segunda-feira, 20 de junho de 2011

7 ANOS SEM LEONEL BRIZOLA


Nesta terça-feira, dia 21 de junho, o calendário registra o sétimo ano da morte de Leonel de Moura Brizola. Nesse dia, a igreja católica lembra São Luís Gonzaga, o jovem que recusou o fausto de uma vida aristocrática para dedicar-se à evangelização, tendo morrido com pouco mais de 20 anos. Daí ser o "Patrono da Juventude". Já a literatura lembra o nascimento de Machado de Assis, em 1839.

O 21 de junho é também o Dia da Mídia, que coincidência, e, mais emblemático ainda, é o dia em que começa o inverno em nosso país, quando o frio deita e rola, como pode? Mas para este escriba inconformado, essa data é um marco dramático: depois da morte do caudilho, em circunstâncias surpreendentes, a história do Brasil sofreu um colapso fatal. Parou no tempo e no espaço. E o povo perdeu aquele que mais ousou, que fez da coragem o exemplo infelizmente abandonado.

Como Leonel de Moura Brizola não existirá mais ninguém. Ele não chegou à Presidência da República, como sua ex-pupila Dilma Rousseff, mas e daí?

Fosse o triunfo a qualquer preço o elemento de avaliação não existiria nem o cristianismo. O enviado do Deus todo poderoso foi sacrificado na cruz porque incomodava os "sábios do templo". E, segundo a Bíblia, quando os sacerdotes judeus pediram sua cabeça a Pilatos, Jesus Cristo foi abandonado por seu povo, que preferiu Barrabás, o zelota que atacava os dominadores romanos, em ações de "guerrilha".

E não existirá mais ninguém porque o mundo hoje é dos ambíguos e dos transgênicos. É o mundo em que a biruta é a referência única dos profissionais da vida pública, todos, sem exceção: os indignados rabugentos ou estão a sete palmos ou são tratados como loucos desvairados, inconvenientes e jurássicos.

Ninguém nestas terras ousaria mais o embate desigual contra a potência imperial, muito menos contra a mais poderosa rede midiática do mundo, inflada no auge do obscurantismo e feita guardiã implacável da lavagem cerebral massiva e da imbecilidade compulsiva, graças às quais o charme da meninada que ainda podia espernear esmaece no gáudio das prebendas, ou se esvai no delírio ensimesmado ou na fuga dos alucinógenos hodiernos.

O trágico na lembrança de Leonel de Moura Brizola foi o corte epistemológico que su a morte encerrou, como se a tirania das elites houvesse ordenado a estigmatização de seu dístico. Uma corte inquisitorial oculta vedou as portas do destino a tudo o que lhe dizia respeito: suas idéias, seu modo de ser, seus compromissos, seus sentimentos combatentes.

Lembrar Leonel de Moura Brizola hoje é apenas mandar rezar uma missa. Suas barricadas foram desmontadas, pelo menos nestes dias arrivistas. Seus "continuadores" trocaram as armas da eloquência varonil pelo pires na mão.

Em seu nome, servem a Deus e ao diabo, bastando que se lhes saciem a gula anã. Já não ousam o despojado sonho de um porvir soberano e justo. Cuidam, tão somente, de encherem suas burras com as sobras dos podres poderes.

Não acreditam mais, ou talvez nunca acreditaram, na virtude das idéias. Não diferem dos outros, todos esses empostados que lavam as mãos com alcool depois de cumprimentarem os maltrapilhos. Que se dizem em pú blico vestais dos bons modos, mas que, protegidos pela penumbra dos conluios, se jogam de cabeça na roleta das negociatas em causa própria.

Uns aindam dizem no devaneio ou na má fé que Brizola vive. Onde? Como? Quem lhe segue os passos nos confrontos com os senhores do mundo? Hoje, lamento constatar, o brizolismo que se declara como tal, de propriedade lavrada em cartório, não passa de uma troça eleitoreira destinada tão somente a catapultar os mais espertos de seus restos mortais?

Não pense que falo de um ser sobrenatural. Longe disso. Alma camponesa, ele próprio se enredou em erros elementares, frutos de um modo de ser desconfiado. Tinha mais olhos para os oportunistas subservientes do que para os divergentes leais. Nem sempre preservou a coerência em seus atos, e olha que a coerência ainda era uma de sas virtudes.

Sua sensibilidade epidérmica o levava a reações passionais. Não era um político, n a acepção da palavra. Não gostava de ser questionado em público e falava muito mais do que ouvia. Ouvir, aliás, não era seu forte, a não ser o canto dos bajuladores. Faltava-lhe inclusive visão estratégica na compreensão do processo histórico.

Mas esse ser político tão despreparado para o jogo do poder, era, porém, até por isso, a dignidade em pessoa. O patriotismo que o moldou ainda nos pampas era mais relevante do que tudo o mais. A identificação natural com os oprimidos o fazia mais legítimo defensor das causas sociais do que qualquer teórico do mundo novo ou mesmo qualquer ativista classista.

Leonel de Moura Brizola, enfim, é alguém cujos 82 anos de lutas ainda vão ser lembrados no futuro com o relevo que seus contemporâneos negam. Será uma lembrança rica pelo caráter singular de sua personalidade, por sua combatividade insone e pelo contexto infame desses anos terríveis que a tantos emporcalham.

Será o inventário do mais injustiçado dos brasileiros, cujo destemor contará no resgate de valores incorporados à sua história e enterrados em seu sepulcro.

Nesse então, palavras como patriotismo, justiça social, soberania nacional, educação decente e respeito à dignidade humana se fundirão numa única legenda: Leonel de Moura Brizola
fonte:jornal instantaneo/enviasdo por ester mansur

Nenhum comentário: