quarta-feira, 30 de julho de 2014

HEITOR SCALAMBRINI COSTA






Pernambuco e os conflitos socioambientais

Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco

Em Pernambuco, o mais mesquinho dos egoísmos é como o governo tem tratado mal a questão ambiental e descuidado da qualidade de vida de sua população, pois não protege a natureza e nem respeita as pessoas. Aqui impera o racismo ambiental.
O crédito público associado às isenções e aos incentivos fiscais e financeiros são armas poderosas que poderiam ser usadas para induzir um novo tipo de comportamento, exigindo integral e verdadeira responsabilidade social das empresas que viessem a se instalar no Estado. Quase a metade do crédito, todo de longo prazo e módicos juros, vem de bancos públicos muitas vezes avalizados pelo governo estadual. Logo, se o governo quisesse, outra forma de desenvolvimento (humano e social) seria possível: bastava induzir boas práticas através de sua força econômica, mudando os incentivos.
Ao invés disso, o governo estadual é o maior promotor de conflitos socioambientais, como nas remoções forçadas dos moradores para as obras da Copa, provocando também degradação ambiental. Merece também destaque a violência praticada pela empresa pública Suape contra os moradores nativos do território abrangido pelo Complexo Industrial Portuário de Suape (CIPS), e o desmatamento local de Mata Atlântica, manguezais e restingas. Somente para citar dois exemplos.
Os primeiros quatro anos de gestão do ex-governador, agora candidato presidencial, foi uma verdadeira catástrofe ambiental, se caracterizando como um governo autoritário, com promessas ilusórias, sem dialogo com os setores da população (quem participou dos seminários do Todos por Pernambuco sabe bem como funcionou), desconsiderando completamente as argumentações daqueles que ousaram apontar as mazelas que estavam ocorrendo em função do crescimento econômico desordenado e predatório, particularmente com relação ao território do CIPS. O autoritarismo aliado à completa falta de dialogo distanciou a gestão estadual dos movimentos sociais.
Foram inúmeras medidas desastrosas adotadas em nome do crescimento econômico, obedecendo a uma mentalidade que tem base na visão ultrapassada do “crescimento a qualquer preço”, ignorando a dimensão sócio-ambiental. O mais lamentável foi o Projeto de Lei Ordinária no 1496/2010 (17 de março) enviado pelo executivo a Assembléia Legislativa (Alepe) referente à maior supressão de mata nativa já ocorrida em Pernambuco (e talvez no Nordeste). Inicialmente previa desmatar cerca de 1.076 hectares (equivalentes a 1.000 campos de futebol) de vegetação nativa em áreas de preservação permanente para obras de ampliação do CIPS. Após pressão e indignação popular este montante foi reduzido para 691 ha (508 de mangue, 166 de restinga e 17 de Mata Atlântica).
A aprovação ocorreu mesmo com o parecer contrário da Comissão de Meio Ambiente da Alepe, que já questionava a supressão dos 88,7 ha de mangue e restingas entre 2007 e 2008, cujas compensações ambientais não haviam sido cumpridas pela empresa Suape, que por sucessivos anos desdenhou do Ministério Público, assinando Termos de Ajustes de Condutas (TAC´s) que não foram respeitados.
Outro empreendimento, em nome de um crescimento econômico a cada dia mais questionado, que resultou na agressão ao que ainda resta da vegetação da Mata Atlântica (somente 3,5%), foi à implantação e pavimentação do contorno rodoviário do município do Cabo de Santo Agostinho, a chamada “Via Expressa”. Dos 11,8 ha suprimidos, 2,6 ha estão localizados em áreas de preservação permanente.
Outra decisão também equivocada na área ambiental, que mostra claramente a inequívoco desprezo pelo meio ambiente e pelas pessoas, foi à opção por tornar Pernambuco um pólo de termoelétricas consumidoras de combustíveis fosseis (o vilão do aquecimento global). A tentativa de trazer para o Estado a maior (e a mais poluente) termelétrica a óleo combustível do mundo, anunciada pomposamente, em julho de 2012, como Suape III (1.450 MW), foi rechaçada pela sociedade pernambucana. Se tal construção fosse realizada, em pleno funcionamento iria despejar, segundo cálculos preliminares, em torno de 20 mil toneladas dias de gás carbônico (CO2). Todavia, a termoelétrica Suape II (320 MW), construída para ser acionada apenas em situações de emergência, funciona diariamente. Ainda na área energética/ambiental, merece destaque o interesse do governador, agora presidenciável, pela vinda da usina nuclear, anunciada inicialmente para o município de Itacuruba, a 512 km de Recife, no sertão, às margens do Rio São Francisco. Com uma biografia dessas na área ambiental, no seu segundo mandato o ex-governador tentou colorir de verde o seu governo. Para isso cooptou seu ex-adversário, candidato do PV a governador, oferecendo-lhe a recém-criada Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade.
Algumas ações foram possíveis, utilizando a figura pública do ex-secretario, que atuou e militou, até então, nas causas ambientais. Com o apoio intensivo da propaganda e do marketing político foi divulgado alguns projetos nesta área. Foram criadas reservas de proteção permanente “de papel”, foi lançado o projeto Suape Sustentável (que até agora não disse para que veio), dentre algumas medidas de caráter midiático. Além disso, foram abertas algumas portas para a projeção a nível nacional e internacional da figura do governador como amigo da natureza, já que a Conferencia Rio+20 se aproximava e se tinha que fazer algo pela imagem do governo na área ambiental.
De 13 a 15 de abril de 2012, aconteceu no Recife uma reunião denominada “Pernambuco no Clima” com o patrocínio do Governo Estadual, da Prefeitura do Recife e da Companhia Hidroelétrica do Rio São Francisco (CHESF). Este evento, como anunciado pelos seus organizadores, foi uma reunião preparatória do Rio-Clima (The Rio Climate Challenge), que ocorreria paralelo a Conferencia Rio +20, no Rio de Janeiro. Nesta reunião, como atestou à relação de participantes, a sociedade civil organizada ficou de fora. Marcaram presença entidades e personalidades com fortes vínculos com o governo nas três esferas, além de personalidades e cientistas nacionais e internacionais que contribuíram para avalizar o aspecto técnico do referido encontro.
Para tornar Pernambuco uma das sedes dos jogos da Copa das Confederações e da Copa do Mundo, não foram medidos esforços no comprometimento financeiro do Estado e na tomada de medidas socioambientais injustas. Segundo a Secretaria Geral da Presidência da República 1.830 desapropriações ocorreram, sendo 1.538 residências e 292 imóveis comerciais, terrenos, para as obras ligadas a Copa do Mundo de 2014. A truculência das expulsões e as irrisórias indenizações caracterizaram este triste e inesquecível episodio imposto pelo governo do Estado. Somente a construção da Arena Pernambuco e da Cidade da Copa resultou no desmatamento de uma área considerável do fragmento da Mata Atlântica no município de São Lourenço da Mata, situado a 20 km de Recife. O projeto previsto da Cidade da Copa (não executado) abrangeu uma área de 239 ha para construção de todos os equipamentos (prédios residenciais e um hospital). A Arena, única construção existente no local, ocupou cerca de 40 ha desse total.
Hoje a situação não mudou. O que era já planejado na época se concretizou com o lançamento do ex-governador como candidato a presidente. A ex-senadora e ex-ministra do meio ambiente do presidente Lula foi incorporada na chapa que disputará as eleições de outubro próximo. Algo de um pragmatismo exemplar na política brasileira diante das diferenças abismais entre os pensamentos e as ações de ambos em suas respectivas vidas públicas. Mas a politicagem brasileira sempre nos reserva surpresas.
A Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade segue não mãos do partido Verde. E este tem demonstrado o quanto é utilizado, dirigindo uma secretaria de quinto escalão. Problemas ambientais gravíssimos existem em todas as regiões do Estado, e a SEMAS segue o seu caminho.
Apesar das recentes promessas, que não são poucas, a chapa da “nova política” , como se denominam seus integrantes, não é confiável na área ambiental. Mais recentemente demonstrou total desrespeito a inteligência alheia, quando no dia mundial do meio ambiente (5 de junho) a população foi convocada, pelo agora defensor da natureza, o ex-governador pernambucano, a se manifestar através das redes sociais contra o “retrocesso ambiental” do governo federal. A convocação tinha sentido, mas não tinha quem a convocou.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

LANÇAMENTO CD



Estou lançando a musica "Todo dia é dia" do cantor e compositor "Nell Filho" que está disponivel no sitewww.tododiaedia.art.br  para baixar gratuitamente.
Baixe e  compartilhe com seus amigos.

Rogério Motta-Manager
(11) 98861-8390

CLAUDIO WILLER



Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico é um guia de leitura para quem quiser saber mais sobre autores beat e seus antecessores. Trata de temas fascinantes, como as rebeliões religiosas e manifestações de anarquismo místico ao longo da história, e suas sincronias com a contracultura e rebeliões contemporâneas. O ponto de partida, a frase de Jack Kerouac em Visões de Cody. “Tudo me pertence, porque eu sou pobre”. É comparada a observações do historiador Norman Cohn sobre os anarquismos místicos medievais como o Espírito Livre: “a pobreza, propriamente observada, abolia todo pecado; daí seguia-se que os pobres podiam, por exemplo, fornicar sem pecado.” E mais: “uma expressão dessa atitude era ainda um erotismo promíscuo e misticamente colorido [...] pois para os ‘sutis em espírito’ a relação sexual não pode, em quaisquer circunstâncias, ser pecaminosa.”
Além desses paralelos de capítulos da história ainda pouco estudados com o pluralismo beat, o ensaio é sobre valor literário e substância filosófica em Allen Ginsberg, Michael McClure, Gregory Corso, Gary Snyder; em William Burroughs; e especialmente em Kerouac, autor ainda controvertido, apesar do crescimento da bibliografia sobre ele. É também sobre política; sobre a crítica beat, mostrando como Ginsberg e seus amigos anteciparam, lucidamente, temas de um debate contemporâneo. Daí o crescimento dos leitores e das edições, ensaios e adaptações, atestando sua importância.
fonte: claudio willer

sexta-feira, 27 de junho de 2014

HOLANDA DETONANDO O CHILE!!



CHUPA!!!!!!!!!!!!!!
Final de Partida | Holanda 2-0 Chile | Gols: Leroy Fer e Memphis Depay |#Huporanje
MULHERES HOLANDESAS!!


sexta-feira, 6 de junho de 2014

RAQUEL NAVEIRA




QUI, 05.06.2014
Gato de Botas
Ele sabe quando preciso dele e fica por perto, esfinge enigmática
Raquel Naveira
Para o Portal Top Vitrine
Toda vez que meu gato sobe de mansinho na cama e suavemente se aninha em meu peito, os olhos amarelos me fitando com inteligência e ternura, penso que ele se parece muito com o Gato de Botas do conto de fadas. Imagino que ele me diz:

- Não fique triste por ter recebido de herança da vida um gato. É certo que aquele moleiro deixou para o filho mais velho o moinho com o qual ele poderia fazer farinha; para o do meio, um burro para o serviço pesado de transportar cargas e para o caçula, um gato. Mas era um gato mágico, de uma esfera superior, de um nível mais elevado da consciência, como eu. Vá, junte suas forças, compre-me um par de botas e você não vai se arrepender por ter me acolhido quando caí de uma janela do edifício Copan  e me dado comida e carinho.

Nesse ponto, ele salta da cama e passeia pelo apartamento ronronando, arrepiado, todo cheio de uma energia negativa que estava em mim, que ele já sugou e transformou em sentimento e compreensão.

O Gato de Botas saiu pelo mundo, com suas botas de couro pretas, com suas artimanhas. Conseguiu convencer a aldeia e o rei de que pertencia ao fidalgo Marquês de Carabás. O rei ficou encantado com as notícias sobre o Marquês: moço fino, educado, dono de propriedades, corajoso a ponto de acabar com o ogro gigante que ameaçava o reino. Deu assim, como recompensa, a mão de sua filha em casamento ao jovem.

Personagem que ironizava a corte francesa antes da Revolução, o Gato de Botas foi uma espécie de publicitário, difundindo e promovendo com técnicas de comunicação apurada as virtudes e os feitos de sua marca, de sua criação: o Marquês de Carabás. Os campos cultivados de trigo, o palácio no meio do bosque, o gigante reduzido a um rato e devorado, pela narrativa e astúcia do gato, foram conquistas atribuídas ao tal Marquês. Com imagens, ambiguidade e dando ordens determinadas e imperativas, o gato potencializou o valor de um produto, persuadindo o rei a comprar uma ideia: a união da princesa com o idealizado Marquês de Carabás. O Marquês passou a ser um reflexo do próprio rei: de sua juventude distante, de suas mais altas aspirações.

Lá vem de novo, sinuoso, o meu gato. Ele sabe quando preciso dele e fica por perto, esfinge enigmática. Dessa vez posso ouvi-lo nitidamente:

- Sou seu Gato de Botas. Ainda vou assistir a festas, celebrações, vitórias com pompa. Estou trabalhando por aí, pelejando pelo alto dos telhados, miando para a lua, planejando, sonhando, fazendo propaganda de seus dons, de sua arte. Logo, logo você receberá uma coroa e eu um novo par de botas com cordões encarnados e preciosos diamantes. Seremos felizes. Tenha calma, paciência, perseverança, autodomínio, confie no meu instinto caçador, minha dona. Observe como vivo apenas um dia de cada vez e com silêncio e elegância. Não queira desvendar mistérios antes da hora.

Passo a mão sobre seu pelo lustroso. Agradeço sua presença. Ele é meu Gato de Botas. Tenho fé.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

ROBERTO ROMANELLI MAIA









NO DIA 05 DE JUNHO ESTARÃO SOLTOS NAS RUAS DE NOSSO PAÍS 80 MIL CRIMINOSOS
AGRADEÇAMOS A SRA. DILMA E AO CONGRESSO, LEIA-SE PT, PMDB E PARTIDOS DA BASE, POR LEI TÃO POSITIVA PARA O CIDADÃO BRASILEIRO
As ruas das cidades brasileiras irão receber, a partir do dia 5 de julho, quando entra em vigor a Lei 12.403/11, nada menos que 80 mil criminosos egressos do sistema penitenciário. Aprovada pelo Congresso a nova lei foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff sem nenhum alarde nem publicidade.
A lei estabelece que crimes com penas máximas abaixo de 4 anos de detenção não serão mais passíveis de pena de prisão, mas apenas de punições alternativas como serviços comunitários e outras.
Crimes como furto, desacato à autoridade, atentado ao pudor e outros estão enquadrados nos benefícios da nova lei, que consagra a impunidade total para dezenas de delitos e de crimes que deveriam merecer uma severa penalização.
O Ministério da Justiça informa que os presos libertados serão monitorados por meio de tornozeleiras eletrônicas. “Essa lei é um grave equívoco”, afirma o desembargador Eduardo Pereira Santos, da 10ª Vara Criminal de São Paulo. “O Poder Executivo não investe no sistema penitenciário, mas não é por isso que a sociedade tem de arcar com a convivência com criminosos”.
O promotor paulista Marcelo Barone manifesta posição semelhante. “Com essa lei, a presunção relativa de inocência para um acusado se torna presunção absoluta, o que não existe em nenhum lugar do mundo”, afirma ele. “As cadeias, aqui, irão se tornar apenas hotéis de trânsito” .
A legislação foi uma maneira que os parlamentares, com apoio do governo, encontraram para diminuir a superlotação do sistema carcerário nacional. Com ela, nada menos que 20% dos atuais presos poderão estar de volta às ruas.
O déficit de vagas nas penitenciárias é estimado em 180 mil, isso sem contar que existem 500 mil mandatos de prisão em todo o país que não foram nem serão cumpridos por falta de vagas nas atuais prisões existentes.
A proposta de vigilância eletrônica, debatida no congresso da ONU sobre prevenção ao crime, formou uma espécie de consenso no governo de que esta é praticamente a única saída diante das condições críticas das prisões brasileiras. Dados oficiais mostram que o número de detentos aumenta 7,3% ao ano.
Nos últimos 20 meses, os mutirões do Conselho Nacional de Justiça tiraram da prisão 21.280 pessoas, todas elas presas indevidamente. Muitas já tinha cumprido pena ou nem tinham sido julgadas e estavam presas por tempo superior ao prazo legal.
Indaga-se quem será o responsável pelos milhares de delitos que serão praticados por estes 80 mil criminosos se antecipadamente qualquer um, que tenha bom senso, sabe que a maioria voltará a praticar os mesmos crimes ou ainda piores?