segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

DOCUMENTÁRIO DE SYLVIO BACK








SYLVIO BACK | CINEASTA, POETA E DIRETOR DE 38 FILMES, ENTRE ELES O CONTESTADO - RESTOS MORTAIS
História, memória, pretérito, pra que te quero? No entanto, há que se exigir “luz, mais luz!”, como balbuciou Goethe (1749-1832) no leito de morte. Sim, os insólitos e decisivos episódios de um dos mais desfrutáveis contornos anímicos do País - inaudita mescla de civilização e barbárie nos cafundós de Santa Catarina e do Paraná - permanecem soterrados a sete palmos pela tortuosamente amnésica História do Brasil. Quando não, enovelados por uma absoluta indiferença e assaz suspeita omissão.
Contestado: reproduçao de foto do arquivo do exército do Rio de Janeiro - Celso Junior/Estadão
Celso Junior/Estadão
Contestado: reproduçao de foto do arquivo do exército do Rio de Janeiro
A Guerra do Contestado (1912-1916), o maior levante bélico no campo brasileiro do século 20, verdadeira guerra civil nos sertões sulistas, em plena efeméride de seu centenário, vem se transformando em um zumbi do nosso passado recente. Suas perturbadoras vísceras morais, míticas, políticas e ideológicas, que continuam a nos assombrar, estão a exigir exorcização que a catapulte à pertinência e à atualidade.
A 20 de outubro de 1916, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, sob a égide do presidente da República, Venceslau Brás, o presidente de Santa Catarina, Felipe Schmidt, e Afonso Camargo, presidente do Paraná, “... inspirados no amor à paz...”, firmaram pacto que, aparentemente, selou o fim das sangrentas hostilidades nas e entre as então províncias (Estados) vizinhas.
Era uma paz enganosa, porque nos dois anos subsequentes, por meio das chamadas “varreduras”, sob o comando do então capitão “Rosinha” (José Vieira da Rosa, 1869-1957), da Polícia Militar de Santa Catarina, perpetrou-se um autêntico genocídio, com a perseguição e matança de centenas de rebeldes e caboclos indefesos. Nessas varreduras, oficialmente conhecidas no meio militar como “raides proveitosos” (sic), não havia diálogo entre o caçador e o caçado, apenas o matraquear do tiroteio, o pavor de velhos inermes e o choro de mulheres e crianças. Massacres do tipo do “My Lai” vietnamita (1968), avant la lettre.
Nestes seus cem anos, não se espantem, a Guerra do Contestado debate-se, misteriosa e sintomaticamente, imersa no mais inacreditável esquecimento factual e investigativo, que, aliás, sempre lhe maculou a imagem e o reconhecimento de várias gerações de historiadores. O que, afinal, não é nenhuma novidade.
Essa omissão e descaso ativos nada mais são do que um genérico regional (leia-se, provinciano) com que nossa historiografia, quase toda ela de extrato acadêmico, com as exceções de praxe, imprime seu enfoque unívoco, e ideologicamente (à direita e à esquerda) chamuscado, sobre um passado que lhe é estranho, ainda que entranhado. Daí o Contestado ter-se transformado num autêntico buraco negro da História do Brasil!
Quase sempre, a pegada desses escribas de plantão é o achatamento e a desqualificação da Guerra do Contestado. Quando não, utilizam-na como caricatura ideológica que faça coro com um seu ideário de toque político raso e radical, tentando, a todo custo, ancorá-la em qualquer agito similar que surja no campo. Ou, então, ignorar sua estatura geopolítica e prevalência na fecundação do moderno capitalismo no Brasil, para obliterar seu complexo substrato ideológico-institucional em plena neo-república.
E, ainda, para subestimar ou superestimar o amálgama místico-religioso (o “espírito de irmandade”, a submissão voluntária e a autoridade castrense que vigiam dentro dos redutos), ou para edulcorar os flagrantes de delinquência e ilícitos de nítido caráter terrorista que marcaram a ferro e fogo milhares de viventes e incontáveis interesses locais, nacionais e internacionais.
Ali, no Contestado, ao sul e a oeste das então fluídicas fronteiras entre Santa Catarina e Paraná, deu-se um embate fratricida de quatro anos; ali, em torno de 7 mil homens, um terço do efetivo do Exército brasileiro, promoveu um morticínio exemplar e único no século 20, sob o comando do general Setembrino de Carvalho (1861-1947), coautor da tragédia de Vaza-Barris havia menos de duas décadas. E, onde, entre mortos e feridos, como em Canudos, se revezavam na brutalidade, espelhando-se mutuamente na sangueira e na insensatez, cada um empunhando a “sua” bandeira da verdade secular e de transcendência messiânica.
Incontornável: no Contestado matou-se à bala, à baioneta e na degola, e tombaram de fome, doençaria e perdição, entre soldados, caboclos e fanáticos, mais de 20 mil pretos, cafuzos, bugres e índios aculturados, imigrantes europeus (poloneses, alemães, ucranianos, rutenos), retirantes e trânsfugas de todos os grotões miseráveis do País. Hoje, centenas de cruzeiros sem nome e data, às vezes emoldurados com fitas coloridas, à sombra dos verdejantes pinheirais remanescentes e das sombrias florestas de Pinus elliottii do planalto catarinense, ainda clamam por justiça e reparação histórica.
No Contestado, a refrega teve inequívocos lances separatistas. Talvez resida aí uma das razões pelas quais se teme tanto mexer e rever o conflito na sua integridade holística, denunciando executantes e mandantes, desencavando valas crematórias, lápides e necrológios. A caudilhesca Revolução Farroupilha (1835-1845), que deu na breve “República Piratini”, era explicitamente autonomista, uma macabra antevisão sesquicentenária do dístico “o Sul é o meu país” - ao contrário do Contestado, onde essa vocação nunca foi coletiva, nem havia unanimidade política quanto a uma possível secessão, e muito menos representou o insumo para a longevidade da desgraceira.
Mesmo que chefetes, ex-lideranças de Gumercindo Saraiva, um dos comandantes da malograda, também separatista, Revolução Federalista (1893-1895), chegassem a propor, em 1914, a criação de um Estado autocrático batizado de “Monarquia Sul Brasileira”, que incorporaria tanto o Paraná como o Rio Grande do Sul, estendendo-se ao Rio de Janeiro. Na “Carta Magna”, que deixa escapar laivos republicanos, além de uma inusitada liberdade de voto, culto e de opinião, sonhava-se até com a criação de um Ministério da Marinha e a anexação da Banda Oriental do Uruguai, “antiga Província Cisplatina”...
Não raro o Contestado é associado à Guerra de Canudos (1896-1897), sendo inclusive chamado, equivocadamente, de “Canudos do Sul”, e faz mesmo algum sentido semântico, pois já nas primeiras notícias de ajuntamentos messiânicos na região, no início do século 20, a expressão veio a lume na mídia. No entanto, o Contestado diferencia-se de Canudos menos pela sua origem igualmente milenarista, como é reconhecido esse surto religioso de deserdados que agem em uníssono almejando uma suposta redenção moral de mil anos.
Tudo atiçado pelo verbo, ora incandescente ora melífluo, de um “messias”, com subtexto cristão revanchista e de restauro de um idílico tempo de benesses e bem-estar geral e perene. Esse “salvador” de homens e almas tanto pode ser um Antônio Conselheiro como os dois “padroeiros” do Contestado, os “sãos” João Maria, histórico e pacifista, e o bruxo incendiário José Maria, de passado dito criminoso, idolatrado por suas mandingas e curas e por arrecadar dinheiro dos caboclos para promover o assentamento fraudulento deles em terras devolutas.
Para higienizar de vez esse caldeirão, o que fazer com os milhares de enjeitados recalcitrantes, como controlar esse lumpesinato enfurecido que se engraçara com o messias em voga, indiferente à interminável pendenga jurídico-institucional entre Paraná e Santa Catarina? O jeito foi forçá-los a se virar como operários das multinacionais Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, a Brazil Railway Company, e Southern Lumber & Colonization (então a maior serraria da América do Sul). Ou, na pior das hipóteses, enxotá-los de suas glebas feito cães sarnentos, por não possuírem título de propriedade.
Isso sem falar nos 8 mil homens recrutados no Nordeste e no Rio de Janeiro como mão de obra quase escrava para tocar a ferrovia. Com seu término, em 1910, desempregados, eles viraram os potenciais novos “soldados do exército encantado de São Sebastião”: miséria por miséria, que fosse acreditando no improvável que poderia matar sua fome, em lugar da exploração de sua força de trabalho por ninharia e da serventia física e moral.
Foi quando o presidente Hermes da Fonseca, apavorado com que ali subsistissem cinzas de um monarquismo redivivo, mandou à região, armado até os dentes, inclusive com inéditos aviões, o general Setembrino de Carvalho, que acabara de liquidar um levante do Padre Cícero no Ceará.
Setembrino atuou com as PMs de Santa Catarina e do Paraná, coadjuvadas pelas milícias dos “coronéis”, os chamados “vaqueanos”, de infausta memória, que faziam o serviço sujo na cola do Exército, do qual recebiam soldo. Um a um eram fuzilados ou degolados os intimoratos recos da tropa celeste de “São Sebastião” (o mito do sebastianismo, restaurado nos sertões catarinenses, virara o mote da hora), em cujas fileiras estariam os combatentes mortos no Irani, tendo à frente “são” José Maria, lancetado naquele entrevero inaugural do Contestado (22 de outubro de 1912).
Conhecidos como “redutos” (eram mais de 40), e para os sertanejos, “cidades santas”, essas favelas, então inexpugnáveis “fortes de resistência” do jaguncedo, constituíam um misto de dormitório, rupestre praça de prédica, reza e batismos, justiçamento sumário e de ditames bélicos. Numa viagem dos tempos, dada a mesma matriz cristã, os sítios remontam ao espaço de fanatismo religioso, cega obediência e castigos aos índios, formatado pelos jesuítas nas missões da chamada “República Guarani” (1610-1776).
Improvisados e provisórios, estendiam-se a partir do Rio Iguaçu (divisa do Paraná), ao longo do Vale do Rio do Peixe (centro-oeste catarinense), até quase às margens do Rio Uruguai, que separa Santa Catarina do Rio Grande do Sul.
Como viviam infiltrados por aventureiros e fugitivos da lei, muitas vezes o epíteto “jagunço” fazia sentido. Em nome de um suposto ideal igualitário (“quem tem, mói, quem não tem, mói também”) pregado por “são” João Maria, nas suas ações guerrilheiras, derrotados nas tentativas de convencer quem os seguisse, punham-se a ameaçar a população civil, além de lhes surrupiar o gado, mantimentos, roupas e armas.
Na invasão de Curitibanos, quando incendiaram prédios públicos, assombrando autoridades e habitantes, houve quem visse em seus olhos aquele esgazeado próprio do fanático. Algo que corresponde ao que o historiador Maurício Vinhas de Queiroz (1928-1995), cujo livro Messianismo e Conflito Social (1966) é referência histórica, revela sobre os caboclos: o Contestado teria sido uma revolta alienada, seus protagonistas agiam como se fossem autistas, enfrentando as razias do general Setembrino de Carvalho com espadas de pau, crentes que ressuscitariam no Exército Encantado de São Sebastião...
Nessa, acabavam embaralhando agressão a símbolos opressores (obras da ferrovia, da serraria, sedes de fazendas, depósitos de armas, linhas telegráficas do Exército) com quem os apoiava clandestinamente (pequenos fazendeiros, comerciantes, políticos locais). Um terrorismo que foi corroendo e manchando a legitimidade reivindicatória do movimento por confundir algozes e vitimas.
Dissolvendo nossa useira e vezeira inconsciência, deboche e preguiça acadêmicas quanto à exegese da história oculta do Brasil, onde invariavelmente o campeão e o perdedor mentem, é preciso desossar o Contestado a partir de um mix entre o que foi e o que poderia ter sido. Ou seja, munido de um rigoroso approach desideologizado, onde os influxos morais permaneçam inoxidáveis.ESTADAO.COM

ALMANDRADE

*A PERSISTÊNCIA  DO NUDISMO ABSTRATO*

Pensei em elementarismo, despojamento, abecedarismo geométricos mas acabei
por optar pela idéia do nudismo abstrato, para tentar caracterizar a
postura e a impostação de Almandrade ante suas criações  e criaturas
sígnicas que hesitam entre a bi e a tridimensionalidade, em duas ou três
cores, em duas ou três texturas.

A parcimônia desses objetos franciscanamente contundente, desenhados,
signados (designed), compostos segundo uma grafia de cartilha, porém
enganosamente sig-nificada e simplista, posto que metafísica.

Criam um campo significante que parece rechaçar instruções extratexto,
mesmo quando inclui algum elemento metafórico *in memorian* Dadá.

Meteoritos geométricos do pensamento, taquigrafia precisa de uma claríssima
visão cuja totalidade se ofuscou, indício e impressão minimal de um evento
artístico-mental; ocorrido no panorama ecológico da arte  do  século XX,
como  um  pássaro em extinção,  aparição de  ordem  inegavelmente
metafísica, essência e forma divinas (diria Baudelaire) do pássaro nu da
poesia e de seus amores descompostos.

Um nudismo Proun (El Lissitsky) nos trópicos, lembranças metonímica do
paraíso, graciosas construções-instalações não habitáveis, amostras
quase-duchampescas, quase-vandoesburguesas de um ex-Éden artístico, onde a
provável ironia embutida não passa de meio-sorriso.

Esses seres correta e rigorosamente nus, o olho os colhe por inteiros, como
objetos cabíveis no bolso. E há música neles, mas não é sequer de câmara -
é de cela, nicho e escrínio: são microtonais, minideogramas sólidos à
Scelsi.

O Almandrade capricha nas miniaturas de suas criaturas, cuja nudez implica
mudez, límpido limpamento do olho artístico, já cansado da fantástica
história da arte deste século interminável, deste milênio infinito.

*Décio Pignatari*



*edicaolimitadadegravuras.com.br/almandrade.html*

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   *Almandrade* :: Expoart <http://www.expoart.com.br/almandrade/>

www.expoart.com.br/*almandrade*/

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       *ALMANDRADE* | *PORTAL
ARTES*<http://www.portalartes.com.br/artistas-do-portal-artes/1115-almandrade.html>

www.portalartes.com.br › Artistas do Portal
Artes<http://www.google.com.br/url?url=http://www.portalartes.com.br/artistas-do-portal-artes.html&rct=j&sa=X&ei=sSNfUMrEMY788QSN2oHQCg&ved=0CD8Q6QUoADAF&q=artistas+do+portal+arte+Almandrade&usg=AFQjCNG4f0OCZuF_9TkSNPHnpUC0pz9mQg>


 O nome *Almandrade* está associado a uma estratégia singular dentro
daquilo que costumamos designar *arte* contemporânea.


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Almandrade


Francisco Antônio Zorzo

Professor da Ufba


 Essa é uma excelente oportunidade para se constatar a coerência do projeto
estético do multi-artista e festejar o seu reconhecimento nacional.


Desde a década de 1970, Almandrade incorporou às suas peças a atitude
crítica da arte contemporânea. Tendo uma formação universitária como
arquiteto pós-Brasilia, veio a assumir uma posição autônoma em relação à
geração anterior, que foi muito festejada na Bahia.

Nos primeiros tempos, orientou-se pela abstração construtivista, mas depois
derivou por um caminho próprio. Em suas relações com artistas que
circulavam ao nível nacional, se aproximou bastante dos criadores Hélio
Oiticica e de Lígia Clark e de poetas como Dias Pino e Ferreira Gullar.


Uma lâmina de barbear pendurada dentro de uma garrafa compõe um objeto
criado por Almandrade que gerou fértil polêmica. Como interpretar um objeto
que incorpora significados múltiplos e cortantes, do vidro e do aço da
realidade? Cada objeto construído depende do sentido agregado pelo artista
e pelo espectador. Da parte do escultor, uma atribuição de sentido que lhe
correspondeu a uma experimentação e a uma reflexão singular. No olhar do
expectador a leitura pode ir do vértice do absurdo ao erotismo-vulgar de um
corte na pele.


No livro que publicou recentemente reunindo análises realizadas no correr
de sua trajetória, Escritos sobre Arte, Almandrade deu a pista para muito
de seus truques e procedimentos operativos. O importante, no caso da
produção desse artista “cult” baiano é que obras e discursos se traduzem um
ao outro, bem como conservam sintonia com sua proposta estética. Essas
reflexões são importantes, porque a estética engendrada não atendeu a
nenhuma chamada gregária no sentido de banalizar a arte baiana.


Como pode um objeto ser capaz de, ao mesmo tempo, causar uma fruição direta
e uma decodificação crítica? As obras de Almandrade primam pela
simplicidade e pela economia de meios. Ele certamente está entre os menos
barrocos produtores visuais do período entre os anos 1980 e 2000 no Brasil.
Os objetos e pinturas discutiram sempre os conceitos em voga e instalaram a
cunha de resistência de um pensamento rigoroso.


Para deixar mais um exemplo de suas criações, vale retomar um objeto que
expôs numa galeria do Rio Vermelho, anos atrás. Um instrumento quadrado
composto de duas peças sobrepostas, uma grande azul e uma pequenina dourada
no meio, sendo a primeira delas vazada e riscada com linhas brancas. Esse
objeto poético-visual foi denominado “Violão da Bossa Nova”. Ao fazer soar
esse violão quadrado soar, Almandrade conduziu, como um mestre, seu olhar
reflexivo e solitário sobre os campos das artes e da cultura contemporânea
no país.

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*ALMANDRADE*

(Antônio Luiz M. Andrade)

Artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano e poeta. Participou
de várias mostras coletivas, entre elas: XII, XIII e XVI Bienal de São
Paulo; "Em Busca da Essência" - mostra especial da XIX Bienal de São Paulo;
IV Salão Nacional; Universo do Futebol (MAM/Rio); Feira Nacional (S.Paulo);
II Salão Paulista, I Exposição Internacional de Escultura Efêmeras
(Fortaleza); I Salão Baiano; II Salão Nacional; Menção honrosa no I Salão
Estudantil em 1972. Integrou coletivas de poemas visuais, multimeios e
projetos de instalações no Brasil e exterior. Um dos criadores do Grupo de
Estudos de Linguagem da Bahia que editou a revista "Semiótica" em 1974.
Realizou cerca de vinte exposições individuais em Salvador, Recife, Rio de
Janeiro, Brasília e São Paulo entre 1975 e 1997; escreveu em vários jornais
e revistas especializados sobre arte, arquitetura e urbanismo. Prêmios nos
concursos de projetos para obras de artes plásticas do Museu de Arte
Moderna da Bahia, 1981/82. Prêmio Fundarte no XXXIX Salão de Artes
Plásticas de Pernambuco em 1986. Editou os livretos de poesias e/ou
trabalhos visuais: "O Sacrifício do Sentido", "Obscuridades do Riso",
"Poemas", "Suor Noturno" e Arquitetura de Algodão". Prêmio Copene de
cultura e arte, 1997. Tem trabalhos  em vários acervos particulares e
públicos, como: Museu de Arte Moderna da Bahia e Pinacoteca Municipal de
São Paulo.

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*AS ESCULTURAS DE ALMANDRADE
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Cada uma das peças compõem-se de duas placas encaixadas que foram colocadas
diretamente sobre o chão. As placas são recortadas e vazadas e não se
empregam pregos, colas ou emendas.


Para se traçar um paralelo dentro da arte contemporânea dessas peças com
objetos de outros artistas, seria interessante dizer que as esculturas de
Almandrade mantém uma certa identidade com as de Franz Weissman e Amílcar
de Castro. O construtivismo, a economia material e a escolha de cores
simples são conceitos presentes na obra dos três artistas. No entanto, há
elementos de distinção. Franz Weissman e Amílcar de Castro usam solda ou
dobra na confecção de seus objetos.


Almandrade usa como procedimento de montagem o encaixe direto, onde os
planos de madeira laminada se interpenetram e se apoiam mutuamente.


O fato de não haver dobra nas peças de Almandrade é um índice importante
para a análise de sua obra. Almandrade intencionalmente mantém uma
distância do barroquismo, do expressionismo e de outras tendências do tipo
sensual muito recorrentes na arte baiana e brasileira.


O barroco tem muitas seduções. A dobra que vai ao infinito é um artifício
barroco que ultrapassa sua própria moda e seus limites históricos (ver
Deleuze em A Dobra, Leibnitz e o Barroco). Com a dobra, a escultura ganha
uma vibração especial, estendendo-se à arquitetura e alcança espaços cada
vez mais amplos. Trata-se de uma ilusão de ótica que realmente abre um
campo de significados.


As peças de Almandrade não possuem a dobra, evitando o seu ilusionismo. A
dobra na escultura permite a mudança de plano sem rupturas de continuidade.
O olhar que acompanha um plano ao passar pela dobra aceita a mudança de
direção e é convidado a avançar sucessivamente até deslizar em uma outra
dobra. A dobra provoca um despistamento que, se por um lado seduz, por
outro distrai o expectador. Pode-se dizer, além disso que a ambivalência da
dobra percorre uma espiral que vai do desejo à melancolia. Ao suprimir a
dobra Almandrade parece estar procurando evitar a dispersão intelectual e o
efeito de superfície.


Curiosamente, nos retábulos barrocos brasileiros, no entanto, as peças de
madeira que sustentavam as dobras e curvas das superfícies ornamentadas,
eram montadas com encaixes. Esses encaixes tinham que ser perfeitos em sua
geometria. O barroco recorreu em suas bases construtivas a técnica do
ensamblamento. Ensamblar significava, no dicionário de arquitetura e
ornamentação, reunir, juntar, encaixar peças de diversos materiais. Um
glossário do barroco mineiro traz uma referência documental, datada de
1771, referente à construção de uma igreja em Sabará, de um “ensamblamento”
de pedras, com ferro e chumbo.


As peças reunidas nos retábulos de madeira das igrejas barrocas deviam ser
ensambladas, quer dizer, encaixadas uma nas outras, sem a necessidade de
recorrer-se a pregos ou colagens.


Nesse sentido as peças de Almandrade contém um ar clássico que, pode-se
afirmar, continua atravessando até hoje, energicamente, o mundo material
das artes plásticas. Esse trabalho parece estar respondendo a pergunta
fundamental, o que assegura a expansão expressiva infinita (da arte, da
imaginação, das dobras) em relação ao portador finito (a madeira, o ferro,
a pedra)? Qual é estrutura construtiva, quais são os encaixes e as
articulações que permitem a realização de uma obra?


*Francisco Antônio Zorzo*

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Bibliografia

*Ávila, Affonso et. Al. Barroco Mineiro Glossário de Arquitetura e
Ornamentação*

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

MARCELO MASTROIANNI


HEITOR SCALAMBRINI COSTA





Setor elétrico: ganância de alguns, prejuízos de muitos.
Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco

O setor elétrico está presente na mídia já algum tempo com uma agenda negativa. Apagões, “apaguinhos”, tarifas imódicas, devastação ambiental, construção de grandes hidroelétricas em áreas de proteção ambiental em plena floresta amazônica provocando expulsão de populações indígenas de seus territórios, incentivo a termoelétricas a combustíveis fósseis altamente poluentes, construção de polêmicas usinas nucleares. Estes são alguns de seus malfeitos.

Mais recente é a polêmica causada pela estratégia adotada pelo governo federal para reduzir as tarifas elétricas (Medida Provisória no 579).

A politização deste tema tem levado a uma grande discussão entre os analistas, acadêmicos, especialistas e na população em geral. Este recrudescimento de posições divergentes com motivações político-partidária, em nada favorece o objetivo final almejado pelo povo, que é a redução das tarifas elétricas.

Utilizar a renovação das concessões das empresas geradoras e transmissoras, da forma autocrática como foi levada a cabo esta decisão, por um número restrito de “experts” governamentais, acarretou uma rejeição quase que generalizada na sociedade.

O que se verifica nos últimos anos, desde a adoção do modelo mercantil para o setor, foi de lucros extraordinários das geradoras, e principalmente das distribuidoras de energia elétrica. Basta para isso acompanhar os balancetes anuais contábeis destas empresas, mostrando lucros líquidos exorbitantes para a realidade brasileira, e conseqüentemente a divisão de altos dividendos aos controladores, inclusive nas estatais.

São nos contratos draconianos de concessão é que reside o “nó” do problema. No caso das distribuidoras é evidente que algo precisa mudar. Pois são os contratos “juridicamente perfeitos”  que garante a Aneel estabelecer reajustes das tarifas que penalizam ano após ano o consumidor. Contratos formulados na época das privatizações, com cláusulas embutidas extremamente favoráveis às empresas, criando assim, um negócio praticamente sem riscos ao adquirente.

No caso das geradoras estatais, por muito tempo se beneficiaram de contratos de concessões em que as tarifas eram estipuladas pelas próprias empresas. A energia gerada chega a ser vendida até 5 vezes mais do que o custo para sua produção, operação, manutenção, e lucros necessários a novos investimentos. Ou seja, se locupletam à custa do consumidor final, e acabaram irradiando estes preços para as tarifas pagas pelo consumidor final.

A participação das empresas transmissoras é mais recente no mercado elétrico. Também seus contratos devem ser revistos.

Não se pode entrar no jogo do “dogma dos contratos”. Como algo imexível, com proteção divina, e que nenhum reles mortal poderá modificá-los. Se os contratos têm prejudicado tanto a população, trazido tanto prejuízo a nação deve-se ter a coragem de negociá-los, modificá-los. E não aceitar o terrorismo feito por alguns beneficiários destes mesmos contratos ultrajantes, que advogam que mexer nos contratos afastaria os investidores estrangeiros, abalaria a credibilidade do país, e assim por diante. Uma ladainha, repetida, e que se têm transformado numa verdade absoluta.

O Brasil é grande e importante no cenário mundial, maduro o suficiente para não aceitar mais contratos que usurpam sua soberania, massacram o povo brasileiro, e inviabilizam a distribuição de renda. Não se pode admitir, que os contratos, contrários aos interesses nacionais, se perpetuem. Sem modificá-los as tarifas continuarão a serem majoradas abusivamente. Logo, é nos contratos que reside o cerne do problema das altas tarifas, que beneficiam alguns, e trazem prejuízos a muitos. Obviamente os encargos e impostos também contribuem, e devem ser reduzidos.

PAISAGENS E POÉTICAS







Olá pessoal,

O programa Paisagens e Poéticas, criado pela artista Renata Roman,
que foi ao ar mês passado na Mobile Radio, da 30ª Bienal Internacional das Artes de São Paulo,
vai ser retransmitido amanhã pela Rádio Contato.org
em três horários,
vejam o cartaz abaixo.

Neste programa, o quinto da série, a poeta Ana Guadalupe fala sobre sua relação
com a cidade de São Paulo, sua poética e os sons da Bela Vista.



Participei criando a trilha sonora com loops de guitarra.

Ouçam antes alguns guitar loops for Anaguadaloop's poems.

'L',

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

ALAORPOETA








"CONCUPISCÊNCIA"




Há um céu retrato de chão
no abismo de nossos desejos
um palpitar sôfrego em vão
e uma língua oculta em beijos.


Orifícios copulam mastros
guerras se entrelaçam em camas
entre castos e mundos vastos
a carne se aviva em chamas.


Pensar que é a vida senão
prazer de cada tentação
enlevos do próprio calvário


concúbitos entre cajados
filas de buracos cavados
o sol germinando do armário.


alaorpoeta