quinta-feira, 1 de agosto de 2013

JOÃO ROSSETO






João Rossetto, Caio Lopes (bateria), Marcelo Sanches (guitarra), Davi Indio (baixo eletrico e acustico) e Natan de Oliveira (trompete e trombone) apresentam: "ATÉ VOCÊ ME ACHAR", julho/2013. Além do disco, algumas releituras estão programadas.

-Para ouvir e baixar gratuito: http://www.amusicoteca.com.br/?p=8241

-VIDEO RELEASE DO DISCO: http://www.youtube.com/watch?v=uV0Rhkm_1og

Serviço:
BAiXO
Rua Bela Cintra 483
Show: João Rossetto - Até você me achar
Data:01/08 quinta-feira
Porta: 19h / Show 23h
Entrada: R$10 lista/ 15 porta
Forma de pagamento: Dinheiro ou cartão
Acesso para deficientes físicos

segunda-feira, 29 de julho de 2013

RODRIGO CONSTANTINO


Pondé em Miami

Rodrigo Constantino

Em sua coluna de hoje, o filósofo Luiz Felipe Pondé fala da angústia do "eu", sempre em busca de satisfazer expectativas de terceiros. Pondé descasca essa tirania dos desejos na era moderna, esse "faz tudo" pelas aparências, os embustes dos programas de "autoconhecimento" à jato, enfim, ele aponta para vários sintomas de uma das principais doenças da modernidade.

Mas não quero falar disso. Quero pegar um trecho de seu texto mais profundo e focar em um aspecto bem mais raso e superficial. Receio que o bebê seja jogado fora junto com a água suja do banho. Eis a passagem em questão:

Outro dia, contemplava pessoas num aeroporto embarcando para os EUA com malas vazias para poder comprar um monte de coisas lá.

Que vergonha. É o tal do "eu" que faz isso. Ele precisa comprar, adquirir, sentir-se tendo vantagem em tudo. O "eu" sente um "frisson" num outlet baratinho em Miami. O mundo faz mais sentido quando ele economiza US$10. E o pior é que, neste mundo em que vivemos, faz mesmo sentido. Qualquer outra forma de sentido parece custar muito mais do que US$ 10.

Entendo perfeitamente o ponto do filósofo. Como morador da Barra da Tijuca há três décadas, posso atestar com inúmeros exemplos concretos a existência desse tipo de gente em abundância. São pessoas "bregas", como diz o próprio Pondé, que pensam ser possível preencher um vazio existencial com roupas de grife (muitas já ultrapassadas nos States) ou aparelhos tecnológicos de ponta. Não podem.

Dito isso, considero injusto jogar todos no mesmo saco. Quem é movido por isso, quem é "escravo" dessas paixões consumistas, quem, enfim, confunde seu próprio "eu" com a marca estampada em sua roupa ou seu celular, sem dúvida representa o alvo típico do ataque de Pondé. Trata-se não só de algo brega, como algo um tanto triste do ponto de vista existencial.

Mas nem todos que vão para Miami de malas vazias sofrem desse mal. É perfeitamente factível alguém ter outros interesses, outros valores, um pensamento mais denso e profundo sobre a vida, e ainda assim não gostar de rasgar dinheiro, ou pior, de deixar boa parte do que gasta nas mãos corruptas do nosso governo.

Fazer compras em Miami é apenas algo racional. Encontra-se de tudo a um preço bem menor. Em certos casos, para quem pretende comprar muita coisa, talvez um enxoval de casamento ou para o bebê, consegue economizar bastante dinheiro mesmo incluindo a passagem. Não estamos falando de US$ 10, mas de centenas de dólares.

Essa quantidade enorme de gente que viaja para Miami para fazer compras pode ser perfeitamente um indício do sintoma que Pondé aponta no texto, mas pode muito bem ser evidência de outra doença, mais prosaica, mais trivial: os preços absurdos dos mesmos produtos no Brasil, basicamente devido aos impostos escorchantes. Como diz um amigo meu, compro em Miami porque sou pobre; se fosse rico, comprava no Brasil mesmo.

Por fim, é preciso ter cuidado com intelectuais e filósofos que pairam acima desses desejos materialistas. Não é o caso do próprio Pondé, que volta e meia expõe a hipocrisia dessa gente, que finge gostar de filmes chatos iranianos enquanto assiste escondido a novela da Globo. São esquerdistas que condenam o consumismo do capitalismo portando uma bolsa da Louis Vitton, pois ninguém é de ferro.

Claro que os excessos consumistas devem ser condenados. Como eu disse, é muito triste alguém ser "escravo" de uma marca de roupa ou celular, tudo pelas aparências, pelos outros. É muito vazia, muito superficial, uma vida assim. Mas é perfeitamente normal usufruir dos produtos modernos, sem se deixar cegar por isso. Usá-los, e não ser usado por eles. 

Para os que conseguem isso, nada melhor do que pagar um preço bem menor por eles, pois ninguém gosta de rasgar dinheiro, nem intelectuais. E para isso, nada melhor do que comprar em Miami, onde tudo é muito mais barato. De quebra, ainda há bons restaurantes. Convido Pondé para um bate-papo profundo no Nobu. Falaremos de Dostoievsky, Camus e Kafka, comeremos muito bem, e a conta será menor do que a de um restaurante mediano paulista. Que tal?

PS: Absurdo mesmo é o governo brasileiro insistir com um limite ridículo de US$ 500 por pessoa para trazer de fora, sendo que a polícia alfandegária está cada vez mais atenta, revirando até roupas das malas em busca de mais arrecadação com esses impostos indecentes. 

terça-feira, 23 de julho de 2013

ERECHIM /SP


a bela e fria cidade de ERECHIM/RS,na qual a minha amiga miriam suzana.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

LANNY GORDIN, MACALÉ E JORGE MAUTNER







Lanny Gordin Esse foi o bis do show do Macalé no Sesc Vila Mariana, na quarta dia 17. Foi muito emocionante o show do maravilhoso artista Macalé e a sua delicadeza convidando o Lanny para o palco. Obrigada, Macalé, por tanta beleza e emoção. Beijos. Cris.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

JOÃO ROSSETTO



1. Pagando pra ver 2. Até Você me achar 3. De bicicletas e de aviões 4. She loves me 5. O Paco 6. Voltar pra America do Sul 7. Assim você não vai me ver 8. Birthday surprise 9. Minissérie 10. Conhecer dessa vida - See more at: http://www.amusicoteca.com.br/?p=8241#sthash.rnw71hkd.dpuf

Não paro de ouvir!
João Rossetto é um cretino! Nos apresentou o seu disco, caladinho, e nos perguntou se não queríamos fazer o lançamento. Veja se pode isso?! É praticamente perguntar se não queremos um grande amor para a vida inteira. Não se faz algo assim com uma pessoa da musicoteca. Não aguentávamos mais esperar por esse dia, segurar esse disco foi um sacrifício. A música de Rossetto é devastadora!
O talentoso rapaz do interior paulista, de 31 anos, chega pra ficar, e o seu primeiro álbum é um marco não só para sua biografia, mas também para a cena musical brasileira. Uma referência além dos rótulos e de críticas. Não sei o que escrever neste texto de apresentação, então deixo os meus sentimentos falarem livremente pelas próximas linhas… E eles podem ser ignorados ou substituídos por suas próprias sensações caso você já tenha dado o play no início do post.
Só um poeta generoso, e escolhido pela própria música, arquiteta uma seleção autoral tão sedutora e pretensiosa. Pretensiosa, sim! Porque é possível ser pretensioso e bom! Ele pode desmentir tudo, dizer que foi natural, algo tímido, que eu vou continuar suspeitando de sua simplicidade artística. Um disco como esse não pode ficar preso na “contidão” dos críticos insensíveis. Todas as camadas parecem fluir numa independência harmônica e encontram-se respeitosamente com sua poesia cantada nos oferecendo duas possíveis viagens agradabilíssimas entre canção e melodia.
Acho desnecessário percorrer cada passo do processo criativo e de produção de um trabalho tão singular. Indico a pesquisa e a descoberta de João Rossetto e seus parceiros, tudo em nome do prazer auditivo. Mas adianto um pouco de sua seleção para entrega da base sonora de seu disco: Marcelo Sanches na guitarra, Caio Lopes na bateria, Ricardo Prado nos teclados, Davi Indio no baixo e Natan Oliveira no trompete e participações mais que especiais de Andréia Dias e Marcela Biasi. Apenas!!!
Deixamos você com uma obra representativa da atual qualidade musical brasileira. Um dos grandes discos do ano de 2013, sem nenhuma dúvida.
Por favor, João Rosseto! Continue.
Sei que agora é pra valer! Prazer te conhecer. Pois é… Gostei de você!
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quarta-feira, 17 de julho de 2013

ROBERTO ROMANELLI MAIA






 

CAMINHANDO ATÉ O FINAL DO UNIVERSO
 
ROBERTO ROMANELLI MAIA
ESCRITOR, JORNALISTA E POETA
 
 
Ah, uma luz brilha perdida na cidade dos homens, sem rumo e sem destino.
Um som que não se escuta, invisível, cheio de insatisfações e de reclamos, ressoa ao meu redor.
Com isso, o céu se desvanece,  desmancha-se em mil partículas, fugindo para um lugar sem volta,
preenchido pela luz da lua, que tinge a noite azul que a tudo quer queimar.
Tento segurá-los com meus ombros, mas de tão fracos eles vão caindo, desparecendo.
Seguro sobre eles esse céu fugitivo, que cada vez mais continua sumindo.
Caminhando atrás dele, quem sabe até à frente,
até o final do universo, onde incontáveis estrelas pequenas se escondem,
Temendo os homens.
Sinto a vertigem se apossar de mim, engolido dentro de infinitas ondas de platina, de ouro e de prata,
pois cheguei ao rio sagrado que encontrei num final que ninguém sabe se é mesmo o final.
Meu coração e minha alma tremem, ao receber o abraço do eterno, para sempre eterno,
que não irá desaparecer.
Ele apenas existe.
Está dentro de mim, dando força, energia e calor,
de um sol que não deixa de ser sol.
Que é luz, luz que me guia e me alimenta, sem nunca cessar, nem fraquejar.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

EURICO


E
s
c
o
r
r
e
o mel
à flor da pele demerara, açúcar preto, mascavo
Mel
Melaço
Melado
Mel novo
Mel de engenho: terra roxa massapê terra de cana
caiena caiana cana de açúcar
moenda garapa tropicana
terra onde mana
mel ( e leite) e a sacarose morena
melíflua voz de veludo melosa
pele de mel demoiselle cubista
lábios de mel língua doce
lamber teu céu linda noite
caldo de cana caiena favos de mel
A tez de fruta mestiça malícia cajus compotas
Sapotis cristalizados
E toda a doçaria colonial
Água na boca
Desliza mel na língua
portuguesa e um gosto de infância
lembrança de um confeito chamado nego bom.
Noite na pele negra rara demerara
A lua açúcar céu amorenado mel
Enamorado
Melado
Doce na boca,
delícia
no tacho
de bronze,
desliza
na cuba
daqui e de Habana:
de niña/mujer;
de sinhá/menina.
de mel, melanina.
Tua noite nos ilumina...
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Eurico
meados de 2000