quinta-feira, 4 de abril de 2013

HISTÓRIA DA VIDA CULTURAL EM ARAÇATUBA






HISTORIA DA VIDA CULTURAL EM ARAÇATUBA/ANOS 80 -CAP. 2.

o pessoal costumava frequentar alguns bares ,nos anos 80, com o propósito de ouvir boa música e colocar a converrsa em dia,mas não me lembro de algum bar  específico, que nos deixasse á vontade para ouvir o repertório musical que apreciávamos. Era então necesssário romper barreiras culturais e "invadir alguns ambientres", quando levávamos fitas cassetes com gravações de bandas e artistas de nossa predileção. Não raramente havia reuniões e festas na casa de algusn integrantes. No início dos anos 80, conheci no emso ano MARCO ANTONIO ZAMBON, MARCELINO DUARTE, EDSON, JOSE JORGE DA COSTA NETO, VALDIR CALIXTO e amigos desses. Zambon estava se iniciando em guitarra e violão, vinha constantemente á minha casa para adquirir a sprimeiras noções de violão  e teoria,pois eu havia cursado algumas aulas de violão  ministradas pelo professor ZÉ MARIA;  mais recentemente, ZAMBON se tornou um exímio e respeitado guitarrista, residente em BAURU; MARCELINO DUARTE  ouvia rock e sempre  mantinha uma predileção por música eletrônica, influenciando-nos com suas idéias oportunas e valiosas, e sua imensa amizade, sempre prestativo,uma espécie de irmão de todos,era filho do saudoso MIRSON DUARTE(jornalista conceituado e diretor na época,da rádio DIFUSORA); EDSON e um poeta negro, comparecia sempre acompanhado de um violão e algumas letras de sua canções, havia lido BYRON em inglês, não possuia muita formação escolar, mas estava sempre bem informado sobre tudo, provocando uam impressão altamente positiva por onde passava, devido a sua educação e cultura ímpares; lembro-me dele como sendo o primeiro da turma a emprestar-me um livro de ARTHUR RIMBAUD  traduzido por LÊDO IVO. Ao longo dos anos ,percebi que a leitura de RIMBAUD havia nos influenciado muito, por sua vida e obra literária errante, em constante mutação e arrojo O JOSE JORGE DA COSTA NETO, já havia ingressado no curso de filosofia da UNESP/CAMPUS DE MARÍLIA-SP em 1980,e costumava também nos receber em sua casa,localizada na rua Santo Antonio, sendo que em meados dos anos 80 sua família mudou-se para PARAGUAÇÚ PAULISTA, e ele fixou residência em MARÍLIA  tendo falecido anos depois em SÃO PAULO.. Lembro-me de JORGE  cruzando as ruas da cidade, provocando certo escândalo,por manter uma barba enorme descendo até a altura do seu umbigo,e certa porção de cabelos lisos e castanhos claros deslizarem sobre suas orelhas, enquanto sua calvície prematura se destacava sobre a testa reluzente,era uma figura, leitor assíduo de jornais,livros  e revistas, usando óculos ao estilo john lennon,do qual era fã,e quando soube da morte do ídolo em dezembro de 1980, exilou-se num quarto de sua casa, deixando que sua mãe ,dona TEREZINHA, explica-se aos amigos, o silêncio abissal do filho...mas JORGE  saia muito pouco de sua casa, era funcionário do extinto jornal A COMARCA,e nas raras vezes em que saiamos,ele nos levou para ver a banda TRILHOS URBANOS,no teatro INTEC. JORGE era um pensador combativo,um verdadeiro intelectual,  leitor contumaz de CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, influenciou-nos a cultivar as leituras filosóficas. Estudava violão, era comedido em seus comentários sobre arte e política. Na cidade respirava-se o som das discotecas e algo de new wave. Estávamos na contra-mão, ouvindo BEATLES, HENDRIX, DEEP PURPLE, STONES, PUNK ROCK, MÚSICA  ELETRÔNICA, TOM ZÉ etc...
EVERI CARRARA
consul dos poetas em araçatuba/escritor/músico profssional/prof. de tai chi chuan/membro da ABRACE uruguay/brasil/advogado/
tela:claude verdine

segunda-feira, 1 de abril de 2013

HEITOR SCALAMBRINI COSTA

Energia nuclear e maledicências
 Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco

Existem maledicências evidentes quando se defende a expansão de usinas nucleares no país, justificando-as com o que está ocorrendo em diversas partes do mundo, com a necessidade da núcleoeletricidade para garantir o crescimento econômico, e de relacionar a construção dessas usinas no Nordeste com o desenvolvimento regional.

No debate verifica-se uma intransigência de origem daqueles que comandam o setor. E um jogo de interesses de grupos que se beneficiariam caso estes projetos se concretizem, em detrimento dos interesses nacionais. Nem tudo é dito claramente, explicitado a sociedade, quando o assunto é energia nuclear. Há pouca informação manipulada que circula na grande mídia, desnudando o caráter antidemocrático e “fechado” que domina o setor energético, controlado por interesses políticos, econômicos e militares.

Se propagandeia falsamente que a indústria nuclear está em plena efervescência e florescente no mundo. Com mais, e mais paises adotando esta tecnologia como solução para atender suas necessidades energéticas. Toma-se como exemplo, os Estados Unidos da América, país que menos respeita a natureza e o mais poluidor do mundo, juntamente com a China. O EUA declinou de assinar o protocolo de Kyoto, não se comprometendo a reduzir suas emissões de CO2 (o principal gás de efeito estufa – GEE), além de dificultar nos fóruns internacionais, propostas para combater o aquecimento global. Mais recentemente, optou pela produção de gás obtido a partir do betume, combustível fóssil e com grande capacidade de emissão de GEEs,. Com certeza, este país não é exemplo para ninguém no que concerne suas escolhas energéticas e a defesa do meio ambiente.

Por outro lado, tenta-se desqualificar a decisão da Alemanha de abdicar da instalação de novos reatores nucleares e de desativar os já existentes em seu território. Chega-se a especular que tal decisão poderá se revista no futuro próximo. Não são citados outros paises que também abandonaram a construção de novos reatores, como a Itália, cuja decisão foi referendada em um plebiscito, onde mais de 95% dos votos foram contrários à construção de novas usinas nucleares. Também a Bélgica, Áustria dentre tantos outros que abandonaram a tecnologia nuclear.
A França, símbolo mundial no uso da eletricidade nuclear, com seu governo socialista, prometeu aos seus eleitores na última campanha presidencial, diminuir ao longo dos próximos anos o uso da energia nuclear em seu território, substituindo-a por fontes renováveis de energia. Portanto, os indecisos sobre a questão nuclear devem procurar as informações em diferentes fontes sobre o que ocorre no mundo pós Fukushima.
No Japão, hoje ocorre uma verdadeira queda de braço entre o primeiro ministro, que insiste na reativação dos 50 reatores que permanecem desligados depois da tragédia de 11 de março, e a população. Recente pesquisa de opinião mostra que mais de 70% da população japonesa é contrária ao uso da energia nuclear, e está disposta a impedir que o plano do primeiro ministro de religar as centrais aconteça.

A falácia de que a energia nuclear é essencial para atender as necessidades energéticas é um argumento que vem sendo utilizado desde a ditadura militar. Na época, para justificar o acordo Brasil-Alemanha em 1975, se previa a instalação de 8 reatores nucleares e se afirmava peremptoriamente, ser imprescindível esta fonte para ofertar mais energia para o crescimento do “gigante adormecido”. Somente uma foi construída, Angra II, iniciando sua operação em setembro de 1981. Quanto as 7 usinas restantes, realmente elas não fizeram falta, e o Brasil não entrou em colapso, conforme se apregoava.

Hoje, a ladainha volta à tona, com uma propaganda enganosa relacionando os “apagões” e desabastecimento com a urgência de se expandir o parque nuclear. Uma mentira sem tamanho, suportada por um planejamento energético equivocado, onde predomina as decisões políticas de um grupo encastelado há anos no Ministério de Minas e Energia, que apóia esta ou aquela tecnologia energética, em função de seus interesses imediatos e não da maioria da população.

Por outro lado, afirmar que a instalação de uma usina nuclear no sertão brasileiro é “uma oportunidade única que poderá ser o ponto de partida de um grande processo de desenvolvimento regional”, trata de uma promessa vaga, destituída de fundamento. E só quem acredita, em papai Noel, mula sem cabeça, saci pererê, coelhinho da páscoa, e tantos outros personagens do imaginário popular, crê nesta afirmativa.
A instalação de uma usina nuclear, do modelo previsto, orçada em mais de 10 bilhões de reais, produz menos empregos que as industrias da tecnologia eólica, solar, conforme o relatório sobre empregabilidade das indústrias energéticas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Portanto, é um desrespeito ao já sofrido sertanejo alimentar o sonho de que investimentos de bilhões de reais na construção de uma usina nuclear, contribuirá para a melhoria de sua vida.
O povo nordestino já foi enganado, ludibriado, inúmeras vezes com propostas deste naipe, superlativas, megalomaníacas, e não vai se deixar iludir mais uma vez.

quarta-feira, 27 de março de 2013

ROBERTO ROMANELLI MAIA

SEM CLARIDADE, NEM ESCURIDÃO

 
Roberto Romanelli Maia
Escritor, Jornalista e Poeta
 
 
Iludem-se os que buscam razões, justificativas e explicações
para seus momentos de tristeza, solidão, amargura,
decepção, sofrimento e depressão.
 
A verdadeira sabedoria adquirida por poucos,
durante nossa curta vida na Terra,
ensina-nos que muitos dos que vivem atrás de desculpas
e de mil motivações para tudo, não corrigem  seus erros,
falhas e deficiências.
 
Não reconhecem que antes de ver a claridade ou a escuridão,
que toma conta de muitos momentos da sua vida,
terão que criar a própria luz interior.
 
Uma luz que seja bastante forte, para iluminar de fato
suas opções, ações, atitudes e decisões de vida.
 
Sim, não basta uma luz qualquer!
 
Uma luz meramente de caráter e de ordem física.
 
Somente a luz que advem da fé num Ser Superior
é aquela que conta e que representa
uma real mudança, para melhor, em nossa vida. 
 
Prender-se a uma mera e insignificante visão humana e terrena
da claridade ou da escuridão, que é visualizada por tantos,
não nos conduz a lugar algum.
 
Elas são apenas palavras vazias e ocas, ao sabor do vento,
levadas facilmente, quando diante da Realidade 
desapercebida pela maioria.
 
Platão, na sua" Republica, no Mito da Caverna", 2500 anos atrás,
afirmava com propriedade que o homem se deixa levar
por aparências e pelo que “consegue ver”,
esquecendo-se de que aquilo que vislumbra
é apenas parte ínfima e diminuta
de uma falsa realidade.
 
A verdadeira Realidade, essa não pode ser captada
através dos sentidos comuns e convencionais do ser humano.
 
Essa Realidade transcende a matéria e as regras humanas,
concebidas para manipular, controlar, e desviar cada um,
de chegar até Ela e de A conhecer, em essência e profundidade.
 
Convém sempre lembrar que um dia Jesus afirmou,
para todos os que presenciavam  seu martírio e calvário:
 
"Perdoai-os, meu Pai; eles não sabem o que fazem!"
 
Dois mil anos mais tarde, o Homem nada aprendeu.
 
Nem com a História, nem com Jesus!
 
Continua empregando as palavras para criar mentiras, ilusões, falsidades
e mistificações, com o beneplácito e a concordância de uma plateia
que, infelizmente, compreende bilhões de seres
que se julgam humanos, coisa que não são!
 
Nasceram, mas não vivem, nem pensam, nem sentem,
nem amam, pois desconhecem em seu mundo
o que é ou não o Real.
 
O que é, efetivamente, a Verdade.
 
Não, qualquer verdade.
 
Mas aquela em que ele faz parte de um Universo
que compreende trilhões de planetas,
bilhões deles habitados e com vida realmente pensante.
 
Nesse Universo, não será a claridade que combaterá a escuridão
mas a consciência de que realmente o ser humano
vive, é, pensa, sente e ama
seus parceiros e companheiros de Universo.

sexta-feira, 22 de março de 2013

HELDER CALDEIRA








Política » heldercaldeira
Pauperismo papal, lucro dilmista
Dilma não foi a Roma para ver o Papa. A presidente precisava de boas fotos de campanha ao lado de Francisco.
A audiência "privê" do Papa Francisco com a presidente Dilma Rousseff: fantasmas e santinhos de campanha

Tão logo anunciado como novo Sumo Pontífice da Igreja Católica, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio dispensou a presença de monarcas, chefes de Estado e suas comitivas na cerimônia de entronização, realizada no último dia 19 de março de 2013. Revelado arauto do pauperismo (modista e marqueteiro... ou não!), o Papa Francisco pediu que, ao invés de comparecer à sua coroação, as autoridades deveriam orar por ele em seus países e doar aos menos favorecidos todo dinheiro que seria gasto com a viagem. Por óbvio, ninguém atendeu ao apelo do jesuíta e milhões de Euros foram consumidos para que nobres excelências pudessem entrar na fila santa do “beija-mão”.

Autoridades políticas (como Sua Santidade o é, desde a eleição) tem plena convicção de que o discurso do pauperismo tornou-se, ao longo dos últimos dois milênios, um extraordinário instrumento de suposta boa popularidade. Ademais, o perfil político-salvacionista de pobres e oprimidos tornou-se um verdadeiro “sucesso de bilheteria” na América Latina. Um rápido olhar sobre a extrema popularidade das gestões do falecido comandante Hugo Chávez, na Venezuela, e do ex-presidente Lula da Silva, no Brasil, e a afirmação a seguir faz-se clara e límpida: o povo aceita, silenciosa e candidamente, um governo com farta corrupção e esquizofrenia democrática e institucional, desde que este deposite uns trocadinhos gratuitos a título de assistencialismo pedestre e para abafar a miséria múltipla deste canto do Hemisfério Sul.

Ainda que o Papa Francisco tenha as melhores intenções ao se tornar o “garoto-propaganda” do pauperismo latino-americano (bastante adequado em tempos de monstruosa crise mundial e esfacelamento social e financeiro da Europa), a mensura do pontífice é tomada pelas autoridades internacionais com base em suas próprias réguas discursivas, na maioria das vezes falaciosas. Não por acaso, centenas de líderes foram ao Vaticano e enfrentaram a longa fila, sôfregos por beijar a mão do novo Papa e garantir algumas fotos de divulgação para estampar os jornais de seus países. Clássico.

Justo por isso, não foi surpresa a denúncia feita pela imprensa brasileira com as dimensões da comitiva oficial da presidente Dilma Rousseff e seus suntuosos gastos durante estada em Roma para ver o Papa. Além da excelentíssima e seu staff, outros quatro ministros embarcaram na estratégica jornada dos “papagaios de pirata”. O “elefante branco” era tão grande que, entre os dias 16 e 20 de março, foram consumidos 52 quartos em hotéis cinco estrelas, 07 veículos sedan executivos, 01 carro blindado de luxo, 04 vans executivas, 01 micro-ônibus, 01 veículo para os seguranças, 02 furgões e até 01 caminhão baú. Somaram-se profissionais de segurança, cerimonial, comunicação, tradução, saúde, etc. Apenas com a hospedagem, a comitiva de Dilma gastou R$ 324 mil. Sem falar que, para os cinco dias na Itália, cada membro recebeu o total de quase R$ 5 mil a título de diárias para viagens internacionais. Estima-se que o passeio tenha custado quase R$ 2 milhões.

É certo que a presidente Dilma Rousseff não mencionou esses gastos astronômicos e irresponsáveis do dinheiro público brasileiro em sua audiência “privê” com o Papa Francisco. Tampouco explicou porque a comitiva presidencial dispensou a costumeira e gratuita hospedagem no palacete que serve de sede à Embaixada do Brasil em Roma e preferiu um luxuoso hotel na Via Veneto, um dos endereços mais sofisticados da Itália. Aliás, só em 2014 o “respeitável público” ficará sabendo o que Aloizio Mercadante foi fazer na posse do Papa. Levar consigo o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, e a ministra da Secretaria de Comunicação Social, Helena Chagas, é até compreensível. Em última instância, é possível argumentar a favor da ida do ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República. Mas, o que justifica o passeio do ministro da Educação? Ou Mercadante foi discutir com Francisco a sintaxe do miojo numa redação aprovadíssima pelo ENEM ou estamos diante de um pré-candidato petista ao governo de São Paulo.

Noves fora, a ascensão do Papa Francisco renderá bons lucros à tentativa de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Apesar dos quase 80% de aprovação ao seu governo, ainda não há tranquilidade na cúpula petista. Sobram fantasmas a assombrar os vastos meses que restam até as eleições de 2014. Ironia celestial, o pauperismo defendido por Bergoglio cai bem ao discurso de pseudoassistencialismo do PT e seus asseclas que adoram suítes de luxo e contas bancárias recheada (“por fora”, fique claro!). Que ninguém se surpreenda ao ver as imagens de Dilma e Francisco, juntos, estampadas no programa eleitoral do ano que vem, de olho nos sagrados votos dos pobres e oprimidos. No Brasil do século XXI, pauperismo papal é lucro dilmista e “amém” aos dividendos políticos.

HELDER CALDEIRA
Escritor, Jornalista Político e Apresentador de TV
Autor dos best sellers "Águas Turvas" e "A 1ª Presidenta"
www.aguasturvas.com.br - www.ipolitica.com.br/fonte revista on
tela:bosch

terça-feira, 19 de março de 2013

SYLVIO BACK


Contos Quentes

Especialista no tema erótico, Sylvio Back enviou texto inédito à Revista de Verão

Atualmente, escritor catarinense vive no Rio de Janeiro


Especialista no tema erótico, Sylvio Back enviou texto inédito à Revista de Verão arquivo pessoal/Arquivo Pessoal
O catarinense Sylvio Back é cineasta e escritor, autor de 38 filmes e 21 livros Foto: arquivo pessoal / Arquivo Pessoal
Sylvio Back é cineasta e escritor, autor de 38 filmes e 21 livros (roteiros, poesia e ensaios). Ada, Assim é um conto inédito, que compõe novo livro. Agora prepara o lançamento nacional do filme O Universo Graciliano.

Ada, assim
Revejo-a. Cinquenta anos depois. É muito tempo, hein? Ou não? Para um morto é pouco, você diria! O rosto chapado, encarquilhado. Como o meu. As coxas ainda soberbas (dá pra ver pelo volume do andar). Iguais às minhas, obra e graça da musculação para macróbios. Revejo-a, assim, sem mais nem menos. Esquecida, esquecida estava para sempre. Agora, intacta, incólume, impávida, como é que pode? É isso que se chama física quântica?

Numa rua qualquer, num dia, idem, numa tarde única. Aquela chuvinha fina de Curitiba. Faltam nanossegundos para eu reconhecê-la. Ela não se demora nada. Cabelos desarrumados, é o vento sul. Alisei os meus, mais branquelos do que os dela. Devem ser pintados, invejei. O que importa, afinal? Num primeiro ímpeto, os corpos simularam se grudar ali mesmo. Feito ímã, um tanto gasto, pois não. Mas, antes que algum calor transite entre nós, só leve enrubescimento: pisca-pisca de alerta. Aliás, mútuo, coadjuvado por uma fi sgadinha, alhures. Nem tão alhures, confesso, infelizmente, impossível nomeá-la nesse átimo. Ao nos tocarmos, bingo! A vertigem vira tremor. Ou será temor? É aí que Ada faz-se a deliciosa Ada do baile de Carnaval de 1958.

Aqueles peitões antológicos! Esquecer? Impossível, se eles mantêmse incólumes! Toda vez em que nos encontrávamos, dito e feito, Ada tinha orgasminhos em série. Como se fosse dar um troço nela. A orelha ficava magenta, os lábios, flamantes, olhos de lobisomem. Ada se imolava, era um fogaréu de Eros. Coisa rápida, imperceptível a quem passasse ao largo. Eu, sim, testemunhava fingindo que não. Sabia e mui caridoso ficava enxugando umas lagriminhas alegrinhas rolando pelas bochechinhas. Nem preciso dizer que agora o incêndio se reprisa com a mesma intensidade. Tesão não tem idade nem cabimento. O tranco, porém, é maior.

Como é que pode? Como é que pode, santo Deus? Será que Ada conseguira recapturar, nesse exato fortuito, todos os gozos que juntos tivemos? Memória afetiva, como é o nome disso mesmo? Ou será que é pura imaginação, como alguém que jamais se olha no espelho, nem pra fazer a barba nem pra se pentear? Existe essa pessoa? Ada, ao menos, continua o orgasmo tal qual. Tremelica e, curiosamente, não fica mais tão vermelha. Ao contrário, parece que rebobina gozos estrangeiros, de outrem, de outrens, esse neologismo me ocorre diante da volúpia dela. O que não se faz e pensa tomado de volúpia, hein? Ada era a própria. Mais: a luxúria nua e crua, vestida dos pés à cabeça. Subitamente, o agarra-agarra vira atentado ao pudor. No meio da calçada, gente se entreolhando, carros diminuem a marcha, bisbilhotice geral. Que velhuscos sem noção do ridículo! Um pião carnal a toda. Ela enfia as coxas nunca assaz tão soberbas entre as minhas pernas. Não deu outra. E, com todo respeito, ejaculei como nunca dantes (Eros não perdoa, dispara!). De onde é que saiu tanto esperma, oh Jísus Craist? Pensei cá comigo, sem disfarçar um sutil toque de vingança.
Mesmo com o coração e a alma ululando, tive como pensar. Aleluia! Foram precisos gloriosos 50 anos para que eu recebesse o troco, literalmente, em espécie, latejante e umectante. Aquele menininho de antanho que fazia Ada gozar, agora era um velhinho encharcado de Ada.
REVISTA DE VERÃO

sexta-feira, 15 de março de 2013

CLEVANE PESSOA


Poema Vermelho- DE Clevane Pesoa, para a tela O Flautista de Todas as Fátimas-de Luiz Carlos Rufo.


POEMA VERMELHO

"Clevane Pessoa de Araújo" escreve o
Poema Vermelho
para "O Flautista de Todas As Fátimas"
pintura de de Luiz Carlos Rufo


Sangrassem, as rosas, o sangue teria perfume vermelho.
Na composição biopoética do sangue das rosas, con/vivem células de caroços de romãs,
 místicos e condutores de crenças;
Mórulas de amoras sensuais;
Amores de maças do paraíso.
Penas de Lóris branca, manchada no peito;
Morangos saborosos sem champagne;
Clamores de combatente sem campos de batalha pela Paz.
Suor sangrento de porfíria incompreensível e letal.
Mancha de virgem em lençol de linho.
Safra de raríssimo vinho;
Menstruação, de/flor/ação, nascimento.
Batom onde a cera de abelhas convida ao mel.
Tons de lábios grandes e pequenos.
Labaredas: salamandras elementais do fogo, a desenhar em rubro, 
linguetas de linguagens poderosas.
Aromático sangue de rosas: licor dos deuses,
a representar a essencial mais sutil da arte:
o milagre da criação humana.

Belo Horizonte, Minas Gerais,Brasil em 16/02/2007, poema sobreposto aos dois versos inciais, escritos em minha adolescência- em homenagem à tela "O Flautista de Todas as Fátimas" de RUFO.

O flautista, o artista a reinventar um flautista. As fátimas do imaginário se expandem pela rubra cor que caracteriza o Universo feminino biológico: o vermelho. O sangue. Donde ela nasce,donde ela é, se faz mulher, na menarca ("ficou mocinha", explicam as outras: já pode procriar), o milagre da multiplicação, o milagre da parição. O "sangue do meu sangue": fruto que afiança a linhagem. A flauta abre em leque seu som de pastoreio e doçura. Aparece uma das Fátimas e flutua, chagalmente, na chaga do céu. Tons carmin. A filha do artista, obra de carne, mulher, fotógrafa, os fotografa, aparece para registrar a obra paterna. As amigas aparecem, Fátimas tantas, e manifestos brotam, testemunhos de testemunhas verazes. E a tela espanta, na cardinalidade, nos tons e sobretons carmináceos. Penso em sangue de rosas (*) um dos versos de poema escrito com dor. E encantamento.Vou ao blog de Rufo e , sem poder lá estar, no seu locus de ser, pela telinha, delicio-me. O artista, LUIZ CARLOS RUFO (*) , em seu trabalho, carrega seu mundo espacial, seu universos de receptações, seu Cosmos particular. Aprende ao caminhar, ponderar, e ser. E apreende mas, na caminhada, a lição maior: repassar a essência artística. Presentear o olhar do outro, com as nuances de seu próprio olhar. Com o "O Fautista de Todas as Fátimas", Rufo faz com que o protagonista masculino, permita a aparição do elemento feminino: as fátimas, as que sobrevoam o Real. Mesmo um real cardeal, com caroços de romã, vinhos e uvas, amoras, amores, maçãs, morangos, sangue de rosas vermelhas, repito. Sentimos o aroma, do abstrato de seu estilo para a realidade do retrato universal da mulher. Um artista. Um flautista. Uma Fátima. As fátimas. 
Clevane Pessoa

quinta-feira, 14 de março de 2013

ROBERTO ROMANELLI MAIA


PINTANDO AS CORES
DE UM HOMEM

ROBERTO ROMANELLI MAIA
ESCRITOR,JORNALISTA E POETA


Ando à procura de pincéis e de tintas  para  redesenhar a minha vida.

Esperando que o retrato, que virá a surgir, seja, na medida certa, próximo á realidade.

Com a face, sorridente e alegre, de um homem
que sempre buscou ser feliz...

Um homem capaz de viver, de ser,
de sentir e de amar.
Plena e totalmente.

De valorizar a sua menina e mulher.

Amiga, companheira e cúmplice.

Um homem capaz de dizer
" Eu te amo"!

De abraçar e de beijar.

De receber e dar sentimentos e prazer.

Um homem que nunca aceitou
nem o desânimo, nem o cansaço
nem a adversidade.

Um homem numa procura permanente
por suas cores e os seus matizes.

Por novos caminhos na Terra
e entre as estrelas.

Um homem especial.

Que existe e está aqui!