sábado, 22 de setembro de 2012
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
PERDRO DU BOIS
HÁBIL
Hábil, rabisco verdades: levo o
pão
sob o braço, comida faltante na
mesa
do pai. Ofereço minha
habilidade
desferida em tiros: atiro a
esmo
nos cadáveres deixados. Vou
pelo caminho acrescentado
(no bolero reencontro os passos)
onde me encontro na
habilidade
recíproca do
renascimento.
(Pedro Du Bois,
inédito)
TELA:chagall
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
NAGIB MUANA ZAHR NETO
O poeta Nagib Muana Zahr Neto faleceu
ontem, em São Paulo, e será sepultado hoje, em Araçatuba. Formamo-nos
juntos, em 1992, em Direito, pelo Unitoledo, na época, Instituição
Toledo de Ensino. Não foi meu amigo. Apenas colega de turma. Nós nos
cumprimentávamos, mas o Nagib era meio fugidio, eu, mais ainda, e assim o
nosso tempo passou sem um contato mais profundo. Já formados, em 1994,
voltamos a nos encontrar, quando fomos premiados no Concurso de Poesia
"Osmair Zanardi" e participamos, cada um, com três poemas, do livro
"Lira dos Araçás", uma coletânea com os dez primeiros colocados do
concurso. Nagib, nesta época, trabalhava como jornalista no matutino
local "Jornal da Cidade". Depois disso, passaram-se dezoito anos e nunca
mais o vi. Fiquei sabendo que havia ido embora para São Paulo, capital,
pois Araçatuba, talvez, tenha ficado pequena para os seus sonhos. Eu
não tive a mesma coragem. Fiquei por aqui, plantei algumas árvores, e
até hoje, vivo para regá-las. Às vezes, na vasta sombra que se formou,
ainda faço meus poemas. O Nagib, aparentemente, como a maioria,
abandonou a poesia, ou então, tudo está muito bem guardado. Em São
Paulo, não sei o que fazia, embora apareça em alguns sites como revisor
ou redator. Mas é incrível como que alguém, que um dia escreveu para
jornais, atualmente, dele quase nada se encontra na internet, nem
escritos, nem notícias, nem fotos. Pesquisando no Google não se encontra
praticamente nada a respeito dele. Há um vácuo absurdo de ausência,
perdoem-me a redundância. Parece que também nunca fez valer o seu
diploma de Direito. Não sei do que morreu, o que aconteceu, não conheço
nenhum parente seu, nem tenho coragem de ir ao velório saber os porquês.
Dizem que toda morte tem uma desculpa. O que adiantará? Enfim, agora
está morto. Guardo dele aquela imagem da juventude. Um rapaz lépido,
sorridente e que tinha um segredo, como todos nós temos. Escreveu Manuel
Bandeira:
"A vida é um milagre.
Cada flor,
com sua forma, sua cor, seu aroma,
cada flor é um milagre.
Cada pássaro,
com sua plumagem, seu vôo, seu canto,
cada pássaro é um milagre.
O espaço, infinito,
o espaço é um milagre.
O tempo, infinito,
o tempo é um milagre.
A memória é um milagre.
A consciência é um milagre.
Tudo é milagre.
Tudo, menos a morte.
— Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres."
Cada flor,
com sua forma, sua cor, seu aroma,
cada flor é um milagre.
Cada pássaro,
com sua plumagem, seu vôo, seu canto,
cada pássaro é um milagre.
O espaço, infinito,
o espaço é um milagre.
O tempo, infinito,
o tempo é um milagre.
A memória é um milagre.
A consciência é um milagre.
Tudo é milagre.
Tudo, menos a morte.
— Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres."
Minha
homenagem ao Nagib, será através de suas próprias palavras de quem um
dia foi poeta, ao menos por um instante. Abaixo um poema de Nagib,
intitulado "BUSCAS":
Estou só,
sóbrio de mim,
da alma,
do manto que
cobre o espírito,
recobre das impurezas,
resguarda das belezas
terrenas,
promíscuas,
assíduas...
Estou só
de Deus,
mas quero
ser só de Deus.
Estou sensato e descarado,
duvidoso e mascarado,
celeste, tarado.
Vivo assim
isolado,
atento e armado;
vivo, sim,
clamando no arado,
proclamando no prado
pelo sentido,
pelo Moksha,
por Cristo,
por Buda,
pelo Kama Yoga,
ou qualquer outra moda.
E continuo
órfão de respostas,
andando de costas,
vivendo de apostas
no certo,
no supostamente certo,
na certa aberto
para a aparição,
para a revelação cósmica,
explosiva.
E serei a vida, um astro
altruísta,
ou um pasto incompreensível,
egoísta e nefasto,
gasto de buscas infrutíferas,
míseras
e volto aos flertes malditos,
aos mitos das ruas noturnas
sem amor,
sem pudor,
sem poder de homem forte,
erguido pro norte
e se vier, à morte.
Fico aqui por enquanto,
vadiando,
até encontrar um outro livro indiano,
profano, profético
e me cansar dessa vida
de néscio, de céptico.
Nagib Muana Zahr Neto.
ENVIADO POR ALAORPOETA/ ARAÇATUBA-SPtela: chagall
RUBENS SHIRASSU JÚNIOR
Kami & Quase Hai-Kai IX
Gato,
como segredo de Narciso
que em tudo se inventa,
e enquanto contempla
a si mesmo, és um jogo
de beleza e caleidoscópio.
Rubens Shirassu Júnior
Autor, entre outros, de Cobra de Vidro (poemas) São Paulo, 2012
TELA: chagall
terça-feira, 18 de setembro de 2012
ANDREA MATARAZZO/LIVROS
Convite para o lançamento do livro "São Paulo",
de Andrea Matarazzo pela Cosac Naify
Data: segunda-feira, 24/09 às 19h
Local: Livraria Cultura - Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2.073 - São Paulo - SP
Conto com sua presença!
Um abraço,
Andrea
--
Andrea Matarazzo 45450 - Vereador
O melhor para São Paulo
O melhor para São Paulo
Serra 45 - Prefeito
Saiba mais em: www.andreamatarazzo.com.br
Facebook: www.facebook.com/ AAndreaMatarazzo
Twitter: www.twitter.com/ andreamatarazzo
Youtube: www.youtube.com/ aandreamatarazzo
ENVIADO POR MARA MONTEZUMMA ASSAF/SP
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
TERCEIRA FEIRA ANARQUISTA DE SÃO PAULO
A Biblioteca Terra Livre e o Ativismo ABC estão iniciando as atividades para a
realização da 3º Feira Anarquista de São Paulo. A data e o local já estão
escolhidos, a feira ocorrerá no dia 04 de Novembro no auditório Paulinho
Nogueira no Parque da Água Branca, das 10h as 20h, com entrada gratuita. Para
este ano convidamos todos aqueles que estejam interessados em criar um cartaz
para a divulgação da feira. Assim como no ano passado, a ideia é trazer no
cartaz algum elemento que remeta ao anarquismo no Brasil, seja por sua
história, luta ou personagens, contudo isto não é uma restrição a livre
criação.
Pretendemos até o dia 15 de outubro receber e divulgar o(s) cartaz(es)
selecionados! Contudo, apesar da seleção, todos os trabalhos produzidos terão
lugar em uma exposição realizada durante a Feira.
Então, se apresse!
Caso queira ter sua arte estampando o cartaz da 3 Feira Anarquista de São
Paulo, envie seu trabalho para:
feiraanarquista@gmail.com
Biblioteca Terra Livre
bibliotecaterralivre.noblogs. org
e
Ativismo ABC
www.ativismoabc.org
realização da 3º Feira Anarquista de São Paulo. A data e o local já estão
escolhidos, a feira ocorrerá no dia 04 de Novembro no auditório Paulinho
Nogueira no Parque da Água Branca, das 10h as 20h, com entrada gratuita. Para
este ano convidamos todos aqueles que estejam interessados em criar um cartaz
para a divulgação da feira. Assim como no ano passado, a ideia é trazer no
cartaz algum elemento que remeta ao anarquismo no Brasil, seja por sua
história, luta ou personagens, contudo isto não é uma restrição a livre
criação.
Pretendemos até o dia 15 de outubro receber e divulgar o(s) cartaz(es)
selecionados! Contudo, apesar da seleção, todos os trabalhos produzidos terão
lugar em uma exposição realizada durante a Feira.
Então, se apresse!
Caso queira ter sua arte estampando o cartaz da 3 Feira Anarquista de São
Paulo, envie seu trabalho para:
feiraanarquista@gmail.com
Biblioteca Terra Livre
bibliotecaterralivre.noblogs.
e
Ativismo ABC
www.ativismoabc.org
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
WALDO LUÍS VIANA
A ATROPELADA ELEITORAL
“Na medida em que se aproxima da cabine eleitoral, o eleitor sente uma irresistível vontade de trair...”
Benedicto Valladares
Waldo Luís Viana*
No dia 7 de setembro ficamos a exatamente trinta dias das próximas eleições municipais.
Jamais vi, nesse país, um pleito tão insosso e sem qualquer significado. Aliás, esse descaso é proporcional ao tratamento que
recebem nossas metrópoles no atual momento nacional: falta de
saneamento, lixo à mostra, engarrafamentos monstros, encostas perigosas,
pedágios clamorosos, transporte público insuficiente, defesa civil
incipiente e muitos prefeitos corruptos – tudo isso coadjuvado por um
poder legislativo constituído de vereadores inoperantes, custosos e,
quando não desonestos e ligados à fina bandidagem.
Na
verdade, sofremos do ocaso da representação, com um fosso
extraordinário entre o povo e seus eleitos, que sumirão logo após as
eleições para trás dos cordões de isolamento – que ninguém é de ferro. O
povão, na verdade, nada espera desses bafejados pela sorte, que
trocarão, logo depois, as vistas populares pela rotina bajulatória de
seus gabinetes nas câmaras municipais.
O
status que os vereadores conseguirão, quando eleitos, justifica a
corrida de carros com jingles insuportáveis e plagiatórios, placas nas
casas e cavaletes no chão das ruas, faixas interrompendo o trânsito e a
floresta de santinhos com os eternos pedidos de votos. Desta vez, porém,
uma novidade: com a permissão da Justiça Eleitoral enfatiza-se o número
dos candidatos, em detrimento dos partidos a que pertençam.
E
isto ocorre porque num país com cerca de trinta partidos pouco
interessam programas e intenções. É o número que tem que ser ressaltado
por causa da máquina de votar. E ficam para depois os modos de
administrar ou de representação legislativa. A vida e o interesse
públicos são pequeno detalhe para um momento posterior, em que o povo
não estará presente, a não ser como vítima...
Nessa
atropelada cívica, entram agora os profissionais da política, os
malandros federais e estaduais que apoiarão seus pupilos, neste instante
na liça, com vistas às eleições que realmente valem, em 2014. Afinal, o
aparato de vereadores e prefeitos eleitos agora servirá de estrutura
para os voos futuros dos parlamentares que se elegerão mais tarde, bem
como formará a base de apoio para os candidatos majoritários a
governador, senador e presidente no próximo pleito.
Nesse sentido, o atual certame interessa muito mais aos políticos profissionais do que ao povão.
Vemos
as populações muito atentas, contudo, ao movimento percebido dos
candidatos e muitos se divertem com os seus apelidos ridículos e
desempenhos pirotécnicos para chamar atenção. O horário “gratuito” (que é
ressarcido depois regiamente às televisões comerciais) continua o mesmo
festival de sandices, mentiras, promessas e propostas – muitas delas
inclusive desarticuladas do mero interesse municipal.
Tal
licenciosidade é garantida pela complexa normalização da Justiça
Eleitoral que trata a todos – candidatos e eleitores – como crianças,
além de nos brindar com a crença de que nosso sistema eletrônico de
votação e apuração, com voto sem recibo e fiscalização, é totalmente
confiável. Vivemos no melhor dos mundos, porém, para quem acredita,
porque nossas eleições viraram verdadeiro ato de fé!
A
par disso, vemos a estória eleitoral desdobrando-se com a pletora de
candidatos lutando nas ruas, no corpo a corpo com os eleitores. Todos
acreditam na própria eleição e somam as suas possibilidades a partir das
promessas dos eleitores.
Ocorre
que não percebem que é nessa precisa hora que o eleitor dá o troco. Ele
promete ao candidato com a mesma dose de engano e mentira com que se
comportam com ele. Não se sabe, aliás, quem engana quem, se o sacana do
candidato ou a prostituta do eleitor...
As
promessas entre os dois grupos vão se multiplicando, adensando sempre o
mistério eleitoral, mas, infelizmente, sabemos que os candidatos a
vereador mais votados serão os mais conhecidos por terem verdadeiras
bases sociais, depois os mais aquinhoados pelo capital e por doações de
empresas e políticos e, finalmente, uns poucos jamais eleitos, que
surgirão como surpresa, fazendo a delícia da mídia.
Acredita-se
que uma candidatura a vereador, numa cidade com mais de um milhão de
habitantes, custará entre 300 e 500 mil reais, o que se configura como
enorme prejuízo para os derrotados. Sem dúvida, a eleição para vereador é
a mais difícil dentre todas...
A
história política dos derrotados, entretanto, formula um conteúdo
terrível que não é contado, constituindo-se, no entanto, num
extraordinário drama, rapidamente silenciado nos meios de comunicação,
porque o derrotado eleitoral vira fantasma e os vitoriosos são
festejados pelos aduladores e pelo povo que se finge agradecido.
Na
verdade, por nossas condições subdesenvolvidas de educação e caráter,
arriscaria dizer que nosso povo é muito pior do que os políticos que ele
elege e por isso não adianta reclamar, a não ser nas tradicionais filas
de hospital e banco.
Somos
um povinho bunda com representação de esgoto e o panorama vai continuar
assim, até o momento em que o voto não for mais obrigatório, não for
mais proporcional e uninominal, com o eleitor podendo ser mais
consultado em plebiscitos e referendos, mas isso não irá acontecer, vez
que as elites políticas jamais o permitirão.
Um
processo eleitoral dependente do grande capital e de gastos imensos
pelos candidatos presta-se sempre à representação distorcida e
desfigurada. Tão desfigurada quanto a cara dos candidatos, que aparecem
no horário gratuito como verdadeiro anticlímax, com o povo suspirando
aliviado quando o programa acaba e aparecem os artistas da Rede Globo.
Afinal de contas, ver gente normal e bonita, não eleitoral, faz bem à saúde, que ninguém na planície é de ferro...
____
*Waldo Luís Viana é escritor, economista, poeta e acha que candidato derrotado no Brasil é pior que cão pirento...
Teresópolis, 9 de setembro de 2012.TELA: ticiano/vênus ao espelho
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