quarta-feira, 30 de julho de 2014

HEITOR SCALAMBRINI COSTA






Pernambuco e os conflitos socioambientais

Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco

Em Pernambuco, o mais mesquinho dos egoísmos é como o governo tem tratado mal a questão ambiental e descuidado da qualidade de vida de sua população, pois não protege a natureza e nem respeita as pessoas. Aqui impera o racismo ambiental.
O crédito público associado às isenções e aos incentivos fiscais e financeiros são armas poderosas que poderiam ser usadas para induzir um novo tipo de comportamento, exigindo integral e verdadeira responsabilidade social das empresas que viessem a se instalar no Estado. Quase a metade do crédito, todo de longo prazo e módicos juros, vem de bancos públicos muitas vezes avalizados pelo governo estadual. Logo, se o governo quisesse, outra forma de desenvolvimento (humano e social) seria possível: bastava induzir boas práticas através de sua força econômica, mudando os incentivos.
Ao invés disso, o governo estadual é o maior promotor de conflitos socioambientais, como nas remoções forçadas dos moradores para as obras da Copa, provocando também degradação ambiental. Merece também destaque a violência praticada pela empresa pública Suape contra os moradores nativos do território abrangido pelo Complexo Industrial Portuário de Suape (CIPS), e o desmatamento local de Mata Atlântica, manguezais e restingas. Somente para citar dois exemplos.
Os primeiros quatro anos de gestão do ex-governador, agora candidato presidencial, foi uma verdadeira catástrofe ambiental, se caracterizando como um governo autoritário, com promessas ilusórias, sem dialogo com os setores da população (quem participou dos seminários do Todos por Pernambuco sabe bem como funcionou), desconsiderando completamente as argumentações daqueles que ousaram apontar as mazelas que estavam ocorrendo em função do crescimento econômico desordenado e predatório, particularmente com relação ao território do CIPS. O autoritarismo aliado à completa falta de dialogo distanciou a gestão estadual dos movimentos sociais.
Foram inúmeras medidas desastrosas adotadas em nome do crescimento econômico, obedecendo a uma mentalidade que tem base na visão ultrapassada do “crescimento a qualquer preço”, ignorando a dimensão sócio-ambiental. O mais lamentável foi o Projeto de Lei Ordinária n1496/2010 (17 de março) enviado pelo executivo a Assembléia Legislativa (Alepe) referente à maior supressão de mata nativa já ocorrida em Pernambuco (e talvez no Nordeste). Inicialmente previa desmatar cerca de 1.076 hectares (equivalentes a 1.000 campos de futebol) de vegetação nativa em áreas de preservação permanente para obras de ampliação do CIPS. Após pressão e indignação popular este montante foi reduzido para 691 ha (508 de mangue, 166 de restinga e 17 de Mata Atlântica).
A aprovação ocorreu mesmo com o parecer contrário da Comissão de Meio Ambiente da Alepe, que já questionava a supressão dos 88,7 ha de mangue e restingas entre 2007 e 2008, cujas compensações ambientais não haviam sido cumpridas pela empresa Suape, que por sucessivos anos desdenhou do Ministério Público, assinando Termos de Ajustes de Condutas (TAC´s) que não foram respeitados.
Outro empreendimento, em nome de um crescimento econômico a cada dia mais questionado, que resultou na agressão ao que ainda resta da vegetação da Mata Atlântica (somente 3,5%), foi à implantação e pavimentação do contorno rodoviário do município do Cabo de Santo Agostinho, a chamada “Via Expressa”. Dos 11,8 ha suprimidos, 2,6 ha estão localizados em áreas de preservação permanente.
Outra decisão também equivocada na área ambiental, que mostra claramente a inequívoco desprezo pelo meio ambiente e pelas pessoas, foi à opção por tornar Pernambuco um pólo de termoelétricas consumidoras de combustíveis fosseis (o vilão do aquecimento global). A tentativa de trazer para o Estado a maior (e a mais poluente) termelétrica a óleo combustível do mundo, anunciada pomposamente, em julho de 2012, como Suape III (1.450 MW), foi rechaçada pela sociedade pernambucana. Se tal construção fosse realizada, em pleno funcionamento iria despejar, segundo cálculos preliminares, em torno de 20 mil toneladas dias de gás carbônico (CO2). Todavia, a termoelétrica Suape II (320 MW), construída para ser acionada apenas em situações de emergência, funciona diariamente. Ainda na área energética/ambiental, merece destaque o interesse do governador, agora presidenciável, pela vinda da usina nuclear, anunciada inicialmente para o município de Itacuruba, a 512 km de Recife, no sertão, às margens do Rio São Francisco. Com uma biografia dessas na área ambiental, no seu segundo mandato o ex-governador tentou colorir de verde o seu governo. Para isso cooptou seu ex-adversário, candidato do PV a governador, oferecendo-lhe a recém-criada Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade.
Algumas ações foram possíveis, utilizando a figura pública do ex-secretario, que atuou e militou, até então, nas causas ambientais. Com o apoio intensivo da propaganda e do marketing político foi divulgado alguns projetos nesta área. Foram criadas reservas de proteção permanente “de papel”, foi lançado o projeto Suape Sustentável (que até agora não disse para que veio), dentre algumas medidas de caráter midiático. Além disso, foram abertas algumas portas para a projeção a nível nacional e internacional da figura do governador como amigo da natureza, já que a Conferencia Rio+20 se aproximava e se tinha que fazer algo pela imagem do governo na área ambiental.
De 13 a 15 de abril de 2012, aconteceu no Recife uma reunião denominada “Pernambuco no Clima” com o patrocínio do Governo Estadual, da Prefeitura do Recife e da Companhia Hidroelétrica do Rio São Francisco (CHESF). Este evento, como anunciado pelos seus organizadores, foi uma reunião preparatória do Rio-Clima (The Rio Climate Challenge), que ocorreria paralelo a Conferencia Rio +20, no Rio de Janeiro. Nesta reunião, como atestou à relação de participantes, a sociedade civil organizada ficou de fora. Marcaram presença entidades e personalidades com fortes vínculos com o governo nas três esferas, além de personalidades e cientistas nacionais e internacionais que contribuíram para avalizar o aspecto técnico do referido encontro.
Para tornar Pernambuco uma das sedes dos jogos da Copa das Confederações e da Copa do Mundo, não foram medidos esforços no comprometimento financeiro do Estado e na tomada de medidas socioambientais injustas. Segundo a Secretaria Geral da Presidência da República 1.830 desapropriações ocorreram, sendo 1.538 residências e 292 imóveis comerciais, terrenos, para as obras ligadas a Copa do Mundo de 2014. A truculência das expulsões e as irrisórias indenizações caracterizaram este triste e inesquecível episodio imposto pelo governo do Estado. Somente a construção da Arena Pernambuco e da Cidade da Copa resultou no desmatamento de uma área considerável do fragmento da Mata Atlântica no município de São Lourenço da Mata, situado a 20 km de Recife. O projeto previsto da Cidade da Copa (não executado) abrangeu uma área de 239 ha para construção de todos os equipamentos (prédios residenciais e um hospital). A Arena, única construção existente no local, ocupou cerca de 40 ha desse total.
Hoje a situação não mudou. O que era já planejado na época se concretizou com o lançamento do ex-governador como candidato a presidente. A ex-senadora e ex-ministra do meio ambiente do presidente Lula foi incorporada na chapa que disputará as eleições de outubro próximo. Algo de um pragmatismo exemplar na política brasileira diante das diferenças abismais entre os pensamentos e as ações de ambos em suas respectivas vidas públicas. Mas a politicagem brasileira sempre nos reserva surpresas.
A Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade segue não mãos do partido Verde. E este tem demonstrado o quanto é utilizado, dirigindo uma secretaria de quinto escalão. Problemas ambientais gravíssimos existem em todas as regiões do Estado, e a SEMAS segue o seu caminho.
Apesar das recentes promessas, que não são poucas, a chapa da “nova política” , como se denominam seus integrantes, não é confiável na área ambiental. Mais recentemente demonstrou total desrespeito a inteligência alheia, quando no dia mundial do meio ambiente (5 de junho) a população foi convocada, pelo agora defensor da natureza, o ex-governador pernambucano, a se manifestar através das redes sociais contra o “retrocesso ambiental” do governo federal. A convocação tinha sentido, mas não tinha quem a convocou.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

LANÇAMENTO CD



Estou lançando a musica "Todo dia é dia" do cantor e compositor "Nell Filho" que está disponivel no sitewww.tododiaedia.art.br  para baixar gratuitamente.
Baixe e  compartilhe com seus amigos.

Rogério Motta-Manager
(11) 98861-8390

CLAUDIO WILLER



Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico é um guia de leitura para quem quiser saber mais sobre autores beat e seus antecessores. Trata de temas fascinantes, como as rebeliões religiosas e manifestações de anarquismo místico ao longo da história, e suas sincronias com a contracultura e rebeliões contemporâneas. O ponto de partida, a frase de Jack Kerouac em Visões de Cody. “Tudo me pertence, porque eu sou pobre”. É comparada a observações do historiador Norman Cohn sobre os anarquismos místicos medievais como o Espírito Livre: “a pobreza, propriamente observada, abolia todo pecado; daí seguia-se que os pobres podiam, por exemplo, fornicar sem pecado.” E mais: “uma expressão dessa atitude era ainda um erotismo promíscuo e misticamente colorido [...] pois para os ‘sutis em espírito’ a relação sexual não pode, em quaisquer circunstâncias, ser pecaminosa.”
Além desses paralelos de capítulos da história ainda pouco estudados com o pluralismo beat, o ensaio é sobre valor literário e substância filosófica em Allen Ginsberg, Michael McClure, Gregory Corso, Gary Snyder; em William Burroughs; e especialmente em Kerouac, autor ainda controvertido, apesar do crescimento da bibliografia sobre ele. É também sobre política; sobre a crítica beat, mostrando como Ginsberg e seus amigos anteciparam, lucidamente, temas de um debate contemporâneo. Daí o crescimento dos leitores e das edições, ensaios e adaptações, atestando sua importância.
fonte: claudio willer

sexta-feira, 27 de junho de 2014

HOLANDA DETONANDO O CHILE!!



CHUPA!!!!!!!!!!!!!!
Final de Partida | Holanda 2-0 Chile | Gols: Leroy Fer e Memphis Depay |#Huporanje
MULHERES HOLANDESAS!!


sexta-feira, 6 de junho de 2014

RAQUEL NAVEIRA




QUI, 05.06.2014
Gato de Botas
Ele sabe quando preciso dele e fica por perto, esfinge enigmática
Raquel Naveira
Para o Portal Top Vitrine
Toda vez que meu gato sobe de mansinho na cama e suavemente se aninha em meu peito, os olhos amarelos me fitando com inteligência e ternura, penso que ele se parece muito com o Gato de Botas do conto de fadas. Imagino que ele me diz:

- Não fique triste por ter recebido de herança da vida um gato. É certo que aquele moleiro deixou para o filho mais velho o moinho com o qual ele poderia fazer farinha; para o do meio, um burro para o serviço pesado de transportar cargas e para o caçula, um gato. Mas era um gato mágico, de uma esfera superior, de um nível mais elevado da consciência, como eu. Vá, junte suas forças, compre-me um par de botas e você não vai se arrepender por ter me acolhido quando caí de uma janela do edifício Copan  e me dado comida e carinho.

Nesse ponto, ele salta da cama e passeia pelo apartamento ronronando, arrepiado, todo cheio de uma energia negativa que estava em mim, que ele já sugou e transformou em sentimento e compreensão.

O Gato de Botas saiu pelo mundo, com suas botas de couro pretas, com suas artimanhas. Conseguiu convencer a aldeia e o rei de que pertencia ao fidalgo Marquês de Carabás. O rei ficou encantado com as notícias sobre o Marquês: moço fino, educado, dono de propriedades, corajoso a ponto de acabar com o ogro gigante que ameaçava o reino. Deu assim, como recompensa, a mão de sua filha em casamento ao jovem.

Personagem que ironizava a corte francesa antes da Revolução, o Gato de Botas foi uma espécie de publicitário, difundindo e promovendo com técnicas de comunicação apurada as virtudes e os feitos de sua marca, de sua criação: o Marquês de Carabás. Os campos cultivados de trigo, o palácio no meio do bosque, o gigante reduzido a um rato e devorado, pela narrativa e astúcia do gato, foram conquistas atribuídas ao tal Marquês. Com imagens, ambiguidade e dando ordens determinadas e imperativas, o gato potencializou o valor de um produto, persuadindo o rei a comprar uma ideia: a união da princesa com o idealizado Marquês de Carabás. O Marquês passou a ser um reflexo do próprio rei: de sua juventude distante, de suas mais altas aspirações.

Lá vem de novo, sinuoso, o meu gato. Ele sabe quando preciso dele e fica por perto, esfinge enigmática. Dessa vez posso ouvi-lo nitidamente:

- Sou seu Gato de Botas. Ainda vou assistir a festas, celebrações, vitórias com pompa. Estou trabalhando por aí, pelejando pelo alto dos telhados, miando para a lua, planejando, sonhando, fazendo propaganda de seus dons, de sua arte. Logo, logo você receberá uma coroa e eu um novo par de botas com cordões encarnados e preciosos diamantes. Seremos felizes. Tenha calma, paciência, perseverança, autodomínio, confie no meu instinto caçador, minha dona. Observe como vivo apenas um dia de cada vez e com silêncio e elegância. Não queira desvendar mistérios antes da hora.

Passo a mão sobre seu pelo lustroso. Agradeço sua presença. Ele é meu Gato de Botas. Tenho fé.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

ROBERTO ROMANELLI MAIA









NO DIA 05 DE JUNHO ESTARÃO SOLTOS NAS RUAS DE NOSSO PAÍS 80 MIL CRIMINOSOS
AGRADEÇAMOS A SRA. DILMA E AO CONGRESSO, LEIA-SE PT, PMDB E PARTIDOS DA BASE, POR LEI TÃO POSITIVA PARA O CIDADÃO BRASILEIRO
As ruas das cidades brasileiras irão receber, a partir do dia 5 de julho, quando entra em vigor a Lei 12.403/11, nada menos que 80 mil criminosos egressos do sistema penitenciário. Aprovada pelo Congresso a nova lei foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff sem nenhum alarde nem publicidade.
A lei estabelece que crimes com penas máximas abaixo de 4 anos de detenção não serão mais passíveis de pena de prisão, mas apenas de punições alternativas como serviços comunitários e outras.
Crimes como furto, desacato à autoridade, atentado ao pudor e outros estão enquadrados nos benefícios da nova lei, que consagra a impunidade total para dezenas de delitos e de crimes que deveriam merecer uma severa penalização.
O Ministério da Justiça informa que os presos libertados serão monitorados por meio de tornozeleiras eletrônicas. “Essa lei é um grave equívoco”, afirma o desembargador Eduardo Pereira Santos, da 10ª Vara Criminal de São Paulo. “O Poder Executivo não investe no sistema penitenciário, mas não é por isso que a sociedade tem de arcar com a convivência com criminosos”.
O promotor paulista Marcelo Barone manifesta posição semelhante. “Com essa lei, a presunção relativa de inocência para um acusado se torna presunção absoluta, o que não existe em nenhum lugar do mundo”, afirma ele. “As cadeias, aqui, irão se tornar apenas hotéis de trânsito” .
A legislação foi uma maneira que os parlamentares, com apoio do governo, encontraram para diminuir a superlotação do sistema carcerário nacional. Com ela, nada menos que 20% dos atuais presos poderão estar de volta às ruas.
O déficit de vagas nas penitenciárias é estimado em 180 mil, isso sem contar que existem 500 mil mandatos de prisão em todo o país que não foram nem serão cumpridos por falta de vagas nas atuais prisões existentes.
A proposta de vigilância eletrônica, debatida no congresso da ONU sobre prevenção ao crime, formou uma espécie de consenso no governo de que esta é praticamente a única saída diante das condições críticas das prisões brasileiras. Dados oficiais mostram que o número de detentos aumenta 7,3% ao ano.
Nos últimos 20 meses, os mutirões do Conselho Nacional de Justiça tiraram da prisão 21.280 pessoas, todas elas presas indevidamente. Muitas já tinha cumprido pena ou nem tinham sido julgadas e estavam presas por tempo superior ao prazo legal.
Indaga-se quem será o responsável pelos milhares de delitos que serão praticados por estes 80 mil criminosos se antecipadamente qualquer um, que tenha bom senso, sabe que a maioria voltará a praticar os mesmos crimes ou ainda piores?

sexta-feira, 23 de maio de 2014

RITA LAVOYER


LEVE O GUARDA-CHUVA!

Rita Lavoyer

Quando precisar sair para algum lugar e sentir que os seus batimentos cardíacos dão mais movimentos à malha da sua camiseta, leve o guarda-chuva, esteja o tempo fechado ou não!
Esteja com ele ao alcance das suas mãos quando sentir que os seus mindinhos dos pés lhe dão sinais de que precisam se refrescar.  Descalce-se e, naquela dobrinha que todos os cabos dos bons guarda-chuvas têm, pendure o par do seu calçado. Querendo continuar a sua caminhada, prossiga! Achando por bem deixar nesta etapa o seu guarda-chuva com o seu calçado pendurado, deixe-os!

Caminhe até onde os seus pensamentos não lhe acusarem da perda do guarda-chuva. Achar que ele ainda está naquela etapa é um direito que somente o retorno lhe dará o privilégio de ter ou não certeza.
Quanto a chuva: não fuja de nenhuma, tendo ou não um guarda-chuva ao seu alcance! 
http://ritalavoyer.blogspot.com.br/

segunda-feira, 19 de maio de 2014

EDMAR OLIVEIRA



NAS ASAS DE BRASÍLIA


(Edmar Oliveira)
 
Outra vez em Brasília. Desta feita para apresentar o meuTerra do Fogo ao planalto central. No Feitiço Mineiro, num programa duplo com Chico Salles lançando o seu cd com músicas do Sampaio. E Brasília recebeu a gente muito bem. No lançamento do livro, o Chiquinho, da livraria do Chico, um sertanejo de Picos que veio plantar livros na Universidade de Brasília, apresentou minhas letras, do que fiquei muito orgulhoso. Chiquinho é um personagem de um livro que conta a história da Universidade. Ele faz parte desta história e já foi entrevistado do Fantástico como um cultivador da cultura no planalto central do país.

Fui prestigiado pelo Nicolas Behr, o poeta que se confunde com a cidade que escolheu pra cantar. Ele ainda me presenteou com seu Brasília de A a Z, cidade-palavra que mapeia o território afetivo do planalto. Climério e Clodo me trouxeram um abraço que tomei como sendo também de Clésio, a trindade una do São Piauí. A poeta Noélia, atarantada como as quadras da cidade numérica, também me veio abraçar. Sua generosa irmã Fátima, que se chama “de Brasília” e Paulão, que nos batuques evoca o Liga Tripa, são amigos do peito. O também poeta e músico Léo Almeida e sua Josélia lá estavam. Graça Sousa, Nádia, Chico Alves, Dione, Pereirinha, Suzana, Naná, Chacal, Júlio e uma porção de amigos, que citando estes, sou injusto com aqueles. A Nação Piauí que a Raimundinha arrebanhou me fez uma presença especial. Fátima de Deus esteve neste como nos outros dois livros anteriores que apresentei a Brasília. Antônio José Medeiros, ex-secretário de cultura do Estado do Piauí e meu antigo professor das letras, me fez sentir importante. Maravilhosa foi a presença de um usuário da Saúde Mental de Brasília, que declarou acompanhar meu trabalho e veio atrás do meu primeiro livro “Ouvindo Vozes”. O esquecimento do seu nome me deixa endividado com a sua pessoa. Zé Mauro esteve de véspera e Paulo José chegou atrasado, mas veio.

Depois desse preâmbulo, o Chico Salles mandou ver, com músicos de Brasília, o som do Sérgio Samba Sampaio. Seu irmão Vicente e Conca faziam as honras da casa. E a plateia, surpreendentemente, cantava as letras das músicas escondidas do Sampaio. Ele que amou Brasília num blues que é a cara da cidade.

Denise, a viúva do Jorge Ferreira – o empresário da noite Planaltina –, ficou emocionada numa homenagem que lhe prestamos. Coincidentemente Jorge levou meu livro para tentar editar e conseguiu viabilizar um patrocínio para o cd do Chico. Apressado, como era, “queria ir pra Minas, errou o caminho e foi pro céu” nos versos de Climério e não chegou a ver o livro e o cd prontos. Tínhamos que lhe fazer uma justa homenagem no Feitiço, primeira casa do visionário que fez um Mercado Municipal numa cidade que nem município é. Mas Jorge era assim: “de tanto embebedar os poetas virou poeta também” (do poema citado).

Brasília nos foi gentil. E naquela noite voamos em suas asas. Cidade monumento. Segundo as profecias do poeta Nicolas Behr, “no turismo estelar, visitar as ruínas de Brasília é obrigatório para quem está de passagem pelo desabitado Planeta Terra”.

terça-feira, 13 de maio de 2014

PEDRO LUÍS VERGUEIRO



É realmente desanimador ler jornal hoje em dia. É uma leitura estressante porque não se publicam notícias (será que não há?) para levantar a moral do cidadão. Só notícia ruim, péssimas... Temos agora a Pasadena II! E o tentáculo podre foi mais longe: ao Japão ("Diretoria da Petrobras omitiu riscos sobre negócio no Japão" - Folha de São Paulo, 6/5/2014).  E os envolvidos são os mesmos: Gabrielli, Graça Foster e Cerveró, tendo por mentor o Luiz Inácio Lula da Silva. Além de outros não nominados na notícia, é claro. O nome da besteira é refinaria Nansei, em Okinawa, refinaria que somente se tornaria rentável com um investimento bilionário e, certamente, irrecuperável, de "ampliação e adaptação". E mais uma vez os "documentos internos" onde se analisou o "negócio" (bom para quem?) omitiram a realidade dos fatos, dentre os quais a impossibilidade de aumento da produção por força da legislação ambiental japonesa. Daí, ser esse também um mal negócio e um negócio mau. Ganância, no sentido de ambição desmedida, é o que denuncia a notícia: "A justificativa para comprar Nansei era 'expandir os negócios em mercados rentáveis no exterior', dado o 'expressivo crescimento do mercado asiático'" (sic). A resposta a mais essa infelicidade é a habitual já bastante conhecida: que a Petrobras "estava alinhada ao planejamento estratégico da época" (em 2008, dois anos depois da estratégia de Pasadena). Quousque tandem teremos de aguentar desastres tais? Desastres que vêm a lume em razão da existência do jornalismo investigativo. As eleições estão aí.

PEDRO LUÍS DE CAMPOS VERGUEIRO - pedrover@matrix.com.br
R.Lisboa,212 - S.Paulo - Tel:9.4102.6364 - RG:2.666.922

LIVROS/LANÇAMENTO




Depois do sucesso que teve com o livro Saga Brasileira - a longa luta de um povo por sua moeda - do qual sou fã incondicional - a amiga querida Miriam Leitão estreia agora no romance! E mergulha com sua narrativa em dois períodos sombrios da nossa história, a escravidão e a ditadura.

" Meio Minas, meio Rio.

Os fatos se passam no século XIX, nos anos 70 do século XX, e agora.

Os tempos correm paralelos e se misturam."

Pra quem estiver no Rio,

É hoje!  na Livraria da Travessa, Leblon, no Rio,

No dia 22, tem lançamento aqui em SP, na Livraria Cultura. #Euvou!

bjs 
Mona DORF

segunda-feira, 5 de maio de 2014

ROBERTO ROMANELLI MAIA




 
VOCÊ ABANDONOU
A SI MESMO!
 
Roberto Romanelli Maia
 
Escritor, Jornalista e Poeta
 
 
SE A VIDA NÃO SE APRESENTA DE FORMA COMPLETA, COMO VOCÊ GOSTARIA E NA ALMA VOCÊ SENTE QUE FALTA ALGO DE ESPECIAL, UM OU MAIS VALORES FUNDAMENTAIS PARA QUE VOCÊ SAIA DA ROTINA, DA MESMICE, E DA FALTA DE PERSPECTIVAS EM QUE VIVE, BUSQUE NOVOS CAMINHOS E SIGA POR NOVAS TRILHAS.
 
ELAS CERTAMENTE MUDARÃO A SUA VIDA.
 
E APRESENTARÃO NOVAS OPÇÕES PARA QUE VC POSSA SEGUIR ADIANTE, SEM O RANÇO, AS TRISTEZAS E DECEPÇÕES DO PASSADO E SEM OS LUGARES COMUNS QUE ACONTECEM TODOS OS DIAS.
 
SIM, QUER VOCÊ QUEIRA OU NÃO, A VIDA O CHAMA.
 
ELA ESTÁ A SUA FRENTE!
 
E ESSA DEVE SER UMA NOTÍCIA ESPECIAL QUE O MOTIVE A SE LEVANTAR, A CAMINHAR E A SEGUIR ADIANTE.
 
LEMBRE-SE DE QUE INDEPENDENTE DE TODA OU QUALQUER SITUAÇÃO EM QUE VOCÊ SE ENCONTRA, EXISTE DENTRO DE SUA ALMA E DE SEU CORAÇÃO UM PENSAMENTO FORTE, CAPAZ DE MODIFICÁ-LA.
 
POR QUE ACEITAR QUE VOCÊ É VITIMA E QUE OS OUTROS SÃO CULPADOS PELOS SEUS PROBLEMAS E DIFICULDADES NESSA VIDA?
 
SE TUDO O QUE ACONTECE É TOTAL OU PARCIALMENTE DE SUA RESPONSABILIDADE.
 
DE FORMA CONSCIENTE OU INCONSCIENTE MAS É!
 
PENSE DE FORMA POSITIVA E DESCUBRA DENTRO DE VOCÊ VERDADES E REALIDADES QUE O FARÃO FELIZ.
 
SIM, SER FELIZ IMPLICA NUMA POSTURA HUMILDE DE ACEITAR SER UM ETERNO APRENDIZ NESSA VIDA.
 
DE APRENDER PASSO A PASSO, TODOS OS DIAS, MESMO QUANDO ESSA APRENDIZAGEM SE FAZ OU SE TORNA DOLOROSA.
 
NÃO SE ESQUEÇA DE PERGUNTAR DENTRO DE VOCÊ, REFLETINDO E MEDITANDO ALGUNS MINUTOS, POR QUE ESTÁ SOFRENDO TANTO?
 
PARA DESCOBRIR COMO RECUPERAR SUA AUTO-CONFIANÇA E SUA ESPERANÇA EM DIAS MELHORES.
 
E AJUDAR VOCÊ COLOCANDO SUA CAPACIDADE, SUA INTELIGÊNCIA E SEU AMOR A FRENTE DE SEUS ATOS E DE SUAS OPÇÕES, ATITUDES E DECISÕES, NUMA CONEXÃO MAIS ÍNTIMA COM SEU INTERIOR.
 
REFLITA, PENSE MUITO, EM SER FELIZ E EM ENCONTRAR OS CAMINHOS QUE LEVARÃO VOCÊ A ESSA FELICIDADE QUE É, EM PRIMEIRO LUGAR, APENAS SUA.
 
SEM ESSA PERSPECTIVA E SEM ACREDITAR QUE MERECE SER FELIZ, VOCÊ NÃO DESCOBRIRÁ A LUZ NO FIM DO TÚNEL.
 
SIM, SABER VER, SENTIR, PENSAR, REFLETIR E AMAR,  SÃO COMPONENTES FUNDAMENTAIS DA ESSÊNCIA E DA NATUREZA HUMANA, QUE CONDUZEM À FELICIDADE.
 
ENTENDA, VEJA E SINTA A VIDA DE OUTRA MANEIRA E VOCÊ ENCONTRARÁ  RAZÕES, OBJETIVOS E MOTIVOS PARA MELHOR VIVER.
 
SE OS CAMINHOS ENCONTRADOS E TRILHADOS POR VOCÊ NÃO TROUXERAM A TÃO DESEJADA ALEGRIA DE VIVER E A FELICIDADE TÃO ALMEJADA, VOE MAIS ALTO, SOLTE-SE E BUSQUE COMPANHIAS QUE ESTEJAM DE BEM COM A VIDA. SERES HUMANOS QUE APRECIEM VOCÊ, E QUE ESTEJAM DISPOSTOS A COMPARTILHAR MOMENTOS DE ALEGRIA, DE CARINHO E DE AMOR.
 
NÃO FREQUENTE ESPAÇOS NEM LUGARES LÚGUBRES E SOMBRIOS; EM NADA AJUDARÃO VOCÊ A SAIR DO ESTADO NEGATIVO EM QUE SE ENCONTRA.
 
AO CONTRÁRIO, BUSQUE O VERDE DAS PLANTAS, SINTA A GRAMA A SEUS PÉS, APRECIE A BELEZA DO SOL, E RECEBA A LUZ QUE IRÁ ILUMINAR SEU CORPO, SUA ALMA E SEUS CAMINHOS NESSA VIDA.
 
SIM, SINTA O CALOR E A ENERGIA E A FORÇA QUE TAMBÉM EMANAM DE VOCÊ E QUE SE TRANSMITEM POR TODO O UNIVERSO.
 
BASTA VOCÊ ACREDITAR E QUERER!
 
AFINAL, O AMOR ESTÁ À FRENTE DE TODOS NÓS MAS POUCOS O SABEM RECONHECER E VALORIZAR!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

LEILA MÍCCOLIS



CAMPOS
À Adriane Garcia
Matadouros e açougues
me lembram demais
o horror de Auschwitz
com gente abatida
qual animais...
Leila Míccolis

quinta-feira, 24 de abril de 2014

NOVO CD DE FERNANDA TAKAI



Na Medida do Impossível
18/03/2014
A mineira Fernanda Takai dispensa apresentações. A cantora firma-se cada vez mais como uma das maiores vozes da música nacional, seja em seus trabalhos solo ou à frente do Pato Fu. Esse ano ela lança o seu primeiro álbum com composições suas, “Na Medida do Impossível”, produzido por John Ulhoa e lançado pela Deck.

O disco é composto por 13 faixas, entre inéditas e regravações, além de boas surpresas e parcerias inusitadas. Entre elas estão faixas escritas com Pitty (“Seu Tipo”), Marina Lima e Climério Ferreira (“Quase Desatento”) e Marcelo Bonfá (“De um Jeito ou de Outro”). Nas participações especialíssimas estão Zelia Duncan, que canta com Takai “Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme”, famosa na voz de Reginaldo Rossi, Samuel Rosa em “Pra Curar Essa Dor”, versão de John Ulhoa para a música de George Michael “Heal the Pain”, e Pe Fábio de Melo, na canção “Amar como Jesus Amou” (Pe. Zezinho), que ganhou uma versão eletrônica moderna feita pelo produtor japonês Toshiyuki Yasuda. Ainda estão no álbum “Doce Companhia”, versão feita por ela para uma música de Julieta Venegas e regravações de Benito di Paula (“Como Dizia o Mestre”) e Renato Barros (“A Pobreza”).FONTE:http://deckdisc.com.br/

FERNANDA TAKAI



BAIXE E OUÇA “SEU TIPO” DE FERNANDA TAKAI


O portal Natura Musical oferece para download legal e gratuito com exclusividade a música Seu Tipo, single do quarto disco da carreira solo de Fernanda Takai, que será lançado em março. 

“Tinha muita vontade de chamar a Pitty pra compor comigo. Finalmente aconteceu! Fazia tempo que eu não escrevia algo novo e ela também. Funcionou como o nosso catalisador pra voltar à composição”, comemora Takai. O novo álbum da vocalista do Pato Fu, “Na Medida do Impossível” (Deck/Natura Musical), foi selecionado pelo edital dedicado à produção musical mineira do programa Natura Musical em 2013.

“Há quase dez anos a cena mineira está no foco do Natura Musical e para nós é uma alegria muito grande poder participar desse momento da carreira da Takai, que é uma das artistas mais atuantes e contemporâneas da música produzida em Minas”, diz Fernanda Paiva, gerente de apoios e patrocínios da Natura.
fonte:www.naturamusical.com.br

A MORTE DE UM AMIGO



Escrevo sobre a vida cultural em Araçatuba,desde os anos 80. E fico sabendo que o escritor e colega JOSE ANTONIO  SILVA faleceu na última quinta-feira. Nos conhecemos aí por volta de abril de 1980, ele morando perto da Pça. São Joaquim,rua Wandenkolk. Trabalhava em cartório, lia muito, adorava os pré-socráticos,textos de VIRGÍLIO; leu GRANDE SERTÃO: VEREDAS, de  Guimarães Rosa/ Flaubert/Balzac e muita gente desta estirpe. Isso era raro em Araçatuba, naquela época, entre jovens beirando os 22 anos de idade. Por isso me aproximei dele,graças também ao amigo TARSO.
JOSÉ ANTONIO, escrevia seus contos datilografados e passava-os para minha apreciação -trocamos vários textos e opiniões ao longo de uns 5 ou 6 anos,até eu me mudar para Marília/sp. JOSÉ ANTONIO era um homem simples, humilde, inteligente, de bem com a vida. Lembro-me quando a casa dele foi tomada por um incêndio pavoroso nos anos 80, e ele se mantinha firme, forte, com esposa e filha, não se deixou abater pela tragédia. Liamos STRINDBERG, e diversos autores tidos como malditos em literatura. Fumava demais, disse a ele que parasse com aquela chaminé que lhe saia pelas ventas. Dava de ombros, por ser jovem, nos considerávamos intermináveis nos anos 80. Certa vez, diante de mim, ele enaltecia trovões assustadores que ressoavam sobre nossas cabeças - dizia que amava a força da natureza, a fúria das trovoadas e punha-se a dançar debaixo de chuva - Passávamos horas conversando sobre literatura,a vida, os amigos recentes,as perdas. Depois que fui para Marília, eu o encontrei poucas vezes, a vida tomava outros rumos para mim, fui reencontrá-lo trabalhando em escritório de advocacia perto do prédio da CIRETRAN, ainda fumante, agora apreciava os cachimbos. SEMPRE espirituoso, sempre achei que embora fumante, fosse viver por longos anos - Mas em verdade, acho que ele viveu intensamente o que desejou,e isso é o que importa,querido amigo JOSE ANTONIO  SILVA.
everi rudinei carrara/site telescopio.vze.com

quinta-feira, 17 de abril de 2014

CELIA MUSILLI/CLAUDIO WILLER



Há uns dois anos li os poemas inéditos de Claudio Willer que compõem o livro “ A verdadeira história do século XX.” Na época, fiz um texto com minhas impressões. Segue um trecho, acho que combina com este momento, quando acaba de ser lançado o filme “Claudio Willer, poesia em estúdio." Segue um fragmento do meu texto e o link do vídeo.
Imagens sobre imagens
“São poemas para se ler num só gole, eles nos chamam. Depois voltamos para uma segunda, terceira leitura para tentar apreender significados mínimos, filigranas de palavras e seus sentidos. “A verdadeira história do século XX” traz a respiração de um livro invisível e também se abre para o que é visível em nosso tempo: afetos e angústias, nas imagens que se sucedem nos cinemas, eclodindo em nossas cabeças como um chamado também ao filme interno. Você diz: “cinema, seu verdadeiro nome é confissão” e nossas impressões se ampliam. Não estamos sozinhos nesta sala, as vozes se somam, como se Reichenbach, Hitchcock e Bergman fossem interlocutores nos ensinando a ver os símbolos de perto, com o devido respeito também ao que não se revela. A arte sempre terá sentidos obscuros.
Fazer poemas sobre filmes é como um relato de sonhos, psicanálise delicada. Você tão artista quanto os diretores, como se fizesse o filme sobre os filmes, revestindo de camadas a eficácia estética. Das imagens à sintaxe ganha a poesia. E nosso olhar se derrete como “montanhas de manteiga ao sol.”
Depois ainda há um salto para dentro de emoções singulares. Entram o poeta surrealista e o poeta beat. O primeiro trançando cabelos e pensamentos sobre as cidades, poeta urbano dos monumentos sentimentais construídos com as musas, tantas, como num passeio de mãos dadas com uma galeria feminina. Nenhuma tem nome, todas são poesia, o tempo é subvertido, não há passado nem futuro, tudo corre num presente inapreensível, um tempo líquido, mobilidade sôfrega ainda em linguagem de cinema. Mas é a vida que passa, em cenas surreais sem o crocodilo de Pierre Schöller porque não há propriamente angústia. O exercício é lírico, de uma liberdade surpreendente, com a beleza acachapante dos colírios de palavras.
Vem o poeta beat, celebra o sexo e as orgias silábicas, a transgressão pelo corpo e pelo verbo, a construção de um mundo novo que ficou nos parques e nas praias, nos acampamentos onde havia tempo para o por do sol e o levantar da lua. Leviatãs do risco, magos da ousadia estética misturada à vida, experimentalismo na própria pele.
Poema depoimento, poema testemunha, poema como a respiração que buscamos de olhos fechados para abrir as portas da percepção. Sobretudo, a síntese de um grande caleidoscópio filosófico. Eis minha impressão sobre o livro.
Você agradece ao diretor de Persona por lhe dar a chance de criar o “mais hermético dos seus poemas.” Eu te agradeço por não te decifrar inteiramente. A arte sempre terá sentidos obscuros.
Célia Musilli.
O filme Claudio Willer, Poemas em Estúdio" acaba de ser lançado no Portal Cronopios. Traz a força da poesia de um mestre nas leituras deNatalia BarrosCelso de AlencarPaulo Sposati OrtizMaria Leite e do próprio Willer. A produção é de Valdir Rocha, com direção, pesquisa musical e montagem de Pipol Cronopios
LANÇAMENTO ONLINE. AGORA NO CRONÓPIOS.
http://cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=5819

sexta-feira, 11 de abril de 2014

GUSTAVO DOURADO/CORDEL PARA JOSÉ WILKER









Leiam a versão completa do Cordel para José Wilker, por Gustavo Dourado, que estará disponível em papel na II Bienal Brasil do Livro e da Leitura - Brasília, no estande da Academia Taguatinguense de Letras

Cordel para José Wilker
Por Gustavo Dourado

José Wilker foi embora:
Um ator "felomenal"...
Teve grande amor à vida:
Um personagem central...
Destaque na televisão:
Quintessência teatral...

Nasceu em Juazeiro do Norte:
Cearense, nordestino...
Em 1946:
Começou o seu destino...
Foi locutor de rádio:
Um intérprete cristalino...

José Wilker de Almeida:
Um grande ator brasileiro....
No começo, um figurante:
Teleteatro primeiro...
TV Rádio Clube - Recife:
Um trabalho pioneiro...

Em Um Bonde Chamado Desejo:
A primeira aparição...
Peça de Tennessee Williams:
Mestre da elaboração...
Fez papel de cobrador:
Com excelente atuação...

Movimento Popular de Cultura:
Arte contra a opressão...
Como ator profissional:
Teve a iniciação...
No Partido Comunista:
Dialética no Sertão...

Realizou documentários:
Sobre cultura popular...
Direção de espetáculos:
Antes do Golpe Militar...
Com Eduardo Coutinho:
Fez a arte de filmar...

Wilker interrompido:
No inicio da ditadura...
Foram tempos de terror:
De tirania obscura...
Tortura do pensamento:
Burocracia e censura...

Saiu de Pernambuco:
Para o Rio de Janeiro...
Sociologia na PUC:
O teatro vem primeiro...
Deixou a faculdade:
Pra atuar no tabuleiro...

Morte e Vida Severina:
Presença espetacular...
João Cabral de Melo Neto:
Deu o mote pra atuar...
Teatro Jovem, Opinião:
Wilker, ator invulgar...

Em 1968:
Revolução era o tema...
O Arquiteto e o Imperador da Assíria:
No Teatro de Ipanema...
Com Fernando Arrabal:
Deu um choque no sistema...

Gabriela, de Jorge Amado:
Foi Mundinho sedutor...
Em filmes de Cacá Diegues:
Bye Bye, Brasil, um primor...
Conquistou vários prêmios:
Molière de Melhor Ator...

Dona Flor e Seus Dois Maridos:
Vadinho erótico em ação...
Corpo Santo, Anos Rebeldes:
Agosto, Os Ossos do Barão...
O Fim do Mundo, Bem Amado:
Insensato Coração...

Atuou em Xica da Silva:
Teve a vida como tema...
Como Antônio Conselheiro:
Em Canudos, um dilema...
José Wilker com maestria:
Fez da vida um poema...

Roque Santeiro impecável:
Com a viúva Porcina...
Muitos amores na vida:
Renée, Cláudia e Guilhermina...
A Dias Gomes dissecou:
Com atuação cristalina...

Viveu o doutor Herbert:
Novela Amor à Vida...
Trama de Walcyr Carrasco:
Em sua longa avenida...
Rodrigo, em Anjo Mau:
Foi fecunda a sua lida...

Alquimista teatral:
Artista de trato fino...
Fez Tenório Cavalcanti:
E o Coronel Jesuíno...
Ator de alta qualidade:
Tinha alma de menino...

Sai de Baixo, A Falecida:
Era mestre no humor...
Um craque na narrativa:
Do Oscar, apresentador...
Wilker foi magistral:
Um fenômeno como ator...

Bandeira 2, TV Globo:
O Bofe, Caso Especial...
Cavalo de Aço, JK:
Veia e verve teatral...
Fundou o grupo Chegança:
José Wilker atemporal...

José Wilker dramaturgo:
Pensamento criador...
Teatro, cinemagia...
A verve de escritor...
Artesão da infinitude:
Um ativista do Amor...

Romance à flor da pele:
Sapiência do cordel...
Astúcia de saltimbanco:
Fez da arte, leite e mel...
Transmutador da imagem:
E fôlego de menestrel...

Roque Santeiro proibida:
Pela Censura Federal...
Aprovada na Abertura:
Um sucesso sem igual...
Ditadura nunca mais:
Liberdade essencial...

Giovanni Improtta, um marco:
Em Senhora do Destino...
De Aguinaldo Silva:
O tempo ruge felino....
Wilker fenomenal:
Artista diamantino...

Presença em 60 filmes:
Foi crítico e diretor...
Gostava da narrativa:
Era apresentador...
Em dezenas de novelas:
Destacou-se como ator...

Deixo aqui na poesia:
Minha singela homenagem...
Ao grandioso ator:
Que segue a sua viagem:
Pelas sendas do destino:
Além da Terceira Margem...

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Ênio José Toniolo



MARÇO DE 1964
Em março de 1964 eu era calouro na Universidade Federal do Paraná. Vivi tudo. O governo Jango (em quem eu tinha votado) era fraco e confuso; a corrupção corria solta, embora menos ostensiva que hoje;  greves pipocavam por toda a parte; a inflação beirava os 90% e o PIB diminuiu 2% num ano. O país andava devagar, quase parando. A maioria do povo e da imprensa praticamente imploravam a derrubada do governo, e a conspiração foi de início encabeçada pelos civis: governadores Lacerda, Ademar, Menegheti e Magalhães Pinto.  Ney Braga, da esquerda católica, ficou em cima do muro o quanto pôde. A população saiu ordeiramente às ruas,  nas imensas Marchas da Família com Deus pela Liberdade. As fotos estão aí, nas coleções de jornais.  As Forças Armadas saíram dos quarteis quando os janguistas começaram a quebrar a sua disciplina.
Dia 31 (e não primeiro de abril, como às vezes inventam) o general Mourão Filho desceu de Minas, deu a partida,  e o castelo de cartas desmoronou sem um tiro sequer. Os “defensores do povo”,  que juravam estar prontos a morrer por ele,  pegaram suas malas de dinheiro e refugiaram-se nas embaixadas e nos países vizinhos.  Fala-se na ajuda ianque; mas no enfrentamento com a URSS leninista, que esperar dos Estados Unidos?  Que aplaudissem a provável vitória  vermelha no Brasil?  Ora, não sejamos tão ingênuos!
Os desfiles de agradecimento às Forças Armadas, nos primeiros dias de abril,  foram monumentais e mostravam de que lado estava a opinião pública.   Mas esperava-se que a intervenção militar fosse cirúrgica e de pouca duração, já que os governadores, vários deles candidatos à presidência, ansiavam pela eleição de 1965. Nada feito: os generais gostaram do poder, ou desconfiavam dos civis.
Começaram os ataques gerrilheiros e terroristas, com a desculpa de “retorno à democracia”. Pura propaganda enganosa. A escola deles, no sentido literal e figurado, era a ditadura cubana, onde vários deles estagiaram – e fizeram cirurgia plástica...  Claro que houve prisões, torturas e mortes. Era uma guerra, e pouco limpa. As luvas de pelica ficaram no tempo dos Três Mosqueteiros. Quem realmente pelejou pela redemocratização foi o PMDB. E, quisessem ou não, deu nisso que está aí.
No balanço: de dois males, devemos escolher o menor. Em 1932, São Paulo merecia torcida contra Getúlio; em 1939, os Aliados eram melhores que o Eixo;  em 1964,  os militares eram preferíveis à República Sindicalista em gestação.
 TELA: SALVADOR DALÍ
Ênio José Toniolo

sexta-feira, 21 de março de 2014

CLAUDIO WILLER


O ESCRITOR E AMIGO CLAUDIO WILLER em foto histórica /1967
no-xingu-em-1967-conversando-com-kanato-chefe-ulapiti1
http://claudiowiller.wordpress.com/