terça-feira, 24 de julho de 2012

3 PERGUNTAS PARA A ATRIZ SONIA LIMA




Nossa entrevistada é a atriz SONIA LIMA, estrela da minissérie da TV RECORD " REI DAVÍ", encerrada há pouco tempo atrás,com enorme sucesso. Sonia Lima foi jurada  de tv no programa SILVIO SANTOS durante muitos anos, foi apresentadora, tendo começado sua carreira na saudosa TV TUPI. Sempre a divulgamos em nosso site site cultural telescopio, para que os novos fãs possam saber de seu trabalho e divulgar seu talento e beleza para as novas gerações.


1- SONIA LIMA, algumas pessoas mais antigas se recordam de voce como jurada de tv nos anos em que SILVIO SANTOS promovia shows de calouros,e dizem manter uma imagem sua como "uma jurada arrogante" naquela época - mas consta que voce é uma mulher que zela pela sua família,cuida dos afazeres domésticos, e tem um vínculo de amor e afeto dedicados ao marido,ao filho, que a diferencia de qualquer imagem de mulher ou atriz arrogante, distante dos deveres do lar, esnobe, intocável, não é? Como é a SONIA LIMA como dona de casa?

 
Resposta: Sou uma mulher típica brasileira, que cuida e zela pelo bem estar da Familia, eu adoro ir ao hortifruti escolher as frutas e verduras, cuidar do jardim, montar cardApio, no mercado selecionar o que cada um gosta. Gosto de fartura e dispensa cheia. Minha Familia minha prioridade!
Qto a imagem que as pessoas tem ou tiveram a meu respeito, não posso fazer nada, sei quem e como sou, e as pessoas que convivem comigo sabem que estou longe de ser arrogante.
Mais talvez por ser muito autentica e verdadeira as pessoas devem ter formado essa imagem. O artista esta na arena vai sempre ouvir coisas boas ou ruins, cabe filtrar e respeitar a opinião de cada um. Ninguém é perfeito.

2- Quais os atores e atrizes (brasileiros e estrangeiros)  que a influenciaram no início de carreira ,até os dias de hoje?


Resposta: vou estar mentindo, se me influenciava em alguém, sempre tive uma agenda muito cheia, e praticamente sem tempo de assistir a TV, não tinhamos a quantidade de informações que temos hj. Para falar a verdade sempre gostei do trabalho de algumas pessoas mais não a ponto de me influenciar. Sempre tive uma personalidade muito forte.


3- E sua atuação em teatro, como é para voce atuar em teatro, este universo especial, esta espécie de "ópera " que contém a poesia,a música, a dança, o improviso, a relação direta com o inconsciente coletivo,vivaz, que pode agir sobre a energia espiritual das pessoas?

Resposta: teatro para mim é magico, adoraria poder sobreviver dele. Toda a entrega é valida, sentir e trocar a energia com o publico é, magico

AUTORAMAS










A música crocante do Autoramas

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Fruto de um inovador esquema de colaboração baseado no “crowdfunding’”, que contou com a participação de 149 parceiros que ajudaram a financiar o projeto em troca de benefícios diversos oferecidos proporcionalmente à contribuição, o Autoramas disponibilizou no finzinho de outubro seu sexto trabalho, “Música Crocante”, que marca a primeira participação da baixista Flávia Couri tocando em um álbum de estúdio. Flávia é a terceira mulher a frente do baixo no grupo formado em 1997 por Bacalhau (ex-Planet Hemp ) e Gabriel Thomas, veterano do rock de Brasília e fundador do Little Quail and the Mad Birds. A produção ficou por conta de Gabriel “Bil” Zander, (vocalista e guitarrista da banda carioca Zander).
Se há algo com o qual a máquina dos Autoramas sempre se deu muito bem foi com a estrada. Não bastassem as diversas excursões feitas pela Europa e Ásia, este ano o trio ainda participou de uma série de shows pela América Latina, onde testaram na raça algumas das novas faixas que entraram no novo álbum. Quem conferiu os shows recentes pode presenciar um Autoramas bem entrosado ao vivo, uma verdadeira máquina pesada dos palcos, coesa como nunca. Quem os vê atualmente até se esquece da banda imatura, mas com potencial, que excursionou por festivais independentes Brasil a fora lá pelos idos de 1999/2000. Diferentemente dessa época, na qual canções como “Carinha Triste” e “Fale Mal de Mim” pareciam mera trilha sonora para séries adolescentes, o Autoramas surge amadurecido em 2011, mas continua esbanjando energia sem envelhecer, quase como personagens recém-saídos de uma viagem pelo tempo.
Viagem no tempo mesmo. Foram quatro anos desde o último álbum de músicas inéditas (o competente e eclético “Teletransporte”, de 2007) um dos mais longos intervalos entre álbuns de estúdio do grupo. Nesse tempo, em 2009, a banda ainda aprontou um MTV desplugado, cruzamento entre os formatos ao vivo e acústico, que além de trabalhar algumas novas composições serviu também para vestir velhas conhecidas do repertório em uma roupagem mais suave e até “western”. No geral o trabalho agradou, mas teve algumas ressalvas, especialmente, de fãs mais adeptos da pegada rockeira do trio.
“Música Crocante” mantém a base conhecida do som do Autoramas, criativa e multifacetada como sempre, mas com alguns vértices apontando para novas direções, o que, no mínimo, incita curiosidade na primeira audição. Estão presentes a sonoridade repleta de efeitos, e as referências que vão, desde a Jovem Guarda até pérolas da New Wave. Entram o peso extra nas guitarras, destaque na dançante “Tudo Bem” e na balada “Superficial” (cantada pela baixista Flávia), e até inusitadas presepadas latinas.
São muitos os pontos altos do álbum. A dançante “Verdugo”, cantada em espanhol, começa com uma típica guitarra dissonante acompanhada do baixo distorcido pulsando forte, marcas já clássicas da banda. Uma canção prima de “O Bom Veneno” e “Multiball”, ambas do elogiadíssimo “Nada Pode Parar os Autoramas”, de 2003. Há diversas faixas com bom potencial ao vivo, como “Máquina”, faixa carregada de guitarras com ecos de Devo e embalada num clima de trilha sonora de algum filme obscuro de psicodelia surf dos anos 60.
Um som robótico digno dos efeitos sonoros de Atari introduz a claustrofóbica “Abstrai”, candidata a melhor do álbum: “Então desencana, não generaliza, não vai deixar isso te abalar” canta Gabriel na quinta faixa do álbum, metalinguagem total já que o verso aparece justamente na canção do álbum que mais mistura sonoridades e efeitos, se destacando no conjunto todo. “Lugar errado” é um típico rock com a bateria de Bacalhau à frente abrindo alas e conduzindo a canção toda cadenciada rumo ao lugar certo (com o perdão do trocadilho).
A ensolarada “Domina” (gêmea de “Hotel Cervantes” do álbum anterior) surge conduzida em um clima típico de Surfaris e calcada em uma letra que retrata a dominação exercida pela menina amada. Cozinha responsa e guitarra meio agreste/latina marcam presença no segundo capítulo da instrumental “Guitarrada” (o capítulo anterior está no álbum “Teletransporte”). Chegando ao fim, “Sem privilégios”, com vocais em harmonia e clima meio Pixies, é a versão do Autoramas para a música gravada originalmente pela banda catarinense Liss. Há tempo ainda para a instrumental “Luana López”, guiada por guitarras e violões com inusitadas pitadas ao estilo Mariachi. De quebra, duas faixa bônus: num clima total “Rock Lobster”, a música “Billy Hates Sayonara” (homenagem ao amigo Billy, da banda japonesa Guitar Wolf) e uma versão pós-punk para “Blue Monday”, clássico do New Order.
O Autoramas acerta mais uma vez com um trabalho competente que deve agradar os apreciadores dos trabalhos antigos - e até angariar novos ouvintes. Em meio as crises de um mercado cada vez mais instável, depois de tantos anos de estrada, a banda segue firme com “Música Crocante” despontando em uma fase mais confortável do que nunca. Se o tal do “crowdfunding” ainda é um processo novo no Brasil, promete ser uma opção cada vez mais válida (e até necessária) para aqueles artistas que, já desfrutando de um público ouvinte, necessitam ainda buscar recursos para continuar criando e se inserindo em meio a um cenário cada vez mais concorrido.
 http://screamyell.com.br/site/2011/11/12/a-musica-crocante-do-autoramas/

LAU SIQUEIRA

qualquer riso

a vida é um estreito
largo abismo onde pálida
a nua cheia caminha
entre as nuvens

cozendo espelhos no acaso

remando com dedos
lacerados

a vida é um junco estúpido
- cortiça boiando num
banhado de fundo azul em
greda flácida
retido no encantamento
das garças sobre a correnteza

respiro como os peixes
num rio sempre corrente

(poema vermelho – lau siqueira)
http://www.poesia-sim-poesia.blogspot.com.br/http://www.poesia-sim-poesia.blogspot.com.br/

segunda-feira, 23 de julho de 2012

EFIGÊNIA COUTINHO








Quatro estações
Efigênia Coutinho
 
Os meus sonhos viajam pelas nuvens
Vai na leveza acariciando horizontes
Alcançando a quietude dos montes
Acompanhando a jornada dos ventos
Entre o sol e a chuva na bagagem
Vivem entre as quatro estações
Sendo todas elas infinitamente belas
Tem a doçura das flores na primavera
O vozeio dos pássaros no verão
No outono nos preparamos para colheita
Para no inverno nos aquecemos na lareira
Deixando tudo tatuado com ternura
No verdor de planíce distante...
Dentro do meu pequeno coração!
Então, venha se aquecer comigo,
Deixa sua pele de cor jambo
Roçar entre a minha cor de neve.
Aqueça meu coração com sua chama.
Perfazendo as quatro estações com Amor!
 
Balneário Camboriú
Abril/2012
 

 


PEDRO DU BOIS

RUDIMENTOS

O corpo tosco, ideológico, a bebida
barata do bar da esquina, o olhar
inerte sobre a toalha: a lembrança
é mortalha viva do intelecto e o longo
caminho percorrido no alongar o físico;
o contato contamina o todo destinado
e aos ouvidos se rebelam sons inaudíveis;
repete o gesto com que bebe o líquido,
repete as vezes despretensiosas da saudade;
reafirma ao homem da outra mesa a incerteza
da sobrevivência: ideológico, destila o humor
esbranquiçado da verdade: o homem ao lado
faz de conta que não é com ele e bebe
aos santos de todos os sábados.

(Pedro Du Bois, Rudimentos 1, inédito)
TELA: ticiano

CARTA

AULINHA GRATUITA
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida comparativa usada para classificar os países pelo seu grau de "desenvolvimento humano" e para separar os países desenvolvidos (desenvolvimento humano muito alto), em desenvolvimento (desenvolvimento humano médio e alto) e subdesenvolvidos (desenvolvimento humano baixo). A estatística é composta a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB per capita (como um indicador do padrão de vida) recolhidos a nível nacional. A cada ano, os países membros da ONU são classificados de acordo com essas medidas. Entre 182 países avaliados o Brasil ocupa a 84ª posição, atrás de países como Chile (44ª), Argentina (45ª), Barbados (47ª), Uruguai (48ª), Bahamas (53ª) e Trinidad e Tobago (62ª), só para citar alguns exemplos. Como se pode ver existe uma correlação entre PIB e o que está sendo desenvolvido em termos educacionais (qualidade de investimento nas futuras gerações). Essa aulinha gratuita pode ser aproveitada para se aprender que falar bobagem pode comprometer a imagem de um governante diante de outros chefes de Estado.
Nei Silveira de Almeida
Belo Horizonte

LUIZ ROSEMBERG FILHO E SINDOVAL AGUIAR

          ERA LULA OU FABRICANDO O PRODUTO 

               Para os eternamente Jovens EVERI CARRARA e Elis Galvão

Política, democracia e espetáculo. Tríade que completa os mecanismos dos meios de produção. E ninguém está fora. Somos todos partes deste universo que não consegue fechar a sua hegemonia. Pela renitência, a visão crítica e alguma loucura. E os exemplos são infinitos. De filósofos, escritores, jornalistas, artistas e cientistas. Fiquemos com exemplo de Cristo. O que dizem ter superado a si mesmo, com a sua mitologia. Digamos, o exemplo maior que os governantes esquecem. E, quando qualquer referência, vem só para mistificar. Amenizando o espetáculo. 
        Ernest Bloch diz que o amanhã vive no hoje. Então, poderíamos dizer que o hoje, com a eleição/reeleição de Lula, estaríamos vivendo o ontem? Mais precisamente, o seu primeiro mandato? Muito provável! Triste sina, triste fim de um povo que virou produto antes de encontrar o seu país. Quais seriam então, as razões deste hoje e de sua mitologia, de tempo nunca entendida, na busca de uma melhor humanidade? A resposta poderia ter sido fácil, rápida e ambígua como tem sido tudo que temos tentado questionar, ficando no desentendimento para um melhor entendimento! Um sentido duplo do dito pelo não dito. E, insistindo muito, nada mais do que isto. Com toda arqueologia se tornando arcaica para a volúpia do que está entronizado e não é possível mudar. Um ideal muito abaixo da nossa esperança.
        Teria sido conveniente não se aderir com tanta pressa à qualquer manifestação de totalidade. Mesmo se vivida como um arquétipo, uma manifestação da beleza. E tão necessária como a manifestação da esperança. Significação da utopia. A de que alguma coisa teria que valer a pena! O país não estaria passando por este encanto? Um país de sortilégios. Dentro e fora. De duas histórias: a de que não possuía. E a da que estavam produzindo para ele. E como é belo e perigoso que tenha sido e seja assim. O ontem, o hoje e o amanhã. Nossas manifestações coletivas vão se tornando um rito sem história, sem folclore e sem mitologia. Sem o arquétipo a que podemos recorrer em momentos raros, de construção e de necessidades.
        Como no final de um processo de disputas, confrontos e manifestações como o das eleições. Felizmente, entre nós, sem história e sem memória, ser arquétipo de país, os princípios de uma natureza imprescindível tem se sustentado, corajosa e solitária, na manutenção do mais elementar de todos os arquétipos: o da liberdade de expressão. O da movimentação da mídia. O de um pacote quântico em fuga das inutilidades de um universo que tem se estruturado no processo de barbárie, difícil de escapar. Pela hegemonia, necessidades e construção. As referências agora, não serão mais as do período FHC, como dizia Lula. Serão as suas, as que disse construir, a que ele induz ser a Era Lula.
        Não vamos falar do princípio de Bloch, o do amanhã, no hoje. O do período Lula, ou mesmo de FHC. O de um presente sem memória. O do pagamento de mais de 1 trilhão de juros em seis anos, custeando a dívida pública. Os dados da auditoria fiscal do sindicato de São Paulo, em que os auditores da Receita Federal pareciam estar discorrendo sobre um filme de ficção científica. Com a ficção que sobrava para o país, nos mantendo no ar, como o encantamento e decepções, dos períodos eleitorais. Um arquétipo da tragédia. Ora, como o amanhã de Lula poderia ser diferente do hoje, se a política, a democracia e o espetáculo, continuam os mesmos que fabricam o produto? Os presidentes e os eleitores. Os que sabem e os que não sabem votar, produtos de uma mesma fornalha.
        Neste momento de euforia, congraçamento ou decepções, um instante de transparente lucidez, deveria ser referenciado e reverenciado em nome da mídia. Amestrada ou não. Crítica ou não. Um momento simbólico de extrema grandeza, uma das últimas homenagens na defesa do humanismo. O que parece se acomodar e se intimidar diante da prepotência da tríade a que fazem parte: política, democracia e ela mesma: a mídia. Ela tem sido o que sobra como referência de qualquer circunstância ou regime. Ditatorial ou de subjetiva e amestrada liberdade! O de uma mitologia e que ainda não se acomodou à terrível fusão da tríade, submissa também, a fábrica de todos os produtos. E de sentido desumano. Uma democracia de produtos do capital enloquecido. A “ética” de um “novo” governo saindo da fôrma!


          Luiz Rosemberg Filho e  Sindoval Aguiar
                                       RJ, 2012