sexta-feira, 27 de julho de 2012

ENTREVISTA COM IVONE VEBBER

autora do livro: DIARIO DE IVONE VEBBER,ed. Cósmica, sobre astrologia, numerologia, sonhos premonitórios, cultura racional,calendário Maia, profecia 2012,saúde,
Jesus Sananda, Osho, Saint Germain, Sai Baba,...
uma guria de caxias do sul/rs,que cultivou a admiração de diversos poetas,e artistas deste país,ao longo das últimas décadas, produzindo livros e jornal alternativo.




1- IVONE VEBBER, quando voce começou a escrever poemas,e a se interessar pelas artes plásticas?  ALI PELOS 20 ANOS ESCREVIA, MAS DESDE DE PEQUENA DESENHAVA , OS COLEGAS ME PEDIAM  PARA DESENHAR  NOS SEUS CADERNOS...


2- Como é viver em CAXIAS DO SUL/RS, em termos de amizade com poetas, a vida em geral?
 É RUIM, É POLUIDA , INSEGURA,COMO  TODAS GRANDES CIDADES....HA BONS POETAS ,ESCRITORES COMO :EUCAJUS,
UILI BERGAMIN, FERNANDO FASOLO...

3- Pretende sair ou morar fora do RIO GRANDE DO SUL?
TALVEZ UM DIA...

4- Sempre que posso divulgo textos e campanhas contra os rodeios (locais onde há péssima música ) e os maus tratos aos animais - como voce vê
este desprezo pelos animais ?
 
 É HORRIVÉL, O HOMEM AINDA É UM ANIMAL SEM CONSCIENCIA DO SOFRIMENTO ALHEIO, MAS AOS POUCOS VAMOS DESPERTANDO....


5- Durante a prática do tai chi chuan,percebi com os chineses que nos alimentamos muito mal, nossa cultura está impregnada por lanches e bebidas destrutivas - o que voce sugere para esta geração de adolescentes que apenas comem lixo ou fast foods?

BUSQUEM O NATURAL,  RESTAURANTES E SITES VEGANOS, A CARNE,LEITE,OVOS E REFINADOS EM GERAL É  CANCERIGENA ,COLEST ÉRICA, ACIDA, VIROTICA....
EM CAXIAS TEMOS RESTAURANTE TRIGAIS, TEM DE TUDO PIZZAS, PASTEIS, TORTAS DE CHOCALATE, MASSAS, LASANHAS, ESPETOS DE CARNE DE SOJA, ALMONDEGAS...DELICIOSAS....PODEMOS COMER DE TUDO ,SÓ MUDAR OS INGREDIENTES PARA NATURAL VEGETAL...SEJAMOS ESPERTOS...
A INDUSTRIA FARMACEUTICA LUCRA COM A MA ALIMENTAÇÃO....

6- Que poetas prediletos fazem parte para sempre  de sua cabeceira e que tipo de músicas e bandas voce gosta?
LEILA MÍCCOLIS, FERNANDO PESSOA, ...
GOSTO DE MUSICAS DOS ANOS 80,90: HUMAN LEAGUE, MODERN TALKING, LEGIÁO URBANA,KID ABELHA NEW ORDER, SIMPLE MINDS,....AGORA  TA RUIM, COM  FUNK,METAL PESADO, SERTANEJO, GAUCHO,PAGODE POR TODO LUGAR....BAIXA VIBRAÇÃO.


7- Existem seres extraterrestres, onde estão, e o que voce faria ou diria  se estivesse em contato com eles?
EXISTE, NOS SOMOS  DE OUTROS PLANETAS OU PLANOS , MAS ESQUECEMOS,A TERRA É UMA  PRISÃO, UMA CLINICA PARA LOUCOS DESEQUILIBRADOS....SE ENCONTRASSE UM EXTRA  , AGRADECERIA POR ESTAR NOS AJUDANDO NESSA FASE DE TRANSIÇÃO PRA  QUARTA E QUINTA DIMENSÃO


8- Por que voce gosta dos livros da Cultura Racional?
o que voce nos diz sobre os mestres OSHO E SAI BABA?
 
A CULTURA RACIONAL EXPLICA TUDO, NOSSA ORIGEM, QUE NÃO É O BIG BANG, A ORIGEM DO SOL, LUA, ESTRELAS E TUDO MAIS, NOS DÁ EQUILÍBRIO, SAUDE E SOSSEGO, APENAS  LENDO OS LIVROS  UNIVERSO EM DESENCANTO, NO FUTURO, O PRESIDENTE  QUE SERA DA CULTURA RACIONAL, DOARA LIVROS ,A SSIM COMO É DOADO LIVROS DIDÁTICOS INUTEIS A ESTUDANTES E POVO EM GERAL, A PROCURA SERÁ GRANDE...
   SAI BABA  É UM ILUMINADO.
   OSHO É QUASE, POIS  SEGUNDO INFORMES, ESTÁ PRESO AINDA NA TERCEIRA          DIMENSÃO.... 
 

9- Voce namoraria com um homem que fosse ateu,de bom coração,digno, e que ainda   te amasse?

SE HOUVER AFINIDADES E NÃO HAVER SEXO,  SIM,
MAS DUVIDO QUE ENCONTRE....

10- O que é o envelhecimento pra ti ?
É  COZINHAMENTO DAS CÉLULAS PELOS ÁCIDOS:
CARNES, OVOS, LEITE, FLUOR, AGROTÓXICOS, CLORO, COMBUSTIVEIS, INDUSTRIALIZADOS,ETC....
PARA REJUVENESCER DEVEMOS ADOTAR DIETA  NATURAL-VEGETAL...MEDITAR, TAI CHI CHUAR,....HARMONIZAR-SE COM TUDO


abçs do amigo e fã

everi rudinei carrara
   OBRIGADO EVERI
   DIVULGAREI SEU TRABALHO NO ALMANAQUE  CULTURAL

quinta-feira, 26 de julho de 2012

NEIL FERREIRA

“As amargas não...”
Neil doce como fel Ferreira
Afanei o título desta coluna do livro de memórias de Alvaro Moreyra, que conta logo na capa o que pretende ser. “As amargas não...” são lembranças de momentos inesquecíveis, mas não os  que machucam e doem.  São recordações de uma vida bem vivida, contadas com a suavidade de um bate-papo  entre amigos.
“Sempre se tem vinte anos, num canto do coração”, aprende-se com a leitura, mesmo quem já multiplicou esses vinte por três ou quatro. Tenha seus vinte anos hoje, grude na tv, veja de olhos arregalados a abertura dos Jogos Olímpicos e guarde para sempre na memória o maior espetáculo da Terra. As amargas não.
Pedra no rim é lembrança amarga, boa para lembrar se você estiver numa reunião com amigos hipocondríacos, o que não é impossível. Tenho  amigos hipondríacos que dariam para lotar um estádio de futebol de médio porte, tipo o do Barueri, segunda casa do São Paulo FC, que em Barueri  ganha mais do que no Morumbi. As amargas não.
Um deles prescreve suas mezinhas com a ordem: “Você ‘me tome’ duas doses todas as noites, antes de dormir”. A turma “me tomava” obediente e no dia seguinte aparecia de ressaca.
Cada dose receitada continha uma generosa dose dupla de Jake Daniel´s, comprovado elixir da longa vida, bebida sagrada de Frank  Sinatra, que viveu mais de 80 anos invejáveis, cercado de boa comida de cama e mesa.  Nem falo do bebum de respeito que foi Hemingway, que ficou de saco cheio e pediu demissão do seu cargo aqui na Terra. As amargas  não.
É como o floral que o nosso cão Chicão toma e que contém 30% de brandy, receitado pelo veterinário Vegan, dr.  S*, da maior confiança.
Bebendo o floral em gotas porém sem moderação, Chicão viciou, virou alcoólatra, late com seu vozeirão para os jacarés fictícios  que vê na parede, fantasmagorias produzidas pelo DT (Delirium Tremens), exigindo o trago de boa noite.   
Buscamos  agora um A.A. (Alcoólatras Anônimos)  para cães,  para ver se ele dá pelo menos uns 3 passos, dos 12 exigidos pelo tratatamento. Eu não passei dos 4. As amargas não.
Rose Kennedy, matriarca do clã Kennedy, que aos 90 anos ainda nadava nas águas geladas de Martha´s  Vineyard, depois de ter um filho morto na II Guerra Mundial, outros dois assassinados, uma filha lobotomizada e um outro, de porre, metido num desastre em que sua acompanhante morreu e ele fugiu sem socorrê-la, deixou-nos a autobiografia “Times to Remember”, cujo foco é: “A memória é seletiva, guarda apenas as lembranças  boas”. As amargas não.
Aos 69 anos, esqueço o ontem e o tresantontem, para mergulhar no sintoma mais grave da velhice – aquele do “no meu tempo era melhor”. Melhor ? Não tinha nem celular, filhote da privataria de FHC, que se multiplica com a velocidade dos gremlins.
Tinha ditadura, tortura, censura, terrorismo, repressão, Oban, “Tutóia Hilton”, guerrilha, mas repito com convicção – as amargas não. Tinha “Diretas Já”, Covas, Montoro, Richa, FHC, doutor Ulysses; Pelé, Tostão e Gerson Canhotinha, trio de ouro do Tri de 70;  tinha a divina Seleção de 82, doTelê.  Tinha numa gaveta da memória o álbum de Figurinhas Futebol, a página do São Paulo FC completinha, com a carimbada e tudo. As amargas não.
Esqueço o “país dos mais de 80%”;  os mensaleiros e sua quase certa absolvição; a classe política, toda ela suspeita de corrupção; Renan Avacalheiros na bica de sentar na cadeira cativa do Sarney;  a mentira deslavada transformada em verdade; o pobre que virou Crasse Mérdia sem sair da mérdia; o SUS, “uma das melhores saúdes do mundo”; o Estado tomado de assalto; a cumpanherada sindicalista por cima da carne sêca; a Petrobrás cada vez mais afundada, na fundura mais funda do que o Pré-Sal.
A imundície e a feiura que são os garranchos pichados nas paredes, a arte e cultura do lulopetismo.  “-- É a voz dos sem voz”, elogia-os a Relaxa e Goza, sem jamais  oferecer seu muro granfino-belezura, para que pichem livremente suas “vozes” roucas da ignorância no pudê.  
As pichações “do meu tempo” (rsrsrs) eram obras da inteligência, como a de 68 em Paris, “Interdit d´interdire”, ou de humor, como  as de São Paulo nos anos 70, “Morte aos dentistas”, “Fora terráqueos”, “Celacanto provoca maremoto”. As amargas não.
Lembro Nara, Vinícius, Carlos Lyra, Chico, Caetano, Gil, Tom, Vandré, Mutantes, Caymmi,”Deus e o Diabo...”, “O Pagador de Promessas”, “Assalto ao Trem Pagador” “Rio 40 Gráus”, “O Rei do Rio”. Esqueço Rita Lee de propósito e com a maior facilidade. As amargas não.
O futuro precisará despejar da memória Lula, que foi contra a Anistia e o Plano Real; Maluf, Carminha , o Outdoor Ambulante Neymar Cai-Cai e o “Ai se eu te pego”; reconhecer os dois mandatos de FHC como marcos da nossa História; e respeitosamente mandar dona Ana Arrais tomar no TCU.  As amargas não.
Desculpe a grossura do neo-palavrão (“tomar no TCU”); nossa lingua brasileira  é gorda de siglas suspeitas: TCU, STF, SUS, PAC, PT, PMDB, PC do B; não é impróprio usá-las, respeitando-se  seu real significado.
PS 1: Meu palpite no bolão: 8 x 3 para o Mensalão.
PS 2: Transar não pode, corrupa pode.
“O poeta é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente”. (Fernando Pessoa).
tela:magritte

quarta-feira, 25 de julho de 2012

DECIFRANDO JORGE AMADO

 segue nota sobre evento na Biblioteca de Botafogo - Rio.

Decifrando Jorge Amado
    Com o tema “Jorge Amado: intérprete do Brasil”, a Biblioteca Popular de Botafogo promove uma série de três encontros para tratar da obra do escritor baiano. A escritora e antropóloga Lilia Schwarcz debate “O lugar de Jorge Amado na história da cultura brasileira”. O sociólogo e escritor Muniz Sodré fala sobre o tema “Religião, religiosidade, sincretismo e candomblé” na obra do escritor. Já o crítico de cinema José Carlos Avellar vai debater com o público “Cinema, TV e Literatura em Jorge Amado”. 
     Os encontros, que fazem parte das comemorações pelo centenário do autor, acontecem sempre às 19h30, nos dias 1º, 6 e 15 de agosto, respectivamente. A Biblioteca Popular de Botafogo fica na Rua Farani, 53, tel: 3235 – 3799. www.pensamentoearte.com.br
enviado por juliana prado/RJ

ALAOR TRISTANTE


ENCLAUSURADOS




















Se tudo estivesse ali por um triz
nossos corpos suspensos entre linhas
quem sabe haveria algum sentido
para aceitar as imagens dos olhos.


Se não fossem as distorções das águas
passadas sobre cérebros de fatos
o amor seria mais do que o instinto
beijando a lona social dos pactos.


Mas o tempo sem risco dos momentos
fez da estrada segura o destino
das emoções mofadas que respiro.


Se a felicidade fosse a vitória
por que não deixo de ser o que sou
para ser o que nunca saberei
                                              o que fui...


alaorpoeta


terça-feira, 24 de julho de 2012

OLIVALDO JÚNIOR

Trovas

Tema: escritor

A palavra que se forma
no caderno do escritor
é mensagem de reforma
no formão do trovador.

Escritor é quem se atreve
a contar o que aprendeu,
aprendendo que ele escreve
para honrar o que viveu.

Na memória do escritor,
sempre existe alguma norma,
mas a norma pelo amor
sé existe em quem transforma.

15h39min

Olivaldo Júnior
Moji Guaçu, SP, vinte e quatro de julho de 2012.

3 PERGUNTAS PARA A ATRIZ SONIA LIMA




Nossa entrevistada é a atriz SONIA LIMA, estrela da minissérie da TV RECORD " REI DAVÍ", encerrada há pouco tempo atrás,com enorme sucesso. Sonia Lima foi jurada  de tv no programa SILVIO SANTOS durante muitos anos, foi apresentadora, tendo começado sua carreira na saudosa TV TUPI. Sempre a divulgamos em nosso site site cultural telescopio, para que os novos fãs possam saber de seu trabalho e divulgar seu talento e beleza para as novas gerações.


1- SONIA LIMA, algumas pessoas mais antigas se recordam de voce como jurada de tv nos anos em que SILVIO SANTOS promovia shows de calouros,e dizem manter uma imagem sua como "uma jurada arrogante" naquela época - mas consta que voce é uma mulher que zela pela sua família,cuida dos afazeres domésticos, e tem um vínculo de amor e afeto dedicados ao marido,ao filho, que a diferencia de qualquer imagem de mulher ou atriz arrogante, distante dos deveres do lar, esnobe, intocável, não é? Como é a SONIA LIMA como dona de casa?

 
Resposta: Sou uma mulher típica brasileira, que cuida e zela pelo bem estar da Familia, eu adoro ir ao hortifruti escolher as frutas e verduras, cuidar do jardim, montar cardApio, no mercado selecionar o que cada um gosta. Gosto de fartura e dispensa cheia. Minha Familia minha prioridade!
Qto a imagem que as pessoas tem ou tiveram a meu respeito, não posso fazer nada, sei quem e como sou, e as pessoas que convivem comigo sabem que estou longe de ser arrogante.
Mais talvez por ser muito autentica e verdadeira as pessoas devem ter formado essa imagem. O artista esta na arena vai sempre ouvir coisas boas ou ruins, cabe filtrar e respeitar a opinião de cada um. Ninguém é perfeito.

2- Quais os atores e atrizes (brasileiros e estrangeiros)  que a influenciaram no início de carreira ,até os dias de hoje?


Resposta: vou estar mentindo, se me influenciava em alguém, sempre tive uma agenda muito cheia, e praticamente sem tempo de assistir a TV, não tinhamos a quantidade de informações que temos hj. Para falar a verdade sempre gostei do trabalho de algumas pessoas mais não a ponto de me influenciar. Sempre tive uma personalidade muito forte.


3- E sua atuação em teatro, como é para voce atuar em teatro, este universo especial, esta espécie de "ópera " que contém a poesia,a música, a dança, o improviso, a relação direta com o inconsciente coletivo,vivaz, que pode agir sobre a energia espiritual das pessoas?

Resposta: teatro para mim é magico, adoraria poder sobreviver dele. Toda a entrega é valida, sentir e trocar a energia com o publico é, magico

AUTORAMAS










A música crocante do Autoramas

.
.

Fruto de um inovador esquema de colaboração baseado no “crowdfunding’”, que contou com a participação de 149 parceiros que ajudaram a financiar o projeto em troca de benefícios diversos oferecidos proporcionalmente à contribuição, o Autoramas disponibilizou no finzinho de outubro seu sexto trabalho, “Música Crocante”, que marca a primeira participação da baixista Flávia Couri tocando em um álbum de estúdio. Flávia é a terceira mulher a frente do baixo no grupo formado em 1997 por Bacalhau (ex-Planet Hemp ) e Gabriel Thomas, veterano do rock de Brasília e fundador do Little Quail and the Mad Birds. A produção ficou por conta de Gabriel “Bil” Zander, (vocalista e guitarrista da banda carioca Zander).
Se há algo com o qual a máquina dos Autoramas sempre se deu muito bem foi com a estrada. Não bastassem as diversas excursões feitas pela Europa e Ásia, este ano o trio ainda participou de uma série de shows pela América Latina, onde testaram na raça algumas das novas faixas que entraram no novo álbum. Quem conferiu os shows recentes pode presenciar um Autoramas bem entrosado ao vivo, uma verdadeira máquina pesada dos palcos, coesa como nunca. Quem os vê atualmente até se esquece da banda imatura, mas com potencial, que excursionou por festivais independentes Brasil a fora lá pelos idos de 1999/2000. Diferentemente dessa época, na qual canções como “Carinha Triste” e “Fale Mal de Mim” pareciam mera trilha sonora para séries adolescentes, o Autoramas surge amadurecido em 2011, mas continua esbanjando energia sem envelhecer, quase como personagens recém-saídos de uma viagem pelo tempo.
Viagem no tempo mesmo. Foram quatro anos desde o último álbum de músicas inéditas (o competente e eclético “Teletransporte”, de 2007) um dos mais longos intervalos entre álbuns de estúdio do grupo. Nesse tempo, em 2009, a banda ainda aprontou um MTV desplugado, cruzamento entre os formatos ao vivo e acústico, que além de trabalhar algumas novas composições serviu também para vestir velhas conhecidas do repertório em uma roupagem mais suave e até “western”. No geral o trabalho agradou, mas teve algumas ressalvas, especialmente, de fãs mais adeptos da pegada rockeira do trio.
“Música Crocante” mantém a base conhecida do som do Autoramas, criativa e multifacetada como sempre, mas com alguns vértices apontando para novas direções, o que, no mínimo, incita curiosidade na primeira audição. Estão presentes a sonoridade repleta de efeitos, e as referências que vão, desde a Jovem Guarda até pérolas da New Wave. Entram o peso extra nas guitarras, destaque na dançante “Tudo Bem” e na balada “Superficial” (cantada pela baixista Flávia), e até inusitadas presepadas latinas.
São muitos os pontos altos do álbum. A dançante “Verdugo”, cantada em espanhol, começa com uma típica guitarra dissonante acompanhada do baixo distorcido pulsando forte, marcas já clássicas da banda. Uma canção prima de “O Bom Veneno” e “Multiball”, ambas do elogiadíssimo “Nada Pode Parar os Autoramas”, de 2003. Há diversas faixas com bom potencial ao vivo, como “Máquina”, faixa carregada de guitarras com ecos de Devo e embalada num clima de trilha sonora de algum filme obscuro de psicodelia surf dos anos 60.
Um som robótico digno dos efeitos sonoros de Atari introduz a claustrofóbica “Abstrai”, candidata a melhor do álbum: “Então desencana, não generaliza, não vai deixar isso te abalar” canta Gabriel na quinta faixa do álbum, metalinguagem total já que o verso aparece justamente na canção do álbum que mais mistura sonoridades e efeitos, se destacando no conjunto todo. “Lugar errado” é um típico rock com a bateria de Bacalhau à frente abrindo alas e conduzindo a canção toda cadenciada rumo ao lugar certo (com o perdão do trocadilho).
A ensolarada “Domina” (gêmea de “Hotel Cervantes” do álbum anterior) surge conduzida em um clima típico de Surfaris e calcada em uma letra que retrata a dominação exercida pela menina amada. Cozinha responsa e guitarra meio agreste/latina marcam presença no segundo capítulo da instrumental “Guitarrada” (o capítulo anterior está no álbum “Teletransporte”). Chegando ao fim, “Sem privilégios”, com vocais em harmonia e clima meio Pixies, é a versão do Autoramas para a música gravada originalmente pela banda catarinense Liss. Há tempo ainda para a instrumental “Luana López”, guiada por guitarras e violões com inusitadas pitadas ao estilo Mariachi. De quebra, duas faixa bônus: num clima total “Rock Lobster”, a música “Billy Hates Sayonara” (homenagem ao amigo Billy, da banda japonesa Guitar Wolf) e uma versão pós-punk para “Blue Monday”, clássico do New Order.
O Autoramas acerta mais uma vez com um trabalho competente que deve agradar os apreciadores dos trabalhos antigos - e até angariar novos ouvintes. Em meio as crises de um mercado cada vez mais instável, depois de tantos anos de estrada, a banda segue firme com “Música Crocante” despontando em uma fase mais confortável do que nunca. Se o tal do “crowdfunding” ainda é um processo novo no Brasil, promete ser uma opção cada vez mais válida (e até necessária) para aqueles artistas que, já desfrutando de um público ouvinte, necessitam ainda buscar recursos para continuar criando e se inserindo em meio a um cenário cada vez mais concorrido.
 http://screamyell.com.br/site/2011/11/12/a-musica-crocante-do-autoramas/