sexta-feira, 27 de setembro de 2013

ROBERTO PÍVA



Roberto Piva.
                  POEMA ELÉTRICO DO CU
músculo de veludo na boca de todos os feirantes
            torpedeiros    meninas de internato
            negociantes   padeiros    farofeiros
            torcidas    exércitos de humanocultura
            onde você habita alucinante como
            promessa derradeira
cu boquiaberta entrada franca dos demônios
            pesadelo dos adolescentes    fogueira da
            solteirona em férias    árvore genealógica
            da Cloca Mater onde foi chocado
            o ovo humano numa temperatura
            de 300 sóis
cu   fonte de energia kundalini    hóstia dos
            grandes libertinos    fornalha dos
            cocainômanos    boca azulada da
            verdade corpórea diagramada no
            infinito do desejo      cu grande iniciador
           de tempestades amorosas      vertigem verdadeira
           onde os amantes deslizam
cu   vaporizador da Idade Média do corpo
           onda bioenergética de metais coloridos
           omoplatas carregadas de hidrogênio
           leopardos alucinados de tanto veludo 
cu de cabelos   negros     loiros   ruivos   castanhos
           cipoal de intrigas   onde o caralho
           se perde     se desnorteia    desmaia de gozo
           na contração do espasmo da alegria erótica
cu selvagem assaltante noturno     diurno     trombadinha
           espadachim das estradas   que levam
           ao Grande Precipício anunciador de Paixões
cu das penugens suaves & sumarentas    flor carnívora
           labareda policiada pela civilização
            ave louca    solitária    perdida   bêbada 
           amorosa 
cu proletário  do  corpo      grande escorpião revoltado
            teu vôo de liberdade começa  a acontecer
colaboração? poetamigo claudio willer

Um comentário:

Antonio Lopes disse...

O Piva tá fazendo falta. poesia era instigante e muito nova. Boa lembrança