terça-feira, 8 de maio de 2012

WALDO LUIS VIANA

POPULARIDADE E CLASSE C “Se 50 milhões acreditam numa besteira, a besteira continua sendo uma besteira.” Bertrand Russell Waldo Luís Viana* Vivemos os tempos áureos da estrepitosa popularidade da “presidenta” Dilma. Sua posição nas pesquisas é até proporcionalmente bem melhor que a de seu predecessor, o ex-presidente “nunca dantes nestepaiz”... Infelizmente, tal patamar feérico talvez possa ser explicado pelos dois salários mínimos recebidos por até 61% da população ativa e a constatação de que 67% do povo brasileiro não passam além do curso primário, segundo dados do próprio IBGE (2010). Talvez seja essa a massa crítica capaz de nos fazer entender a inacreditável aceitação da atual mandatária. Pobre país! Parece, então, que navegamos em águas límpidas, com céu de brigadeiro, sem qualquer inimigo visível à disposição, mas tal não é verdade. Senão vejamos: · temos quase 30 partidos, o que não recomenda nenhuma reforma política séria, em virtude de ficarmos submersos no mais hipócrita regime de opinião e leilão de virtudes públicas; · o Estado aparelhado virou dogma, mas é contrário ao bom funcionamento de uma verdadeira sociedade de massas; · os pelegos não têm inteligência nem competência para gerir um Estado complexo, cujas demandas estão muito além da reprodutibilidade da corrupção e do compadrio; · o Estado é colonizado por interesses privados e isso não depende da ideologia do partido que desfruta do governo; · a pretensa descentralização do poder, via coalizão, com “porteira fechada para cargos nos ministérios” não funciona na prática nem fortalece os partidos; · o sindicalismo de resultados é mera fachada para uma cobrança eterna de pedágios e verbas governamentais, em troca do silêncio de cemitério nas praças públicas; · governar sob um modelo exaurido, com abundância de cargos de confiança (22 mil) e uma burocracia não profissional a serviço de interesses menores, é garantia de fracasso a longo prazo; · o Estado atrasado e patrimonialista é o paradigma de um país velho que precisamos superar; · o partido no governo só tem objetivos eleitorais, uma espécie de “partido burguês com dentadura”, agindo como um centrão aglutinador de oligarquias atrasadas; · o governo finge que deseja uma reforma tributária, mas não vai fazê-la, porque a classe sindical e a militância precisam continuar penduradas no Estado perdulário e grandioso; · os pelegos, ONGs, movimentos sociais, políticos e empreiteiras insistem em se manter domesticados, em troca de cargos, verbas e superfaturamentos, tencionando engordar, com os caixas dois, as caixinhas eleitorais; · os comensais do bolsa-família são conservadores, não querendo promoção social nem empregabilidade e preferindo ver o governo sustentar eternamente os seus respectivos segmentos; · o vale-tudo do socialismo de mercado locupleta-se da corrupção e do servilismo, tencionando desmoralizar os mecanismos de controle, fiscalização e a própria ordem jurídica; · o governo não consegue se libertar da camisa-de-força da dívida interna e de suas consequências brutais, a partir do superávit primário; · e, finalmente, a desindustrialização é consequência do custo-Brasil, de impostos excessivos, da logística e infraestrutura sofríveis, pouco desenvolvidas e mal-assistidas. Tal quadro, sumariamente composto, gera um governo particularista, em que a “presidenta” opera como figura apagada, medíocre e de mera transição. Seus projetos praticamente não saem do papel ou estão originalmente contaminados pela corrupção onipresente. Diríamos até que sua administração anda “empacada”... Por outro lado, a grande invenção do governo, que contribuiu efetivamente para a sua sustentação popular e eleitoral, foi o surgimento e manutenção de uma classe C, formada a partir de padrões de consumo popular e de um nível de renda em média de 1.500 dólares. A classe C, completamente destituída de ideologia, só quer mesmo é consumir. Tal fato sociológico é de tão grande envergadura que a mídia, nos últimos anos, tem aberto francamente as portas para esse contingente, manobrando a programação das redes de televisão no sentido de agradar esses emergentes de ocasião. Não é à toa que se investe em temáticas suburbanas, em duplas caipiras e cantores evangélicos nas novelas e nos intervalos comerciais, povoando o horário nobre de ícones que somente interessem àquela classe. A pretexto de inclusão social, aprofunda-se ainda mais o abismo entre um país preferido pela norma culta de outro, mitificado pela deseducação, pelos preconceitos às avessas, erros propositais de português, termos chulos e programas de ofertas aos carentes e necessitados. Como esse contingente constitui-se, hoje, de cerca de 38% da população, tem impulsionado as modificações da economia e da cultura, sendo a alienação ideológica um traço distintivo de comportamento que o sujeita a toda espécie de manipulações. Nesse contexto, contemplamos aí um ovo da serpente de futuros Hitlers e Mussolinis, cujos objetivos de ódio supõem sempre o cancelamento do regime democrático em nome do culto à personalidade. Quem não está habituado a pensar, quando o “calo econômico” aperta, está sujeito a aceitar quaisquer soluções fantasiosas e diabólicas, mesmo que firam de morte o Estado Democrático de Direito. A classe C é, pois, fascistóide em suas origens, porque não tem rumo nem destino. Ela aplaude quem a faz sobreviver, comer e consumir. Enquanto for assim, tudo bem: o dirigente de ocasião terá assegurada a popularidade. No entanto, se o tempo fechar, com nuvens plúmbeas, logo a sustentação do regime demonstrar-se-á frágil e proporcional à saúde de nossos últimos mandatários. Afinal, os truques de marketing esgotam-se e o que era considerado verdade passa a ser mentira, mesmo para os espíritos dorminhocos. E os espíritos despertos evidentemente desconfiam muito da calmaria podre em que estamos vivendo... Afinal, popularidade é coisa invisível, pouco confiável e não enche barriga de ninguém, muito menos da classe C... *Waldo Luís Viana é escritor, economista, poeta e adora enxergar contra a corrente... Teresópolis, 7 de maio de 2012.

RAYMUNDO ARAUJO FILHO

Verdade, Só Rompendo as Amarras! Assim, em alegres farândulas econômicas e financeiras, o capital internacional e seus agentes aqui no Brasil vão, de uma cajadada só, impor a castração da memória histórica do Brasil, escondendo quem apoiou o golpe, inclusive eles, e ainda vão, estimulando os histriônicos militares de pijama, mas sem descuidar dos novatos (lembrem-se que o homenageado na turma de cadetes formandos de 2012 da AMAN - Agulhas Negras - foi o ditador general emílio garrastazu mérdici), além de na Confusão Programada em vigor e suas pautas invertidas e “de fora” vão avançando na rapinagem econômica avassaladora que sofremos. Minha falecida avó me ensinou que um ovo pode ser desfrutado de várias formas, do cru, até o omelete recheado, frito, cozido, mexido ou até como ingrediente de doces e suflês que, sem dúvida, engrandecem este alimento, vindo das profundezas cloacais dos bípedes emplumados”, quais sejam, as aves, notadamente as galinhas (menos as dos ovos de ouro, servis aos interesses de empreiteiras e que tais). Assim, gostaria de contextualizar os cenários e interesses envolvidos pela extensão quimérica deste pesado assunto, certamente um fardo maior para quem teve parentes e/ou amigos presos, torturados, assassinados e desaparecidos pela obra sem graça dos agentes e apoiadores da ditadura civil militar, nos imposta em 1964. Para isso, recorro novamente à imagem que Leonel Brizola usou para referir-se ao senador Pedro Simon, quando este pré candidatou-se à presidência da república, sem chances, só para abrir caminho para o Quércia (prá quem se diz probo, estava com péssimas alianças o senador Simon...). Refiro-me ao “petiço da fazenda” que vem a ser aquele cavalinho que fica já pronto para os serviços ligeiros de leva e trás nas fazendas. Este debate “imorrível” sobre os crimes da ditadura está me parecendo já usado como este cavalinho serviçal, tanto por governos, quanto pelos saudosos da ditadura, todos a serviço, conscientes ou como Inocentes Inúteis, como eu bem desconfio que alguns são, sem que isso sirva de nenhum atenuante às suas idiotices políticas. Sabedores que somos que a plutocracia burguesa que nos dirige e explora mundialmente (alguém duvida disso?), “só pensa naquilo”, isto é, nos lucros e acumulação de capital, “seja sob que preço for” (desde que ardam apenas os fundilhos de alheios). Portanto, para isso, não se importam quem vai ou não vai para o Pelourinho da opinião pública, facilmente manipulada e dirigida, de acordo com quem faz que os interesses inconfessáveis desta gente, algumas vezes, até coincidam na superfície com justas reivindicações dos justos. Estes momentos históricos da política, também servem para a famosa “operação barra limpa”, levada a cabo de tempo em tempos, e que consiste em pagar alguns indigentes políticos aos quais impingiram terríveis sofrimentos, para que os auxiliem na tarefa de apagar a memória nacional, em troca de trinta dinheiros e algumas colocações vitalícias, sempre à custa do erário, é óbvio. Foi assim no acordo entre o PC do B (leia-se (ex)UNE) e a Fundação Roberto Marinho para acervar a memória da ex combativa entidade estudantil, mas com o preço de não mencionar o apoio aos crimes da ditadura , dado pelo “jornalista” que deu nome à esta Fundação, assim como da poderosa mídia corporativa que construiu (há processos judiciais que denunciam diversas ilegalidades no decurso, além das conchavarias que conhecemos). Foi assim com o “depoimento sensação” levado ao ar pelo Fantástico, há algum tempo, com formato crítico ao depoimento do militar apoiador do golpe de 64, mas sem uma pergunta sequer para algum dos donos das Organizações Globo, do porque, então, esta casa de jornalismo apoiou e, dizem, até financiou atos desta página horrível de nossa história, a meu ver, invalidando qualquer possibilidade de haver alguma exposição da verdade naquela farsa televisiva, assim como nenhuma pergunta para os responsáveis editores d’O Globo, do porque do apoio à versão rocambolesca não só do “suicídio” de Wladimir Herzog (Presente!), quanto à versão macarrônica do atentado ao Rio Centro, exposta compungidamente por aquele então coronel job lorena, contradizendo as mais elementares Leis da Física, e motivo de primeira página no jornal apoiador das torturas e assassinatos nos porões da ditadura. Recentemente, tivemos os articulistas atuais mais relevantes do jornal O Globo, Merval Pereira e Mirian Leilão, digo, Leitão (para vermos como as coisas andam de mal a pior...) a escreverem como se não fossem porta vozes do pior que nos assola, mesmo tendo a relações públicas d’O Globo (não é e nunca foi jornalista, assim como seu ex patrão Roberto Marinho) a escreverem como se progressistas fossem, sobre estas tenebrosas questões. Um escreveu sobre a necessidade de “não haver ódio e nem achincalhe das Forças armadas” neste processo de busca da Verdade, reiniciada por interesses não confessáveis, por uns, mas que é pauta justa de muitos justos, desde sempre. A mesma ladainha, infelizmente corroborada por dirigentes do PSOL como Milton Temer, articulistas como Paulo Passarinho e Paulo Metri, talvez sem perceberem que isso é uma armadilha como se os que querem e exigem a Verdade o fazem por e com sentimentos menores, o que ao é, em absoluto, VERDADE. Desta forma, a direitada mais esperta vai se desvencilhando deste apoio cruel e facínora à direitada troglodítica, que vão servir de “boi de piranha” para aplacar sentimentos de quem, ao que me parece, estão a trocar a completa investigação de nosso passado, por algumas migalhas para o Povo (quando vier a rebordosa, ou não estarão mais por aqui, ou apenas falarão “que pena!”, como na música de Jorge Benjor), enquanto ajudam a limpar a barra e distorcer a memória nacional, ocultando quem foram aqueles que sustentaram a sujeirada. Enquanto isso, a presidente Lula-Dilma tenta usar politicamente a seu favor esta questão, “jogando para a plateia” com a morosa e preguiçosa formação da tal Comissão da Verdade Chapa Branca, em cujo lançamento a filha de um dos emblemas desta cruel ditadura, Rubens Paiva, foi impedida de falar, para “não irritar os militares”. E, como principalmente no Brasil, a Ex Esquerda Corporation W.C. e a “esquerda” não pensam grande, apenas em seu presente e futuro conjuntural, “tudo ficou como d’antes no quartel do Abrantes”, mas dando fôlego para a organização de atos a favor do golpe militar, em prédios federais, como é o Clube Militar no Rio de Janeiro, em clara afrontamento à “determinação” (só prá inglês ver) da presidenta que, diz ela, proibira manifestações oficiais sobre o tema. Extra Oficiais, mas em prédios federais, pelo visto, podia... Enquanto isso, a presidenta Lula-Dilma impõe duras medidas econômicas, como é esta farsa da diminuição dos juros bancários que, agora vemos, vai ser financiada por poupadores da caderneta de poupança, que deve render pouco, para que o Povo gaste seu dinheirinho em quinquilharias, e mantenha-se sem Poupança, para alimentar as casas de extorsão, como são as financeiras dos bancos, que estão fora dos Programas de Crédito “a juros baixos”. Para completar, os poupadores ainda podem se sentir confortáveis, pois a notícia é que até R$30 mil ainda vale à pena ser roubado (não há outra palavra) na poupança, pois ela é maior que os chamados Rendimentos de Renda Fixa, só lucrativos para quem tem mais de R$30 mil rendendo, isto é, cerca de 10% de um imóvel residencial médio. Isso sem falar nos “benefícios fiscais” para 15 setores oligoplizados das indústrias, atingindo os rendimentos da, segundo eles do governo, “deficitária” Previdência Social, enquanto abre o país para a previdência privada, sem nenhuma garantia que após 35 de contribuição, a empresa existirá para pagar os benefícios a que se obrigou em contrato. Sequer vou aqui mencionar os problemas de Belo Monte, Jirau, do Complexo Petroquímico de Itaboraí , CSA e a transfiguração de um município inteiro (São João da Barra) pelo pai do novamente envolvido em problemas automobilísticos, o dublê de celerado e filho de milionário Thor, filho do Eike Batista. Assim, em alegres farândulas econômicas e financeiras, o capital internacional e seus agentes aqui no Brasil vão, de uma cajadada só, impor a castração da memória histórica do Brasil, escondendo quem apoiou o golpe, inclusive eles, e ainda vão, estimulando os histriônicos militares de pijama, mas sem descuidar dos novatos (lembrem-se que o homenageado na turma de cadetes formandos de 2012 da AMAN - Agulhas Negras - foi o ditador general emílio garrastazu mérdici), além de na Confusão Programada em vigor e suas pautas invertidas e “de fora” vão avançando na rapinagem econômica avassaladora que sofremos. O Que Fazer? Abandonar a questão da tortura? Evidentemente que não! E quem me conhece sabe que não brinco em serviço. Minha ideia é que nós, que não cedemos um milímetro em “Cláusulas Pétreas” da dignidade humana, deixemos de tratar com o respeito que tratamos estes adesistas com fachada de esquerda, e os denunciemos como aliados não só dos militares e civis saudosos da linha dura, mas também do capital internacional. E, para isso, bastam alguns desafios para que se livrem desta pecha que lhes irá macular, não tenho dúvida, a tão desejada biografia de “lutadores do Povo e para o Povo”, quais sejam: Exigir da presidenta Lula-Dilma, sob preço de rompimento político em 30 dias que Desfaça as nomeações de todos os militares da linha dura que estão como cães guardando os arquivos da ditadura, os liberando seletivamente em conteúdo e a quem os procuram. Envie um Decreto lei ao Congresso, ampliando o prazo da Comissão da Verdade para 5 anos, e o número de integrantes para 15 membros, sendo que os próximos nomeados por um processo de consulta muito mais amplo do que a vontade majestática da presidenta. Que dote esta comissão de orçamento compatível com as suas atribuições, para uso independente de quaisquer outras autorizações. O resto, prezados leitores, é pura balela, a qual não alimentarei, muito ao contrário. (*)Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata e gosta de dizer que “Respeito é bom e eu gosto, mas só tenho por quem age respeitosamente comigo e com os outros”.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

RUBENS SHIRASSU JR.

O revisor de textos, escritor e poeta Rubens Shirassu Júnior, 51 anos, estará lançando o seu primeiro livro de poemas que se chama Cobra de Vidro, no próximo dia 11 de maio, sexta-feira, a partir das 19h30, na Sala de Convivência do Centro Cultural Matarazzo, em Presidente Prudente. Esta edição revista e aumentada pelo poeta adquire, as­sim, uma grande importância, pois possibilita um estudo da evolução de sua poesia e a admiração do que ele tem feito de mais alto e melhor. Rubens Shirassu Júnior reviu conceitos, re­fez a estrutura e lançou um olhar renovado sobre a obra. O livro de Shirassu Júnior havia sido escrito há 22 anos e também censurado por alguns jornais e revistas locais da época. Entre os 25 autores contemplados, o poeta prudentino foi o único escolhido da região Oeste do Estado de São Paulo. “Dá-se em Cobra de Vidro a expansão de fantasias secretas, de vida e morte, realizando obras de dupla elaboração: os efeitos de imagens sob a química da pintura em cenas cinematográficas surrealistas, estilhaços no rolo de filme emaranhado na rotação do insólito, do maravilhoso ou das propriedades mágicas de investigação do cosmo. Um satori, uma iluminação? Seria uma procura ao equilíbrio perdido ou uma literatura como desequilíbrio à ordem predatória? Talvez, as rupturas do eufemismo, do lirismo, os clichês românticos e a mesmice da literatura conservadora tenham ocasionado a empatia junto à estranheza pelos editores e jornalistas, culminando com a absurda censura.” – declara o poeta Rubens Shirassu Júnior. Tanto que, o designer gráfico Rubens Pereira, aqui, de Presidente Prudente, leu o conjunto de poemas e observou que a imagem da serpente percorre, de forma obsessiva, a minha obra e, de certo modo, a emblematiza.” – ressalta o mesmo. Ao criar várias palavras em forma de cobra, nota-se que a ilustração da capa leva para um questionamento implacável da existência que recobre o arquétipo ingênuo do mito, no caso, da tentação de Eva para um mergulho falaz do sentidos, através da erotização da linguagem. Como mostra o poema Nascente com a reflexão metafísica sobre o ciclo da criação, o Ying e Yang ou o alfa e o ômega, pois a matéria vidro surge do processo de transformação da areia que faz o fundo da arte, simbolizando também a forma seca dos poemas que compõem o livro. Shirassu Júnior prepara o leitor para um desfile de realidades, calcadas no contraste, na dualidade espírito/carne, liberdade/obediência a regras e, principalmente, na busca pelo silêncio. A crítica especializada e um grupo restrito de poetas e admiradores reconheceram, de imediato, que a poesia de Rubens Shirassu Júnior mostra-se mais livre, viva, moderna, densa, oscilando entre os estilos simbolista, ultrar-romântico, surrealista, sem eufemismo, com créditos à moderna poesia brasileira. As bases referenciais de sua literatura e no espírito, as raízes orientais nas filosofias do Budismo, de Confúcio, do Taoísmo chinês. Em movimentos culturais, como Geração Beat, dos anos 50, a contracultura e a vida alternativa dos anos 60 e 70. Um coquetel alquímico que Shirassu Júnior preparou com requinte e paixão para o público que, há trinta e dois anos, o admira e esperava também uma edição de maior apuro gráfico e estratégia de divulgação de sua produção poética, graças ao seu projeto aprovado pelo Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Programa de Ação Cultural (ProAC 2011), e com o apoio cultural da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e Centro Cultural Matarazzo, de Presidente Prudente. Cobra de Vidro Poemas Rubens Shirassu Júnior Edição do Autor 80 páginas R$ 19,90 São Paulo – SP 2012 Dia 11 de maio, sexta-feira, a partir das 19h30, na Sala de Convivência do Centro Cultural Matarazzo Rua Quintino Bocaiúva, Nº 749 Fone: (***18) 3226-3399 Vila Marcondes Presidente Prudente – São Paulo

sexta-feira, 4 de maio de 2012

CINEMA

AMEI UM BICHEIRO Ritmo e Planejamento Guido Bilharinho Ao se assistir Amei Um Bicheiro (1952), de Jorge Ileli (Rio de Janeiro/RJ, 1925-) e Paulo Vanderlei (Rio de Janeiro/RJ, 1903-1973), percebe-se que se tem pelo menos quatro diretivas cinematográficas no Brasil na década de 1950. Além, pois, da chanchada e das tendências realista e intimista que predominaram no período, nitidifica-se, perfeitamente caracterizada, a corrente influenciada pela linguagem e visão cinematográfica estadunidense aplicáveis a assuntos brasileiros. A linha realista reporta-se ao neo-realismo italiano, investigando e focalizando deliberada e conscientemente a situação social brasileira, com e a partir principalmente de Rio, 40 Graus (1955), de Nélson Pereira dos Santos, porém, com a anterior tentativa de Agulha no Palheiro (1953), de Alex Viani, e seu clímax nessa década com O Grande Momento (1958), de Roberto Santos. O perfil intimista é representado, notadamente, por Ravina (1958), de Rubem Biáfora, do qual Floradas na Serra (1954), de Luciano Salce, não está alheio, devendo ser lembrada ainda a obra de Válter Hugo Curi, iniciada justamente nessa década. A referida diretiva fílmica que ainda se observa nesses anos, que tem como parâmetro o cinema hollywoodiano, evidencia-se em O Cangaceiro (1953), de Vítor Lima Barreto, e antes, também muito nitidamente, em Amei Um Bicheiro, além de permear inúmeras outras realizações do período. Conquanto policial e centrado no brasileiríssimo jogo do bicho, o esquema ficcional, a maneira de filmar e o ritmo imprimido à narrativa sofrem a influência do cinema ianque, largamente consumido pelas plateias brasileiras desde a mais tenra idade, por força de sua extensa produção e imperativo domínio do mercado distribuidor e exibidor. À evidência que, mercê da carência industrial brasileira, a infra-instrutora cinematográfica posta à disposição dos realizadores é limitada, quando não precária, o que se reflete em todos os pormenores do filme, notadamente nos décors dos interiores. Não por razão da aludida influência e menos ainda em decorrência das limitações orçamentárias e tecnológicas, o filme não é autoral, não atingindo nível artístico-cultural. É que não foram esses os objetivos dos realizadores e da produção. Modestamente, prentendeu-se apenas realizar película que tivesse receptividade e curso ente os espectadores, nesse fazer contribuindo, porém, para o avanço da cinematografia brasileira com reflexos também, como não poderia deixar de ser, no segmento marcado por preocupações artísticas. Malgrado seu esquematismo, é filme que possui ritmo célere, ação contínua e até mesmo certas passagens destacáveis por sua condução e suspense, quando, por exemplo, Grande Otelo esconde-se da batida policial na caixa de gás. Aliás, um dos aspectos mais relevantes do filme é a performance interpretativa desse ator triangulino, um dos maiores do cinema. Seu desempenho é tão natural, autêntico e espontâneo que, ao contrário de todos os demais atores de Amei Um Bicheiro, transmite a impressão de não estar representando, mas, de estar vivendo as situações das quais participa. Do ponto de vista, pois, da construção e futura consolidação de cinematografia brasileira, Amei Um Bicheiro, pelas qualidades que possui, mesmo no contexto limitativo que o orienta e o concretiza, é dos filmes mais marcantes dos anos 50 no país. Por força de seu planejamento, a estória se perfaz completa e lógica, seguindo desdobramentos pautados pelo desencadeamento contínuo de causas e efeitos, ao qual seletiva e apropriada montagem imprime cadenciamento ágil e atrativo, uma das normas mais importantes do espetáculo cinematográfico, já que ele é isso e é disso que se trata. Não ainda de arte. (do livro O Cinema Brasileiro Nos Anos 50 e 60 editado pelo Instituto Triangulino de Cultura em 2009-www.institutotriangulino.wordpress.com) Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba e editor da revista internacional de poesia Dimensão de 1980 a 2000, sendo ainda autor de livros de literatura, cinema e história regional e nacional. (Publicação autorizada pelo autor)

TETÊ ESPÍNDOLA NA VIRADA CULTURAL

ALEM DA CRAVIOLA TEM ADRIANO MAGOO NO PIANO E ACORDEON RODRIGO DIGÃO NA PERCUSSÃO SHOW 33 ANOS DE TRAJETORIA DISCOGRAFICA ESPERO VOCES !!! BEIJOS TT Brasa Comunicação (11) 2476-8356 (Fixo da Net) Carol Alencar - (11) 9718-2073 Facebook> www.facebook.com/brasacomunicacao Twitter> @brasacomunica Skype> brasacomunicacao

quarta-feira, 2 de maio de 2012

PAUL McCARTNEY NO ARRUDA

PAUL McCARTNEY NO ARRUDA - Gustavo Krause - A realeza inglesa (é rima e solução) chegou à Rua das Moças e ao coração das moças, dos moços e idosos com direito a pagar meia entrada para assistir a um espetáculo inesquecível. Ele, Paul, integralmente aristocrático: branco, “sir”, cidadão-súdito da mais tradicional monarquia do mundo e membro da dinastia músico/cultural Beatles. A Rua das Moças, endereço da República Independente do Arruda e com bandeira tricolor que nem a França (só para contrariar), bairro que os ingleses do século XIX chamariam de “burgos podres”, recebia o nobre visitante, tropicalmente, mestiçamente, afetuosamente e cheia de amor para dar. E mais, com um toque de desordem sem maiores consequências, senão apenas para reconhecer a firma de um país, complexo, contraditório que mistura a chatice linear da régua e do compasso com a descontração do compasso do samba e o descompasso acrobático do frevo. A feijoada deu um sabor especial ao rosbife. Paul e a Rua das Moças se fundiram na comunhão da cultura universal. Do espetáculo, já se disse tudo, até o inverso do que aconteceu. Coisa de gente entediada e mal-humorada. De verdade, tudo aconteceu na medida certa. Profissionalismo. Um Paul sem a frescura de certas estrelas (?) e um artista incansável que não interrompe três horas de show para beber água, segundo ele, em respeito ao público que paga caro para vê-lo. Emoção e participação. Atenção: Paul McCartney integrou o santíssimo quarteto, óbvio? Não. Como os grandes sucessos dos jovens de Liverpool traspassaram gerações, havia a expectativa de um repertório mais conhecido e que pudesse ser cantado pelo público. E houve. Pouco mais de uma dezena de canções. Paul tem o seu próprio e renovado repertório. Com o público, se comunicou com a música que mexe com o feixe de nervos e músculos cardíacos e, de modo simples, por meio de mensagens devidamente escolhidas e usando o mais representativo símbolo da nossa terra que toca na alma nativista: a bandeira de Pernambuco. Ao meu lado, um cara enorme, sarado, acompanhado de uma mulher escultural, repetia aos berros “Eu já posso morrer!”. Resta saber se de “susto, de bala ou vício, num precipício de luzes”, ou, gloriosamente, nos braços da companheira. O que aconteceu no Recife nos marcantes dias 21 e 22 de abril [Tiradentes e a descoberta do Brasil (?)] não foi um espetáculo musical, interpretado por um artista genial. Foi muito mais, pois, ali estava o personagem e o intérprete de uma era. De fato, Paul é um filho do século XX que representa os milhões de órfãos, vítimas emocionais de guerras mundiais, de guerras regionais transformadas em espetáculos cinematográficos e televisivos ou da louca ameaça dos chefes de Estados em promover guerras quentes ou frias. Ali estava um baby boomer, nascido na década de quarenta sob o peso das tragédias passadas, carregando o fardo de heranças tirânicas e, o que é mais grave, a angústia existencial de uma vida sem sentido. Mas com ele, nascia a luz que afrontava cartilhas políticas, mandava às favas verdades estabelecidas, pregava um individualismo libertário e assumia um paradigma desafiador cujos sinais estão descritos, em admirável síntese, no romance da Vargas Llosa, “As travessuras da menina má”: “Em Londres nasceram a minissaia, os cabelos compridos e as roupas extravagantes que consagraram os musicais Hair e Jesus Christ Superstar, a popularização das drogas, a começar pela maconha indo até o ácido lisérgico, a fascinação pelo espiritualismo hindu, o budismo, a prática do amor livre, a saída do armário dos homossexuais e as campanhas de orgulho gay, assim como uma rejeição em bloco do stablishment burguês não em nome da revolução socialista, à qual os hippies eram indiferentes, mas sim de um pacifismo hedonista e anárquico, matizado pelo amor à natureza e aos animais e por uma renegação da moral tradicional”. Na Rua das Moças, vi, vivi, revivi retalhos de lembranças, entrecortado pela nostalgia e pela esperança que outros “arretados”, como Paul e os personagens do tempo fértil da década de sessenta ressurjam, protestando em favor de “paz e amor”. Postado por Clóvis Campêlo no Geleia General

CONCERTO

4ème Temporade Brésil Sertão et Mer Programme * Exposition " Terra Brasil " De l'artiste peintre brésilienne Marcia Prates Du 3 mai au 3 juin 2012 A La Brasserie des Halles 1, rue Pithou - 10000, Troyes * Entrée libre * Concert " Vivre & Apprendre " Heitor de Pedra Azul, voix/guitare Damien Hennicker, saxophones Christian Paoli, percussions Au Vrai Chablis Le samedi 12 mai - 21h00 6 - 8, Place Général de Gaulle 89800 - Chablis * Entrée libre * Expositions de peintures des artistes Manuel COSTA - Yvan JOURDAIN - Afonso TEIXEIRA Du 22 mai au 3 juin - de 14h30 à 18h00 Tous les jours A la Maison du Patrimoine Rue Jean-Jacques Rousseau - derrière la mairie 10800 - Saint Julien les Villas * Entrée libre * Concert/lancement du livre " Vivre & Apprendre " et du cd " Brasil Sertão e Mar " Cayê Milfont - Marcelo Godoy - Heitor de Pedra Azul, voix/guitares. Damien Hennicker, saxophones Le vendredi 25 mai - 20h30 A l'Auditorium de la Maison du Patrimoine Rue Jean-Jacques Rousseau - derrière la mairie 10800 - Saint Julien les Villas * Entrée libre *Concert/décicace " Vivre & Apprendre - Brasil Sertão e Mar " Cayê Milfont - Marcelo Godoy - Heitor de Pedra Azul, voix/guitares. Alain Vuillot, piano - Christian Paoli, percussions Le samedi 26 mai - 20h30 Au Le Bougnat des Pouilles 29, rue Pithou - 10000, Troyes * Entrée libre * Séances dédicace du livre " Vivre & Apprendre " de Heitor de Pedra Azul A la Bibliothèque de Saint Julien les Villas Le mercredi 30 mai - 9h00 et 14h30 Rue Jean-Jacque Rousseau - derrière la mairie 10800 - Saint JUlien les Villas * Entrée libre *** Annexes à regarder et à repasser, svp. * Association Brésil Sertão et Mer * Centre d'Animation Sportif et Culturelle de Saint Julien les Villas * 90 Ans de la Cave Coopérative des Riceys Champagne Marquis de Pomereuil