudo-estrelas literárias em
nossas cidades ,ainda tão provincianas. O que você me diz?

GM - Aqui temos dois aspectos a considerar. Do poncto de vista
collectivo, não importa muito si o escriptor marginal (ou underground,
como se diz internacionalmente) está na capital ou no interior, pois o
boycotte é practicamente o mesmo. A unica differença é que na capital,
em vez duma só panellinha, são innumeras panellinhas e panellonas,
disputando mercado e midia, ou, por outra, viabilidade e visibilidade.
Costumo brincar que, como auctor cego, não tenho que me preoccupar com a
visibilidade. Quanto à viabilidade commercial, mesmo que minha obra
possa attender a um nicho qualitativo especifico, ainda assim eu
soffreria pela barreira quantitativa, ja que, só de sonetos, passo dos
cinco mil. Nesse poncto entra a solução individual, que depende do que
temos à mão. Você tem a ferramenta digital e o cyberespaço. Eu tenho o
computador fallante mas não tenho accesso via mouse, não posso navegar
nem postar, apenas teclo e troco emails. Dependo dos outros para manter
um site e das pequenas editoras para divulgar a obra parcelladamente, em
livro. Nem que eu assignasse contracto com dez editoras commerciaes
daria para publicar toda a obra em pouco tempo. O remedio é continuar
marginal, seja por opção, seja por necessidade, ainda que um ou outro
livro saia por editora maior. Mas você tem razão: sem estarmos presos
aos interesses lucrativos duma unica empresa, a liberdade é maior, tanto
thematica quanto estylistica ou em termos de genero litterario.

[2] Como você sentiu a obra do Roberto Piva,como você sentiu a morte
dele, que recordações você guardou dele?

GM - Acho que resumi tudo no soneto que lhe dediquei por occasião do
fallecimento. Elle me precedeu em termos de geração, começou sessentista
emquanto eu comecei septentista, mas nunca disputamos o mesmo espaço,
principalmente depois que adoptei a forma fixa do soneto e da decima.
Mas tinhamos muito em commum, na visão dionysiaca e mystica da
demonologia lyrica, nas predilecções eroticas e litterarias, na
convivencia com o submundo metropolitano da Paulicéa. Depois que fiquei
cego perdi contacto com quasi todos os amigos, mas nos telephonavamos de
vez em quando, continuavamos trocando confidencias intimas e fofocas
venenosas sobre a esnobe scena litteraria official... Abaixo estou
collando o soneto pentastrophico que compuz.


PROFANO PROPHETA [3390]

Esperma de palavra se deriva
em fertil mente e em lyra creativa.

Semantica ou syntaxe, só, não basta
nem são imprescindiveis metro e rima
si a escripta surprehende e a penna é vasta.

Conheço um tal poeta e nelle vejo
de olympicas metropoles o exgotto,
o gozo azul de impubere garoto,
o samba em harpa e o rock em realejo.

É magico e sublime o pederasta
que do maldicto mytho se approxima
e do castiço canone se afasta.

No orgasmo oral dos jovens está viva
a chamma que deixou Roberto Piva.



[3] Você parece dar mais ênfase aos recursos mnemônicos, provocando uma
implosão profunda dentro das regras literárias, imprimindo ritmo,
métrica, valorizando a oralidade da poesia, bem ao estilo do cordel,da
poesia beat, isso misturado a uma temática suja que ainda agride os
ouvidos dos ouvintes mais despreparados -lembro-me de ler alguns sonetos
seus em minha cidade e o público enrubescer! Será que o público continua
ainda adormecido, não obstante o avanço das vanguardas no início do
século 20? Glauco,acho o leitor,o público brasileiro muito apático.

GM - Quanto ao potencial mnemonico das formas fixas, metrificadas,
rimadas e rhythmadas, você lembrou bem, que ellas teem tradição oral e
participam da musicalidade da poesia na sua origem. Brinco ainda que, si
um cego não precisa da visibilidade, tambem pode dispensar a visualidade
da poesia e priorizar a oralidade. Na phase em que enxerguei fui adepto
dum concretismo, digamos, dactylograffitado, e mantenho a estima devida
ao Augusto de Campos, um dos meus incentivadores. Mas, na cegueira,
reconheci que o chordelismo e o sonetismo me ajudaram a reencontrar
minha vocação poetica, e que a memorização depende muito da regularidade
metrica, rimatica e rhythmica. Eu não chegaria aos milhares de sonetos
si não adoptasse formatos rigorosos. Quanto à thematica, ahi é que a
porca torce o rabo, pois, como você lembrou, eu sujei e violentei muito
a esthetica lyrica, coisa que causa ainda algum enrubescimento, mesmo
aqui em Sampa.

[4] O que você costuma ouvir, quais seus discos/cds de cabeceira,aqueles
aos quais você sempre retorna?

GM - Ainda sou sessentista em materia de rock, pois foi a trilha sonora
da minha adolescencia. Continuo beatlemaniaco e reouço bandas da epocha,
como Byrds, Stones, Creedence, Who, Kinks. Mas sou bem mais eclectico na
hora de diversificar. Vou do erudito (como o barroco de Scarlatti) à
Velha Guarda brasileira (Noel, Lamartine, entre os compositores; Carmen
Miranda, Mario Reis, entre os interpretes)... Só me differencio de
muitos collegas quanto a algumas bandas de publico restricto, como os
Macc Lads, inglezes campeões da bocca suja e da incorrecção politica, ou
os Pharaohs do Sam the Sham, que continuaram juvenilmente dansantes
emquanto os psychodelicos sophisticavam seus arranjos. No rock
brasileiro, ainda acho que os Mutantes não foram superados, siquer por
Cazuza ou Renato Russo...

[5] Por que você adotou "o systema etymologico vigente desde a epocha
classica até a decada de 1940", contrariando a ortografia oficial? o que
te levou a isso?

GM - Não foi uma attitude repentina, apenas para reagir às successivas
reformas que estão desfigurando a forma escripta do idioma. Nem foi para
homenagear os sonetistas classicos que escreviam nessa orthographia. Na
verdade, eu gosto desse systema (vigente no francez e no inglez) desde
que me formei bibliothecario (graduei-me em 1972) e desde que lancei, em
1977, meu fanzine anarcholitterario, o JORNAL DOBRABIL. A explicação,
alem do merito esthetico e historico, é a propria contestação anarchica:
quando todos seguem o systema official, o rebelde adopta aquelle que foi
abolido. Durante decadas deixei de seguir a etymologia por causa das
editoras commerciaes e da midia, que me impunham a obrigatoriedade. Mas,
depois dos 60 annos e depois da ultima estupidez que fizeram com os
hyphens, vi que não valia a pena ficar pagando mico a esses
revisionistas incoherentes. Si quizer, lhe offereço o artigo que escrevi
sobre isso para a revista LINGUA PORTUGUEZA...

[6] Glauco você me lembra Glauber Rocha,pela sua inclinação aos
paradoxos, o gosto pela antítese, o oxímoro -porque o cineasta dizia que
o artista é contraditório.Temos os dois lados da moeda em nossas
vísceras, uma coisa também meio búdica, zen, que se completam não é?
você com a cegueira pôde encontrar este complemento zen? é uma percepção
que lhe permite viajar pelo universo destas contradições?

GM - Curioso é que Glauber tambem tinha sua propria orthographia, mas
não systematica como a que uso. Sim, concordo com essa concepção ambigua
da natureza humana, opposta ao manicheismo das religiões. Achei no
mysticismo o respaldo transcendental para meu papel como poeta cego (a
exemplo de Homero, Milton, Borges ou Aderaldo), mas sobretudo para a
comprehensão do meu sadomasochismo, que é uma synthese de oppostos, uma
verdadeira monada yin-yang. Nesse poncto não sou apenas buddhico nem
bacchico, sou barroco, ou neobarroco, ou posbarroco. Uso o neologismo
BARROCKISTA, parallelamente ao de PORNOSIANO.


[7] Ainda neste contexto das contradições, penso que o soneto traz
consigo um desafio a ser realizado pelo autor, que deverá conquistar uma
espécie de liberdade vocabular e criativa em contraste com uma camisa de
força proveniente de sua estrutura,não é assim?

GM - Exactamente. Como as radicaes acrobacias dos motocyclistas dentro
do globo da morte... (risos)

[8] É verdade que Millor Fernandes tenha te influenciado? Como foi? Você
chegou a conhecê-lo pessoalmente? eu gostei muito do poder de fogo
crítico do irmão dele, o Hélio Fernandes.

GM - Sim. Meus maiores incentivadores foram dois de meus referenciaes
artisticos, Augusto de Campos e Millor, que prefaciaram e posfaciaram
meu JORNAL DOBRABIL em livro. Troquei correspondencia e telephonemas com
Millor e, quando enxergava, visitei-o no Rio. Elle sempre foi affectuoso
commigo, typo um pae litterario. Me levou para almoçar na churrascaria
preferida, me apresentou a Cora Rónai, fez a ponte com Fernanda
Montenegro e com o PASQUIM, alem de collaborar no meu zine. Tambem fiz
um soneto para elle, que collo abaixo.


DOIS PHANTASMAS NA RISADARIA [5198]

Millor, meu Deus, morreu! Me telephona
alguem, quer que eu deponha. Eu argumento
que egual foi a Voltaire, porem lamento
não ser o philosophico o que abona.

Tambem com Chico Anysio assim funcciona:
do lado litterario, do talento
de sabio, de humanista, bem mais lento
é o reconhecimento que sancciona.

Drummond, na academia, ja rendeu
milhões de theses. Justo é, reconheço,
mas nobre foi Drummond? Millor plebeu?

Preoccupa-me o demerito, esse preço
que paga um humorista. Tambem eu
sou victima e discipulo... mas cresço!


[9] Glauco, você parece rir da sua própria cegueira física, assim como
Ray Charles parecia rir de tudo,em seu piano divino. Qual a importância
do HUMOR em sua obra? lembro-me de uma passagem dos "Sofrimentos de
Werther" em que Goethe descrevia a necessidade do bom humor.

GM - Lembre-se que o humor está na raiz dos principaes classicos. De
Marcial a Aretino, de Shakespeare a Cervantes, de Gregorio a Bocage.
Lembre-se tambem de que o fescennino nada mais é que uma sommatoria de
comico e erotico. Mesmo que nem sempre a litteratura privilegie o
tragicomico, o heroicomico ou o humor negro. Digamos que rir da propria
desgraça faz parte do masochismo e que rir da desgraça alheia faz parte
do sadismo... (risos)

/// [22/4/2012]

ROGERIO BOTTER MAIO


Nessa 5a f - dia 26 - estaremos de volta a esse lugar tão bacana que o Jazz nos Fundos apresentando na primeira parte em trio o novo CD "Sobre o silêncio".
Na segunda parte, em quinteto, teremos a participação do meu irmão Rodrigo Botter Maio (saxes e flauta) radicado na Suiça e do baterista/percussionista Emílio Martins e tocaremos material dos 4 cds anteriores.
No link http://jazznosfundos.net/#!6780 voce pode entrar na lista de desconto.

DIA 26 - 22h na Rua João Moura, 1076 em Pinheiros (São Paulo)

AINDA NESSA SEMANA NA FUNDAÇAO EMA GORDON KLABIN DIA 28 - 16,30h - ENTRADA FRANCA - apresentação em trio do novo CD "Sobre o silêncio".

Nos vemos lá!

Rogério

ARNALDO BAPTISTA NA MTV


quem quiser ver e ouvir ARNALDO BAPTISTA na MTV -ENTREVISTA :

http://mtv.uol.com.br/videos/programas/mtv1/china-entrevista-arnaldo-baptista