segunda-feira, 20 de agosto de 2012

APOSENTADOS

 
 
CONVIDA Você:
 
 Aposentado e Pensionista Aerus, Familiar e Amigo:
 
Manifestação de aposentados brasileiros, convocada pelo grupo
"Aposentados, pensionistas e aposentáveis do RGPS" 
 
23 de Agosto, 10h, Cinelândia, Rio de Janeiro
 
 
 
Agradecemos o reenvio deste convite
MovJÁ!
 Aderval Pires Gomes

 


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

TANUSSI CARDOSO

O carioca Tanussi Cardoso  explora em sua poesia diversos temas universais. A Morte encontra reserva especial nos poemas realizados por Tanussi Cardoso, onde o beletrista revela as suas indagações de mundo:


quando o primeiro amor morreu
eu disse: morri

quando meu pai se foi
coroção descontrolado
eu disse: morri

quando as irmãs mortas
a tia morta
eu disse: morri

depois, a avó do Norte
os amigos da sorte
os primos perdidos
o pequinês, o siamês
morri, morri

estou vivo
a poesia pulsa
a natureza explode
o amor me beija na boca
um Deus insiste que sim

sei não
acho que só vou
morrer
depois de mim

A imagem construída em torno da morte impressiona, o que Tanussi Cardoso quer dizer transcende:

Tudo permanece em seu lugar.
A tartaruga
estática, sábia
contempla a cena.

Quem morre antes,
o morto ou seus objetos?

Tudo permanece em seu lugar.
O morto é um poema
acabado
solto
completo.

O elo absoluto que a morte provoca em nosso interior é esculpido por Tanussi Cardoso em radiantes versos:

Um olho paira no ar
gigantesco me espia

Espelhos expiam
suas culpas

Cristais partidos
dividem as dores do mundo

Uma noite intensa
baixa sobre tudo

O fio do novelo
o fio da navalha

A mãe morta
é o deus morto

As sombras, as Mortes que chamam Tanussi Cardoso ao poema são extraordinárias, daí, o apuramento do belo:

Estranhos, meus mortos abrem as janelas
penetram em meu quarto
e me sufocam.
Insinuantes, me beijam e sangram em mim
alegrias e pecados
acariciando, sem pudor
meus sonhos, minhas partes e meus ossos.
Meus mortos e seus gemidos
têm rostos, sinais
e olhos que fagulham calafrios.
Ousados, vêm no breu do sono
e dormem em minha cama
e me despem
e se debruçam sobre meu corpo
silentes e queridos
e rezam e choram por mim
como a lua clamando sua outro metade
como um espelho colando os próprios vidros.
Meus mortos sem censura
meus delicados mortos
que, à noite, penteiam meus cabelos
e, solidários, preparam o meu jardim.



Poemas de Tanussi Cardoso
Minuta de Diego Mendes Sousa

ITARARÉ/SP

Código do Itarareense-Andorinha


01)-Itarareense não tem pais. Faz do Céu de Itararé e da Terra de Itararé, seus pais, sua família, seu lar terreal, e. em Itararé se sente dentro do seu próprio coração
02)-Itarareense não tem casa. Faz da aldeia Itararé o seu ninhal, a sua casa, e a leva na alma, na mente, no coração, como uma honra, um orgulho, uma bandeira
03)-Itarareense não tem poder divino. Faz de seu amor por Itararé, o seu poder divinal, com a graça de Deus
04)-Itarareense não tem pretensão. Faz da própria iluminura pessoal por Itararé, a verdadeira pretensão de amor e paz
05)-Itarareense não tem poderes mágicos. Faz de sua personalidade especial de ser Itarareense, os seus poderes mágicos, encantados pelo prazer de viver com humor e contenteza
06)-Itarareense não tem vida ou morte. Faz das duas umas, tem Itararé,  de Itararé veio e para Itararé irá, então, essa é a sua maravilhosa vidamorte, pois sabe que abençoadamente será Itararé um dia
07)-Itarareense não tem visão. Faz da luz e do relâmpago que conecta o céu com a terra, a sua visão telúrica como um vôo para o celeiro cósmico, eterno, infinital
08)-Itarareense não tem audição. Faz da sua sensibilidade espiritual, seus ouvidos, pois Itararé é forfé, é letral, é harmonia, melodia e ritmo
09)-Itarareense não tem língua. Faz da prontidão para o diálogo boêmio, o rebite da dialética sobrevivencial, por intermédio de sua língua chã
10)-Itarareense não tem luz. Faz de Deus a sua defesa, e de sua fé o seu baluarte de salvação em seu rincão natal, o seu paraíso de paz e luz como santuário
11)-Itarareense não tem estratégia. Faz do direito à vida o seu dever de salvar vidas também, pelo direito sagrado de ser feliz como eixo norteador, sendo essa a sua magna estratégia e orquestração
12)-Itarareense não tem projetos. Faz do apelo à imaginação o seu sonho, o que torna sua espiritualidade rica, como um soma para um interativo projeto de construção de uma vida melhor, um mundo melhor, uma peregrina busca evolutiva de todos por todos, todos por um e o uno, razão e fim, é a Estância Boêmia de Itararé
13)-Itarareense não tem princípios. Faz da adaptação a todas as circunstâncias, o seu próprio princípio e conceito existencialista de conviver e viver com solidariedade e muito humor, inclusive etílico
14)-Itarareense não tem tática. Faz da aceitação da escassez e da abundância, uma coisa só, uma tática de semear constantemente, no amor e na dor, servir sempre, prosperar e enriquecer inclusive em conhecimento, conteúdo e ainda em filosofia, até porque, a magnífica grandeza de Deus usa os boêmios para confundir os sábios e os artistas na arte como libertação
15)-Itarareense não tem talentos. Faz de sua hilária imaginação fértil, um talento laborioso de edificar com graceza e prazeirança a suntuosa árvore da vida
16)-Itarareense não tem amigos. Faz de sua mente e de seu coração, sua arca vivencial por um humanismo de resultados, portanto sabe que toda vida na face da terra e do céu, é uma alma amiga
17)-Itarareense não tem inimigos. Os inimigos é que os têm
18)-Itarareense não tem armadura. Faz da benevolência, da caridade e da ética plural-comunitária, a sua armadura, e sabe que viver é lutar, então não foge à luta
19)-Itarareense não tem espírito. Faz do território pluridimensional de todas as vidas, o seu campo de lavanda, onde a perseverança é sua área de sobreviver, sua busca para dar frutos, dar flores, semear poemas, serestas e bebemorações
20)-Por fim, Itarareense não tem paraíso, até porque, Itararé não é um lugar, é uma terra da fantasia, uma terra do nunca (nunca a esqueceremos), Itararé é um lirial celeste aqui mesmo, Itararé é uma idéia, um triunfo, um estado de espírito. No campo de estrelas de Itararé, fazemos nosso céu, nosso abençoado chão, porque o que somos é a grande raiz de onde viemos, e para onde formos levamos quem amamos, então, se do céu de Itararé viemos, ao chão de Itararé voltaremos, esse é o perene Código Vital de todo Itarareense que é andorinha grande, andorinha sem breque, um verdadeiro Taperá!
-E quem for Itarareense que siga.
-0-

 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

LANÇAMENTOS DE LIVROS DA ALDRAVA







Lançamentos de Livros da Aldrava Letras e Artes
A Aldrava Letras e Artes - entidade cultural sem fins econômicos, completa 12 anos de atividades ininterruptas, divulgando e promovendo a Literatura, a Arte e a Cultura mineira.
Este ano, os poetas do movimento aldravista, lançarão três livros de diferentes gêneros literários pela Editora Aldrava Letras e Artes: Pés no chão - crônicas (de Andreia Donadon Leal), Óbvias Liberdades - infanto-juvenil (de J.B.Donadon-Leal), beiral antigo - poesia (de Gabriel Bicalho) e Chitarô - cadê o gato? (de Hebe Rôla)
Biblioteca Pública Luiz de Bessa - Praça da Liberdade, 21 - Belo Horizonte, MG
Dia 29 de agosto de 2012, às 19 horas

Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa recebe lançamento de Livros dos Escritores do Movimento Aldravista de Mariana.
Os escritores do movimento aldravista de Mariana, Andreia Donadon Leal, Gabriel Bicalho, J. B. Donadon Leal e Hebe Rôla, farão lançamento da coleção de livros da Aldrava Letras e Artes, dia 29 de agosto de 2012, às 19:00, na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa.
A coleção da Editora Aldrava Letras e Artes, composta pelos livros “Pés no Chão – crônicas”, da escritora e artista plástica Andreia Donadon Leal, narra múltiplas temáticas do cotidiano, retratando situações inesperadamente banais que ganham colorido suntuoso no viés humanista e poético da crônica. A escritora detém-se nos pequenos momentos que não rendem notícia de jornal nem causam turbulências nas bolsas. Valoriza, como o pantaneiro Manoel de Barros, a lesma e outros bichos de pouca importância e assuntos no dia-a-dia dos grandes fatos.
“beiral antigo - poesia”, do poeta Gabriel Bicalho, livro premiado pela UBE-RJ, transforma suas memórias de infância e adolescência, num luso-brasileiro álbum familiar, poetizando a terra e a convivência com seus antepassados. Poemas com técnica elaborada e sensibilidade que toca em nossas lembranças familiares.
“Óbvias Liberdades – poesia infanto-juvenil, livro do poeta e professor J. B. Donadon-Leal é uma provocação poético-didática, com poemas que questionam ou reelaboram conceitos sociais, políticos e científicos consolidados. Esses poemas levarão os leitores à pesquisa de conceitos sociológicos de liberdade, selvagem, estigma, mártir; de conceitos científicos de energia, antítese, paradoxo, paradigma, circunferência, animal, vegetal, luz e refração; das biografias de Nero, Alphonsus de Guimaraens e de mártires universais. Por isso, é de leitura indicada para alunos das séries iniciais, pois é um livro gerador de pesquisas e debates.
“Chitarô - Cadê o Gato?” – estória infanto-juvenil, livro da escritora e professora da UFOP Hebe Rôla, com ilustrações criativas e atrativas para crianças e adultos, é excelente material didático, que oferece atividades de passatempo, testes de conhecimento e leitura sintética das histórias em quadrinhos. A obra vai além da aparente simplicidade textual, pois privilegia a virtude da valorização e do apego ao que os laços familiares proporcionam, tanto à vida das pessoas, quanto à dos animais.
Antes da seção de autógrafos com os autores aldravistas, haverá sessão de declamação com a Academia Marianense InfantoJuvenil de Letras, Ciências e Artes, sob coordenação de Hebe Rôla. A entrada é gratuita.
Contato: deialeal@jornalaldrava.com.br
(31) 8893-3779
www.jornalaldrava.com.br
O termo "Aldravismo" vem de “aldrava”, objeto metálico em forma de argola, preso às portas das casas, utilizado para avisar quando alguém está chegando. O aldravismo se caracteriza pela arte capaz de chamar atenção, fazendo com que os leitores abram portas para recebê-la. A partir dessas premissas, professores, poetas e escritores mineiros propuseram um novo estilo literário, que nasceu em 2000, na cidade de Mariana.
A história do movimento mineiro literário e artístico foi construída a partir do lançamento do Jornal Aldrava Cultural, com a abertura de espaço para a veiculação de produções livres da arte da poesia. Como expressão da liberdade, a literatura do movimento é metonímica, apresenta indícios e, assim, considera o leitor livre para buscar sentidos e interpretações próprias. O autor também é livre para produzir e inovar. O Movimento Aldravista se inspirou na utopia dos poetas árcades, que propunham uma nova forma de fazer poesia, sem arbitrariedades.
Os poemas, chamados de “aldravias” são estruturados em seis versos univocabulares, convidando o leitor a participar do processo de sentido do texto.
Andreia Donadon Leal - poeta, contista, cronista e artista plástica. Formada em Letras pela UFOP, Pós-graduada em Artes Visuais: cultura e criação e Mestre em Literatura (cultura e sociedade) pela Universidade Federal de Viçosa. Autora dos livros: "quase! - senda 01". In: nas sendas de Bashô (2005). Cenário Noturno (poesia) - 2007, Aldravismo - uma proposta de arte metonímica - 2009. "Ventre 3 - ventres". In: Ventre de Minas - 2009. Flora, amor e demência & outros contos - 2010. Essências - sonhos e frutos e luzes - 2011. "Vias". In: Germinais - aldravias - 2011. Lumens (Org.) - 2011. Écrivains contemporains du Minas Gerais. (Org.) Paris, 2011. Pés no chão - crônicas. - 2012. Membro efetivo da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e da Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil.
Gabriel Bicalho - poeta, idealizador do Jornal Aldrava Cultural e criador do Movimento Aldravista de Arte e Literatura. Venceu o 1º Concurso Nacional de Poesia - Literatura para Todos - MEC/2006, com o livro Caravela - redescobrimentos. Autor também de Criânsia (1974), Euge, poeta! (1984), "Poemas" In: Aldravismo - a literatura do sujeito (2002) apesar das nuvens (2004) e "enquanto sol - senda 02" In: nas sendas de Bashô (2005), Caravela - redescobrimentos (2007), lírios possíveis (2009), "aldravas" In: Ventre de Minas (2009). Essências e Medulas (2010), Ainda o sol (2010), "Transmutações". In: Germinais - aldravias. (2011), Âncoras Flutuantes (2011). beiral antigo (2012) Membro efetivo da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e da Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil.
Hebe Rôla - escritora, contadora de histórias, pesquisadora da cultura popular e da linguagem dos sinos. Professora Emérita da Universidade Federal de Ouro Preto. Idealizadora e Coordenadora da Academia Marianense InfantoJuvenil de Letras, Ciências e Artes. Coordenadora do Festival Cantando Alphonsus - Mariana, MG. Publicou os livros: O Bem-te-Sino (literatura infanto-juvenil - 2004); Aldravismo - a literatura do sujeito (co-autoria); O Dia de Minas (co-autoria); Mãos de Mariana (co-autoria); Pequeno Dicionário da Linguagem dos Sinos (co-autoria) e no prelo: Chitarô. Cadê o Gato? Membro efetivo da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e da Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil.
J. B. Donadon-Leal – doutor em Semiótica pela USP e Pós-doutor em Análise do Discurso pela UFMG. Poeta, professor de Semiótica no Curso de Jornalismo da UFOP. Editor do Jornal Aldrava Cultural é um dos criadores da aldravia – nova forma de poesia. Autor de Dô-caminho (1992), Marília - sonetos desmedidos (1996), Jardim & Avenida (1997), Gênese da poesia e da vida (1997), Sáfaro (1999), Aldravismo-a literatura do sujeito (2002), Leituras - ciência e arte na linguagem (2002), "brejinho - senda 04" In: nas sendas de Bashô (2005). Reflexões: a linguística na sala de aula (Org.) 2007. Relatos de Experiência - a linguística no ensino da língua portuguesa (2008). Vereda dos Seixos (2008). "Bater aldrava" In: Ventre de Minas (2009). "Minúsculas maiúsculas" In: Germinais - aldravias (2011). Óbvias liberdades (2012) Membro efetivo da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais e da Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil.

Andreia Aparecida Silva Donadon Leal - Deia Leal
Mestr em Literatura (cultura e sociedade) - Universidade Federal de Viçosa
Obras de arte em promoção:
 
 
Projetos de Incentivo à Leitura
 
Poesia Viva - a poesia bate à sua porta - Ponto Itinerante de Leiturahttp://pontoleituramariana.blogspot.com/
 
A Diversidade na leitura - haicais nos ambientes presencial e virtual
 
Jornal Aldrava Cultural -
 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

ROGERIO BOTTER MAIO







Olá, nos vemos nessa 5a feira?
Pra quem ainda não conhece, o espaço e o projeto são bem legais!
Meu site está totalmente reformulado, agora com os 5 cds (mp3 e partituras).

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

NEIL FERREIRA

Lo Prete, minha Musa do Mensalão
Neil vesgo de admiração Ferreira

Se fosse a Musa dos Jogos Olímpicos, seria a Ishimbayeva, não a Sharapova. Mas é Renata Lo Prete, star da Globo News, a Musa do Mensalão e da heróica disputa das Medalhas de Ouro, Prata, Bronze e Tampinha de Tubaína de Paciência Nacional.
Tampinha de Tubaína é o que a molecada descalça e montada em cavalos de cabo de vassoura usava no peito, quando um era xerife, nas brincadeiras de mocinho e bandido. Tubaína, maior e mais barata, portanto mais gostosa do que Guaraná, vinha em garrafa de vidro, casco retornável e reutilizável, em paz com o ambiente, para alegria dos avós dos ambientalistas de hoje..
Já tô até as tampa do tema  Mensalão que vai dar em nada, como eu e a torcida do Flamengo sabemos. “Até as tampa” é modo de falar das minhas adoráveis tias velhas de Cerqueira Cezar, bebendo café de coador passado na hora e pitando um palheiro, à beira do fogão de lenha.
Forçado por mim mesmo a tratar de assunto tão serôdio por macunaímica preguiça  de procurar algo mais interessante, prefiro vadiar, escolhi o ângulo que me parece mais atraente.
É uma pausa que faço no bla bla bla inacredtiável da banca examinadora dos capas pretas, que deram bomba por unanimidade no trabalho inepto daquele aluno lá do fundão, de nome Procurador Não-Sei-do-Quê, que fez exame oral no primeiro dia, com um trabalho “pífio”, segundo um dos examinadores.
Se entendi, ficou entendido que o Procurador procurou e não achou o que procurou mas mentiu que achou, insinuando-se, data venia e com o máximo respeito, que nem fez seu dever de casa, vagau que é.
Se vi direito, alguns dos capas pretões, capas mais pretas do que os que falavam, pois só escutavam sem abrir seus nobres bicos,  cansaram-se de tanto carregar o peso supremo da justiça federal e puxaram reparadoras sonecas em meio ao palavrório.
O Diretor de Tevê, “malandro” (!), como elogiaria (!!) Galvão Bueno, cortava a cena para fora da Excelsa Corte e acordava-me (ou punha-me a dormir e sonhar) com a visão de uma Anja do Paraíso -- em gritante contraste com a galera  discurseira.  Em contraste com eles, até eu seria George Clooney. Aparecia por alguns minutos Renata Lo Prete, da Globo News, escolhida por mim por unanimidade e de imediato, Musa do Mensalão.
Andressa Mendonça pode ser a Musa da CPI do Cachoeira – e é, com toda justiça; voto nela para esse cargo, eu que já assinei esta coluna com o meloso rodapé “I love Marcela”, você sabe Marcela Quem; mensagem atirada ao léu, como se a distinta nunca estivesse ao alcance. Nunca esteve; low (zíssimo) profile que é, para infelicidade geral da Nação.
Com o high (zíssimo) profile da Andressa, a cachoeira fica mais à montante; o Andressão dela tem muito mais pudê de fogo do que o Marcelão da Marcela, embora o Marcelão da Marcela tenha um emprego mais nos trinques, cheio de vossas excelências pra cá e  pra lá.
Não sei se a Lo Prete tem Lopretão; nada sei da sua vida privada, de low (zíssimo) profile.  Da vida pública, sei que é de high (zíssimo) profile. É estrela da Globo News e já foi da Falha de S. Paulo. Só por ter mandado a Falha ver se ela estava na esquina, merece outro Prêmio Esso – um foi em 2005, quando fez a entrevista em que Roberto Jefferson jogou Mensalão no ventilador da pátria amada, salve, salve.
Cada vez que aparece na cobertura do julgamento do Mensalão, com uma leve maquiagem lá aplicada para parecer que lá não está,  segura o microfone com graciosa firmeza na mão esquerda (seria uma canhotinha de ouro como Julia Roberts ? fatal como Messi ?), para deixar ser vista uma discreta aliança, advertindo como sinal vermelho de trânsito a existência de um invisível  Lopretão, Deus os benza e guarde.
Vi Dirceu, Genoíno, Delúbio e Marcos Valério declarados por seus advogados de defesa mais que inocentes: beatificado Valério e santificados os outros. A lógica demonstra que se são inocentes, os culpados somos eu e você, idiotas nacionais.
Torci para Lo Prete lembrar e falar o que lembrei e falo aqui. Numa cena do filme “Carandiru” (2003, Hector Babenco): um velho prisioneiro, experiente de mais de 20 anos de cana, ensina a um recém-chegado: “Aqui é o lugar que tem mais inocente no Brasil; aqui ninguém é culpado”. Mesma coisa neste julgamento.
Ainda não vi a defesa de Jefferson, mas já cantou com sua voz de tenor (?), barítono (?), que a base alugada não só é  alugada como também comprada e acusou Dirceu de ser o criador, orientador e cavador da Petrobrás de dinheiro que abasteceu o PT com a dinheirama nunca antes vista “neçepaíz”.
Cantou também “Rápido, Zé; sai rápido daí Zé” (do governo Lula). Dirceu ganharia de Usain Bolt na rapidez da corrida que deu. Cantou mais, cantou “Eu tirei a roupa do Rei, mostrei ao Brasil o que é o goverto Lula !” Espero que seja concedido bis sem frescura na sua defesa.
Verei a Lo Prete, queo ver o que ela fala que vai acontecer; se nada acontecer como espero, terei visto a Lo Prete, como espero. Não terei de todo perdido o meu tempo.

.Oi zum zum zum zum zum tá faltando um.

CENTENÁRIO DE JORGE AMADO

Centenário de Jorge Amado – (I)

A POSIÇÃO DO AUTOR

Guido Bilharinho

                No romance brasileiro, como é assaz sabido, destacam-se duas tendências: a lírica e a realista. A lírica, de perfil barroco-romântico, tendo José de Alencar como predecessor mais ilustre, destaca-se, entre outros elementos, pela fluência e musicalidade da linguagem, sentindo o mundo mais do que o observando. A realista, de talhe clássico, possuindo Machado de Assis como seu grande e, ainda, insuperável representante, caracteriza-se pela linguagem medida, mais observando (e analisando) o mundo do que o sentindo.
                Na primeira vertente, predomina a imaginação, desdobrando-se a ação romanesca em longas sequências de fatos e acontecimentos. O destino, geralmente, dirige e instrumentaliza as personagens, que, nesse caso, não têm autonomia, a ação sobrelevando-se a tudo, e, em muitos autores, sobretudo nos românticos, compondo-se, normalmente, de lances heróicos e/ou dramáticos. Já na segunda, a imaginação é regulada, visto que na configuração ou construção das personagens prevalecem as circunstâncias econômicas, sociais e comportamentais. A ação romanesca, por isso, desenvolve-se por meio de fatos comuns e banais, enquanto, ao contrário, o mundo interior das personagens, notadamente, dos protagonistas, é rico e intenso, valorizando-se o ser e estar no mundo mais do que o fazer e agir. A linguagem, despida de excessos e enfeites, é direta, contida e, com raras exceções, rigorosamente elaborada.
                Jorge Amado (Itabuna/BA, 10/08/1912-Salvador/BA, 08/2001), a exemplo de José Lins do Rego, pertence, como se sabe, à vertente lírica do romance brasileiro, na qual coexistem, subjacentes ou exteriorizadas, a fluência fraseológica e a melodia da linguagem, correspondentes a um modo particular de sentir o mundo, mais do que propriamente de o ver ou de o observar. O sentimento do mundo, lírico e dramático, extrovertido e movimentado, condiciona linguagem própria para fixá-lo e expressá-lo. Essa corrente lírica de prosa brasileira tem José de Alencar como predecessor mais importante.
                É bastante alencarino o princípio de Capitães da Areia:
                “Sob a lua, num velho trapiche abandonado, as crianças dormem. Antigamente aqui era o mar.
                Nas grandes e negras pedras dos alicerces do trapiche as ondas ora se rebentavam fragorosas, ora vinham bater mansamente.”
                Nem por isso, contudo, pode-se enquadrar o Autor no romantismo, tal qual praticado no século XIX. Sua obra não é romântica, embora nela se conjuguem as visões lírica e dramática do romantismo, derivadas de temperamento romântico, lírico e poético, informado por específica concepção do mundo, que constata e mostra, mais do que perquire ou investiga, a dramaticidade ocorrente na desigualdade social.
                Na outra vertente da prosa ficcional brasileira, bastante diversa e mesmo, num certo sentido, antípoda da acima mencionada, estão, entre outros, Machado de Assis, Lima Barreto e Graciliano Ramos. Secos, diretos, controlados. O ato de ver o mundo sobrepõe-se, neles, ao de o sentir. Enquanto aqueles sentem e extravasam de imediato seu sentimento, estes o filtram, mediados pela razão, o que se reflete na linguagem hierática, medida e comedida, altamente racional.
                                       *
                Talvez por isso, Jorge Amado tenha mais êxito, como romancista, quando manipula grupos de personagens, sem destaques individuais. De seus romances iniciais, os melhores são Capitães da Areia e Suor, justamente nos quais fixa a problemática de várias personagens, sem isolar ou destacar uma ou outra, como acontece com Guma e Lívia, em Mar Morto, onde procura transmitir as dificuldades dos mestres de saveiros por meio da vida de Guma. Em Cacau, a situação dos “alugados” das fazendas de cacau por uma das personagens. Já em Capitães da Areia e Suor, o drama dos meninos abandonados e dos habitantes de enorme cortiço é revelado, após profundamente sentido pelo romancista, mediante a vivência comum de coletividades humanas.
                                       *
                Ao contrário do que se pensa, o lirismo do temperamento do romancista e sua carência de cultura filosófica mais consistente redundam, com frequência, em idealizações da realidade. Nele o sentimento direto e próximo do mundo sempre se superpõe à reflexão racional, objetiva e demorada. Nem há, em sua obra, aprofundamento psicológico, perquirição vertical do comportamento humano, descida ao âmago do consciente e, muito menos, exploração do inconsciente. Seus romances espelham reações imediatas das personagens face a fatos concretos.

(do livro Romances Brasileiros – Uma Leitura Direcionada, editado pelo Instituto Triangulino de Cultura em 1998 www.institutotriangulino.wordpress.com)
__________________________________
Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba e editor da revista internacional de poesia Dimensão de 1980 a 2000, sendo ainda autor de livros de literatura, cinema, história do Brasil e regional.
(Publicação autorizada pelo autor)