quarta-feira, 6 de agosto de 2008

MARIO QUINTANA 80 ANOS DE POESIA


80 ANOS DE POESIA
MARIO QUINTANA
Antologia traz amostragem cronológica e abrangente de vasta obra do poeta gaúcho
O livro abrange os 80 anos de atividade poética do autor, portanto, seus principais livros: A rua dos Cataventos (1940), Baú de espantos (1986), Sapato florido (1948), Espelho mágico, O aprendiz de feiticeiro (1950) Caderno H (1945-1973), Apontamentos de história sobrenatural (1976) e Nova antologia poética (1981-1985). A seleção, a cronologia e a bibliografia ficaram a cargo da organizadora da coleção; a fixação de texto, de Lúcia Rebello e Suzana Kanter; e a elucidativa apresentação, de Maria do Carmo Campos.Intitulada “Quintana, a aventura da poesia”, a apresentação leva seu título ao pé da letra, comentando, em ordem cronológica, cada volume representado na antologia — logo, toda a aventura poética de Quintana. “A rua dos Cataventos reúne uma série de sonetos que foram escritos simultaneamente a outros poemas, com formas e temas diversos, publicados em outros volumes. Esse primeiro livro destaca-se pelo tom melancólico, quase elegíaco, com que o poeta esboça imagens estranhas, mágicas, esfumadas. [...] Canções, de 1946, revela outras formas e tonalidades poéticas, preservando, contudo, alguns traços melancólicos, como o poema que evoca a cena de uma menina morta. No fluir das páginas, contudo, os tons sombrios contracenam com lembranças lúdic as e registros pontuais da infância vivida em Alegrete. [...] Sapato florido pauta-se por uma entrada mais alegre na vida cotidiana, na diversidade das coisas, na procura de uma visão exterior. [...] Espelho mágico e Aprendiz de feiticeiro, cada um com suas características, reforçam o perfil poético de Mario Quintana. A familiaridade profunda com a literatura e com a poesia outorga-lhe o direito a escolhas radicais, como a de imprimir um pendor didático a Espelho mágico, com versões modernas da literatura moralizante”. Ao final, sintetiza a apresentação, “Com um conjunto de sonetos, canções, poemas de forma livre, epigramas e tantas outras composições, a obra [de Mário Quintana] surpreende por sua irreverente diversidade. Quintana é um moderno que trabalha entre a força do canto e a barragem da consciência, entre a poesia e a prosa, entre o passado e o presente, num movimento contínuo que não elide vivências e que ampara, no conjunto, razões inúmeras de riso e de alegria, muitas das quais descobertas na aventura da poesia”.
TRECHO:

Em cima do meu telhado,
Pirulin lulin lulin,
Um anjo, todo molhado,
Soluça no seu flautim.

O relógio vai bater:
As molas rangem sem fim.
O retrato na parede
Fica olhando para mim.

E chove sem saber por quê...
E tudo foi sempre assim!
Parece que vou sofrer:
Pirulin lulin lulin...

(“Canção de garoa”)
SOBRE A COLEÇÃO:
A Coleção Mario Quintana, lançada em 2005 em comemoração dos cem anos de nascimento do poeta gaúcho (2006) chega ao 18º volume com uma antologia que é, de certa forma, uma síntese da própria coleção.O AUTOR:Mario de Miranda Quintana nasceu em 1906, em Alegrete (RS). Em 1919, matriculou-se no Colégio Militar de Porto Alegre, que abandona em 1924. Em 1926, começa a trabalhar na Livraria do Globo, ao lado de Mansueto Bernardi, na seção de literatura estrangeira. Colabora na Revista do Globo e no jornal O Estado do Rio Grande. A Editora Globo publica seus primeiros livros de poesia: A rua dos Cataventos (1940), Canções (1946) e Sapato florido (1948). Seu quarto livro, O aprendiz de feiticeiro (Edições Fronteira, 1950), obtém grande repercussão crítica, sendo o preferido de Bandeira e Drummond. O quinto, Espelho mágico, é lançado em 1951, pela Globo. Em 1953, ingressa no Correio do Povo, de Porto Alegre. Em 1961, publica Poesias, reunindo a p rodução anterior. Em 1967, recebe o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre. Em 1973, é lançado o famoso Caderno H, com os textos publicados em periódicos, como A Província de São Pedro (1945) e o Correio do Povo (a partir de 1953). Em 1974, o governo do RS concede-lhe a medalha Simões Lopes Neto. Em 1976, ano em que completa 70 anos, é publicado Apontamentos de história sobrenatural (Globo), pelo qual recebeu o prêmio Pen Clube de Literatura Brasileira no ano seguinte. A obra poética de Quintana é vasta, somando mais de 35 títulos, dentre os quais alguns de literatura infantil. Além disso, participou de inúmeras antologias no Brasil e no exterior, tendo diversos poemas traduzidos em periódicos internacionais. Paralelamente, Quintana foi um grande tradutor, vertendo mais de 30 obras para o portugu&e circ;s. Destacam-se Lord Jim, de Conrad, Eu, Claudius, Imperador, de R. Grave, No caminho de Swann, O caminho de Guermantes e Sodoma e Gomorra, de Proust, Mrs Dalloway, de Virginia Woolf e Novelas completas, de Merimée. A bibliografia sobre Quintana é também extensa, reunindo textos e homenagens (em prosa e verso) de Augusto Meyer, Sergio Milliet, Carlos Drummond, Celso Pedro Luft, José Paulo Paes, Paulo Mendes Campos, Mario da Silva Brito, Massaud Moisés e Erico Veríssimo, entre outros. Mario Quintana faleceu em 1994.

Um comentário:

gaby disse...

ess nova obra "80 anos de poesia"tem muitas poesia enteressante é muito legal espero que todos gostem