segunda-feira, 3 de junho de 2013

ENTREVISTA COM TOM ZÉ





Olha aí pessoal, desta vez fiz 5 perguntas para o genial compositor TOM ZÉ, um mestre da música, ícone da TROPICÁLIA , que segue influenciando artistas de diversas gerações.

1-querido TOM ZÉ,o nome do seu cd "PIRULITO DA CIÊNCIA" foi concedido por neusa  (sua esposa)e Charles Gavin? ficou jóia. às vezes, uma pessoa ao lado,tem melhor visão ou intuição sobre algum tema ou acontecimento do que o proprio autor,não? Acho que foi walter benjamim, que nos alertava que outros estudiosos enxergavam melhor a revolução francesa do que os próprios franceses...
Resposta – A sugestão foi de Charles Gavin, e logo aprovei. Tem um quê de humor, esse título, bem retirado por Charles dos versos da minha canção. Ele teve olho/ouvido, foi muiro preciso.

2- trabalhos maravilhosos seus como "cademar " (do disco TODOS OS OLHOS) teve uma mão poética do saudoso AUGUSTO DE CAMPOS - comofoi sua convivencia com AUGUSTO,HAROLDO E DECIO PIGNATARI?
Resposta – Everi, pode editar, mas, dos três,  Augusto é o que está vivíssimo e trabalhando, sempre pinta alguma tradução ou trabalho dele. Quando perguntei sobre “Cademar” ele disse que a letra já estava pronta, com aquela acuidade que o caracteriza. Um dos livros de Décio, “Informação, Linguagem, Comunicação” é uma bíblia, sempre o tenho por perto. São três luminares, de uma informação abissal, e foram definitivos na formação de uma geração que tem, hoje, uns 40 ou mais anos. 

 3- ESTA frase sua:“Porque o tipo de inteligência a que eu me refiro e que procuro na minha música não é uma inteligência cartesiana, que a universidade ensina. As pessoas do povo têm uma inteligência que a gente ignora, uma inteligência não-cartesiana, não-aristotélica. Eu trabalho pra elas.” eu me lembrei de VILA- LOBOS, que fazia uma música com forte influencia de sua gente,do folclore brasileiro,sem ser xenófobo,porque ele era influciado por JOHN SEBASTIAN BACH (lembre-se das bachianas), era influenciado por compositores de seu tempo como CLAUDE DEBUSSY e outros - então, Voce sente que sua música chegou ao povão,mesmo não colecionando hits a cada ano ? Como é ser tão respeitado pelas novas gerações que te adoram como OTTO, FERNANDA TAKAI, adriana salmaso, RODRIGO AMARANTE,entre outros?

Resposta – Everi, os compositores do passado eram dançantes, fluíam, escoravam-se nos ritmos e melodias populares. Falo dos barrocos, dos românticos. Quando eu penso na minha gente, estou numa tradição secular, portanto.
Os hits são descartáveis, faz parte do chamado consumo de massa. Bem que eu gostaria que o grande público me ouvisse, mas os códigos do consumo de massa são outros. Sempre digo que faço música pra tocar na estação rodoviária. Se ela não tem plugue para todo o tipo de produção, continuo fazendo, trabalhando e pensando nas pessoas lindas que por lá circulam.
Fernanda Takai, ai, meu Deus, fez uma interpretação deslumbrante de “Menina, amanhã de manhã”. Ela é muito inteligente, junta inteligência e sensibilidade no mesmo retrato. Adoraria ver Fernanda cantando outras coisas minhas, ela descobre outro rosto na canção. Falei duas vezes em retrato e rosto, falando dela. É curioso. Otto, que artista da percussão, excelente e Rodrigo Amarante, que intérprete! Você falou de gente boa. Mas cuidado, Everi querido, você falou em Mônica Salmaso , não é? Uma dama do canto.

4 - Como foi trabalhar com LANNY GORDIN em "Irene", no final dos anos 60 -  nesta epoca, o saudoso maestro ROGÉRIO DUPRAT, era um grande amigo dos tropicalistas, o que voce tem a dizer musicalmente sobre duprat e lanny gordin?
Resposta – Sobre os maestros, digo que eles adequaram uma roupagem preciosa ao Tropicalismo. Caso de Rogério Duprat.

5- Eu acredito que sua música assimcomo a de VILA-LOBOS/hermeto paschoal/tom jobim/jards macalé, será sempre bem vinda aos ouvidos e valoorizados por david byrne e outros multiartistas  internacionais,porque voces sempre criaram música brasileira, e não arremedos e e imitações pops,coisas que eles já conhecem, é mais ou menos isso?
Resposta – Há um leque de possibilidades de fruição das canções, não sei qual é a medida de avaliação dessas pessoas que fruem a música popular brasileira. Sem dúvida, o pé no Brasil é importantíssimo para dar o passo, para o caminhar musical.
 abçs

2 comentários:

Luiz Eurico disse...

Sensacional, Everi!
As perguntas demonstram o teu conhecimento da obra do entrevistado.
O cara é genial!

Ivone disse...

O ZÉ ,SEMPRE A MIL...
SAUDE SEMPRE SEM FIM