quinta-feira, 19 de julho de 2012

FERNANDA TAKAI









Está rodando na fábrica o meu novo projeto em parceria com Andy Summers. O disco sai ainda este mês pela Deckdisc e será lançado também em outros países do mundo. Teremos 11 canções inéditas: 5 em português e 6 em inglês. Dia 27 de abril reuni algumas pessoas queridas para a primeira audição em São Paulo. É difícil sair todo mundo bem numa foto assim, mas é do tipo histórica…
Foto: Mercedes Tristão

Esquerda pra direita: Lô Politi, João Augusto, Washington Olivetto, André Midani, Patricia Olivetto, Gilda Midani, eu, Ronaldo Fraga, Andy Summers, Jarbas Agnelli, John Ulhoa, Patricia Tavares, Patricia Palumbo, Rafael Ramos, Roberto Menescal, Zelia Duncan, Iramaya, Nasrin & Claudio Battaglia. Não estavam aqui, mas em pensamento Nelson Motta e Alex Atala.
Foi um almoço bem slow food, na verdade um banquete persa, com vinhos harmonizados por Rodrigo Fonseca do restaurante Taste Vin, de Belo Horizonte. Nasrin Haddad Battaglia, nossa cadbanou iraniana, deixou todos muito bem impressionados. A música quase foi um detalhe…
Não podia deixar de mencionar que recentemente tive a alegria de cantar pela primeira vez com Gilberto Gil. Ele é uma pessoa tão especial que todos ao seu redor ficam emocionados com tamanha atenção, dedicação e talento.FONTE;blog da fernanda

DARMA LÓVERS & FLU

Darma Lóvers & Flu celebram juntos com show em Porto Alegre


Sexta feira, dia 20 de Julho 22 horas > R$15,00 > Os the Darma Lóvers encontram Flu e os Parceiros no palco do Carlitus Bar (Av.Getúlio Vargas 94)  para celebrar com muita música os 50 anos de vida, criatividade e alegria de Flávio Flu Santos.

Passando a limpo seu repertório clássico Os the Darma Lóvers vão ainda trazer algumas belas e celebrativas canções de seu novo álbum “Espaço!”
Flu agora radicado em São Paulo vem acompanhados d´Os parceiros às vésperas de lançar o CD “Rocks” pelo selo Y&B.


EEE dia 25 de Julho > quarta feira 20:00 hrs / Nenung & Projeto Dragão de Graça no Salão de Atos da UFRGS . Música , estórias fantásticas e uma viagem irrepetível ...
Contribuição sugerida : 1 kg de alimento ou agasalho.






www.darmalovers.com

terça-feira, 17 de julho de 2012

ANIVERSÁRIO DE CLEVANE PESSOA







Tela:Origine, de Daniele Berga (*)

Um dos prazeres que tive no ano passado foi o convite para a a seletiva criada por Sandra Veroneze, do RS(Porto Alegre), da Editora pragmatha, para a belíssima exposição Genesi2, do artista italiano Daniele Berga.
A tela que me coube para eu eu  "poematizar" , interpretar em versos,foi Origine.

Fui selecionada e houve um lapso de tempo entre a nossa comunicação  e um belo dia, descobri que a exposição estava acontecendo na Assembléia Legislativa de Porto Alegre.

Se eu conseguir os poemas dos demais autores, conjugadas às telas, postarei.

Depois, escrevi para o artista, em seu próprio blog e ele respondeu agradecendo e publicando meu poema.

Algum tempo depois, compartilho aqui :

Caro Berga: Sou Clevane Pessoa e com honra e alegria, interpreto em Poesia, uma de suas telas nesta exposição, a convite de Sandra Veroneze-Editora Pragmatha.  Lindo trabalho!
Sucessos, vida longa a você e sua arte!
hana.haruko1@gmail.com


"ORIGINE

Do abstrato ao real, de um primo ponto a outro,a invenção da reta,
da reta encurvada, a forma da curva,
donde duas metades formam o círculo e outras,as espirais.
Segmentos partidos, escadas,polígonos, fractais.
Origine.Cores são lançadas, primárias, secundárias e            [terciárias
E cada uma em nuances, tons, sobretons, misturas de [modo interminável .
A invenção da semente leva à amplidão da floresta. Fósseis atestam os primórdios.
Novas sementes, seres vivos para uma evolução perene.
Cheiros e águas poderosas.Vida.Convite a respostas sucessivas.Origine."

Clevane Pessoa
 
Fonte:http://bergaarte.blogspot.com/2010/11/astratti_20.html
CLEVANE É UMA AMIGA/POETA , que merece tudo que há de bom,há muito tempo que nos correspondemos,e desejamos a ela muita paz,saúde e harmonia!! feliz aniversário, QUERIDA !!!
abçs do everi carrara e equipe telescopio.

EFIGÊNIA COUTINHO

O AgoraEfigênia Coutinho
 
O agora é esse segundo,
longo e emocionado,
que é sempre bem-vindo.
 
O agora é esse segundo
que fica enamorado...
intenso, e tona-se infindo.
 
O agora é esse segundo
que se vive no momento
e que se idealiza  fecundo.
 
O agora é esse segundo
que chega  profundo...
para mostrar-se ao mundo.
 
O agora é esse segundo
que se vive, desejando
o amor mais vagabundo.
 
O agora é esse segundo 
para  viver novo segundo
dum amanhecer jucundo. 

 
Balneário Camboriú
Novembro 2012

segunda-feira, 16 de julho de 2012

MAGALI MOSER









Irmanamos na mesquinharia

Há uma semana do ano que se torna melhor viver em Blumenau. Os dias frios do mês de julho chegam acompanhados de expectativa e efervescência cultural com o Festival Internacional de Teatro Universitário de Blumenau. Durante o FITUB, a cidade ganha outro ritmo. As ruas, novo colorido, novas caras, novos sons. É o momento de reencontro de pessoas queridas. E também do inevitável contato com a diversidade do mundo. Nestes dias, o diferente se incorpora com naturalidade à paisagem monótona. Quando, além do mês de julho, haveria a possibilidade de encontrar com alguém de Israel pela cidade? Em que outro momento o Teatro Carlos Gomes celebra o papel que lhe cabe de forma tão singular? Quando a arte toma conta do espaço urbano com tanta intensidade?
O mais antigo festival universitário de teatro do País chega a 25ª edição consolidado no calendário cultural. No entanto, é lamentável admitir que um festival desta envergadura tenha sido reduzido em dois dias por conta de outros eventos agendados no teatro. Como lembra o historiador Viegas Fernandes da Costa, apesar da vida longa, surpreende-se também por ainda não contar com o apoio dos governos municipal e estadual.
O descaso com a cultura e a tentativa de manter a cidade sob as definições de “ordeira”, “de família” e com “pessoas de bem”, para usar as palavras da peça A Saga no Sertão da Farinha Podre, foram tratados de forma cômica e crítica no espetáculo apresentado no último sábado, 7, na praça em frente ao Teatro Carlos Gomes, pelo Coletivo Teatro da Margem, de Uberlândia (MG), que em 2010 trouxe para Blumenau o premiado “Canoeiros da Alma”.
Na primeira incursão pelo teatro de rua, a peça dirigida por Narciso Telles reflete sobre a expulsão de artistas que passavam em caravana pelo Sertão da Farinha Podre, com a apresentação do espetáculo Antígona de Sófocles. O grupo enfrenta as hipocrisias de uma cidade que quer manter um rótulo. Há uma tentativa de manter o padrão de “cidade ideal”. As coincidências do espetáculo com Blumenau não param por ai. O texto traz ainda referências à prática de racismo e abuso de autoridade cometido por policiais miliares durante o FITUB ano passado contra um estudante mineiro de teatro. Em outro momento, um dos personagens utiliza um quepe em alusão ao mito de que a parte superior do prédio do Teatro Carlos Gomes tenha sido construída em homenagem a Hitler.
As questões do espetáculo mineiro são próximas à realidade de qualquer cidade. Tanto que ficou a dúvida se foi produzido especialmente para Blumenau. Um dos integrantes do grupo, o ator Samuel Giacomelli esclarece: “na verdade falamos da história de Uberlândia. Claro que em cada cidade que vamos inserimos alguns elementos para ficarmos mais próximos da situação local, mas são muito sutis essas mudanças. Definitivamente, somos todos vizinhos dessas mesquinharias e intolerâncias.”
Se o FITUB deixa uma lição é justamente esta: somente a arte é capaz de nos libertar dessas mesquinharias. A arte tem o estranho poder de nos comover profundamente. Ela fala de nós, de nosso âmago. Permite um olhar sobre nós mesmos. É indispensável por gerar formas mais sensíveis de ver o mundo. A arte só liberta porque é universal, e aí o grupo israelense que apresentou Dona Flor e Seus Dois Maridos nos prova mais uma vez esta constatação ao levar para os palcos do teatro uma obra genuinamente brasileira. A coordenadora do FITUB, Pita Belli, tem razão. Como apontou na cerimônia de premiação do festival, ontem à noite: O FITUB é um patrimônio de todos nós. Que venha logo a próxima edição!
Texto: Magali Moser
Fotos: Daniel Zimmermann
As imagens são da peça A Saga no Sertão da Farinha Podre, do Coletivo Teatro da Margem, de Uberlândia (MG)

sábado, 14 de julho de 2012

CINEMA


PRESSUPOSTOS PARA ANÁLISES DE TRÊS FILMES BRASILEIROS

Guido Bilharinho

Filmografias Complementares

                   Na diretriz de preocupação (e ocupação) com o relacionamento humano, especificamente, o amoroso, Válter Hugo Curi (São Paulo/SP, 1929-2003), prossegue em seu segundo filme, Estranho Encontro (1958), a vasta filmografia (para os padrões brasileiros), que irá desenvolver pelas décadas seguintes.
                   Com pertinácia, insistência e coerência, Curi realiza até 1998 mais de 20 (vinte) filmes de qualidades desiguais, porém, em que avulta Noite Vazia (1964).
                   Por sinal, paralelamente a ele, também estreante nos anos 50, mas, pautando obra em registro diverso, mas não oposto, como equivocadamente sempre se colocou no quadro de exacerbação ideológica que caracterizou as décadas do pós-guerra, Nélson Pereira dos Santos também irá construir considerável filmografia.
                   Curi, diferentemente de Nélson, não se dedica à elaboração de conflitos interclasses e concernentes à condição e situação sócio-econômica de suas personagens.
                   Opta por fixar-lhes o comportamento emocional e/ou o relacionamento amoroso.
                   O ser humano é composto, como se sabe, de feixe de emoções, condicionantes, pulsões e compulsões variadas, bipartindo-se entre condição e situação econômico-social (luta pela sobrevivência em quadro infra-estrutural organizado em sociedade dividida em classes) e conformação intelecto-subjetiva, complexamente formada.
                   Como dito, Nélson preocupa-se principalmente com aquela e Curi com esta, complementando-se e não se opondo, pois.
                   Em Estranho Encontro, com argumento e roteiro também seus, Curi aplica, em trama inteligentemente construída, tratamento formal requintado, em que a consciência estética e o cuidado elaborativo patenteiam-se desde as cenas iniciais, que, mutatis mutandis, evocam às do filme A Morte Num Beijo (Kiss Me Deadly, EE.UU., 1955), de Robert Aldrich.

Julgamento da Obra de Arte

                   A análise e o julgamento da obra de arte não pressupõem sua contextualização espácio-temporal e o mais que isso implica de condicionantes e relativizações.
                   Tais procedimentos críticos não se balizam (e nem se limitam) por esses fatores, bastando-se a si mesmos com fulcro na obra, no resultado obtido pelo autor e advindo de todo o processo elaborativo.
                   Muito menos orienta-se esse exame por parâmetros ideológicos ou de qualquer outra natureza que não seja, apenas e unicamente, o estético e, na ficção, também a propriedade do enfoque da natureza humana.
                   Nesse mecanismo intelectual não interessam nem mesmo (com igual ou mais razão) origem, motivações e objetivos que direcionaram e condicionaram o autor.
                   Todos esses fatores são, como se sabe, exteriores e alheios à arte.
                   À evidência que se pode analisar e julgar a produção artística sob qualquer outro ponto de vista, procurando observar, por exemplo, se ela atingiu as finalidades artísticas (se existirem) que moveram o autor. Contudo, tal empreendimento nada tem a ver com julgamento de seu valor como produto resultante da atividade intelectual-artística.
                   A preceituação ora expendida visa fixar (ou lembrar) questões óbvias na concepção moderna da arte e da crítica da arte.
                   Aplica-se, pois, urbe et orbe, indistintamente.
                   Por isso, não vem à baila, a não ser como mera curiosidade, o papel que a obra de arte representou em seu tempo no contexto ideológico-político. Aliás, tal circunstância só serve para obnubilar análises e empanar julgamentos, obscurecendo e comprometendo a isenção e a exação que devem presidir o mecanismo crítico avaliativo.
                   Ao se comentar o filme Ravina (1958), de Rubem Biáfora (São Paulo/SP, 1922-1996), com mais razão ainda devem ser afastadas quaisquer conotações trazidas à memória pela significativa militância crítica e perfilhada tendência criativa do cineasta.
                   Interessa, pois e apenas, o resultado, ou seja, a obra que legou.
                   Ravina é o marco inaugural dessa filmografia, composta ainda de O Quarto (1967) e de A Casa das Tentações (1975), um filme, portanto, por década.

Verdade e Arte

                   Entre os intelectuais de esquerda lavrou – e ainda lavra – o equívoco de subordinar a expressão artística à mensagem social, política e filosófica. A obra, em consequência, não passaria, nesses casos, de veículo ou instrumental ideológico, sacrificando-se (quando qualificado o autor) ou não atingindo (na hipótese de incompetência) o nível artístico.
                   Contudo, não é a escolha do tema ou a orientação que se lhe imprime os responsáveis por esse descaminho ou frustração.
                   Ao contrário do que geralmente se pensa e se propala, o assunto e sua diretriz são neutros do ponto de vista artístico, independendo do posicionamento político-ideológico e social do autor, não importando sua condição, posição, atitude ou conduta e correspondente objetivo religioso, social, político e ideológico. Quaisquer sejam, o que conta e vai ser aferido é o valor estético da realização, isto é, conforme Hegel, sua concepção e expressão, traduzidas em profundidade e propriedade de conteúdo e criatividade formal.
                   Por isso, pode-se ter grande poema tematizando simples árvore de beira da estrada e poema sem nenhum valor abordando o destino da humanidade.
                   O caso do filme Os Fuzis (1963), de Rui Guerra (Maputo/Moçambique, 1931-), é exemplar de como se reúnem e são sintetizadas intenção engajada e forma artística, sem subordinação desta àquela, como convém.
                   À evidência que, além disso, é indispensável que o autor seja artista, tenha talento, consciência e informação estética acompanhados de persistente exercício elaborativo.
                   Os Fuzis alia visão, posicionamento e crítica social com alto grau de realização cinematográfica, na utilização adequada e vigorosa dos meios expressionais da arte, do que decorre forte conteúdo humano e social expresso em apropriada construção formal.
(do livro O Cinema Brasileiro Nos Anos 50 e 60, editado pelo Instituto Triangulino de Cultura em 2009-www.institutotriangulino.wordpress.com)
Foto anexa de cena de Os Fuzis.
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Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba e editor da revista internacional de poesia Dimensão de 1980 a 2000, sendo ainda autor de livros de literatura, cinema, história do Brasil e regional.
Publicação autorizada pelo autor)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

LUIZ ROSEMBERG FILHO









 “ O espetáculo é o capital num grau tal de acumulação que se torna imagem.”

                              GUY DEBORD

       “SOBRE O CONCEITO DE ESPETÁCULO”

        Na epistemologia, saber e poder manusear, poder compreender, poder dispor. O saber está vinculado ao mundo prático, o qual não é somente condição de possibilidade para qualquer enunciado, mas também o lugar efetivo onde a enunciação pode ser produzida. Portanto, a investigação do saber como conceito epistêmico remete ao prático pois o saber revela-se em instância que vincula o homem ao mundo. Daí não aceitarmos o uso sensacionalista, massificador, retrógrado, tacanho – sendo o espetáculo a continuação da velha forma de se fazer política e cultura.
        E mesmo só sendo uma indução econômica e militar ao fascismo, sabe bem como cristalizar-se como mercadoria desejada, no lusco-fusco das imagens. O espetáculo é soberano. Inexpressivo, mas potente ideológicamente. Infinito como recomeços, age nos Partidos e meios de comunicação. Comovente se necessário, é uma expressão patética da indiferença pelo saber. Preexistente na política das guerras, e trapaceador na comunicação de massa sua glória é ser um culto ao idiotismo de “celebridades” fabricadas pelo capital acumulado.
        Digamos que a máquina de guerra do espetáculo age politicamente do cinema à TV, passando pela publicidade e mesmo pela fotografia. Poderoso e “rico” se afirma também como poder, atuando na política como necessário, para impor os seus abortos e Partidos vergonhosos, em pleno século XXI. E tal soma de irrealidades nos remete a quê? Só ao abismo do vazio como afirmação do espetáculo pobre e empobrecedor. O injustificável tornando-se razão soberana. O inexpressivo como interioridade do investimento. E, é só o que justifica o espetáculo: o dinheiro! Mas não é pouco? E o triunfo da técnica sobre as idéias, é o quê?
        Os ideólogos do banal, dizem que é a cristalização do progresso como obra de arte. Como pode lixo ser transformado em arte? Automatizado, o capitalismo volta a se transformar em fascismo, interiorizando a tacanhez truculenta da classe dominante. Digamos que o espetáculo faz parte dos discursos vazios apresentados ou defendidos, pelos meios de comunicação. Servindo para amedrontar e impor à ideologia dominante. Que com a globalização, passou a ser ostentação de uma infinidade de idiotas, e que no jogo da vida, empenharam-se a só fazer “sucesso”. E o que é o sucesso na ortodoxia do dinheiro? Talvez, uma reprodução de fascismos como base de formulações conservadoras necessárias à insalubridade das idéias. 
        E, é onde reina o espetáculo: na imobilidade forçada do outro, a consumir seu próprio lixo devidamente globalizado. Como afirma o sociólogo Zygmunt Bauman: “ Como todas as outras sociedades, a sociedade pós-moderna de consumo é uma sociedade estratificada.” Não havendo por tanto, espaços para o sonho, o prazer e à criação. Quão pesado nos é, viver num tempo de ignorâncias predatórias! Ora, que significado tem esse lastro anti-civilizatório da barbárie como espetáculo? Como se pode lucrar com a industrialização do horror? À luz dessas questões é que compartilhamos da superação do “complexo econômico colonial” arcaizante e ultra-egoístico, para reconstruirmos um saber inovador vinculado à nossa verdadeira história da luta de classes. Que se vá pensar e fazer o espetáculo em Hollywood, que ao invés de desaparecer segue privilegiando tiranias e lacaios vindos da publicidade e da TV.
        Digamos que a função primeira do espetáculo se afirma na substituição das idéias, e se realizando na erosão do saber dando primazia ao vazio ideológico do nosso tempo. E, ao reduzir tudo ao silêncio, torna-se absoluto como postura. E, é preciso repetir sempre que a falsidade reina em nosso sistema político e cultural. Não só como fraude, mas como verdade única do capital. E “como o melhor não se ilumina com palavras”, é preciso voltar a privilegiar no cinema, o movimento da linguagem que atua silenciosa na história. Ou seja, saber como revelar “o silêncio na palavra”. O silêncio-linguagem, articulado com um novo pensamento. É preciso reconhecer como falta, um pensamento mais justo para as imagens.
        Sem mudanças ficaremos com “Avatares”, “Cidades de Deus”, “Tropas de Elite”, “Se Eu Fosse Você XIV”, “Cilada.com”... e outras besteiras. E mais: em nosso país, digamos que o espetáculo é a única herança da guerra, reminiscente excedente do fascismo. E sua extensão vai da lucrativa indústria bélica, à velocidade da informação moderna marcada pelo progresso mediado pela desumanização da comunicação, tipo os programas religiosos na TV. Todos, verdadeiros lixo! Ora, como materializar a transformação desse mundo? Como dar significação à poesia? Que função tem a beleza? Seria possível uma desmaterialização do horror permanente?
        Ora, se o planeta não é nada em relação as dimensões do espaço, porque seríamos alguma coisa em relação ao espaço terrestre? Mas,insistimos! Queremos respostas para tudo. Como se tudo pudesse ser respondido nessa homogeneização medíocre em que se vive vendo a TV, e votando em Partidos-espetáculos descritos falsamente pela mídia como sendo diferentes entre eles. Na verdade, o espetáculo é um espaço artificial convenientíssimo as tantas manipulações do poder, a remodelar e ordenar fascismos.
        Ousaríamos até dizer que invasão e espetáculo estão intimamente ligados no desenlace fatal rumo à barbárie. Procurar suas origens, pará-se no capita através do qual tudo se justifica: Malafaias, Datenas, Ratinhos, The Partie, Amaury Jr... Ora se tudo é mercadoria, tudo tem seu preço. Quanto vale uma novelinha na TV, um time de futebol ou uma campanha eleitoral? Alguma diferença? Tudo e todos clichês visíveis de um Estado militarizado, a defender a burrice aliada a mesmice. Mas é justamente onde atua o espetáculo: numa espécie escancarada de ressurreição de fascismos. E que, o inchaço de inverdades é a supremacia do espetáculo.  E se é verdade que “o caos é o sagrado em nós”, como afirmava Heidegger, como fazer da linguagem uma rica experiência poética, permanente?
        Entre escombros e ruínas a história vai sendo vivida. Mas... poderia ser diferente? Respeitosamente falava o escritor Lima Barreto: “Neste país viçoso a mania das letras é perigosa e fatal. Quem sabe sintaxe aqui é como quem tem lepra. Cura-se! Isto é um país de cretinos! convença-se... letras, só as de câmbio...” Enfim, status aqui é só o da mediocridade sempre espetacularizada. Mas...é uma espécie de controle perverso do saber. O vazio opaco que antecede a morte. Uma total falta de lucidez a desmantelar resistências. Fantoches brincando de representar como se aqui fosse Hollywood, com a TV usando e abusando da sua não-expressividade, num reality-show formatando o espectador num pós-graduado em malandragem e alienação, vendido numa falsa Idade de Ouro. 
        Já o cinema, como sendo a nova indústria do cosmético, se afunda no seu próprio lodaçal. Conceito bastante interessante para um possível Oscar. Mas com isso, perdeu-se a singularidade de um cinema mais intenso e criativo a serviço da imaginação, da linguagem e da poesia como faziam Humberto Mauro, Glauber Rocha, Fernando Campos, Joaquim Pedro, Rogério Sganzerla... E como ainda fazem a duras penas Tonacci, Sergio Santeiro, Ana Carolina, Eduardo Coutinho, Fabio Carvalho, Isabel Lacerda, Ricardo Miranda... e alguns poucos mais. Já os afoitos, subservientes e oportunistas migraram para a TV, e seus muitos clichês. Não fazem mais cinema, e sim novelões e novelinhas medíocres! Asnos que pararam num tempo constrangedor e estéril, a consumir e produzir um aperfeiçoamento do coco como mercadoria do espetáculo. Pena... _____________________________________
                    Luiz Rosemberg Filho/Rô
                  Janeiro de 2011 a julho 2012